quarta-feira, 3 de junho de 2015

Capítulo 66 - “Casa comigo?”

Olhando pra trás parece que foi ontem que meus avós renovaram os votos, quando fecho os olhos ainda consigo ver nitidamente a emoção estampada nos rostos deles da mesma forma que eu quero e espero que aconteça comigo daqui a alguns anos, mas já passaram cinco meses. Cinco loucos e maravilhosos meses! Logo depois da renovação, quando voltaram de Florianópolis, meus avós encontraram o cantinho deles; uma casa em Ponta da Praia (não muito longe de nós, graças a Deus) bem a cara deles, simples mas espaçosa, com três quartos, área de serviço ampla (a parte da casa que a Duda mais gosta) e até garagem. No começo eu confesso que fiquei com receio, não queria eles morando sozinhos de jeito nenhum mas aí surgiu a ideia de contratar uma diarista, então passei a aceitar melhor essa decisão, que eu querendo ou não, era apenas dos meus avós. A Tia Ná indicou uma diarista ótima, e esse foi só o começo da nova vida deles. 

E por falar em nova vida, no finalzinho de maio (esse mês foi realmente agitado, talvez por ser o mês das noivas...), Manu e Gil foram para o Rock in Rio USA, em Las Vegas. Até aí nada anormal, ok. Mas voltaram casados. Sim, você não leu errado. Casaram em meia hora, na famosa (e linda) Graceland Wedding Chapel com direito a Elvis Presley como padre da cerimônia, outros casais que se casariam em seguida como convidados e até um cadilac cor de rosa pra dar uma volta na cidade depois. Eu não acreditaria se não visse os vídeos. Claro que foi mais por diversão, um casamento informal, sem papel assinado nem nada, tanto que não vale no Brasil e, segundo eles, essa era a ideia já que não tinham nada programado. Queriam apenas aproveitar o momento, curtir a experiência, ser mais um casal a fazer parte da tradição de se casar em Las Vegas e poder dizer “What happens in Vegas, stays in Vegas” (O que acontece em Vegas, fica em Vegas). Esse foi um meio termo justo que eles encontraram, já que o Gil queria sim casar e a Manu achava que isso era muita responsabilidade, então um casamento não-oficial resolveu tudo. E talvez algumas mães ficassem chateadas por não presenciar ao vivo o casamento da sua única filha, certo? Não a Fatinha. Ela fez questão de demonstrar a sua felicidade de todas as formas possíveis, ficou bastante emocionada (não mais do que o Théo) quando viu os vídeos da cerimônia e no final só falou que tinha muito orgulho da sua filha ser tão parecida com ela. Essa foi a conclusão que eu cheguei também, afinal a Manu sempre falou muito da mãe sem saber que tinha mais coisas dela do que podia imaginar. Acho que posso dizer que eles voltaram diferentes dessa primeira viagem juntos, (e não, não estou falando da aliança no dedo anelar), voltaram mais maduros, mais certos do que realmente queriam, e a prova disso é que estão morando juntos desde então, até adotaram um dos filhotinhos da namorada do Luck (Nina, cadelinha da nossa vizinha do sexto andar) e pasmem, a Manu deu a ele o nome de Cebolinha. É claro que tirei muito sarro da cara dela, porque tudo que eu disse, mesmo sem nenhuma pretensão, acabou realmente acontecendo e eu nunca tinha visto ambos tão felizes antes. O amor tem dessas coisas mesmo, falo por experiência própria... mas sobre mim conto depois. 

Outra vida que deu uma volta de 360 graus nesses últimos meses foi a da Jéssica, e consequentemente, a da madrinha também. Tudo porque a Jê engravidou e o pai do bebê não se importou nem um pouco com isso, apenas sumiu do mapa assim que ficou sabendo da notícia alegando que um filho agora só atrapalharia os seus planos de subir na vida. Eu nem fiz questão de saber o nome do indivíduo ou ia passar a odiar (ou, na pior das hipóteses, bater mesmo) todos com um nome igual. A madrinha sempre foi daquelas que fingem não se importar mas na verdade são as que mais sentem, então é lógico que não virou as costas pra filha. Teve o sermão, sim, só que seguido de um pedido para que elas morassem juntas, assim uma cuidaria da outra e as duas cuidariam do bebê (que já está com três meses). E eu sabia, desde o dia que pisei em Santos para fazer a entrevista no CT, e a madrinha me levou para conhecer a sua casa, que essa era a sua maior vontade: morar com a ingrata da Jéssica - palavras dela naquele dia. O pedido foi aceito, e eu costumo dizer pra elas que essa criança ainda nem nasceu, mas já trouxe coisas boas porque hoje elas são bem mais amigas e unidas. É como a Dona Glória costuma dizer, a ordem sempre vai ser a mesma: “primeiro a chuva, depois o arco-íris.”

Os meus pais vão muito bem, obrigada. Apaixonados como sempre, juntos em tudo que fazem e com suas carreiras profissionais em ascensão. Estão vivendo o melhor momento da vida deles desde que voltaram pra Santos, e não, eles não me disseram nada disso, eu apenas sei. Conheço muito bem as pessoas que me ensinaram tudo que eu sei, por isso basta olhar para eles pra perceber que estão verdadeiramente bem e felizes.

Ok, agora eu já posso começar a falar de mim e de todas as coisas maravilhosas que Deus têm feito na minha vida. E quando eu digo minha vida é claro que isso inclui mais duas pessoinhas. Inclusive, posso começar falando dela? É que uma vez mamãe babona, sempre mamãe babona. Em agosto aconteceu o 6º Festival de Dança de Florianópolis, a Academia de Ballet Natura Essência inscreveu algumas de suas alunas e a Duda estava entre elas. A decisão final tinha que ser dos pais, mas é claro que pra gente a opinião que mais pesou foi a dela, afinal quem é que ia se apresentar? E ela quis muito ir, então depois de muito ensaio, voltamos pro lugar que a viu nascer, e que eu sempre chamaria de refúgio por ter me acolhido tão bem quando mais precisei. Só que dessa vez não estávamos sozinhas. Nós não ficamos mais sozinhas! O Júnior conseguiu nos acompanhar sem faltar a nenhum compromisso porque o evento foi no meio da semana. E posso falar sem nenhuma sombra de dúvidas que foi a noite mais importante da vida da minha pequena bailarina, que ficou em 1º lugar com uma coreografia solo de ballet clássico chamada "Fadas - A Bela Adormecida" e como se não bastasse ainda ganhou o Prêmio de Melhor Bailarina da Noite. “O primeiro de muitos”, o Júnior sussurrou ao meu ouvido cheio de orgulho, abraçado a mim enquanto eu chorava de alegria vendo e ouvindo os aplausos pra Duda. A Natura Essência classificou-se entre as 5 melhores escolas do festival também. 

Na escola ela continua não nos dando trabalho nenhum, é cheia de coleguinhas e as professoras só têm elogios pra nos dizer. Por esses e por outros 500 motivos, ela teve a festinha dos seus sonhos na semana passada, domingo (19), quando completou 5 aninhos. A minha banguelinha que acha que já pode tirar as rodinhas da bicicleta fez 5 anos! O tema não poderia ser outro, claro: Ballet Encantado. E ninguém mediu esforços para que tudo ficasse exatamente como ela queria e merecia. A decoração ficou por conta da Manu e da professora de balé da Duda que topou nos ajudar. Os tons de rosa, branco e prata deram um toque realmente meio encantado, parecia uma casinha de bailarina mesmo, o bolo foi uma atração à parte com o clássico par de sapatilhas no topo, havia fotos da Duda espalhadas por todos os lados e as lembrancinhas foram caixinhas personalizadas recheadas de surpresas e docinhos amarradas com fitas de cetim rosa claro imitando o laço dado pelas bailarinas em suas sapatilhas. Foi uma festa linda, digna da minha menina. 

Quanto à mim... Bem, se há uma semana tive a felicidade de festejar mais um aninho da Duda, agora é a minha vez de soprar vinte e duas velhinhas. Será que eu já falei que adoro fazer aniversário praticamente colada com ela? Ver o sorriso dela em todas as suas festinhas já é um presente antecipado pra mim, não preciso de mais nada, nem me sinto no direito de pedir. Muito menos nesse ano, em que tudo está dando tão certo na minha vida... o que mais posso pedir? Só tenho mesmo é que agradecer. 

No mês passado (setembro), aconteceu a festa “Melhores dos Melhores” em comemoração aos 25 anos do Prêmio Marketing Best e um júri composto por 36 membros da Academia Brasileira de Maketing tinha a missão de eleger e homenagear as empresas de maior relevância para o mercado da comunicação e/ou do marketing brasileiro. Havia jornais importantes, emissoras de televisão e até bancos riquíssimos entre os indicados, mas para a alegria da nação santista (sim, porque eu comemorei como se fosse um título), o Santos Futebol Clube levou mais esse prêmio para o Memorial de Conquistas. O orgulho que senti por saber que tinha um pedacinho de mim ali naquele prêmio foi tão imensurável que só consegui chorar enquanto o presidente discursava e agradecia a todos. Todos mesmo, sem exceções, porque o prêmio foi apenas uma consequência de um trabalho coletivo maravilhoso de ser feito. É por isso que não canso de repetir o quanto amo o meu emprego e mais importante ainda, as pessoas com quem trabalho. 

A carreira do Júnior também anda melhor do que nunca. Ele voltou a ser capa de jornais sim, inclusive estrangeiros, mas não por causa de escândalos na sua vida pessoal e sim pelo seu futebol, que é cada dia mais lindo. Ele nasceu com o dom de encantar as pessoas com a bola nos pés, isso é indiscutível. E eu tenho um orgulho imenso de ter visto o seu sonho nascer e se tornar realidade.

Saindo do campo profissional, eu poderia citar uma música para resumir o campo pessoal (amoroso), mas não consigo encontrar nenhuma. Still into you de Paramore? I love you da Avril Lavigne? Two is better than one de Boys Like Girls? Não sei, mas adoro todas elas. Talvez se juntasse as três, não necessariamente nessa ordem, poderia... Ok, é brincadeira. 
Quando a Manu e o Gil voltaram de Las Vegas decididos a morar juntos, acabaram dando o empurrãozinho que faltava pra eu e o Júnior decidirmos fazer o mesmo. Na verdade ele já passava mais tempo no apê do que na sua própria casa, então não foi um passo assim tão grande nem tão surpreendente pra ninguém. O fato de nos conhecermos tão bem, e sabermos todas as manias e defeitos um do outro ajudou bastante a nos acostumar com a nossa nova rotina. Mas não foi difícil. Não tenho o que reclamar do meu namorado. Quer dizer, eu poderia citar umas duas ou três coisinhas, como por exemplo: me esquecer completamente quando está passando algo do seu interesse na TV e depois pedir pra eu repetir tudo que estava falando, não me deixar ler os meus amados livros por muito tempo pois diz que esqueço do mundo e por último, nunca assistir uma comédia romântica comigo até o fim. Não posso falar por todos os homens, mas o meu ouve sessão pipoca e entende sessão amasso. Não que eu tenha algo contra, só que geralmente sou agarrada antes mesmo que as protagonistas dos filmes e isso é inadmissível, só não consegui fazê-lo entender isso ainda mas um dia chego lá.

Dificilmente brigamos ou até mesmo discutimos, mas é lógico que temos muitas opiniões diferentes sobre determinados assuntos, principalmente em relação a Duda, porque sei que se pudesse ele mimava e presenteava ela o tempo todo e eu juro que entendo o lado dele em querer dar pra ela tudo que não pôde ter, só que não acho isso certo pra nenhum dos dois, afinal nada em excesso é bom. Mas sabemos conversar e ouvir um ao outro também, o que é fundamental pra uma boa convivência, até porque nunca achei que ele fosse perfeito ou pedi que mudasse só por estarmos morando juntos (e vice-versa, porque sou cheia de manias irritantes, assumo), apenas aprendi a lidar com os seus defeitos, fazendo com que aos poucos as qualidades fossem sobrepondo-se sobre eles.

Apesar de ter decidido não fazer nenhuma festa e comemorar o meu dia apenas com um jantar pra família toda na casa dos meus avós, ganhei uma surpresinha do pessoal do CT, com direito a presente e tudo na sexta. São todos uns amores. Aliás, sexta-feira foi um dia muito importante pra mim, certamente não vou esquecer! 

Acordei com uma sensação de paz interior muito boa. É engraçado as peças que a vida prega na vida da gente, não é? Quando está tudo bem sempre acontece algo, seja bom ou ruim, pra nos dar uma balançada básica e, ou nos desestruturar de vez ou nos manter mais firmes ainda. Sem falsa modéstia, acho que a minha cota de balançadas ruins já esgotou! E como já mencionei anteriormente durante a minha retrospectiva, nesse ano eu não queria pedir nada, apenas agradecer. E foi o que fiz. Agradeci por mais um ano cheio de altos e baixos que serviram para me ensinar tantas coisas, pela filha maravilhosa que tenho, pelo amor da minha vida me amar tanto quanto eu o amo, pela família impecável que nunca me deixou desamparada, pelos meus amigos loucos que sempre me entenderam, pelo meu emprego, pelo presentinho muito especial que ganhei de aniversário com alguns dias de antecedência, enfim. Agradeci pela minha vida, que apesar de todos os percalços, era muito melhor do que algum dia sonhei.

Fazer aniversário é bom porque é um dia em que sorrimos por tudo e pra todo mundo sem precisar de um motivo, eu gosto disso. Mas meu primeiro sorriso do dia desvaneceu um pouco ao constatar que já estava sozinha na cama e, voltou no instante seguinte quando vi tudo que ocupava o lugar do Júnior. Levantei mais do que depressa para abraçar o buquê lindíssimo só de rosas vermelhas que estava acompanhado de uma caixinha do meu chocolate trufado predileto em formato de coração e outra caixinha preta... de veludo. Meu coração deu um pulo e tive que me controlar pra não deixar que ele saísse pela boca. Peguei-a, e chamei pelo Júnior com a esperança de que ele pudesse sair do banheiro, mas isso não aconteceu.... e se estava ali, obviamente, só podia ser para eu abrir. Contei de um até três, abri, e a única coisa que encontrei foi um papelzinho que reconheci como sendo da minha agenda. Eu não estava esperando encontrar outra coisa... Mentira, estava! Mas ele arrancou uma folha da minha agenda? Devia estar com muita pressa então... Ok, não podia deixar a frustração falar mais alto porque sabia muito bem que isso ia acontecer e tudo não passava de uma grande coincidência... pra não falar azar mesmo. Ele teria que estar presente em um compromisso oficial do Santos junto com alguns outros jogadores durante o dia; isso porque eu fiz de tudo pra fechar com a bendita patrocinadora, e ela resolveu lançar a nova camisa em pleno domingo, justo no dia do meu aniversário e claro que Neymar Júnior tinha que ser um dos modelos, que sorte a minha. Já estava ciente de tudo isso, só não achei que ele fosse sair antes que eu acordasse... Queria ter o poder de saber se ele me deu um beijo antes de ir. Sorri com esse pensamento. Eu sei que deu! Voltei minhas atenções para o papel em minhas mãos, e desdobrei-o. 
“Feliz aniversário, meu amor! 
Mil vezes obrigado por existir em minha vida.
E... eu sei que o dia é seu e teoricamente eu é que devia lhe presentear, 
mas posso abusar um pouco e te pedir uma coisa?

PS: Desculpa ter saído antes de você acordar. Te vejo mais tarde. Amo você!” 
Terminei de ler com um sorriso enorme, virando o papel de um lado pro outro achando que, ou ele esqueceu de continuar escrevendo (pode não ter dado tempo, né?) ou ele realmente queria apenas me deixar curiosa, intrigada e sem entender nada. É lógico que a segunda opção era a verdadeira, a primeira não deveria nem existir, a ingenua sou eu porque de bobo ele não tem nada, nunca teve. Me deixou curiosa sabendo que não estaria por perto pra eu ficar enchendo saco com perguntas e o melhor é que nem podia ficar ligando também pra não atrapalhar (quanto mais rápido aquilo lá terminasse melhor). Precisava admitir que dessa vez ele se superou... e pronto, só isso já fez outro sorriso surgir, fazendo a frustração evaporar rapidinho; ok, ele não estava ali naquele momento mas o dia tem vinte e quatro horas, e não era exatamente um papelzinho que esperava encontrar dentro da caixinha mas o que estava escrito nele me fez esquecer até o que eu realmente esperava encontrar. Não que eu estivesse desesperada, muito longe disso, sempre conversamos sobre casamento só que nunca de maneira séria, pra definir data nem nada, tanto que em uma dessas conversas chegamos a fazer uma espécie de aposta (o tipo de coisa que só nós fazemos, eu sei, mas somos assim, fazer o quê?): eu falei que, como nunca fizemos nada do jeito convencional seria legal se eu pedisse ele em casamento. Claro que o seu orgulho masculino não gostou muito dessa ideia, e ele apostou que seria o contrário, da forma tradicional (provavelmente, esse foi o motivo do meu nervosismo quando vi a caixinha). O que apostamos? Se eu contar ninguém acredita! O fato é que tudo não passou de mais uma de nossas conversas loucas que sempre terminam em boas gargalhadas. Mas ele colocou o papel dentro da caixinha de propósito porque sabia o que eu (e qualquer outra mulher no meu lugar) iria pensar. 
Clara - Como é que ele consegue virar o jogo a favor dele mesmo sem estar aqui? Me explica, Luck! - ele levantou as orelhas ao ouvir o seu nome, estava deitadinho nos pés da cama - Vem cá - aproximou-se de mim imediatamente e quando abri os braços, ele se jogou em cima de mim. Por estar grande e pesado, acabei deitando de novo com o choque. Era como se ele estivesse me abraçando e isso me fez rir - Ok garotão, eu também te amo mas preciso respirar - consegui tirá-lo de cima de mim e lhe dei um beijinho. Levantei, fui pro banheiro, escovei os dentes e comecei a ouvir vozes. Era pra estar apenas eu e a Duda em casa, e eu não me lembro de nenhuma boneca dela que fale como um ser humano! Abri a porta pra sair do quarto de pijama mesmo e me deparei com um caminho de brinquedos, ursos e bonecas pelo corredor todo, começando bem na minha porta mesmo. Nem sabia o que ela estava aprontando mas já estava rindo. O caminho me levou até a cozinha, onde a Duda estava na companhia da Manu -
Manu - Finalmente! - enxugou as mãos em um pano de prato assim que me viu - Desde quando passou a dormir tanto? Deve ter tido uma noite bem agitada - apenas fuzilei-a com o olhar, mas não tive tempo de respondê-la porque minha pequena pulou da sua banqueta toda empolgada para me abraçar, me fazendo esquecer todo o resto. Agachei para ficar na sua altura e ela me apertou bastante -
Eduarda - Feliz aniversário, mãe! Eu te amo - falou olhando nos meus olhos sem ficar coradinha, não deu pra segurar e as lágrimas rolaram sim mas tratei de enxugá-las rapidinho para não preocupá-la -
Clara - Obrigada, meu amor. Eu também te amo muito muito muito muito - dei vários beijinhos no seu rosto enquanto ela ria -
Eduarda - Eu fiz com os brinquedos que nem o João e a Maria fizeram na história que você me contou - sorriu, os olhinhos brilhando - Gostou?
Clara - Amei! - e seu sorriso ficou ainda maior -
Eduarda - Queria fazer com docinhos mas a tia Manu não deixou - fez beicinho -
Clara - Ainda bem - ri - Mas eu adorei mesmo assim - sorri e ajeitei a sua franjinha. Olhei pra Manu e... ela também estava fazendo beicinho. Gargalhei e levantei -
Clara - Pronto, sou toda sua também- abri os braços e nós duas rimos. Ela praticamente se jogou em cima de mim e também me apertou num abraço gostoso -
Manu - Não vou fazer o discurso que você merece porque não quero te ver chorar de novo e o dia está só começando - falou toda dona de si -
Clara - Sei... - rimos -
Manu - Sim, você sabe que não sou boa com aquele blá blá blá que todo mundo fala, mas o que importa é o que a gente sente...
Clara - Olha lá, você disse que não ia me fazer chorar
Manu - Tem razão, melhor parar por aqui - rimos, e em seguida ela beijou minha bochecha. Olhei para o balcão pela primeira vez e me surpreendi com o que vi -
Clara - Você fez isso agora?
Manu - Na verdade, eu e a minha ajudante fizemos - piscou pra Duda e ela assentiu animada -
Eduarda - Aniversário não é aniversário se não tiver bolo e beijinho, mãe
Clara - Ah, claro. Como é que eu pude esquecer isso? - ela encolheu os ombros do seu jeitinho fofo - E foi você mesma que fez ou...? - perguntei pra Manu -
Manu - Não, eu não comprei nada pronto, mas pode ficar tranquila que é seguro comer - gargalhei - É sério, melhorei bastante
Clara - Certo, então vamos atacar porque estou morrendo de fome - sentei e coloquei minha pequena no meu colo - Quando você chegou o Júnior ainda estava aqui?
Manu - Não - respondeu enquanto pegava os talheres -
Clara - E como você entrou?
Manu - Vocês ainda não trocaram a fechadura, nem vão trocar que eu sei. Adoram as minhas visitinhas surpresas - sentou e colocou duas velas estrelinhas em cima do bolo -
Clara - Não acredito! - comecei a rir vendo-a acender as velas -
Manu - Tem que ter o parabéns pra você, né não Duda?
Eduarda - Sim! - começou a bater palmas e a cantar também então eu e a Manu tivemos que acompanhá-la, claro. Depois sopramos as velas juntas, e aí chegou o momento de provar o bolo. Estava lindo, era simples, de chocolate e com bastante calda, parecia está muito fofinho por dentro... e estava. Apesar de ter feito um pequeno suspense só pra provocar a Manuzinha, estava uma delícia e não consegui comer uma fatia só. O mesmo posso falar do beijinho e do suco de laranja maravilhoso que ela fez também, comi bastante e sem nenhum peso na consciência. Quem diria que minha amiga ia se tornar tão prendada? -
Manu - Ok, agora que já estamos todas muito bem alimentadas, a senhorita já pode ir se arrumar - apontou para mim -
Clara - Me arrumar pra quê?
Manu - Nós vamos sair
Clara - Não tenho nada marcado
Manu - Tem sim. Achou mesmo que eu ia deixar você passar o dia todo em casa e só sair na hora de ir pro jantar? - revirei os olhos - Comprei aquele box de livros que você está louca pra ler e não conseguia encontrar em lugar nenhum
Clara - Ah, é? Encontrou aonde?
Manu - Foi lançado na Amazon um dia desses
Clara - Está falando sério mesmo?
Manu - Lógico. É só vim comigo que ele é seu
Clara - Mas isso é... - não deixou que eu terminasse de demonstrar a minha indignação -
Manu - Isso é amor, eu sei. Agora vai logo e não demora. Eu e a Dudoca já estamos prontinhas - piscou pra minha pequena novamente e ela retribuiu, como se as duas compactuassem de um grande segredo que só eu não sabia qual era. E nem adiantaria perguntar, ou seja, não tinha saída mesmo. Olhei-as com os olhos semicerrados, e ambas fizeram carinhas de inocentes. Manu fez o seu trabalho de persuasão muito bem -
Clara - Vocês venceram! - levantei as mãos na defensiva, coloquei a Duda sentada na banqueta ao lado e assim que dei as costas elas comemoraram na maior cara de pau. Sorri e fui pro meu quarto. Arrumei a cama, deixei os meus presentinhos no mesmo lugar, abri as persianas, peguei um vestido de alcinha curto e florido, rasteirinhas, e entrei no banheiro. Tomei um banho rápido, passei hidratante no corpo, me vesti, soltei e penteei o cabelo. Olhei pro relógio pela primeira vez e ele já marcava 10h40, fiquei chocada. Passei apenas um pouco de brilho labial, coloquei o celular dentro da bolsa, peguei meu óculos e voltei pra cozinha, que por sinal já estava limpinha. A Manu não disse para onde iríamos, apenas pediu que nos despedíssemos do Luck porque ele não poderia ir, mas já no caminho, entre uma mensagem e outra que ia respondendo, percebi que estávamos indo para o salão. Nem reclamei, meu cabelo estava precisando mesmo de uma boa lavada e tinha me programado para fazer isso mais tarde. Quando chegamos fomos logo atendidas porque tínhamos horário marcado, e isso não me surpreendeu; Emanuelle não dá ponto sem nó. Lavei, hidratei e escovei o cabelo, fiz as unhas, a Manu fez as mesmas coisas que eu, e deixei que pintassem as unhas apenas das mãos da Duda com um rosa clarinho. Não pude pagar nada, porque a Manu disse que já tinha pago tudo no momento que marcou nossos horários, já que fez isso pessoalmente -
Manu - Quer ir pegar o box dos livros agora? - perguntou ao entrar no carro, depois de ter deixado eu e a Duda mofando por uns cinco minutos ali dentro enquanto conversava no celular ainda em frente ao salão -
Clara - Lógico!
Manu - Perguntei apenas por perguntar - rimos. Ela deu partida e eu achei que estávamos indo para o seu apartamento com o Gil mas me enganei totalmente porque fomos parar na casa da Fatinha e do Théo. Não perguntei nada, apenas saí do carro, abri a porta traseira e tirei o cinto da Duda pra ela sair também. Estranhei a Manu não ter estacionado na garagem e sim do lado de fora, porém continuei calada. Ela destrancou o portão, me deixou entrar primeiro com a Duda e assim que pisamos no jardim vi tantos sorrisos direcionados a mim que fiquei até meio tonta, sem saber pra quem olhar primeiro. Minha mãe, minha avó, a madrinha, a Jê com a sua barriguinha linda, Gio e mais umas meninas com quem trabalho, a Paulinha de Floripa e a própria Fatinha. Fiquei imediatamente emocionada por ver tantas mulheres importantes pra mim ali, só que não tive tempo de chorar porque fui engolida por abraços e mais abraços. E as lágrimas que foram interrompidas instantes antes, voltaram com força total ao ouvir cada parabéns sincero acompanhado de palavras tão cheias de amor que eu não queria parar de abraçá-las porque foi a única forma que encontrei de tentar agradecer. Minha mãe e minha avó estavam visivelmente emocionadas também, demais até, então abracei-as ao mesmo tempo depois beijei o rosto das duas, agradecendo mil vezes por tudo que já tinham feito por mim (e claro que elas foram as que mais me fizeram chorar, normal). Depois de ter me certificado que tinha agradecido a presença de todas, principalmente da Paulinha que veio de tão longe por minha causa, pude finalmente ver a decoração ao meu redor. Ali na parte externa estava tudo bem mimosinho, já no alpendre (a parte coberta do jardim) a decoração era totalmente diferente, cada detalhezinho tinha um toque mais... feminino. Pensando bem, tudo ali parecia uma social só para mulheres -
Manu - Esses aqui são seus presentes! - surgiu de repente atrás de mim, e eu virei. Ela estava ao lado de uma mesa grande cheia de caixas embrulhadas - Esse é o meu - apontou para uma delas - Mas... - antes que ela terminasse de falar eu já estava com a caixa nas mãos. Não estava tão pesada quanto eu achei que o meu box pesaria, então abri bastante desconfiada -
Clara - Lingerie? - comecei a rir, porque era o que me restava -
Manu - Eu tinha que ter uma desculpa cabível para te trazer pra cá, mas o box vai demorar uns dias pra chegar ainda
Clara - Tudo bem, mas por que uma lingerie?
Manu - Nunca é demais - respondeu naturalmente, encolhendo os ombros como se esse fosse o presente mais normal do mundo. Estava começando a juntar as coisas, só precisava mesmo ter certeza... Aliás, como é que eu pude pensar que a Manu ficaria sem aprontar uma das suas? -
Clara - Eu adorei a surpresa, adorei mesmo! Você conseguiu tirar a Paulinha de Florianópolis - rimos - A decoração lá fora está linda, aqui também, eu com certeza vou me acabar nos docinhos mas... não está tudo muito feminino? - olhei para a mesa com os cupcakes em formato de pequenos esmaltes e batons -
Manu - Sim! A ideia era exatamente essa
Clara - Por que?
Manu - Porque é uma festinha só para mulheres - falou o que eu queria ouvir, confirmando as minhas certezas -
Clara - Como assim?
Manu - Como assim, o que? O que é uma festa para mulheres?
Clara - Você entendeu, Emanuelle!
Manu - Não, não entendi
Clara - Ok, eu explico. O meu pai e meu avô, por exemplo, não estão mesmo aqui?
Manu - Claro que não
Clara - Mas por que isso? Eu devia estar com todos aqueles que amo no meu aniversário, não?
Manu - Você vai estar com eles também, só que não agora
Clara - Além de tudo isso aqui, o que você ainda está aprontando, Manu?
Manu - Dessa vez eu não estou aprontando nada. Você vai comemorar o seu aniversário duas vezes. Qual o problema disso?
Clara - Se eu fosse avisada não teria problema nenhum
Manu - É, só que deixaria de ser surpresa - sua voz ficou um pouco ressentida, e a culpa me assolou rapidamente - É isso! E a culpa é sua. Você é tão maravilhosa que todos ao seu redor querem te agradar de um jeito, então você meio que vai ter duas festas. É só isso - guardei mentalmente a informação mais importante: “duas festas”. Será que ela estava falando do jantar na casa dos meus avós ou...? Não queria perguntar e estragar tudo também, seja lá o que fosse -
Clara - Desculpa! Você sabe como eu fico quando percebo que estão me escondendo alguma coisa. Sendo coisa boa ou não, o impulso acaba falando mais alto
Manu - Eu sei e te entendo
Clara - Estraguei tudo?
Manu - Não, na verdade você só me ajudou mesmo sem saber - sorriu -
Clara - Como?
Manu - Não, nem adianta que eu não falo mais nada
Clara - Tá, nem eu vou perguntar também. Juro!
Manu - Isso aí - aproximou-se de mim e me abraçou novamente. Ela estava emocionada, e eu amei ver o seus olhinhos brilhando com as lágrimas que ela não queria deixar rolar - Aproveita bastante o seu dia, ok? - assenti emocionada apenas por vê-la emocionada - Quero que ele seja o mais feliz da sua vida! - não sei porque, mas acabei guardando mentalmente essas palavras também. Dei um beijo no rosto dela e levei-a comigo para o jardim, estava tocando Jessie então eu rapidamente esqueci todas as minhas paranoias e suposições. Tudo que tivesse que acontecer, ia acontecer na hora certa e eu não tinha que ficar imaginando ou tentando prever nada, mesmo que isso fosse uma mania muito antiga minha, precisava apenas aproveitar as pessoas que estavam ali comigo. E aproveitei mesmo, ao máximo, mais ainda depois que a Tia Ná, a Rafa e a Joana chegaram (uma hora depois, e por isso se desculparam umas dez vezes por terem se atrasado mas só a presença delas compensava qualquer coisa). Estava adorando cada segundo cantando, rindo, dançando, ou até mesmo só conversando com elas, mas não podia negar pra mim mesma o quanto estava sentindo falta do meu avô, do meu pai e... Meu Deus, como eu queria o Júnior ali também. Era até estranho estar me divertindo sem eles. O pior é que nenhum dos três atendiam minhas ligações (liguei escondido da Manu, é claro), só pedia pra deixar recado. Deixei um apenas pro Júnior avisando onde estava e voltei a me distrair com as brincadeiras que estavam sendo propostas pela minha pequena, que estava tão feliz quanto eu. Já perto das 15h30, depois da Manu ter me proibido de abrir o resto dos meus presentes (disse que só poderia abri-los no dia seguinte) e da minha mãe ter me feito chorar horrores com um vídeo meio retrospectivo mostrando fotos minhas desde criancinha até a mãe que também sou hoje, fui atacar a mesa dos docinhos pela segunda vez com a Jê. Sim, segunda vez! No começo da festa eu tinha pensado comigo mesma “Vou experimentar primeiro os docinhos, depois os salgadinhos” e foi o que fiz, mas os salgadinhos não me agradaram tanto, não rolou aquela química... acho que por sempre ter preferido salgados já estava meio enjoada, por isso voltei para os brigadeiros, cupcakes, whoopies, casadinhos, donuts e afins. Não sabia se era meu paladar ou minha vontade de comer, mas estava tudo tão delicioso. Meu celular, que estava em cima da mesa, deu sinal de uma nova mensagem. Peguei-o e quando vi de quem era abri-a imediatamente. 
    Pelo visto a festa está muito boa aí dentro
Olhei para todos os lados procurando por ele, mas não encontrei-o.
Onde você está????
    Bem pertinho de você, consigo até te ver
Não me torture!!!!
    Estou aqui fora, mas não deixe ninguém te ver saindo
Não vai entrar?
    Vem logo!
E a Duda?
    Tenho certeza que vai ficar em boas mãos
Procurei por ele novamente e nada, olhei pro lado de fora mas só conseguia ver o carro da Manu. Eu tinha que sair sem que ninguém me visse? Como é que ia fazer isso com o jardim tão cheio?
Clara - Jê, eu vou procurar a Duda. Já volto - ela apenas assentiu de boca cheia e eu ri. Vi minha pequena sentada com a Rafa, a Gio e seu filhote, o Joãozinho. A Manu estava conversando com a minha mãe e a Tia Ná, minha avó rindo de alguma coisa com a Paulinha, e a madrinha com a Fatinha. O caminho estava, aparentemente, livre. Entrei discretamente na casa, fui pra cozinha e por sorte a porta dos fundos estava aberta. Saí, dei a volta na casa e o vi encostado no seu carro mexendo no celular, de costas pra mim. Sorri e não aguentei, corri como uma criança, ou melhor, como a Duda correria até ele - Que saudade! - abracei-o por trás e ouvi o seu riso. Ele colocou o celular no bolso, me puxou para sua frente e sorriu. Seu olhar tinha um brilho diferente, misterioso -
Neymar - Vim te sequestrar sem direito a resgate
Clara - Eu facilito teu trabalho e vou de livre e espontânea vontade - passei os braços pelo seu pescoço e ele riu, beijou a pontinha do meu nariz, depois ficou olhando pra mim por sei lá quantos segundos ou minutos, o brilho em seu olhar se intensificando ainda mais, e me deixando bastante intrigada. Só que dessa vez a saudade falou mais alto que a curiosidade e beijei-o antes que qualquer um de nós tivesse a chance de falar outra coisa. Eu sabia que a sensação de ter os seus lábios nos meus era a que estava faltando para me sentir totalmente completa e feliz. Ele colocou as mãos na minha cintura, me puxando pra mais perto, nos girou, de modo que fiquei encostada no seu carro e me beijou de volta de uma maneira deliciosamente boa e perigosa, levando em conta o fato de estarmos na rua. É claro que sabíamos disso, mas nenhum dos dois abrandou, pelo contrário até, o momento só foi ficando mais intenso e demorado porque assim que um beijo chegava ao fim, outro surgia, como se fóssemos imãs que quando se juntam é muito difícil de separar. Por isso sempre tive a ligeira impressão de que quando estamos juntos, o resto do mundo parece deixar de existir, entramos em uma redoma de vidro só nossa e esquecemos o resto; ali, naquele momento, minha impressão passou a ser uma certeza absoluta. Eu poderia passar o resto do meu dia nos seus braços e entregue aos seus beijos - Vamos entrar - tentei falar com clareza entre um selinho e outro -
Neymar - Falei sério sobre o sequestro - gargalhei - Inclusive trouxe isso - tirou uma das mãos da minha cintura, levou-a até o bolso traseiro e tirou de lá uma máscara de dormir que nunca usei. Fiquei boquiaberta enquanto ele a balançava nas suas mãos - E aí, vamos? - o sorriso misterioso estava no modo on de novo, mas eu não conseguia identificar se ele estava apenas brincando ou falando sério -
Clara - Vou sair no meio da minha própria festa?
Neymar - Só se você quiser. Seu presente pode ficar pro ano que vem, sem problemas - sorri com a sua tentativa falhada em parecer tranquilo com o meu falso receio por causa da festa. Foi então que percebi que o seu sorriso não estava apenas misterioso, estava nervoso também, mal sabia ele que eu já queria estar dentro do carro e pior (ou melhor, não sei) minha consciência nem estava pesada por causa disso -
Clara - Vou precisar usar mesmo? - apontei pra máscara, ele assentiu calmamente, então concordei, doida pra saber como isso ia acabar. Ganhei mais um beijo antes de ter que tirar o óculos e fechar os olhos pra ele colocar a máscara em mim -
Neymar - Quantos dedos têm aqui? - perguntou depois de ter guardado meu óculos na minha bolsinha -
Clara - Onze - gargalhou -
Neymar - Ótimo, podemos ir - pegou a minha mão e me afastou da porta do carro, abriu-a, me ajudou a entrar e apertou meu cinto. Ouvi a música lá dentro da casa cessar e depois a minha porta bater. Ele entrou também, ligou o som, deixou em uma rádio qualquer e o carro começou a se movimentar. Queria aproveitar que já estávamos juntos para perguntar o propósito daquele papelzinho (incompleto) dentro da caixa de veludo, mas se ele não tocou no assunto, eu tinha certeza que teria essa resposta quando chegássemos ao tal destino secreto. Poderia tentar descobrir em que ele estava pensando pelas suas expressões faciais, só que com os olhos cobertos ficava meio difícil, também não adiantava perguntar, então decidi me distrair com as músicas da rádio. Depois de quase três que eu nunca nem tinha ouvido, sorri quando os primeiros acordes de “Pra Sonhar” preencheram o carro -
Clara - Eu amo essa música! Ela vai ser a trilha de fundo no dia que eu te pedir em casamento - ele riu prazerosamente e beijou minha bochecha, mas não me contrariou ou replicou como sempre fez, só que eu estava bem mais interessada em cantar do que em puxar conversa com ele e distraí-lo - Largo tudo se a gente se casar domingo, na praia, no sol, no mar ou num navio a navegar. Num avião a decolar, indo sem data pra voltar. Toda de branco no altar. Quem vai sorrir? Quem vai chorar? - perto da música acabar, senti uma das suas mãos na minha perna e sorri. Depois disso ficamos um bom tempo apenas ouvindo as músicas, e eu acho que o trânsito estava congestionado, não tinha certeza... ou era isso ou estávamos indo pra muito longe - Estou me sentindo naqueles carrinhos de bate-bate dos parques de diversões
Neymar - Por que? - podia apostar que ele estava me olhando -
Clara - Porque tenho a sensação de que estamos rodando a horas e não chegamos a lugar nenhum. Não é possível que esse cativeiro seja assim tão longe - riu -
Neymar - Já pode esquecer esse lance do sequestro. Você é e sempre vai ser minha, não preciso fazer isso
Clara - Muito bem! Isso é o que eu chamo de confiança - rimos. Continuei com a impressão de que estávamos andando em círculos pela cidade, mas depois do que me pareceu um século comecei a sentir um cheirinho inconfundível. Aquela teoria que diz que quando você fica sem um dos sentidos, os outros ficam muito mais aguçados é bem verdade - Posso falar uma coisa?
Neymar - Pode - sua voz agora tinha um tom diferente, mais sério -
Clara - Me perdoa se eu estragar a surpresa, ok?
Neymar - Ok - riu, e a sua risada me fez rir também -
Clara - Estou sentindo o cheirinho de maresia - ele ficou em silêncio durante uns trinta segundos -
Neymar - Você está certa - o carro parou no mesmo instante -
Clara - A festa é aqui? - comecei a rir achando uma loucura muito grande o que estava pensando porque ele não poderia fechar a praia por minha causa... poderia? Meu riso cessou quando me dei conta da burrada que tinha feito. Ops, será que falei demais? Foi por isso que ele não respondeu nada? Ouvi a porta do motorista bater, e logo em seguida a minha foi aberta - Desculpa, é que a Manu me contou mas foi sem querer, não briga com ela - ele tirou meu cinto, pegou minhas mãos e me ajudou a sair do carro -
Neymar - Sim, a sua festa é aqui!
Clara - Ai, meu Deus! - senti um friozinho inexplicável na barriga e ri novamente. Ele também riu, um riso nervoso que só fez o friozinho aumentar -
Neymar - Vou tirar a máscara, mas você vai manter o olhos fechados. Tudo bem?
Clara - Tudo bem - respondi quase imediatamente, e me arrepiei ao sentir suas mãos na minha nuca, elas foram subindo e muito lentamente tirando a máscara. Permaneci de olhos fechados como me pediu, apesar da tentação em querer abri-los logo. Ouvi seus passos se afastando um pouco, depois a porta do carro abrindo e fechando. Estava tão silencioso ao nosso redor que eu conseguia ouvir os passarinhos -
Neymar - Pode abrir. Devagar, por causa da claridade - abrir os olhos era o que mais queria desde o momento que ele colocou aquela bendita máscara em mim, mas não sei... quando fui autorizada a abri-los fiquei nervosa de repente. Não sabia o que me esperava e isso me deixava inquieta - Abre os olhos, Clara - pediu suavemente. Eu não consegui negar o seu pedido e fui abrindo aos pouquinhos, o seu sorriso foi a primeira coisa que vi - Por que está nervosa?
Clara - Não sei - olhei pra baixo com a intenção de fugir do seu olhar e acabei vendo o que estava nas suas mãos, mas não acho que ele estava escondendo porque seu sorriso aumentou ainda mais -
Neymar - Acredita que na pressa, acabei esquecendo de deixar isso aqui na sua cama também? - levantou a caixinha de veludo, vermelha dessa vez - É a outra parte do seu presente! - pegou a minha mão e colocou a caixinha sobre ela, eu só observava as suas ações sem consegui falar nada - Eu perguntei se podia te pedir uma coisa naquele papelzinho, não foi? - assenti - Posso? - assenti de forma robótica novamente. Estava começando a achar que se caso abrisse a boca, meu coração sairia pulando. Sua mão, que até então eu não tinha percebido o quanto estava suada, soltou a minha e eu soube no mesmo segundo que era um incentivo para abrir a caixa. Não quis pensar muito ou passaria a vergonha de ter um colapso nervoso na frente dele. Abri-a com as mãos trêmulas, e logo de cara vi... um papelzinho, é claro. Peguei-o disposta a ler qual era a brincadeirinha da vez, mas embaixo dele havia um par de alianças tão lindas que meu coração não aguentou, juro que se não tivesse levado a outra mão à boca, ele sairia sim. Mas sairia pulando de alegria! Olhei pra ele e seu olhar era indecifrável, mas estava direcionado para o papel, então desdobrei-o rapidamente.
“Casa comigo?”
Duas palavrinhas. Um amontoado de sentimentos dentro de mim. Eu não sabia o que queria fazer primeiro: rir, chorar ou me jogar nos braços dele gritando “SIM!”, então na dúvida fiz tudo ao mesmo tempo. Ele me segurou firme, rindo junto comigo e visivelmente mais relaxado.
Neymar - Você disse sim? - é claro que eu disse, gritei na verdade -
Clara - Sim! Mil vezes sim - comecei a dar beijos por todo seu rosto e nem sabia direito onde estava beijando, só queria beijá-lo, mostrar pra ele o quanto estava e sempre seria grata por tê-lo na minha vida -
Neymar - Agora?
Clara - O que? - franzi a testa, não entendendo muito bem o que ele quis dizer -
Neymar - Casa comigo agora? - arregalei os olhos de forma exagerada até e minha crise (nervosa) de riso voltou com tudo -
Clara - Como assim?
Neymar - Olha pra trás - foi instintivo, ele terminou de falar, eu olhei e... Meu Deus! Só não caí redonda pra trás porque ele permaneceu bem perto de mim. O friozinho que estava sentindo antes provavelmente congelou meu estômago. Levei as mãos - sim, as duas dessa vez - à boca, chocada demais pra acreditar que aquilo era real. Afinal, minha mãe, minha avó, a madrinha, a Fatinha, Manu, Tia Ná, Rafa, Joana, Jê, Gio, Paulinha e as outras meninas estavam todas na minha festinha, certo? Como é que elas iam vim parar aqui se nem sequer me viram saindo? Como é que meu pai, meu avô, o Tio Neymar e o... o que o Diego estava fazendo ali? Como podia ser possível? Será que eram hologramas? Esse pensamento em qualquer outra situação me faria rir com certeza, mas não na situação em que me encontrava. Não na hora do... meu casamento (?) Isso só faria sentindo... se todos soubessem de tudo desde o começo. E puta merda, é claro que sabiam! É claro que estavam todos juntos nessa a sei lá quanto tempo. Tudo começou a se encaixar na minha cabeça: a Manu me distraiu o dia todo; meu pai e meu avô que sempre gostaram de ser os primeiros a me desejar feliz aniversário nem atendiam minhas ligações; o Júnior fez voltas e mais voltas pra chegar aqui em Aparecida, provavelmente pra dar tempo de todos chegarem antes; e mais, não sabia o motivo do atraso da Tia Ná, da Rafa e da Joana mas já estava achando muito suspeito também. Será que elas estavam ajudando na organização? Não, espera. Ajudando quem? Saí do transe temporário que a surpresa me fez entrar e tenho pra mim que eles estavam com medo do meu silêncio porque de repente começaram a gritar e bater palmas. Queria sorrir, porém ainda estava me sentindo meio intimidada. Pisquei várias vezes e olhei ao redor, prestando atenção na decoração pela primeira vez. Estava tudo tão simples e lindo que se eu fosse sonâmbula diria que eu mesma tinha decorado tudo. Um arco de flores do campo chamava à atenção na “entrada”, ao lado havia uma mesa de som com duas caixas, as cadeiras estavam forradas com tecidos mesclando o branco e tons de marfim e ao lado daquelas que estavam na ponta do corredor haviam velas luminárias que já estavam acesas, deixando o clima muito romântico já que o final da tarde estava se aproximando. O corredor era um tapete de fibras com um caminho de pétalas por cima e o altar era de madeira (parecia bambu), decorado com tecidos também brancos e com as mesmas flores do arco da entrada, o homem baixinho que estava ali provavelmente era o juiz de paz. Uma cobertura transparente cobria tudo. Ao lado esquerdo desse cenário da cerimônia havia uma tenda branca toda fechada, já do lado direito havia outra totalmente aberta com um tapete de fibras ainda maior, almofadas combinando com as cores das flores em cantinhos estratégicos, vários penduricalhos, luzinhas também já acesas e algumas mesas recheadas de coisas, inclusive conseguia ver o bolo com dois noivinhos em cima; acreditem, dava pra ver uma bola de futebol nos pés do noivo e esse foi o baque final, o que realmente me fez acreditar que era tudo real. Percebi alguns seguranças em determinados pontos da praia também, o que era compreensível já que estávamos em um local público. Não sabia definir direito o que estava sentindo, porque a verdade é que tudo estava como eu sempre imaginei, melhor até, mas eu não participei da escolha de nada e nunca pensei que fosse gostar tanto dessa ideia; isso era o mais louco. Olhei pro Júnior novamente, e ele não estava mais tão relaxado quanto antes. Não queria vê-lo tenso, de jeito nenhum, até porque as minhas únicas alternativas para a última pergunta que me fez eram: a) sim b) claro que sim c) com certeza d) a, b ou c. Não tentei esconder as lágrimas, mas sorri para tranquilizá-lo - 
Clara - Você fez tudo isso? - mal reconheci a minha voz por conta do choro, e eu sabia que essa era a pergunta mais idiota da face da terra, mas não estava me importando com isso -
Neymar - Sim - um soluço alto escapou da minha garganta, porque sim, era isso que eu queria ouvir apesar de já saber - Com a ajuda desse pessoal todo que está aí atrás
Clara - Há quanto tempo?
Neymar - O bastante pra tentar deixar tudo do jeitinho que você sempre sonhou - não consegui tirar o sorriso do rosto, mas também não conseguia parar de chorar. Meus hormônios estavam uma loucura completa -
Clara - Não teve evento nenhum
Neymar - Não - confirmou -
Clara - Mas... como? Eu vi que a patrocinadora realmente marcou o lançamento pra hoje
Neymar - Eu sei que viu, a ideia era essa. Você é muito desconfiada, tinha que achar que eu estava lá - e foi inevitável, tive que rir -
Clara - Então suponho que você me sequestrou da minha despedida de solteira
Neymar - É, esse é o nome original
Clara - Você não teve uma, né?
Neymar - Não
Clara - Ah bom - sorriu - Você é louco!
Neymar - Eu sei. Mas quem foi que disse que nunca fazemos nada do jeito convencional? - repetiu o que eu falei no dia da nossa aposta. Então eu entendi que nós sempre pertencemos um ao outro do nosso jeito nada convencional e o que estava prestes a acontecer na presença da nossa família e dos nossos amigos era apenas uma confirmação -
Clara - Tem razão! - sorri emocionada - Vamos casar. Agora! - era tão estranho falar isso, porque há uma hora atrás eu não sabia que tinha um casamento marcado, mas ao mesmo tempo causava um frenesim gostoso dentro de mim. Ele sorriu. Eu sorri. Seus ombros relaxaram imediatamente, nos abraçamos e ouvimos o pessoal gritar de novo. Rimos, e estávamos quase nos beijando quando fomos cercados pela madrinha, a Manu, a Rafa e a Tia Ná. Todas vestidas de um jeito totalmente diferente de como estavam na festa: looks despojados, de tecidos leves, cores combinando com as flores e rasteirinhas. A Tia Ná já estava com os olhinhos marejados e sorriu pra mim -
Manu - Beijinhos agora só depois de casados - conseguiu, não sei como, entrar no meio de nós dois - Chega de conversa e podem ir se arrumar
Juliana - Rápido, antes que o juiz de paz desista de esperar
Rafa - Ele está achando que a Ana Chata não quer casar e você está tentando convencê-la, maninho - rimos -
Manu - Tá, mas vamos logo
Clara - Vamos pra onde, gente? Não vai demorar muito ir em casa e voltar? - dessa vez só eles riram, e sim, o Júnior também -
Manu - Você devia nos conhecer melhor - ela sorriu, jogando os cabelos loiríssimos pro lado, depois pegou a minha mão pra me tirar dali. Olhei pro Júnior com algumas interrogações na minha expressão mas ele apenas encolheu os ombros, gesticulou “Te espero no altar” e se deixou levar pela Tia Ná também. Na realidade fomos todos para o mesmo lugar - pro lado esquerdo, em direção a tenda branca toda fechada. Não tinha ideia do que íamos fazer ali se estavam todos esperando por nós pra cerimônia começar. Mas bastou entrar na tenda pra entender o motivo: além de um espelho enorme, havia uma mesa de madeira forrada seguindo as cores da decoração do lado de fora cheia de maquiagens, secador, chapinha, headbands, fascinators feitos com flores de tecido e vários outros acessórios não só de cabelo; uma caixinha de jóias que reconheci na hora - era da minha avó; alguns pares de rasteirinhas também; e claro, o que mais me deixou sem fala foi o vestido que estava pendurado em um cabide próximo ao espelho. Era lindo, meio creme, com flores desenhadas na renda que deram ao tecido uma textura incrível, e miniflores de metal que pareciam ter sido bordadas nas alças e no laço/faixa, deixando-o ainda mais leve e delicado. Não era daqueles tipo de princesa, com saia de tule ou calda longa mas o estilo meio vintage era tão familiar pra mim que precisei chegar mais perto e tocá-lo -
Clara - Eu conheço esse vestido! - sussurrei, balando a cabeça e tentando me livrar do meu delírio, porque aquilo seria irreal demais... não seria? Um vestido que sempre vi nos álbuns da minha família não poderia estar ali -
Débora - Eu também! - virei ao ouvir a sua voz, que acabou sendo a resposta que eu precisava. Não, não seria irreal demais! -
Clara - Mãe! - minha voz saiu chorosa, e ela não falou nada, apenas se aproximou ainda mais de mim e me abraçou. Podia sentir as lágrimas dela no meu ombro e isso abriu caminho para as minhas também - É o seu?
Débora - Não - enxugou meu rosto delicadamente - É o seu - sorriu. Eu estava começando a me perguntar se ia realmente consegui chegar ao altar, porque não estava sabendo lidar com uma surpresa a cada cinco minutos - A ideia foi da Manu, a sua avó cuidou de todas as modificações e o adaptou ao seu corpo com moldes de alguns de seus vestidos. Você não podia casar toda coberta que nem eu - rimos levemente - Portanto, é com muito orgulho que digo que ele agora é seu
Clara - Obrigada - talvez fosse muito pouco dizer só isso, mas estava achando aquilo tudo tão inesperado, tão mágico mesmo, que não conseguia nem encontrar as outras palavras pra formar uma frase digna - Eu não sei como te agradecer
Débora - Mas eu sei - se afastou de mim, foi até o espelho e pegou o cabide - Está na hora! - sorri e respirei fundo, rindo logo em seguida. Estava na hora! Casar com o vestido de noiva da minha mãe! Meu Deus, que loucura! A tenda era divida em duas partes por dentro (presumi que o Júnior estivesse do outro lado porque ouvi a sua voz), a Manu e a madrinha continuavam ali - ambas emocionadas com o momento mãe-filha que tinham acabado de presenciar - e além delas, haviam mais duas outras moças que eu não tinha visto até então mas a Manu rapidamente fez as apresentações e fiquei sabendo que a Marcelle era fotógrafa e a Elise iria me maquiar e me pentear, tudo isso em dez minutos no máximo. Nem sequer discuti, apenas sentei e passei a fazer tudo que era mandado. Perguntei pela Duda enquanto a Elise cuidava do meu cabelo, a madrinha disse que eu só a veria na hora certa mas me garantiu que ela estava tão linda quanto eu ficaria, disso eu não tinha a menor dúvida. Sorri lembrando do dia que ela ficou sabendo que meus avós iam renovar os votos, perguntou quando eu e o Júnior íamos casar e se podia levar as alianças. Parece que foi ontem... Limpei rapidamente as lágrimas que essa lembrança me trouxe porque a Elise ia começar a me maquiar. Os minutos começaram a passar depressa demais, minha mãe percebeu o meu nervosismo mas me tranquilizou bastante quando disse que a cerimônia estava marcada para às 17h, depois me ajudou com o enfeite de renda para os pés, o brinco de pérola que minha avó pediu que eu usasse e o vestido. Retiro o que disse anteriormente sobre não ser de princesa, era sim, e eu estava me sentindo uma. Ficou apenas um pouco mais justo do que deveria na região do abdômen e isso me fez sorrir mas nem falei nada com ninguém, me concentrei em ficar pronta. Consegui essa proeza em quinze minutos, o outro lado da tenda já estava completamente silencioso. Estava na hora! A Manu e a madrinha voltaram para os seus lugares lá fora, e levaram as alianças que ainda estavam comigo. Minha mãe ficou comigo enquanto a Marcelle fazia as primeiras fotos ali mesmo e antes que ela voltasse pra lá também, pedi que chamasse meu pai e meu avô. Ela sorriu, sabendo muito bem o motivo e saiu.
Quando eles entraram na tenda, precisei me segurar para não borrar a maquiagem belíssima que a Elise fez. A reação do meu pai foi linda de se ver, sua emoção era tão visível que me comoveu. Já o meu avô estava com o seu habitual sorriso largo e se aproximou de mim primeiro. Abracei-o sem demora, mas ele não me apertou muito, preocupado com o vestido. 
Marcos - Estou tão feliz por você, minha pequena - sua voz embargada também revelava o tamanho da sua emoção - Tão feliz e tão agradecido por Deus ter me dado a oportunidade de estar aqui hoje - respirei fundo, cantando interiormente o meu mantra “Não posso borrar a maquiagem! Não posso borrar a maquiagem!”. Sabia muito bem sobre o que ele estava falando e só de lembrar, uma avalanche de sensações diferentes me fazia querer chorar - Sua avó pediu pra te dizer uma coisa. Um ensinamento nosso, na verdade - senti o meu mantra começar a falhar antes mesmo de ouvir o que era - Aproveitem intensamente os bons momentos e nos ruins olhem nos olhos um do outro do jeito que só vocês sabem fazer, e resgatem o amor verdadeiro que os uniu. Ele lhes dará forças para superar e seguir sempre juntos e em frente - “Dane-se a maquiagem” foi o que pensei quando a primeira lágrima rolou rápida demais só pra não me deixar segurar
Clara - Vocês são minha inspiração! - ele sorriu e passou os dedos levemente na minha bochecha. Vi meu pai se aproximar devagarinho, estendi uma das minhas mãos e ele pegou-a
Murilo - Você está linda, meu amor - corei com o elogio, o que o fez sorrir - Feliz aniversário! - ri um pouco e eles também me acompanharam. Meu pai nunca foi o melhor amigo das palavras - sempre gostou mais de agir - então demonstrar seus sentimentos com frases feitas ou discursos de fazer qualquer um chorar não era realmente o seu forte, por isso eu sabia bem tudo que o seu simples “Feliz aniversário!” englobava. Ele não precisava me dizer mais nada
Clara - Eu quero que os dois homens da minha vida me levem até o meu futuro marido - sorri para os dois. Eles se entreolharam ainda mais emocionados do que antes, e imediatamente se colocaram ao meu lado. Peguei o buquê - a madrinha pediu umas quinhentas vezes pra não esquecê-lo - e enfim, saímos da tenda. “I'm yours” do Jason Mraz ressoava nas caixas de som e quase não acreditei quando vi que quem estava comandando a mesa de som era o Diego, sorri, ele acenou pra mim e depois apontou discretamente para uma mulher que estava sentada em um fileira na mesma direção da mesa de som. Ela sorriu timidamente pra mim e não precisei de mais nada pra entender que aquela era a Larissa. Olhei pro Diego novamente, pisquei, e ele retribuiu. A medida que íamos chegando mais perto do arco de flores, as conversas paralelas iam cessando, assim como a música também. Quando meu pai e meu avô pararam de andar, percebi que já me encontrava de frente para aquele que era dono do meu coração a muito tempo. Ele estava lindo, de camisa branca, calça também branca, um colete de cor clara que combinava com o estilo vintage do meu vestido - sem gravata e descalço como eu. O único barulho audível naquele momento era das ondas calminhas e o silêncio me deu a tranquilidade de poder observar melhor tudo e todos que estavam ao meu redor. Era final de tarde, o sol estava começando a se pôr, deixando o mar quase todo alaranjado, além de refletir nas miniflores de metal do meu vestido e nos penduricalhos que o vento também balançava levemente naquela outra tenda do lado direito. As velas luminárias estavam muito mais fortes, e automaticamente mais lindas. Olhei calmamente para cada um daqueles que estavam se levantando e direcionando sorrisos sinceros pra mim, e fiquei tão feliz por ver apenas as nossas famílias e os nossos amigos mais próximos ali, porque eles eram os únicos que realmente mereciam estar presentes. 
Murilo - Pronta? - sussurrou e eu assenti com medo de começar a tremer e nem consegui andar. Ele fez um sinal pro Diego, no mesmo instante “One and only”da Adele começou a tocar e aí eu tive certeza que as forças das minhas pernas tinham sumido de vez. Procurei pela Manu, porque isso só podia ser coisa dela e quando a encontrei seus olhos estavam brilhando e seu sorriso não tinha mais tamanho. Ela escolheu a música. A música que resumia não só aquele momento, mas a minha história inteirinha com o Júnior
Marcos - Tudo bem? 
Clara - Sim. Podemos ir agora - demos o primeiro passo em direção ao meu amor. 
Você têm ficado na minha cabeça
A cada dia eu sinto que estou gostando mais de você
Me perco no tempo só pensando no seu rosto
Só Deus sabe porque levei tanto tempo a acabar com as minhas dúvidas
Você é o único que quero

Eu não sei porque estou assustada
Já senti isso antes
Cada sentimento, cada palavra
Já imaginava tudo
Você nunca vai saber se não tentar perdoar seu passado e simplesmente ser meu

Te desafio a me deixar ser sua, a verdadeira e única
Prometo que sou merecedora de ficar nos seus braços
Por isso me dê uma chance para provar que eu sou a única que pode fazer essa caminhada
Até o fim começar
Acho que consegui chegar ao altar com a maquiagem intacta, mas não foi algo fácil. Os olhares, os sorrisos, a música... o momento em si era mágico demais. Meu avô beijou minha bochecha, cumprimentou o Júnior e se juntou a minha avó, a quem entreguei o meu buquê. 
Murilo - Você vai ficar em boas mãos - afirmou, depois de ter beijado minha bochecha também - Sempre esteve - completou enquanto apertava a mão do Júnior e entregando a minha à ele em seguida. Nós sorrimos, entrelaçamos os dedos e ele beijou a minha testa antes de virarmos pra frente. O juiz de paz começou a cerimônia, respondemos “Sim!” umas três vezes para as primeiras perguntas que fez, e então ele começou a ler: (Eclesiastes 4:9-12) -
Juiz de Paz - Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Pois se caírem, um levantará o seu companheiro; mas ai do que estiver só, pois, caindo, não haverá outro que o levante. Também, se dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só como se aquentará? E, se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; e o cordão de três dobras não se quebra tão depressa - pousou a bíblia na mesa e olhou para o Júnior - Neymar Júnior, você promete, diante de Deus e destas testemunhas, receber Ana Clara, como sua legítima esposa para viver com ela, conforme o que foi ordenado por Deus, na santa instituição do casamento? Promete sentir prazer de estar com a pessoa que você escolheu e ser feliz ao lado dela pelo simples fato de ela ser a pessoa que melhor conhece você e portanto a mais bem preparada para lhe ajudar, assim como você a ela? Promete amá-la, honrá-la, consolá-la e protegê-la na enfermidade ou na saúde, na prosperidade ou na adversidade, e manter-se fiel a ela enquanto os dois viverem?
Neymar - Sim, prometo - respondeu olhando diretamente para mim e sorriu -
Juiz de Paz - Ana Clara, você promete, diante de Deus e destas testemunhas, receber Neymar Júnior como seu legítimo esposo, para viver com ele, conforme o que foi ordenado por Deus, na santa instituição do casamento? Promete saber ser amiga e ser amante, sabendo exatamente quando devem entrar em cena uma e outra, sem que isso lhe transforme numa pessoa de dupla identidade ou numa pessoa menos romântica? Promete amá-lo, honrá-lo, respeitá-lo, ajudá-lo e cuidar dele na enfermidade ou na saúde, na prosperidade ou na adversidade, e manter-se fiel a ele enquanto os dois viverem?
Clara - Sim - respondi, sabendo que aquela era a primeira promessa que fazia depois de ter dito que não faria mais nenhuma, porém sabendo também que aquela seria uma promessa pra vida toda, pra nossa vida - Prometo - olhei-o e sorri também, mas desviei rapidamente para não me desconcentrar. O juiz pediu as alianças, e meu coração começou a bater ainda mais rápido do que já estava batendo porque sabia que era hora de finalmente ver a Duda. “Quando Deus criou você” começou a tocar e todos olharam pra trás. A Rafa terminou de ajeitar o seu vestidinho de renda, ela sorriu olhando pra todo mundo enquanto dava passinhos que pareciam ter sido milimetricamente cronometrados - com certeza foram. Ela estava com luvas também de renda, o cabelo completamente solto enfeitado com uma coroa de flores iguais as do meu buquê, descalça e segurando uma conchinha como porta alianças. Quando chegou perto de nós, a primeira coisa que ela disse foi que eu estava parecendo uma princesa - minhas lágrimas se transformaram em risos e abaixei apenas o suficiente para dar um beijinho no rosto dela. O Júnior fez o mesmo, ouvi quando ele disse que ela também estava parecendo uma princesa e seu rosto se iluminou com um sorriso lindo. A música terminou, ela nos entregou a conchinha, o juiz pediu para que eu e ele ficássemos de frente um para o outro e trocássemos as alianças -
Neymar - Estava me lembrando como tudo começou, da estranha felicidade que senti ao esbarrar com você e que não entendi logo de cara, mas agora sei porque - seu autocontrole era tão admirável. Ele estava visivelmente emocionado e nem gaguejava - Tudo começou ali. Você me completa de todas as formas, de todos os jeitos, com todos os tipos de felicidade possíveis. Não existe vida longe do teu amor, não existe vida longe de você - queria enxugar as lágrimas que já estavam deixando minhas vistas um pouco embaçadas, mas não queria soltar a sua mão - Tem amor que parece que nasceu pra durar uma vida inteira, tipo o meu por você. Não tem como fugir, eu nasci para te amar e te quero ao meu lado para sempre - dito isso, pegou a aliança na conchinha e deslizou-a no meu anelar da mão esquerda bem devagar, como se tivesse gravando aquele momento em especial em câmera lenta. Depois olhou pra mim e sorriu satisfeito, os olhos brilhando mais do que nunca. Peguei a outra e respirei fundo antes de começar a falar -
Clara - Nós somos pessoas muito abençoadas. Abençoados por que a vida nos uniu, há tanto tempo atrás quando o teu sorriso lindo me conquistou depois de um pedido de desculpas que eu não respondi - ele riu, e aproveitou para enxugar as lágrimas que não dava mais pra segurar - E agora, quando Deus me concedeu a benção de ter você novamente. Agradeço todos os dias a Ele e ao destino por isso. Você foi a resposta das minhas orações. E agora que eu e você somos um, nunca deixarei que lhe falte um dia de alegria, nunca deixarei faltar amor porque... porque isso vai ser impossível. Estou casando com o amor da minha vida - consegui não gaguejar, mas só porque falei tudo sem nunca desviar meus olhos dos dele. Coloquei a aliança no seu dedo também e nossas mãos entrelaçaram-se -
Juiz de Paz - Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de coração compassivo, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade, suportando-vos e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como o Senhor vos perdoou, assim fazei vós também. E, sobre tudo isto, revesti-vos do amor, que é o vínculo da perfeição - (Colossenses 3:12-14) - Declaro-os marido e mulher. Que este amor que os uniu permaneça para sempre em seus corações. Sejam muito felizes! - ouvimos aplausos e o juiz sorriu educadamente. Quão errada eu estava quando pensei estar totalmente feliz e completa há apenas algumas horas atrás... Feliz e completa estava ali, naquele momento, depois de beijar o meu marido pela primeira vez -
Neymar - Você perdeu a aposta - sussurrou ao meu ouvido e eu sorri sabendo que aquele era o momento certo. O momento que eu estava esperando desde sexta-feira pra poder lhe contar o verdadeiro motivo do meu cansaço extremo ao chegar do CT, dos meus pequenos ataques sem motivo causados por algumas variações de humor, das cólicas incessantes e das tonturas e dores abdominais que também senti, mas não contei. Tudo isso tinha um único motivo, eu já desconfiava qual era (por experiência própria!) mas só tive certeza na sexta -
Clara - Que bom! - peguei a sua mão e levei-a a minha barriga, mais emocionada do achei que estaria - Porque o seu prêmio já está à caminho.


Começar a escrever isso foi mais difícil do que escrever esse último capítulo. Não sabia como começar... e a felicidade extrema aliada à emoção - também extrema - não estavam me deixando nem pensar direito. Mas decidi tentar à flor da pele mesmo, sou sempre assim. Aliás, foi por ser assim que essa fanfic ganhou vida.
Então vamos lá...
Quando que eu ia imaginar que uma visita à casa da minha tia ia causar tudo isso? Pois é... nunca! Já estava indo embora até, quando a chamada de uma novela que estava sendo reprisada no Canal Viva me chamou bastante à atenção: Felicidade. Esse é o nome dela. Não podia encerrar esse ciclo sem saber o nome da causadora de tudo, então pesquisei quais tinham sido as últimas novelas reprisadas, e depois de conciliar as datas e ler o enredo tive certeza de que era ela.
A chamada que eu vi no dia era basicamente assim: a protagonista engravidava, mas como não podia ficar com o protagonista, meio que sumia do mapa e não o deixava saber da gravidez, só que depois querendo ou não eles teriam que voltar a conviver juntos. Foi apenas isso que eu vi, mas cenas e mais cenas foram surgindo na minha cabeça depois, fiquei imaginando como que essa história se desenrolaria. Comecei a colocar tudo no papel, só que nunca pensando nos protagonistas da novela e sim nos meus protagonistas, o que era meio maluco porque já tinha decidido há um bom tempo que não ia mais escrever.
Felizmente a vontade de dividir isso com vocês falou mais alto, continuei escrevendo e com mais ou menos 5 ou 7 capítulos prontos (queria juntar mais, e a ansiedade não deixou) comecei a postar, com um certo receio, assumo. Nunca tinha visto nenhuma parecida, então podia não ser bem aceita. Só que vocês sempre me surpreenderam! SEMPRE! É por isso que tudo que sinto por vocês não tem nada de fictício, é bem real.
Lembro perfeitamente do dia - um dos mais felizes dessa minha “era da escrita”, que eu descobri que uma pessoa do sexo masculino acompanhava a fic. Foi tão inacreditável que no início achei até que era uma pegadinha porque tenho amigas que acham isso uma perda de tempo... mas não foi uma pegadinha, era verdade. É verdade! Sou muito agradecida por ter ele me procurado, porque mesmo sem eu mesma saber acabou sendo um estímulo muito grande pra mim.
VOCÊS MARCARAM A MINHA VIDA! 
O carinho que recebi desde o início é algo que nunca, nunca mesmo, vou esquecer. Fui do riso às lágrimas tantas vezes lendo comentários. Quando estava me sentindo meio desanimada, não só por causa da fic, entrava aqui no blogger às vezes só para relê-los porque é incrível como a força das palavras de vocês ultrapassa a tela do computador ou do celular. Abracei mentalmente cada uma de vocês tantas vezes achando que um simples obrigada não era o suficiente... E apesar de ser clichê, a fic só chegou até aqui por causa de vocês sim. Pensei em desistir diversas vezes, algumas pessoas sabem disso porque aturaram bastante os meus dramas, choros e inseguranças. Pensei que não ia consegui terminar e era melhor passar pra outra... isso esteve perto de acontecer mas me faltou coragem na hora. Sentia como se tivesse abandonando um filho. Só conseguia pensar que, se eu comecei tudo isso eu precisava terminar, vocês precisavam de um desfecho descente. E... bem... esse foi o final que eu imaginei desde o começo. Naturalmente não vai agradar a todo mundo, eu sei, e podem compartilhar comigo como queriam ou imaginavam o final, a opinião de vocês sempre foi muito importante pra mim e é assim que eu quero que o nosso contato por aqui termine. Fiquem à vontade, como sempre!
Muitas coincidências maravilhosas - e loucas até - misturaram essa fic à vida real, e agora pra fechar com chave de ouro o que eu descobro? Que o nome da novela que tantas pessoas me perguntavam e nem eu mesma sabia é: Felicidade. E é com esse sentimento que encerro um ciclo maravilhoso que se estendeu por quatro anos na minha vida. Nunca pensei em escrever um livro, ser famosa nem nada desse tipo. Eu só queria ser lida e conquistei o meu objetivo.
Agradeço a todas que estiveram comigo no início mas por algum motivo desistiram no meio. Agradeço aquelas que nunca me deixaram nem pensar em desistir. Agradeço a quem nem comentava, mas dava uma passadinha aqui vez ou outra pra ler. Agradeço aos meus adoráveis anônimos. Agradeço a quem está começando a ler agora e a quem ainda lerá. Enfim, desculpem pelas mancadas, demoras, chatices e MUITO OBRIGADA! ❤

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Capítulo 65 - “O próximo casamento é o nosso”

Não sei como aconteceu, mas suspeito que tenha sido o meu subconsciente que reconheceu uma mistura deliciosa de risos ecoando pelo meu quarto e me fez acordar. Abri os olhos com dificuldade por conta da claridade, me perguntando se havia marcado algum tipo de festa no meu quarto e não estava lembrada. Porém, só a Duda e o Luck estavam presentes, ambos ao meu lado, e ela com os olhos vidrados na TV, mas não precisei de mais do que alguns segundos para entender o motivo. 
- E o coração do Neymar no momento? - ouvi, e mesmo sem querer todas as minhas atenções já estavam voltadas pra TV também, mais acordada do que nunca. E então ele surgiu na tela; de bermuda, moletom, o boné que tem girl's dad gravado na frente, e uma carinha inegável de quem dormiu mais do que devia. Deduzi que aquilo fosse ao vivo, então é claro que essa era uma pergunta que não ia ficar de fora depois dos últimos acontecimentos envolvendo a sua vida pessoal. Ele sorriu. Eu sabia que aquele sorriso era pra mim, por isso sorri também sem nenhum receio do que ia ouvir porque ele saberia o que responder para o bem de nós dois.
Neymar - Tá bem tranquilo. Tranquilaço! - riu, fazendo quem quer que fosse que estivesse entrevistando-o, rir também. Foi a última pergunta, então depois me dei conta que o cenário era o Recanto dos Alvinegros, mais conhecido como o hotel da concentração -
Eduarda - Mãe! - ela só se deu conta que eu também estava acordada porque o programa deu intervalo, e passou por cima do Luck pra deitar em cima de mim - Tava assistindo o papai também? Ele falou de mim - sorriu -
Clara - Só vi o finalzinho, amor. Mas me conta, o que ele falou de você?
Eduarda - Ah, um monte de coisas - riu - Falou que eu sou o melhor presente da vida dele. E o mais lindo também - gargalhei -
Clara - Eu concordo com ele
Eduarda - Eu sou seu presente também? - ficou com as bochechas mais rosinhas que o normal e eu assenti adorando vê-la envergonhada, o que não acontece com muita frequência. Ela me abraçou rindo e escondeu o rosto no meu travesseiro -
Clara - Foi ele que pediu pra você assistir?
Eduarda - Não - respondeu balançando a cabeça - Eu liguei a televisão e aí vi o papai ali - encolheu os ombros. Uma conexão maravilhosa então, pensei e sorri. Ficamos enrolando na cama por um tempo, acho até que a Duda tinha esperanças de ver o Júnior na TV de novo, mas isso não aconteceu porque como eu já esperava, a entrevista tinha terminado com aquela pergunta. Não estava com vontade de descer pra academia, então quando finalmente levantei a primeira coisa que fiz foi reorganizar meu mural de fotos com a ajuda da Duda, (porque ela perguntou quando que eu colocaria as fotos com o Júnior ali de novo); eu pegava as fotos, aquelas que estavam guardadas no fundo de uma gaveta, e ela muito empolgada ia colocando onde achava que ficariam mais bonitas. Depois disso só escovamos os dentes e saímos do quarto, o tempo estava friozinho por isso estávamos dispostas a ficar de pijama mesmo. A porta do quarto da Manu estava aberta, mas ela não estava lá, nem na sala ou na cozinha e só quando já estava tomando café com minha pequena vi um bilhetinho dela em cima do balcão avisando que ia dar uma passadinha na casa dos pais. Eu tinha quase certeza que o motivo dessa ida até lá envolvia mais o mini wedding dos meus coroas do que qualquer outra coisa porque ela realmente ficou animada com isso. Eu também fiquei, não posso negar. Agora mais do que nunca a minha meta de relacionamento passava pelos meus pais e terminava nos meus avós. Depois do café da manhã, deixei a Duda no meio dos seus brinquedos na área da bagunça com o Luck e voltei pro meu quarto. Precisava me distrair porque volta e meia pensava no que ia fazer à noite... e não queria ficar ansiosa, muito menos nervosa. Trabalhar é sempre a melhor distração. Liguei o mac, fiz algumas pesquisas de mercado, mudei várias estratégias do projeto de marketing que tinha em mente, e revisei o portfólio que terminei na sexta-feira. Por último entrei no portal Sócio Rei para tentar a sorte e consegui comprar os ingressos pro jogo. Quando acabei, não havia sinais da Manu ainda e me dei conta que não tinha feito nada pro almoço, nem estava com vontade de fazer também, então mandei uma mensagem pra madrinha convidando-a pra almoçar e cinco minutos depois ela respondeu confirmando a hora e o lugar. Desliguei o mac, separei logo uma roupa, deixei em cima da cama e fui ver a Duda na sala, já que ela não estava mais no quarto. Sorri quando a vi, e nem sei quanto tempo perdi apenas olhando-a.
 clarabarcelar_: Quem não tem irmão brinca só? Acho que não, heim?!  
Eu realmente não sei como a Eduarda fazia isso, mas todos os dias eu achava mais um motivo para amá-la cada vez mais, falando sério mesmo. Talvez seja coisa de mãe, não sei, pode ser. Ela me viu antes que eu falasse algo, e me puxou pra brincar também, me fez cantar todas as cantigas de roda que lembrava e terminamos rindo e rodando pela sala que nem duas doidas. Eu não trocava esses momentos com ela por nada no mundo, aos olhos de outra pessoa podia não significar muito mas pra mim era tudo. Ajudei-a a guardar todos os brinquedos depois, coloquei-a no chuveiro e comecei a escolher sua roupa; peguei um shortinho xadrez, uma blusa estampada com alguns bordados na frente e coloquei um casaquinho na sua bolsa pro caso do tempo esfriar ainda mais. Ela saiu do banheiro, enxuguei-a, vesti-a, deixei seu cabelo soltinho e enquanto ela decidia o que calçar, fui tomar o meu banho também. Me vesti, soltei e penteei o cabelo, passei pomada na tatuagem, arrumei minha bolsa, peguei o celular, o óculos e já ia sair do quarto quando lembrei de algo que me fez parar. Olhei pro meu pulso vazio, e sem pensar em mais nada fui até a gaveta e peguei a pulseira que estava guardada ali, coloquei-a novamente no seu lugar - de onde nunca deveria ter saído - e saí do quarto mandando uma mensagem pra Manu porque estava supondo que ela chegaria primeiro, já que eu só voltaria depois do jogo. Respondi uma mensagem da Rafa também, que ao contrário de mim estava muito nervosa por causa do encontro que eu tinha marcado para à noite, um exagero da parte dela, lógico, mas tranquilizei-a mesmo assim. Fui chamar minha pequena, coloquei ração pro Luck e saímos de casa. 
 clarabarcelar_: always be my baby  
Descemos para garagem fazendo caras e bocas no espelho do elevador, acho até que tiramos mais umas trezentas fotos. Destravei as portas do meu carro, coloquei a Duda na sua cadeirinha e antes de colocar o cinto também peguei o celular para desejarmos boa sorte pro Júnior de uma maneira diferente.
Clara - Filha, olha aqui - ela virou e sorriu imediatamente. A câmera é uma das nossas paixões em comum, a única diferença é que eu gosto de fotografar e ela gosta de ser fotografada - Fala boa sorte pro papai
Eduarda - Boa sorte, pai - falou com a vozinha doce que geralmente usava para falar com ele pelo telefone e o deixava babando - Faz um gol pra mim, pra mamãe e pro Luck - gargalhei -
Clara - Preciso falar mais nada, né? Três golzinhos só, sem pressão - ri - Boa sorte! Que Deus te abençoe e te livre dos zagueiros mal intencionados - soprei um beijo, a Duda fez o mesmo e deu um tchauzinho. Então, como se tivéssemos ensaiado, dissemos eu te amo ao mesmo tempo e encerrei a filmagem -
Eduarda - A gente vai ver o jogo, mãe?
Clara - Sim, só que antes vamos almoçar com a madrinha, ok? - assentiu e sorriu. Enviei o vídeo pro Júnior, dei partida e no caminho até o restaurante ouvi a minha pequena falar todos os números e cores que reconhecia nos outdoors das ruas que passamos. Eu acho que ela não sabia que eu estava ouvindo, porque falava bem baixinho, mas percebi que já conhecia quase todas as letras do alfabeto e pelo menos os dez primeiros números. Por isso se sai tão bem com as tarefinhas de casa, e na semana passada conseguiu escrever o seu próprio nome sozinha. O restaurante estava bem cheio quando chegamos mas não tive dificuldades para encontrar a madrinha porque ela foi uma das poucas pessoas que preferiu uma mesa ao ar livre, levando em conta que o tempo não estava muito confiável. A Jéssica estava com ela, e as duas levantaram com sorrisos enormes para nos cumprimentar -
Juliana - Espero que não se importe por eu ter trazido uma penetra
Clara - Essa penetra é muito bem-vinda
Jéssica - Nossa, como vocês são engraçadas. Depois não aceito mensagens dizendo o quanto eu faço falta ou querendo a minha adorável companhia - rimos -
Clara - Tudo bem, Jê?
Jéssica - Tudo ótimo - respondeu mexendo no cabelo da Duda, que ela pediu que sentasse ao seu lado - E você?
Juliana - Eu suponho que ela esteja bem tranquila. Tranquilaça! - levei apenas  alguns segundos para entender o que ela quis dizer com isso e gargalhei -
Clara - Você não deixa passar nada mesmo, né Dona Juliana? Como consegue? - ela riu -
Juliana - É simples. Conheço vocês como a palma da minha mão. Agora pode começar a contar tudo, porque não tive muito tempo com ele hoje de manhã, só sei o mais importante, que no caso é o motivo desse sorriso aí - tentei parar de sorrir e mudar o foco -
Clara - Viu ele hoje?
Juliana - Tive que ir lá no hotel, mas nem tenta mudar de assunto como ele. Não pode ter sido algo tão terrível assim
Clara - Acredite, foi. Pelo menos em partes - ela franziu a testa. Pedi para fazermos logo os pedidos porque minha pequena já estava com fome, e depois contei o que dava pra ser contado ali, ainda não queria que a Duda soubesse de nada disso, então evitei falar o meu nome ou o do Júnior enquanto resumia tudo mas elas entenderam e ficaram como toda pessoa em perfeito estado ficaria depois de ouvir uma história tão louca que mais parecia coisa de novela. Almoçamos, conversamos bastante e depois fomos caminhando mesmo até a sorveteria do outro lado da rua porque apesar do tempo e das várias opções de sobremesa do restaurante, sorvete era o que realmente queríamos. Na verdade, a Duda quis e nos fez querer também. Tivemos uma tarde maravilhosa, e foi na sorveteria mesmo que nos despedimos, elas foram para um lado e eu minha pequena pra outro. O trânsito estava um pouco caótico porque a hora do jogo se aproximava e parecia que muitas pessoas deixaram pra ir pra Vila em cima da hora - assim como eu. Mas o importante é que chegamos. Estacionei, e quando saímos do carro minha pequena segurou a minha mão muito apertado, acho que o fato de ter muita gente desconhecida ao redor não a deixava muito confortável, mas isso passou assim que chegamos aos nossos lugares na arquibancada térrea lateral. Como comprei os ingressos de última hora, não pude escolher muito, só que por sorte ou não, a visão dali era maravilhosa. Depois que sentamos, só tive tempo de responder uma mensagem da minha mãe e outra da Manu, porque começou a passar o clipe da Galera da Vila (os mascotes) no telão e fiquei tão encantada quanto a Duda - só não dancei, ela dançou junto com eles. E foi exatamente nisso que pensei quando tive a ideia do clipe: entreter e divertir as crianças também, atraí-las cada vez mais pra Vila. Perceber que consegui isso, mesmo sem querer, com a minha própria filha, me deu um sensação de dever cumprido que nunca tinha sentido antes, e era a primeira vez que via o clipe ao vivo e em cores no estádio também, isso tornou o momento ainda mais especial. Depois do replay do clipe, as escalações dos dois times começaram a passar no telão e cinco minutos depois Santos e Fluminense entraram em campo. Eu nem precisei mostrar porque a Duda viu o Júnior primeiro que eu e do jeito que ficou empolgada, se tivéssemos mais perto não tenho dúvidas de que gritaria ele. O hino foi executado, houve aquilo dos jogadores se cumprimentarem e enfim o jogo começou. Não muito bom para o nosso lado, infelizmente. Aos 19min o Fluminense abriu o placar. Mas a torcida do Santos não parou de cantar um minuto sequer, e aos 32min depois de mais um ataque deles, o goleiro do Santos deu um chutão pra frente que, não sei como, conseguiu chegar no Neymar, ele invadiu a área pelo lado esquerdo, chutou rasteiro e o goleiro do time adversário até tentou pegar... mas só tentou. A torcida explodiu de alegria, eu e a Duda começamos a pular e a gritar junto, e como se pressentisse que nós estávamos ali, ele e mais dois jogadores - que eu juro que não reparei quem eram por um único motivo: só o camisa onze importava pra mim - e pra Duda, sim porque a comemoração foi pra ela. Eles foram pro cantinho do campo, ficaram quase de frente pra nós e dançaram “cabeça, ombro, joelho e pé”. Eu quase me derreti na cadeira, e ela ficou eufórica, pulando e cantando a musiquinha. Se a torcida não tivesse cantando a todo vapor, eu acho que havia a possibilidade dele ouvi-la. Tive que acalmá-la depois disso pra ela não ficar rouca, no intervalo comprei água pra gente e assistimos o segundo tempo sentadinhas - não aconteceu muita coisa interessante (gols) então não precisamos pular, nem gritar e o jogo terminou 1 a 1 mesmo. Provavelmente nós seríamos as únicas a sair do estádio felizes como se tivéssemos vencido. Deixei que a maioria dos torcedores fossem saindo logo pra dar tempo do Júnior tomar banho e mandei uma mensagem pra ele. 
Se quiser carona estou no portão 26  
Não esperei pra ver a resposta, e saí da arquibancada com a Duda. Fizemos o mesmo caminho de volta, só que dessa vez foi mais demorado porque ainda tinha uma quantidade considerável de pessoas saindo... e qual não foi a minha surpresa quando o vi encostado no meu carro, o único estacionado ali no momento, todos os outros já tinham saído. A Duda assim que o viu também apenas me olhou como se tivesse me pedindo permissão pra fazer o que tanto queria, eu apenas sorri. Ela soltou a minha mão e encurtou os poucos metros que faltavam para chegarmos até ele. O Júnior virou ao ouvir os passinhos acelerados dela e abriu não só os braços, como também um sorrisão para recebê-la. Tirou-a do chão para abraçá-la, e ficou olhando pra ela e pra mim alternadamente, depois balançou a cabeça ainda sorrindo. Estava de havaianas e sem camisa. 
Clara - Como conseguiu chegar primeiro que a gente? Achei que ia chegar aqui e esperar pelo menos mais meia hora
Neymar - Não acreditei quando vi a mensagem e vim correndo pra cá só pra ter certeza - eu ri -
Clara - Isso quer dizer que ainda não tomou banho?
Neymar - Não
Eduarda - Eca, pai - tampou o nariz e nós dois rimos -
Neymar - Por que não disseram que iam vim? - colocou a Duda no chão, mas a manteve pertinho dele -
Clara - Aí a surpresa não ia ter graça - pisquei - Mas se realmente quiser a carona vai ter que tomar banho - gargalhou -
Neymar - Dez minutos - sinalizou, enquanto começava a caminhar, de costas, de volta para o vestiário do estádio -
Clara - Certo. A partir de agora - falei olhando para o meu relógio imaginário e ele riu, porém, não por muito tempo. Parou de rir e de andar do nada, mas continuou com os olhos vidrados no meu pulso, sorri quando percebi o motivo - O tempo está passando - mexi na pulseira propositalmente e ele sorriu, caminhando na minha direção novamente, franzi a testa e fiquei esperando o que ia fazer. Ele se aproximou apenas o suficiente para me dá um beijo, nem me tocou -
Neymar - Quinze minutos - sussurrou, e saiu correndo. Eu ri, e ouvi a Duda rindo também. Destravei as portas do carro, entramos, olhei as horas e fiz as contas mentalmente de quanto tempo faltava para me encontrar com a Bruna -
Clara - Seu pai demora mais do que eu e você juntas pra se arrumar, Duda
Eduarda - Por quê?
Clara - Não sei. Acho que é pra tentar ficar bonito - olhei pra trás e ela estava com uma carinha confusa -
Eduarda - Ele não precisa tentar, ele é bonito - defendeu-o bastante séria, como eu sabia que faria -
Clara - Você acha? - tentei não rir, mas ela sabia que eu estava brincando e sorriu -
Eduarda - Claro né mãe, e você também acha se não vocês não namoravam - encolheu os ombros e eu gargalhei. Parecia que era o Júnior que estava ali falando comigo, não a Duda e talvez fosse isso mesmo, ela estava cada vez mais parecida com ele e eu amava isso -
Clara - Estou oficialmente ferrada com vocês dois - nós rimos e ficamos ouvindo música até o Júnior voltar, dessa vez bem mais cheiroso - até demais. Ele sentou atrás com a Duda e nós finalmente saímos daquele estacionamento quase deserto já -
Neymar - Bem que estranhei você não ter respondido minha mensagem depois do vídeo
Clara - Sim, tudo fazia parte do meu plano - rimos - Aliás, por falar em vídeo...
Neymar - Então... não deu
Clara - Nós nem pedimos muito, só três golzinhos. Sem pressão
Neymar - Nem quero imaginar se pedissem muito - rimos -
Clara - Tudo bem, dessa vez eu deixo passar porque foi o primeiro jogo do campeonato e o brasileirão é bastante extenso. O Luck e eu podemos continuar esperando pelo nosso golzinho também já que hoje só uma pessoa teve esse privilégio - olhei-a pelo espelho retrovisor, pisquei e ela sorriu, seu gol foi o assunto mais comentado no caminho até em casa, ou melhor, a comemoração. Quando chegamos o apê estava do mesmo jeito que deixei e a Manu já tinha avisado por mensagem que não ia dormir em casa. Agora eu precisava decidir se contaria pro Júnior antes de ir ou só quando voltasse, mas se escolhesse a segunda opção teria que inventar alguma desculpa pra poder sair e eu realmente não sou muito boa nisso, era melhor arrumar um jeito de contar logo -
Eduarda - Tô com fome, mãe - sentou no sofá pra tirar suas sapatilhas -
Clara - Eu acho que o jeito vai ser pedir alguma coisa, porque não tem nada pronto - larguei a bolsa em cima da mesa e fui pra cozinha -
Neymar - Pedir o quê? - conseguiu se livrar da marcação cerrada do Luck e me seguiu -
Clara - Não sei. Pizza? Vocês decidem - abri a geladeira, só que não queria nada, estava apenas tomando coragem pra falar e fechei-a novamente. Virei e ele estava do outro lado do balcão me olhando atentamente, abri a boca mas ele falou primeiro que eu -
Neymar - Por que ficou nervosa do nada?
Clara - Te odeio, sabia? - saiu automaticamente, ele riu e se aproximou de mim -
Neymar - O que aconteceu?
Clara - Nada. Mas eu preciso te falar uma coisa
Neymar - Ok
Clara - É importante pra mim, então por favor, tenta entender ao invés de tentar impedir
Neymar - Ok - repetiu, dessa vez mais receoso -
Clara - Eu vou encontrar a Bruna daqui a pouco
Neymar - Quem?
Clara - Sim, ela mesma
Neymar - Por que? Qual a lógica por trás disso?
Clara - Eu só quero agradecê-la
Neymar - Por ter nos separado?
Clara - Por ter salvado a vida do meu avô. Não sei se lembra, mas essa história toda envolve mais do que eu e você
Neymar - É claro que eu lembro, desculpa. Mas... - passou as mãos no rosto meio exasperado - Isso é loucura, Clara
Clara - Talvez seja. Eu quero ir - ele desviou o olhar, respirou fundo e voltou a olhar pra mim -
Neymar - Como conseguiu falar com ela?
Clara - Eu não falei com ela. A Rafa me ajudou
Neymar - A Rafaela te ajudou e não me contou nada?
Clara - Bom, vendo sua reação agora acho que fiz muito bem em pedir pra ela não contar mesmo ou ia acabar, sei lá, de castigo (?) - eu ri, ele não -
Neymar - Não tem graça
Clara - Eu sei que não, desculpa. Só queria aliviar a tensão... Não gosto do rumo que essa conversa está tomando
Neymar - Eu também não - ele segurou o meu rosto e me deu um beijo tão calmo que me fez sorrir - Eu vou com você - me deu um selinho -
Clara - O quê? Claro que não
Neymar - Claro que sim - continuou com os selinhos, parando apenas para ele falar, achando que aquilo me distrairia e me faria ceder (em outro momento, sim, com certeza). Por isso me afastei apenas o suficiente para ter condições de falar  -
Clara - Nós concordamos que a Duda ficaria fora disso, lembra? Então você fica aqui com ela
Neymar - Tem noção de como eu vou ficar aqui sabendo que vocês duas vão estar juntas?
Clara - Vamos estar em um local público, o que você acha que pode acontecer?
Neymar - Não sei. Esse é o problema - fiquei boquiaberta, porque ou ele estava exagerando demais ou eu estava sendo muito ingenua em relação a uma pessoa que eu não tinha nenhum tipo de empatia - Confio em você, mas ela já me deu motivos demais pra não confiar nela
Clara - Não vai acontecer nada
Neymar - Então me deixa ir também
Clara - Não precisa, sério. Se eu e ela já vai chamar atenção, imagina nós três
Neymar - Eu não me importo
Clara - Eu me importo. Chega de problemas pessoais interferindo na sua carreira. Fica aqui com a Duda, eu vou e volto rapidinho - lhe dei dois beijinhos repinicados e saí da cozinha o mais rápido que pude pra não deixar que ele argumentasse mais, e ao contrário do que imaginei ele não me seguiu. Encarei isso como um "Ok, vá em frente". Entrei no meu quarto e dei uma olhada no relógio: 19h15. Tomei um banho rápido e fiz questão de não me arrumar, vesti um short jeans, uma camiseta de manga comprida, prendi o cabelo em um rabo de cavalo, calcei uma rasteirinha e estava pronta. Voltei pra sala pra pegar meu celular, minhas chaves e meu óculos que ficaram em cima da mesa e só o Júnior estava no sofá - 
Neymar - Eu ainda não concordo com isso - levantou e caminhou até ficar de frente pra mim - Mas entendo seu lado sim - sorri - Pode deixar que eu falo com a Duda. Só não demora, por favor
Clara - Não vou demorar - abracei-o com força, depois beijei-o. A ideia era fazer com que fosse um beijo rápido mas ele intensificou e prolongou o quanto pôde e eu não fiz nada para impedi-lo, muito pelo contrário. Quando nos separamos ele me deu um beijo na testa e sorriu, me incentivando a ir - Obrigada - lhe dei um beijo no rosto também e saí. Desci, entrei no meu carro e segui para o Paris 6. Levei quarenta minutos pra chegar lá e quando entrei no restaurante já passava das 20h, então não tive que procurar muito para encontrar quem estava esperando por mim. Respirei fundo e fui até a mesa. Ela estava mexendo no celular, e sua expressão quando levantou os olhos e me viu foi cômica -
Bruna - O que você está fazendo aqui?
Clara - Eu sei que sou a última pessoa do mundo que você esperaria ver e acredite, também não estou feliz por estar aqui
Bruna - Cadê a Rafaela? - olhou para todos os lados -
Clara - Ela não vem, pode esquecer - sentei, e ela arregalou os olhos -
Bruna - O que você está fazendo aqui? - repetiu pausadamente -
Clara - A Rafa não pôde vim e pediu que eu viesse, simples - encolhi os ombros -
Bruna - É pra fingir que acredito? Tudo bem. Eu falo com ela depois - levantou disposta a ir embora -
Clara - Bruna! - olhou pra mim - Senta, por favor. Não vou tomar muito do seu tempo - ela olhou ao redor novamente, bastante desconfiada, mas sentou -
Bruna - O que você quer comigo?
Clara - Adivinha? Vim te ver - sorri. Não devia, só que estava adorando vê-la nervosa, doida pra fugir dali e com medo que eu armasse um escândalo porque era o que ela estava deixando transparecer: apenas medo -
Bruna - Que engraçada - deu um sorriso fingido - Não estou conseguindo te entender
Clara - Mas vai conseguir
Bruna - Como? Nós não temos nenhum assunto em comum
Clara - Temos. E você sabe que temos
Bruna - Onde é que você quer chegar com isso?
Clara - Eu e o Júnior estamos juntos de novo - revirou os olhos -
Bruna - Veio aqui jogar isso na minha cara?
Clara - Não
Bruna - Estou esperando...
Clara - Creio que você já tenha juntado as peças. Se nós estamos juntos, obviamente, eu sei de tudo
Bruna - E? - perguntou impaciente -
Clara - Você não gosta de mim. Eu não gosto de você. E isso não é surpresa pra ninguém. Mas você salvou a vida do meu avô
Bruna - Não foi por você - responde rapidamente -
Clara - Eu sei que não. Mas eu vim aqui pra te agradecer mesmo assim
Bruna - O que? - tentou, mas não conseguiu esconder sua surpresa -
Clara - Que bom que eu posso te surpreender também - sorri novamente - É isso mesmo que você ouviu. Eu... não sei como é gostar de alguém e não ser correspondida na mesma intensidade... não sei. Mas também não acho que isso seja motivo pra querer vingança... algo tão baixo, tão ridículo... enfim, não sou ninguém pra te dar lição de moral também. Estou longe de ser perfeita e já cometi inúmeros erros - ela olhou nos meus olhos pela primeira vez desde que cheguei - Então espero sinceramente que você encontre alguém que goste de verdade e que o sentimento seja recíproco - riu ironicamente -
Bruna - Fala sério, por favor
Clara - Acredite se quiser, mas eu nunca te desejei mal. Você salvou a vida do meu avô, usando os seus próprios ''critérios'' mas salvou... e por causa dos ensinamentos que ele também passou pra mim, senti que devia te agradecer
Bruna - Ok. Isso é tudo?
Clara - Sim - levantei me sentindo muito mais leve - Só mais uma coisa, Bruna
Bruna - O que?
Clara - Se você fez o que fez... se doou parte da sua medula pra uma pessoa que nem sequer conhece... você não deve ter um coração tão ruim quanto faz parecer ter - dei as costas e saí do restaurante. Foi mais rápido do que eu achei que seria, até porque o encontro não era pra ser propriamente um jantar. Entrei no meu carro e voltei pra casa, quando cheguei apenas o Júnior e o Luck estavam na sala, tinha uma séria suspeita de que a Duda já tinha pego no sono - Cheguei e estou faminta! - falei ao bater a porta, chamando a atenção dos dois -
Neymar - Já? - levantou imediatamente e me olhou de cima a baixo, foi impossível segurar o riso -
Clara - Você pediu pra que eu não demorasse, não foi? Aqui estou
Neymar - E deu tudo... certo? Quer dizer... vocês não... saíram no tapa, né? - gargalhei -
Clara - Esqueceu a quanto tempo me conhece, seu doido?
Neymar - Não, por isso mesmo estou perguntando. Te conheço melhor do que ninguém e sei que é difícil te tirar do sério, mas a Bruna é especialista nisso
Clara - Eu sei, por isso fui preparada pra tudo. Mas foi bem mais calmo do que eu imaginei
Neymar - Do que nós imaginamos então - rimos - Fez o que queria?
Clara - Sim - suspirei aliviada - Agora minha consciência está tranquila e só consigo pensar em comer - ele riu e me levou pra cozinha com os braços ao redor da minha cintura, nitidamente feliz. Eu também estava e o motivo era um só: estávamos juntos, nada mais importava - Ela já dormiu, né? - assentiu - Pudera, acordou antes de mim. Assistiu sua entrevista, inclusive
Neymar - Eu nem lembrava que teria essa entrevista hoje
Clara - Percebi pela cara de sono - ele riu e colocou a minha pizza no microondas. Ficou me fazendo companhia enquanto eu jantava, depois lavei o que sujei, passei no quarto da minha pequena só pra dar um beijinho nela e fomos para o meu. Me joguei na cama na primeira oportunidade que tive com a roupa que estava mesmo, e ele me puxou para os seus braços assim que deitou ao meu lado - Amor?
Neymar - Hum... - senti o seu sorriso no meu pescoço e só aí me dei conta da maneira que o chamei, sorri também porque foi espontâneo -
Clara - Por que não festejou seu aniversário?
Neymar - Festejei. Minha mãe fez bolo e tudo. A Duda não contou?
Clara - Isso eu sei, mas digo... festejar mesmo
Neymar - Não ia valer a pena
Clara - Por que não? - virei, ficando de frente pra ele -
Neymar - Porque foi você quem me convenceu a fazer isso, e eu sabia que você não iria. Não ia valer a pena - tirou o meu óculos delicadamente e beijou a pontinha do meu nariz - Mas não senti falta de festa também - colocou o óculos na minha cabeceira -
Clara - Certeza? - assentiu -
Neymar - Meu aniversário só começou mesmo depois que eu fui na sua sala. Lembra?
Clara - Claro que sim, mas por que?
Neymar - Porque você me desejou feliz aniversário e eu achei que não ia ter isso - sorri e quando ia beijá-lo os nossos celulares apitaram simultaneamente. Nos olhamos meio desconfiados e ele pegou primeiro o dele, já que o meu estava mais longe - em cima da mesinha -
Neymar - É da Manu
Clara - Ah, tá - tentei me esticar pra pegá-lo -
Neymar - Você não precisa ver
Clara - Não?
Neymar - Não - percebi que estava fazendo um grande esforço para não rir -
Clara - Por quê?
Neymar - É o Gil
Clara - Espera, é a Manu ou é o Gil?
Neymar - Os dois. Ela mandou. E digamos que... ele não está vestido
Clara - Como assim? - comecei a rir mais curiosa do que nunca - A Manu mandou uma foto do Gil pelado pra você? É isso mesmo? - eu nem sabia do que se tratava a foto, mas estava rindo mesmo assim -
Neymar - Claro que não
Clara - Deixa eu ver - ele negou, mas consegui pegar o celular da sua mão antes que ele tivesse tempo de reagir e quando vi a foto só consegui rir ainda mais, descontroladamente - A Manu é ridícula, meu Deus! - respirei fundo pra tentar me controlar, sem sucesso - Mas nem dá pra ver nada
Neymar - Você queria ver alguma coisa? - perguntou meio indignado, e foi o suficiente pra minha crise de riso aumentar. Claro que não falei porque queria ver algo, falei porque ele fez de um tudo pra que eu não visse e a foto não tinha nada demais, além da zoeira da Manu - Queria ver alguma coisa? - deu um jeito de ficar em cima de mim e tomou o celular das minhas mãos. Eu queria falar, só que não conseguia. As lágrimas já rolavam, e eu não sabia mais se estava rindo da foto ou do Júnior. Talvez dos dois. Ele sabia disso e foi por esse motivo que começou a espalhar beijos por todo o meu rosto. A princípio eu só senti cócegas, ou seja, ri ainda mais, mas isso foi fazendo com que todos os meus sentidos ficassem em alerta e voltassem suas atenções apenas para ele - e esse era o seu objetivo. Eu ainda achava incrível a forma como o meu corpo obedecia-o sem nem pestanejar. Quando parei de rir seu rosto estava no meu pescoço, podia sentir a sua respiração entrecortada, porém, fiquei quieta. Ele mordeu levemente a minha bochecha, depois subiu pra minha orelha esquerda e mordiscou-a só o bastante para me ver arrepiada e sorrir. Desceu novamente para encontrar a minha boca, mas foi um beijo leve, rápido, seus lábios apenas encostaram nos meus, então ele se afastou e me olhou com expectativa - a mesma que devia estar no meu olhar, porque sabíamos o que queríamos e sabíamos que ia acontecer, independente de quem ia tomar a iniciativa. 
E eu tomei. Não me importei de ser fraca nesse momento. Queria-o. Desejava-o. E o melhor, era totalmente recíproco. Ficamos tanto tempo longe um do outro, no sentido do contato físico, que não tinha nem lógica adiar ainda mais esse momento. Puxei-o pra mim e beijei-o, de verdade dessa vez. Não foi um beijo leve ou rápido, foi urgente, com saudades, nossas bocas pareciam querer fundir-se uma na outra e não se separar mais. A minha iniciativa foi somente o estopim que precisávamos, a partir daí uma coisa levou a outra. Aproveitei que, para todos os efeitos, o comando ainda era meu, assanhei ainda mais seus cabelos e enquanto uma de suas mãos apertavam a minha nuca de um jeito possessivo para me manter inerte, fiz as minhas deslizarem suavemente até a borda da sua camiseta, consegui tirá-la sem muito esforço. Não posso dizer que ele teve o mesmo sucesso com a minha, já que era de manga e de um tecido mais grosso, isso nos fez rir mas conseguimos tirá-la sem causar nenhum dano nela. Ele colou seu corpo quente ao meu novamente, deixando que eu o explorasse de todas as formas possíveis; toquei, arranhei, cheirei, beijei, instiguei-o o quanto pude ao mesmo tempo que ele beijava meu queixo, nariz, boca e deixava suas mãos correrem soltas pelo meu corpo também. Eu não sabia dizer onde ele estava tocando porque mal sentia sua mão em um lugar, e ela já estava em outro. Nossas mãos, assim como nossas bocas estavam desenfreadas, loucas e desesperadas por mais. E quanto mais tínhamos, mais queríamos. Nunca tínhamos o bastante um do outro, duvidava muito que algum dia fôssemos ter e estranho ou não, isso era bom porque só fazia com que a vontade de nos redescobrir a cada dia só crescesse. Seus beijos foram descendo aos poucos, parando propositalmente no cós do meu short e eu tremi quando senti que estava abrindo o zíper, não era nervoso, era ansiedade... talvez. Ele percebeu e travou o movimento para me olhar, até os seus olhos pareciam estar sorrindo pra mim, era a coisa mais linda de se ver, como não lhe sorrir de volta? E então a ansiedade foi indo embora junto com o meu short. Ainda assim eu não podia negar que a vontade de tê-lo em mim, dentro de mim, continuava sendo maior do que tudo. Tinha plena certeza que essa vontade era mútua porque ele também se livrou da sua bermuda o mais rápido que pôde e ficou de joelhos, com as pernas uma de cada lado do meu corpo me olhando como se estivesse terminando de me despir apenas com os olhos. Nem sei bem quanto tempo se passou, foram mais do que segundos, um minuto... dois, três.. não sei, só sei que já estava quase ficando envergonhada, quando ele terminou de se despir na minha frente. Um gesto tão íntimo que, se eu achava que não podia ficar mais excitada, essa ideia evaporou da minha mente rapidinho, não sabia nem pra qual parte do seu corpo olhar tal era o meu estado. Ainda não tinha conseguido me mexer até senti-lo entre as minhas pernas novamente e perceber que a minha calcinha estava deixando o meu corpo também, de maneira lenta, provocadora, quase dolorosa - eu mesma a teria arrancado (se tivesse condições pra isso) só pra não deixá-lo com aquela cara de satisfação ao ver como estava me torturando. Enfim -quase- despidos, ele não deixou que o seu corpo caísse sobre o meu (como eu estava implorando que fizesse, silenciosamente, é claro... pena que ele sabia me ler), apenas deixou seus olhos vaguearem pelo meu corpo novamente, sem pudor algum - o que me deu a oportunidade de fazer o mesmo, porque apesar de já conhecer cada detalhe e cada (im)perfeição, eu nunca ia cansar de olhar e pensar “Meu, meu, meu e meu”. Ele devia estar pensando o mesmo, porque quando nossos olhares se encontraram, sorriu descaradamente, passou a língua sobre os lábios e mordeu o inferior. Ergueu uma de suas mãos pra mim logo em seguida, nem hesitei em pegá-la e ele me puxou de uma vez só de encontro ao seu corpo, suspirei com o choque mas isso não foi nada comparado ao que veio depois. Sem nunca desviar o olhar - e era por isso que não precisávamos de palavras -, ele conseguiu de um jeito ágil me levantar para sentar e depois me colocar no seu colo, entrando em mim no mesmo segundo. Não sei se foi tudo muito rápido, se foi porque não estava esperando, ou foi a emoção de senti-lo me preenchendo novamente depois de tanto tempo que me deixou surpresa, mas precisei morder algo (o seu ombro, no caso) para não gritar. Ele não se mexeu logo pra nos deixar aproveitar aquela sensação o máximo de tempo possível, podia ouvir e sentir a sua respiração acelerada no meu pescoço e sabia que não estava muito diferente. Depois de apenas alguns segundos comecei a sentir os seus dedos perambulando por minhas costas, me arrepiei novamente e lembrei que ainda estava com o sutiã, ri quando percebi que não estava conseguindo e nem ia consegui abri-lo. Nos afastei um pouco para pegar as suas mãos e coloquei-as no lugar certo, na frente, onde o feche estava. Me deliciei com o seu riso e beijei-o, nos distanciando de novo apenas quando o sutiã já estava aberto para que ele pudesse tirá-lo. E então, nos momentos seguintes eu não conseguia nem ter consciência do meu próprio estado. Ele começou a se mover, primeiro quase que preguiçosamente, me beijando a cada investida, depois em um ritmo mais acelerado, louco, urgente, como se fosse o último dia das nossas vidas. Ironicamente, aquele era mais como o primeiro dia da vida que ainda teríamos juntos. Ele deixou que uma de suas mãos, que estava na minha nuca, descesse para um dos meus seios e como se não bastasse todas as sensações que já estava sentindo, começou a acariciá-lo também. Isso me causou uma descarga de adrenalina tão grande que eu só queria fazê-lo sentir o mesmo que eu, por isso comecei a me mover com ele, apertando-o contra mim e ouvi-lo suspirar profundamente em meu ouvido. Era bom ouvi-lo, muito bom... E sim, eu estava completamente entorpecida mas a minha droga tinha nome e sobrenome. 
O mesmo sobrenome que eu queria, mais do que nunca, que fosse meu também.
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Três semanas não é nada quando se está preparando um casamento. Um mini wedding, ok, mas não deixa de ser um casamento. E foi por isso que acordei cedo no tão esperado sábado, dia 24. Não queria que meus avós se preocupassem com nada e gostaria que ficasse tudo o mais próximo do perfeito possível. Eu e a Manu trabalhamos muito pra isso. A primeira coisa que fiz assim que levantei foi abrir as janelas do quarto de hóspedes da Fatinha e do Théo que estava sendo meu por algumas horas - a Duda dormiu no seu outro quarto e eu só a veria na hora certa, vestida de daminha (a Rafa ficou mais do que feliz com a missão de arrumá-la). Meu pai e meu avô também só apareceriam pouco antes da cerimônia, ao contrário da minha mãe e da minha avó que a qualquer momento poderiam chegar. O dia estava lindo, radiante e isso me fez sorrir e respirar aliviada. Afinal, outono é outono, a gente nunca sabe como o tempo vai estar. Olhei para o jardim e dois homens já estavam cuidando do gramado e podando os canteiros, além das duas tendas, mesas e cadeiras que também já tinham chegado. Ou a minha definição de cedo era diferente da definição do pessoal que trabalhava com essas coisas ou eles madrugaram mesmo, mas estava feliz com isso seja lá qual fosse a opção certa. Peguei a minha mochila - que estava uma bagunça, graças a Deus que a roupa que ia usar mais tarde não estava dentro dela - e entrei no banheiro. Tomei banho, escovei os dentes, vesti um short azul marinho e uma blusa solta de alcinha, prendi o cabelo, voltei pro quarto e tirei o celular do carregador.
 clarabarcelar_: "Quando se aponta a câmera para algum objeto ou sujeito, constrói-se um significado, faz-se uma escolha, seleciona-se um tema e conta-se uma história, cabe a nós, espectadores, o imenso desafio de lê-las."  
A Manu também tinha acabado de acordar quando passei no quarto dela, descemos juntas e os anfitriões estavam tomando café na companhia da minha avó e da minha mãe. Meu bom dia foi bastante efusivo, com beijinhos e abraços para todo mundo e eles riram de mim. Conversamos mais do comemos, repassamos tudo que precisávamos fazer e os horários em que chegariam as coisas que ainda faltavam. Nós, mulheres, bem que tentamos fazer a minha avó aceitar o seu dia de noiva (que no caso seria no dia anterior, para não haver atrasos), mas ela estava irredutível e disse que preferia ficar para nos ajudar no que fosse preciso. Quem ia discutir? Depois do café da manhã, ela e minha mãe ficaram praticamente penduradas no telefone dando indicações aos amigos que vinham de Florianópolis. A Fatinha e o Théo ficaram encarregados de receber tudo que ia chegando, e eu e a Manu fomos para o jardim (que por sinal tinha ficado impecável) levando tudo aquilo que compramos, e o que não compramos também - objetos pessoais dos meus coroas - para decoração. Pouco tempo depois os três amigos de trabalho dela que se voluntariaram a nos ajudar também chegaram. Na verdade nós íamos contratá-los porque a área deles era decoração e ambientação de eventos, mas eles decidiram não cobrar nada em consideração a Manu então foi uma ajuda muito mais do que bem-vinda. E se no início eu já sabia que a Manu daria conta do recado e deixaria tudo perfeito com as suas ideias maravilhosas, com mais três cabeças pensantes e especialistas nisso, eu não tinha ideia de qual seria o resultado final, só sabia que me surpreenderia. Colocamos as mãos na massa e começamos com a distribuição das mesas e cadeiras pra termos mais ou menos uma noção do espaço que sobraria, depois fomos para o trabalho mais pesado que era montar as tendas. Sim, apesar de já estar com as unhas feitas assim como a Manu, não fugimos, até porque sabíamos o que teríamos que fazer, principalmente depois de termos descartado a ideia de uma equipe de montagem/desmontagem porque todas que encontramos só trabalhavam em espaços alugados. As flores chegaram no momento certo, todas naturais e de tons clarinhos para combinar com o estilo vintage dos outros detalhes, e elas ficaram espalhadas por todos os lados, da entrada da casa até o corredor por onde meus coroas passariam para chegar até o que nós improvisamos com a pérgola do jardim (a parte coberta, onde ficava uma rede maravilhosa) e chamamos de altar. Levamos duas horas pra fazer tudo isso, portanto faltava apenas quatro para que tudo estivesse pronto: a cerimônia estava marcada para às 14h. Nas duas horas seguintes concluímos a decoração e ficou tudo tão lindo que a vontade de chorar veio antes da hora. A maioria dos enfeites tinha muito a ver com o gosto da minha avó pela costura, além de objetos mais antigos que eu e a Manu encontramos em um antiquário de SP e no final ficaria como presente para o nosso casal. Fizemos porcelanas antigas de jarros e os arranjos de flores das mesas ficaram dentro delas. Nos troncos das árvores e entre uma planta ou outra, colocamos plaquinhas (não, não aquelas do instagram porque não fazia muito o estilo que estávamos seguindo) com frases escritas por ele e por ela. As famosas frases que eu sempre tive o privilégio de ouvir. Já na parte de cima das árvores ficaram os mini balões chineses. O buffet completo chegou, incluindo o almoço, as bebidas, alguns docinhos - os cupcakes eram as coisinhas mais fofas do mundo, com botões em cima e o bolo, que tinha a mesma decoração de botões. As lembrancinhas foram as últimas a chegarem, afinal tínhamos que ter um cuidado especial com elas porque depois de muita indecisão, meus avós escolheram mudas de flores "para que a memória deste dia nunca pare de crescer". Todas tinham envelopes pequenos e fofinhos com mensagens diversas. Depois que os amigos da Manu se despediram e ela foi acompanhá-los até a saída - talvez pra continuar agradecendo durante o caminho, fiquei sozinha naquele jardim que de repente parecia grande demais. 
Glória - Vocês não existem - virei ao ouvi-la e encontrei-a olhando pra tudo maravilhada
Clara - E você não deveria estar aqui ainda, Dona Glória 
Glória - Eu sei, mas não resisti - riu, os olhos brilhando
Clara - E está como vocês queriam?
Glória - Está mil vezes melhor do que o que nós queríamos 
Clara - Vocês merecem
Glória - Mas isso tudo deve ter dado tanto trabalho 
Clara - Isso não importa - me aproximei e peguei as suas mãos - Está feliz? - ela sorriu, ao mesmo tempo que uma lágrima ousou rolar também
Glória - Eu vou casar pela segunda vez com o único homem que amei na minha vida. Como poderia não estar feliz? - não consegui segurar a emoção também, e ela me abraçou apertado -
Clara - Suada do jeito que estou acho que a Duda não me abraçaria desse jeito - rimos
Glória - Mas e você?
Clara - Eu o que?
Glória - Está feliz? 
Clara - Às vezes tenho medo de dizer que sim e no instante seguinte não estar mais
Glória - Então não pensa no instante seguinte. Você está feliz agora?
Clara - Muito - ela assentiu sorrindo, sentou em uma das cadeiras mais próximas e pediu que eu sentasse ao seu lado
Glória - Posso te contar uma coisinha? - sorri automaticamente -
Clara - Por favor
Glória - Eu senti na pele a angustia de não saber se o amanhã chegaria e o que ele reservava pra mim durante todo aquele tempo que o seu avô esteve no hospital. E ao contrário do que você pensa, mocinha, eu sou péssima com as palavras quando realmente preciso delas - rimos - Especialmente se tratando dele - sorri - Enquanto ele estava naquela cama de hospital eu me perguntei milhares de vezes se ele realmente sabia o quanto eu o amo e o quanto me fez e ainda me faz feliz, então me dei conta de que para ter as respostas para minhas perguntas ou dúvidas, não sei, bastava demonstrar tudo isso. Bastava demonstrar o que eu queria que ele soubesse. Tudo bem, é inevitável que depois de um longo tempo de convivência você passe a conhecer melhor o outro do que a você mesmo - encolheu os ombros distraidamente - Eu sei que ele me ama, nem por isso ele cansa de me dizer e eu de ouvir - olhou pra mim e sorriu - Então eu também demonstrei. Às vezes nem é necessário palavras pra se dizer um eu te amo, mas foi por causa do meu amor e de todos esses anos juntos e felizes que não sai do lado dele - suas palavras me levaram de volta para o corredor do hospital e quase pude ouvir a sua voz me dizendo "Não estou aqui por obrigação. Eu o amo. Não quero sair de perto dele, por favor". A lembrança fez as lágrimas voltarem também, não me incomodei mas ela enxugou-as com todo carinho do mundo - Sabe por que estou te falando isso? - balancei a cabeça - Porque você é a pessoa mais corajosa que eu conheço, meu amor. Não precisa ter medo logo da felicidade, nem de demonstrar o que está sentindo. Ok? - sorriu e eu só consegui assenti. Aliás é o que acontece com frequência quando estamos conversando, eu sempre termino sem palavras. O que é estranho, mas muito bom porque não preciso ficar falando pra que ela me entenda, é por isso que conversar com minha avó é tão maravilhoso - Eu sei o que aflige esse coraçãozinho, mas não precisa se preocupar - é claro que ela sabe! Nos últimos dias o que mais fiz, além de me dividir entre o trabalho e as coisas do mini wedding, foi conversar com ela e a minha mãe porque - não me pergunte como - estavam começando a especular sobre a minha volta com o Júnior. Quer dizer, preciso admitir que não deve ter sido muito difícil chegarem a essa especulação, porque convenhamos, ninguém termina um namoro - depois de ter sido traído - e fica tão bem como todo mundo ver que ele está. Ok, não estávamos escondendo nada, apenas não estávamos espalhando também, mais por minha causa mesmo, e eu queria acreditar que não era por medo mas a verdade é que tinha medo sim. Medo de julgarem, não eu mas ele, por não ter terminado um namoro direito e já estar em outro, afinal é isso que as pessoas fazem: apenas julgam de todas as formas que acham justas e corretas, quando na verdade não são, sem querer saber o que está por trás da história toda - Basta ser feliz sem ligar para as opiniões alheias. Deixem que falem. As pessoas que realmente gostam de vocês vão estar felizes se vocês estiverem, isso sim importa. 
Clara - Ah, vó. Igual a você não existe ninguém - suada ou não, eu mesma abracei-a dessa vez, ficamos assim por um tempinho até que outra pessoa também nos abraçou. Não foi preciso muito tempo para descobrirmos que era a minha mãe. Três gerações apaixonadas!
Débora - Eu também acho - disse assim que nos separamos, franzi a testa e ela prosseguiu - Basta ser feliz sem ligar para as opiniões alheias - repetiu - Você sempre foi boa nisso - piscou e eu sorri - Ok, está tudo muito bom mas a senhora precisa entrar pra começar a se arrumar, mãe. Acabei de ligar pra Cátia e ela já está vindo pra cuidar do seu penteado 
Glória - Ai, meu Deus! - fingiu um desespero que, obviamente, não tinha e isso nos levou a rir. Elas entraram, depois da minha mãe dizer que eu também já devia começar a me arrumar, e eu fiquei apenas esperando o ok da Manu de que estava tudo certo, então entramos também. Passamos na cozinha, e lá também estava tudo pronto, até a empregada da Fatinha já estava preparada para servir o brunch na hora certa. Faltavam cerca de 10 minutos para 13h, então a qualquer momento a equipe de filmagem poderia chegar. Eu e a Manu subimos, um aglomerado de vozes vinha de um dos quartos, só reconheci a da Fatinha, da minha mãe e da minha avó, a outra deveria ser da tal Cátia
Clara - Manu? - ela parou na porta do seu quarto e me olhou - Obrigada 
Manu - Pelo quê? 
Clara - Por tudo que você fez pra que esse dia se tornasse real pra eles 
Manu - Você também ajudou. Nós trabalhamos juntas 
Clara - Você fez mais do que ajudar. Você se entregou nisso como eu nunca tinha visto antes
Manu - Tudo bem - tentou, em vão, esconder um sorriso - A gente se acerta depois. Você sabe que eu cobro - piscou e entrou no quarto antes que eu dissesse mais alguma coisa, ri e entrei no meu também. Respondi todas as mensagens que ignorei durante a manhã - por motivos de força maior - e a última era da Rafa, uma selfie com o Júnior, a Duda, a Tia Nadine e o Tio Neymar, todos lindos e o texto dizia apenas “Estamos chegando!” Sorri, mas deixei o celular de lado, coloquei meu vestido na cama, junto com todas as coisas que pretendia usar, entrei no banheiro, prendi o cabelo em um coque pra não correr o risco de molhar e tomei banho. Passei hidrante no corpo, me enrolei na toalha pra fazer uma maquiagem levinha, me vesti e calcei um par de peep toe com estampa floral pra contrastar com o branco do vestido. Soltei e escovei o cabelo, prendendo apenas a franja pra trás e estava pronta. Ia me dar ao luxo de ficar sem o óculos, pelo menos por enquanto. Me perfumei, peguei o celular, coloquei a câmera dentro da sua bolsinha e saí. Passei no quarto ao lado, e a aglomeração de vozes continuava, mas dessa vez a Fatinha não estava. Minha avó já estava com o penteado feito e quando me viu pelo espelho sorriu. Sorri de volta, soprei um beijo pra ela e desci. Estava na cozinha conversando com a Lídia - empregada - , o Théo - que já estava pronto e o casal responsável pela filmagem, quando o meu pai e meu avô chegaram, lindos de terno e gravata. O pessoal de Florianópolis chegou logo em seguida, um timing perfeito, porque desse jeito o meu avô mesmo recebeu todos. Cumprimentei-os também, afinal foram meus vizinhos durante um bom tempo. Os meus amores - que são mais da família do que propriamente convidados - chegaram instantes depois e foi difícil parar de olhar para dois deles. Minha pequena estava uma verdadeira princesa, com um vestidinho de cetim quase da mesma cor que o da minha avó e o cabelo tão natural que eu fiquei encantada. O Júnior estava de roupa social mas totalmente diferente de como imaginei que estaria, isso me fez rir e mesmo assim fiz uma notal mental para não esquecer de tirar uma foto só deles dois pra mim
Clara - Achei que ia finalmente te ver de paletó e gravata - ele sorriu pra mim depois de me dá um beijo -
Neymar - Aquele negócio sufoca 
Clara - Aquele negócio sufoca? - repeti, tentando falar como ele -
Neymar - Demais - riu da minha cara
Clara - Essa vai ser a sua desculpa no dia do seu casamento também?
Neymar - A minha futura esposa pretende casar na praia, então acho que não vou precisar usar gravata lá - fiquei boquiaberta. Ele falou tão naturalmente, que eu nem sabia o que responder ou se precisava responder alguma coisa. É claro que ele riu do meu desconforto, mas ainda bem que ouvi a Manu me chamando antes que a situação piorasse pro meu lado. Virei para olhá-la, e ela não estava sozinha. Eu sabia que meus avós tinham convidado-o, mas também sabia que ele não tinha confirmado presença, então fiquei muito surpresa quando vi o Diego caminhando em minha direção (sozinho, a Manu desviou o caminho). Ah, que maravilha! Acabei de sair de uma situação embaraçosa e já vou entrar em outra -
Clara - Você veio! 
Diego - É... acho que fui convidado... - eu ri
Clara - Com certeza foi - abracei-o, mesmo que tenha sido de uma maneira bem estranha já que ele quase não retribuiu e eu sabia o motivo - Bem, não preciso fazer apresentações, certo? - olhei para ambos, esperando qual dos dois tomaria a iniciativa
Diego - E aí? - deu um pequeno sorriso, mas eu conhecia-o o suficiente pra saber que pelo menos não era um sorriso falso
Neymar - E aí! - estendeu a mão, e acho que o Diego ficou surpreso, mas apertou-a. Sorri comigo mesma
Clara - Que bom que veio! Eles vão ficar muito felizes - sorriu - Quanto tempo vai ficar aqui?
Diego - Volto hoje à noite 
Clara - Sério?
Diego - É, dessa vez não tenho muito tempo. Só vim por eles mesmo - o Júnior segurou a minha mão e isso me fez olhá-lo
Neymar - Eu vou ver a Duda - assenti e o vi se afastar sem saber o que estava pensando, mas torcendo para que não fosse besteira
Diego - Se quiser ir também... - balancei a cabeça
Clara - Vocês estão progredindo, que fofo - rimos
Diego - Pra você ver do que é capaz 
Clara - Eu não fiz nada 
Diego - Ele não quer perder você. Eu também não - encolheu os ombros - Mas de jeitos diferentes, é claro - completou imediatamente e eu não tive como não rir -
Clara - Eu entendi, calma - riu também - Estou realmente contente por ver você, Diego 
Diego - Eu também. Você parece bem, pelo menos comparando com a última vez que nos vimos
Clara - Eu estou. Mas você também está e não adianta esconder 
Diego - É, as coisas estão melhores... - rimos
Clara - Qual o nome dela? - perguntei logo, porque é lógico que tinha alguém envolvida nessa história de "as coisas estão melhores"
Diego - Larissa
Clara - Bonito nome 
Diego - A pessoa faz jus a ele - sorriu como eu nunca tinha visto antes, era um sorriso apaixonado. Um sorriso que eu esperei tanto tempo pra ver
Clara - Bom, eu não a conheço mas já gosto bastante dela porque ninguém nunca te fez sorrir desse jeito - ele sorriu novamente, agora meio envergonhado e eu ri - Tá, vou te deixar em paz, mas com um condição
Diego - Qual?
Clara - Me abraça direito, por favor - gargalhou
Diego - Desculpa - nos abraçamos novamente e eu dei um beijo no seu rosto antes de deixá-lo ir admirar o resto da decoração. O jardim já estava bem movimentado, com música, e eu precisava começar a tirar fotos, mas também precisava falar com o Júnior, é frustrante não saber o que se passa na cabeça dele às vezes. Avistei-o conversando com o Gil e o resto do bonde, mas chamei-o mesmo assim. Ele me deu um selinho quando se aproximou de mim
Clara - Você está bem? - eu acho que ele queria rir, mas não tenho certeza
Neymar - Por quê? Por quê deixei você lá com ele?
Clara - Talvez. Ficou chateado?
Neymar - Claro que não. Tenho motivos para estar?
Clara - Não! De jeito nenhum - respondi quase que de maneira automática e ele gargalhou - Vamos ali que eu quero fazer uma coisa e quero que você veja - ele arregalou os olhos, olhando ao redor - Não acredito que você pensou besteira
Neymar - Não pensei - respondeu rapidamente e quem gargalhou dessa vez fui eu
Clara - Vamos sentar ali, só isso - apontei para um dos sofás da área coberta
Neymar - Tá, vamos então - riu, me acompanhou até lá e sentou ao meu lado. Peguei o celular na parte da frente da bolsinha da câmera, entrei em um álbum de fotos só nossas na galeria e escolhi uma delas - Você vai...? - deixou a pergunta no ar ao me ver editando a foto -
Clara - Sim
Neymar - Mas não era você que não queria que eu pos... - beijei-o antes que terminasse de falar e ele sorriu
Clara - Deixe que falem. Basta sermos felizes sem ligar para as opiniões alheias 
 clarabarcelar_: “Eu sei viver sem você. Sei andar, comer, falar, ver um filme. Sei sorrir e nem é de mentira. Solto gargalhadas, conto piadas e sou rodeada pelos meus amigos o tempo todo. Leio livro, malho, faço amizades. Sou por inteira sem você. Não existe nenhuma parte faltando, mas eu faço ela faltar. É que eu não preciso de você pra nada, mas quero você pra tudo. Eis o grande problema.”   
Neymar - Eu sou um problema, então? - perguntou devolvendo o meu celular, com um tom de falsa ofensa na voz
Clara - Deixa de drama - levantei e puxei-o comigo, ficamos frente a frente - Vamos procurar a Duda que eu quero tirar uma foto de vocês enquanto ainda estão arrumadinhos 
Neymar - Como assim?
Clara - Vai ver como ela vai ficar quando começar a brincar com os amiguinhos que vieram de Floripa 
Neymar - Isso eu sei, mas você disse enquanto vocês ainda estão arrumadinhos
Clara - Você também está louco pra abrir pelo menos o primeiro botão dessa camisa ou dobrar as mangas dela, eu sei - ele gargalhou e me beijou, depois pegou a minha mão pra irmos procurar a Duda. Não confirmou nem negou nada mas não precisava, eu sabia que era verdade. Minha pequena estava dentro da casa, onde só minha mãe e minha avó estavam, ambas já prontas e muito lindas. Nós nos olhamos e apenas sorrimos. Claro que não consegui tirar apenas a foto do Júnior com a Duda tendo elas duas tão maravilhosas na minha frente, mas não pude demorar muito porque tinha muita coisa pra fotografar no jardim. E foi o que fiz assim que voltei pra lá, pelo menos até a madrinha me achar pra me dizer que o padre tinha chegado. A atmosfera no jardim parecia ter mudado de repente, só porque o ponto alto da festa estava se aproximando. Os burburinhos cessaram, todos tomaram seus lugares, a Manu mudou a trilha sonora e então eles surgiram. De um lado, o meu pai com a minha avó e do outro, a minha mãe com o meu avô. Meus pais deixaram eles no início do corredor e foram para os seus lugares. Meus coroas sorriram um para o outro e começaram a caminhar em direção ao padre quando a música que eu escolhi pra esse momento ecoou pelas caixas de som espalhadas pelo jardim - Endless Love do Lionel Richie com a Shania Twain. Percebi que escolhi muito bem, porque metade dos convidados já estavam em lágrimas só por causa dela. Quando chegaram ao altar, minha avó poderia ter dado o seu pequeno - e apenas simbólico - buquê para minha mãe, que estava até mais próxima dela, mas deu pra mim e o padre começou a falar antes que eu tivesse qualquer reação
Padre - Assim Deus poderia falar a um casal que completa suas bodas de ouro: - limpou a garganta e ajeitou seu óculos para continuar lendo - “Vocês são meus queridos. Um dia vocês nasceram. Tiveram sonhos. Eu mesmo os criei. Coloquei dentro de vocês essa vontade de se amarem. Coloquei em seus corpos germes de vida. O amor se misturou com a fecundidade e vocês geraram filhos e os filhos de vocês lhes deram netos. E a vida passou. Acompanhei passo a passo a história de vocês. Estive presente no momento do sim. Minha força esteve atuante no momento das dificuldades duras da vida. Vi que vocês se associaram à cruz de meu Filho em muitos momentos e vocês perceberam que a cruz foi geradora da paz e de energias novas. Vi o exemplo que vocês deram ao mundo que os cercava. Estive presente no meio de vocês quando golpes duros pareciam fazer estremecer a casa de vocês. Mas tudo estava fundado na rocha firme e a casa não caiu. Hoje recebo o coração de vocês nesse instante das Bodas de Ouro. Vocês são um sinal claro de mim mesmo no meio do mundo. Vocês viveram o amor e minha casa é a casa do amor!” - estava tentando me recuperar dessas palavras ainda quando percebi que From This Moment On tinha começado a tocar, e isso era sinal que a minha daminha ia entrar. Eu ri emocionada quando ela começou a caminhar com passinhos curtos porque lembrei do Júnior ter dito que ela ficou ensaiando na frente do espelho. Tirei bastante fotos dela. Quando chegou ao seu lugar ficou paradinha segurando as alianças que seriam trocadas depois dos votos. Confesso que esse era o momento que mais estava esperando, afinal... é uma renovação de votos e eu queria ouvi-los. Eles viraram um de frente para o outro e sorriram novamente
Marcos - Parece que foi ontem! - riu - No entanto, os meus cabelos estão mais brancos e raros enquanto você continua linda e com um sorriso maravilhoso - sorriu - O nosso amor merece ser celebrado, pois nós conseguimos viver com felicidade o desafio de partilhar a vida a dois. Não há nada mais estimulante do que conquistar todos os dias a mesma pessoa, a pessoa que já me conhece tão bem, a pessoa que conhece todos os meus defeitos, conhece até melhor do que eu e ainda assim consegue me amar. Você é a minha melhor amiga, e meu único e verdadeiro amor. E eu acho que ainda tem uma parte de mim que não consegue acreditar no quanto eu sou sortudo por me casar com você. De novo! - riu com os olhinhos brilhando de lágrimas - Minha linda, estarei sempre próximo a ti, por mais 50 anos e por toda a eternidade - ele beijou a testa dela e todo mundo aplaudiu de modo rápido pra poder ouvi-la também. E ela respirou fundo antes de começar
Glória - O nosso casamento foi algo natural, inevitável diante do amor dedicado que sempre tivemos em relação ao outro. A felicidade proveniente deste amor é algo ainda maior, pois foi construída no nosso dia-a-dia, com base num esforço solidário e comum que se nota cada vez mais raro hoje em dia, visto que nem todos os casais são capazes de enfrentar com esperança e dignidade as dificuldades que surgem pelo caminho. E apesar de todas as pedras que tivemos pelo caminho, tudo contigo tem valido a pena. Muitas das pedras que surgiram como obstáculos acabaram a revelar-se pedras preciosas; melhor dizendo, aprendemos muito com as dificuldades! Nós tivemos sempre a esperança e a coragem. Tivemos sempre a dignidade de discutirmos as nossas angústias, incertezas e desesperos. Tivemos sempre o cuidado de preservar o outro de problemas menores, aqueles que pudéssemos resolver por conta própria. Tivemos amor e ainda temos, por isso estamos aqui hoje. E eu só tenho a lhe agradecer. Obrigada meu amor, por ser o marido maravilhoso que você é. Eu te amo 365 vezes mais a cada ano - nós aplaudimos novamente enquanto eles trocavam as alianças, depois beijaram-se rapidamente. Fotografar esse momento foi mágico. Eu achei que ia formar um rio de lágrimas, mas não chorei. Estava feliz demais até pra chorar de felicidade. No final o padre deu a vez para quem quisesse falar alguma coisa, e eu odeio plateia mas ia ter que abrir uma exceção por eles de qualquer maneira então fui a primeira a me candidatar
Clara - Como foi bom ter crescido com tanto amor envolvido. Vocês me mostraram diariamente que é realmente possível viver um bom casamento, com dificuldades, erros e acertos. O amor permanece além do tempo, vocês provaram isso! Existem muitos exemplos que a vida nos dá de tudo que aprendemos, mas vocês são exemplos do amor, da compreensão e da fidelidade. Afinal de contas são cinquenta anos juntos, cinco décadas de dedicação, carinho e muita luta que fizeram de vocês duas pessoas que descobriram um no outro o que há de mais belo; a união, a entrega, a vivência de um para com o outro. Espero que este dia possa ser aproveitado com muito carinho e beijinhos, pois sei que vocês adoram fazer isto - todo mundo riu, inclusive eles - Que o brilho no olhar de vocês nunca seja apagado e que o "viveram felizes para sempre" seja bastante demorado! Que venham mais 25, 50, 70 anos juntos. E quero estar aqui para poder de novo desejar a vocês a maior felicidade do mundo. Amo vocês! - eles me abraçaram juntos, bastante emocionados e me agradeceram baixinho. Apenas dei um beijo no rosto dos dois e voltei para o meu lugar. O Júnior sorriu pra mim e entrelaçou sua mão com a minha, a Duda se aproximou de nós, sentou no colo dele e desse jeito, juntinhos, vimos algumas outras pessoas falarem coisas lindas para meus avós. Depois disso foi decretado o final da cerimônia. E o início da festa. Pra começar, meus coroas dançaram coladinhos Eu sei que vou te amar - e só eles dançaram mesmo, nós só ficamos observando (eu fiquei fotografando). Mas a medida que outras músicas foram surgindo, todos os outros casais foram entrando no clima. Quer dizer, nem todos
Neymar - Então... 
Clara - Antes tarde do que nunca. Sim, eu aceito! Vamos - levantei e eu mesma puxei-o comigo para onde todos estavam dançando Easy, também do Lionel Richie
Neymar - Por que não falou logo que queria dançar? - perguntou rindo
Clara - Porque a iniciativa tinha que vim de você, lógico - riu ainda mais
Neymar - É que não faz muito o meu estilo
Clara - Eu sei que você prefere “Caraca, Muleke!” amorzinho. Só tenta não pisar nos meus pés 
Neymar - Chata pra cacete! - resmungou - A sua sorte é que... - interrompi-o com um beijo
Clara - Você me ama - beijei-o de novo - Eu sei - de novo - Você já disse isso - e de novo - Eu também te amo - sorriu, e ficou esperando outro beijo, que não ia ter... não naquele momento - Mas chato é você - ele riu, arruinando o meu plano de parecer séria e me beijou enquanto tentávamos continuar no ritmo da música. O momento first dance só terminou quando o brunch foi servido. Comemos, depois tiramos ainda mais fotos, cantamos, dançamos, rimos... meus avós aproveitaram tudo da melhor maneira possível até chegar a hora que eles teriam que deixar a festa só pra nós porque tinham um voo marcado para Florianópolis. E não, não era uma lua de mel, eles já tinham a passagem de volta pro dia seguinte e só iam pra pegar o resto das coisas que tinha ficado lá pra morar definitivamente em Santos, e não no apartamento dos meus pais mas em uma casa que já estavam procurando. Quando eles foram trocar de roupa, meu pai fez uma ligação pra colocar o nosso plano em prática, o último pra fechar o chave de ouro; foi uma ideia louca minha e da Manu, que graças ao trabalho do meu pai na concessionária deu certo. Quando eles voltaram para o jardim, disseram que podíamos começar a escolher as lembrancinhas, abraçaram e agradeceram todos - todos mesmo - e saíram. Quase não acreditaram quando viram um cadillac preto estacionado a espera deles com motorista e tudo. Minha avó começou a rir e meu avô precisou tocar pra saber se era real
Murilo - Conseguimos alugar pra levar vocês até o aeroporto. Divirtam-se! - eles não conseguiam falar nada, mas nem precisava também, os sorrisos já diziam tudo
Clara - Avisem quando chegarem lá! - gritei quando o carro já estava arrastando e meu avô fez o sinal do legal com uma das mãos. Voltamos para o jardim e com o entardecer o Di também teve que se despedir pra voltar pra Florianópolis e aos poucos foi ficando só a família. Estava sentada em uma das cadeiras da primeira fileira pensando em tirar o salto, quando uma lembrancinha surgiu na minha frente, era uma muda de rosa vermelha, muito perfumada por sinal. Claro que não precisei virar pra saber quem estava me dando - Obrigada 
Neymar - Por nada - me deu um beijo na bochecha antes de aparecer na minha frente - Abre - apontou para o minienvelope que todas as lembranças tinham, e eu abri-o porque também estava curiosa pra saber qual mensagem tinha ali mas me surpreendi
Clara - Ué, esse está vazio? 
Neymar - Não. Vira - quase virei o papel do avesso para então achar, não uma mensagem dos meus avós para os seus convidados, mas dele pra mim. Só para mim: “O próximo casamento é o nosso”. 


Olá :) 
Vou ser bem sincera com vocês, sem enrolação: a demora foi culpa minha sim, totalmente minha. Adoro escrever, mas assim como aconteceu nas outras fics (coincidência ou não, perto do final também), bateu uma desmotivação que nem sei de onde veio. Simplesmente não tinha vontade de escrever! E isso fez com que eu me jogasse de cabeça nos livros, terminava um, começava outro e o ciclo se repetia. Eu só queria ler! Só que comecei a me sentir culpada, porque sabia (apesar de estar sem whatsapp) o quanto vocês também queriam ler. Eu também queria escrever, só não tinha motivação, vontade, sei lá... E não, é claro que não tem nada a ver com vocês. Então me esforcei ao máximo e acreditem, comemorei bastante quando consegui terminar esse capítulo. A princípio eu ia dividi-lo, mas iam ficar pequenos demais e depois de tanto tempo eu devia, pelo menos, um capítulo maiorzinho que o normal. O próximo, como vocês já sabem, será o último. Talvez tenha um epílogo, ainda não sei, mas espero que consiga fazer.