quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Capítulo 63 - “Minha mãe dizia que amar significa dar chances quando não há mais chances sobrando”

Não consegui ir direto para o apê, estava me sentindo tão perdida... só queria falar com a minha avó, só queria ouvir os seus conselhos e segui-los como sempre fiz, mesmo não concordando com muitos, sempre segui todos. Dessa vez não seria diferente. Dona Glória é a minha Clarice Lispector particular, com certeza saberia o que me dizer sobre toda essa loucura. Quando cheguei no prédio dos meus pais, estacionei na vaga deles já que nenhum dos dois estava em casa e subi com a Duda tentando explicar pra ela o motivo da visita repentina, não estava nem conseguindo pensar direito por isso não deu pra arranjar uma boa desculpa. A verdade é que estava até evitando ao máximo falar, com medo de descontar alguma coisa nela e se eu fizesse isso não me perdoaria, então era preferível falar o menos possível. Chegamos ao andar certo, e comecei a tocar a campainha insistentemente (esquecendo até da chave que minha mãe tinha me dado a uns meses e estava perdida em algum canto da minha bolsa). Quando minha avó abriu a porta, não segurei mais o choro que prendi durante todo o percurso até ali e ela ficou muito assustada. 
Glória - O que aconteceu? - perguntou me analisando de cima a baixo e fez a mesma coisa com a Duda depois
Clara - Me abraça, vó - ela continuava apavorada, mas me recebeu nos seus braços acolhedores como sempre, e isso foi o bastante para me ver livre de toda raiva que estava sentindo
Glória - O quê que está acontecendo? - tentou enxugar meu rosto quando me soltou, e eu respirei fundo pra me controlar porque quando olhei pra Duda percebi que ela estava quase chorando também. Não! Isso não! Abaixei pra ficar da altura dela
Clara - Não quer ir ver o biso? 
Eduarda - Por quê está chorando? - passou suas pequenas mãozinhas no meu rosto, fechei os olhos e respirei fundo novamente
Clara - Porque estou com uma dor de cabeça muito forte, filha. Mas já vai passar 
Eduarda - Muito forte? - arregalou os olhinhos
Clara - Sim, mas não precisa se preocupar com isso, vai passar 
Eduarda - Mesmo? - assenti e olhei pra minha avó
Glória - Vai passar sim, meu amor. Pode deixar que eu cuido da mamãe - piscou pra ela, mas a minha pequena estava muito séria
Eduarda - Vai dar aquele remédio com gosto ruim pra ela? - fez uma careta engraçada
Glória - Esse mesmo - sorriu um pouco
Clara - Vai lá ver o biso, amor. Depois de tomar o remédio eu vou também, tá? - ela demorou um pouco, mas concordou - Só não fica muito em cima dele, porque ainda não pode 
Eduarda - Tá bom - se afastou e começou a andar em direção ao corredor, mas de repente voltou correndo e me abraçou tão forte que cheguei a perder o equilíbrio, já que estava praticamente de joelhos, e caí sentada. Ela deu uma gargalhada gostosa - Fica bem, mãe - deu um beijo na minha bochecha e sorriu
Clara - Vou ficar - sorri com vontade de chorar mais ainda e beijei seu rosto também. Ela foi correndo pro quarto do meu avô e eu levantei
Glória - Você está pálida, vem comigo - pegou a minha mão antes que eu falasse qualquer outra coisa e me levou com ela pra cozinha. Sentei, e me dei conta de que ainda tremia um pouco, o choque da notícia ainda não tinha passado. A carga emocional continuava pesando em cima de mim. Também pudera, né? Alguns minutos depois minha avó sentou de frente pra mim com duas xícaras fumegantes do seu famoso chá calmante de camomila - Bebe e me conta o que aconteceu - tomei o primeiro gole pra ganhar coragem de falar, enquanto ela me olhava atentamente
Clara - Descobri tudo
Glória - Tudo o quê? 
Clara - O verdadeiro motivo que fez o Júnior terminar comigo 
Glória - Então havia outro motivo mesmo?
Clara - Sim, suas suspeitas nunca falham - sorriu - Mas é um motivo tão... - não achei palavras para defini-lo - Não consigo acreditar nele ainda 
Glória - Ele contou?
Clara - Não, eu ouvi sem querer - senti um calafrio ao lembrar como foi horrível ouvir tudo aquilo, e tomei mais um gole do chá pra tentar ganhar tempo
Glória - Fala... - pediu gentilmente, só que eu não sabia como explicar um absurdo que nem eu mesma tinha entendido ainda - Que motivo foi esse, Clara?
Clara - A ex namorada dele era compatível com meu avô - resumi da forma que achei menos horrorosa, segurando o choro... tudo em mim doía naquele momento. Ela captou o que eu quis dizer, mesmo assim demorou um pouco pra falar 
Glória - Entendi - balançou a cabeça afirmativamente, mas não tão surpresa
Clara - Você já tinha pensado nessa possibilidade, não é vó?
Glória - Talvez - afundei o rosto nas mãos, sem saber o que pensar, a cada minuto ficava mais confusa - Ele foi muito corajoso - disse depois de alguns minutos de silêncio total, tentei colocar minhas ideias em ordem durante esse meio tempo 
Clara - Foi... 
Glória - Vocês conversaram?
Clara - Não muito. Não estava conseguindo pensar direito, e nem estou ainda
Glória - Por quê? 
Clara - Você ainda pergunta, vó?
Glória - Meu amor, se o final valer a pena, o caminho não importa. O passado está apenas na sua cabeça agora, mas o futuro está nas suas mãos - segurou minhas mãos em cima da mesa - Esquece tudo que aconteceu e vai ser feliz 
Clara - Falar é fácil 
Glória - Não, não é fácil. Eu pensei nessa possibilidade sim, mas nunca falei nada porque não imaginei que ele fosse capaz de ir tão longe. Mas ele foi... isso não quer dizer alguma coisa?
Clara - Ele me ama - meus olhos enxeram de lágrimas novamente e eu não tinha a menor intenção de segurá-las
Glória - E não é pouco 
Clara - Eu sei - tentei sorrir, mesmo chorando - É muito recíproco
Glória - Isso eu também sei - riu com os olhinhos rasos - Qual a dificuldade?
Clara - Não sei. Tenho medo de não dá mais certo por causa das oportunidades que nós já perdemos. Tenho medo de me sentir em dívida com ele pelo resto da vida. Tenho medo, vó... muito medo 
Glória - Isso é... normal. Quando o amor é grande, o medo não é menor - falou com uma tranquilidade tão grande que não sei como, mas conseguiu me acalmar
Clara - Tava demorando pra surgir essas suas frases que me deixam sem saber o que falar - ela gargalhou
Glória - Olha que a maioria nem são minhas, mas que bom que guardei todas elas, sempre soube que ler tanto teria alguma utilidade - riu novamente e eu sorri, me sentindo outra pessoa já, incrível - Quer ouvir outra?
Clara - Quero 
Glória - Primeiro me promete uma coisa
Clara - O quê? - perguntei receosa, falar sobre promessas ainda era um pouco doloroso
Glória - Sua felicidade não mora muito longe daqui, vai ser feliz - sorri novamente e assenti - Na vida e no amor, não temos garantias... Portanto não procure por elas, viva o que tem que ser vivido. Sem medos... - olhou nos meus olhos e apertou as minhas mãos - O medo é um dos piores inimigos do amor e da felicidade
Clara - Obrigada 
Glória - Não quero que me agradeça, quero apenas que cumpra com o que acabou de me prometer
Clara - Acho que não sou mais muito fã de promessas, vó
Glória - Mas essa é especial - piscou
Clara - Tudo bem - concordei sem escapatória - Tenho que ir, mas também preciso te pedir algo - terminei de tomar o chá e levantei, ela repetiu o meu gesto
Glória - O quê?
Clara - Não conta pro meu avô, pelo menos não agora
Glória - Por quê?
Clara - Porque eu já sei qual vai ser a reação dele. Lembro quando contei pra vocês sobre o término lá no hospital e ele já ficou achando que a culpa era dele. Não quero isso 
Glória - E o que eu falo pra ele? - fiquei sem resposta, não queria de jeito nenhum ter que mentir pra ele - Vai resolver a tua vida e deixa que com ele eu me entendo - seu sorriso transmitia a paz exata que eu queria, como que eu podia não confiar naquela mulher? Sorri também, abracei-a e fui dar um beijo no meu avô. Cheguei ali tão atordoada, com uma decisão fixa na cabeça, mas ainda assim, muito confusa. Parece mentira, mas estava indo embora bem mais calma, e com ainda mais certezas da minha decisão
    ****
Quando cheguei no apê com a Duda, a Manu ainda não tinha chegado então o Luck fez festa ao perceber que não estava mais sozinho. Era bom estar em casa, só que não estava me sentindo tão bem como queria ali. Faltava algo... faltava eu tomar uma atitude antes que fosse tarde demais. Como minha pequena já tinha feito as tarefinhas da escola, preparei um lanchinho pra ela comer assistindo Angry Birds no meu quarto, enquanto eu tomava um banho. Precisava pensar no que fazer, e rápido. Depois de me vestir e prender o cabelo, sentei de frente pra minha mesinha, tirei o estojinho do óculos e o celular da bolsa e me assustei com o número de chamadas perdidas. Todas do Júnior. Cacete! Eu disse que ia ligar quando chegasse! Não sabia direito o que falar ainda, mas era a oportunidade perfeita para fazer logo o que tinha que ser feito. Iniciei a chamada nervosa, e quando ouvi a sua voz preocupada do outro lado da linha consegui ficar ainda mais. 
 - início
Clara - Oi - tentei soar calma
Neymar - Chegou agora? - pareceu ter respirado aliviado
Clara - Não, fui conversar com a minha avó pra tentar colocar as ideias em ordem
Neymar - E conseguiu?
Clara - Sim
Neymar - Que bom - respondeu depois de um silêncio perturbador
Clara - É... - respirei fundo e olhei pra trás, só pra ter certeza que a Duda estava bem entretida nos bichinhos da TV - Apenas me ouve antes que eu perca a coragem, por favor. Não fala nada, pode ser? 
Neymar - Pode 
Clara - Me desculpa. Eu errei, não devia ter te deixado aí do jeito que deixei porque... se foi difícil de aguentar pra mim, imagina pra você. Mas acontece que eu sempre erro e de todas as minhas dúvidas, a única certeza que tenho é que eu te amo e te quero ao meu lado até daqui uns, sei lá, 600 mil anos ou mais - precisei parar de falar pra liberar as primeiras lágrimas que já estava segurando - Lembra quando imaginávamos nosso futuro juntos? Então... sempre soubemos que não seria fácil, mas já foram tantos obstáculos superados e mesmo assim, nunca deixou de ser você, nem por um segundo. Nossas brigas não me fizeram te amar menos, muito menos a saudade ou qualquer outra coisa que tenha ficado entre nós desde que nos conhecemos. Nada disso foi capaz de mudar o que sinto por você... eu ainda continuo te amando, desde do amanhecer até o anoitecer, todos os dias, a toda hora
Neymar - Não fala mais nada - falou bem rápido com a voz tão embargada quanto a minha
Clara - Mas... - ouvi o tu-tu-tu do outro lado e quase não acreditei - É sério? - perguntei incrédula olhando pro celular, lendo "Chamada finalizada", então não caiu... ele desligou - Não acredito nisso - sussurrei olhando pra cima, não queria chorar. Um sentimento desconhecido começou a aflorar em mim, por um lado eu sabia que merecia aquele tratamento, mas um outro lado se recusava a aceitar esse tratamento. Deixei o celular em cima da mesa junto com o óculos, passei as mãos no rosto antes de levantar, dei um beijinho na testa da minha pequena e saí do quarto antes que ela tivesse tempo de prestar atenção em mim. Não queria ter que explicar de novo o que ela já sabia; eu e ele não teríamos mais volta. Fui pra varanda, deitei no sofazinho de palha que só me trazia lembranças boas e chorei. Era inevitável e eu sabia disso... É difícil não chorar quando o amor da sua vida está em suas mãos e você o deixa passar por uma brechinha. Talvez desistir de tudo tenha sido a melhor opção pra ele. Quem sou eu pra julgar? Às vezes o destino dá cada nó nas nossas vidas... O Luck apareceu pra me fazer companhia, sorri um pouco quando ele começou a enxugar minhas lágrimas de um jeito nada convencional (ou melhor, do seu jeito) e depois me dei conta de que o apê estava muito silencioso, não estava ouvindo as famosas gargalhadas que a minha pequena sempre dá quando está assistindo seus desenhos favoritos e isso só podia significar que tinha pego no sono. Deixei meu filhote deitadinho no meu lugar, fui no quarto e confirmei a minha suspeita. Fiquei com uma vontade imensa de deitar ao lado dela, abraçá-la e passar o resto do dia ali, mas a campainha começou a tocar insistentemente, atrapalhando meus planos. Não queria falar com ninguém, muito menos no estado lastimável em que me encontrava, só que quem quer que fosse do outro lado da porta, parecia não ter intenções de desistir - Do céu ao inferno em poucas horas! O que eu fiz pra merecer isso? - perguntei pra mim mesma enquanto desligava a TV, depois saí do quarto - Já vai, não precisa quebrar a campainha não - falei alto o suficiente pra pessoa ouvir, irritada mesmo sem saber quem era. Passei as mãos no rosto, apesar de saber que não ia adiantar nada e abri a porta. Meu mundo parou e voltou a girar em questão de segundos -
Neymar - Preparada pra viver uns, sei lá, 600 mil anos ou mais ao meu lado? - fiquei sem fala, achando que aquilo só podia ser um sonho e minha primeira reação foi inconsciente: fechei os olhos, certa de que quando voltasse a abri-los minha loucura estaria terminada... mas não foi o que aconteceu. Ele continuava ali na minha frente, com um sorriso delirante apesar do seu rosto não negar que andou chorando e muito. Não esperei por mais nada e praticamente me joguei nos seus braços, abraçando-o com todas as minhas forças (que já não eram muitas, graças aos inúmeros acontecimentos do dia, mas o suficiente para mantê-lo junto a mim) - 
Clara - Não me acorda na melhor parte, por favor - pedi desesperada, não querendo soltá-lo de jeito nenhum
Neymar - Não é um sonho - percebi o seu sorriso quando enterrou a cabeça no meu pescoço - Estou aqui, pra você e por você - não achei que fosse possível mas meu coração acelerou ainda mais depois que escutei isso, minhas pernas viraram gelatina e teria caído se não estivesse muito bem segura nos braços dele. Comecei a rir de nervoso e segurei o rosto dele entre as minhas mãos
Clara - Você realmente está aqui. Não estou vendo coisas? - ele riu também, destruindo o que ainda restava de sanidade dentro de mim. As saudades que sentia de vê-lo e ouvi-lo rindo transbordaram em forma de lágrimas e não deixei que dissesse mais nada, apenas beijei-o como se não houvesse amanhã, com uma urgência desconhecida por nós dois, de maneira que nem conseguimos nos entender logo de cara, parecia uma brincadeira louca em que ríamos mais do que qualquer outra coisa e só queríamos nos sentir de novo. E a sensação, por incrível que pareça, não era a mesma de sempre. Era mil vezes melhor e mais maravilhosa. Não queria que acabasse nunca, mas (in)felizmente precisávamos nos desgrudar e respirar. Confesso que quando nos distanciamos, um receio me fez pensar que ele daria as costas e iria embora, mas lembrei da minha avó "O medo é um dos piores inimigos do amor e da felicidade", não podia deixar o medo pensar e falar por mim
Neymar - Oi - murmurou
Clara - Oi - respondi, depois desci o olhar para nossas mãos que permaneciam unidas e ele apertou um pouco a minha
Neymar - Desculpa pela campainha, acho que não quebrou - sorriu de lado, me lembrando que ainda estávamos no hall de entrada. Sorri e puxei-o pra dentro, fechei a porta e fomos até o sofá ainda de mãos dadas. O Luck ficou feliz ao vê-lo, isso já nem era novidade, mas como não recebeu a atenção que queria, voltou pra varanda cabisbaixo - A Duda?
Clara - Dormiu... 
Neymar - Que foi? - levantou o meu queixo pra não me deixar desviar mais o olhar
Clara - Achei que tivesse desistido de tudo
Neymar - Agora, quando desliguei o celular e vim pra cá? - assenti hesitante - Não tem como desistir de você, de tudo que vivemos, dos nossos sonhos e planos. Nem se fosse possível eu iria desistir, você me mostrou a vida como ela é, me fez acreditar no amor novamente, você foi a única a me mostrar como eu sou de verdade. Eu poderia tentar te esquecer mil vezes, e falharia em todas elas
Clara - Mas seu mundo seria mais fácil se eu não voltasse 
Neymar - Talvez. Mas não seria o meu mundo sem você nele - Meu Deus! Será que existe limites para se apaixonar pela mesma pessoa em uma única vida? Se sim, já devo ter ultrapassado todos eles. Sorri, mais emocionada impossível. Só queria beijá-lo, beijá-lo e beijá-lo... E beijei. Dessa vez sem nenhuma pressa ou urgência, com calma, carinho, amor e... saudade, essa em excesso - 
Clara - Me conta tudo - pedi ainda de olhos fechados, com a sua boca a milímetros de distância da minha... se não fosse assim, não sei se teria coragem
Neymar - Tem certeza?
Clara - Sim 
Neymar - Nem sei como começar - abri os olhos e ele me olhava atentamente, com receio, senti a necessidade de fazer alguma coisa
Clara - Eu te ajudo
Neymar - Como? - franziu a testa
Clara - Pergunto apenas o que quero saber 
Neymar - Certo - respirou fundo, e eu também precisei recuperar bastante fôlego
Clara - Como a Bruna conseguiu entrar em contato com você?
Neymar - Através de um amigo do Rio de Janeiro
Clara - Que amigo?
Neymar - O David
Clara - Brazil?
Neymar - Sim
Clara - Ok, continue 
Neymar - Ele disse pra mim que ela queria muito falar comigo, que era caso de vida ou morte, e que pareceu séria quando falou isso pra ele. De início achei que era besteira, por isso nem te contei e não aceitei. Mas ela voltou a procurá-lo, e dessa vez deve ter contado pelo menos metade da história pra ele, porque quando falou comigo de novo, ele disse que o assunto não era só do meu interesse, mas do seu também. Ela usou você para me atrair 
Clara - Meu Deus! 
Neymar - Ela querendo falar sobre algo que envolvia vida ou morte e você, me assustou. Por isso aceitei 
Clara - Quando vocês se encontraram? - meu estômago embrulhou ao fazer essa pergunta, tentei não deixar transparecer muito -
Neymar - Naquele dia.... a entrevista para revista internacional em SP 
Clara - Ela estava aqui?
Neymar - Sim
Clara - Então, no dia anterior... - comecei a ligar os fatos, boquiaberta - Você não estava pensativo demais por causa de uma proposta de um clube de fora e sim porque ia vê-la sem que eu soubesse. Foi isso? 
Neymar - Foi... Meu pai sabe da minha vontade de ficar aqui e enquanto essa vontade permanecer, propostas de clubes de fora nem chegam até mim - claro, como não pensei nisso? O reboliço no estômago piorou, minha visão chegou a ficar um pouco turva mas foi algo passageiro - Você está bem?
Clara - Sim! Eu quero saber, como foi?
Neymar - Clara...
Clara - Por favor
Neymar - Foi horrível. Você não merece ouvir essas coisas
Clara - Eu quero, me conta, por favor
Neymar - Tudo bem - respondeu resignado, e começou a contar como começou o nosso pior pesadelo. 
    Flashback on
» Assunto sério. Caso de vida ou morte. Ana Clara. 
Podia muito bem não ser nada, mas e se ela não estivesse blefando? Que assunto sério envolvendo caso de vida ou morte e a Clara poderia interessar a ela e a mim? A dúvida me corróia, não sabia bem o que pensar. A princípio achei que estivesse apenas querendo chamar atenção. Conseguiu. E por que não desistia de falar comigo, então? Concordei em ir, sem que a Clara soubesse, mas estava disposto a contar pra ela qualquer que fosse o assunto que a Bruna queria resolver comigo. O único porém, é que infelizmente tive que mentir e dizer que daria entrevista para uma revista internacional em SP, quando na verdade nem sairia de Santos. A Bruna estava hospedada no Mendes Plaza. Não me sentia bem fazendo nada disso, mas quanto antes resolvesse essa situação e ouvisse o que a louca queria, melhor. Fui sozinho para evitar alardes, avisei-a quando cheguei ao hotel, e tentei passar despercebido. Não adiantou muito, mas as pessoas que me pararam conseguiram ser bem discretas, graças a Deus. Tudo bem que para todos os efeitos, estava ali para uma entrevista, mas se eu estava sendo discreto, a Bruna podia muito bem não ter sido e aí a merda ia estar feita se descobrissem nós dois no mesmo lugar. Pior, em um hotel. Mas eu sentia que tinha que estar exatamente ali, por mais louco que isso fosse, sentia que naquele momento, era ali que tinha que estar. Abri a mensagem que ela havia respondido e subi para o quarto indicado. 
Bruna - Que bom que você veio - sorriu amplamente quando abriu a porta
Neymar - Você disse que era caso de vida ou morte. Seja breve, por favor - entrei logo antes que mais alguém me visse ali
Bruna - Pra quê a pressa? Senta - não estava com paciência pra discutir, muito menos antes de saber o que ela queria, por isso sentei - Eu não estava brincando. É uma caso de vida ou morte... suponho...
Neymar - Não estou entendendo 
Bruna - Você vai entender - sorriu - Vamos por partes... - sentou ao meu lado - Eu não sou uma pessoa ruim, Júnior
Neymar - Continuo sem entender, não dá pra ser mais direta?
Bruna - Tudo bem. O jogador mais badalado do Brasil tem uma namorada com o avô doente, precisando de um transplante de medula e ainda não encontrou ninguém compatível - semicerrei os olhos - Mas por ser avô da namorada do jogador mais badalado do Brasil... - quase mandei-a calar a boca, quase - Isso repercutiu até no meu local de trabalho, onde campanhas estão sendo feitas agora, incentivando a doação de medula, acredita nisso? - riu, com... raiva? não sei - E nós, atores, claro, não podíamos ficar de fora.... e como disse anteriormente, não sou uma pessoa ruim também
Neymar - Onde é que você quer chegar com isso?
Bruna - Eu doei
Neymar - E daí? 
Bruna - E daí que eu sou compatível, adivinha com quem? - sorriu vitoriosa. Não... eu não estou ouvindo isso - Ah, você não sabe? - fez biquinho - Sim, Júnior, eu sou compatível com o avô da sua queridinha. Isso não é um máximo? Agora eu posso salvar a vida dele - não consegui falar nada enquanto assimilava o que tinha ouvido - Sabe que a Júlia já até tinha comentado comigo sobre isso desse senhor estar doente e tal...? Mas nunca achei que isso fosse me afetar tanto... 
Neymar - Eu não acredito em você - interrompi-a - Onde doou? Cadê o resultado?
Bruna - Calma. Uma pergunta de cada vez. Doei lá no Rio, no HEMORIO, no mesmo dia que vários atores fizeram o mesmo, pode confirmar isso se quiser. E fui informada da compatibilidade, assim como também fui chamada para fazer o transplante. Tenho uma tia que trabalha lá, ela mesma me disse - me entregou um envelope que estava na mesinha de centro - Basta eu dizer sim 
Neymar - Você vai ajudar? Ótimo, mas continuo sem saber por que estou aqui. É para agradecer? Ok, muito obrigado - tentei levantar mas ela me parou
Bruna - Não, quê isso. Ninguém consegue nada sem um esforço, não é verdade? Eu sou nova, e já ouvi do médico que me ligou que não vou ter nenhuma consequência, caso resolva doar. Já tenho 18 anos, portanto, posso 
Neymar - E o que te impede? - perguntei perdendo a pouca paciência que tinha
Bruna - Nada. Mas eu achei que podia ganhar algo em troca. Uma condição, apenas uma...
Neymar - Fala logo 
Bruna - Afaste-se dela
Neymar - Como?
Bruna - Você entendeu. Se afasta da Ana Clara e eu salvo a vida do adorável avôzinho dela
Neymar - Você está se ouvindo? Está raciocinando? Eu não vou fazer isso! Nunca! E você é louca
Bruna - EU NÃO SOU LOUCA - gritou, me dando ainda mais certezas de que era realmente louca
Neymar - Você é. E você também disse que não era uma pessoa ruim... Bom, precisa rever os seus conceitos 
Bruna - Eu não sou uma pessoa ruim, só quero o que é meu por direito
Neymar - E o que é seu por direito?
Bruna - Você tem noção de como ficou a minha imagem quando terminou comigo por causa dessa mulher que apareceu do nada com uma menina dizendo ser sua filha?? 
Neymar - Não coloca a minha filha no meio disso
Bruna - Enfim... - fingiu não me ouvir - É a minha única condição. A vida dele está nas suas mãos
Neymar - EU NÃO GOSTO DE VOCÊ - explodi, depois me dei conta de onde estávamos e tentei me controlar - Quando isso vai entrar na sua cabeça?
Bruna - A gente não precisa ficar juntos, não precisa namorar. Você se separa dela, de verdade, e você sabe que ainda temos alguns amigos em comum portanto eu irei descobrir se vocês ainda estiverem juntos... E de vez em quando nós podemos aparecer... juntos... sei lá... só para as fotos sabe? É o que os fotógrafos e os repórteres gostam, e é o que eu preciso. Eu quero a minha integridade de volta
Neymar - Você já teve isso alguma vez? 
Bruna - Bom, - continuou fingindo não me ouvir - O doador tem que ser mantido em segredo, então ela nunca vai saber que fui quem salvou a vida dele
Neymar - Que eu saiba o paciente também precisa ser mantido em segredo 
Bruna - É verdade. E eu não fazia ideia de que era o avô dela quando fui informada que era compatível com alguém. Mas quis o destino que a minha tia trabalhasse justamente lá. Pedi pra saber quem era porque me interessei pelo caso, já tinha esquecido momentaneamente o motivo que me fez me cadastrar, sério... aí o destino gentilmente me ajudou de novo - sorriu - O nome do avô da sua queridinha já apareceu até nos jornais impressos, na internet então... Foi só juntar uma coisa com a outra 
Neymar - Você não pode estar falando sério - olhei para o envelope que ainda estava nas minhas mãos
Bruna - Eu estou, não brincaria com isso. E acho melhor você pensar rápido, porque o tempo está passando e eu estou ótima mas ele... - balançou a cabeça - Tic tac... tic tac... «
    Flashback off
Clara - Ela não é só louca, é doente também - só consegui falar, com o rosto lavado em lágrimas, uns cinco minutos depois que ele terminou de contar
Neymar - Ela mandou eu correr atrás de você agora
Clara - Ah?
Neymar - Todas as vezes que te disse que não estava namorando, fui sincero. A proposta da Bruna era que aparecêssemos juntos algumas vezes para a mídia achar que sim, estávamos namorando, mas não aconteceu nada entre nós durante esse tempo, nunca, por mais que ela tenha tentado... - revirei os olhos - Na terça-feira ela me mandou uma mensagem com alguns links de sites onde havia fotos dela com outro carinha, não sei quem, nem me interessa. Mas claro, especulando uma traição por parte dela. ''Agora volta lá pra sua queridinha... ops, será que ela ainda vai te querer?'' foi o que me mandou também 
Clara - Então...
Neymar - Para todos os efeitos, ela queria vingança
Clara - Inacreditável 
Neymar - Bom.. eu nunca gostei tanto de ser chamado de... enfim, do que estão me chamando - sorriu e eu abracei-o novamente, era a única coisa que queria naquele momento - Volta pra mim? - sussurrou de repente -
Clara - Voltar?
Neymar - Sim - hesitou um pouco
Clara - Não tem como voltar, desculpa - balancei a cabeça, imaginando o que ele deveria estar pensando - Não tem como, porque nunca deixei de ser sua - seus ombros relaxaram imediatamente, ele sorriu e beijou todo o meu rosto mas quando chegou perto da minha boca, lembrei de algo - Preciso te contar uma coisa antes de tudo
Neymar - O quê?
Clara - Primeiro quero que saiba que... se não quiser me perdoar, tudo bem. Eu vou entender
Neymar - Clara, o que foi?
Clara - Eu... eu beijei o Diego. Eu o beijei. Estava morrendo de raiva de tudo, queria me sentir um pouco vingada sabe? Mesmo que você nem soubesse... Eu.. desculpa. Só faço besteira e... - não sei mais o que ia falar, ele não deixou e deu continuidade aos beijos de onde tinha parado, ou seja, na minha boca. Me beijou (em outras palavras, me deu mais uma dose do meu vício e como uma dependente que estava em abstinência eu só queria mais e mais)
Neymar - Ele te fez sentir metade do que acabou de sentir agora? - sorri, entendendo direitinho onde queria chegar - Eu não fiquei com a Bruna em momento nenhum, mas pra você e metade do mundo não era bem assim que as coisas funcionavam, então eu te entendo
Clara - Você me tratava de um jeito tão indiferente, como se fosse um sacrifício olhar pra mim
Neymar - Era um sacrifício olhar pra você e não poder te dizer nada. Era mais fácil tentar ser frio porque eu sabia que podia vacilar a qualquer momento e não me perdoaria se isso acontecesse. Tinha medo de te contar logo tudo de uma vez e a Bruna descobrir e desistir de doar 
Clara - Mas...
Neymar - Eu pensei diversas vezes em te contar, mas quando chegava na hora de falar, preferia não arriscar. Minha ideia era te contar apenas depois do transplante 
Clara - E os dias pareciam não passar... 
Neymar - Exatamente 
Clara - Eu te falei tanta coisa horrível, me perdoa 
Neymar - Toda vez que você me dizia algo horrível, eu imaginava que era um eu te amo - fiquei emocionada de novo, e as lágrimas foram descendo sem que eu tivesse tempo para (tentar) impedir
Clara - Achei que você tinha voltado a se apaixonar pela atriz. Me senti tão culpada quando você disse que eu não tinha te impedido de ir embora 
Neymar - Só falei aquilo por falar, pra continuar te deixando por fora de tudo que envolvia essa chantagem horrível. Nunca fui apaixonado por ela. Estava muito mais preocupado em fazer o que você me pediu naquele sábado que nós temos que esquecer - pausou e voltou a apertar uma das minhas mãos - “Mas eu desejo, do fundo do meu coração, que você não me esqueça” - citou as minhas palavras e foi o meu fim, não sabia mais de onde vinha tantas lágrimas - Foi a melhor coisa que você podia ter me dito naquele momento e fingir não te amar foi a coisa mais difícil que já fiz - começou a enxugar o meu rosto delicadamente, depois beijou os meus olhos, como se pedisse para que as lágrimas cessassem. Sorri encantada, me perguntando como consegui viver tanto tempo longe disso - Já passou - respiramos aliviados ao mesmo tempo e sorrimos, sem nunca desviar o olhar - Agora, será que eu tenho uma... sei lá, terceira ou quarta chance? - rimos. Eu estava rindo. Nós estávamos rindo. Quase não dava para acreditar
Clara - Minha mãe dizia que amar significa dar chances quando não há mais chances sobrando - ele abriu um sorriso grandioso, capaz de iluminar qualquer dia triste, e teve a reação que eu menos esperava e, talvez, a que eu mais queria naquele momento: me agarrou. No sentido mais literal da palavra. Seus braços abraçaram e apertaram a minha cintura, puxando-me pra ele e anulando assim a miníma distância que existia entre nós, ao mesmo tempo que a sua boca atacou a minha, dando início a mais um beijo profundo e quase interminável (acho que se dependesse apenas de nós, seria mesmo). Estava com tantas saudades dos carinhos que só ele sabe conciliar com um beijo. Estava com tantas saudades do seu beijo! Queria que aquele momento durasse pra sempre, queria que o tempo parasse, e que todas as coisas ruins que aconteceram nas nossas vidas fossem apagadas das nossas memórias. Queria que apenas os aprendizados ficassem, porque lembrar também é doloroso. Não queria lembrar mais do sofrimento que passamos. No entanto, por ironia ou não, após dar fim ao beijo, ele viu a cicatriz na minha mão, tentei esconder sem deixar muito claro que não queria que visse, mas não adiantou nada
Neymar - O que foi isso? - passou o dedo levemente na pequena cicatriz -
Clara - Nada - tentei puxar minha mão, sem sucesso
Neymar - Por que não quer falar?
Clara - Eu se fosse você não perguntaria mais nada
Neymar - É, mas você não sou eu. Quero saber, e quanto mais tentar me enrolar, com mais vontade de saber o que aconteceu vou ficar
Clara - Não, você não quer saber, pode confiar em mim 
Neymar - Você não está jogando limpo 
Clara - Desculpa - me lamentei frustrada
Neymar - Fala 
Clara - Tenho vergonha 
Neymar - Vergonha de mim? 
Clara - Claro que não. Vergonha de mim e do que eu fiz 
Neymar - Não vou te julgar, só quero saber o que aconteceu aqui - apontou pra cicatriz novamente - Sei que foi na época que nos separamos. Vi sua mão enfaixada 
Clara - Soquei o espelho... - me vi sem saída e fui obrigada a falar
Neymar - Você o quê? - ele não estava só surpreso, estava horrorizado, o que me fez ficar com ainda mais vergonha
Clara - É, eu soquei o espelho depois que você terminou comigo e foi embora. Estava desesperada, morrendo de raiva, achava que a culpada de tudo era eu...
Neymar - Se machucou por minha causa? - perguntou retoricamente, nem tive tempo de responder - Por que não bateu em mim? - esperava ouvir qualquer coisa, menos isso
Clara - Não fala besteira, já passou 
Neymar - Ainda dói? - sua voz suavizou ainda mais e por momentos, ele parecia estar falando com a Duda -
Clara - Não 
Neymar - Quantos pontos levou?
Clara - Esquece isso
Neymar - Quantos? - só não revirei os olhos porque percebi que estava realmente preocupado, mesmo que não tivesse mais motivos pra isso -
Clara - Dois - seu polegar continuava fazendo um carinho repetitivo no lugar machucado, quando duas lágrimas dele caíram exatamente ali - Não. Por favor, não! - desvencilhei a minha mão rapidamente e puxei-o pra mim, abraçando-o muito forte - Você não tem culpa de nada. Já passou - repeti as suas palavras, suplicando interiormente para que elas surtissem algum efeito, e acho que deu certo porque mesmo sem desfazer o abraço, ele pegou a minha mão novamente e beijou a cicatriz. Mais palavras pra quê? Precisei buscar forças desconhecidas para não cair no choro de novo, mas antes de falarmos mais alguma coisa ouvimos a chave virando na fechadura e no mesmo instante a Manu entrou cantarolando -
Manu - LOVE NEVER FELT SO GOOD - ela estava tão empolgada que só prestou atenção em nós depois de ter fechado a porta - O que aconteceu? - perguntou com a voz preocupada, enquanto tirava os fones do ouvido. Claro, para nós dois estarmos tão próximos alguma coisa tinha que ter acontecido - pelo menos na cabeça dela. Nos olhamos, e como se tivéssemos pensado a mesma coisa, voltamos a encarar a Manu - que já estava com as mãos na cintura, e uma das sobrancelhas arqueadas, ou seja, bem desconfiada - e balançamos a cabeça em resposta a sua pergunta - É sério? 
Clara - Não aconteceu nada, Manu. Relaxa
Manu - Não é mais disso que estou falando. Quero saber se é sério o que estou vendo ou é alguma pegadinha. Vocês voltaram? - perguntou quase aos berros, tive que conter o riso mas nem tivemos chance de falar - Não precisam responder, essas carinhas e esses olhares já dizem tudo. Mas eu mereço saber de todos os detalhes, porque aturei os dois durante todo esse tempo - dessa vez não teve como segurar e rimos alto, até que a maluca se jogou em cima de nós, rindo também - Nem sei qual foi a última vez que vi vocês rindo assim - se instalou no meio de nós dois e sentou como uma bela intrusa, ainda passou os braços por cima de nossos ombros - Então, quem vai começar a falar? - intercalou seu olhar intimidador entre mim e ele
Neymar - Essa parte eu pulo - soltou delicadamente a minha mão, que ainda estava unida à sua atrás da Manu e levantou - A Clara te conta - piscou pra ela, sorrindo
Manu - Vocês realmente...? - deixou a frase pelo meio, boquiaberta. Acho que até aquele momento ela achou que, de fato era uma pegadinha, só pode. Em resposta ao que sabíamos que ela queria perguntar - de novo -, o Júnior esticou a mão direita pra mim e me fez levantar também, me colocando ao seu lado em um abraço meio lateral
Neymar - Sim! - sorriu olhando pra mim, e eu retribuí de maneira mais acanhada. Percebi que aquilo era mais esquisito do que imaginei (nunca imaginei, aliás), mas normal, levando em conta o tempo que fomos forçados a ficar separados, e tudo que tivemos que enfrentar. Só que eu sabia também que era justamente por causa desses fatores que a esquisitice não ia ser mais um problema pra nós, não precisaríamos nos (re)acostumarmos com nós mesmos, porque nunca chegamos a desacostumar. Talvez precisássemos apenas nos recriar juntos, reinventar a nossa forma de amar, resumindo de uma maneira mais prática: recomeçar... mais uma vez
Manu - Ah, meu Deus! - a voz da Manu me tirou do meu mundo particular, ela estava sorrindo de verdade - Eu não acredito! Quero dizer, acredito, é claro - começou a rir e nós a acompanhamos, mesmo que de uma maneira mais contida. Lógico que tínhamos motivos para sorrir, só que era tudo muito recente
Clara - Tem que ir mesmo? 
Neymar - Infelizmente, sim. Preciso contar pro meu pai essa história toda 
Clara - Como assim, ele não sabe?
Neymar - Só a minha mãe e o Gil sabiam e digamos que ele não ficou muito feliz com essa última envolvendo o meu nome, então preciso enfrentar a fera
Manu - Do que vocês estão falando? Eu ainda estou aqui e definhando de curiosidade, só pra vocês saberem - ele olhou pra ela e soltou um beijo, acompanhado de um sorriso sarcástico e me levou até a porta
Clara - Preciso desejar boa sorte? - mordi o lábio com um pouco de receio, aquilo em partes era culpa minha... ou não?
Neymar - É sempre bom - riu
Clara - Então, boa sorte - sorriu, me fazendo esquecer da minha possível culpa rapidinho - Preciso te dizer uma coisa antes que você vá 
Neymar - Diz
Clara - Na verdade, não sei se devia dizer... Mas está tudo tão confuso na minha cabeça, que a única coisa que me parece certa é te agradecer - ele franziu a testa - Obrigada por ter tido a coragem de ter feito o que fez, não por mim, mas pelo meu avô 
Neymar - Não foi... 
Clara - Escuta, por favor. Só não quero que pense nunca que ficar com você vai ser uma obrigação ou uma forma de ficar menos em dívida pelo que fez, até porque o que te disse antes de sair do teu quarto hoje é a conclusão mais certa que consegui tirar de tudo isso. Eu só achava saber o quanto te amo, mas isso é humanamente impossível - ele sorriu e passou a mão no meu rosto. Eu estava chorando? Juro que não percebi, só queria desabafar ou não íamos conseguir dar um passo sequer adiante
Neymar - Não precisava me dizer tudo isso. Eu sei. Eu sinto - pegou a minha mão e colocou-a em seu coração - Sei onde quer chegar, e me sinto da mesma forma em relação a isso aqui - mostrou a cicatriz - Algumas coisas interferem tanto nas nossas vidas que fica impossível tentar apagar da memória, fazer de conta que nunca existiram ou simplesmente passar por cima, mas podemos superar. E com um pouquinho de paciência, eu tenho certeza que nós vamos superar mais esse obstáculo juntos e você? - só consegui assenti que sim, prendendo o choro de todas as formas possíveis. Eu também tinha certeza que íamos superar qualquer coisa - Também está com aquela sensação do tipo, acabei de te conhecer e não sei como me despedir? - maldita hora que disse isso, porque eu tive vontade de rir mas como estava segurando o choro nem sei direito o que fiz, só sei que foi horrível (algo semelhante a uma hiena rindo, talvez) e fiquei sem saber se ele riu de mim ou do que ele mesmo disse
Clara - Pior que sim - respondi enquanto sentia ele enxugar o meu rosto definitivamente, nesse momento decidi que naquele dia, não ia mais chorar - Como faz pra essa sensação parar? - ele sorriu torto, olhou pra Manu rapidamente, abriu a porta e me puxou pra fora com ele
Manu - Na melhor parte não - ouvimos ela gritar com a porta já encostada e rimos
Neymar - Onde estávamos?
Clara - Acho que você ia me di... - antes mesmo que eu pudesse terminar de falar, a sua boca já estava colada a minha, em um encaixe de lábios perfeito, sorri e ele fez o mesmo, tornando o momento ainda mais delicioso. Levei as mão até o seu cabelo com saudades de bagunçá-lo mais do que ele próprio o bagunça, devolvendo o beijo com a mesma paixão. Pareceu durar uma eternidade, e ele mordiscou meu lábio inferior antes de nos separarmos, ou antes das nossas bocas se separarem, já que permanecemos colados
Neymar - Essa sensação vai passar, mas nada vai ser como era antes também
Clara - Não? - sussurrei sem entender
Neymar - Não - balançou a cabeça - Nada vai ser como antes, porque eu vou te conquistar todos os dias
Clara - Você não existe, não é possível - devo ter corado pelo menos um pouquinho, porque ele riu antes de me dá um outro beijo - Vai logo embora antes que eu te proíba de sair daqui pelos próximos 600 mil anos 
Neymar - Eu não reclamaria 
Clara - Não me dê ideias - ri, e ele me acompanhou mas de repente parou e ficou me olhando com uma expressão séria, porém, quase cômica - Que foi?
Neymar - Ainda estou tentando acreditar que agora posso te beijar quando eu quiser, quantas vezes eu quiser 
Clara - Mas não pode - recuei quando ele tentou avançar e a sua cara foi impagável, um mistura de pânico e confusão - Só a sua vontade conta? - seu sorriso voltou a surgir quando percebeu que eu não estava falando nada sério
Neymar - Como se a sua vontade fosse diferente - coloquei uma das mãos na boca, fingindo estar bastante ofendida
Clara - Que mania chata de ser tão convencido 
Neymar - Que mania chata de achar que consegue resistir - não contive mais o riso, e ele aproveitou isso para roubar um selinho, na verdade, alguns selinhos - Viu? Eu posso 
Clara - Sim, você pode - respondi com um sorriso de orelha a orelha, achando que derreteria a qualquer momento ali mesmo e fui chamar o elevador
Neymar - Me colocando pra fora mesmo? Isso é que eu chamo de saudades 
Clara - É justamente por causa disso que se tu não for agora, eu não vou deixar ir mais, sério - ouvi o seu riso ecoar pelo corredor enquanto se aproximava mais de mim, me deixando entre ele e a parede, mas aí o elevador chegou para atrapalhar suas ideias inocentes (ou não) e eu tive que rir, só que ainda deu tempo de um selinho não tão rápido, nem tão demorado - Amo você - apenas gesticulei
Neymar - Agora mais do que nunca - respondeu da mesma forma
Clara - Essa frase é minha 
Neymar - É nossa - consegui ouvir antes que as portas fechassem completamente. No mesmo momento uma saudade boa tomou conta de mim. Olhei pro teto e suspirei, como se uma tonelada tivesse saído de cima de mim. Voltei pro apê pra enfrentar o inquérito da Manu, tranquei a porta e sentei ao lado dela
Clara - Estava chorando? - franzi a testa, olhando atentamente para o seu rosto
Manu - Não - passou as pontinhas dos dedos debaixo dos olhos, sorrindo
Clara - Claro que estava 
Manu - Emocionada, apenas 
Clara - Por quê?
Manu - Até eu consegui sentir 
Clara - Conseguiu sentir o quê, doida?
Manu - O amor de vocês. É lindo - gargalhei - Insensível - amuou (puro fingimento)
Clara - Estava ouvindo atrás da porta também?
Manu - Quê? Não!
Clara - Que coisa feia 
Manu - Feio é você não ter me contado essa história maluca ainda 
Clara - É no mínimo, maluca mesmo. Isso pra não dizer outra coisa
Manu - Como assim? Vocês se comunicaram por telepatia e decidiram conversar?
Clara - Só você pra levantar essa hipótese, Manu - respondi rindo
Manu - Sei lá, né?! Com vocês dois nada é convencional 
Clara - Vou considerar como um elogio - ironizei e ela sorriu - Mas não, não foi assim. Eu é que descobri tudo 
Manu - Ai, então fala logo 
Clara - Vou te contar tudo com apenas uma frase
Manu - Tá - revirou os olhos impaciente
Clara - A doadora do meu avô foi a Bruna 
Manu - Que Bruna? - perguntou abismada com a mudança de assunto, com certeza ela não pensou que tinha algo a ver com meu avô - Espera, essa Bruna que estava com o... - seus olhos foram ficando maiores a medida que ia juntando as peças, e ela ficou perplexa
Clara - Sim. Ela mesma 
Manu - Se ela foi a doadora, e o Júnior terminou com você pra dias depois aparecer com... Não acredito! Estou imaginando coisas demais, não estou? - apenas neguei com a cabeça - Clara, essa garota não seria capaz de chantagear o Júnior pra doar, seria?
Clara - Ela foi capaz 
Manu - Não acredito. Isso é desumano demais. Como ela pôde?
Clara - Não sei... - encolhi os ombros, querendo que aquele assunto acabasse logo e com medo da minha pequena acordar... ela não precisava saber sobre nada disso
Manu - Mas há algo que não se encaixa nesse quebra-cabeça 
Clara - O quê?
Manu - Ela provavelmente fez isso pra ter o Júnior por perto, então por que apareceu com outro agora? 
Clara - Vingança 
Manu - Quê?
Clara - Ela achou que tinha o direito de fazer alguma coisa pra se vingar, não só dele mas de mim também, já que supostamente, fui eu quem terminou com o namoro dela quando voltei pra cá 
Manu - Que sem vergonha! Se eu pego essa garota eu mando ela de volta pro Sítio do Pica-Pau Amarelo - falou muito séria, eu ficaria com medo se não a conhecesse bem mas a minha primeira reação foi rir
Clara - Ela participou do Sítio?
Manu - Sim. Que droga! Ainda conseguiu manchar minha infância - nem ela conseguiu ficar sem rir depois dessa - Mas sério, que louco isso. Essa história toda só vem reforçar que quando é pra acontecer, até quem tenta atrapalhar, ajuda. Porque a gente não pode deixar de lado o fato dela ter salvado a vida do vô Marcos, e mesmo assim, apesar de todos os dolorosos pesares, você e o Júnior estão juntos de novo 
Clara - É... - concordei resignada com a minha realidade, querendo ou não aquela garota conseguiu destruir e salvar a minha vida quase como em um estalar de dedos
Manu - Vamos parar de falar dela porque não vale a pena. E a Duda?
Clara - Pegou no sono depois que a gente chegou aqui e como amanhã é sábado não fiz questão de acordá-la ainda 
Manu - E vai contar pra ela?
Clara - Depende. Contar o quê?
Manu - Que a mamãe e o papai estão juntos de novo - sorrimos - Ela vai pular tanto de alegria quando ver vocês juntos, já posso até imaginar 
Clara - Eu também. E ela merece essa alegria toda porque querendo ou não sofreu tanto quanto nós - falei, recordando de tudo que nós passamos juntas, e de todas as vezes que ela perguntou se eu e ele ainda voltaríamos e nunca consegui responder sem chorar depois. Mas isso já era um passado que eu não fazia questão nenhuma de lembrar, e não ia ser nada difícil me acostumar com o meu novo presente. Contei pra Manu tudo que ela ainda queria saber pra dar continuidade ao seu interrogatório, mas quando a minha pequena acordou e surgiu na sala, encerramos o assunto, e ela foi tomar banho. Peguei o Luck e desci com a Duda rapidinho pra ir até a cafeteria da esquina porque: 1) a fome estava apertando e 2) não estava com paciência pra esperar jantar ficar pronto, ou sair pra comer fora. Mas comprei apenas pãozinho de queijo, voltamos pro apê e a Manu fez chocolate quente com nutella, receita que viu na TV e queria muito experimentar. Posso dizer que ficou muito bom, e comemos assistindo o filme que tinha subido de maneira extraordinária para o topo dos meus favoritos, Treinando o papai. Podia ver cinquenta vezes no mesmo dia, e em todas as cinquenta ia rir e chorar com as mesmas partes, incrível.  
 clarabarcelar_: “Eu amo tanto os seus sorrisos. Tem aquele que você dá quando vê uma coisa muito engraçada, coisas que na maioria das vezes, sou eu quem faço, e tudo só pra te ver sorrir. Tem também aquele que você dá quando se sente envergonhada, e é a coisa mais linda desse mundo. E tem aquele que você dá com os olhos, aquele em que seus olhos ficam pequenininhos e fazem um formato de um sorriso também. Da pra ver o brilho em seu olhar quando você sorri assim, e como um espelho, esse brilho vem para os meus olhos também. Esse sorriso eu posso afirmar sim que é o mais lindo, mais incrível, mais perfeito, mais encantador sorriso que existe em todo esse universo.”  
Como já estava esperando, porque tinha certeza que minha avó contaria, minha mãe me ligou super preocupada, e à princípio nem me deixou falar direito, estava acima de tudo bastante indignada (era bom que a atriz não trombasse com a Dona Débora pelos próximos vinte anos, no mínimo) mas fiz questão de tranquilizá-la dizendo que estava tudo bem. Tudo muito bem, aliás. Fui sincera, e falei abertamente tudo que estava sentindo, principalmente sobre a felicidade que eu não conhecia a muito tempo e estava começando a preencher as cicatrizes do meu coração. Ela ficou mais aliviada, mas ainda assim me deu os seus conselhos sempre muito bem-vindos. "Não devolva na mesma moeda, deixa isso para o tempo e para as voltas que o mundo dá, apenas mostre que você é superior o suficiente para ignorar o mal que te causaram." Ela não é filha de quem é à toa. Aproveitei pra saber como meu avô lidou ao saber de tudo isso, e minha mãe contou que ele chegou a se culpabilizar sim, mas não por muito tempo porque minha avó o fez entender tudo de uma forma diferente. Graças a Deus! Só na hora de nos despedirmos, percebi que ela estava com o celular no viva voz, já que meu pai e meus avós também deram tchau... acho que fizeram de modo instintivo, nem perceberam. Pelo menos foi um motivo para rirmos e descontrair. Assim que desliguei, ia colocar o celular pra carregar e voltar pra sala pra ficar com as meninas, porém, comecei a receber uma porção de mensagens consecutivas no whatsapp. Fui olhar, e todas eram da Rafa, comecei a rir mesmo sem nem ter lido porque já podia adivinhar do que se tratava. Abri, e as primeiras frases estavam meio desordenadas, difíceis de entender, me perguntei se ela digitou pulando ou fazendo alguma coisa parecida mas as que dava para entender perfeitamente só me fizeram rir ainda mais.
    CLAMAR PORRA
    EU FALEI, NÃO FALEI?
    ENDLESS LOVE
    ME DESCULPA 
    MAS ESTOU EM UM RELACIONAMENTO SÉRIO COM O MEU IRMÃO TAMBÉM
    PORQUE ELE É MARAVILHOSO 
    MENTIRA, ELE É SEU 
    MINHA ETERNA CUNHADINHA  
    QUERO TE VER 
    QUERO VER VOCÊS DOIS JUNTOS DE NOVO
    MORRENDO DE SAUDADES 
    TE AMO, BEIJOS 
Amo essa doida, que chegou a ficar contra o próprio irmão pra ficar a meu favor e nunca desistiu de nós, mesmo com todas as adversidades conspirando contra. Ela é muito especial, uma outra irmã que a vida me deu e tudo que fez por mim, eu com certeza faria por ela também sem pensar duas vezes. Respondi essa e outras mensagens, inclusive uma do Júnior pedindo pra entrar no skype. Fiquei feliz ao perceber que fiz muito bem em não trocar o nome dele... continuava o mesmo desde sempre, porque ele nunca deixou e nunca deixaria de ser o meu amor. Coloquei o celular pra carregar, peguei o meu óculos, o mac e entrei no skype... algo que já fazíamos com alguma frequência, mesmo que não fosse para nos vermos (ou até era, só não precisávamos assumir isso) mas sim pra Duda falar com ele e vice versa. Foi impossível não sorrir quando a sua imagem surgiu na minha tela. 
Clara - E aí, tudo certo?
Neymar - Enfim, tudo certo - suspirou, como se uma carga tivesse saído de cima dele também -
Clara - Não teve puxão de orelha?
Neymar - Talvez - rimos - Mas agora acabou tudo isso, então... de boa - sorri - Sua mãe me ligou
Clara - Ligou? - perguntei nada surpresa -
Neymar - Sim. Seu avô também... Na verdade, eu acho que falei com a sua família toda nas últimas duas horas - gargalhei -
Clara - Sabia que eles iam fazer isso. Dona Glória deve ter feito você chorar - seu sorriso envergonhado me disse que eu estava certa e adorei saber disso - É a especialidade dela - ri da sua expressão cômica e acanhada, por isso preferi ajudá-lo, mudando de assunto - Vou chamar a Duda pra falar contigo
Neymar - Ela já sabe?
Clara - Não... achei que seria melhor ela descobrir sozinha
Neymar - Como?
Clara - Nos vendo juntos. Acho que nós dois merecemos ver a carinha de felicidade dela no momento que souber que aquilo que mais pedia pro Papai do Céu antes dormir agora é realidade novamente
Neymar - Ela... pedia isso?
Clara - Sim - assenti - Cheguei a ouvir algumas vezes, mas nunca toquei no assunto... Deixei que fosse algo só dela
Neymar - Não vou desperdiçar mais nenhum segundo da minha vida quando estiver com vocês
Clara - Eu também. Quero muito que dê certo, dessa vez sem interrupções
Neymar - Vai dar. Basta a gente saber aproveitar cada momento. Não precisamos ficar fazendo planos todos os dias, vamos ver no que dá e onde vamos chegar. Não precisamos sair sempre ou postar mil e uma fotos pra provar nada, vamos nos pertencer sem que ninguém precise saber. E não precisamos brigar por ciúmes sempre também, mas as poucas brigas tem que terminar com um eu te amo, na cama de preferência - eu ri, lutando arduamente para manter a minha palavra e não chorar mais naquele dia, claro que ele riu também - Não precisa ter medo de seguir em frente, nós temos um ao outro e só isso importa
Clara - Você não tem o direito de fazer isso - falei, sei lá depois de quanto tempo tendo aquelas palavras se repetindo na minha cabeça e precisei apertar os olhos e respirar fundo pra conter a emoção -
Neymar - Isso o quê? - abriu um sorriso maravilhoso, achei até que ia flutuar que nem as borboletas que voavam no meu estômago -
Clara - Você sabe o quê, e sabe que faz isso muito bem. É por isso que faz
Neymar - Me perdi, desculpa - gargalhou prazerosamente. Me perdi no seu riso gostoso, e tão lindo de se ouvir, cheio de intervalos... é meio (mentira, é totalmente) impossível ouvi-lo rir e não rir também. Ouvir os passinhos rápidos da minha pequena no corredor e instantes depois ela apareceu na porta do meu quarto com o Luck -
Clara - Vem aqui, filha. Teu pai quer falar contigo - ela chegou perto de mim em tempo recorde, sério, acho que nem deu pra piscar direito. A partir daí fui meio que colocada pra escanteio, mas adoro isso, fiquei apenas assistindo os dois conversando como se estivessem lado a lado, rindo, brincando... o Luck reconheceu a voz do Júnior e eu quase terminei a noite com um macbook danificado, já que ele queria lamber a tela. Foi mais um momento maravilhoso e só nosso, mas que também teve que chegar ao fim, obvio -
Eduarda - Mãe? - me chamou depois de nos despedirmos, quando eu já colocava o mac no lugar -
Clara - Que foi? - perguntei com o celular nas mãos, rindo da minha mãe que estava mais engraçadinha do que nunca me mandando mensagens -
Eduarda - A gente pode ir no jogo do papai amanhã?
Clara - Não é amanhã, amor. É domingo
Eduarda - Depois de amanhã?
Clara - Isso
Eduarda - Então a gente pode ir no jogo do papai depois de amanhã? - ri e deitei ao lado dela e do Luck -
Clara - Vou pensar com muito carinho nisso, tá bom?
Eduarda - Tá - assentiu sorrindo, porém com uma carinha estranha -
Clara - Por quê está tão pensativa assim, mocinha? - apertei levemente o seu narizinho e ela riu -
Eduarda - É que eu tive um sonho hoje, mãe
Clara - Um sonho?
Eduarda - É. Muito bom - sorriu muito amplamente -
Clara - E eu posso saber como foi esse sonho?
Eduarda - Não... - respondeu fazendo uma careta engraçada -
Clara - Por quê não? - aderia a sua técnica de fazer biquinho -
Eduarda - Porque não posso. A professora disse que quando a gente sonha algo bom, não pode contar pra ninguém que aí o sonho se realiza
Clara - Ah, ela disse isso?
Eduarda - Aham. E eu quero muito que esse sonho se realize, desculpa mãe - fez biquinho também, só que a diferença é que o dela funcionava comigo -
Clara - Não precisa se desculpar, meu amor. Eu entendo - trouxe ela pra mais pertinho de mim e a abracei bem forte -
Eduarda - Me ajuda a montar o quebra cabeça da Dora?
Clara - Ajudo - aceitei por saber que tão cedo ela não iria dormir - Vai lá pegar e chama a Manu também - ela pulou da cama e saiu do quarto correndo, o Luck ficou comigo, gostando dos carinhos que estava recebendo, mas foi só as meninas chegarem pra bagunça começar. Demoramos, mas conseguimos montar o quebra cabeça todinho (mais por mérito delas, porque nunca fui muito boa nisso), para felicidade da Duda, e ela por sinal continuava sem um pingo de sono. Quando a Manu foi dormir, ela também foi vestir o pijama e escovar os dentinhos mas voltou com o tablet pra ficar comigo. Troquei de roupa e escovei os dentes também, e peguei alguns livros para tentar me manter acordada com ela o máximo de tempo possível. 
 clarabarcelar_: Acho que a escolha de hoje vai ser com uni duni tê  
Terminei escolhendo o Para Sempre, primeiro livro da série Os Imortais da Alyson Noël. Li quase metade das 261 páginas, enquanto a Duda jogava entretida no seu tablet, mas o sono foi chegando de fininho e antes de adormecer consegui fazer uma análise do meu dia. Cheguei a conclusão que a minha história com o Júnior, a nossa história, seria sempre composta por começo, meio e... recomeço. O fim só existe para quem não sabe recomeçar.



Read: http://imaginedecebolete.blogspot.com.br/
           http://quetodomalvireamorquetodadorvireflor.blogspot.com.br/




Olá, amores! Aos 46 do segundo tempo consegui postar. Estou muito orgulhosa de mim ahahahahaha espero que tenham gostado porque esse capítulo, mais do que todos os outros é totalmente de vocês. Muita gente pediu para que eu o dedicasse, então seria injusto fazer isso pra uma pessoa só. Por isso, dedico esse capítulo aos melhores grupos da face da terra #TeamClamar e CLAMAR MINHA VIDA, e claro, a todas que não desistiram desse casalzinho!
Quanto ao final... a gente fala sobre isso ano que vem, porém, estejam preparadas para qualquer surpresa!   

Respondendo a Gleice: Se tu perguntou das informações sobre o transplante de medula, encontrei tudo depois de fazer inúmeras pesquisas, porque mergulhei de cabeça nesse assunto e aprendi muita coisa boa com ele. Não vejo a hora de colocar tudo que aprendi em prática na minha vida também!  
Obrigada pela paciência de sempre, e pelo ano de 2014 maravilhoso que você me proporcionaram, levo cada comentário comigo guardadinho em um cofre no meu coração. Seja os daqui, do twitter, ou do whatsapp. Que 2015 seja ainda melhor pra todos nós. 
 Amo vocês!