quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Capítulo 64 - “Você me pediu em casamento no Réveillon?”

Acordei me sentindo outra pessoa. Por mais louco que possa parecer até as cores das coisas ao meu redor estava conseguindo enxergar melhor... há pelo menos dois dias tudo era meio preto e branco. Não no sentido literal, claro. Só que nada tinha graça. Não via nada além de neblina e mais neblina, deixando a minha visão turva e me fazendo acordar querendo voltar a dormir. Então aquilo de "Mude o modo que você olha para as coisas, e as coisas que você olha mudarão." é clichê, mas é verdade. Tudo parecia mais bonito, e eu já levantei da cama com um sorriso tão gigante que comecei a rir de mim mesma quando me dei conta disso ao me olhar no espelho. Estava me sentindo mais boba que o normal, e isso era estranhamente bom. Foi exatamente disso que mais senti falta: viver, e não apenas sobreviver. Sim, eu estava sobrevivendo, aos trancos e barrancos, achando ser forte e seguindo uma rotina quase mecânica. O verdadeiro prazer de viver tinha se escondido em algum canto, e resolveu aparecer novamente depois de ontem. Ainda bem! Abracei a mim mesma, agradecendo mil vezes a Deus por isso. Olhei pela primeira vez, desde que acordei, para o relógio e ele ainda marcava 07h30. Acordar cedo e de bom humor em pleno sábado não é pra qualquer um, então eu aproveitaria. Tomei um banho morno, escovei os dentes, me vesti pra ir pra academia e demorei mais do que queria desembaraçando o bendito cabelo; tudo porque dormi com ele solto. Mas estava bem demais comigo mesma pra me estressar com isso. Cantarolei durante o processo. Depois peguei o celular, o fone e dinheiro pra passar na padaria após o treino, dei um beijinho na minha pequena que já estava agarrada ao meu travesseiro e saí do quarto olhando uma foto que tinha tirado a uns minutos. Já estava ficando tão íntima do meu óculos, que quando não o usava me sentia estranha por conta do costume... só que também não queria me acostumar. Contraditório, eu sei.
 clarabarcelar_: So let me give your heart a break  
Passei na cozinha, peguei uma ameixa na fruteira, meu chaveiro e desci. Uma quantidade razoável de pessoas já malhava, e o melhor, ao som de Masterpiece.
Clara - Agora eu tenho certeza que meu dia vai ser maravilhoso! - pensei alto e sorri, depois me lembrei que não estava sozinha. Dane-se! Acordei feliz mesmo e tudo parecia querer contribuir para que a alegria só aumentasse, inclusive a pessoa que cuidava da playlist da academia, porque resolveu incluir Jessie J nela. Malhei por uma hora e meia, e depois de quase esvaziar o bebedouro, me despedi dos meus vizinhos com um tchau coletivo. Saí da academia, passei pela portaria, dei bom dia ao Seu Jorge - o porteiro dos finais de semana, ele abriu o portão pra mim, saí e fui até a padaria da esquina. Não comprei nada além do necessário, exceto os biscoitinhos de polvilho que derrete na boca que a Duda ama e eu não consigo ver e não levar. Quando voltei ao prédio, o portão estava destrancado e o Seu Jorge estava conversando com alguém que, de longe, parecia um entregador -
Seu Jorge - Dona Clara? - chamou por mim quando passei por eles. Mesmo que eu já tenha tentado milhares de vezes, não adianta, ele continua colocando o dona na frente do meu nome. Acho uma demonstração de respeito muito bem-vinda, mas ao mesmo tempo me sinto tão mais velha que chega a ser engraçado - Acho que isso é para senhora - me aproximei deles novamente, o entregador leu o meu nome completo e perguntou se era eu mesma, assenti e tive que assinar confirmando a entrega de um buquê lindo que até então eu não tinha visto e estava em cima do balcão da portaria. Fiquei tão sem reação na hora de pegá-lo que por pouco não deixei cair. A surpresa me deixou até envergonhada, por isso agradeci e sair dali o mais rápido que pude, chamei o elevador e subi rindo para as rosas (elas eram tão lindas que pareciam estar rindo comigo). Quando cheguei no apê, deixei as coisas que comprei na padaria na cozinha e fui logo pro quarto, só fiz tirar o tênis e peguei o envelope que estava preso no buquê, gritando para ser aberto e lido, só não fiz isso no elevador mesmo porque estava com a outra mão ocupada também. Abri, e me surpreendi ao ver que era uma folha de caderno e logo de cara reconheci a letra dele. Então não era um cartãozinho pronto, daqueles que a gente pode comprar junto com o buquê em algumas floriculturas. Ponto pra ele! Ainda nem tinha lido e já amava tudo que estava escrito ali. Deixei as rosas em cima da cama, pertinho da Duda, tomei uma boa dose de fôlego e comecei a ler... ou a cantar, porque não precisei nem terminar a primeira linha pra reconhecer a música linda que ele tinha escrito com o maior capricho.
“Essa não é mais uma carta de amor, são pensamentos soltos traduzidos em palavras pra que você possa entender o que eu também não entendo.
Amar não é ter que ter sempre certeza, é aceitar que ninguém é perfeito pra ninguém. É poder ser você mesmo e não precisar fingir. É tentar esquecer e não conseguir fugir, fugir...
Já pensei em te largar, já olhei tantas vezes pro lado mas quando penso em alguém é por você que fecho os olhos. Sei que nunca fui perfeito mas com você eu posso ser até eu mesmo que você vai entender.
Posso brincar de descobrir desenho em nuvens, posso contar meus pesadelos e até minhas coisas fúteis. Posso tirar a tua roupa. Posso fazer o que eu quiser. Posso perder o juízo, mas com você eu tô tranquilo, tranquilo... Agora o que vamos fazer? Eu também não sei. Afinal, será que amar é mesmo tudo? Se isso não é amor, o que mais pode ser? Tô aprendendo também...!
               Ps: Eu sei que você leu cantando.
                                                                              Bom dia. Eu te amo!”
Minha primeira reação foi abraçar o buquê, que por algum motivo tinha o seu cheiro também, eu sabia sem que precisassem me dizer que ele fez o pedido de entrega pessoalmente. O seu cheiro e a sua letra só serviram para me dar mais certezas. Ok, mais um ponto pra você, Júnior. Pensei, com um sorriso estupidamente grande, desejando que ele estivesse perto de mim. Lembrei do que me disse ontem "Nada vai ser como antes, porque eu vou te conquistar todos os dias" e tive que controlar uma gargalhada para não acordar minha pequena, me perguntando se ele realmente levaria isso a sério. Se sim, bom... precisava confessar que começou muito bem, apesar de achar que seria uma tremenda loucura levar isso adiante. Ainda rindo, peguei a folha pra reler mais uma vez, e me arrepiei como se ele tivesse na minha frente, lendo (cantando) pra mim. Era uma sensação estranha, mas muito boa. Afinal, como diria minha avó (ou um dos seus autores prediletos, porque nunca sei quando é algo dela ou não é): “A gente tem é que sentir arrepios na vida. Aquela coisinha boa dizendo que você está no caminho certo, que é aquilo mesmo e as coisas estão fluindo. Pobre de quem não sente arrepios e não comemora em silêncio consigo mesmo enquanto tudo se encaminha. Pode ser uma arrepio de amor, realização, surpresa, expectativa, não interessa. Arrepios são um aviso: estamos vivos! E prontinhos para sentirmos e sermos felizes. Arrepios, daqueles que levantam todos os nossos pelos, são a maior demonstração de como o nosso coração gosta de sorrir.” Minha avó é mesmo maravilhosa. Precisava conversar com ela, a propósito. Mas parei de namorar com o meu presentinho surpresa, e fui tirar a roupa suada pra tomar um banho. Vesti um shortinho jeans desfiado e uma regata preta. Prendi o cabelo em um rabo de cavalo, coloquei a folha dentro do envelope novamente, guardei-o, peguei meu óculos, o buquê e saí do quarto depois de baixar a (minha mais nova queridinha) música do Jota Quest no celular. Acho que quando ela era uma febre, eu não tinha um celular que podia baixar músicas, acho não, tenho certeza. Isso me fez rir sozinha pela quinquagésima vez e o dia só estava começando.
 clarabarcelar_: Se isso não é amor, o que mais pode ser?  
A Manu estava saindo do seu quarto, ainda meio sonolenta e de pijama, mexendo no celular também. 
Clara - Ei, bom dia - ela parou para me analisar quando cheguei ao seu lado -
Manu - Realmente... o dia deve estar bem bom - respondeu olhando para o buquê, apenas sorri -
Clara - Isso é o que eu chamo de disposição - ironizei, passando na frente e indo pra pra cozinha -
Manu - Desculpa - me seguiu - A insônia me pegou de jeito ontem. Quando finalmente consegui dormir achei que só ia acordar lá pelas 14h - eu ri - No entanto, aqui estou
Clara - Parecendo uma morta-viva, a propósito - provoquei, procurando um vaso nos armários inferiores -
Manu - Ah, obrigada - fez uma careta irônica e começou a tentar domar seus longos e loiros cabelos -
Clara - Volta pra cama
Manu - Não adianta. Estava lá rolando de um lado pro outro, vi até quando você saiu
Clara - Acontece comigo também, às vezes. Está preocupada com alguma coisa? - perguntei colocando minhas rosas na água -
Manu - Não. Quer dizer... - olhei-a e franzi a testa - Não estou preocupada - enfatizou a última palavra -
Clara - Tudo bem - levantei as mãos na defensiva, meio confusa e assustada -
Manu - Tá, eu estou mesmo. Só não sei se preocupada é a palavra certa - me olhou frustrada, e eu sentei de frente pra ela pra lhe dá toda atenção -
Clara - O que está acontecendo?
Manu - Não sei direito
Clara - Oi?
Manu - Eu sei que pode parecer muito idiota, mas não vai rir de mim, ok?
Clara - Ok - encolhi os ombros, tentando entender onde essa conversa iria chegar -
Manu - Ultimamente o Gil está com umas conversas estranhas. Muito estranhas pro meu gosto
Clara - Certo. Defina "estranhas"
Manu - Casamento
Clara - Sério? - acho que gritei, chocada e me segurando para não rir, ela assentiu hesitante -
Manu - Não é de uma maneira direta, e é mais quando não estamos juntos, o que me faz pensar que talvez ele esteja preparando o terreno ou com receio da minha reação
Clara - Por que é quando vocês não estão juntos? Não entendi
Manu - Mensagens. Como se fosse um tipo de código pra eu desvendar, entende agora?
Clara - Acho que sim... só que ainda não consegui chegar no motivo da sua preocupação
Manu - Como não? E se eu tiver certa, Clara? Se todas as mensagens forem mesmo indiretas? Pior, e se ele resolver ser direto? Como é que eu vou reagir? O que vou fazer? Como ele vai ficar se eu, por acaso, disser não? Tenho tanto medo de decepcioná-lo - saiu atropelando as palavras de um jeito louco, nada dela -
Clara - Você diria não?
Manu - Não. Não sei... não sei mesmo. Esse é o motivo da minha preocupação. Casamento é uma parada muito séria, você sabe
Clara - Eu sei o mesmo que você sabe - tentei apaziguar as coisas e soar tranquila, ela revirou os olhos -
Manu - Não sei se estou preparada pra isso e está tudo tão bom assim. Cada um com seu cantinho pra se refugiar depois de uma briga
Clara - Por que já está pensando em onde se refugiar?
Manu - Sei lá. Foi a primeira coisa que veio na minha cabeça agora. Mas casamentos não são um mar de rosas e disso você sabe. Meus pais são um exemplo disso. A vida deles pode até ser divertida, viajando pra lá e pra cá, mas nem por isso é só amor e paz
Clara - Nenhum casal é só amor e paz, estando ou não dentro de um casamento, Manu
Manu - Só a palavra me dá arrepios - falou baixo demais -
Clara - E não são arrepios bons?
Manu - Não sei... ainda. Nunca me imaginei casando antes dos 30
Clara - Fala com o Gil. Acho que é o melhor a se fazer
Manu - Eu tentei, indiretamente também. Hoje mais cedo... foi por isso que quando saiu eu estava acordada
Clara - E ele?
Manu - Só me deixou ainda mais confusa - pegou o celular em cima do balcão, mexeu um pouco nele e entregou-o a mim - Foi isso que me respondeu - sorri lendo, mas preferi ser neutra e não deixá-la mais confusa -
Clara - Bom, se as indiretas não estão mais funcionando para nenhum dos dois, por que não partir para as diretas? Conversa com ele abertamente
Manu - Não. Isso pode ser verdade, mas pode não ser. Posso muito bem estar fantasiando as coisas, certo? - não sei se esperou que eu dissesse algo, mas eu não disse - Clara, por favor! Não quero que meu papel de idiota duplique... ou triplique, sei lá
Clara - Prefere continuar com a chata da insônia? Olha que eu a conheço e ela não vai te deixar em paz enquanto esse assunto não for resolvido
Manu - Mas e se...
Clara - Meu Deus! Quanto "e se...". E se vocês realmente casassem, tivessem dois filhos lindos e um cachorrinho chamado Cebola? - inesperadamente, ela gargalhou -
Manu - O coitadinho ia ser revoltado, né? Com um nome desse - gargalhei também -
Clara - Só quis ser original
Manu - Exótica, você quis dizer
Clara - Que seja - rimos - Mas é sério, você precisa parar com isso de só pensar no lado negativo. Tudo na vida depende da forma como você enxerga as coisas, então deixa rolar e na hora certa faz o que seu coração mandar
Manu - Eu nem esperava ouvir outra coisa de você - sorriu, parecendo pelo menos mais calma do que antes - Agora vou tomar um banho, já que me disseram que estou parecendo uma morta-viva - gargalhei e ela saiu da cozinha arrastando os pés. Preparei meu café e fui comer na sala, o Luck ainda dormia despreocupado. Pudera, lembro de ter pego no sono e ele e a Duda ficaram acordados. Liguei a TV só por ligar mesmo, e estava passando o GP da Austrália. Gosto de Fórmula 1, então não mudei. Estava terminando de comer quando meu celular tocou lá na cozinha, fui correndo pegar porque já meio que sabia quem seria. E não errei.
 - início -
Clara - Oi - sorri - Ia te ligar, só que depois do meu precioso café da manhã
Neymar - Posso deduzir que ele é mais importante que eu então?
Clara - Bem... é melhor deixarmos as comparações de lado - ele deu a sua risada gostosa -
Neymar - E gostou da minha maneira de estar aí mesmo sem estar? - eu ri -
Clara - Se eu gostei? Eu amei! Já pode me dizer de qual baú desenterrou aquela música, por favor
Neymar - Ela tocou na rádio ontem quando eu estava voltando pra casa
Clara - Eu não lembrava dela. Mas amei. Se todos os meus dias começarem assim... vão ser bons, com certeza, só que as rosas têm que estar incluídas
Neymar - Desse jeito vou a falência em menos de um mês
Clara - Nossa! Desse jeito eu também posso deduzir que sua fortuna é mais importante que eu então? - gargalhou, e eu também queria rir mas ouvi-lo era tão melhor que lutei pra me segurar -
Neymar - Vou fazer com que todos os seus dias sejam bons, não se preocupe. Só não espere por surpresas apenas pela manhã, elas podem aparecer a qualquer hora do dia. Talvez mais de uma vez no dia... - deixou a frase no ar, parando de falar de repente -
Clara - O que você está aprontando?? - sim, a curiosidade estava me matando -
Neymar - Nada. O que está fazendo? - a técnica "vamos mudar de assunto", ok -
Clara - Assistindo o GP da Austrália
Neymar - Entende alguma coisa de Fórmula 1? - perguntou em tom de gozação -
Clara - Claro que sim
Neymar - O quê?
Clara - Ué, não ganha quem chega primeiro? - gargalhou novamente e eu estava amando fazê-lo rir -
Neymar - E de onde veio esse interesse súbito?
Clara - Da Inglaterra. Quer dizer, eu acho que é de lá
Neymar - Como assim?
Clara - Lewis Hamilton
Neymar - O que tem ele?
Clara - Como o que tem ele? É um gato
Neymar - Ah, é?
Clara - Sim, Fórmula 1 até se torna interessante
Neymar - Ah, é?
Clara - Sim - eu estava tentando, em vão, controlar o riso - Não concorda comigo?
Neymar - Não
Clara - Por quê? Dizer que um homem é bonito não vai afetar sua masculinidade, eu garanto
Neymar - Não acho ele bonito, muito menos um gato - tentou imitar minha voz e eu não consegui mais segurar o riso -
Clara - Não precisa se preocupar, meu amor. Não troco o futebol por fórmula 1 de jeito nenhum
Neymar - É bom saber disso - não estava vendo, mas sabia que ele estava sorrindo - E a Duda? Não ouvi a voz dela ainda
Clara - Foi dormir um pouco mais tarde ontem, então não tem hora pra acordar hoje. Você vem aqui?
Neymar - Provavelmente. Antes de ir pra concentração
Clara - Ela vai gostar de te ver
Neymar - Só ela?
Clara - Acho que o Luck também, talvez a Manu...
Neymar - Hum, a lista está aumentando
Clara - Eles podem te esperar ou não?
Neymar - Pode - um frenesi gostoso começou a se formar lentamente dentro de mim, apenas por causa da expectativa de vê-lo - Pode voltar a apreciar a beleza do Hamilton também. Aproveita porque é só pela televisão
Clara - Trouxa. Eu amo você
Neymar - Eu sei - riu - Qualquer coisa me liga, te amo
Clara - Beijo
 - término -
Manu - Não esgotem a minha conta de "awn" antes do tempo - olhei pra trás assustada e ela riu -
Clara - Baby, love never felt so good - cantei e ela abriu um sorriso enorme -
Manu - Come on, dance - prosseguiu, dançando como o Timberlake no clipe da música que mais vinha escutando ultimamente (consequentemente eu também ouvia, já que ela não se inibe de cantar em alto e bom som, mas a música é linda mesmo). Aplaudi a cena e terminamos rindo de nós mesmas - Gosto de te ver assim - deitou no sofá ao lado da poltrona onde eu estava e jogou uma almofada em mim  -
Clara - Gosto de me sentir assim também - devolvi a almofada e meu celular vibrou com uma mensagem no whatsapp. Era do Júnior. 
    Não deu pro gato, deixa pra próxima  
Fiquei sem entender nada até olhar pra TV e ver que a prova já tinha terminado e o Hamilton não estava no pódio, um alemão tinha vencido mas eu não sabia quem. Gargalhei, me perguntando porque ele levou o que eu disse sobre o Lewis tão a sério. A Manu foi pra cozinha tomar café e eu e ele continuamos trocando mensagens como se não tivéssemos conversado a apenas alguns minutos atrás, incrível. Depois me diverti um pouco lendo os comentários da minha última foto, porque 90% daqueles que comentaram estavam achando que o Diego tinha me mandado flores, já que, segundo a mídia ele era o meu suposto namorado! A campainha tocou, deixei o celular de lado pra ir abrir a porta e me surpreendi (positivamente).
Clara - Vó - ela sorriu, então qualquer resquício de pensamento de que ela poderia estar ali por causa de algum problema desapareceu -
Glória - Atrapalho?
Clara - Nunca - abracei-a e ela me deu um beijo no rosto - Entra - dei passagem pra ela -
Glória - A Manu também está? Queria falar com vocês duas
Clara - Aconteceu alguma coisa?
Glória - Não, ainda. Mas vai acontecer - falou muito tranquilamente, enquanto sentava na poltrona perto das portas da varanda. O Luck acordou, reconheceu o cheiro dela e começou a abanar o rabinho. Eu continuava parada perto da porta - Está tudo bem, relaxa - sorriu - Vocês vão gostar do que eu tenho pra contar - sem consegui me conter mais de ansiedade e curiosidade, fui até a cozinha interromper o café da Manu e arrastá-la pra sala comigo -
Manu - Oi, vó
Glória - Oi, meu amor - elas se cumprimentaram, depois minha avó olhou pra mim rindo - Sentem, por favor - fizemos o que pediu e ficamos esperando, ela estava se divertindo com as nossas expressões curiosas (a minha, principalmente) - O Marcos me pediu em casamento - eu e a Manu nos olhamos sem entender nada, meio confusas e ela continuou - De novo - sorriu como uma menina -
Clara - Não acredito!
Manu - É sério? - falamos quase juntas -
Glória - Sim - respondeu muito orgulhosa - E fiquei sabendo que a ideia foi sua, Clara
Clara - Foi... Quer dizer, eu falei brincando. Estávamos conversando sobre o novo visual dele depois de ter cortado o cabelo... e caramba, não achei que fosse levar a sério mas estou tão feliz. Vocês merecem isso mais do que qualquer outra coisa
Manu - Uma renovação de votos? É muito lindo pra ser verdade. Me belisca - me cutucou com o braço e eu belisquei-a levemente - Ai - fez um drama básico, porque é lógico que não doeu nada -
Clara - Você pediu. Quando foi, vó?
Glória - Ontem. E eu não consegui pensar em outra coisa depois - ficou um pouco envergonhada, talvez, é difícil dizer - É por isso que estou aqui. Preciso da ajuda de vocês
Manu - Em quê especificamente?
Glória - Em tudo. Acho que não tenho mais jeito pra essas coisas, nem paciência também. Nós dois entramos com a parte financeira e vocês cuidam do resto... se quiserem e puderem, é claro. Isso é uma loucura, na verdade. Eu nem devia ter vindo até aqui incomodar vocês com essas ideias de velhotes - levantou meio nervosa, e eu a Manu levantamos também para impedi-la de passar -
Clara - Senta, Dona Glória - ela sentou, um pouco resignada, mas sentou. Agachei na frente dela e segurei as suas mãos - É a primeira vez que eu te vejo assim
Glória - Assim como? Agindo como uma idiota?
Clara - Não fala assim. É a primeira vez que te vejo sem saber o que fazer, e estou amando ver agora - ela parou de encarar o chão e me olhou - Eu sei como é essa sensação boa que está sentindo, vó. Nós sabemos - olhei pra Manu e ela assentiu, afinal estávamos todas ali no mesmo barco: totalmente apaixonadas - E isso não é um pecado. Vocês se amam, e quando estamos falando de amor, a idade é só um numerozinho
Manu - E quem é que vive nos dando conselhos, dizendo que o amor sempre se renova? - ela sorriu -
Clara - Pois é. Então se vocês querem uma renovação de votos, vocês vão ter. E eu me sinto honradíssima por poder participar da organização
Manu - Eu mais ainda. Já consigo visualizar o melhor mini wedding do universo
Glória - Mini o quê? - rimos -
Clara - É uma especie de mini casamento, vó. A Manu no modo designer gosta de falar essas coisas pra impressionar os clientes
Manu - Mentira! - rimos - Mas esse tipo de cerimônia vem se tornando tendência mesmo. É algo mais simples, íntimo, e não menos caprichado nos detalhes
Glória - Essa descrição é perfeita, não queremos nada extravagante. Nem é necessário, né?
Manu - O que acha do jardim dos meus pais?
Glória - Eles não se incomodariam?
Manu - Eles com certeza vão amar a ideia. Capaz da minha mãe pedir pra ser dama de honra - rimos - Quando podemos começar a organizar?
Glória - Quando quiserem. Quanto mais rápido, melhor. Não podemos mais nos dar ao luxo de organizar algo pra daqui a meses
Manu - Tá, então vou trocar de roupa - levantou decidida, me deixando atordoada -
Clara - Como assim?
Manu - Nós temos um mini casamento para organizar - encolheu os ombros e piscou pra minha avó, depois saiu da sala. Não tive tempo de questionar nada, porque minha bela adormecida resolveu dar o ar da sua graça, e correu para abraçar a bisa assim que a viu -
Clara - Bom dia, dorminhoca
Eduarda - Bom dia - respondeu coçando os olhinhos - Eu dormi muito?
Clara - Mais do que o normal - ri, e ela saiu do colo da minha avó pra me dá um beijo também - E agora vai tomar um banho bem gostoso pra poder tomar café porque nós vamos sair, eu acho - olhei pra minha avó pra saber se ela tinha concordado com a ideia louca da Manu, ela entendeu -
Glória - Sim, nós vamos sair - sorriu discretamente. Eu estava achando a novidade toda um máximo, sair da rotina é bom... organizar um casamento deve ser maravilhoso. Tudo bem, um mini casamento. Mas eu estava empolgada da mesma forma, e o melhor: minha avó estava feliz, verdadeiramente feliz. Como eu não via a muito tempo... aquela felicidade genuína, que dá vontade de sorrir vendo a pessoa sorrir também e os olhos dela não cansam de brilhar. É tipo isso... e é muito bom. Deixei ela fazendo carinho no Luck e fui cuidar da Duda, lhe dei banho, ela escovou os dentes, depois escolheu um vestidinho floral bem fresco, penteei seu cabelo e peguei uma sapatilha off white mais confortável. Fomos pra cozinha, e ela tomou seu café sem pressa com os biscoitinhos que comprei e uma xícara de leite. Já podia ouvir a voz da Manu na sala, então era sinal de que ela já estava pronta, por isso fui no meu quarto apenas soltar e pentear o cabelo, pegar a bolsa e o óculos escuro. Esperei a Duda terminar, lavei logo o que tinha sujado porque minha mãe me ensinou a nunca sair deixando a louça suja, e fomos pra sala também, a Manu já tinha feito uma lista das coisas que íamos fazer no dia (se dependesse dele o casamento seria no dia seguinte). Minha pequena se despediu do Luck e saímos. 
 clarabarcelar_: Daqui a pouco tudo vai ser passado mesmo - deixa o vento soprar, let it be  
Fomos no carro da Manu, com ela dirigindo, minha avó no carona e eu e a Duda atrás. Liguei pro Júnior pra ele falar com ela e era engraçado vê-la falando de mim pra ele com o maior receio, como se eu não fosse gostar ou algo assim (da mesma maneira que falava dele pra mim). Seria mais engraçado ainda quando ela nos visse juntos de novo. Engraçado e lindo. Eu mal podia esperar! Nossa primeira parada foi... a casa dos meus pais. Minha avó disse que eles estavam em casa, então decidi deixar a Duda lá, pelo menos ela teria com quem brincar no parquinho do prédio ao invés de nos acompanhar pra cima e pra baixo sem entender nada. Claro que eles sabiam dos planos da Dona Glória, estavam igualmente empolgados e querendo muito ajudar de alguma forma, prometi deixá-los por dentro de tudo, dei um beijinho no meu coroa, falei que estava muito feliz/orgulhosa dele e desci correndo (sim, só eu e a Duda subimos, ou a demora seria maior). 
Clara - Que momento propício para organizar um casamento, não é Manu?! - provoquei-a quando ela já estava dando partida novamente e recebi um olhar matador. Gargalhei, minha avó quis saber o motivo do momento propício, e seguimos para o nosso próximo destino, que eu não sabia qual era pois estava por fora da lista que elas haviam feito, falando da insônia da Manu. Paramos primeiro na casa dos pais dela, e eles ficaram loucos com a notícia, aceitaram ceder o jardim e a casa toda se precisasse. Foram uns amores, mas nada que nós já não esperássemos. Voltamos pro carro pra continuar nossa missão, sorri quando percebi que estávamos perto da minha praia, e estacionamos em frente a Paróquia Nossa Senhora Aparecida. Entramos, minha avó pediu pra falar com um dos padres, explicou pra ele o que queria, e o principal: onde queria. Acho que ela ficou com receio dele não aceitar por não ser na igreja, mas para o seu alívio ele foi super gentil e arrisco dizer que além de surpreso, ficou contente com a iniciativa dos meus coroas. Ele pegou um livro grande, que parecia pesado e eu não sabia o que era, mas depois descobri que podia chamar de agenda e disse que poderia realizar a cerimônia no dia 24 de maio, à tarde. Minha avó concordou felicíssima, depois de perguntar pra mim e pra Manu se três semanas era o necessário para organizarmos tudo. Com a empolgação que estávamos, eu estava começando a achar que dava pra ser realmente no dia seguinte. Como saímos de lá com uma data em mente, ficou mais fácil saber para onde iríamos depois: contratar o buffet. A Manu deu a ideia de um brunch (eu e a minha avó nunca tínhamos ouvido falar nisso), que é um tipo de refeição de origem americana que combina café da manhã com almoço e pode ter de tudo, desde chás, sucos de frutas, frutas frescas, chocolates e geleias até pratos mais reforçados. É mais um requisito para deixar o ambiente mais íntimo. Tivemos que rodar muito pra achar essa opção, mas encontramos em um Buffet em Ponta da Praia. A Manu resolveu e encomendou tudo, aliás, ela também cuidaria da decoração do jardim e disse que, além de bastante flores e da beleza do lugar, precisaria apenas de muitos objetos dos meus avós pra deixar tudo com a cara deles. Achei essa ideia maravilhosa, sabia que ela conseguiria deixar tudo mais bonito do que imaginávamos e fiquei surpresa com o desempenho dela em um assunto que lhe dava arrepios (arrepios esses que ela nem sabia se eram bons ou ruins). Estava pensando nisso quando a minha avó me surpreendeu de novo, dizendo que as fotos ficariam por minha conta e eu fiquei mais feliz do que criança pequena quando ganha presente no Natal. Quando demos conta já passava das 12h, por isso fomos almoçar em um restaurante no Gonzaga, mas a verdade é que conversamos mais do que comemos. Falamos sobre a decoração, que minha avó disse que preferia vintage, sobre as lembrancinhas e sobre quantas pessoas ela estava pensando em convidar. Abri o bloco de notas do meu celular pra ir anotando os nomes, e tirando nós que já somos da família, houve apenas mais uns vinte ou vinte e cinco nomes de fora. Pessoal de Florianópolis. Depois do nosso pseudo almoço, fomos para o Praiamar nos perder em lojas à procura do vestido perfeito pra minha avó, não foi difícil mas entramos em cinco lojas para encontrar um lindo, verde-mar bem clarinho com uma anágua branca e acompanhado de uma echarpe rendada. O vestido conseguia ser leve e sofisticado ao mesmo tempo, e eu me apaixonei por ele. Quando saímos da loja, passamos por mais algumas outras mas não compramos nada (detalhe: minha avó não nos deixou pagar nem o almoço) e já estávamos no térreo prontas para ir embora, quando tive uma ideia louca ao passar pelo estúdio de tatuagem... Foi a mais dolorosa de todas (e a última também), mas isso era obvio, eu já sabia... tanto que minha avó tentou me fazer mudar de ideia, mas não conseguiu e eu não me arrependi, saí de lá bem feliz. Voltamos pra casa dos meus pais ainda discutindo sobre as lembrancinhas, tínhamos pelo menos sete opções e como estávamos com muita dúvida, falei pra minha avó pedir a opinião do meu avô, nisso ele podia opinar sem problemas. E foi o que fez assim que chegamos. Passamos tudo que fizemos durante o dia pra ele e meus pais, e eu queria muito estar com a minha câmera em mãos só para registrar a expressão do meu avô quando soube que a renovação de votos ia acontecer em três semanas; foi linda. Minha mãe decidiu resolver a parte da filmagem (apenas porque queria ajudar em algo, e porque além de fotos, queria vídeos para guardar de recordação também) e presenteou a minha avó com um dia de noiva, o que ela tentou recusar, é claro, mas aceitou sob forte pressão. A Duda pulou de alegria com a novidade e tratou logo de anunciar que levaria as alianças. Alianças essas que ficariam a cargo do meu avô. A minha avó disse que não fazia tanta questão de bolo, mas o que é uma festa sem um bolo? Por isso eu e a Manu combinamos de cuidar disso; eu já conseguia imaginar os bonequinhos no topo, tão lindos quanto os originais. A conversa rendeu, mas girou apenas em tornou de um único assunto, tanto que meus pais nem sequer perceberam a minha nova tattoo, o que foi bom, porque não queria ter que ficar me explicando, nem sobre ela, nem sobre os acontecimentos chocantes da minha vida, já era tudo passado. Fomos embora perto das 16h. Tinha esquecido completamente que o Júnior disse que ia passar no apê, e meu celular descarregou, mas quando chegamos o Seu Jorge me garantiu que ele ainda não tinha passado por lá. Subimos, a Manu ainda teve pique pra descer pra academia, eu só tive pique mesmo pra ir direto pro chuveiro. Tomei banho, me vesti, depois a minha pequena fez o mesmo e fomos comer pipoca na sala, enquanto o Luck matava as saudades de nós. O filme já estava no final, então em um instantinho terminou e a Duda disse que ia pegar um DVD pra gente continuar assistindo (eu tinha quase certeza que seria Happy Feet 2 pela quinquagésima vez). Assim que ela foi pro quarto, ouvi a chave virando no trinco da porta, mas como não tinha motivos para me preocupar, permaneci quieta no sofá até um certo perfume preencher todos os meus sentidos, denunciando quem tinha acabado de chegar. Se o Luck não tivesse ido atrás da Duda ia fazer o mesmo: denunciá-lo com euforia
Neymar - Não estou vendo ninguém da lista que ficaria feliz em me ver por aqui - falou bem pertinho do meu ouvido, gargalhei e virei o rosto nos deixando muito próximos
Clara - Fazer o que, né? Vai ter que se contentar comigo - fingi que ia beijá-lo e recuei pra ver sua reação
Neymar - Eu faço um esforço - segurou o meu rosto para me dá um beijo cheio de saudade, depois colocou as suas coisas em cima da mesinha de centro - a sua habitual mochila e uma sacola - sentou ao meu lado, colocando as minhas pernas no seu colo e me deu outro beijo rápido - Gostou disso de fazer tatuagem
Clara - É, peguei o gosto de alguém - riu - Mas você ainda não viu nada - mostrei a camerazinha do tornozelo e citação na parte interna do braço esquerdo, ele me olhou surpreso
Neymar - E essa é o quê? - mostrei finalmente, e ele ficou paralisado, acho que só nesse momento reparou que era a mão da temida cicatriz que conheceu no dia anterior - Como você...? - não terminou a frase, nem conseguiu parar de olhar para a tatuagem que era um band aid fofinho, com "I forgive you" escrito acima em uma fonte igualmente fofa e simples, porque quanto mais simples, menos dor sentiria, afinal tatuar sobre uma cicatriz não é nada fácil, pelo contrário, a pele fica tão sensível que foi mais doloroso do que pensei, mas estava feliz com o resultado - Por quê?
Clara - Não sei. A ideia veio de repente quando passei pelo estúdio, aí eu decidi entrar... - encolhi os ombros, mordendo os lábios com receio - Vi como ficou ontem quando viu a cicatriz, vi como se culpou e... Presta bastante atenção no que vou te dizer, ok? - assentiu confuso - Você nem estava aqui, logo... não teve culpa de nada. Eu fiz a besteira - tentou argumentar, porém, não deixei - E não se fala mais nisso - levantou as mãos brincando e eu sorri - Não quero olhar pra essa tatuagem futuramente como algo pra esconder uma cicatriz, não mesmo. Nem quero que você olhe desse jeito também. Quero olhar pra ela e lembrar do nosso recomeço, porque nós tivemos que nos desculpar por muita coisa para estarmos aqui hoje, então ela não é só minha. É nossa - ele sorriu, pegou a minha mão e repetiu o gesto do dia anterior, só que dessa vez não beijou a cicatriz e sim a tatuagem (ou a película aderente que estava sobre ela)
Eduarda - Mãe? - gritou do quarto, e logo em seguida ouvi um pequeno barulho que parecia ser DVDs caindo - Não consigo achar aquele do pinguim 
Clara - Espera que eu vou te ajudar a encontrar
Neymar - Ela não sabe de nada ainda?
Clara - Não, podemos falar juntos. Quero muito ver a carinha dela - sorriu
Neymar - Então vamos - levantou rápido demais, e me puxou pra ir junto com ele
Eduarda - Achei! - gritou novamente, com o DVD nas mãos, sem saber que estávamos na porta do seu quarto - as três gavetas da sua cômoda estavam uma bagunça, e ela só nos viu quando virou na intenção de sair - Pai! - abraçou-o tão surpresa quanto feliz - Vai assistir o filme com a gente? 
Neymar - Hum... Acho que filme não vai dar - respondeu depois de olhar pro seu relógio de pulso, fazendo um carinho no Luck que também exigia atenção 
Clara - É filha, e o seu pai e eu... - ela olhou pra mim imediatamente, com toda atenção do mundo. Me senti muito tímida de repente e resolvi sentar, ele sentou ao meu lado e colocou-a na cadeirinha giratória em frente a nós dois - Nós temos uma coisa pra te contar. Não é? 
Neymar - É
Clara - Então fala 
Neymar - Não, fala você - ele estava claramente se divertindo com duas coisas: a minha cara, e a curiosidade da Duda, ou seja, um tremendo filho da mãe
Clara - Deixa de ser bobo, fala logo 
Neymar - A ideia não era falarmos juntos?
Eduarda - Vocês estão namorando de novo? - interrompeu a nossa falsa discussão com a sua perspicácia e um sorriso sem mais tamanho estampado no seu rostinho lindo. No fundo, ela nos conhece melhor do que imaginamos. Nós dois rimos, assentimos calmamente e ela se jogou em nossos braços eufórica - Eu sabia! Sabia que se não contasse ia dar certo - começou a bater palmas num ato de extrema felicidade, eu só sabia rir/sorrir
Neymar - Se não contasse o quê?
Eduarda - O meu sonho 
Clara - Espera aí... Foi isso que você sonhou e não quis me contar?
Eduarda - Sim - respondeu naturalmente, rindo - Ainda bem que não contei - nos soltou e ficou nos olhando atentamente - Agora vocês não estão mais com carinhas tristes - sorrimos - E agora vocês podem fazer que nem o biso e a bisa também - fiquei boquiaberta, já o Júnior não entendeu nada
Clara - Amor, o que o biso e a bisa vão fazer se chama renovação de votos, porque eles já se casaram a muito tempo atrás 
Eduarda - Ah! Mas vocês podem casar, não é? 
Clara - Sim - respondi receosa, mas me arrependi rapidamente, porque sabia que ela não pararia com as perguntas e eu não queria que sobrasse pra mim, como sempre sobra 
Eduarda - Então quando vocês vão casar? - se antes já tinha ficado boquiaberta, dessa vez meu queixo quase foi parar no chão mesmo. Engoli em seco, e ia respondê-la - nem sei o quê, mas ia - mas o Júnior falou primeiro
Neymar - Ainda não decidimos quando, filha
Eduarda - Mas vão? - perguntou cheia de esperanças, empolgadíssima
Neymar - Claro que sim - sorriu pra ela, e eu quase gritei um "Ficou louco?", mas me segurei e ele entendeu que o meu olhar quis dizer exatamente isso porque riu descaradamente
Eduarda - Eu posso levar as alianças também? - seus olhinhos brilhavam mais que diamante
Neymar - Você pode o que você quiser, meu amor - ela sorriu e se lançou nos braços dele novamente, enquanto eu tentava entender uma lembrança que surgiu na minha mente de uma hora pra outra. Seria possível? Acho que não dei a devida importância no momento certo, então precisava saber se era verdade ou se tudo não passou de uma alucinação da minha cabeça - sempre apostei na segunda opção mas depois de ouvir as respostas do Júnior para as perguntas da Duda estava começando a achar que a primeira opção poderia ser válida. Só saí dos meus devaneios quando ouvi minha pequena dizer que ia arrumar a pequena bagunça que fez com os DVDs e o Júnior se despediu dela, porque não poderia mesmo ficar pra assistir ou se atrasaria para a bendita concentração. Não queria que ele se atrasasse, só que também precisava tirar a minha dúvida, então arrastei-o para o meu quarto e não levei-o até a porta, como disse que faria. Ele sentou na minha cama, e ergueu as sobrancelhas, provavelmente com segundas intenções
Clara - Vou ser bem direta, ok? - assentiu tentando não rir - Você me pediu em casamento no Réveillon?
Neymar - Quê? - engasgou e o riso cessou de imediato
Clara - Pediu?
Neymar - Por que isso agora?
Clara - Sei lá, acho que foi essa história dos meus avós e a sua conversa com a Duda que me fez lembrar
Neymar - Seus avós vão renovar os votos mesmo? 
Clara - Sim - sorri
Neymar - E isso te fez lembrar de que?
Clara - Achei ter ouvido você dizer alguma coisa durante a queima de fogos... Mas como nunca tocou no assunto, deixei quieto
Neymar - Vem aqui - bateu na cama, ao seu lado e quando sentei, deitou me levando junto - Achou ter ouvido o que? 
Clara - "Casa comigo?"- sussurrei, e sei lá porque me arrepiei - um arrepio bom - e não obtive resposta, nem sei por quanto tempo ficamos em silêncio, então levantei apenas o rosto e ele estava sorrindo - Você...
Neymar - Sim 
Clara - Sim?
Neymar - Sim - riu e eu fiquei séria - Sim, eu pedi - respondeu muito calmo
Clara - E me fala isso assim? - levantei na hora
Neymar - Assim como?
Clara - Com essa calma, com essa naturalidade
Neymar - Você começou o assunto com essa naturalidade 
Clara - É, mas agora ele ficou mais sério
Neymar - Ficou? - peguei a primeira coisa que vi na minha frente - o meu travesseiro - e nem a curta distância consegui o que queria, porque ele continuava rindo, o pior é que eu também queria rir - 
Clara - Estava falando sério? Ou foi no calor do momento?
Neymar - O que você acha?
Clara - A essa altura do campeonato? Eu acho que você é louco e qualquer uma das alternativas é válida - gargalhou e me puxou para o seu abraço novamente, voltamos a ficar deitados
Neymar - Estava falando muito sério - respondeu sem rir mais, enquanto mexia no meu cabelo
Clara - E por que nunca tocou no assunto?
Neymar - Pra mim você não tinha escutado nada, então isso era... sei lá, um sinal de que ainda não era o momento
Clara - E agora?
Neymar - O que tem?
Clara - É o momento certo?
Neymar - Me diz você
Clara - Eu... Ah...! - tiraram o dia para me deixar sem respostas, não é possível
Neymar - Me diz onde e a gente casa amanhã - gargalhei, acho que mais de nervoso do que de outra coisa
Clara - Tá, não precisa ser necessariamente amanhã - rimos - Mas... eu quero mesmo casar em Aparecida. Aquela praia me traz uma paz... e tem tantas recordações
Neymar - A gente devia começar a pensar nisso, enquanto o momento certo não chega - sorri novamente. Começar a pensar no... meu casamento? Era muito louco pra ser verdade. Esse pensamento me fez rir. Pena que o meu cafuné durou muito pouco, menos de cinco minutos mesmo, já que o Júnior realmente precisava ir. Peguei meu óculos porque já estava sentindo falta dele (e não falo por questão de vaidade, mas pela dorzinha de cabeça bem leve que estava começando a ameaçar; é sempre assim quando fico muito tempo sem usá-lo) e fui levá-lo até a porta, não sem antes ele passar no quarto da Duda de novo - Bonitas flores - sorriu ao ver o vaso na mesa de jantar
Clara - Também achei. Meu namorado tem um bom gosto incrível - ele pegou sua mochila, e se aproximou de mim quando abri a porta
Neymar - Que sorte a sua - me puxou pra mais perto dele, entrelacei o meu braço em torno do seu pescoço e ele me beijou, primeiro nos lábios depois na testa - Ainda não tinha tido a oportunidade de dizer como você está linda de óculos - corei até o último fio de cabelo, e beijei-o antes que ele pudesse rir de mim. Infelizmente, depois tivemos que nos despedir mesmo mas nem garanti que ia ao jogo. Fui no quarto da minha pequena e ela continuava na arrumação das gavetas porque queria deixar os DVDs do mesmo jeito que estavam quando eu arrumei, isso me fez sorrir. Ela vai ser organizadinha como eu, não que o pai não seja - a maior parte do tempo, pelo menos. Ajudei-a e voltamos pra sala, fiz mais pipoca e coloquei o filme que já esperava: Happy Feet 2. Não fiquei surpresa quando percebi que já sabia algumas (muitas) falas dos pinguinzinhos. A Manu subiu, tomou banho e se juntou a nós. Quando o filme terminou e levantei pra ir fazer o jantar, vi que o Júnior tinha esquecido de levar a sua sacola. Fui pro meu quarto pegar o celular que ainda estava carregando para ligar pra ele, mas algo me fez olhar pra dentro dela e o que vi me fez rir que nem uma idiota. “Vou fazer com que todos os seus dias sejam bons, não se preocupe. Só não espere por surpresas apenas pela manhã, elas podem aparecer a qualquer hora do dia. Talvez mais de uma vez no dia...” Era o meu casal de pelúcia preferido, depois de Minnie e Mickey, que ele comprou pra mim durante a nossa estádia em Paris: Stitch e Angel. Terminei esquecendo na sua casa e... Bem, depois da separação pegá-los de volta nem estava nos meus planos. Continuava com o papelzinho em forma de coração que ele colocou entre os ursos e o que estava escrito ali nunca fez tanto sentido pra mim quanto naquele momento. “Feitos um pro outro. Feitos pra durar.” Estava começando a se tornar ainda mais difícil alguém duvidar disso - eu nem ousava. E pensar nisso me fez lembrar de algo que eu queria, ou melhor, precisava fazer. Tirei o celular do carregador, procurei o número da Rafa e coloquei pra chamar, ela atendeu no segundo toque. 
 - início
Rafa - Ana Chata!
Clara - Já considero elogio, você sabe. Pode procurar outro - gargalhou
Rafa - Ana Chata tem 8 letras, Ana Clara também. Acha que pode ser só coincidência? 
Clara - Jura? Rafa e vaca também tem a mesma quantidade de letras, será só coincidência? 
Rafa - Ai - fingiu estar ofendida, mas não conseguiu não rir - Com certeza é só coincidência 
Clara - Vaquinhas são tão adoráveis, se preocupa não - rimos - Mas vamos deixar elas de lado, porque preciso da sua ajuda
Rafa - Em quê? Adoro - eu ri
Clara - É mais um favor, na verdade. Um favorzão 
Rafa - Ih, parece coisa séria. O que foi?
Clara - Tem que ficar entre nós, pelo menos por enquanto 
Rafa - Tudo bem - respondeu mais séria
Clara - Você ainda mantêm contato com a Bruna?
Rafa - Que Bruna?
Clara - Sim, essa mesma que você está pensando
Rafa - Por quê?
Clara - Mantêm?
Rafa - Não muito, mas sim... por quê? - perguntou novamente, curiosa ao extremo
Clara - Quero que você marque um encontro com ela 
Rafa - Marcar um encontro?
Clara - Sim
Rafa - Pra que? Ainda não consegui acompanhar seu raciocínio 
Clara - É só para atraí-la. Sou eu que vou no encontro 
Rafa - O que? - berrou - Por que? O que aconteceu agora?
Clara - Nada... Quer dizer... Ela salvou a vida do meu avô
Rafa - Espera... você quer...?
Clara - Quero - ela ficou em silêncio, e eu sabia que estava chocada - Eu quero olhar pra ela e agradecer 
Rafa - Eu não acho que você brincaria com algo assim. Mas é quase inacreditável
Clara - Eu sei e é por isso que preciso que fique só entre nós. Não sei se seu irmão ia gostar disso 
Rafa - Você não vai contar?
Clara - Vou. Ele vai saber, mas depois 
Rafa - Clara...
Clara - Ele não vai concordar se eu disser antes e eu quero fazer isso
Rafa - Você conhece a Bruna o suficiente pra saber que isso pode não dar certo
Clara - O máximo que pode acontecer é nós nos estapearmos 
Rafa - É lógico que você está brincando - gargalhei
Clara - Você sabe que sim. Eu só quero arriscar  
Rafa - Tudo bem. Eu confio em você e vou marcar esse encontro
Clara - Obrigada. Me liga ou me manda uma mensagem depois 
Rafa - Certo, beijos 
Clara - Beijo 
 - término
Sim, podia ser uma loucura o que eu estava querendo fazer e sim, existia uma grande probabilidade de não dar certo e me arrepender depois, mas eu queria arriscar. Mais do que isso, eu queria seguir o pedido do meu coração, como sempre fiz e nunca me arrependi. Peguei meu casal de ursinhos para colocar junto com os outros na prateleira mas estava com o cheirinho do Júnior, então deixei na minha cama mesmo e fui pra cozinha preparar o jantar que já estava bem atrasado. Fiz frango grelhado e para sobremesa um brigadeirão de microondas para alegria de todas. Depois do jantar, não me contive mais de ansiedade e enquanto a Duda ajudava a Manu a guardar a louça, fui pegar meu celular pra saber se a Rafa já tinha dado alguma resposta, fosse qual fosse... E eu nem tinha certeza se estava torcendo para que fosse negativa ou positiva. Havia uma mensagem dela de apenas alguns minutos atrás. 
    Ela vai estar aqui em SP amanhã pra uma sessão de fotos 
    Paris 6, às 20h, tá bom pra você?
Ótimo! 
    A reserva vai estar em meu nome
Tudo bem
    Então está marcado
Obrigada, Rafa 
    Não há de quê, mas quero saber de tudo depois 
Pode deixar. Ela aceitou de boa, sem hesitar?
    Hum, não. 
    Mas digamos que meu poder de persuasão é bem forte
Eu bem sei, é de família 
     
Me dei conta desde o início que era essa a resposta que eu queria, e agora que sabia que esse encontro ia realmente acontecer, só conseguia me perguntar uma coisa: Como é que vai ser? 


Olá, amores
Devo um ENORME pedido de desculpas a vocês, aceitem, please!   
E hoje não vou ficar aqui dizendo todos os motivos que me fizeram demorar a postar, vou apenas pedir que vocês estejam preparadas(os) para tudo, porque esse capítulo tanto pode ser o antepenúltimo, como pode ser o penúltimo. Ainda não sei direito, só quando começar a escrever o próximo é que vou ter certeza, mas é provável que esse seja o antepenúltimo. Não é joguinho da minha parte, é que realmente não sei!
Obrigada a quem ainda não desistiu. Obrigada pelos comentários sempre lindos. E obrigada pela paciência!   
E as meninas que pediram para entrar no grupo, infelizmente estou sem whatsapp, mas assim que der coloco vocês. 
É isso, beijos. Se cuidem!