quinta-feira, 24 de abril de 2014

Capítulo 48 - “Eu quero que vocês fiquem juntos para sempre...”

Dedicado à Mah #voltalogo ️ 
 Acordei sozinha e ao meu lado estava apenas um travesseiro frio, sinal de que o Júnior já tinha levantado a bastante tempo. Será que dormi demais? Achei meu celular perdido entre os lençóis e constatei as horas: 10h30. Nem dormi tanto assim, levando em conta o quanto estava cansada e a hora que peguei no sono. Aproveitei que já estava com o celular nas mãos e respondi algumas mensagens no whatsapp, incluindo do Diego, da madrinha, da Gio e a mais recente era da Jéssica.
    Turistaaaaa!!
Salut, mon amour
    Não era pra levar ao pé da letra
    Traduza, por favor
Oi, meu amor  
    Agora sim
Ahahahaha saudades de você, louca
    Também estou!   
    Quero te ver e te entregar o presente da Dudoca
E o meu?
    Depois a gente conversa
Cortei relações  
    Que tal a minha inestimável companhia hoje?
Inestimável? Talvez
    Onde fica a consideração??
Te amo  
E só por isso aceito seu presente
    Salão depois do almoço?? Passo pra te pegar
Fechadíssimo!
    Fala com a Manu
Você e a Emanuelle... falo nada!  
    Own, que linda. Ciúmes, baby?
Você acha? Não sei o que é isso
Vou falar com a Rafa também
    Você e a Rafaela... falo nada!  
    Nem sei ser ciumenta, mas chama ela sim  
Me avisa quando estiver vindo
    Ok  
Tomei coragem pra levantar, e assim que coloquei os pés no chão fiquei em choque com o que vi perto do meu guarda-roupa. Abri e fechei os olhos mas as coisas continuavam ali. Eu não estava sonhando? Comecei a rir sem saber o que fazer. Um ursinho de pelúcia tamanho médio e uma cesta de rosas em formato de coração no meu quarto em plena véspera de natal? Levantei e fui até eles.
Clara - Oh, meu Deus! - continuava rindo, mas não por achar engraçado e sim por ainda estar sem palavras. Não estava esperando. Como ele consegue me surpreender com ações tão simples? É por isso que eu amo simplicidade, coisas bobas e clichês. Ele sabe usar isso a seu favor. Comecei a procurar por algum papelzinho e encontrei-o entre os dois corações do ursinho.
 “Não tem preço sonhar com você, acordar e ao abrir os olhos lembrar que você está do meu lado. Não tem preço dormir de mal jeito, acordar com dor e de quinze em quinze minutos olhar pra ver se eu não estou roubando seu lençol. Não tem preço fechar os olhos e sentir o ar quente da sua respiração no meu rosto, ou virar pro outro lado e ser envolvido pelos seus braços. Não tem preço tentar dormir e acordar com você rindo por algum motivo que só Deus deve saber, ficar brincando de ordenar o inspira e o expira só pra lembrar que até na hora de respirar somos iguais. Não tem preço ter você ao meu lado deitada, de pé, sentada, nas noites frias, quentes, alegres ou tristes. Não tem preço ter você. Obrigado por existir.”
Clara - Oh, meu Deus! - repeti a única coisa que conseguia falar. Sentei no chão com um sorriso quase partindo meu rosto ao meio, peguei o ursinho e abracei-o, sentindo o cheiro maravilhoso dele impregnado ali. Quando acho que o que sinto já é algo imensurável, ele me mostra que não e faz com que me apaixone mais. Acho que perdi um pouco a noção do tempo abraçada com o urso, segurando o papelzinho e sentindo a fragrância agradável das rosas. Quando enfim levantei, arrumei a cama, coloquei o mais novo integrante da minha coleção em cima dela, separei um roupa e entrei no banheiro. Me despi, tomei um banho friozinho e me peguei sorrindo para o chuveiro. Saí do box, enxuguei-me, passei hidratante no corpo, me enrolei na toalha, voltei pro quarto e me vesti. Meu bom humor estava em um nível tão alto que penteei o cabelo cantando e dançando loucamente, principalmente porque as músicas refletiam bem meu estado de espiríto. 
 clarabarcelar_: ‘Cause after all this time I'm still into you   
Me perfumei, peguei minha cesta linda, o celular e saí do quarto.
Clara - Bom dia - entrei na cozinha, onde a Manu estava sozinha - Uau! - falei ao ver uma outra cesta... de doces -
Manu - Bom dia - respondeu ainda sem tirar os olhos da louça que estava lavando, riu da minha exclamação, terminou e olhou pra mim - Uau! - repetiu minhas palavras assim que seu olhar curioso encontrou a minha cesta em cima do balcão e nós rimos - Que lindas!
Clara - Também achei - sorri -
Manu - Metida - rimos -
Clara - A sua também é
Manu - Eu sei - rimos - Porém...
Clara - O que? - revirei os olhos -
Manu - Porque o Gilmar não me mandou flores no lugar de doces? Quer dizer, acabo de entrar na academia e é esse o incentivo que recebo do meu namorado
Clara - Isso só prova que ele te ama muito
Manu - Ah, é? Me ilumine
Clara - É. Prova que ele te ama sim, e vai te amar de qualquer jeito, se é que me entende - rimos -
Manu - Até que é uma justificativa válida - rimos - Ai, ok... preciso admitir que amei. Principalmente porque não estava esperando - sorriu completamente apaixonada -
Clara - Gosto de te ver feliz - seu sorriso ampliou ainda mais -
Manu - Digo o mesmo - sorri também -
Clara - Mas o que será que deu nesses homens para nos surpreender desse jeito hoje?
Manu - Sinceramente? Não sei. Mas podia ser assim sempre, eu não me importaria
Clara - Assino embaixo. Mesmo assim nós não podemos reclamar da vida
Manu - Não mesmo. Me acabarei - olhou pra cesta, eu ri e peguei a minha pra levar pra sala -
Clara - Não esquece de deixar jujubas pra Dudoca, você sabe que ela ama - falei um pouco mais alto e ela riu. Coloquei minha linda cesta em um lugar bem visível sobre um dos móveis e voltei pra cozinha - Onde estão meus amores?
Manu - Júnior desceu com a Dudoca e o Luck pro parque
Clara - Do prédio mesmo? - abri a geladeira e peguei uma jarra de suco -
Manu - Sim. Não vai tomar café?
Clara - Não, daqui a pouco já é hora do almoço - despejei um pouco no meu copo - E falando nisso, salão depois com a Jéssica?
Manu - Claro - sentei em um dos bancos, peguei o celular, liguei pra Rafa e ela também aceitou na hora. Liguei pra minha mãe também, mas ela deu a mesma resposta que a tia Ná: já tinham hora marcada para depois que terminassem os preparativos para noite. Mães... ri sozinha pensando que um dia também vou ser assim - E os planos pra noite? Continuam os mesmos?
Clara - Quase. Vamos jantar na casa dos meus pais, depois vamos pra casa da tia
Manu - Também vou jantar na casa da minha sogrinha - rimos - E depois vamos pra lá
Clara - E seus pais?
Manu - Disseram que vão chegar de surpresa, e antes do Réveillon. Assim espero - tomei meu suco enquanto conversávamos sobre os planos para o dia seguinte também, até ouvirmos a porta denunciar a chegada de alguém. Fomos pra sala e eram meus três amores, (três amores diferentes, porém, três amores). Não sei o que deu em mim mas na hora que meu olhar cruzou com o dele, a primeira coisa que passou pela minha cabeça foi que eu queria mais do que nunca me jogar nos seus braços. E foi o que eu fiz. Ele ficou tão surpreso com meu abraço repentino que riu, e mais surpreso ficou quando eu tomei a iniciativa de beijá-lo ali mesmo. No momento só queria ter certeza de que ele era meu e que eu não ia acordar de um sonho perfeito a qualquer hora. Ele sorriu, sabendo que eu só estava tentando agradecer a surpresa maravilhosa que tive ao acordar, mas correspondeu totalmente, sem nenhuma cerimônia. Encerramos com dois selinhos prolongados e sorrimos, só que lembrei que muito provavelmente a Duda ainda estava atrás de mim e devo ter corado um pouco porque ele riu e me abraçou novamente -
Clara - Obrigada por ser a melhor pessoa desse mundo - sussurrei - E me desculpa por não te dizer todas as vezes que você merece mas eu te amo muito
Neymar - Você demonstra mais do que fala e essa é uma das coisas que eu amo em você, então não se desculpe e não mude - respondeu no mesmo tom. Nos olhamos, e ele beijou as duas lágrimas que rolaram sem a minha permissão. Sorri e saímos do nosso mundinho particular. Olhei pra trás e a Manu estava com a Dudoca no colo, tentando tapar os olhos dela, mas sem sucesso e ambas estavam rindo -
Eduarda - Não precisa dizer nada, mãe. A tia Manu já me explicou tudo - falou muito senhora de si e foi impossível não rirmos -
Clara - E o que foi que a tia Manu te disse?
Eduarda - Que vocês estão felizes, só isso - Emanuelle não me colocou em uma saia justa, obrigada Deus - Mas eu já sabia
Clara - Ah, já?
Eduarda - Sim. Eu sempre sei quando vocês estão felizes e não estão - falou naturalmente e ficamos com sorrisos do tamanho do mundo depois dessa resposta. Como não se orgulhar dessa criança que já diz conhecer até o humor dos seus pais? Muito amor envolvido!  Ficamos ali na sala mesmo, ela foi no quarto rapidinho, voltou com livros para colorir e sentamos no tapete, sempre com o Luck querendo pintar também, mas do jeito dele, ou seja, bagunçando.
 mannubarros: Não basta ser pai, tem que participar @neymarj instagram.com/p/k7iMGPGmFu/
Depois de muita pintura, fui pra cozinha ficar na companhia do fogão e das panelas. Não fiz nada muito elaborado, até mesmo por causa da hora, então preparei um espaguete na manteiga, saladinha e para sobremesa me inspirei na minha avó: pudim de damasco. Eu não gostava nem do nome até experimentar o dela. Almoçamos num clima descontraído e de zoação que acontece sempre que a Manu e o Júnior estão juntos, depois ele se ofereceu para lavar a louça e ela foi se arrumar.
Clara - Vai ficar aqui mesmo?
Neymar - Sim, vocês vão sair?
Clara - Salão! A Rafa também vai
Neymar - Ah, já entendi. E só voltam na hora da ceia, certo?
Clara - Engraçadinho - riu - Estou pensando em cortar meu cabelo, o que acha?
Neymar - Acho que você fica linda de qualquer jeito
Clara - Você nunca me viu de cabelo curto
Neymar - Mas é um fato - encolheu os ombros e eu gargalhei -
Clara - Ok, agora a verdade - olhou pra mim -
Neymar - Eu gosto do seu cabelo assim mas como você disse, nunca te vi com ele mais curto - sorri -
Clara - Não sei se tenho coragem de cortar também - rimos - Lá eu decido. Mas mudando de assunto, não preciso dizer que a casa é sua, preciso? Já conhece todos os cômodos, coloca os pés no sofá, lava a louça, enfim... - gargalhou -
Neymar - É sempre bom ouvir de novo
Clara - Se eu falo tu se muda de vez pra cá
Neymar - Não seria uma má ideia... - não consegui distingui se falou sério ou brincando, mas meu celular vibrou no balcão e não tive tempo de perguntar. Era uma mensagem da Jéssica avisando que já estava a caminho, aproveitei para mandar uma pra Rafa também, pra ela já ficar pronta. E como se fosse de propósito porque a conversa não tinha que acontecer naquele momento, o celular dele começou a tocar. Vi que era o tio Neymar porque estava ao lado do meu, mas ele atendeu na minha frente, mesmo que eu não tenha prestado atenção em nada. A Manu voltou pronta, e decidimos descer para ficar esperando na portaria - Boa sorte lá com as tesouras - falou quando me aproximei para me despedir e eu ri -
Clara - Obrigada - beijei-o - Juízo - sussurrei pertinho da sua boca -
Neymar - Vocês também - rimos -
Manu - Chega de mel vocês dois - ele roubou mais um selinho e eu me afastei - Obrigada - rimos. Nos despedimos da minha pequena também, que estava assistindo, e descemos. Nem precisamos ficar de papo com o porteiro por muito tempo porque em dez minutos a Jéssica chegou e doida do jeito que é, igualzinha a mãe, fez questão de sair do carro para nos abraçar e só depois entramos e fomos pegar a Rafa. O trânsito estava a mesma coisa de sempre mas por não ser assim tão longe nem demoramos. Quando chegamos em frente ao prédio, liguei pra ela e em cinco minutos já estávamos as quatro no carro, tentando entrar em um acordo em relação ao que íamos ouvir. Mas não entramos em um consenso então deixamos a playlist tocar aleatoriamente. 
 rafaellabeckran: Por que amizade é o nosso nome e loucura é o nosso apelido... 
Chegamos ao salão escolhido pela Jéssica e para nossa boa surpresa, ela tinha marcado hora para todas nós, não tivemos que esperar muito e o movimento estava grande. Fizemos ao todo: esfoliação, hidratação facial, depilação, e sobrancelhas. Depois de tudo isso fomos para as mãos dos cabeleireiros. Removi a pouca tinta do meu cabelo, voltei a deixá-lo na sua cor natural, e como já previa não tive coragem de cortar, apenas aparei as pontinhas duplas e hidratei-o. Nas unhas, optei por um renda básico nos pés e nas mãos inovei e adorei. 
 clarabarcelar_: Uma pequena homenagem porque eu amo vocês  @mannubarros @rafaellabeckran @jeevelasco
Claro que quando saímos do salão, visitamos algumas lojas, lanchamos e só depois voltamos para o carro. Deixamos a Rafa em casa e seguimos para o meu prédio. Quando chegamos, ela estacionou no meio fio mesmo, sem que atrapalhasse a passagem de outros veículos e saiu junto com a gente. Abriu o porta-malas, pegou uma caixa de presente e me entregou.
Clara - Não quer subir? Você mesma entrega pra ela
Jéssica - Não, minha mãe está me esperando pra eu ficar em casa aguardando a chegada dos meus queridos titios - riu - Ela quer dar uma passadinha no salão também, e você conhece sua madrinha - rimos -
Clara - Conheço mesmo por isso te aconselho a ir logo - nos abraçamos e ela se despediu da Manu também -
Jéssica - Depois da meia noite a gente se fala de novo - piscou. Entrou no carro novamente, acenamos e ela foi embora. Fui conhecer a academia com a Manu, depois subimos e o Júnior e a Dudoca estavam na sala, assistindo Monstros S.A. e comendo pipoca de microondas. Até eu já devo saber algumas falas desse filme de tanto que ela gosta -
Manu - Chegamos na hora certa, vou só lavar as mãos - eu ri. Manu quando quer é igual a uma criança -
Eduarda - Presente!! De quem é?
Clara - É seu - abriu um sorriso gigante -
Eduarda - Quem me deu?
Clara - A Jéssica. Depois a gente liga pra ela pra você agradecer, ok? - assentiu enquanto me guiava com os olhos até a árvore de Natal, onde deixei a caixa junto com os outros presentes. A Manu voltou, se acomodou em uma das poltronas com uma tigelinha de pipoca, e eu fui lavar as minhas mãos também -
Neymar - Cortou! - falou só pra mim assim que sentei ao seu lado, olhando para o meu cabelo -
Clara - Só as chatas pontinhas duplas
Neymar - Mas cortou. E eu gosto dessa cor... me traz boas lembranças - sorri, sabendo que quando nos conhecemos meu cabelo ainda era virgem. E agora ele está da mesma cor -
Clara - Eu também gosto, pelos mesmos motivos
Neymar - Você de maria chiquinha quando esbarrou em mim no CT, por exemplo...
Clara - Eu estava de maria chiquinha? - perguntei chocada, ainda assim baixo já que estávamos conversando quase em sussurros, mas respondi antes dele - Sim, eu estava - quis rir lembrando da minha imagem com maria chiquinha naquela época - Nossa... melhor focar no filme depois dessa - rimos, mas nenhuma das duas estavam prestando atenção em nós. Encostei a cabeça no seu ombro e assim fiquei até o filme terminar, lá pelas 19h. A Manu e o Júnior já estavam conversando sobre os empreendimentos dos meninos, e aproveitei pra ir com a Dudoca pro quarto porque pretendia lavar seu cabelo e por conta do horário secar logo também -
Eduarda - Mãe, o Papai Noel não existe mesmo? - perguntou enquanto ainda desfazia umas trancinhas do seu cabelo e apesar de já ter ouvido essa pergunta antes, no Natal passado, dessa vez pensei um pouco mais antes de responder -
Clara - Não, não existe
Eduarda - Sério? - notei uma pontinha de desânimo na sua voz - Mas a gente tirou foto com ele
Clara - Sim, eu sei. Também tiramos fotos com as princesas, lembra? - assentiu sorrindo - E ele é como as princesas que você gosta, ou as fadas e as bruxas dos seus filmes prediletos ou até mesmo com os animais que falam no Discovery Kids
Eduarda - Como assim? - virou pra mim -
Clara - Tudo isso que falei não existe, certo? - assentiu depois de ter pensado um pouco - Mas você assiste e gosta, não gosta?
Eduarda - Gosto!
Clara - Então, é isso. As princesas, as fadas, as bruxas, os animais que falam e o Papai Noel são apenas figuras que moram na sua cabecinha. Nenhum deles tem relação com a nossa realidade, mas faz parte da nossa fantasia quando ainda somos crianças. Eu acreditei no Papai Noel também
Eduarda - Acreditou? - riu -
Clara - Claro. E durante muito tempo... até descobrir que era o vovô Murilo quem colocava os presentes embaixo da árvore - rimos -
Eduarda - E você ficou triste?
Clara - Não, porque quando descobri que era ele, também descobri que o verdadeiro objetivo de quem quer ser um Papai Noel é fazer a alegria das pessoas ao redor e qualquer pessoa pode fazer isso, não só no Natal mas em todos os outros dias, entende?
Eduarda - Acho que... mais ou menos
Clara - Você ainda pode acreditar nele, meu amor, basta não ficar esperando que ele apareça todo de vermelho, de barba branca e com um trenó puxado por renas - riu - Porque ele pode ser eu, ou o seu pai, os seus avós, as suas tias... isso porque eu tenho certeza que todas essas pessoas querem te ver sempre muito feliz, e se esse é o papel do Papai Noel todos nós podemos ser um...
Eduarda - Eu também quero ser, posso? - eu ri -
Clara - Claro que pode. A gente não precisa necessariamente estar com aquela roupinha vermelha para presentear ou fazer alguém feliz, nem precisamos esperar o Natal pra fazer coisas boas - olhava pra mim atentamente e eu sorri - Podemos te chamar de Dudoca Noel, gosta?
Eduarda - Sim! - gargalhou -
Clara - Ótimo
Eduarda - Mesmo assim a gente sempre pode visitar ele no shopping, não pode?
Clara - Podemos. Ele adora visitinhas - rimos - Agora vamos pro banheiro - levantamos, peguei a caixinha com seus acessórios de cabelo e alguém entrou no quarto -
Neymar - Posso ajudar, moças?
Clara - Quer ajudar?
Neymar - Sim - respondeu um pouco hesitante -
Clara - Então pode, minhas unhas agradecem - eu ri e suponho que ele não tenha entendido - Estava indo lavar o cabelo da Duda. Quer fazer isso?
Neymar - Não sei... se consigo
Clara - Claro que consegue, não é um bicho de sete cabeças. Eu ajudo
Neymar - Tudo bem - sorri - Pronta pra isso, minha filha? - a pergunta soou como ''Vamos para guerra?" e eu tive que rir -
Eduarda - Sim, eu também ajudo, vamos - pegou uma das mãos dele e puxou-o para o banheiro, claramente achando graça da situação. Entrei também mas a única coisa que fiz foi dar instruções e ele conseguiu fazer um bom trabalho, superando todas as suas próprias expectativas, depois ainda secou o cabelo dela também e só deixou o quarto após o banho pra eu poder arrumá-la e pra poder ir fazer o mesmo também. Peguei a sua roupa: um vestidinho vermelho aparentemente bem simples, com um cinto mais fino dourado e uma sapatilha pampili também vermelha com uns pequenos detalhes dourados. Vesti-a e ela ficou linda, uma princesinha. Penteei seu cabelo em uma trança embutida em formato de coração (treinei pra conseguir fazê-la), usei um pouquinho da sua própria maquiagem e perfumei-a. Ela se olhou no espelho e deu uma voltinha -
Clara - Está linda, boneca!
Eduarda - Eu sei - olhou pra mim e sorriu genuinamente -
Clara - Incrível essa modéstia que você herdou do seu pai - ironizei como um desabafo e mesmo assim ela riu - Vou me arrumar, vai ficar aqui?
Eduarda - Sim - sentou na poltrona da área da bagunça - Quietinha -
Clara - Ok - guardei tudo que tirei do lugar no quarto, e fui para o meu. O Júnior também já estava pronto, de calça saruel vermelha e camisa preta. Depois de tanto tempo de convivência ainda me pego parada apenas admirando-o, mas ele percebeu e sorriu erguendo uma das sobrancelhas. Desviei o olhar imediatamente -
Clara - Fica aqui pra me ajudar a fechar o vestido?
Neymar - Com prazer - sabia que estava apenas provocando e queria no mínimo nos atrasar, por isso nem respondi. Passei por ele, peguei minha lingerie e entrei no banheiro. Coloquei uma touca plástica no cabelo, me despi, e tomei um banho relaxante, bem mais demorado do que queria porque perdi a noção do tempo pensando em algumas coisas. Principalmente em como o meu ano começou e como ele está terminando. Saí do box, me enxuguei, vesti minhas peças íntimas, passei hidratante no corpo, tirei a touca e voltei pro quarto. O Júnior estava sentado na minha cadeira giratória e foi me guiando com os olhos até a cama, onde peguei o meu vestido. Comecei a vesti-lo e apenas a parte de trás ficou aberta. Fiquei de costas para lhe dar acesso ao zíper, percebi que ele levantou imediatamente e logo senti as suas mãos na minha pele, acariciando ritmicamente toda a parte ainda descoberta pelo vestido, da tatuagem para baixo. Quando conseguiu o que queria, me ver claramente arrepiada, fechou o zíper, beijou minha nuca e voltou a sentar. Virei para encará-lo e ele estava me olhando com um ar de quem não tinha feito nada - Gostei do vestido
Clara - Percebi. Obrigada pela ajuda
Neymar - Disponha sempre - respondeu salientando as palavras e deu o seu sorriso maravilhoso, aquele que você não sabe ver sem retribuir. Sentei na pontinha da cama, peguei meu salto meia-pata nude, calcei-o, e apesar da ocasião pedir uma maquiagem mais caprichada, fiz apenas o essencial. Passei apenas a escova no meu cabelo, que, diga-se de passagem, estava realmente lindo, penteei-o para o lado esquerdo, coloquei meu relógio, o restante dos meus acessórios e por fim, me perfumei - Não sei por que ainda consigo me surpreender com você - levantou me avaliando da cabeça aos pés -
Clara - Surpreendo você? Bom saber, só espero que seja de uma maneira positiva - ri -
Neymar - Da melhor maneira que existe - pegou a minha mão e nos deixou juntinhos pra me dar um selinho, que eu transformei em um beijo mais demorado e brando. Finalizamos com outros beijos repinicadinhos, e enquanto limpava o meu batom de seus lábios, ele me olhava de um jeito que eu já conhecia muito bem -
Clara - Não se atreva a falar nada porque a maquiagem já me deixa corada o suficiente - gargalhou por saber que eu estava certa. Ele ia me elogiar e como sempre, eu não ia saber como reagir -
Neymar - Muito boba mesmo - me deu outro selinho -
Clara - Pois, sou - mostrei a língua - Agora deixa eu me retocar pra gente sair - se afastou ligeiramente e fui até a minha mesinha -
Neymar - E como a gente faz com os presentes que estão aqui?
Clara - Pensei em levar todos pra lá, até porque tem os presentes deles, e não vamos voltar aqui pra depois ir pra casa da tia, não é? O que acha?
Neymar - Acho melhor assim também, pelo menos abrimos na hora certa
Clara - E o da Duda? Tu não vai mesmo me dizer o que é?
Neymar - Relaxa. Assim que chegarmos na casa da minha mãe você vai saber
Clara - Isso é uma injustiça porque você me ajudou até a escolher o meu presente pra ela
Neymar - Não vejo como uma injustiça, apenas uma... surpresa. E não é nada demais, ela apenas falou uma vez, distraidamente, que queria algo e lembrei disso
Clara - Tá bom, desisto, chato - olhei-o pelo espelho e ele soltou um beijo. Fingir não ter dado importância, retoquei meu batom, peguei meu celular e antes de sairmos do meu quarto, acendi a pequena decoração que fiz ao redor do meu mural de fotos. Entramos no quarto da Dudoca e ela estava desenhado ou pintando algo, que tentou esconder de nós -
Neymar - Vamos?
Eduarda - Posso terminar o presente primeiro? É rapidinho
Clara - Presente?
Eduarda - É, mas fiquem de costas
Clara - Duda...
Eduarda - Por favor! É rápido - pedinchou, nós dois nos entreolhamos e viramos de costas, ainda sem entender o motivo. Ouvimos o rabiscar do lápis por mais uns segundos, depois ela parecia estar dobrando folhas - Pronto, podem olhar - viramos e ela estava com dois papéis dobradinhos em quatro partes esticados nas nossas direções - Meus presentes para vocês - acho que ficamos um pouco sem reação mas não demonstramos -
Neymar - Tem certeza que quer que a gente abra agora?
Eduarda - Sim. Sou a Dudoca Noel e não tenho hora pra dar presentes - ele gargalhou, apesar de achar que não entendeu o motivo de ''Dudoca Noel'' e até ela que tentou falar sério, riu. Já eu fiquei sem reação por ver que ela tinha entendido o que tentei explicar da melhor maneira - Podem abrir - pegamos os papéis e abrimos em simultâneo. Meu primeiro desenho era nós duas brincando de bonecas com o Luck entre nós, como quase sempre acontece, e o segundo, logo abaixo, eu, ela, e o Júnior próximos ao que parecia ser uma árvore de Natal, de mãos dadas, sorrindo, felizes, mas...  parecíamos mais velhos, muito mais velhos. Não sei por que, nem o que me deu essa impressão... talvez as cores diferentes e clarinhas que usou para pintar o que seria os nossos cabelos. Mas de qualquer forma, lembrei do primeiro desenho que ela fez de nós três e sorri com uma vontade enorme de chorar. Olhei para o desenho do Júnior, e o primeiro parecia ser o CT, e eles dois estavam jogando bola. Mas o que me chamou atenção é que o segundo desenho dele era igualzinho ao meu segundo desenho também (ok, não idêntico porque não era uma cópia, mas era claro que a sua intenção era fazer com que ficassem iguais) - Eu quero que vocês fiquem juntos para sempre, igual meus desenhos - explicou -
Clara - Esses somos nós... velhinhos? - minha voz falhou por vontade própria -
Eduarda - Sim! - sorriu - Estão bonitos? - riu -
Neymar - Estamos lindos - respondeu por nós dois percebendo a minha falta de palavras, olhou para o desenho depois pra ela novamente - Vem cá - agachou e segurando a minha mão, me puxou para baixo também -
Eduarda - Porque está chorando, mãe? Vocês não gostaram? - perguntou ao se aproximar de nós com a voz alarmada, ficamos quase da mesma altura -
Neymar - Nós amamos, meu amor. Mas a sua mãe está chorando porque você é o nosso melhor presente - olhei pra ele ainda mais emocionada, depois pra ela e confirmei com um aceno que o que ele disse era a mais pura das verdades - E porque é uma manteiga derretida também - rimos. Então ela nos abraçou, tão forte quanto pôde, com seus bracinhos ao redor de nós dois. Depois demos um beijo em cada lado da sua bochecha ao mesmo tempo e ela riu -
Clara - Obrigada pelo presente, Dudoca Noel - pisquei pra ela, que riu e piscou de volta. Fui guardar nossos presentes no meu quarto, retoquei a maquiagem novamente e fui direto para sala onde eles já estavam, e a Manu também, linda em um vestidinho amarelo. Ela nunca foi de usar vermelho no Natal e branco no Réveillon -
Manu - Trocamos nossos presentes na casa da tia Ná? - perguntou enquanto pegava alguns embaixo da árvore - 
Clara - Sim, é melhor
Manu - Então estou indo porque meu amor já está lá embaixo me esperando - deu um beijo no rosto de cada um de nós, fez um carinho no Luck, e pegou as suas sacolas. Resumidamente, íamos sair deixando a árvore vazia porque íamos levar todos os presentes - Até mais tarde - mandou beijos no ar e saiu. Pegamos nossas sacolas também, fui ver se o Luck estaria bem abastecido pelo resto da noite, apesar de ter certeza que ele ia ficar dormindo a maior parte do tempo, nos despedimos dele e descemos para garagem. Coloquei as sacolas com os presentes das pessoas que só ia ver na casa da tia Ná, no porta-malas e o restante nos bancos traseiros mesmo, isso enquanto o Júnior colocava a Dudoca na cadeirinha. Depois entramos também e ele deu partida.
 clarabarcelar_: "A beleza de ser criança é enxergar o Natal tal como ele é, um momento de fé e esperanças onde a simples ilusão de esperar o Papai Noel, de encontrar o presente debaixo da árvore, de beijar o Menino Jesus no presépio, de festejar a presença dos amigos, primos e avós no jantar de Natal reflete tudo aquilo que mais desejamos. Deixemos as crianças viverem o Natal através de seus lindos olhos e que possamos ver refletidos neles a criança que um dia fomos e trazê-la de volta nem que seja por um momento para vivermos o verdadeiro espírito natalino."  
Quando chegamos ao prédio, nossa entrada já estava liberada, então só estacionamos e subimos. Toquei a campainha e quem atendeu foi o meu pai, com sua indumentária impecável, com certeza escolhida pela minha mãe. Não que ele não saiba se vestir, claro que não, mas a combinação tinha a assinatura dela. Nos cumprimentamos, ele chegou a carregar a neta, tal era a saudade, e nós entramos. Quando ela viu os bisos na sala foi correndo abraçá-los também, na maior alegria, o que me deixou feliz porque amo a relação deles, e estranhei não por não ter mais ninguém ali, esperava que minha mãe ou meu pai convidassem amigos ou sei lá... mas não posso negar o fato de que gostei de saber que ia ser algo só nosso. Enquanto eles matavam as saudades da (bis)neta, deixamos os presentes na árvore e fomos falar com Dona Débora, que estava na sala de jantar apenas terminando de colocar os enfeites no seu tradicional bolo. E a mesa estava, como sempre, linda, assim como ela com seu adorável vestido verde musgo; é quase tradição pra ela usar verde no Natal porque na sua concepção é a cor da vida. Quando voltamos para a sala juntos, minha mãe também teve o seu momento de abraçar e apertar a Dudoca e eu de abraçar e apertar meus avós lindos. Eles pareciam estar... menos estranhos do que no dia anterior. Pelo menos estavam rindo mais, conversando mais e até fazendo brincadeiras, em que eu e o Júnior éramos os alvos principais sempre, mas isso era bom, afinal eles tinham acabado de se conhecer e já agiam como se fossem íntimos a muito mais tempo. Eu tinha certeza que eles iam gostar do meu amor e vice versa porque praticamente já se conheciam, só faltava mesmo ficar cara a cara e pra que ocasião melhor do que o Natal? Vê-los tratando o Júnior praticamente como um neto também fazia de mim a pessoa mais feliz do mundo. 
 clarabarcelar_: “Minha concepção do Natal, seja ele à moda antiga ou mais moderno, é algo bastante simples: amar uns aos outros. Mas, pense comigo, por que nós temos que esperar pelo Natal para agir assim?” - Bob Hope #merrychristmas  
A música baixinha de fundo findou e minha mãe tomou a palavra.
Débora - Eu tenho aqui comigo um pequeno texto da espetacular aforista, escritora, jornalista e poetisa, Martha Medeiros - olhou para mim e sorriu, sabendo que também adoro o trabalho e as palavras sempre sábias da Martha - Separei esse texto pois achei que seria muito apropriado para a ocasião mas homens, por favor... não se ofendam - eu ri porque depois dela ter falo isso só podia ser um texto, e eu sabia qual - Lá vai... - abriu o papel e começou - Sabem por que Papai Noel não existe? Porque é homem - eles se manifestaram imediatamente e nós rimos - Dá para acreditar que um homem vai se preocupar em escolher o presente de cada pessoa da família, ele que nem compra as próprias meias? Que vai carregar nas costas um saco pesadíssimo, ele que reclama até para colocar o lixo no corredor? Que toparia usar vermelho dos pés à cabeça, ele que só abandonou o marrom depois que conheceu o azul-marinho? Que andaria num trenó puxado por renas, sem ar-condicionado, direção hidráulica e air-bag? Que pagaria o mico de descer por uma chaminé para receber em troca o sorriso das criancinhas? Ele não faria isso nem pelo sorriso da Luana Piovani! - pausou para tomar um fôlego - Mamãe Noel, sim, existe - falou com orgulho - Quem é a melhor amiga do Melocoton, quem sabe a diferença entre a Mulan e a Esmeralda, quem conhece o nome de todas as Chiquititas, quem merecia ser sócia-majoritária da Superfestas? Não é o bom velhinho - sorri me identificando com tudo que disse - Quem coloca guirlandas nas portas, velas perfumadas nos castiçais, arranjos e flores vermelhas pela casa? Quem monta a árvore de Natal, harmonizando bolas, anjos, fitas e luzinhas, e deixando tudo combinando com o sofá e os tapetes? E quem desmonta essa parafernália toda no dia 6 de janeiro? Papai Noel ainda está de ressaca no Dia de Reis - rimos - Quem enche a geladeira de cerveja, coca-cola e champanhe? Quem providencia o peru, o arroz à grega, o sarrabulho, as castanhas, o musse de atum, as lentilhas, os guardanapinhos decorados, os cálices lavadinhos, a toalha bem passada e ainda lembra de deixar algum disco meloso à mão? Quem lembra de dar uma lembrancinha para o zelador, o porteiro, o carteiro, o entregador de jornal, o cabeleireiro, a diarista? Quem compra o presente do amigo-secreto do escritório do Papai Noel? Deveria ser o próprio, tão magnânimo, mas ele não tem tempo para essas coisas. Anda muito requisitado como garoto-propaganda. Enquanto Papai Noel distribui beijos e pirulitos, bem acomodado em seu trono no shopping, quem entra em todas as lojas, pesquisa todos os preços, carrega sacolas, confere listas, lembra da sogra, do sogro, dos cunhados, dos irmãos, entra no cheque especial, deixa o carro no sol e chega em casa sofrendo porque comprou os mesmos presentes do ano passado? Por trás do protagonista desse megaevento chamado Natal existe alguém em quem todos deveriam acreditar mais! - finalizou com um sorriso lindo, parecendo orgulhosa de si mesma - Assumam que vocês não viveriam sem nós! - rimos. Era bom ver minha mãe distraída, alegre com a nossa presença... me fazia repensar melhor nas minhas paranoias e querer deixá-las pra lá. A hora do jantar chegou, fomos para a mesa, fiquei com o Júnior do meu lado esquerdo, a minha avó do lado direito e antes de nos servimos não podia faltar a oração que ela sempre faz -
Glória - Senhor, enfim é Natal! - sorriu olhando para todos nós - E neste novo ano que está prestes a se iniciar não quero presentes... Quero mais que presentes... Quero felicidade. Ao invés de receber uma joia, eu quero sorrisos de diamantes. Troco qualquer presente material pela felicidade da minha família e de todo o mundo, pela paz em nossos corações, pela coragem para lutarmos, pela bravura de não desistirmos, e pela perseverança de viver - falou com uma intensidade sem tamanho - Aprendi que ''presente'' mesmo é o que conquistamos no decorrer da vida, dos atos que praticamos, do amor incondicional, da bondade que exercemos, das amizades que fazemos e preservamos. Aprendi que "presente" é a saúde que temos, a casa que moramos, a comida na mesa, o trabalho que glorificamos, o aconchego dos amigos, os filhos que abençoamos, a harmonia em nosso lar e a paz em nosso espírito. Descobri que as maiores riquezas são as dádivas, que com muito amor cultivamos pela vida. E sei que por isso, hoje sou rica... muito rica. Hoje posso presentear a todos que desejo: a minha família, dou o meu amor - sorriu pra mim e pra Dudoca - A minha filha - olhou pra ela - Dou a paciência, a resignação, a proteção, o carinho e o amparo de mãe. Ao meu marido - olhou-o, pegou uma das mãos dele e percebi que apertou-a bastante - Dou minha força, coragem, otimismo, lealdade e cumplicidade nos momentos bons e principalmente nos momentos difíceis que o Senhor nos reservou, tendo a certeza que trilharemos sempre unidos rumo ao sucesso em todos os campos de nossa vida - sua voz perdeu a intensidade e vi seus olhos cheios de lágrimas. Passei a mão delicadamente no seu rosto, ela olhou pra mim e quis sorrir, mas respirou fundo e continuou - Aos meus amigos, compreensão e lealdade. E se posso doar tudo isso, sei que existe alguém, eternamente superior a mim, muito mais rico e poderoso. Por isso tomo a liberdade de pedir-lhe o que foge de meu alcance: aos pobres, desamparados e menos favorecidos, coragem, proteção, oportunidades e conquistas. Aos ricos e poderosos, benevolência, caridade, justiça e atitudes. Aos enfermos, saúde, esperança e força. A humanidade, paz e muita luz! - pegou uma das minhas mãos também, e pediu que todos fizessem o mesmo e dessem as mãos - Aprendi também, desde muito cedo, o verdadeiro significado do Natal e do Papai Noel. O verdadeiro Papai Noel é aquele que ama a Jesus e ao próximo como a si mesmo, aquele que dá, sem nada pedir ou esperar em troca, aquele que ajuda e orienta sem egoísmo, aquele que dá o que possui de sobra e divide o que tem com quem mais precisa. E o verdadeiro Natal vem de todas essas conquistas e glórias. Vem da certeza de que podemos, a cada ano, dar o melhor de nós, tendo a certeza de estarmos enobrecendo nossa alma e evoluindo nosso espírito. Todos nós portanto, podemos ser o verdadeiro Papai Noel - olhei pra Dudoca, pisquei e ela sorriu - Sei que não sou perfeita, pois sou um ser humano, sujeito a erros e provações. Por isso não estou impune de cometer erros. Portanto, peço perdão aqueles que, por acaso, magoei e feri e desculpas se alguém prejudiquei. Mas graças ao Senhor, tenho a oportunidade de acordar todos os dias e poder consertar os meus erros e defeitos, esperando o seu perdão e pretendendo ser, cada vez mais, uma pessoa melhor. E não devo esquecer também de agradecer ao Senhor, por tudo que recebo e por tudo o que sou, por todos os acertos, as oportunidades, e pelo sol de cada amanhecer. Agradeço também a oportunidade de poder estar aqui reunida nesta noite, com as pessoas que mais amo e que você permitiu que eu as escolhesse, celebrando a união e a paz entre nossa família. Tudo isso é mais do que um presente e agradeço também por merecê-lo. Espero que nesta data, todos os seus filhos te louvem pelas dádivas alcançadas e que brote, no coração de cada um, a semente do amor, da justiça, da humildade, da igualdade e da fraternidade, da mesma maneira que você sempre fez conosco. Que sejamos sempre abençoados e merecedores dessas bênçãos. Amém! - ela conseguiu emocionar todos com sua genuinidade, apesar da idade que tem. Minha avó é uma das pessoas mais genuínas e verídicas que conheço e essas são duas das suas qualidades que mais admiro. Jantamos, a ceia estava maravilhosamente boa, e como já passava de meia noite quando saímos da mesa, a Dudoca ficou eufórica porque era sinal de que já podíamos trocar os presentes. E foi o que fizemos durante a hora seguinte em um ambiente alegre e descontraído. Amei todos os meus presentes, e acertei em todos aqueles que comprei também, inclusive o da minha pequena, que ganhou o seu tão sonhado tablet da Barbie, escolhido a dedo por mim e pelo Júnior. Ela ficou em êxtase com cada presente que ganhou, abria cada um com um entusiasmo sem igual -
Murilo - É impressão minha ou vocês foram os únicos a não trocarem presentes? - olhou para mim e o Júnior alternadamente -
Clara - Não, pai, não é impressão sua mas isso já vai ser resolvido - sentei ao lado do meu amor, me sentindo tímida de repente, talvez por não estarmos sozinhos e ele também estava com um presente nas mãos, o único que ficou intacto a noite toda, o meu obviamente, e antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele entregou-o pra mim -
Neymar - Feliz Natal, meu amor! - sorriu e eu corei apenas por saber que todo o foco da sala estava sobre nós. Por que não fizemos isso antes quando todos estavam entretidos abrindo seus presentes? Ah sim, pelo motivo obvio... também estávamos abrindo outros presentes. Comecei a rir de nós mesmos, porque com toda certeza não deve existir nenhum outro casal na face da terra que complica tudo que aparentemente é simples... porém, demonstrações de afeto em público não é o meu forte, nunca foi, mas ele sabe. Mesmo assim mentalizei e esqueci por uns instantes onde e com quem estávamos e abracei-o forte. No Natal passado pensei tanto nele, com quem estava, onde, e o que estava fazendo, me perguntando se estava feliz, se também sentia a minha falta e querendo poder voltar no tempo, nem que fosse apenas por uns poucos minutos. E agora estou dentro do seu abraço... é algo quase surreal -
Clara - Feliz Natal, meu amor! - sussurrei próximo ao seu ouvido e senti o seu sorriso no meu pescoço. Desfizemos o abraço, sorri e entreguei o seu presente também - Posso? - perguntei tentando desvendar o meu -
Neymar - Lógico, até porque estou curioso pra ver sua reação - riu e atiçou ainda mais a minha curiosidade também. Desembrulhei o papel de presente rapidamente, abri a caixa e quase sair pulando pela sala que nem uma criança quando ganha aquele presente que pediu aos pais durante o ano todo. Eu realmente estava com o livro autobiográfico de Jessie nas minhas mãos? Sim! Meu sonho de consumo, e tenho certeza que a Manu tem a sua parcela de culpa nisso, pois foi quem mais correu comigo atrás dele.
Clara - Mas como...???? Eu nunca consegui achar! Primeiro porque ainda não tinha aqui no Brasil, depois porque acabou muito rápido. Já tinha perdido as esperanças
Neymar -  Pois é.. mas digamos que esse não foi comprado aqui
Clara - Como assim??
Neymar - Você só tem que dizer se gostou. E se foi fácil ou difícil de conseguir não importa
Clara - Se eu gostei? - ri - Eu ainda não estou nem acreditando que é meu
Neymar - Mas é. E abre, tem uma surpresinha dentro dele - peguei meu livro com todo cuidado do mundo, ainda achando que ele poderia sumir a qualquer momento porque parecia mais um sonho tê-lo comigo, abri e fiquei paralisada -
Clara - Estou enxergando bem?
Neymar - Sim
Clara - É o autógrafo dela?
Neymar - Sim - a essa altura, todos na sala já estava rindo de mim, normal -
Clara - Meu Deus! Obrigada - abracei-o novamente - Obrigada - lhe dei um selinho demorado - Obrigada - rimos - E pode abrir o seu enquanto me recupero, eu deixo - rimos. Ele avaliou a caixa primeiro, olhou pra mim, depois pra ela novamente e começou a abri-la. Seu presente não tinha nada de extravagante, mas era... original e dividido em dois. O primeiro, um memory box, uma caixinha cor de rosa com uma foto da Dudoca no seu primeiro dia de vida estampada em cima e dentro dela memórias inesquecíveis: a primeira roupinha, o primeiro sapatinho e mais alguns outros objetos pessoais que, não só eu, mas a minha mãe também, sempre mantinha guardadinhos. Ele ficou sem reação, eu sei que ficou porque olhou pra mim e não conseguiu dizer nada. O segundo era um quadro em MDF branco e de vidro, com um sistema único de modelagem em gesso que foi capaz de registrar com detalhes o dorso, as unhas e cada dobrinha do pezinho da minha pequena ainda bebê através de uma foto, além do espaço para encaixe de doze fotos referente aos doze primeiros meses de vida dela.
Acho que não só eu, mas todo mundo na sala (eu e minha mãe principalmente) estávamos esperando ansiosamente por qualquer reação por parte dele, por menor que fosse, mas os minutos foram passando e ele não conseguia parar de admirar as fotos, o sapatinho e o molde, talvez imaginando aquele pezinho tão minúsculo dentro dele. 
Neymar - Não sei o que dizer...
Clara - Um ''não gostei'' ou um ''gostei'' já seria um começo, pelo menos, para tranquilizar o meu pobre coração - meus pais e avós riram -
Neymar - Impossível apenas gostar... essas coisas são... - ficou sem palavras de novo e eu sorri - Você pensa em tudo, incrível. Obrigado
Clara - Você merece - abracei-o novamente, dessa vez com mais força do que anteriormente e senti uma necessidade enorme de chorar, por mais que não quisesse. Era como se no mais íntimo de mim algo me dissesse que sempre estaria em dívida com ele e aí a culpa aparecia pra jogar isso na minha cara -
Neymar - Não fica pensando besteira
Clara - Não estou - falei o mais firme que consegui aproveitando o fato dele não estar me olhando mas sabia que não ia adiantar -
Neymar - Eu sei que está, e pára de chorar - desfizemos o abraço e ele passou a mão no meu rosto - Hoje não é dia pra isso, aliás nem hoje nem nunca porque eu sei o que estava passando por essa cabecinha - tentei desviar o olhar mas não consegui, não tinha saída - A gente não tem como apagar nada que já passou, você sabe, mas não é o presente que importa? E eu estou muito feliz com o meu, você não? - sorriu e olhou pra Duda, que estava apenas esperando um simples aceno para se aproximar de nós dois e nos abraçar apertado, como fez no seu quarto depois de nos presentear. Minha avó estava novamente com os olhos rasos olhando pra gente e até meu avô parecia emocionado... acho que a mudança deixou-os bastante emotivos já que eles não são de chorar facilmente. O último presente que faltava abrir foi o que a minha mãe me deu no dia anterior e a princípio parecia com o que dei pro Júnior, mas era bem diferente. Um álbum mas parecendo um livro, com a frase ''As mais belas fotos e as lembranças mais doces estão neste álbum!'' na capa e fotos minhas e da minha pequena de quando ainda éramos bebês, fazendo algo parecido, como dormindo em posições iguais, mostrando a língua para a câmera, sorrindo e até chorando. Mais um presente épico e que me deixou emocionada também. Aproveitei o quanto pude meus coroas emotivos, mas meu avô foi deitar relativamente cedo porque estava cansado e estranhamente com frio e a minha avó foi lhe fazer companhia, claro. E como tínhamos que ir pra casa da tia Ná antes que o sono da Dudoca falasse mais alto, nos despedimos de todos eles e descemos cheios de sacolas novamente, mas dessa vez com presentes só nossos. Entramos no meu carro, deixei que ele fosse dirigindo novamente e aproveitei para mandar algumas mensagens e responder outras. Gravei um áudio da Duda animadíssima agradecendo pelo presente da Jéssica e mandei pra ela pelo whatsapp. Depois entrei no instagram e só tive tempo de curtir a última foto da Manu mesmo porque chegamos ao prédio -
Rafa - Chegaram aqueles que estavam faltando! - anunciou alegremente. O bonde todo já estava presente, a Manu também, e a tia Ná estava lindona como sempre e arrasando como uma boa anfitriã que é. Ainda chegamos a tempo de assistir o finalzinho do amigo oculto, o que nos rendeu boas gargalhadas, depois começou o segundo round da troca de presentes. Dudoca, a que bateu o record em ser presenteada, ganhou de um patinete com cestinha da Turma da Mônica a um carro elétrico cor de rosa da titia Rafa, e eu já conseguia ver as duas dentro dele, rindo e brincando sem saber distinguir qual delas é a mais nova. E o que também a deixou deslumbrada, em puro estado de encantamento foi o presente do Júnior, e ele fez surpresa até o último segundo que pôde porque deixou-o no quarto dela. E era uma bicicleta linda. A primeira bicicleta dela! Lembrei dela ter dito uma vez que queria aprender a pedalar pra brincar no prédio com as outras crianças, e... ele não esqueceu. Mais do que isso, quer ensiná-la. Por esse motivo o meu melhor e maior presente da noite nem todo dinheiro no mundo poderia comprar: A Eduarda e o Júnior abraçados ao lado da bicicleta, sorrindo, felizes, transbordando amor um pelo outro. A cumplicidade entre eles consegue ser quase palpável sempre que estão no mesmo espaço. E tudo isso porque eu disse sim. Sim para um emprego dos sonhos, que eu sabia que ia mudar a minha vida de um jeito ou de outro... e mudou. Sempre soube quais seriam as mudanças e no fundo, talvez, desejasse mais que tudo que elas acontecessem, apesar dos obstáculos nada fáceis que também sabia que iria enfrentar. Sim, eu queria tudo isso que tenho hoje... Meu Deus, é claro, eu sempre quis. Mas então seria muita loucura dizer que o destino pode ser traçado pela força dos nossos próprios pensamentos? Talvez... Minha avó diria que não. Mas foram tantas mudanças, brigas, crises, histórias, cicatrizes... tantas coisas para considerar que no final destino vira apenas um grande talvez. O resto da noite/madrugada foi maravilhosa, a Duda comeu das sobremesas da Joana: cheesecake de limão com frutas vermelhas e cupcake de chocolate com nozes. Tudo com enfeites natalinos lindos. Confesso que também provei e o Júnior, como não podia deixar de ser, comeu não só as sobremesas como a entrada, o prato principal... sim, praticamente jantou de novo. Mas nos divertimos muito, brincamos com direito a pagação de mico, rimos, cantamos, dançamos... e apesar da Dudoca ter ido dormir antes de todos, também aproveitou muito e quando deitou pediu a bicicleta bem pertinho da sua cama. Foi o melhor Natal porque eu tive comigo todos aqueles que queria, com algumas exceções, claro, como a madrinha, a Gio, o Diego... ia amar receber o abraço deles também, porém, não é possível ter tudo de uma vez. E fiquei bastante satisfeita com o que tive, tanto que quando me joguei na cama, apaguei, mas estava excessivamente feliz.


 Read: http://amorquepramimerasonho.blogspot.com.br/ 

Obrigada pelas palavras de incentivo, no estado emocional que me encontro elas me fizeram chorar mas também me fizeram um bem enorme, vocês são maravilhosas! Obrigada mesmo!!
Mas agora me digam, qual das cestas vocês gostariam de ganhar? De doces ou de flores? Já agora, preciso confessar que estou com uma pontinha de inveja da Clara porque esse livro que ela ganhou também é o meu sonho de consumo... é uma pena não ter um namorado tão dedicado quanto o dela ahahahaha.
Quanto ao whatsapp, não tenho mais. Desapeguei!   
E as músicas anteriores eram: L.O.V.E. da Jessie J e All about us - He is we. 
Beijinhos! 

terça-feira, 1 de abril de 2014

Capítulo 47 - “Ele é tudo que faz muito bem ao meu coração”


Os nossos três últimos dias sucederam-se da melhor maneira possível. Claro que não vimos tudo da famosa la ville de l'amour mas tivemos tempo de conhecer lugares especiais como o Arco do Triunfo, o Museu Picasso, o Teatro Odéon, o Parque Montsouris, o Aquaboulevard, maior parque aquático da Europa, a Basílica Sacré Couer; o ponto mais alto da cidade, no monte Martre, e o verdadeiro castelo que foi construído em 1664 com o objetivo de abrigar a família real, o Palácio de Versalhes. Fizemos muitas das nossas refeições em restaurantes naquela que é considerada a avenida mais bonita do mundo, a Champs Elysées e quando já achava que Paris não podia mais me surpreender, os três últimos lugares que visitamos destruíram o meu emocional devido o meu estado que o Júnior apelidou corretamente de ''Romântica Incurável''. Foram eles: O Musée de la Vie romantique (Museu da vida romântica) e apesar do nome, ele apenas retrata o ambiente artístico e literário do século XIX. É fantástico! O segundo lugar foi a Bibliothèque Nationale (Biblioteca Nacional de Paris) e não sei dizer ao certo o que sentir ao entrar ali. As palavras sumiram. Eu realmente não me importaria de passar um dia inteirinho dentro dela, mas obviamente não foi o que aconteceu. E o terceiro lugar, mas não menos importante, muito pelo contrário, foi o Les mur des je t'aime ou apenas Mural of Je T'aime (O muro do eu te amo). Eu não tenho dúvidas de que é o muro mais romântico do mundo, e sim, estamos falando de um...muro. Ele reúne 311 “eu te amo” nos mais variados idiomas. Ficamos bem uns quinze minutos procurando por aquele em português e quando encontramos, além dele ainda vimos o ''I love you'' e o ''Te quiero'', fiquei que nem a Duda quando ganha um presente de tão feliz. Essa viagem, querendo ou não, nos uniu ainda mais e nós temos noção disso, o que é ainda melhor.
Nossos momentos à dois não podem nem ser classificados como perfeitos porque é pouco, e injusto. Aproveitamos cada segundinho, e revisitamos alguns lugares que com certeza vão ficar na nossa memória para sempre.
Outro ponto importante que não vou esquecer: a companhia da Marie. Nos divertimos muito juntas, e ela me proporcionou algo realmente...inolvidável, me levando novamente ao Palais Omnisports de Paris Bercy na noite do dia vinte, mas não para assistir um jogo de basquete e eu não me importaria se fosse, porém, foi para acompanharmos um show do Bruno Mars, que estava de passagem com a sua turnê “Moonshine Jungle World Tour” por Paris. Não fui as lágrimas como no show da Jessie, mas foi especial da mesma maneira. Principalmente porque eu nem esperava! 
No dia 21 de dezembro, início do inverno na França, como o Lucas já tinha nos dito, vimos a neve da nossa janela e só isso deixou a Duda frenética de felicidade, no dia seguinte que resolvemos sair para aproveitar ela delirou. Fizemos (tentamos) um bonequinho de neve e o enfeitamos com o boné do Júnior então para nós, ele estava lindo. Neste dia saímos apenas pela manhã, e aproveitamos a tarde para arrumarmos as malas.
    23 de dezembro
Acordamos bem cedinho apesar da vontade imensa de permanecermos grudadinhos ter sido imensa. Tínhamos um voo marcado e infelizmente ele não ia esperar por nós. Assim que saímos da cama, ela virou uma zona com as últimas coisas que ainda íamos colocar nas malas, claro que essa tarefa ficou pra mim e enquanto arrumava tudo, o Júnior colocou a Dudoca pra tomar banho e ajudou-a se vestir. Depois entrou no banheiro pra fazer o mesmo, terminei o que estava fazendo, penteei o cabelo da minha pequena, deixei-a entretida na sala, onde já estavam todas as malas, voltei pro quarto, arrumei a cama, estirei minha roupa ali e sentei para esperar minha vez no banheiro. 
 clarabarcelar_: Paris, je t'aime  
Neymar - Pronto! - passou por mim exalando seu perfume maravilhoso, ajeitando o capuz do moletom e beijou meu rosto -
Clara - Nem acredito que já estamos indo - fiz beicinho - Passou tão rápido
Neymar - Queria ficar mais?
Clara - Não. Amanhã já é véspera de Natal então nosso lugar é no Brasil com a nossa família - deixei o celular na cama e levantei -
Neymar - A gente ainda vai voltar - tirou uma pequena mecha rebelde do meu cabelo, ainda totalmente desgrenhado, do meu rosto - Com todos eles - sorri. Retribuí o beijo que tinha me dado anteriormente e entrei no banheiro. Tirei o pijama, entrei no box e tomei um banho morno, rápido. Saí, me enxuguei, passei hidratante no corpo, me enrolei na toalha, peguei a necessaire, o pijama, dei mais uma olhada em todo o banheiro e como não havia mais nada, voltei pro quarto, agora vazio. Me vesti, penteei o cabelo em um rabo de cavalo por ser mais rápido e fácil, no rosto passei apenas um pouco de base, gloss e lápis de olho. Me perfumei, coloquei tudo que usei de volta na necessaire, verifiquei se estava tudo que iria precisar na minha bolsinha de mão, peguei meu moletom também, meu celular, a necessaire, a bolsinha, o pijama e pronto, o quarto estava do jeito que nós encontramos. Fui pra sala e o Júnior estava usando o método ''tirar fotos'' pra tentar manter a Dudoca acordada. Guardei as coisas que ainda estava nas minhas mãos, liguei para recepção do hotel e em menos de cinco minutos já havia um funcionário na porta para nos ajudar com as malas. Nos despedimos do nosso cantinho e descemos. Tomamos um breve café da manhã no restaurante do térreo mesmo, fizemos o check-out, e fomos para o estacionamento acompanhados da Mabelle. Fomos o caminho inteiro até o Aeroporto conversando bem pouco, não por preferência dela mas sim porque nós três ainda estávamos... digamos que, mais dormindo do que acordados. Recebemos mensagens do Lucas e da Marie nos desejando boa viagem assim que chegamos ao Charles de Gaulle, nos despedimos da Mabelle, agradecendo imensamente tudo que ela fez por nós, e mesmo assim ela só foi embora depois que fizemos o check in, o que foi ótimo pois nos ajudou com o francês da atendente. 
 clarabarcelar_: Au revoir, Paris! #jetlag      
Agradeci mentalmente quando nosso voo foi anunciado porque a Duda já estava começando a cochilar no colo do pai. Entramos no avião, nos acomodamos nas nossas poltronas, fiquei perto da janela de novo, e desligamos todos os aparelhos. Dormimos tanto que nem percebemos as horas passarem. Quando acordamos, lanchamos e ficamos nos distraindo com conversas bobas até aterrarmos em São Paulo, com o sol já indo embora, ás 18h. Fomos para área das esteiras, colocamos nossas malas em um carrinho e o Júnior ligou para o Big Black, que por sinal só estava esperando o nosso ''cheguei'' para ir nos buscar. Ele chegou cerca de meia hora depois, tempo suficiente para muitos passageiros ali presentes terem uma foto ou autógrafo de um dos jogadores mais importantes do Brasil. Enfim, saímos do Aeroporto Internacional de Guarulhos para enfrentar aquele trânsito rotineiro e caótico que não estávamos com saudades. Fomos trocando informações até chegarmos ao meu lindo prédio. Sim, dele estava com saudades. Assim que saímos do carro, procurei pelo meu chaveiro na bolsa, e subimos todos pelo elevador da garagem mesmo. Quando abri a porta, o Luck fez a maior festa. Latia, pulava, abanava o rabinho... estava elétrico mas parecia feliz. A Duda não se acanhou, sentou no tapete e retribuiu todo o carinho, coisa que eu também pretendia fazer, mas em outra hora. Estava tudo em ordem, pelo menos aparentemente, e a árvore de natal lindamente montada e iluminada num cantinho da sala, já com alguns presentes embaixo dela.
Neymar - Vai lá pra casa agora? - entrei no quarto com minhas malas e ele entrou atrás -
Clara - Não. Prometi pra minha mãe que ia ajudar ela com algumas coisinhas... do trabalho. E tem que ser hoje, vou correr pra lá
Neymar - Sério?
Clara - Sim, mas saindo de lá eu vou encontrar vocês
Neymar - A Duda vai comigo?
Clara - Pode ser. Não vou demorar mesmo
Neymar - Espero - me puxou pela cintura, e segurou o meu queixo, olhando nos meus olhos - Coisinhas de trabalho?
Clara - Sim - sorriu e eu sei que não acreditou - Esquece, é coisa de mulheres, não vai adiantar te explicar
Neymar - Tudo bem - levantou as mãos em sinal de rendição e eu ri - Vamos ficar te esperando - me puxou pra mais perto novamente e me deu um beijo demorado que deixou nós dois sem fôlego -
Clara - Vem dormir aqui?
Neymar - Lógico - respondeu como se fosse a coisa mais normal do mundo - porque realmente passou a ser. - Voltamos pra sala, onde encontramos uma cena pouco provável: o Big Black brincando com o Luck e a Duda. Não é todo dia que vemos algo assim. Ele levantou rapidamente ao nos ver, e contivemos a vontade de rir - Vamos, Dudoca?
Eduarda - Pra onde?
Neymar - Ver a vovó, o vovô, a tia Rafa... - os olhinhos dela foram se arregalando de alegria à medida que ele ia falando -
Eduarda - Vamos! - respondeu quase que imediatamente, levantando -
Clara - Vem aqui tirar esse casaquinho primeiro
Eduarda - Você não vai?
Clara - Vou, mas vocês vão na frente, tá certo?
Eduarda - Certo
Clara - Tira essa sapatilha e pega lá uma sandalinha no teu quarto - falei depois de tirar seu casaco, ela foi e voltou rapidinho. Roupa é o que não falta no seu ''outro quarto'', então ela pode tomar banho lá também, e eu tenho certeza que quando chegar lá vou encontrá-la de banho tomado. Nos despedimos, o Júnior pegou a sua mala e eles três desceram - Meu amor - falei pro Luck que estava sentadinho, olhando pra mim. Não resisti, sentei no chão também e ele começou a querer lamber o meu rosto - Também estava morrendo de saudades de você - ri enquanto afagava seus pelos macios. De repente a porta se abre e a minha amiga nada escandalosa já entra gritando -
Manu - ATÉ QUE ENFIM! QUERIA FICAR LÁ?? SAIBA QUE EU APOIARIA ESSA DECISÃO!! - ela estava com roupa de... malhar? Emanuelle estava na academia? Por quanto tempo fiquei fora? -
Clara - Eu sei que essa é a sua forma de dizer que estava com saudades - rimos. Levantei e a louca praticamente se jogou em cima de mim - Isso porque queria que eu ficasse lá, heim
Manu - Nunca fiquei tanto tempo longe de você, que isso. Não sei se aguento mais - fez bico e dei um beijo demorado na sua bochecha - Vi o Júnior, a Dudoca e o Big lá no térreo, por isso já entrei gritando mesmo - respondeu ao que sabia que eu ia perguntar e eu gargalhei. Ás vezes é bom o fato dela me conhecer tão bem... ás vezes -
Manu - E aí? - me olhou com expetativa -
Clara - Apenas uma palavra defini aquele lugar: amor - sorriu - É muito romance, acho que me tornei uma romântica incurável
Manu - Mais? Quem atura agora?
Clara - Nossa - rimos - Agora a pergunta que não quer calar: É sério que tomou coragem de entrar na academia?
Manu - Sim. Você nem vai acreditar!
Clara - O que?
Manu - O salão de festa número dois que estava fechado, e em obras agora é uma academia
Clara - Não acredito!
Manu - Eu disse! - rimos - É sério. A melhor coisa que eles poderiam ter feito nesse prédio
Clara - E pretende ir todos os dias?
Manu - Vamos com calma, né?
Clara - Manu, pelo amor, é aqui embaixo
Manu - E daí?? Nada em excesso é bom - gargalhei -
Clara - Tu é muito cara de pau - mostrou a língua - Vamos lá pro quarto que eu quero tomar um banho rapidinho
Manu - Vamos. Mas a propósito, porque não foi com eles agora?
Clara - Tenho que ir na casa da minha mãe pegar o presente do Júnior que pedi pra ela encomendar
Manu - E eu posso saber o que é, claro
Clara - Metida, vem que eu conto - peguei a malinha da Dudoca, passei no quarto dela, deixei ao lado da cama pra desarrumar depois, e fomos para o meu. Enquanto separava uma roupinha fui contando a ela sobre o presente do Júnior e foi bom ouvir uma segunda opinião positiva, já que só ela e a minha mãe sabem até agora. E porque falei que tinha presentes pra ela em uma das malas também, ela fez o favor de desarrumar as duas pra procurar. Um amor de pessoa essa minha amiga. Ela amou tudo, e antes que eu conseguisse finalmente entrar no banheiro, ainda me fez rir mostrando as fotos e contando o que o Luck aprontou no apê do Gil - Vocês judiaram do meu amorzinho
Manu - Nós? Porque? Cuidamos dele muito bem - riu -
Clara - E porque ele está preso aqui? - acusei olhando para uma das fotos -
Manu - Ah, era só na hora de dormir. Porque ou era isso, ou ele ia direto pro quarto, mais especificamente, pra cama - gargalhei -
Clara - Ele só queria carinho
Manu - Eu também! - falou com uma falsa voz doce -
Clara - Nem se faz de santa porque sabe que comigo não cola
Manu - Isso é uma calúnia porque nós só estávamos pensando no bem dele
Clara - Posso muito bem adivinhar em que vocês estavam pensando e aposto que o Luck não estava envolvido em nada - gargalhou -
Manu - Pára, vai tomar banho - ameaçou jogar meu travesseiro em mim, e eu ri. Peguei minha roupa, entrei no banheiro, me despi e tomei um banho frio e rápido. Saí, me enxuguei, vesti minhas peças íntimas e a roupinha fresca que escolhi. Soltei o cabelo, penteei-o e voltei pro quarto - Pode deixar que desfaço a malinha da Dudoca e arrumo tudo lá
Clara - Obrigada - se eu não a conhecesse tão bem também, acharia que era apenas uma boa ação -
Manu - Por nada. Mas as suas vou deixar aqui do jeito que estão que é para vocês - enfatizou - Terem o que fazer ao invés de matar as saudades da cama - gargalhei -
Clara - Como você é podre! Sabia que tinha algo por trás dessa sua bondade súbita
Manu - Estou mentindo? Ele não vem dormir aqui?
Clara - Vem, mas... - me interrompeu -
Manu - Não. Não me conte os detalhes - fez cara de horror -
Clara - Depravada - rimos - Estou indo - peguei apenas o celular e meu chaveiro -
Manu - Vou ficar esperando vocês pra saber com detalhes como é que foi tudo lá
Clara - Pode esperar, nós dormimos quase o voo inteiro, não vamos ter sono cedo - riu. Saímos do meu quarto, ela entrou no dela pra tomar banho, e eu segui pelo corredor - Quando eu voltar a gente conversa também - soltei um beijinho pro Luck que estava deitadinho do tapete, cansado de fazer festa. Saí de casa, chamei o elevador, desci na portaria apenas pra dar um oi ao porteiro e fui pra garagem. Destravei as portas do meu carro, entrei, e com a Lana Del Rey cantando bem baixinho, dei partida. Estava sentindo uma pontinha de ansiedade pra saber como o presente ficou. É difícil presentear uma pessoa que, aparentemente, tem tudo. E é mais difícil ainda presentear o Júnior. Queria algo original, algo que ele pudesse ver todos os dias ao acordar, algo que o deixasse ainda mais ''próximo'' da Dudoca de um jeito especial, diferente... e pra isso lembrei de uma conversa que tinha tido com a minha mãe, onde ela disse que queria presentear a mim... mas ainda bem que não chegou a fazer isso porque ele merece mais do que eu. Falei com ela antes mesmo de viajarmos e ela concordou prontamente. Cheguei no seu prédio, o porteiro liberou minha entrada pela garagem, estacionei em uma vaga para visitantes, chamei o elevador ali mesmo e subi. Toquei a campainha e para minha surpresa (e que surpresa) quem atendeu foi a minha... avó. Meu queixo quase caiu. Ela também ficou igualmente surpresa - Vó, é você? - pisquei várias vezes seguidas mas sabia que não era minha imaginação brincando comigo... ela estava ali, sim -
Glória - Ah, sua boba. Vem cá - sorriu, ainda mais surpresa que eu e abriu os braços para me receber -
Clara - Não estou acreditando - riu levemente e eu abracei-a, bem forte - O que está fazendo aqui? Quer dizer... porque está aqui e eu nem sabia?
Glória - Hm... vamos entrar, né? - saímos do hall de entrada, ela fechou a porta e vi meu avô no sofá. Tiraram o dia para me surpreender, e da melhor maneira possível. Ele estava entretido com uma revista de pesca, de costas pra mim. Aproveitei isso para abraçá-lo, ele se assustou e virou imediatamente -
Marcos - Clara?! - indagou surpreso também, olhando para minha avó. Minha mãe não disse que eu vinha? -
Clara - Oi - ri, sem esconder a felicidade de tê-los tão perto de mim -
Marcos - Minha Clarinha - largou a revista a abriu os braços. Rodeei o sofá e abracei-o bem forte também -
Clara - Está melhor da infecção?
Marcos - Sim... dá pra levar...
Clara - Mas está mais magro, heim - riu fraco - Você também, vó - olhei pra ela - Mas me digam, chegaram hoje? - antes que qualquer um pudesse responder, minha mãe veio do corredor -
Débora - Não, minha filha. Vieram de surpresa no sábado, acredita?
Clara - Não - rimos -
Débora - Mas é a verdade. Vão voltar só depois das festas
Clara - Sério? - olhei pra eles, que assentiram. Minha avó já estava sentada ao lado do meu avô - Isso é maravilhoso! Mas ainda nem estou acreditando que vocês saíram de lá
Glória - Nem mesmo a gente está acreditando - sorriu pra mim -
Clara - Se soubesse disso tinha trazido a Duda comigo. Se bem que a ideia de fazer uma surpresa pra ela amanhã me parece bem melhor
Débora - Então, filha, a gente tem que conversar sobre amanhã
Clara - Como assim? Conversar porque?
Débora - Vamos lá dentro pegar o presente do Júnior que vou te colocando por dentro dos nossos novos planos...
Clara - Mas... - olhei para os meus avós e eles assentiram novamente, meio que pedindo pra que eu fosse com ela. Porque eles estão tão calados? Cedi, e acompanhei-a até o seu quarto - Cadê o pai?
Débora - Ainda não chegou - sentei na pontinha da cama enquanto ela foi até o guarda-roupa, e voltou com duas sacolas relativamente grandes -
Clara - Porque duas?
Débora - Mandei fazer um pra você também
Clara - Mãe!
Débora - Ah, não resisti. É um pouco diferente, mas acho que você vai gostar também. Só abre amanhã, por favor, e o dele está lindo - sorri -
Clara - Obrigada, de verdade. Vou guardar a ansiedade em um potinho - riu. Tirei o dele da sacola apenas pra ver a caixa mas como é obvio, não abri. Confio plenamente no gosto da minha mãe - Depois me diz quanto ficou os dois
Débora - O que?
Clara - Não se faz de boba. A gente já tinha combinado, eu vou pagar. Ainda mais agora que fez pra mim também
Débora - Oh, por favor...
Clara - Cadê a sua palavra, Dona Débora?
Débora - Você sabe que só aceitei porque sua teimosia é irritante - sorri - Me deixa pagar
Clara - Não, de jeito nenhum
Débora - Mas o que dei pra você foi um presente meu. Não vou deixar você pagar e ponto.
Clara - E a teimosa sou eu...
Débora - Você paga o dele, já que quer tanto, e eu pago o que dei pra você. Ficamos combinadas assim? - revirei os olhos -
Clara - Contanto que sua palavra não mude mais
Débora - Não vou mudar - sentou ao meu lado e do nada sua expressão mudou, ficou mais séria -
Clara - Vocês estão tão estranhos...
Débora - Vocês quem?
Clara - Você, a minha avó, meu avô... eles quase não falaram comigo direito
Débora - Ficou chateada?
Clara - Não. Estou feliz porque eles estão aqui, mas isso não muda o fato deles estarem estranhos
Débora - Você sabe que eles nunca saíram de Florianópolis. Estão se ambientando ainda
Clara - Mas não vieram por conta própria?
Débora - Sim... - suspirou - Porque eu já tinha insistido muito
Clara - Ok. E qual é a alteração pra amanhã?
Débora - Não vamos mais pra casa da Ná
Clara - Porque não?? Mãe, já estava tudo certinho. Natal lá na casa da tia e o Réveillon no Guarujá
Débora - O Réveillon continua de pé... eu acho. Seus avós acham que vão atrapalhar... preferem ficar aqui. E agora, pensando bem, também prefiro. Não tive tempo de avisar pra ninguém que eles estão aqui, e chegar de última hora não é legal
Clara - Eu entendo... mas não acho que a tia Ná ia se importar com isso - ela não respondeu e percebi que não ia adiantar falar mais nada, o assunto estava encerrado - Mais um motivo pra achar que vocês estão estranhos
Débora - Clara, por favor - ela levantou, desviando seu olhar do meu - Você colocou isso na sua cabeça e tudo é motivo para ''vocês estão estranhos''. É paranoia, sério.
Clara - Mãe, olha pra mim - levantei e parei na sua frente - Você não está me escondendo nada?
Débora - Não! - respondeu decidida - Não e não. Satisfeita?
Clara - Eu vou vim jantar com vocês amanhã - resolvi mudar de assunto porque se realmente fosse algo sério ela não ia me esconder. Não quando eu já perguntei diversas vezes -
Débora - É o primeiro Natal da Duda com o pai dela
Clara - Eu sei disso. Vou falar com o Júnior e a gente se resolve. Por falar nele, tenho que ir - peguei as sacolas em cima da cama, um tanto quanto pesadas - Obrigada, de novo
Débora - Não há de quê - sorriu - Tenho certeza que ele vai adorar - sorri e voltamos pra sala -
Clara - Meus amores, tenho que ir mas estou felicíssima por saber que vou passar o Natal ao lado de vocês
Glória - Ao lado de nós, como? Literalmente?
Clara - Lógico. Acharam que iam vim pra cá e iam conseguir me manter longe? Nunca
Glória - Mudando seus planos por nossa causa?
Clara - Não. Apenas acrescentando vocês nos meus planos. E não se preocupem, porque não dizem que pra tudo na vida tem jeito... só não pra morte?!
Marcos - É...
Clara - Então... não vou mudar nada - pisquei pra eles - Bom, mas agora acho que estou... - olhei para meu pulso esquerdo, onde deveria estar meu relógio e eles riram - Sim, de qualquer forma, estou atrasadinha - rimos e mandei beijos para os três - Mãe, deixa um beijo pro meu pai também
Débora - Pode deixar - coloquei a mão na maçaneta e antes que pudesse abrir a porta, alguém fez isso por mim -
Clara - Uau! - rimos - Oi pai, tchau pai - riu -
Murilo - Não tenho direito nem a um abraço?
Clara - Tem. Claro que tem - nos abraçamos rapidamente, mas ele também me apertou e deu um beijo na minha bochecha -
Murilo - Como é que foi a viagem?
Clara - Enfim, alguém interessado na minha viagem - falei em tom de brincadeira, olhando pra sala - Foi maravilhosa, pai, mas amanhã conto melhor
Murilo - Vem pra cá amanhã também? Mas.. - não o deixei completar a frase -
Clara - Sim, venho. Agora, beijo e tchau - retribuí o beijo na bochecha e saí. Chamei o elevador e desci pensando no que eles poderiam estar escondendo de mim, mas não cheguei a nenhuma conclusão tolerável. É apenas coisa da minha cabeça. É... Cheguei na garagem, destravei as portas do meu carro, escondi as sacolas no porta-malas, entrei e dei partida. 21h... pelo menos tentei não demorar mas podia apostar que o Júnior só não tinha ligado ainda por saber onde estava. Dirigi sem pressa e cheguei ao prédio até mais rápido do que esperava. Entrei na garagem, estacionei na única vaga para visitantes disponível, chamei o elevador e subi. Toquei a companhia e ele mesmo atendeu - Sim, eu sei que falei que não ia demorar, porém, tenho motivos
Neymar - Espero que sejam motivos bem convincentes - falou sério, ou pelo menos assim pensei, mas logo em seguida riu e me puxou pra dentro, consequentemente caí nos seus braços - Boba! - me deu dois beijos repinicados, depois fechou a porta com uma das mãos, estando a outra já entrelaçada com a minha mas não ficou assim por muito tempo por motivos de: Rafa/abraço de urso -
Clara - Boa noite, gente - mal terminei de falar e a vi pular do sofá para me abraçar. Sorte a nossa os meus pés estarem bem firmes no chão ou íamos cair -
Rafa - Você não morre tão cedo, Ana Chata! - comentou ao me soltar -
Clara - Por quê? Estava falando de mim? - fui até a tia Ná, que estava com um sorriso tão grande e lindo quanto do seu filho ao me receber, e me abraçou apertado -
Rafa - Na verdade eu estava apenas reforçando pela milésima vez o quanto minha barriga está roncando - saindo do abraço da tia, olhei pra ela sem entender o que eu e a sua fome tínhamos em comum -
Rafa - Estávamos te esperando pra jantar
Clara - Ah, sério? Não precisava esperar até agora, doida, ainda mais estando com fome - ri -
Rafa - Eu também acho, sabe? - rimos - Mas uma certa pessoa não deixou que ninguém, exceto a Dudoca, comesse sem você... - olhou de soslaio para o Júnior mas ele fingiu nem estar ouvindo e nós rimos. Falei com o tio Neymar por último, por isso permaneci ao seu lado e ele deixou um dos braços por cima do meu ombro -
Clara - Se soubesse tentava vim mais cedo. Acho que foi a presença dos meus avós que me deixou meio atordoada e esqueci as horas
Neymar - Eles estão aqui?? - perguntou sem esconder a surpresa -
Clara - Pois é, estão. Parece que chegaram no sábado
Rafa - No sábado? E a gente não sabia de nada? - perguntou para os pais e eles encolheram os ombros - Queria vê-los
Clara - É, parece que ninguém sabia... Fui pega totalmente de surpresa também, mas minha mãe pediu e por mais incrível e inacreditável que possa parecer, eles vieram. E ela deve te ligar, tia - olhei pra ela - Porque não vem mais pra cá amanhã
Tia Ná - Ah, que pena!
Clara - É... - o Júnior olhou pra mim como se estivesse me questionando se além dos planos da minha mãe, os meus também tinham mudado porque ele sabe o quanto amo os meus avós, mas a Rafa fez o favor de quebrar o silêncio que se instalou do nada. Foi como se eles tivessem parado para nos ver conversar apenas com trocas de olhares -
Rafa - Podemos comer agora? Por favor! - pedinchou rindo -
Tia Ná - Vamos! - riu. Propositalmente ou coincidentemente eu e ele ficamos sozinhos rapidamente -
Clara - A Duda?
Neymar - Lá em cima - respondeu enquanto caminhava em minha direção e parou próximo o suficiente - Fala - pediu suavemente -
Clara - É bem isso que está passando pela sua cabeça mesmo, mas eu realmente não quero que você e a Duda passem o Natal separados
Neymar - E você?
Clara - Eu o quê?
Neymar - Quer passar o Natal longe de mim? - perguntou quase fazendo beicinho -
Clara - Você acha? Claro que não mas é impossível estarmos em dois lugares ao mesmo tempo
Neymar - Sim. Não podemos estar em dois lugares ao mesmo tempo mas podemos ir a dois lugares na mesma noite
Clara - O que? É sério? Você faria isso?
Neymar - Lógico que sim! Depois do jantar na casa dos seus pais, a gente vem pra cá... isso se você quiser
Clara - Se eu quiser? Eu vou ser a pessoa mais feliz do mundo se puder estar com todos aqueles que eu amo
Neymar - Então, tudo certo novamente? - rimos -
Clara - Sim - sorri e de repente me senti a pessoa mais sortuda do mundo por tê-lo ao meu lado. Comigo. Meu! - Você é maravilhoso, obrigada
Neymar - Já falei que te aturar é o meu maior prazer... - sorriu - Nem vai ser um sacrifício assim muito grande - completou -
Clara - Ai, que engraçado! - gargalhou. Depois pegou as minhas mãos, colocou-as envolta do seu pescoço e me beijou, de uma maneira mais audaz do que anteriormente, até porque estávamos sozinhos (ou pelo menos achávamos que sim) -
Eduarda - Mãe!! - sua voz estridente ecoou pela sala toda -
Clara - Meu Deus, ela parece que adivinha... - gargalhou novamente e dessa vez eu tive que fazer o mesmo. Nos afastamos e ela estava descendo as escadas com um urso de pelúcia quase do seu tamanho. E claro, de banho tomado -
Eduarda - Você demorou! - fez bico -
Clara - Eu sei, mas não deu pra chegar mais cedo. Estou desculpada?
Eduarda - Sim!!
Clara - Ótimo... porque agora me dei conta de que estou morrendo de fome - rimos. Fomos para sala de jantar, ela colocou o urso em uma cadeira, sentou em outra e ficou quietinha enquanto comíamos e o assunto principal das nossas conversas, claro, não podia ser outro: Paris. Foi assim pelo menos até o momento que o Júnior anunciou que no dia seguinte primeiro iria jantar com a sua outra família (sim, para me deixar com um sorriso estupidamente bobo, ele chamou a minha família de sua também, o que não deixa de ser verdade) e depois viríamos para casa deles. Mas não vou mentir; fiquei muito ansiosa pra saber como eles iam reagir a isso... contudo, foi tudo tão mais fácil, simples e compreensível que me perguntei porque ultimamente tudo andava dando certo pra mim... pra nós. Que isso não seja um presságio de algo ruim futuramente, pensei comigo mesma. Depois do jantar (confesso que estava com saudades da boa comida brasileira), ficamos na sala colocando os assuntos em dias, ainda ajudei a tia Ná e a Joana com a escolha de alguns dos preparativos comestíveis para o dia seguinte, mas com o avançar das horas, decidimos ir embora. O Júnior subiu e voltou com uma mochila, o que estranhei já que o meu guarda-roupa já é quase nosso, então roupa sua é o que não falta. Mas enfim, nos despedimos e descemos - Dirige? - sorriu amplamente e pediu as chaves. Joguei-as, entrei atrás com a Dudoca, ele entrou no seu lugar e deu partida. Passava de 00h30 quando chegamos ao prédio. Entramos na garagem, ele estacionou, saímos do carro, as portas foram travadas e subimos. O casal estava em clima in love no sofá - Chegamos!!
Gil - Estava demorando....
Neymar - Já podem ir se separando porque minha filha não é obrigada a ver certas coisas
Manu - Até porque ela nem ver os pais dela fazendo certas coisas - ironizou. Nós nos olhamos e gargalhamos lembrando do ocorrido na sala da sua casa - Se entregam fácil - rimos - Vem aqui amorzinho - chamou a Dudoca, que sentou entre eles e ganhou um abraço duplo, além de muitos beijos. Ficamos ali na sala mesmo, dando todos os detalhes que eles queriam e podiam saber da nossa viagem maravilhosa. O Gil foi embora perto de 02h e apesar de insistir em dizer que estava sem sono, o Júnior foi colocar a Dudoca pra dormir, depois de ter feito leitinho pra ela e para uma primeira vez, não foi nada mal -
Clara - Achei que o Gil ia ficar pra dormir
Manu - Eu também - fez beicinho e nós rimos -
Clara - Meus avós estão aqui
Manu - Mentira, né?
Clara - Eu também diria isso se não tivesse visto com meus próprios olhos quando fui pegar o presente
Manu - Isso é bom. Vai ficar todo mundo junto. Meus pais me presentearam antecipadamente ao dizerem que querem passar o Réveillon comigo e pra melhorar, que vão procurar uma casa por aqui por perto
Clara - Sério? Já estava mais do que na hora deles assentarem em um lugar, e nada melhor do que perto de você - sorriu -
Manu - Mas por falar em presente, cadê o que você foi buscar? Quero ver
Clara - Putz - levantei num pulo -
Manu - Que foi?
Clara - Deixei no carro - peguei meu chaveiro na mesinha de centro - Já volto - gargalhou. Saí, chamei o elevador e desci na garagem. Abri o porta-malas do meu carro, peguei as sacolas, voltei a fechá-lo e subi -
Manu - Ai, não vou poder ver?
Clara - Claro que não - coloquei as duas sacolas embaixo da árvore, meio escondidinhas. Sentei no sofá novamente e meu filhote pediu carinho.
 clarabarcelar_: Matando as saudades da mamãe!!   
 Ficamos de papo até o sono dela chegar. 
Manu - Falei sério sobre as suas malas, ok?
Clara - Palhaça! Vai dormir - rimos. Ela levantou, deu um beijo no meu rosto e foi pro quarto. Papariquei o Luck um pouco mais, ele pegou no sono e ficou no sofá mesmo. Levantei, desliguei a TV, passei no quarto da Dudoca e ela parecia já estar dormindo mas o Júnior continuava lendo. Fiquei parada na porta sem deixar minha presença ser notada por um longo e bom tempo, depois fui pro meu quarto. Minhas malas continuavam do jeito que a Manu deixou: abertas no chão, completamente desorganizadas. Aproveitei para procurar por todos os presentes que tive que comprar por lá mesmo por saber que não ia ter tempo quando voltasse e levei-os para o lugar mais adequado: embaixo da árvore. Inclusive o da minha pequena, e claro que com ela não cola mais aquilo de que é o Papai Noel que deixa-os ali. Ela já entende tudo e por isso fica sempre ansiosa mas sabe que existe uma hora certa para abri-los. Em Florianópolis, eu e meus avós fazíamos ''caça ao tesouro'' pra ela poder explorar o jardim. Agora, maiozinha, sei que a vontade de esperar não é muita e falo por experiência própria. Quando voltei pro quarto e olhei pra todo trabalho que tinha pela frente, me joguei na cama com a preguiça falando mais alto. Fiquei olhando pro teto sem saber direito no que estava pensando... se é que estava pensando em algo. Parecia apenas ter saído do meu corpo e fitar o teto era algo mecanizado. Saí desse transe ao ouvir meu nome duas vezes seguidas, levantei apenas a cabeça e o Júnior estava sentando na ponta da cama -
Neymar - Está bem? - franziu a testa -
Clara - Sim
Neymar - Seus avós estão bem?
Clara - Sim
Neymar - O que aconteceu lá então?
Clara - Lá...?
Neymar - Você pode enganar até a Rafaela, e olha que ela percebe até o que não deve - sorri - Mas vi que voltou da casa dos seus pais pensativa demais
Clara - Eu ainda acho que minha mãe está me escondendo alguma coisa.
Neymar - Sério? Ainda isso?
Clara - Ela não sabe mentir, por mais que se esforce. Só diz que é paranoia minha e no começo achei que realmente era mas... agora tenho uma sensação de... não sei explicar. É estranho. Pareço estar dentro de um mundo onde todo mundo sabe de algo, e eu não
Neymar - Mas se fosse algo muito sério ou importante ela te contaria
Clara - Também acho isso. Se não é, porque não posso saber então?
Neymar - Acho que não posso te responder isso...
Clara - É... eu sei - eu ri da sua força de vontade em querer me animar -
Neymar - Sua mãe nunca te escondeu nada, certo?
Clara - Certo
Neymar - Então fica tranquila que se você tiver que saber, seja lá o que for, uma hora ou outra, ela conta. Deve ser problemas no trabalho ou qualquer outra besteira e ela não quer te preocupar
Clara - Se for isso está tendo um efeito totalmente contrário porque estou preocupada
Neymar - Vem aqui - engatinhei para o seu colo e apoiei a cabeça nas suas pernas - Quer que eu cante pra te acalmar como os pais fazem com os bebês? - gargalhei fortemente -
Clara - Já até acalmei - consegui responder mas não consegui parar de rir -
Neymar - Tudo isso é pra eu não cantar? - se fez de ofendido -
Clara - Não, amor, não é isso - respirei fundo pra controlar o riso - Até porque, apesar de todos os comentários... negativos em relação a sua vocação como cantor, eu gosto de te ouvir - sorriu - Assim, não te aconselho cantar para grandes públicos. Mas pra mim pode - rimos -
Neymar - Mesmo?
Clara - Lógico - tentei falar sério -
Neymar - Quer ouvir o que?
Clara - É sério isso? - assentiu também tentando parecer sério - Não sei, fique à vontade para me surpreender
Neymar - Você não pode rir - falou depois de um tempo que, suponho eu, tenha usado para escolher a música -
Clara - E se você rir? - riu -
Neymar - Ok, lá vai - respirou fundo e eu sorri - Ela sabe, o jeito de agradar. Um sorriso brincando no olhar. Me fascina com seu jeito de ser. Ela é tudo, enfim, que eu preciso ter - fiquei maravilhada com a escolha, não poderia ter sido melhor -
Clara - Essa música... - ainda estava sem palavras - Ela é uma declaração
Neymar - Eu sei - sorriu, talvez ao ver minha cara de boba -
Clara - Então eu tenho que recompensar - assentiu na mesma hora por saber que eu ia cantar - Ok - rimos. Eu levantei, ficamos sentados frente a frente e limpei a garganta - Ele passa, e o tempo faz parar. Quando fala, é música no ar. Me conquista, querendo não querer. Ele é tudo, enfim, que eu preciso ter
Neymar - Ela sabe que brinca nos meus sonhos, todo o tempo nos versos que componho
Clara - Ele sabe que estou em suas mãos. Ele é tudo que faz muito bem ao meu coração - finalizei emocionada com tudo que estava falando e ouvindo. Ele me puxou pro seu abraço e me apertou forte o suficiente para me sentir segura ali pro resto da vida - Obrigada por ser a melhor distração do mundo! - apesar de não ter visto, sei que sorriu, depois procurou o meu rosto e olhou nos meus olhos. Eles diziam tudo que eu queria ouvir, a única coisa que tive que fazer foi decifrar e seu olhar pra mim não tem mais códigos. E então, ele me beijou. De uma forma branda, e ao mesmo tempo como se estivesse dando continuidade aquele que começou na sala da sua casa e levando em conta as emoções que a música trouxe, digamos que ainda mais intenso. Fui eu a abrandar o ritmo - Não tenha ideias - continuamos muito próximos, por isso ele passou a roubar selinhos. Tive que me afastar pra pensar com coerência - Olha o que a Manu deixou pra gente - apontei para as malas -
Neymar - Não! - quase implorou -
Clara - Sim! Não vou ficar desfazendo mala na véspera do Natal... Quer dizer, mais tarde porque véspera de Natal já é - constatei ao olhar pro relógio - Então vamos fazer isso agora
Neymar - Vamos?
Clara - Sim, vamos. Isso se quiser dormir na minha cama, caso contrário, o Luck adora companhia pra dormir e você deve caber no sofá - falei com falso desdém -
Neymar - Chantagem? Jogo baixo
Clara - Adivinha?! Aprendi com o melhor! - tentei levantar mas com uma simples puxada, voltei a ficar deitada com seu corpo por cima do meu e seus lábios atacaram os meus novamente fazendo com que a vontade que tinha de arrumar/desarrumar as malas quase evaporasse... quase. E como ninguém queria dormir no sofá, dei play em uma playlist do meu celular mesmo e terminamos até mais rápido do que esperávamos, apesar das brincadeiras que surgiam entre uma roupa e outra que guardávamos. Era quase inacreditável estarmos acordados às 04h depois de uma viajem tão longa, mas estávamos.
 clarabarcelar_: It's a beautiful night, we're looking for something dumb to do. Hey baby, I think I wanna marry you  
A legenda gerou alguns comentários cômicos, já que é um trecho da música ''marry you'' do Bruno Mars que diz: ''É uma bela noite, estamos à procura de algo idiota para fazer. Hey baby, eu acho que quero me casar com você''  Tentei arrancar dele o que tinha comprado pra Dudoca, porém, sem sucesso... ele não me disse, mesmo sabendo qual é o meu pra ela, até porque me ajudou na escolha. O presente dela é sempre o mais fácil para comprar por sabermos exatamente o que ela quer, mas não faço ideia do que ele pode ter comprado. Depois de insistir um pouco, a única coisa que descobri é que o tal presente está na casa da tia Ná. Continuamos conversando sobre os presentes mas coincidentemente não falamos em momento nenhum dos nossos: o que possivelmente posso dar pra ele e vice versa. Estava ansiosa para o momento em que ele o visse o dele mas consegui esconder isso e assunto foi encerrado apenas quando o cansaço falou mais alto. 


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 Olá, amores!!! 
Antes de mais, desculpem a demora, de novo. Aconteceram umas coisas... tristes na minha vida (vocês sabem que quando acontece uma coisa ruim, em sequencia acontecem várias), e por esse motivo eu pensei em parar. Comecei a escrever o que seria um ''tchau'' pra vocês, mas não tive coragem de continuar. E prometi a mim mesma que ia continuar tentando, coloquei na cabeça que escrever poderia me ajudar a esquecer o que queria. E claro, eu amo vocês, como posso parar?
Enfim, mas mudando totalmente de assunto, foi gratificante ver as reações de vocês ao ''não pedido de casamento''. Foi algo totalmente de última hora, não imaginei que fosse causar tanta comoção, vocês são surpreendentes.  
Agora, esclarecendo algo pra quem não gosta de... clichê, digamos assim, que no caso são esses momentos só deles e que se vocês repararem estão acontecendo com mais frequência ultimamente. O que eu tenho a dizer sobre eles é que: tudo tem um propósito. Espero que mais pra frente vocês entendam, porque todas as loucuras que faço agora é pensando nas outras que ainda pretendo fazer. E sobre o pequeno flashback, sim, eu já sabia que ia fazê-lo desde o início, não sabia apenas quando ia trazer isso à tona, mas já tinha tudo pensado. Ah, e se alguém também tem a curiosidade de saber: o fato de ainda estarmos em dezembro é um tanto quanto proposital.   

Esse capítulo não está como eu queria. Mas é que decidi dividi-lo de última hora, então é isso. Beijocas e obrigada a todas que ainda não desistiram. E sim, também tenho uma vontade enorme de abraçar vocês!! ️