quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Capítulo 45 - “Eu preciso de você de um jeito que nunca precisei de ninguém ”

Dedicado à Manuela Gomes  

 Despertei do meu sono leve com uma risada gostosa, e antes mesmo de abrir os olhos, distinguir ser da minha menina. Passei a mão no rosto, abri os olhos e ela estava sentada, rindo com o desenho animado que estava passando na TV, não me pergunte qual. O Júnior ainda dormia profundamente. Sentei também e ela olhou pra mim. 
Eduarda - Te acordei, mãe? Desculpa - sorri -
Clara - Só desculpo se ganhar um beijo bem gostoso de bom dia - fiz bico e ela sorriu também. Levantou, passou cuidadosamente pelo pai, sentou ao meu lado, segurou o meu rosto e beijou demoradamente a minha bochecha - Mas que coisa gostosa - riu - Bom dia, boneca - retribuí o beijo -
Eduarda - Bom dia, mãe
Clara - Está acordada a muito tempo?
Eduarda - Não. Um pouquinho só - olhei para o relógio e ele marcava 08h30 -
Clara - Já está na hora de levantarmos se quisermos aproveitar
Eduarda - Posso tomar banho sozinha? - parou de prestar atenção na TV para me olhar -
Clara - Pode, mas não demora. Vou escolher sua roupa - deu um pulo da cama e rapidamente começou a se despir. Pediu que eu prendesse seu cabelo, entrou no banheiro e eu levantei. Abri sua mala, peguei um conjuntinho saia-blusa e deixei separado. Olhei pro Júnior e apesar de estar se mexendo ele não dava sinais de que iria acordar. Me debrucei do seu lado da cama e passei a mão no seu rosto... é bom vê-lo dormir, me traz uma paz inexplicável. Continuei com os carinhos no seu rosto, até perceber que ele estava fazendo um esforço enorme para não sorrir e eu também tive que fazer um esforço enorme para não beijá-lo... mas não podia, afinal... ''É a sua mãe que vive me beijando'' continuava fresco na minha mente - Já chega, dorminhoco. Hoje o dia é longo, levanta
Neymar - Estou esperando o meu beijo de bom dia também - ele... estava acordado também? Desde quando? Não importa, porque o que disse veio bem a calhar -
Clara - Não posso - abriu os olhos lentamente - Tenho que parar com isso de viver te beijando - escondeu um sorriso e arqueou a sobrancelha como um ''é sério isso?'', respondi da mesma forma e ele virou pro outro lado, enterrando a cabeça no travesseiro - Duda, chega - ouvi a água cessar. Passei pro outro lado do quarto, ou seja, pro lado que ele virou e seu olhar pra mim era... desafiador, provocador. Eu quis rir mas não o fiz - Vem pra eu te enxugar - ela saiu do banheiro enrolada na toalha. Sentei na beirada da cama, exatamente no lugar onde dormi - Escovou os dentes? - assentiu. Enxuguei-a, vesti-a, fiz um penteado simples, ela calçou uma sapatilha de cor clara e se perfumou. Como viu que o Júnior já estava acordado, subiu na cama novamente apenas pra dar um beijo nele, pegou o caderninho de atividades da Galinha Pintadinha que a bisa deu, e foi pra sala. Fui até a minha mala, separei uma roupinha também e... iria entrar no banheiro, se o Júnior não passasse na minha frente - Ok... - suspirei. Abri um pouco as cortinas da janela enorme com uma vista linda e o sol estava ameaçando esquentar um pouco. Fiquei ali não sei por quantos segundos ou minutos até ele sair, com uma toalha envolvendo apenas a cintura, e passou esfregando as suas costas completamente molhada e fria em mim, que também estava de costas. Nem olhou pra trás, fechou a porta do quarto e começou a procurar a roupa dentro da mala como se não tivesse feito nada. Balancei a cabeça e entrei rapidamente no banheiro também, mas levei a minha roupa junto para evitar mais... atritos. Tomei um banho frio, nem molhei o cabelo, saí, me enxuguei, passei hidratante no corpo, me vesti, e como minha necessaire continuava no mesmo lugar, dei uma corrigidinha básica nas sobrancelhas com o duo perfect só preenchendo as falhas e fiz uma maquiagem rápida e simples com blush, sombra, lápis delineador e um batom clarinho. Penteei o cabelo em um rabo de cavalo alto, abri a porta e nem tive tempo de sair porque o Júnior entrou e fechou-a atrás dele, não trancou, só encostou. Eu gargalhei. Lá estávamos nós no banheiro de novo. Porque? A resposta veio assim que começou a me provocar -
Neymar - Eu gosto - murmurou contra os meus lábios. Eu não estava raciocinando direito, espera... gosta de que? ''Tenho que parar com isso de viver te beijando'' ''Eu gosto'', meu subconsciente juntou as pecinhas pra mim. Ah sim... Mas pra quê me olhar desse jeito? Pra quê me provocar? Toda vez que fazia ele avançar, recuava na mesma hora com um sorriso delirante. Entendi rapidamente o seu jogo, ele queria que eu o beijasse. Porque tão marrento? Ok, dane-se. Não aguentei mais e fiz o que ele queria, coloquei as mãos no seu rosto, trazendo-o pra mim e beijei-o. Ele correspondeu imediatamente, ainda que, de um jeito provocador. Deixou que suas mãos caíssem do meu rosto para minha cintura e deu continuidade ao beijo, me deixando de um jeito ainda mais desconcertante. No final, sorriu e mordeu meu lábio inferior. Eu continuei de olhos fechados processando tudo - Bom dia, meu amor - percebi que abriu a porta e saiu. Abri os olhos, olhei pro teto e respirei fundo -
Clara - Eu também gosto, amor - pensei alto e ri sozinha. Me olhei no espelho e estava com um sorriso estupidamente bobo. Efeito Neymar. Retoquei o batom, saí finalmente do banheiro e a cama já estava arrumada... Uau! Me perfumei, arrumei a minha bolsa com tudo que íamos precisar, coloquei a minha câmera dentro dela, peguei o celular, desliguei a TV, fui pra sala e eles estavam desenhando algo no caderninho - Vamos?
Neymar - Vamos - levantou - Depois a gente termina, filha - piscou -
Eduarda - Tá certo - sorriu, colocou o caderno e o lápis em cima da mesa e deu a mãozinha pra ele. Saímos e eu tranquei tudo. Enquanto esperávamos o elevador, ele entrelaçou as nossas mãos também, olhei-o, e ele sorriu pra mim. Dei um beijo carinhoso no seu rosto e o elevador chegou. Descemos direto para o restaurante do térreo, onde tomamos o nosso delicioso café da manhã, depois fomos procurar um guia disponível no saguão. Encontramos uma mulher, Mabelle, provavelmente na casa dos trinta anos, alta, morena, de cabelo curto, com um português fluente, e foi bem simpática. Se disponibilizou para ficar conosco até irmos embora. Uma rápida troca de olhares entre mim e ele foi o suficiente para decidirmos tê-la como nossa guia. Conversamos um pouco, ela ficou sabendo para onde queríamos ir inicialmente, e depois fomos para garagem, seguindo-a. Ela destravou as portas de um carro com o logotipo do hotel estampado nele. Fez um sinal gentil pra que entrássemos, fez o mesmo e deu partida. Pegamos a estrada A4 e depois de 32 km chegamos ao nosso destino: Parc Disneyland. Paramos na Main Street, rua principal, com muitas lojas, muitos restaurantes e... encontramos a Minnie, o Mickey e o Pato Donald por lá, fazendo a alegria das crianças que circulavam por ali também. E eles foram super atenciosos pra tirar fotos, o que a Duda aproveitou para apertá-los bastante... achei que não ia mais querer soltá-los mas foi engraçado. Nós também tiramos fotos com eles, exceto a Mabelle, que também já devia estar cansada de vê-los e fez o favor de virar nossa fotógrafa  .
 clarabarcelar_: Porque tão apaixonantes??  instagram.com/p/ioziYsGmGr/
E foi só o começo da manhã maravilhosa que a nossa guia nos proporcionou (principalmente porque tínhamos tickets com horários marcados, graças ao fastpass, que não nos deixou ficar muito tempo em filas), nos levando a lugares memoráveis. Passeamos durante uns vinte minutos pela estrada de ferro do Magic Kingdom que é uma boa forma de se ter uma noção geral do parque. Quase nos perdemos de verdade no jardim do País das Maravilhas; Alice´s Curious Labirinth  Mas ele é lindo. Entramos na casinha da Branca de Neve e os Sete Anões mas saímos rapidinho, porque era meio... assustadora, e pra completar tinha... a bruxa. Nós gargalhamos ao ver a carinha da nossa pequena ao vê-la. Uma das atrações que eu mais gostei foi o It's a Small World, um passeio de barco dentro de um cenário encantador mas segundo o Júnior o Dumbo the Flying Elephant foi o melhor, onde ele foi com a Dudoca e eu fiquei embaixo registrando tudo. Passeamos de tremzinho novamente, mas em um menor, do Casey Le Petit Train du Cirque e durante o percusso foi contada a historinha do Dumbo, então com certeza ela amou. Eu e o Júnior praticamente voltamos a ser crianças (ele ainda mais quando entramos no Buzz Lightyear Laser Blast porque parecia que tínhamos entrado dentro de um vídeo-game, lógico que não joguei nada, só rir das minhas crianças), até no Le Carrousel de Lancelot nós entramos, visitamos a casa de Pinocchio e conhecemos a Frontierland também, onde tudo é mais verdinho, existem mais plantas e árvores... a conservação é impecável. Terminamos o nosso tour matutino brincando na atração Cars Race Rally. Evitamos o Space Mountain: Mission 2 e todos os outros com grandes alturas e que prometiam grandes sustos. Voltamos pra Main Street por volta das 13h, e porque a Mabelle nos lembrou do desfile que acontece diariamente nas ruas do parque. Conseguimos um bom lugar e vimos de pertinho a Parada... Os personagens favoritos da Dudoca cantando, dançando, soltando beijos em seus carros enfeitados... ela ficou em êxtase. Nós dois mais ainda. Quando tudo terminou, voltamos caminhando, aproveitando o sol tímido (as ruas enganam muito porque você anda bastante mas nem percebe), para o estacionamento onde tínhamos deixado o carro, entrei na frente com a Mabelle e muito baixinho falei pra ela para onde tínhamos que ir, e logo, por causa do horário que eu e o Júnior reservamos. Ela sorriu, com certeza, prevendo o porquê de irmos pra lá. No caminho, peguei o celular que estava perdido dentro da minha bolsa, vi que o Júnior estava postando algumas fotos da Duda, olhei pra trás e ela é quem estava escolhendo quais seriam postadas. Eu ri, curti todas e postei uma minha.
 clarabarcelar_:  
O trajeto foi rápido, dava pra ir andando mesmo, afinal ali é tudo muito juntinho. Chegamos ao Auberge De Cendrillon (Albergue da Cinderela), a Mabelle estacionou no local adequado, e disse que não ia entrar com a gente. Até tentamos fazê-la mudar de ideia, porém, ela estava irredutível, mas garantiu que não ia deixar de almoçar e quando saíssemos, estaria no mesmo lugar nos esperando. Como conhece tudo muito melhor que a gente, nem tínhamos como não concordar, e no fundo, sabíamos que é o seu trabalho e se ela se sentia melhor assim... Saímos do carro, peguei os convites que recebi online quando fizemos a reserva, entreguei na entrada, comprei o livro de autógrafos e entramos sem problemas. Pra Dudoca nós íamos apenas almoçar... o que ela não sabia é que íamos almoçar com as princesas. No hall de entrada, as ratinhas ajudantes da Cinderela faziam a recepção, o que já deixou-a com um sorriso enorme. O salão totalmente pensado nos mínimos detalhes para o encantamento ser realmente completo. Nós sentamos, nos entregaram os menus, fizemos nossos pedidos e apenas quando o restaurante estava com todas as mesas ocupadas, vi a primeira princesa entrar, a Cinderela, claro. Sorri pro Júnior, ele olhou discretamente para trás e a viu também, mas continuamos agindo como se nada tivesse acontecendo e fazendo de tudo pra prender a atenção da Dudoca que olhava pro livrinho que comprei sem saber pra quê, enquanto ela e as outras que também entraram circulavam pelas primeiras mesas, distribuindo fotos e autógrafos. Quando chegou a vez da nossa mesa, a Duda ficou sem reação, foi pega totalmente de surpresa e de repente, parecia até uma menina tímida. 
                                              (O vídeo é lindo ♥)
Eu tentei mas não consegui segurar a emoção, e chorei mesmo. E porque quando a gente chora por um motivo, vem vários outros? Imaginei como seriam as minhas férias se ainda estivesse em Florianópolis, privando a minha filha do contato com o seu pai, me privando de uma felicidade que não sabia que podia sentir mais... Como se soubesse que eu precisava, o Júnior passou o braço direito por cima dos meus ombros e me puxou pra mais perto, deixando minha cabeça descansar em seu ombro. 
Neymar - Eu te amo - sussurrou entre os meus cabelos enquanto o acariciava lentamente. Eu tirei os olhos da Duda e olhei-o -
Clara - Obrigada
Neymar - Pelo quê? - sorriu passando a mão no meu rosto -
Clara - Por estar comigo, sempre
Neymar - Eu dependo de você, acredite - e as lágrimas quiseram voltar a cair mas eu não deixei - Eu preciso de você de um jeito que nunca precisei de ninguém e até hoje não sei muito bem o porque mas me faz bem então... não quero mais entender - não sabia mais dizer se estava rindo ou chorando -
Clara - Sou louca por você - sussurrei, ou melhor, gesticulei apenas. Ele sorriu, deu um beijo na minha bochecha e outro no cantinho da minha boca -
Eduarda - Mãe, pai, olhem - nos chamou exalando entusiasmo, mostrando o livrinho, agora com muitos autógrafos - Não é demais??
Clara - É, filha. E tu queria tanto conhecê-las que elas vieram até você, tá vendo? - riu -
Neymar - Você está feliz, amor?
Eduarda - Estou - olhou para o livrinho novamente - Muito feliz - nós sorrimos. Nosso dia já estava ganho, depois do sorriso dela não precisávamos de mais nada. Nosso almoço não podia ter sido melhor, eu estava tão encantada quanto ela e todas as coisas que tínhamos ao nosso redor só deixava tudo mais perfeito. Até os detalhes dos banheiros feminino e masculino tinham um toquezinho mágico, lindo. 
 neymarjr: O que era sonho se tornou realidade... Princesas!! ️ instagram.com/p/ikLAdkmmLx/
Quando terminamos e saímos do restaurante, vimos a Mabelle de longe encostada no carro. Nos aproximamos, e a Duda foi a primeira a falar, sobre as princesas, lógico, o que nos levou a rir -
Clara - Já almoçou mesmo?
Mabelle - Sim, não precisa se preocupar. Obrigada - sorriu - Pracinha agora? - assenti - Então vamos - entramos no carro novamente e ela deu partida para o VIII arrondissement (oitavo distrinto), rumo a Place de la Concorde ou Praça da Concórdia, a maior da capital francesa - Todo final de ano, a prefeitura de Paris coloca aquela roda gigante ali do ladinho por isso vim aqui é um dos passeios mais românticos a se fazer perto do Natal - falou enquanto estacionava. A praça é linda... aliás, ainda não vi algo que esteja abaixo de perfeito em Paris mas quando encontrar registrarei também. O dia estava esplendoroso. Nem muito quente, nem o que a gente mais temia, muito frio. A temperatura estava na medida certa, bem amena. Depois da Mabelle nos mostrar todos os cantinhos da praça, falando um pouco da história dela também, nós atravessamos a rua pra comprar sorvete. 
 clarabarcelar_: Nós trouxemos o sol, então vamos aproveitar      instagram.com/p/it_lsQmmMV/
Passamos o resto da tarde ali e eram 17h25 quando resolvemos ir embora. Fui na frente com a Mabelle novamente e não estávamos nem na metade do caminho, quando a Duda começou a cochilar no colo do Júnior, cansada. Ela ia ter um tempinho pra dormir até a hora do show. 
 clarabarcelar_: Paris é lugar de amor, cuidado onde você for...         
Chegamos ao hotel, o Júnior carregou-a, falei pra Mabelle o horário e pra onde iríamos mais tarde, ela concordou e nós três subimos. Ele colocou a pequena na cama mas ela despertou e disse que não queria dormir mais. Eu ainda estava na sala e ri imaginando a cara cômica que ele deve ter feito. Como permaneceram no quarto, sentei espaçosamente no sofá com a minha câmera, revi todas as fotos, excluí as que não ficaram boas o bastante ou repetitivas e guardei-a novamente porque pra noite o celular bastava. Voltei pro quarto e eles estavam brincando de jogo da memória (sim, da galinha pintadinha) e tão entretidos que não me viram entrar. Fiquei observando e percebi que apesar de estarem se divertindo, ela também estava aprendendo porque ele ensinava estratégias de memorização e... funcionava porque ela começou a estabelecer as relações entre as imagens e as posições no tabuleiro de forma mais rápida. E a cada par certinho que encontrava, um gritinho histérico de felicidade. Terminei rindo também, denunciando assim, a minha presença.
Clara - Quem está ganhando?
Eduarda - Eu né, mãe?! - falou como se fosse a coisa mais obvia do mundo e ele riu - Vou ser a campeã e ganhar chocolate
Clara - Cadê o chocolate?
Neymar - Na geladeira
Clara - Não acredito! E quando vocês pretendiam compartilhar isso comigo?? - fui pra cozinha imediatamente e ouvi a risada de ambos. Abri a geladeira e além de duas caixas de La Maison du Chocolat, tinha um pouco de tudo ali, inclusive alguns tipos de frutas -
Eduarda - Mãe, eu ganhei! - encontrei-a pulando em cima da cama assim que entrei no quarto novamente, com apenas uma caixinha de chocolate - Eu ganhei - começou a fazer uma dancinha que até então, nós desconhecíamos -
Clara - Parece até que eu estou te vendo comemorando um gol - ele gargalhou -
Eduarda - Pai? - olhou-a fazendo beicinho - Não fica assim. Da próxima vez eu te deixo ganhar, tá bom? - fiquei enternecidamente derretida. Ele de um jeito muito ágil, deitou-a com cuidado novamente e começou um ataque de cócegas que fazia até eu rir da risada deles. Não sei por quanto tempo ao certo ficamos... recreando, mas comemos os chocolates, e só quando eles resolveram brincar com o joguinho que o Gil deu pra ela, Cara a Cara, é que lembrei que meu celular tinha apitado em algum momento. Peguei-o e era uma mensagem da Manu no whatsapp.
    Já estou com saudades
    Voltem!!!!   
Sério??? 
Tenho certeza que está aproveitando o apartamento muito bem sem a gente
    Sim, mas isso não vem ao caso
Coitado do Luck  
    Pervertida
É a convivência   
    Com quem? Seu namorado né?
E o seu também
    Deixa meu japinha fora disso
Own  
    Não zoa   
Never, amorzinho
    Palhaça kkk
    Olha, vi a última foto que tu postou, linda, ok
    Mas estou esperando aquela clichê perto da Torre Eiffel
Amanhã, baby
Vou dedicá-la pra você
    Nossa, vou me sentir muito honrada
Eu sei
    Af, palhaça
    Ninguém nunca sabe quando você está sendo irônica ou não
Hahahahahahahahahaha
Vou considerar isso como um elogio  
    Não foi
Mas eu vou considerar, shiu
    Irritante
    Não sei porque sinto sua falta
Porque me ama, não é obvio?
    Infelizmente
Eu também te amo, minha loira   
    Sua obrigação
Marrenta ao extremo
Tenho que me arrumar agora, beijos em todos aí
Cuida do meu filhote
PS: Dudoca mandou  e Júnior  hahahahaha
    Isso porque ele também já está morrendo de saudades de mim
    Aproveitem, beijos!   
Coloquei a Dudoca pra tomar banho logo enquanto separava sua roupa e ajudava o Júnior a escolher a dele. Ela saiu do banheiro enroladinha na toalha, e ele entrou em seguida. Enxugou-se, vesti-a, ela pediu o cabelo solto, calçou a sapatilha, se perfumou e ainda fez um biquinho lindo pedindo pra passar um pouco de gloss. Deixei-a prontinha sentada no sofá da sala, olhando pra rua pela janelinha. Escolhi a minha roupa, e esperei o Júnior sair do banheiro também já pronto. 
Neymar - Então?
Clara - Foi eu que ajudei a montar o look, né? Então está lindo, claro
Neymar - Sou lindo de qualquer jeito, desculpa - gargalhei -
Clara - Ok, não ajudo mais também - rimos. Entrei no banheiro, me despi, e tomei um banho morno, sem molhar o cabelo. Me enxuguei, passei hidratante no corpo, me vesti, deixei o cabelo solto também, me maquiei sem exageros e me perfumei. Coloquei apenas o que faltava dentro da bolsa, ou seja, o celular e os ingressos. Assim que entrei na sala o Júnior me olhou dos pés a cabeça. Oh, my God... eu ia falar, mas ele adiantou-se -
Neymar - Está linda, e é minha - enfatizou bem a última palavra - Ou melhor, é nossa, não é filha? - olhou pra ela, que olhou pra mim sorrindo -
Eduarda - Sim, só nossa - fiquei com um sorriso do tamanho do mundo. O quê mais podia pedir pra Deus? Pois é...nada. Descemos, e a Mabelle já estava nos esperando, pontualíssima, no saguão, com uma roupa diferente mas ainda assim, com o slogan do hotel. Fomos para o estacionamento, ela destravou as portas do mesmo carro que usamos pela manhã, e dessa vez fomos os três juntinhos nos bancos de trás. Ela deu partida e voltamos para Main Street, na praça central onde assistimos o desfile dos personagens favoritos da Dudoca mais cedo, e os enfeites natalinos durante a noite ficavam muito mais nítidos, deixando cada cantinho da rua com um encanto diferente. A Mabelle estacionou no local adequado, e novamente disse que ficaria por ali mesmo. Assim que saímos do carro vimos um vendedor de balões que... ah, até eu queria pra mim de tão lindos. Compramos apenas um, e fomos em direção ao Castelo da Bela Adormecida, local do show. Já tinha bastante gente, mas todo mundo ainda do lado de fora. O motivo nós descobrimos cinco minutos depois quando fogos e mais fogos de artifício começaram a iluminar o céu. Um verdadeiro espetáculo piromusical de encher os olhos. Quando os últimos fogos encheram o céu, a música também parou. Porém, outro espetáculo começou, uma celebração de iluminação que conseguia deixar aquele Castelo ainda mais lindo do que já é. Os olhinhos da Duda brilhavam. E quando todas as luzes acenderam ouvimos aplausos vibrantes e unânimes, para depois a entrada ser liberada. Fomos recepcionados pelo Mickey e a Minnie e eram eles que estavam encaminhando todos para a sala do show, que não era muito grande... porque na verdade era mais um concerto exclusivo da Live@Home para uma platéia limitada do que um show propriamente dito. A banda já estava toda presente, mas a Jessie não. Nós sentamos nos nossos lugares reservados pelos números dos convites e eu estava nervosa, ou ansiosa... não sei dizer, mas minhas mãos não paravam de suar, e o Júnior só sabia rir de mim. Estávamos relativamente perto da porta enorme por onde entramos mas... quando que eu ia imaginar que a Jessie J também ia entrar por ali?? Sim, ela passou muito perto de mim e eu tive que fazer uma pequena chantagem emocional pro Júnior parar de rir. Ela estava... maravilhosa. Digamos que seu look era totalmente... alvinegro. Mais um motivo para enlouquecer mentalmente. Sim, ela é linda mas de preto e branco consegue ficar mais. A banda começou a tocar e eu sabia que "Price Tag" seria a primeira. 
(Eu diria que vale a pena ver, mas eu também diria que sou suspeita demais, então fica a critério de vocês, apesar de estar totalmente no clima do capítulo).
Ela podia passar a noite inteirinha cantando, que pra mim ainda seria pouco mas infelizmente acabou, e por causa de outros compromissos ela não pôde ficar muito mais depois do final. Eu estava feliz com um simples aceno e um sorriso que ela deu olhando pra mim, precisava de mais nada. E quando estava no restaurante, vendo a minha filha com as princesas, achava que o dia não podia ficar melhor... mas ficou. Saímos do Castelo, e só aí percebi que estava suando... claro, até porque não fiquei propriamente parada o show inteiro. Caminhamos de volta para o estacionamento, compramos doces no caminho e já sabia que ninguém ia ter mais vontade de jantar. Mas ok, um dia só não tem problema. Encontramos a Mabelle conversando animadamente com alguém, que ela se despediu rapidamente assim que nos viu. Que bom que teve o que fazer, ou com quem falar e não ficou trancada dentro do carro esperando por nós. Ela ainda perguntou se ainda queríamos ir para mais algum lugar mas o dia já tinha sido longo o bastante, então nosso destino foi o hotel mesmo. 
 clarabarcelar_: JJJJ JESSIE J!  Que honra poder ver e ouvir essa mulher cantar tão pertinho de mim... AMO!  
A Duda cochilou de novo mas dessa vez no meu colo, e quando chegamos, saiu do carro meio cambaleando de sono. 
Clara - Obrigada, Mabelle. Você foi excepcional - sorriu -
Mabelle - Eu que agradeço a escolha e a confiança de vocês. Quando precisarem, sabem onde me encontrar - nós sorrimos também - Boa noite - nos despedimos, e subimos pelo elevador do estacionamento mesmo. O Júnior abriu a porta e fui direto pro quarto com a minha pequena, antes que ela dormisse em pé. Só fiz ajudá-la a tirar a roupa, e vesti um pijama, ela escovou os dentes, foi até a sala e eu sei que foi apenas dar boa noite ao pai, quando voltou, deitou. Sentei ao seu lado, e lhe fiz um cafuné até pegar no sono, o que não demorou nada. Tirei o salto, entrei no banheiro, removi a maquiagem, voltei pra sala e ele estava mexendo no celular sentado no puff -
Neymar - Gostou do show?
Clara - O verbo gostar nem é compatível com o meu estado de espírito no momento - riu - Eu amei demais - sentei no sofá, liguei a TV menorzinha e ao olhá-lo novamente percebi que estava entretido no celular, jogando, talvez. Porque toda vez que está fazendo isso, me deixa até falando sozinha - Júnior?
Neymar - Hum?!
Clara - Júnior?
Neymar - Oi
Clara - Júnior?
Neymar - Que foi? - olhou pra mim, finalmente -
Clara - Odeio quando você pára de me dar atenção, assim, do nada. Já pensou que trágico se eu parasse de te amar, assim, do nada?? - gargalhou -
Neymar - Radical demais, que isso
Clara - Pára de rir. Finge pelo menos, que acredita que estou falando sério - seu riso intensificou ainda mais -
Neymar - Tá bom, desculpa
Clara - Ok - voltei a olhar pra televisão. O que é que estava passando mesmo? - Agora pode voltar a curtir as fotos das amiguinhas - não olhei-o mas tenho quase certeza que sorriu -
Neymar - Vem cá
Clara - Não
Neymar - Não?
Clara - Não
Neymar - Não tem problema, eu vou aí - olhei pra janela pra disfarçar a vontade que tive de sorrir e ele sentou do lado oposto - Ei - olhei-o - Eu não estava fazendo isso - falou em um tom sério e sincero. Ok, amor, eu sei que não mas é tão bom imaginar como essa implicância pode acabar... -
Clara - Isso o que?
Neymar - Curtido fotos das...Curtindo... fotos - não, eu não posso rir agora -
Clara - Tudo bem, posso assistir agora?
Neymar - O que é que está passando na TV? - seu olhar provocador parecia hipnotizar -
Clara - O que está passando? - assentiu muito lentamente aproximando o seu rosto do meu - Eu não sei...
Neymar - Você não quer assistir - sussurrou convicto com a sua boca perto do meu ouvido, desceu para o meu pescoço onde começou a dar beijos e não sei se me arrepiei por isso ou por causa da sua mão que subiu lentamente por uns dos meus braços e parou na minha nuca, segurando carinhosamente o meu cabelo -
Clara - Eu quer..ia - senti que sorriu e levantou o rosto para me olhar. Eu realmente não sei lhe negar um sorriso e correspondi. Acho que por esse motivo não houve provocações, ele simplesmente... me beijou. Da melhor maneira que sabe... da sua maneira, que ainda faz as minhas pernas tremerem, mas é normal, certo? E sentir aquelas borboletas dançando no estômago a cada novo beijo, também? Bom, se não for, eu adoro ser anormal porque são sensações deliciosas -
Neymar - Ainda está zangada? - perguntou deixando seus lábios encostarem nos meus enquanto falava e eu sorri, com a pergunta e os com meus pensamentos -
Clara - Não
Neymar - E estava?
Clara - Não - rimos - Eu gosto de implicar com você
Neymar - E eu gosto que você implique comigo - me beijou novamente, da mesma maneira que antes só que mais demoradamente e fui pega de surpresa. Ele conseguiu nos deixar sem fôlego -
Clara - É bom mesmo, preocupe-se quando eu não implicar mais - mordi o seu queixo - Mas agora eu vou tomar um banho porque continuo suada. Meu corpo ainda não entendeu que o show acabou e essa proximidade toda não ajuda - riu -
Neymar - Eu também vou, pra gente estrear a banheira
Clara - O que? - gargalhei - Não se preocupe, eu estreio sozinha, preciso mesmo relaxar - consegui levantar -
Neymar - Não, é muita responsabilidade, amor, eu vou contigo - levantou também e me seguiu até o quarto -
Clara - Mas quem chamou? - falei um pouco mais baixo pra não acordar a pequena -
Neymar - Você não sabe dizer não - respondeu no mesmo tom de voz -
Clara - E você está se aproveitando disso
Neymar - Claro que não - segurou o riso - Vou me comportar, prometo - sorriu e eu arqueei uma das sobrancelhas - Você sabe que eu vou mesmo - olhou de relance pra Duda e eu entendi rapidamente. Eu também não conseguiria fazer nada com ela ali. Seria... desconfortável, sem falar na falta de consideração, pelo menos é o que o meu subconsciente, super racional acha, e eu concordo -
Clara - Seu sorriso é insuportavelmente irresistível - suspirei e ele ampliou-o ainda mais - Aliás, não só o sorriso... - completei o meu raciocínio, porém, alto demais, isso ele não precisava saber. Balancei a cabeça e dei as costas deixando-o, provavelmente, com uma vontade enorme de gargalhar mas não o fez. Me abraçou por trás e beijou a minha nuca. Peguei logo meu pijaminha também, e entramos no banheiro. Foi totalmente hilariante nos despirmos um na frente do outro, até parecia que era a primeira vez que aquilo acontecia mas eu não consegui segurar o riso e entrei imediatamente na banheira, que colocamos para encher assim que entramos. Ele fez o mesmo em seguida - Não faça movimentos bruscos ou te afogo
Neymar - Pára, está muito violenta hoje - rimos -
Clara - Porque está me fazendo cócegas?
Neymar - Estou procurando seus pés
Clara - Já encontrou, não dá pra perceber? - rimos - O que você quer com os meus pezinhos?
Neymar - Inhos? - pegou o meu pé direito - Não vou comentar a respeito disso
Clara - Não se atreva mesmo - rimos - É a sua mão que é enorme. Nunca pensou em ser goleiro? - gargalhou -
Neymar - Você não costuma reclamar delas... - fiquei boquiaberta e ele riu de mim novamente -
Clara - Depravado. Sempre jogando sujo
Neymar - Eu nem terminei de falar
Clara - Ah, claro. Pois então termine
Neymar - Como eu estava dizendo... você não costuma reclamar delas quando... te faço massagem - foi a minha vez de gargalhar e ele me acompanhou -
Clara - Acontece que tu nunca me fez uma massagem, foi a pior desculpa que podia ter dado
Neymar - Sério?
Clara - Sério, merecia um cartão vermelho, não acha?
Neymar - Não seja por isso - começou a massagear um dos meus pés -
Clara - Não. Pára, você sabe que sinto cócegas aí também - rimos -
Neymar - Chega pra cá então - fiz o que pediu, ficando de costas, ele colocou o meu cabelo para um lado só, e com a pontinha do nariz fez um caminho até próximo ao meu ouvido - Eu te amo - me arrepiei novamente -
Clara - Eu também te amo... mas amor, por favor, olha os movimentos bruscos - rimos - Foca na massagem - riu. Tocou no meu ombro e eu respirei fundo. Delicadamente ele começou a apertar seus dedos, pressionando os músculos por um bom tempo, depois, brandamente começou a friccionar também os músculos do pescoço pra baixo e usou as pontas dos dedos para fazer pequenos círculos ao redor. Relaxante, sem dúvidas. Ainda ficamos mais um tempinho ali, rindo de qualquer besteira que falávamos, depois saímos, nos vestimos, sequei o meu cabelo que ficou ligeiramente molhado e escovamos os dentes. Fui até a sala apenas fechar a janela e desligar a TV e voltei pro quarto. 
 neymarjr: No fundo eu gosto quando você embirra, faz todo o seu drama e no fim sempre me ganha      
Ficamos trocando carinhos até o cansaço se apoderar de nós, o que também não demorou para acontecer.

Read: 

  1. http://elasocurteneymar.blogspot.com.br/
  2. http://casoindefinitonjr.blogspot.com.br/
  3. http://amorpravidatodanjr.blogspot.com.br/

Olá. Como vão vocês? Bem, eu espero. Assim como eu.  Fiquei surpresa e feliz demais com os comentários anteriores, aliás, como sempre. Vocês são maravilhosas, amo muito! E o que me deixou ainda mais radiante (e nostálgica) foi saber que a história da Mel, uma fic já encerrada a tanto tempo, incentivou uma de vocês a escrever também. Por mais estranho que seja pra mim, ler isso é maravilhoso também. Obrigada!   
                       Twitter, beijos.                   

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Capítulo 44 - “É a sua mãe que vive me beijando”


 Os dois meses seguintes foram bem tranquilos. Tirando algumas briguinhas, se é que pode-se chamar assim, por motivos de: dois orgulhosos em uma relação adoram ver quem vai dar o braço a torcer primeiro; eu e o Júnior estamos muito bem. A nossa pequena nos dando cada dia mais orgulho, tanto na escola quanto no balé e os seus progressos são, sem sombra de dúvidas, os motivos mais verdadeiros da nossa felicidade.
 No começo do mês de outubro, o nosso mês, o Júnior perguntou o que ela queria de presente e a resposta foi rápida: ''Quero conhecer as princesas, papai''. Não, não é no sentido literal, na verdade ela queria ir à exposição inspirada no Show das Princesas da Disney, que tanto via na televisão, no Shopping Ibirapuera e que por coincidência só estaria lá até o dia do seu aniversário, sábado, dia 19. 
 Nós dois sentamos pra conversar, ele deu uma ideia que eu adorei, porém, só concordei com um condição: íamos dividir os custos, claro. Ele topou, então decidimos que a Dudoca merecia muito mais, por isso vamos conhecer nada mais nada menos que... Paris. Eurodisney ou Disneyland Resort Paris. Ela ficou em êxtase quando contamos que esse seria o nosso presente. Já resolvemos tudo com antecedência (apenas as coisinhas que podem/devem ser feitas com antecedência mesmo, tipo: um guia (que o Júnior não me deixou saber quem é), um pequeno roteiro e hospedagem, já que o visto só seria necessário se fôssemos passar mais de três meses no país, checamos apenas se tínhamos todos os documentos em dia e em ordem para não termos surpresas), mas decidimos esperar o ano escolar dela terminar, até porque vai coincidir com o nosso pequeno recesso profissional e para eu também ficar em êxtase, coincide com a data de um show da Jessie J por lá.
 Enfim, presentão da Dudoca definido, eu e mais seis mamães nos reunimos para organizar uma festinha linda na escola mesmo, com os aniversariantes do mês de outubro da salinha da minha pequena. O Júnior e eu optamos por não fazer uma festona, além disso tem as vantagens de estar comemorando com os amiguinhos, e a professora, que são pessoas que convivem todos os dias com as crianças, (claro que existe a desvantagem de não poder ir muita gente, mas sabíamos que as pessoas mais importantes pra ela estariam presentes). Conversamos com a direção da escola, nos informamos de tudo direitinho e como tivemos autorização, colocamos tudo que tínhamos em mente, em prática. Claro que a decoração ficou por conta da minha designer favorita, Manuzita, e de uma outra mamãe, arquiteta. Escolhemos o tema ''Mickey e Minnie'', por ser mais... unissex. Tudo resolvido, entregamos os convites para as professoras colarem nos diários da criançada e a festa aconteceu no dia 18, sexta-feira. Depois da última aulinha das crianças, elas foram levadas para outra sala e como não esperavam - nenhuma delas sabia de absolutamente nada - ficaram maravilhadas. Contratamos um show de mágica, que as crianças adoraram e como lembrancinha fizemos um jogo de memórias com a foto de cada coleguinha da sala, mais a foto das professoras e ainda o Mickey e a Minnie. Ficou um amor. A Manu e a Rafa pensaram em fazer docinhos em forma de lápis e outras lembrancinhas em forma de baldinhos cheios de doces e um kit escolar com lápis, borracha, apontadores... E para a diversão, já que não pôde ter o famoso pula pula e não se pode fazer muito barulho na escola, as outras mamães fizeram uma letra para cada criança de MDF, para que elas colorissem como quisessem. Quanto aos docinhos, os tradicionais, como brigadeiros (inclusive o de colher), cajuzinhos, beijinhos e docinhos. Cupcakes, cake pops, algodão doce, pipoca e gelatina colorida… Sucos e refrigerantes. Salgadinhos, pastéis, pães de queijo, sanduíches simples, mini pizzas e mini hot dogs. E em relação aos bolos... sim, foram mais de um. Pensamos em fazer sete bolinhos porque achamos que seria difícil sete crianças apagarem as velinhas em um mesmo bolo. Resumindo: foi uma experiência nova, mas maravilhosa. A Duda amou, se divertiu bastante, assim como todas as outras crianças, por isso todo sacrifício que fiz, saindo cansada do CT pra ir resolver os últimos detalhes, valeu a pena. O Júnior ajudou em tudo que podia (e entendia), mas me fez rir mais do que outra coisa com o seu ''sem jeito'' para certos detalhes. 
 Por fim, o tão esperado dia 19 chegou... e com ele veio a lembrança do dia mais importante da minha vida.
    Flashback on
                                    19 de outubro de 2009
Acordei mal disposta, muito mal disposta. Levantei com um pouco de dificuldade, sentei e estava com uma dorzinha nas costas insuportável também. Refiz o coque no meu cabelo, saí da cama e senti uma pontada forte na barriga. Levei de imediato as mãos até ela, percebi que estava mais durinha do que o normal e como qualquer anormalidade me deixava apavorada, quase que institivamente senti meus olhos ficarem rasos. Sentei, voltei a sentir outra pontada, olhei pro teto, respirei fundo umas dez vezes e consegui ficar mais ''calma''. Levantei, fui direto pro banheiro, me despi conversando com a minha filhota, tentando acalmá-la, entrei no box e tomei um banho morno bem demorado. Estava me fazendo bem ficar ali. Não estava sentindo nenhum desconforto, pelo menos. Quando saí, enxuguei-me, passei meu oléo corporal apenas na região da barriga, me vesti, escovei os dentes, penteei o cabelo novamente e desci bem devagar, com um certo medo das dores voltarem.
Clara - Bom dia, meus amores
Marcos - Bom dia, gordinha - fuzilei-o com o olhar e ele riu, como sempre
Glória - Bom dia, pequena - dei um beijo no rosto dos dois - Aproveita que ainda não tirei a mesa e toma café
Clara - Não quero
Marcos - Não quer? Está dispensando comida? É isso mesmo?
Clara - Muito engraçadinho - ironizei e ele riu novamente
Glória - Não quer, porque?
Clara - Estou um pouco enjoada, acho que se comer algo, coloco pra fora na mesma hora
Glória - Mas vai ficar sem comer? - encolhi os ombros
Marcos - Você sabe que não pode, Clara. Faz um esforcinho
Clara - Eu sinto que não vai descer nada
Glória - Nada? Nadinha? - sorri perante a sua insistência - Me diz o que você quer, que eu faço 
Clara - Não precisa fazer nada, vó. Vou tentar comer o que está aqui mesmo - sentei e respirei fundo. Gostava de tudo que tinha naquela mesa mas nada, absolutamente nada, estava me deixando com aquela vontade de comer, pelo contrário até, quanto mais olhava pra tudo aquilo, menos vontade tinha... mas como meu avô disse: tinha que fazer um esforço. Me inclinei um pouco para pegar a jarra do suco e senti uma pontada, dessa vez um pouco mais forte - 
Marcos - Está tudo bem?
Clara - Está... é só a bisneta de vocês que está um pouco agitada hoje - forcei um sorriso - 
Marcos - Não está mais aguentando ficar aí, isso sim - não respondi-o, até porque não estava em condições pra isso. Desisti do suco, peguei o iogurte que estava mais próximo de mim, e conseguir tomar um copo inteirinho sem ter ânsia de vômito, como achei que teria. Tentei comer um pãozinho também mas não desceu e não quis forçar, optei por uma banana então, comi e quando levantei pra jogar a casca no lixo quase perdi a cor. Se é que não perdi mesmo - 
Clara - Vó...?! - chamei-a quase em um sussurro, aliás, nem sei como consegui falar - 
Glória - O que foi? Está pálida desse jeito porque?
Clara - Sangue... - falei ainda sem tirar os olhos da minha cadeira e minha visão começou a ficar desfocada devido as primeiras lágrimas que começaram a descer - 
Marcos - Sangue? Onde? - ambos se aproximaram de mim imediatamente - 
Clara - O que é que está acontecendo? Porque eu estou sangrando?? - procurava por respostas a todo custo - 
Glória - Não sei, quer dizer...
Clara - Ai!! - senti uma físgada nas costas que foi intensificando, e me levou a gritar - 
Marcos - Calma, senta 
Clara - Como é que eu posso ficar calma se estou sangrando e sentindo dores insuportáveis? Como é possível ficar calma se posso estar perdendo a minha filha? - o desespero falou mais alto e terminei gritando. Mas é que olhar para aquela cadeira estava me deixando até zonza - 
Glória - Espera, está sentindo dores? Tem muito tempo?
Clara - Estou. Quase não dormi direito por causa delas 
Glória - E porque não disse nada? - ia respondê-la mas tive que respirar fundo pra não gritar novamente - Clara, sua bolsa estourou?
Clara - Não... quer dizer... não sei. Só se foi no banho
Marcos - Na dúvida, é melhor irmos logo para o hospital 
Glória - Também acho. Vamos subir pra você se trocar e pegarmos as coisas - pegou na minha mão - Marcos, tira logo o carro da garagem e liga pra Débora e pro Murilo - ele concordou e com a ajuda dela, subimos - Como é que são dores?
Clara - Ai, vó. Como é que eu vou te explicar uma dor??
Glória - Quero saber o intervalo de tempo delas. São constantes?
Clara - Não. Vão e vem 
Glória - São as contrações mesmo. Você já pode estar em trabalho de pré parto
Clara - Pré... pré parto?
Glória - Sim. Mas agora vem - ela mesma pegou um vestidinho mais solto, entrou comigo no banheiro, coloquei um absorvente, troquei de roupa e lavei o rosto - Cadê as coisas da princesinha? - perguntou ao ver que eu estava com dificuldades até pra andar - 
Clara - Ali dentro - apontei para o bercinho - 
Glória - E as suas?
Clara - Não arrumei nada ainda 
Glória - Tudo bem, depois algum de nós vem aqui pegar. Não dá pra esperar mais, vamos - pegou na minha mão novamente, descemos, ela só pegou a chave da casa, saímos, trancou tudo, meu avô me ajudou a entrar no carro, ela fez o mesmo e partimos. Fui o caminho todo sofrendo com o vai e vem das contrações, minha vó me pedia calma o tempo todo mas também estava super nervosa - 
Clara - Fica bem, minha filha. Espera mais um pouquinho que a gente já está chegando... - ia sussurrando passando as mãos na barriga, como se ela me escutasse e fizesse as dores pararem um pouco, mas toda vez que lembrava do sangue que vi começava a chorar de novo. Chegamos finalmente no hospital e o celular deles não parava de tocar, acho que eram meus pais. Meu avô foi procurar uma vaga para estacionar e fui entrando na frente com a minha vó. Ela relatou o meu estado a recepcionista, que rapidamente mandou chamar um enfermeiro e ele apareceu com uma maca, ainda bem, porque não estava mais suportando andar. Ele chamou o elevador, subimos, fechei os olhos porque estava me sentindo um pouco tonta e quando voltei a abri-los já estava em um quarto - Cadê a minha mãe, vó?
Glória - Ela já vem - não era só ela que queria ao meu lado também, não era... mas se não tinha quem mais queria, a culpa era exclusivamente minha - 
Dra. Maria - Oi mocinha, posso entrar? - olhamos pra porta e era a obstetra que vinha me acompanhando nos últimos meses - 
Glória - Claro - ela entrou, se aproximou de mim, pediu que contasse tudo que estava sentindo, tudo que tinha acontecido e eu falei, com alguma dificuldade mas falei - 
Dra. Maria - Quanto ao sangue não precisa se preocupar, o indício dele é normal ao final da gravidez, é provável que o corpo esteja dando o primeiro passo na preparação para o parto
Clara - E isso quer dizer que...?
Dra. Maria - Está em trabalho de parto sim
Clara - Mas e a bolsa? Não estourou... eu acho...
Dra. Maria - Poucas grávidas percebem a membrana do saco amniótico romper antes de entrarem em trabalho de parto ativo, e algumas, a maioria pelo menos, rompe no final do trabalho de parto - esclareceu-me - De quanto em quanto tempo as dores estão vindo?
Clara - Antes pareciam vim de vinte em vinte minutos, agora parece que é de cinco em cinco - ela riu levemente -
Dra. Maria - Ok, vamos fazer o exame... - interrompi-a - 
Clara - Exame? Agora? Eu não estou aguentando mais... - minha vó pegou na minha mão quando sentiu que a minha voz falhou - 
Dra. Maria - Tenta ficar calma porque vai terminar tudo bem. Mas o exame precisa ser feito pra gente saber se o espaço já é suficiente pra sua filhinha passar - sorriu - 
Glória - Na hora, aperta a minha mão, amor - não entendi muito bem o porque que ela disse isso, a Dra. Maria saiu por uns instantes, quando voltou fez o tal exame e aí sim entendi. Só não gritei mesmo porque fiz o que minha avó pediu: apertei a sua mão. O lado bom foi que depois disso, pude finalmente me arrumar e fui levada para sala de partos... sozinha - 
Clara - Maria, eu vou ficar aqui sozinha? Cadê minha avó?
Dra. Maria - Vai poder ficar alguém aqui com você sim, mas sua avó me disse que não vai ser ela - e lá estava eu novamente sozinha e chorando. Acho que a dor de me sentir só conseguia ser pior do que as contrações. Queria ter apenas... o pai da minha filha ali... mas ele não estava. Tentei imaginar o que ele poderia estar fazendo no momento e fiz de tudo pra que ele pudesse ouvir os meus pensamentos. Falhei, não o tinha ali porque falhei. Burra! - 
Débora - Filha?! - ouvi uma voz aflita e abri os olhos - 
Clara - Mãe?!
Débora - Oh, meu amor - passou a mão no meu rosto - Nossa menininha vai nascer - sorriu e conseguiu arrancar um sorriso de mim também - 
Clara - Vai ficar aqui comigo, não vai mãe?
Débora - Lógico, agora tenta ficar calma - conseguiu me tranquilizar um pouco... um pouco. Foi só ter noção que ia começar para me aterrorizar. Esqueci tudo que vinha estudando durante os meses da gestação e a insegurança tomou conta. O que é que eu tinha que fazer? Será que ia conseguir? E se minha filha não aguentasse? Foi impossível segurar o choro de novo mas dessa vez era um choro silencioso. Tinha a minha mãe ali do meu lado (e agradeci muito a Deus por isso) mas... não era ela que queria... Queria a mão dele na minha, a sua voz dizendo ''vai ficar tudo bem'', e o seu sorriso lindo e reconfortante. Ah, o seu sorriso... Sorri também em meio as lágrimas que rolavam... e foi nesse sorriso que arrumei forças e mais forças enquanto apertava a mão da minha mãe até poder finalmente ver o rostinho que tanto ansiei. Eu... consegui. A minha princesa chorou, chorou com vontade até encontrar o meu colo. Beijei a sua testa, apreciei cada tracinho do seu rosto ainda sujinho e a partir daquele momento percebi que tinha que viver pra ela. 
    Flashback off
O dia em si, foi maravilhoso. Como tínhamos passado a noite anterior na casa do Júnior, nós dois acordamos com a Dudoca pulando em cima da cama perguntando: "É hoje que eu faço 4 aninhos?"  A Rafa fez um bolo bem fofinho para o nosso café da manhã e ela nem surtou quando viu  Passou o dia recebendo presentes e mais presentes, e a tardinha, como o Júnior teve que viajar com o elenco do Peixe, fomos só as mulheres para o Shopping Ibirapuera ver a exposição que ela tanto queria. 
 Já o meu aniversário, uma semana depois do da Dudoca, foi comemorado na Dom Room. 
****
O mês de dezembro chegou. O campeonato brasileiro terminou no dia 08, e o Júnior ficou automaticamente de ''férias'', mesmo assim ele participou, assim como outros jogadores de vários times, da 4ª edição do GRAACC Futebol Clube, no estádio do Pacaembu dia 10. Fomos todos assistir. A nossa menina passou de ano  e está numa alegria tremenda, ansiosíssima pela nossa viagem que já tem data marcada, dia 16. Sua última apresentação do ano no Ballet Natura Essência foi muito especial, uma das melhores que já assistimos dela (apesar de ter ficado nervosinha, mas o Júnior foi essencial na hora de acalmá-la), principalmente por ter sido a primeira individual e a que lhe rendeu o seu primeiro prêmio. Muita felicidade!
Dia 13, sexta, foi o meu último dia de trabalho antes do recesso natalino, e ao sair do CT, como eu, a minha mãe, a tia Ná, a madrinha, a Jéssica, a Manu e a Rafa tínhamos combinado, fui me encontrar com elas no Gonzaga (a Dudoca também estava junto) para depois irmos direto para Agência dos Correios, onde adotamos sete cartinhas para realizarmos os sonhos das crianças que haviam escrito. A cartinha que eu peguei tinha sido escrita por uma menina de aproximadamente dez anos, e ela só pedia roupinhas mais quentes porque quando chegava o inverno nunca tinha o suficiente para todo mundo no orfanato. Fiquei comovida, e mexida de verdade, aliás, não só eu e por isso mais do que madrinhas da Campanha de Natal dos Correios, viramos ''Papai Noel'' por um dia. Nenhuma das cartinhas tinha pedidos exuberantes, eram apenas... sonhos infantis e realizá-los foi maravilhoso. Algumas crianças pularam em nossos pescoços, nos beijaram, nos agradeceram várias vezes... teve as mais tímidas que só nos olhavam como forma de agradecimento também, aquelas que ficavam só admirando... mas cada reação nos emocionou de uma forma. Minha filha adorou, fez amizades, e nos deixou emocionadas ao afirmar que queria muito voltar ali para brincar mais com as crianças. Foi um dia intenso, mas inolvidável. 
****
    16 de dezembro, segunda-feira
Acordamos (sim, porque dormimos todos na minha cama, apertadinhos e exaustos, depois de um domingo brincando de acampar) com o despertador irritante do meu querido celular. Nosso voo estava marcado para ás 07h30. Por incrível que pareça a primeira a levantar foi a Duda, não é difícil adivinhar o porquê, e acho que foi a sua ansiedade/energia contagiantes que mandaram a nossa preguiça ir embora e nos fez levantar também. 
Eduarda - Bom dia, mãe - me surpreendeu com um beijo no meu rosto - Bom dia, pai - repetiu o gesto com ele. Nós dois nos entreolhamos e rimos... vê-la tão entusiasmada é bom, muito bom... Mas, quando não queremos as horas passam depressa demais, por isso decidimos adiantar para evitar atrasos desnecessários. Ele deu um beijo no meu rosto também, entrou no banheiro, e eu fui com a Duda para o seu quarto, onde a sua pequena mala já estava arrumada e uma roupa (quente, já que o final de semana foi chuvoso, e por causa do horário o tempo ainda devia estar frio) separada em cima da cama. Entrei com ela no banheiro, prendi seu cabelo pra não molhar e lhe dei um banho rápido. Enxuguei-a, deixei que escovasse os dentinhos e voltamos pro quarto. Vesti-a com uma legging preta e uma batinha branca de manga. Penteei seu cabelo em um rabo de cavalo e por fim ela calçou uma sapatilha confortável. Se perfumou enquanto eu colocava as suas últimas coisas na mala, deixei-a logo no corredor e fomos para cozinha -
Clara - O que você quer, amor? Leite?
Eduarda - Hum... não - balançou a cabeça lentamente enquanto sentava com cuidado em um dos bancos - Pode ser nescau? Com pãozinho de coco? - perguntou receosa... como se eu quisesse dizer não para aqueles olhinhos tão pidões. Olhei pro relógio da parede -
Clara - Pode. Faço bem rapidinho - sorriu. Fiz o seu achocolatado, lavei logo o que sujei já que a Manu não estava em casa - nem o Luck, que foi com ela pra casa do Gil - e deixei-a se deliciando com ele e seu pãozinho de coco que tanto gosta. Voltei pro quarto e o Júnior já estava pronto. Lindo, impecável -
Neymar - Já posso deixar essas malas lá na sala?
Clara - Só a maior. Ainda vou colocar o que falta na menorzinha. Deixei a da Duda na porta do quarto dela, tá? Ah, e os seus documentos, cadê?
Neymar - Junto com os seus - piscou e eu sorri -
Clara - Ok, então agora eu... - não me deixou terminar -
Neymar - Agora você vai pro banho, certo?
Clara - Exatamente - rimos. Soltei um beijo pra ele, entrei no banheiro, me despi, prendi o cabelo, entrei no box e tomei um banho morno. Saí, me enxuguei e me envolvi em uma toalha, escovei os dentes e voltei pro quarto, agora vazio. Vesti minhas peças íntimas, passei hidratante no corpo, me vesti, calcei uma sapatilha peep toe simples preta e penteei o cabelo também em um rabo de cavalo. Fiz uma maquiagem fraquinha, me perfumei, chequei tudo que estava na mala menor, adicionei as poucas coisas que faltavam, fechei-a, conferi todos os nossos documentos necessários, as passagens, e coloquei na minha bolsinha de mão. Peguei as duas, dei mais uma olhada no espelho e saí do quarto. O Júnior estava falando com alguém no celular, aparentemente com o Big Black e quando se despediu tive certeza -
Neymar - Dez minutos e ele está aqui - comunicou depois de tomar mais um gole do seu suco. Assenti, coloquei um pouco pra mim também e sentei ao lado esquerdo da Dudoca -
Clara - Acho que já está na hora de sabermos quem vai nos guiar, não é filha?
Eduarda - Também acho - riu -
Neymar - E depois sou eu que sempre jogo sujo
Clara - O que eu fiz? - fingir estar ofendida, colocando as mãos no peito e ele semicerrou os olhos -
Neymar - Nada. Não fez nada, mas só vão saber quando chegarmos lá mesmo. Até porque nem eu sei também
Clara - Como assim, não sabe, Neymar Júnior? - gargalhou, assim como a Dudoca, e eles rindo juntos é... maravilhoso. Como música para os meus ouvidos -
Neymar - Relaxa amorzinho, perdidos nós não vamos ficar - falou em um tom obvio de zoação e nem insistir porque percebi que era tudo apenas para me enrolar e... ele costuma ser bom nas surpresas que faz. Tomamos o nosso café da manhã conversando sobre outros assuntos, a minha mãe (que continua... estranha, aos meus olhos pelo menos, por isso mesmo que negue ainda não desistir de saber o porque) e a Tia Ná, pareciam ter combinado porque mandaram uma mensagem nos desejando boa viajem praticamente na mesma hora. Duas lindas.  O Big Black chegou - já citei que a Duda o adora? Pois é... - subiu apenas para nos ajudar com as malas, e só porque insisti muito, tomou um copo de suco também. Tranquei tudo, descemos, e entramos no carro. O sol ainda meio tímido começava a surgir mais nitidamente no horizonte, e o trânsito estava uma maravilha, tanto que o relógio marcava às 06h28 quando chegamos ao Aeroporto Internacional de Guarulhos. O Big nos desejou boa viajem também, se despediu e foi embora. Fizemos o check-in e sentei para esperar com a Dudoca enquanto o Júnior pacientemente tirava fotos com algumas pessoas, porque apesar do horário o movimento já era grande. Mas nenhum tumulto foi criado, e ele atendeu a todos na medida do possível até o nosso voo ser anunciado pela primeira vez. Procuramos pelo nosso portão de embarque, passamos pelo chato detector de metais e depois entramos finalmente no avião. Encontramos nossas poltronas, na primeira fileira, a Dudoca ficou entre nós e eu perto da janela. Acomodei minha bolsinha de mão, os comissários de bordo começaram a explicar todos os procedimentos de segurança, desligamos os celulares e o avião decolou. No decorrer da viajem foi servido lanches, bebidas e até refeições mais completas. Comemos pouco mas dormimos muito, e como era um voo direto, não houve escalas, apenas uma pausa para reabastecer a máquina, o que levou cerca de 45 minutos, depois o voo foi retomado. Ao todo, demoramos onze horas e vinte cinco minutos para pisarmos em solo francês. Fomos para área de desembarque, procuramos pela esteira marcada com o número do nosso voo e pegamos nossas bagagens. Minha pequena olhava para todos os lados atentamente de mãos dadas comigo enquanto o Júnior já mexia no celular - Nosso guia por um dia já está aqui
Clara - Por um dia? Vamos ficar praticamente uma semana aqui
Neymar - Amor, já falei: relaxa. Depois você vai entender tudo - sorriu. Não gosto quando o sorriso dele tenta (e quase sempre consegue) me fazer sorrir também quando estou tentando parecer séria. Complexo mas é verdade... -
Clara - Assim espero. Mas cadê o misterioso guia? - mexeu no celular de novo, depois olhou ao redor e riu. Olhei na mesma direção e vi o... Lucas. Mas, espera... Lucas Moura? Sim. É claro, porque eu não pensei nele? Estava acompanhado por uma garota, não tão mais clara do que eu, cabelos longos e castanhos, e olhos clarinhos. Bem bonita -
Neymar - Fala, meu parceiro
Lucas - E aí, turista - riram, se cumprimentaram saudosamente, depois o Júnior olhou pra mim e pra Dudoca -
Neymar - As duas mulheres da minha vida que você ainda não conhecia - sorriu e aí até o meu subconsciente, sempre muito sério, sorriu também. O Lucas riu, nos cumprimentamos e ele em seguida se agachou ligeiramente, mas sem soltar a mão da sua acompanhante -
Lucas - Tudo bom, Duda?
Eduarda - Tudo, e com você?
Lucas - Eu estou bem. Ouvi muito falar de você - ela sorriu timidamente -
Eduarda - Você veio passear com a gente?
Lucas - Não exatamente. Eu moro aqui
Eduarda - Com as princesas? - arregalou os olhinhos e nós rimos -
Lucas - Não. Mas é perto
Eduarda - Ah, então tá - riu e ele levantou -
Lucas - Marie, minha namorada - apresentou-a finalmente com um sorriso enorme - Amor, é o pessoal que eu te falei
Marie - Olá, muito prazer - sua voz doce, e seu sotaque fofinho, deixou o nosso português engraçado e ela nos cumprimentou da mesma forma -
Lucas - Vamos?
Neymar - Sabe onde fica né?
Lucas - Vão ficar naquele que te indiquei mesmo? - assentiu - Então vamos - ele ajudou o Júnior com as malas, então fiquei apenas com a menor e a bolsinha de mão, por isso lhe agradeci com um sorriso. Quase 20h, o Aeroporto Charles de Gaulle estava lotado, uma mistura de vozes e idiomas que poderia até enlouquecer quem ficasse ali por muito tempo, mas com o Júnior e o Lucas de boné, conseguimos passar sem ser interrompidos. Fomos para o estacionamento, entramos no carro dele, a Marie preferiu ir atrás comigo e a Dudoca, e ele deu partida -
Neymar - E aí, como é que está se virando aqui?
Lucas - Acho que a parte mais difícil já passou - respondeu atento ao volante - Só não me acostumei ainda com o frio, por incrível que pareça. Mas vocês escolheram uma boa época pra vim porque o outono não tem sido tão rigoroso. Estão pensando em voltar quando?
Neymar - Dia vinte e três
Lucas - Dois dias depois do início do inverno. É neve pra cacete... opa, foi mal - se desculpou por causa da Duda, mas nós rimos da forma como falou, e acho que depois da palavra ''neve'' ela nem deve ter ouvido o resto. Seus olhinhos brilharam -
Neymar - Está sabendo demais, heim - ambos riram - Quero só ver falando em francês - o Lucas gargalhou -
Lucas - Tá maluco? É muito difícil, e até é possível se comunicar em inglês com algumas pessoas mas nem todas gostam, por isso não esperem ser bem tratados falando em inglês. Digo pro experiência própria - olhou de relance para namorada e ela assim como nós, riu -
Clara - Mas tirando isso, Paris é tudo que dizem?
Lucas - É muito mais. Logo quando cheguei fiquei hospedado no centro e meu motorista falava português então já fui logo perguntando pra ele sobre os pontos turísticos... e aos poucos fui conhecendo e me familiarizando com tudo - depois disso eles começaram a falar basicamente sobre futebol, a parte boa foi que a Marie voltou a falar, e eu assumidamente gostei do seu sotaque. Foi uma conversa de circunstância, rápida, mas ela parecia ser... como o Júnior costuma dizer gente da melhor qualidade. Aproveitei para ir vendo e mostrando pra minha pequena alguns adereços natalinos que já enfeitavam as ruas. E que ruas... Passamos por grandes zonas verdes, e entramos em uma região monumental; casas que mais pareciam palácios privados e museus enormes. Segundo o nosso guia por um dia, já estávamos no 7º arrondissement (7º distrito), um bairro residencial onde fica o hotel que fizemos reserva (por dois motivos: primeiro por ser perto dos pontos turísticos e segundo por causa do atendimento, que é em português). Cinco minutos depois, o Lucas estacionou em frente a um edifício charmoso, muito mais bonito do que como vimos por foto. MonParis. Saímos do carro com nossas coisas, entramos, nos dirigimos à recepção e como o atendente realmente falava português fluentemente, foi até mais rápido achar a nossa reserva. Fizemos o check in, preenchemos o contrato, fizemos o pagamento, recebemos um recibo e as chaves. O próprio Roberto Haenel, dono da rede MonParis e brasileiro, também nos recebeu com a maior atenção e nos levou para o que seria a nossa casa por alguns dias, no quarto andar. Adorei a simplicidade e a beleza de cada detalhezinho, com conforto, espaço, conveniência... tudo que precisamos. A Manu ia adorar também - é impossível não lembrar dela em situações assim. - Sala e cozinha pequenas integradas, dois banheiros, tendo uma banheira bem convidativa em apenas um dos e um quarto que... uau! Lindo demais. E sim, um só, se quissemos dois quartos teríamos que alugar uma apartamento e achamos um pouco demais, desnecessário pra falar a verdade. Além de nos apresentar o apartamento e o funcionamento de alguns aparelhos, ele também falou sobre as acessões que teríamos: roupas de cama e banho com trocas diárias, TV à cabo, um telefone gratuito para ligações de telefones fixos no Brasil e o melhor... o motivo pelo qual o Júnior deve ter falo ''depois você vai entender tudo''... a rede também disponibiliza guias brasileiros a qualquer hora. Olhei pra ele e sorri. Não estava errada quando pensei que suas surpresas são sempre boas. Tarefa cumprida, o Roberto se retirou, o Júnior, o Lucas e a Marie permaneceram na sala ainda conversando sobre futebol, principalmente em relação a adaptação do Lucas ao Paris Saint-Germain, e eu e minha boneca fomos nos instalando e conhecendo melhor o quarto -
Eduarda - Mãe?
Clara - Diz, filha - podia apostar o que ela queria perguntar -
Eduarda - Quando a gente vai ver as princesas? - sorri -
Clara - Amanhã, sem falta. Combinado? - assentiu com um sorrisão, não resisti, abracei-a e a enchi de beijos. Adoro fazer isso quando não está esperando porque sua gargalhada e deliciosamente boa de se ouvir - Está com fome?
Eduarda - Muita
Clara - Então vamos tomar banho e ver quais são os planos do seu pai. Porque o nosso com certeza, é comer - rimos. Fechei a porta do quarto, ela se despiu, entramos no banheiro, verifiquei a temperatura da água primeiro e lhe dei um banho morno rapidinho. Enquanto se enxugava, peguei uma roupa na sua mala; uma bermudinha jeans e uma blusa preta de manga comprida e gola alta. Não estava fazendo frio mas a mudança repentina de clima adora trazer resfriados. Deixei-a arrumadinha, sentada na cama, assistindo vídeos diversos no play kids tv do meu celular e no modo bebê, que trava a tela para não sair acidentalmente dos vídeos. Ela adora, ri e canta sozinha. Peguei uma roupa nada formal pra mim também, minha necessaire e entrei no banheiro. Me despi, removi o que ainda restava da maquiagem, e tomei um bom banho, revigorante. Parece clichê mas viajar cansa. Me enxuguei, passei hidratante no corpo, me vesti, refiz o rabo de cavalo no cabelo e me perfumei. Saí do banheiro e a Duda não estava mais no quarto, só que em compensação... -
Neymar - Linda
Clara - Estou? - dei uma voltinha rindo - Obrigada
Neymar - Não - se aproximou de mim e rodeou a minha cintura - Você é - corei instantaneamente -
Clara - Parou? - gargalhou e beijou a pontinha do meu nariz -
Neymar - Gostou daqui?
Clara - Sim, adorei - olhei em volta rapidamente - Mas acho que ainda preciso de uma boa noite de sono pra ter certeza que estou aqui... que estamos realizando o sonho da nossa menina... e que eu ainda vou assistir a um show da Jessie. É demais pra mim - rimos -
Neymar - É amanhã?
Clara - Sim - sorri amplamente -
Neymar - Está muito boba mesmo, olha esse sorriso - devo ter ruborizado novamente porque ele riu. Nunca vi ninguém gostar tanto de me ver pior que um tomate -
Clara - Se estou a culpa é exclusivamente sua que teve essa ideia maravilhosa
Neymar - Vocês merecem - enfatizou as palavras de uma forma deleitante e à medida que falou, aproximou a sua boca da minha, deixando evidente o que queria e antes que fizesse, eu fiz. Com uma mão na sua nuca, uni as nossas bocas em beijo calmo, até a sua língua encontrar a minha. Ele tentou aprofundar o beijo, o que foi um tanto cômico porque eu não deixei. Quando já precisava de ar, ele aproveitou a deixa para nos enfiar dentro do banheiro e antes que eu tivesse tempo de falar algo, voltou a me beijar, com ainda mais intensidade do que antes, além de uma ligeira mão boba mas não passou disso -
Clara - Fetiche por banheiros agora? - falei apenas depois de regularizar a respiração, com a sobrancelha arqueada e ele gargalhou -
Neymar - Contigo qualquer lugar é lugar
Clara - Não me diga - satirizei -
Neymar - Pára de zoar - rimos -
Clara - Pára você, e aproveita que já está aqui pra tomar um banho. Eu vou pra sala ficar com o pessoal - pisquei, dei as costas mas voltei - A propósito, estou com fome
Neymar - Eu também - olhei-o boquiaberta, já que estava mordendo os lábios, mas quando percebeu, soltou-os e riu - Falei sério
Clara - Eu sei
Neymar - Pensou besteira?
Clara - Você acha? Claro que não
Neymar - Adoro a sua ironia também, manda um beijo pra ela depois
Clara - Pode deixar - rimos - Mas e aí, vamos jantar aqui mesmo?
Neymar - Sim, depois estamos por conta dos nossos guias. Mas se o Lucas falou que a primeira parada será em um dos seus locais preferidos, certeza que tem comida envolvida - riu e começou a se despir -
Clara - Não dava pra esperar eu sair?
Neymar - Ops... - tive que desviar o meu olhar do seu porque não queria rir, e o meu subconsciente... hum, estava a ponto de esganá-lo... ou não. Saí logo, fechei a porta, respirei fundo e enfim, ri sozinha. Parei de pensar no que não devia, sentei na pontinha da cama e seguindo as instruções dadas pelo Roberto, usei o telefone para ligar, primeiro para minha mãe, depois para tia Ná. Só para tranquilizá-las e dizer ''Chegamos''. Depois fui pra sala e tanto o Lucas quanto a Marie já estavam contagiados pelas musiquinhas que a Duda ainda ouvia no meu celular. Minha filha realmente é totalmente desprovida de timidez. Eu ri, balancei a cabeça, me juntei a eles e surpreendentemente ficamos conversando sobre mulheres. Sobre mim, a Marie, a Duda, e principalmente sobre a Giovana, irmãzinha do Lucas. Vi as fotos dela que ele orgulhosamente mostrou e é uma bebê linda.  O Júnior ficou pronto, trancamos tudo, descemos e jantamos no restaurante do térreo mesmo, para depois sairmos com destino a um dos lugares prediletos do nosso guia por um dia. Optamos por ir caminhando mesmo e andar por aquelas ruas tranquilas e lindas não tem preço. Paramos em frente a um estabelecimento com uma fachada escrito ''Berthillon'' e havia uma fila quase dobrando a esquina em direção a ele. O motivo? Simples, sorvete. Segundo o Lucas, a Maison Berthillon é a melhor sorveteria de Paris por isso está sempre cheia, e sim, nós enfrentamos a fila pra poder comprar também. Nem precisamos esperar muito, e os macarons que compramos na Ladurée momentos antes ia nos distraindo. Ah... a culinária francesa estava me conquistando e ainda faltava tanta coisa para experimentar. Instintivamente imaginei como seria a nossa volta para o Brasil... será que eu caberia na poltrona? Ri com os meus pensamentos cômicos, fomos atendidos, eu e o Júnior pegamos de pistache, e pra Duda um pequeno por causa da hora já avançada, afinal um resfriado não estava nos nossos planos, de chocolat noir, o tradicional chocolate negro. O Lucas e a Marie escolheram o deles, sentamos e depois de degustarmos o melhor sorvete do mundo, até então, foi a vez dela falar que queria nos levar para conhecer um lugar que a minha pequena ia adorar. Notei que ela estava começando a se soltar mais, falar mais, deixando a timidez de lado, o que era bom porque parecia que nós podíamos nos dar bem. E como estávamos por conta deles, nem hesitamos na hora de aceitar. Pegamos o meio de transporte mais prático e rápido para se deslocar: o metrô. Meia hora depois já estávamos onde a Marie queria, em frente ao L´Aquarium Tropical, e segundo eles se fosse em outra época devido o horário já estaria fechado mas como perto do Natal atrai ainda mais turistas, o funcionamento é estendido. Entramos, e o cenário que vimos lá dentro da fauna marinha das colonias francesas é realmente de deixar qualquer um de queixo caído. Ver animais tão exóticos a poucos metros de distância foi... divertido. A Duda então só faltou pular de tanta alegria quando achou o Nemo em um dos últimos aquários que vimos. Tiramos algumas fotos, saímos, caminhamos mais um pouco, passamos pela Catedral de Notre Dame, no 4º arrondissement, centro, porém, nem entramos porque já estava fechada mas ela é muito linda. Não ficamos lá por muito tempo e pegamos o metrô novamente.
 clarabarcelar_: Minutos antes de encontrar o tão procurando Nemo hahahahaha #turistando  instagram.com/p/imxDKemmGP 
Voltamos pro hotel antes de nos despedirmos, troquei números com a Marie, eles foram embora e nós subimos.
Neymar - Pega um pijaminha na sua mala pra trocar logo de roupa, filha - ela assentiu e obedientemente foi fazer o que ele pediu - Vamos sair com algum guia amanhã?
Clara - Melhor né?
Neymar - E como está o nosso roteiro?
Clara - Bom... movimentadíssimo - rimos - Amanhã vamos aos parques, tem aquele almoço... - não entrei muito em detalhes por ser uma pequena surpresa pra Dudoca mas ele entendeu porque sorriu - E a noite tem o show da Jessie. Na quarta vamos conhecer os lugares que eu mais quero, mas você não precisa saber quais são ainda - ia falar algo mas nem deixei - Não é só você que pode fazer mistério, baby - gargalhou -
Neymar - E na quinta? - perguntou com uma pontinha de expectativa -
Clara - Quais são os seus planos? - me olhou surpreso - Te conheço - sorriu -
Neymar - Um amistoso de fim de ano
Clara - Sério? Aqui também tem isso? - gargalhou - Onde?
Neymar - No estádio do PSG. O dinheiro arrecadado vai ser para financiar um orfanato em Brazzaville, se não me engano. O Lucas vai jogar
Clara - Ok, é por uma boa causa... está incluído no nosso roteiro - sorriu novamente e digamos que me agradeceu com um beijo rápido -
Neymar - Mas tem outra coisinha, amor...
Clara - O que?
Neymar - Final da copa da França de basquete - falou empolgadíssimo -
Clara - Eu não tenho paciência para assistir pela TV, será que consigo ao vivo?
Neymar - Ao vivo não é tão entediante quanto parece
Clara - Isso tudo tem o dedinho do Lucas, não tem? Vou ter que conversar seriamente com ele - falei tentando parecer séria e o pior, ele acreditou - Amor, eu estou brincando - gargalhei - Nós viemos aqui para nos divertir, e se você vai me acompanhar no show da Jessie porque eu não posso te acompanhar em um... jogo de basquete? - sentei no sofá -
Neymar - Obrigado - olhei-o enquanto sentava ao meu lado -
Clara - Eu prefiro a forma como me ''agradeceu'' - gesticulei as aspas - Por irmos ao jogo beneficente também... - sorriu traquinamente com os olhos cintilando. Bastou uma simples puxada na minha cintura para ficarmos mais juntinhos e a sua boca procurou avidamente pela minha num beijo apaixonado, delicioso, que correspondi da mesma maneira, colocando uma das minhas mãos no seu rosto mas nos mantemos bem... comportados e ainda bem porque assim que demos fim ao beijo percebemos que... tinha mais alguém na sala -
Eduarda - Eu não vi nada - falou assim que olhamos pra ela, com as mãozinhas no rosto, mas deixando um pequeno espaço entre elas para poder nos ver -
Neymar - Não? - perguntou segurando o riso. Porque ele estava achando graça? Se eu pudesse ter uma escavadeira pra fazer um buraco enorme no chão daquela sala, e me enfiar lá dentro, eu faria -
Eduarda - Não
Neymar - Mas porque não disse que estava aí?
Eduarda - Eu cheguei e vocês pararam - encolheu os ombros naturalmente - E ainda é nojento - fez a mesma carinha de quando disse isso pela primeira vez, só que (mesmo fazendo carinha de nojo) mais linda ainda -
Neymar - Eu também continuo achando a mesma coisa, minha filha. É a sua mãe que vive me beijando - ela riu e ele nem se atreveu a olhar pra mim mas também estava segurando a vontade de rir. Como teve coragem? Bater mentalmente, pode não pode? -
Eduarda - Mas você gosta, pai, porque fica sempre sorrindo depois - gargalhei fortemente. Sim, ela o deixou sem resposta e essa foi a melhor maneira dele me pagar pelo que falou -
Clara - Acho que vou me trocar também - levantei e ele enfim me olhou com a sombra de um sorriso querendo sair. Passei pela Duda, e gesticulei apenas com os lábios - Você gosta - ele bem tentou segurar o riso mas não conseguiu, entrei no quarto e deixei-os na sala. Peguei meu pijama, troquei de roupa ali mesmo, escovei os dentes e depois de alguns minutos eles entraram também; ela nas costas dele rindo perdidamente. Liguei a TV, eles se jogaram na cama, fiz zapping e achei um canal onde estava passando Free Willy. Assistimos de onde estava até o final, sem nenhum sinal de sono. Tanto que ele ainda entrou no twitter, surpreendeu respondendo alguns fã clubes e eu respondi minhas mensagens no whatsapp. A Manu me mandou uma montagem hilária, dizendo que o Luck já estava com saudades e nós três gargalhamos.
 clarabarcelar_: Se eu tenho vocês, tenho tudo   
Acho que estávamos todos cansados, só. Por isso não sei exatamente que horas pegamos no sono.



Read: http://nossoamorehtaolindo.blogspot.com.br/ 
Músicas: Broken Strings - James Morrison ft. Nelly Furtado/ I Won't Give Up - Jason Mraz/ Far Away - Nickelback.

Oláaaaa 2014!!
 (In)felizmente tive que dar uma boa adiantada na história para não ficar muito atrasada e digamos que, por causa dos meus planos também. Mas tentei detalhar todos os fatos importantes na medida do possível. Espero que não tenha decepcionado vocês. 
E em relação as faixas do CD que a Clara presenteou o Júnior, e agora está novamente com ela... confesso que não tive muito tempo pra pensar em todas, principalmente porque elas não podiam ser muito atuais, mas tive uma ajudinha extra e aqui está. 
Beijos!