clarabarcelar_: Tem gente que chama de insônia. Eu chamo de pensar em você... ️
Ele se mexeu novamente, baixei o olhar e encontrei-o sorrindo. Sorrindo enquanto dorme? Isso pra mim é novidade.
Clara - É bom que você esteja sonhando comigo ou com a sua filha! - falei como se ele estivesse me escutando e ri. Fiquei perambulando por alguns aplicativos, entrei no Chicfeed e no eBay Fashion, depois fui ver os últimos comentários no site da Santástico. Todos eram positivos, com opiniões construtivas e sugestões que salvei mentalmente para testar depois. Deixei o celular de lado, e tentei tirar o braço dele das minhas pernas pra poder levantar e consegui mas ele acordou - Bom dia, dorminhoco!
Neymar - Bom dia - coçou os olhos que nem a Duda e eu ri - Que horas são?
Clara - Hora de acordar pra me fazer companhia - fiz bico -
Neymar - Está acordada a muito tempo? - assenti - Vem aqui - abriu os braços. Deitei e fiquei enroscadinha no seu peito - Por quê?
Clara - O que?
Neymar - Por que acordou tão cedo?
Clara - Não sei. Mas até que foi bom... - ergui a cabeça e olhei-o - Te vi sorrindo
Neymar - Me viu sorrindo? - riu -
Clara - Sim. Enquanto dormia - sorri - E a propósito, lembra com o que estava sonhando?
Neymar - Ah, sim... Lembro - sorriu amplamente -
Clara - Sério?
Neymar - Seríssimo
Clara - Bom, aconselho pensar muito bem antes de me contar
Neymar - Boba! Era com você
Clara - Conta
Neymar - Na verdade era com a gente. Eu estava te pedindo em casamento em Paris
Clara - Não acredito! - ri -
Neymar - Pode acreditar, e se eu estava sorrindo já pode adivinhar qual foi a sua resposta também né? - gargalhei - Agora já sei o que devo fazer - falou com um ar pensativo -
Clara - Ah, que besta! Quer dizer que eu só vou dizer sim se o pedido for em Paris? - ele levantou as mãos segurando o riso como se estivesse dizendo eu não disse isso - Pois sabe onde eu acho que seria perfeito?
Neymar - Lá vem... - fuzilei-o com o olhar - Veneza? Londres? Barcelona? Amsterdã? Buenos Aires? - olhei-o embasbacada - Que foi? Ando fazendo minhas pesquisas - foi impossível segurar o riso de novo -
Clara - Adoraria conhecer esses lugares. Talvez possamos pensar neles para nossa lua de mel
Neymar - Hum... - ergueu uma das sobrancelhas enquanto passava a mão no queixo -
Clara - Não tente me desconcentrar. Para ter lua de mel precisa ter um casamento e antes disso, um pedido. Ou seja, vamos voltar para o assunto inicial - rimos -
Neymar - E qual seria o lugar perfeito na sua opinião?
Clara - Aparecida
Neymar - Está falando sério? - sorriu -
Clara - Sim. Estaria mentindo se dissesse que nunca imaginei isso e... durante o tempo que ficamos separados... também sonhei com algo assim. A praia estava perfeitamente decorada e claro que não entendi como isso aconteceu, mas ela estava linda e vamos combinar que nos nossos sonhos tudo é possível - rimos - Ok que sonhei com isso quando nem estávamos juntos mas o que posso fazer se nunca esqueci?
Neymar - Você nunca esqueceu porque primeiro tinha que compartilhar comigo - eu ri - Mas posso continuar falando do meu sonho?
Clara - O que? Tem mais?
Neymar - É lógico que tem. O casamento aconteceu
Clara - Ai, meu Deus! - riu da minha cara - Por que não disse logo? Conta
Neymar - Só sei que você estava linda e grávida - fiquei boquiaberta e ele falou tão naturalmente que parecia ser o que realmente queria -
Clara - É como eu disse... nos nossos sonhos tudo é possível - gargalhou -
Neymar - É só a gente querer que tudo se torna realidade
Clara - Na verdade, nunca me imaginei casando grávida
Neymar - Agora vai começar a imaginar - rimos. Sim, eu ia começar a imaginar. Ouvimos uma batida quase imperceptível na porta e nos olhamos por já saber quem era - Entra, amor - a porta se abriu lentamente e ela entrou, agarradinha com uma pelúcia que ganhou de uma fã dele e subiu na cama -
Clara - Bom dia, mocinha
Eduarda - Bom dia - respondeu com a voz ainda rouquinha, se inclinou e beijou primeiro o meu rosto depois o dele -
Clara - Que foi? - perguntei porque sabia que ela queria pedir alguma coisa -
Eduarda - A gente pode brincar de bicicleta? - eu e ele rimos. Claro que para ter pulado da cama relativamente cedo tinha que ter um bom motivo - Por favor, por favor, por favor
Neymar - Tudo bem mas só se hoje for aqui no prédio mesmo. Outro dia a gente vai na pracinha, pode ser?
Eduarda - Sim!! - respondeu imediatamente para não deixar dúvidas do quanto queria estrear logo seu novo brinquedo -
Neymar - Ela é bem convincente quando quer - disse assim que ela pulou da cama pra ir tirar o pijama -
Clara - É? - levantei também e fiz um coque doido no cabelo - Se eu te dissesse a quem ela puxou, tu nem ia acreditar - riu. Saí do meu quarto para entrar no dela, separei sua roupinha e deixei sobre a cama que ela desajeitadamente já tinha arrumado. Deixei que ela tomasse banho, escovasse os dentes e se vestisse sozinha, apenas sob a minha supervisão e o Júnior entrou no quarto com uma bermuda qualquer, ainda sem camisa e com o rosto meio molhado. Com certeza ainda não tinha tomado banho. Ela se aproveitou da sua presença para pedir que ele penteasse seu cabelo, o que eu adorei e fiquei para assistir tudo, claro -
Neymar - E aí? - perguntou assim que terminou -
Clara - Hum... está lindo - segurei o riso -
Neymar - Quero a verdade, Ana Clara
Clara - Razoável
Neymar - Ainda não é a verdade. Fala logo
Clara - Ok... as marias chiquinhas estão meio tortinhas. Mas dou nota 10 pelo seu empenho e esforço
Neymar - Você adora me ver nessas situações, não é?
Clara - Amo - rimos - Vou tomar banho pra poder preparar nosso café - levantei e sussurrei pra Dudoca - Tá linda, amor - pisquei e ela riu. Saí do quarto, entrei no meu e a cama também já estava arrumada - Olha isso, já pode até casar - falei comigo mesma e ri. De repente me peguei pensando no assunto que estávamos conversando mais cedo e me imaginei vestida de noiva com uma barriguinha linda de três ou quatro meses e... abanei a cabeça rapidamente afastando meus pensamentos loucos. "Agora vai começar a imaginar." Filho da mãe!! Ri e fui até o guarda roupa, peguei uma roupa fresca, abri as persianas, entrei no banheiro e tomei banho sem molhar o cabelo. Fiquei enrolada na toalha para escovar os dentes, depois me enxuguei, passei hidratante no corpo, me vesti, desfiz o coque e penteei o cabelo em um rabo de cavalo. Saí do banheiro, peguei o celular, coloquei no bolso e fui para cozinha. Sabia que a Manu ainda não estava em casa então preparei o café da manhã apenas para nós três. Quando terminei tudo e arrumei a mesa, fiquei na sala com a Dudoca assistindo "Os Padrinhos Mágicos" enquanto o Júnior tomava banho. Demora quase nada (*ironia mode on). Quando ele finalmente deu o ar da sua graça, tomamos café, limpei a cozinha, fui pegar a coleira e a guia do Luck na área de serviço, ele deixou colocar todo contente por saber que ia sair um pouco e descemos para o estacionamento. O Júnior destrancou a porta-malas do meu carro, pegou a bicicleta e trancou-o novamente. Fomos para área de lazer ao lar livre, onde (tirando o parquinho com escorregadeira e balanço) o espaço é bem amplo, perfeito para as crianças pedalar ou correr. Já havia pais e/ou babás por ali acompanhado algumas crianças e não foi surpresa nenhuma para eles ver o Neymar Júnior ali, até porque os momentos de tietagem foram só no início e agora eles o tratavam como um vizinho normal. Enfim, filmei com o celular mesmo ele ensinando pra ela os primeiros passos para aprender a pedalar e ela caiu uma, duas, três vezes... mas não chorou nem desistiu em momento nenhum, pelo contrário, eu só conseguia vê-la mais disposta a aprender. E o resultado foi positivo porque terminei a filmagem com o abraço gostoso que ela deu nele depois de ter conseguido pedalar mais de um metro sem que ele estivesse segurando-a. Limpei a lágrima boba que insistiu em rolar pelo meu rosto e ela me abraçou também, feliz da vida. Até o Luck ganhou abraço -
Eduarda - Você viu, mãe? Eu consegui! - falava enquanto dava pulos com os bracinhos pra cima - Meu pai falou que eu sou uma campeã
Clara - E você é, boneca - abracei-a novamente e beijei seu rosto suado - Parabéns! - sorri -
Eduarda - Obrigada - agradeceu já correndo para perto do Júnior de novo. Ele olhou pra mim, e piscou com um sorriso lindo também. Eles continuaram treinando enquanto fiquei caminhando por ali mesmo com o Luck. Aproveitei para ligar pra madrinha e matar um pouquinho das saudades e quando voltei para o meu ponto de partida, a Duda já estava no parquinho com uma outra menina. Sentei ao lado do Júnior e ele me deu dois beijinhos, um de leve nos lábios e outro na pontinha do meu nariz, eu ri mas nem tive tempo de falar nada porque meu celular tocou.
- início -
Clara - Fala, Manu! - ela berrou algo que eu não entendi, mas parecia estar rindo - O que aconteceu, criatura? Está gritando por que?
Manu - Meus pais chegaram
Clara - Ah, então o motivo é válido - rimos - Já está com eles?
Manu - Não. Estou indo buscá-los no aeroporto com o Gil. Depois que eles conhecerem o apê vamos almoçar juntos, ok?
Clara - Vamos?
Manu - Sim
Clara - Posso falar com o Júnior primeiro?
Manu - Eu já garanti que vocês vão
Clara - Emanuelle!! - gargalhou -
Manu - Te amo, amiga. Até daqui a pouco - desligou sem me deixar falar mais nada -
- término -
Neymar - Que foi?
Clara - Os pais da Manu chegaram e ela meio que já nos convocou para almoçar com eles. Você topa?
Neymar - Ver o Gil com os sogrinhos pela primeira vez? Topo muito - rimos -
Clara - Acho que vai ser super de boa. A Manu é a cópia da mãe e não é só fisicamente, inclusive deve ser por se parecerem tanto que elas brigam com mais facilidade
Neymar - E o pai?
Clara - Ele também é tranquilo e dos três é o que mais tem juízo - riu - Espero sinceramente que eles sosseguem agora e fiquem por aqui mesmo porque a Manu pode não demonstrar tanto mas sente muita falta deles - olhei pro relógio e por ainda ser 10h30 deixamos que a Duda ficasse brincando mais um pouco e só subimos quando a temperatura já estava ficando meio insuportável.
clarabarcelar_: “A maravilha da infância é que para elas tudo é maravilha.”
Clara - É bom que você esteja sonhando comigo ou com a sua filha! - falei como se ele estivesse me escutando e ri. Fiquei perambulando por alguns aplicativos, entrei no Chicfeed e no eBay Fashion, depois fui ver os últimos comentários no site da Santástico. Todos eram positivos, com opiniões construtivas e sugestões que salvei mentalmente para testar depois. Deixei o celular de lado, e tentei tirar o braço dele das minhas pernas pra poder levantar e consegui mas ele acordou - Bom dia, dorminhoco!
Neymar - Bom dia - coçou os olhos que nem a Duda e eu ri - Que horas são?
Clara - Hora de acordar pra me fazer companhia - fiz bico -
Neymar - Está acordada a muito tempo? - assenti - Vem aqui - abriu os braços. Deitei e fiquei enroscadinha no seu peito - Por quê?
Clara - O que?
Neymar - Por que acordou tão cedo?
Clara - Não sei. Mas até que foi bom... - ergui a cabeça e olhei-o - Te vi sorrindo
Neymar - Me viu sorrindo? - riu -
Clara - Sim. Enquanto dormia - sorri - E a propósito, lembra com o que estava sonhando?
Neymar - Ah, sim... Lembro - sorriu amplamente -
Clara - Sério?
Neymar - Seríssimo
Clara - Bom, aconselho pensar muito bem antes de me contar
Neymar - Boba! Era com você
Clara - Conta
Neymar - Na verdade era com a gente. Eu estava te pedindo em casamento em Paris
Clara - Não acredito! - ri -
Neymar - Pode acreditar, e se eu estava sorrindo já pode adivinhar qual foi a sua resposta também né? - gargalhei - Agora já sei o que devo fazer - falou com um ar pensativo -
Clara - Ah, que besta! Quer dizer que eu só vou dizer sim se o pedido for em Paris? - ele levantou as mãos segurando o riso como se estivesse dizendo eu não disse isso - Pois sabe onde eu acho que seria perfeito?
Neymar - Lá vem... - fuzilei-o com o olhar - Veneza? Londres? Barcelona? Amsterdã? Buenos Aires? - olhei-o embasbacada - Que foi? Ando fazendo minhas pesquisas - foi impossível segurar o riso de novo -
Clara - Adoraria conhecer esses lugares. Talvez possamos pensar neles para nossa lua de mel
Neymar - Hum... - ergueu uma das sobrancelhas enquanto passava a mão no queixo -
Clara - Não tente me desconcentrar. Para ter lua de mel precisa ter um casamento e antes disso, um pedido. Ou seja, vamos voltar para o assunto inicial - rimos -
Neymar - E qual seria o lugar perfeito na sua opinião?
Clara - Aparecida
Neymar - Está falando sério? - sorriu -
Clara - Sim. Estaria mentindo se dissesse que nunca imaginei isso e... durante o tempo que ficamos separados... também sonhei com algo assim. A praia estava perfeitamente decorada e claro que não entendi como isso aconteceu, mas ela estava linda e vamos combinar que nos nossos sonhos tudo é possível - rimos - Ok que sonhei com isso quando nem estávamos juntos mas o que posso fazer se nunca esqueci?
Neymar - Você nunca esqueceu porque primeiro tinha que compartilhar comigo - eu ri - Mas posso continuar falando do meu sonho?
Clara - O que? Tem mais?
Neymar - É lógico que tem. O casamento aconteceu
Clara - Ai, meu Deus! - riu da minha cara - Por que não disse logo? Conta
Neymar - Só sei que você estava linda e grávida - fiquei boquiaberta e ele falou tão naturalmente que parecia ser o que realmente queria -
Clara - É como eu disse... nos nossos sonhos tudo é possível - gargalhou -
Neymar - É só a gente querer que tudo se torna realidade
Clara - Na verdade, nunca me imaginei casando grávida
Neymar - Agora vai começar a imaginar - rimos. Sim, eu ia começar a imaginar. Ouvimos uma batida quase imperceptível na porta e nos olhamos por já saber quem era - Entra, amor - a porta se abriu lentamente e ela entrou, agarradinha com uma pelúcia que ganhou de uma fã dele e subiu na cama -
Clara - Bom dia, mocinha
Eduarda - Bom dia - respondeu com a voz ainda rouquinha, se inclinou e beijou primeiro o meu rosto depois o dele -
Clara - Que foi? - perguntei porque sabia que ela queria pedir alguma coisa -
Eduarda - A gente pode brincar de bicicleta? - eu e ele rimos. Claro que para ter pulado da cama relativamente cedo tinha que ter um bom motivo - Por favor, por favor, por favor
Neymar - Tudo bem mas só se hoje for aqui no prédio mesmo. Outro dia a gente vai na pracinha, pode ser?
Eduarda - Sim!! - respondeu imediatamente para não deixar dúvidas do quanto queria estrear logo seu novo brinquedo -
Neymar - Ela é bem convincente quando quer - disse assim que ela pulou da cama pra ir tirar o pijama -
Clara - É? - levantei também e fiz um coque doido no cabelo - Se eu te dissesse a quem ela puxou, tu nem ia acreditar - riu. Saí do meu quarto para entrar no dela, separei sua roupinha e deixei sobre a cama que ela desajeitadamente já tinha arrumado. Deixei que ela tomasse banho, escovasse os dentes e se vestisse sozinha, apenas sob a minha supervisão e o Júnior entrou no quarto com uma bermuda qualquer, ainda sem camisa e com o rosto meio molhado. Com certeza ainda não tinha tomado banho. Ela se aproveitou da sua presença para pedir que ele penteasse seu cabelo, o que eu adorei e fiquei para assistir tudo, claro -
Neymar - E aí? - perguntou assim que terminou -
Clara - Hum... está lindo - segurei o riso -
Neymar - Quero a verdade, Ana Clara
Clara - Razoável
Neymar - Ainda não é a verdade. Fala logo
Clara - Ok... as marias chiquinhas estão meio tortinhas. Mas dou nota 10 pelo seu empenho e esforço
Neymar - Você adora me ver nessas situações, não é?
Clara - Amo - rimos - Vou tomar banho pra poder preparar nosso café - levantei e sussurrei pra Dudoca - Tá linda, amor - pisquei e ela riu. Saí do quarto, entrei no meu e a cama também já estava arrumada - Olha isso, já pode até casar - falei comigo mesma e ri. De repente me peguei pensando no assunto que estávamos conversando mais cedo e me imaginei vestida de noiva com uma barriguinha linda de três ou quatro meses e... abanei a cabeça rapidamente afastando meus pensamentos loucos. "Agora vai começar a imaginar." Filho da mãe!! Ri e fui até o guarda roupa, peguei uma roupa fresca, abri as persianas, entrei no banheiro e tomei banho sem molhar o cabelo. Fiquei enrolada na toalha para escovar os dentes, depois me enxuguei, passei hidratante no corpo, me vesti, desfiz o coque e penteei o cabelo em um rabo de cavalo. Saí do banheiro, peguei o celular, coloquei no bolso e fui para cozinha. Sabia que a Manu ainda não estava em casa então preparei o café da manhã apenas para nós três. Quando terminei tudo e arrumei a mesa, fiquei na sala com a Dudoca assistindo "Os Padrinhos Mágicos" enquanto o Júnior tomava banho. Demora quase nada (*ironia mode on). Quando ele finalmente deu o ar da sua graça, tomamos café, limpei a cozinha, fui pegar a coleira e a guia do Luck na área de serviço, ele deixou colocar todo contente por saber que ia sair um pouco e descemos para o estacionamento. O Júnior destrancou a porta-malas do meu carro, pegou a bicicleta e trancou-o novamente. Fomos para área de lazer ao lar livre, onde (tirando o parquinho com escorregadeira e balanço) o espaço é bem amplo, perfeito para as crianças pedalar ou correr. Já havia pais e/ou babás por ali acompanhado algumas crianças e não foi surpresa nenhuma para eles ver o Neymar Júnior ali, até porque os momentos de tietagem foram só no início e agora eles o tratavam como um vizinho normal. Enfim, filmei com o celular mesmo ele ensinando pra ela os primeiros passos para aprender a pedalar e ela caiu uma, duas, três vezes... mas não chorou nem desistiu em momento nenhum, pelo contrário, eu só conseguia vê-la mais disposta a aprender. E o resultado foi positivo porque terminei a filmagem com o abraço gostoso que ela deu nele depois de ter conseguido pedalar mais de um metro sem que ele estivesse segurando-a. Limpei a lágrima boba que insistiu em rolar pelo meu rosto e ela me abraçou também, feliz da vida. Até o Luck ganhou abraço -
Eduarda - Você viu, mãe? Eu consegui! - falava enquanto dava pulos com os bracinhos pra cima - Meu pai falou que eu sou uma campeã
Clara - E você é, boneca - abracei-a novamente e beijei seu rosto suado - Parabéns! - sorri -
Eduarda - Obrigada - agradeceu já correndo para perto do Júnior de novo. Ele olhou pra mim, e piscou com um sorriso lindo também. Eles continuaram treinando enquanto fiquei caminhando por ali mesmo com o Luck. Aproveitei para ligar pra madrinha e matar um pouquinho das saudades e quando voltei para o meu ponto de partida, a Duda já estava no parquinho com uma outra menina. Sentei ao lado do Júnior e ele me deu dois beijinhos, um de leve nos lábios e outro na pontinha do meu nariz, eu ri mas nem tive tempo de falar nada porque meu celular tocou.
- início -
Clara - Fala, Manu! - ela berrou algo que eu não entendi, mas parecia estar rindo - O que aconteceu, criatura? Está gritando por que?
Manu - Meus pais chegaram
Clara - Ah, então o motivo é válido - rimos - Já está com eles?
Manu - Não. Estou indo buscá-los no aeroporto com o Gil. Depois que eles conhecerem o apê vamos almoçar juntos, ok?
Clara - Vamos?
Manu - Sim
Clara - Posso falar com o Júnior primeiro?
Manu - Eu já garanti que vocês vão
Clara - Emanuelle!! - gargalhou -
Manu - Te amo, amiga. Até daqui a pouco - desligou sem me deixar falar mais nada -
- término -
Neymar - Que foi?
Clara - Os pais da Manu chegaram e ela meio que já nos convocou para almoçar com eles. Você topa?
Neymar - Ver o Gil com os sogrinhos pela primeira vez? Topo muito - rimos -
Clara - Acho que vai ser super de boa. A Manu é a cópia da mãe e não é só fisicamente, inclusive deve ser por se parecerem tanto que elas brigam com mais facilidade
Neymar - E o pai?
Clara - Ele também é tranquilo e dos três é o que mais tem juízo - riu - Espero sinceramente que eles sosseguem agora e fiquem por aqui mesmo porque a Manu pode não demonstrar tanto mas sente muita falta deles - olhei pro relógio e por ainda ser 10h30 deixamos que a Duda ficasse brincando mais um pouco e só subimos quando a temperatura já estava ficando meio insuportável.
clarabarcelar_: “A maravilha da infância é que para elas tudo é maravilha.”
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XxX - Chegamos! - ouvi uma voz diferente mas familiar e rapidamente soube que era da Fatinha, sim porque se eu ousar chamá-la de tia corro risco de apanhar, de Fátima então... Tudo faz parte do seu jeitinho jovial de ser. Entrei na sala e seus cabelos mais loiros do que nunca foi a primeira coisa que me chamou atenção. Ela sorriu ao me ver, jogou a bolsa no sofá e abriu os braços, fui até ela, abracei-a e beijei sua bochecha - O que é que tem na água de Santos pra vocês estarem assim tão grandes? - rimos do seu exagero -
Manu - Isso porque você ainda não viu a Duda, mãe
Clara - Tio Théo! - com ele ''tio'' é liberado -
Théo - Sim, eu também vim - riu. Abracei-o e ele beijou primeiro a minha testa depois a minha bochecha. Olhei pro Gil e ele parecia sereno e um tanto quanto aliviado, talvez por não ser mais o centro das atenções da Dona Fátima porque ela com certeza já devia ter deixado-o envergonhado ou muito perto disso com seu questionário intimidador à la Fatinha. Mesmo sendo só pressão, e ele deve saber disso também. Ela conquista todo mundo muito fácil e no fundo gosta apenas de se sentir mais jovem do que realmente é, não que seja velha mas a minha mãe também não é e elas são completamente diferentes. Acho que a única coisa que elas devem ter em comum é o amor pelas filhas. O Théo é bem mais pé no chão, apesar de concordar em ficar rodando pelo mundo, conhecendo lugares novos com a esposa... às vezes acho que ele faz isso por amor, porque ela gosta, e admiro isso nele. Pelo menos nunca vi nenhum dos dois infelizes e fazem todo mundo sorrir por onde passam -
Clara - Ué, cadê as malas?
Théo - Deixamos no hotel onde vamos ficar hospedados até acharmos um lugar fixo - olhou pra Manu e ela sorriu amplamente. A Duda e o Júnior entraram na sala também e ela demorou um pouco para reconhecer a Fatinha e o Théo, ficou paradinha por um tempo olhando pra eles e tentando puxar da memória de onde conhecia-os e quando isso aconteceu, abraçou-os sem pestanejar, o que nos levou a rir -
Fatinha - Neymar!! Oh, my God!! - fingiu estar muito espantada depois caiu na risada e nós fizemos o mesmo - Você é muito mais bonito pessoalmente - ele sorriu, e se ela o conhecesse bem saberia que conseguiu deixá-lo constrangido. Eu ri por dentro -
Neymar - Muito obrigado
Fatinha - Oh, não consegui deixar vermelhinho - olhou de relance para o Gil - Mas deixa pra próxima. Pode vim aqui me dá um abraço também - sorriu. Ele se aproximou e ela abraçou-o sem nenhuma cerimônia - Sabe que eu tenho um pedacinho de você comigo, né?
Neymar - Tem? - franziu a testa -
Fatinha - Um pedacinho de você não é bem o termo correto mas eu estava lá em St. Gallen, na Suíça, em um amistoso da Seleção Brasileira contra a Bósnia e no final do jogo pedi a sua camisa e você me deu. Agora, é claro que vou querer um autógrafo nela, com uma dedicatória bem bonitinha também
Manu - Mãe! - riu -
Neymar - Pode deixar - riu -
Théo - Não dá ouvidos pra essa aí não porque é a idade chegando - eles riram e se cumprimentaram -
Fatinha - Eu ouvi, heim?! E estou na flor da idade, só pra vocês saberem - rimos. Eles sentaram, um de cada lado da Dudoca, ainda espantados com o tamanho dela (a propósito, ela já se lembrava muito bem deles), a Manu e o Gil sentaram no mesmo sofá com eles e eu o Júnior juntos em uma das poltronas. Passamos a hora seguinte ouvindo eles falarem um pouco sobre alguns lugares que conheceram e contando sobre o início da nossa estádia em Santos também. Depois a Manu levou-os para um tour pelo apartamento e a Dudoca foi junto com a missão de apresentá-los ao Luck -
Clara - E aí, passou no teste da sogrinha? - não resisti em zoar o Gil -
Neymar - Teste?
Gil - A mulher é muito doida, cara - rimos -
Clara - Vai se acostumando porque a Manu mais velha será bem assim. Mas diz, o que ela aprontou?
Gil - Vindo pra cá ela perguntou pra Manu, na minha frente, se eu realmente sou bom em todos os campos - gargalhei fortemente -
Neymar - E a Manu?
Gil - Enrolou e não respondeu
Neymar - Que sorte heim, parceiro - deu dois tapinhas na perna dele, que também não resistiu e riu com a gente -
Clara - Por que, Júnior? Você sabe como ele é em todos os "campos"? - gesticulei as aspas e o Gil começou a rir descontroladamente -
Neymar - Assim você me ofende, amor - entrou na brincadeira fazendo uma carinha irresistível de ofendido -
Gil - Pergunta direta, resposta direta e eu ainda não ouvi nenhuma, parceiro - falou a última palavra com uma pontinha de ironia e deu dois tapinhas na perna dele também -
Clara - Mas como assim? Existe uma outra resposta que não seja a que eu acho... ou achava ser obvia...?
Gil - Puta merda! Mulher é complicada demais
Clara - Vocês se enrolam no que falam e eu sou complicada?
Gil - A Emanuelle nunca reclamou de mim em nenhum campo, satisfeitos? - lágrimas incontroláveis já rolavam dos meus olhos de tanto que eu ria com a cabeça encostada no ombro do Júnior, que também não sabia como parar de rir - Palhaços, se merecem mesmo!
Clara - Por isso adoro a Fatinha. Mal chegou e mesmo sem saber já me fez chorar de rir - apertei os olhos, respirei fundo e consegui me conter. Quando abri os olhos novamente, olhei pro Gil e sorri, ele retribuiu de maneira irônica - Ok, vamos voltar ao assunto inicial...
Gil - Ótimo - tentou falar sério encarando outro ponto qualquer da sala que não fosse a gente pra não rir também -
Clara - Qual a primeira impressão que teve deles?
Gil - O Théo é bem tranquilo né? Aquele discurso do tipo ''se magoar a minha filha vai se ver comigo" já tinha acontecido via skype - riu - Por isso agora foi bem de boa. E em relação a Fatinha... - olhou pra nós dois sabendo que íamos rir - Acho que só não me surpreendi muito por causa da convivência com a Manu - rimos -
Clara - Ela é assim exagerada na maioria das vezes, fala tudo que vem na cabeça mesmo mas adora fazer todo mundo rir
Gil - É né, percebi - rimos. Eles voltaram e em conjunto decidimos almoçar em casa mesmo, ou seja, eu teria que cozinhar. Deixei todos eles na sala conversando sobre os mais variados assuntos e fui para cozinha. Preparei uma lasanha grande de peito de peru e queijo ao molho branco enquanto Jessie J ressoava por toda cozinha me deixando mais bem humorada do que já estava. Fiz um pavê de chocolate também e depois de colocá-lo na geladeira, arrumei a mesa, dei pause no player de músicas do celular, dando fim ao meu show particular também, deixei-o em cima do balcão mesmo e fui chamá-los para o nosso almoço um tanto quanto tardio. A Fatinha e o Théo elogiaram a minha comida e isso me deixou até orgulhosa de mim mesma porque eles com certeza já tinham comido nos melhores restaurantes do mundo. Algo a mais para acrescentar ao meu bom humor. Comemos a sobremesa na sala, e eles quiseram lavar a louça depois mas como não deixei, a visita ao Esquenta foi adiantada e eles saíram com a Manu e o Gil. Lavei a louça e enquanto o Júnior guardava, peguei meu celular. Meu coração acelerou ao ver sete chamadas perdidas do meu pai. Sete. Sentei na banqueta e pisquei pra ter certeza do que estava vendo -
Neymar - Está se sentindo mal?
Clara - Não - mostrei o celular pra ele - Sete chamadas do meu pai - ele não conseguiu esconder a surpresa também mas tentou não demonstrar -
Neymar - Não fica pensando besteira e retorna logo - ele estava certo, mas porque que eu estava com tanto medo do que poderia ouvir? Se fosse apenas uma chamada talvez nem me deixasse tanto em estado de alerta mas foram... sete. Meu celular vibrou na minha mão e quase deixei-o cair com o susto que levei. Era o meu pai. Olhei pro Júnior e ele me incentivou a atender logo. Foi o que fiz.
- início -
Murilo - Clara! Finalmente! - ele parecia ansioso, nervoso e falava bem baixinho. Levei um tempo para respondê-lo -
Clara - Oi, pai. Só vi suas ligações agora, desculpa
Murilo - Tudo bem, desculpa eu se te assustei com tantas chamadas... mas precisava falar com você o quanto antes - sua voz continuava no mesmo tom baixo, como se estivesse falando escondido -
Clara - O que aconteceu? - perguntei sem rodeios e dessa vez foi ele quem demorou para responder -
Murilo - A febre do seu avô não passou e nós estamos no hospital - apertei os olhos com força, meu coração acelerou mais um pouco e eu estava começando a ficar com medo do que poderia acontecer caso ele acelerasse mais, principalmente porque senti que meu pai não estava contando tudo -
Clara - Que hospital? - consegui formular uma única pergunta e atraí rapidamente a atenção do Júnior -
Murilo - São Luiz, no Morumbi - fez uma pausa, acho que falou algo com alguém perto dele e eu queria falar também mas não sabia o quê - Vou ter que desligar agora porque a sua mãe não sabe que estou falando com você. E só te liguei porque não acho mais certo o que estamos fazendo... não mais. Não quando estamos no hospital.
Clara - Não estou te entendendo pai, e você está me assustando
Murilo - Eu também nem sei se o que estou fazendo é o certo, mas vem... quando você chegar aqui vai ficar sabendo de tudo
Clara - Como eu acho vocês quando chegar aí? - perguntei já sabendo que ia começar a chorar. "Quando você chegar aqui vai ficar sabendo de tudo." Acho que pela primeira vez não queria saber de nada -
Murilo - Quinto andar. Você vai consegui nos ver assim que chegar na recepção
Clara - Ok
Murilo - Não vem sozinha, por favor. Um beijo - não falei mais nada e depois de quase um minuto a chamada foi encerrada por ele.
- término -
Deixei o celular cair no balcão e respirei fundo, engolindo cada lágrima que eu jurava que não ia consegui segurar. Ok que estava assustada e com um pressentimento horrível mas não ia me deixar abater enquanto não soubesse de tudo.
Clara - Preciso ir até lá - levantei rapidamente -
Neymar - Aonde você vai? - parou na minha frente e colocou as mãos no meus ombros tensos que relaxaram instintivamente ao seu toque. Abracei-o sem dizer nada e ele me apertou forte o bastante para deixar claro que estava ali para tudo -
Clara - Lembra quando fui ver meus avós ontem à noite? - assentiu - Percebi que meu avô estava meio quente demais, ou melhor dizendo, ele já estava com febre. E por algum motivo ela não passou... por isso ele está no hospital agora. Eu preciso ir pra lá - não tenho certeza se ele entendeu tudo que eu disse porque falei depressa demais -
Neymar - Que hospital?
Clara - São Luiz
Neymar - Qual unidade?
Clara - A do Morumbi. É longe?
Neymar - Sim. Eu vou com você
Clara - Não, amor. Eu queria muito que você fosse comigo mas não quero a Duda lá sem saber direito o que está acontecendo
Neymar - A gente deixa ela com a minha mãe
Clara - Vai demorar mais. Por favor, fica aqui
Neymar - Você acha que tem condições de dirigir?
Clara - Sim. Mas posso pegar um táxi se você preferir
Neymar - Prefiro
Clara - Tudo bem, vou me arrumar - saí da cozinha e passei pela sala, onde a Duda estava brincando com o tablet, como um furacão. Entrei no quarto, fui direto ao guarda-roupa, e não fiquei escolhendo muito por dois motivos: não estava com paciência, nem queria perder tempo. Peguei a roupa, entrei no banheiro, tomei um banho bem rápido, me enxuguei, me vesti e borrifei um pouco do meu perfume ao mesmo tempo que soltava o cabelo para penteá-lo. Calcei uma sapatilha, peguei minha carteira, joguei em uma bolsa qualquer, peguei-a, saí do quarto e fui na cozinha pegar o celular -
Eduarda - Vai sair, mãe?
Clara - Sim, amor. Mas vou tentar não demorar, tudo bem? - assentiu. Dei um beijinho na sua testa, o Júnior levantou e me acompanhou até a porta. Peguei a minha chave no porta-chaves e virei pra ele -
Neymar - Me avisa quando chegar lá e tenta não pensar em coisas ruins no caminho
Clara - Pode deixar - respondi tentando me convencer de que não ia pensar mesmo. Abri a porta mas ele não soltou a minha mão e me puxou para um beijo que eu não sabia que estava precisando mas que me fez um bem enorme -
Neymar - Eu te amo. Vai pensando nisso, tá? - sorri como eu achava que já não seria possível depois da ligação do meu pai. Segurei o seu rosto entre as minhas mãos e beijei-o novamente -
Clara - Juízo! - ele riu, porque isso era o que sempre dizia quando deixava ele e a Duda sozinhos. Saí, chamei o elevador, desci e ao chegar no térreo, o porteiro me informou que um táxi estava me esperando. Quis subir e abraçá-lo de novo por ser tão maravilhoso comigo, mas sabia que podia fazer isso depois. Saí do prédio, entrei no táxi e falei o meu destino. 1 hora e 15 minutos depois estávamos em frente ao Hospital São Luiz. Paguei e agradeci ao motorista, saí e mandei uma mensagem para o Júnior.
Obrigada pelo táxi. Acabei de chegar.
Consegui não pensar besteira durante o caminho todo! ️
Não esperei por nenhuma resposta, coloquei o celular no silencioso, e tomei coragem para entrar no hospital. Vi um painel com os andares, procurei pelo quinto e quando achei levei outro choque. Unidade de hematologia. O que meu avô estava fazendo nessa unidade? Todos os pensamentos que tentei deixar de lado porque o Júnior pediu voltaram com toda força. Meu humor tinha descido a níveis inatingíveis. Segui as indicações até o elevador, esperei com mais algumas pessoas que ele chegasse, entramos, marquei o quinto andar e esperei. Fechei os olhos e rezei até ele parar onde eu queria. Saí em um corredor longo mas vi a recepção logo a minha frente e sentadas, ao lado do meu pai que estava de pé, minha mãe e minha avó. Ele me viu mas não disse nada e esperou que eu me aproximasse. Ao ouvir meus passos, elas levantaram a cabeça e posso dizer com certeza que esperavam ver qualquer pessoa ali menos eu. A surpresa era muito obvia nas duas.
Débora - Clara... - elas levantaram -
Clara - Eu - sorri falsamente -
Glória - O que você está fazendo aqui, minha filha?
Clara - O mesmo que vocês - meu tom de voz ainda era calmo e isso me surpreendeu - Porque ele está nessa unidade de hematologia? - fui direto ao ponto mas elas não responderam, em vez disso olharam para o meu pai -
Murilo - Sim, fui eu quem a chamei - assumiu -
Glória - Por que você fez isso?
Murilo - Já está mais do que na hora disso acabar
Glória - Essa decisão não tinha que ser sua
Clara - Eu estou aqui - falei e todos se viraram pra mim - Vocês realmente acham que ainda podem mentir pra mim? - perguntei olhando apenas para elas, e minha voz já tinha subido alguns decibéis mas controlei-me ao perceber que não existia só nós quatro na recepção - O que é que está acontecendo? - minha mãe respirou fundo, claramente sem saber o que fazer e sentou com os braços apoiados nos joelhos. Minha avó soluçou e virou de costas pra mim. Aquilo doeu e duas lágrimas grossas rolaram antes que eu pudesse impedir -
Murilo - Clara? - olhei-o e passei as mãos no rosto. Ele estendeu a mão pra mim e a vontade de chorar aumentou - Vem comigo
Clara - Onde?
Murilo - Vem - o que é que eu tinha a perder ali? Nada. Na verdade ele parecia ser o mais disposto a me contar alguma coisa, seja lá o que fosse. Passei pela minha avó, que estava chorando com as mãos no rosto e segurei a mão dele - Desculpem. Mas isso não está certo - foi o que disse antes de me levar dali. Não fiz questão de saber pra onde estávamos indo, mas pegamos o elevador, descemos em silêncio, ele não soltou a minha mão em momento nenhum e chegamos ao refeitório quase vazio. Sentamos frente a frente e ele olhou pra mim tentando achar as palavras certas para começar - Seu avô está doente - apesar disso já ser muito obvio meu estômago embrulhou, e comecei a recear o que ainda tinha por vim - E como você já deve suspeitar, não tem nada a ver com resfriado - completou de uma forma contida, como se estivesse com medo da minha reação (e estava), conseguia ver isso no jeito como me olhava -
Clara - O que ele tem?
Murilo - Aplasia medular - um arrepio percorreu meu corpo e eu não estava com frio. Meu estômago deu mais umas voltas e achei que fosse vomitar ali mesmo. Se não estivesse sentada com certeza ia cair. Ele continuou falando mas eu não estava mais ali, não queria estar ali, não queria ouvir nada. Como é que tudo tinha mudado em tão poucas horas? -
Clara - Aplasia medular é leucemia? - consegui formular uma pergunta coerente em meio a tantos pensamentos embaralhados -
Murilo - Não, são doenças diferentes - suspirou - A leucemia é um tipo de câncer no sangue que impede a produção normal das células sanguíneas, já aplasia medular tem a produção dessas mesmas células reduzida ou simplesmente eliminada
Clara - E o tratamento? Tem cura, certo?
Murilo - Sim. Por enquanto o tratamento está sendo com medicamentos imunossupressores que estimulam a produção de células do sangue pela medula óssea
Clara - Por enquanto?
Murilo - É - baixou o olhar e eu acho que já sabia o motivo, mesmo assim perguntei -
Clara - Por que?
Murilo - Se não der certo, pode ser necessário um transplante - meu coração afundou no peito só de pensar na possibilidade por saber como é difícil achar doadores compatíveis, até mesmo entre familiares -
Clara - Como isso aconteceu?
Murilo - As causas nem sempre são conhecidas mas no caso do seu avô ela pode estar relacionada a algumas infecções que ele teve. A aplasia é uma doença rara, mas muito séria e nós também não sabíamos muita coisa sobre ela
Clara - Como eles descobriram? - minhas perguntas pareciam meio robóticas, eram automáticas. Ele parava de falar e elas saíam -
Murilo - Através de exames de sangue solicitados pelo médico clínico geral, aqueles de rotina. Depois confirmaram com hemograma e uma biópsia
Clara - Ele fez uma... biópsia? - minha voz tremeu -
Murilo - Sim - eu não estava querendo nem conseguindo acreditar em tudo que ouvia -
Clara - Tudo isso debaixo do meu nariz? - ele não teve como me responder, eu suspirei - A infecção que ele teve quando eu estava em Paris pode ter sido a causa? - mudei o tópico da conversa, sabendo que o fato do meu avô ter feito tanta coisa sem que eu soubesse não ia passar em branco -
Murilo - Não. Aquela infecção foi devido à diminuição das defesas do organismo - franzi a testa - Ou seja, ele já estava doente quando vocês viajaram - ouvir isso foi como se tivesse levado um soco nas costas -
Clara - Como é que é?
Murilo - É isso. Mas ele não queria de jeito nenhum que você soubesse, aliás ele não queria que ninguém soubesse
Clara - Eu não entendo... por que isso?
Murilo - Porque não queria que olhassem pra ele com pena - abaixei a cabeça e deixei que as lágrimas fossem pingando na mesa - Quando a sua avó contou pra Débora, ela ficou sem saber o que fazer, desesperada... e foi por isso que depois teve a ideia de chamá-los pra vim pra cá... No início eles não queriam, mas terminaram aceitando
Clara - Espera... - interrompi-o - Quando eu cheguei de viagem e fui até a casa de vocês, o papo de que eles tinham chegado de surpresa era mentira?
Murilo - Sim
Clara - Por que vocês fizeram isso comigo?
Murilo - Ele pediu, Clara. E eu posso te garantir que a Débora foi contra também... mas ele é pai dela
Clara - E daí? - levantei e bati na mesa com tanta força que os funcionários que passavam por ali olharam pra mim assustados -
Murilo - Calma - levantou também e tentou pegar na minha mão de novo mas dessa vez não deixei - Senta
Clara - Não quero
Murilo - Senta - estava tão sem condições de lutar que terminei sentando, minhas mãos tremiam de uma forma terrível. Abaixei a cabeça e deixei que as lágrimas rolassem furiosamente. Percebi que ele se afastou, e depois de um tempo voltou - Bebe - colocou um copo descartável na minha frente -
Clara - Isso não vai me deixar melhor - ele ignorou o que eu disse e aproximou o copo ainda mais de mim -
Murilo - Ele quer te ver - essas palavras tiveram um efeito totalmente contrário do que eu esperava. Não sabia mais se queria vê-lo. Todo eles mentiram pra mim. Todos. Me fizeram pensar que eu estava louca e paranoica em vez de me contar que meu avô está doente. Está errado, está tudo errado. Mas por outro lado, imaginei-o vulnerável e não consegui ignorar o fato de que ele queria me ver. Ergui a cabeça, bebi a água toda em um único gole, levantei e passei as mãos no rosto. Meu pai não tentou pegar na minha mão dessa vez e fiquei aliviada por isso. Pegamos o elevador com mais algumas pessoas e ao chegar na mesma recepção de antes, minha mãe e minha avó não estavam mais. Fiquei parada praticamente no meio daquela sala enorme enquanto ele foi até uma das recepcionistas e quando voltou pediu que o seguisse. Voltamos para o corredor do elevador, e ele abriu uma das muitas portas existentes ali, não olhei o número. Elas pararam de falar ao me ver, meu pai entrou também e fechou a porta. Não sei por quanto tempo ficamos nos olhando. Meu olhar percorreu o quarto todo e meu avô estava com uma intravenosa no braço. Eu nem sabia dizer o que estava sentindo no momento. Era um misto de raiva por ele ter sido tão egoísta a ponto de preferir sofrer sozinho, com vontade de abraçá-lo e não soltar nunca mais. E abracei-o. Sem falar uma única palavra, abracei-o como nunca devo ter abraçado antes. Não tinha pena. Tinha medo -
Marcos - Fica calma. Estou bem agora
Clara - Por que vocês fizeram isso comigo? - era uma das muitas perguntas que pairavam na minha cabeça sem uma resposta boa o suficiente para fazê-la ir embora. Ninguém falou nada, então continuei o meu desabafo - Por isso te achei mais magro e pálido assim que te vi, vô. Por isso a infecção. Por isso o tal resfriado, a febre, o remédio... Como vocês tiveram coragem de me esconder isso?
Marcos - Clara, eu é que não queria. A culpa é toda minha
Clara - E do que adiantou vô? Eu estou aqui agora, e me sentindo traída por todos vocês, quando já podíamos estar enfrentando isso juntos a muito mais tempo
Glória - Seu avô só estava pensando... no melhor pra você
Clara - No melhor pra MIM? Por favor, pensando no melhor pra mim? Parece que a cada minuto eu escuto algo mais absurdo
Glória - Nós amamos você
Clara - Eu também amo vocês e é por isso que estou assim. Vocês por acaso se colocaram no meu lugar em algum momento? Se eu estivesse doente e escolhesse não contar pra ninguém, qual seria a reação de vocês ao descobrirem?
Marcos - É diferente
Clara - É diferente porque se eu amo vocês da mesma forma? - passei as mãos no rosto já completamente molhado de novo - Vocês iam sentir o que eu estou sentindo agora. E eu posso garantir que dói, dói muito saber que enquanto eu estava me divertindo na França, meu avô estava aqui passando o maior sufoco - minha mãe e minha avó estavam chorando tanto quanto eu - "Fica tranquila, confia em mim", "É paranoia, sério.", lembram disso? - elas olharam pra mim sabendo que eu tinha citado falas delas - Eu confiei em você, vó
Glória - Desculpa, meu amor - ela balançou a cabeça sem consegui olhar pra mim -
Clara - Eu achava que estava enlouquecendo de verdade, mãe. Pensando besteiras da hora que acordava até ir dormir
Débora - Eu não podia, filha... - quase não ouvi a sua voz, que estava abafada na camisa do meu pai. Ela estava abraçada a ele -
Marcos - Clara, elas só fizeram o que eu pedi. Não fica com raiva
Clara - Eu devia estar ao seu lado e não me divertindo enquanto você está sofrendo. Isso é ridículo - estava me sentindo sufocada ali, não sei se pelas palavras ou pela vontade de chorar mas precisava sair - E vou estar do seu lado sempre, vô, pode ter certeza. Mas vocês foram desleais comigo e eu não sei se vou consegui esquecer isso - saí do quarto sem dizer ou ouvir mais nada. Talvez eu é que estivesse sendo egoísta no momento mas... dane-se. Sempre me coloco no lugar das pessoas antes de fazer qualquer coisa para evitar machucá-las, porque é tão difícil fazer o mesmo comigo? Não entendo. É errado querer o bem de quem eu amo? Merda. Merda. Merda! Estava com raiva até de mim por não ter percebido nada. Tá certo que foi ele quem pediu, mas ninguém devia ter concordado porque eu nunca concordaria. Ele poderia até me odiar inicialmente mas ia passar. Nunca passei por nada parecido mas em qualquer situação o apoio familiar é tudo. Minha cabeça estava girando, me deixando tontinha. Pressionei o botão do elevador repetidas vezes, impaciente e querendo sair dali logo -
Débora - Filha, não sai assim - ouvi a sua voz mas nem virei - Você veio sozinha?
Clara - Sim
Débora - Eu te levo
Clara - Não, obrigada - senti ela se aproximar mais e virei o rosto ao vê-la do meu lado -
Débora - Não me trata assim
Clara - Eu posso estar sendo uma idiota, mãe. E não me importo se estiver porque sei que o que estou sentindo não chega nem aos pés do que o que meu avô está sentindo. Nem dá pra comparar. Mas o fato é que esse é o meu jeito, estou me sentindo traída sim, e não posso fazer nada pra mudar isso
Débora - Eu sei, e você pode não acreditar mas me coloquei no seu lugar diversas vezes
Clara - E em nenhuma delas se dignou a me contar. Preferiu sofrer sozinha?
Débora - Você não entende? - começou a chorar novamente e eu sabia que não ia aguentar ver isso. A dor deles parecia passar pra mim triplicada, e isso é o que mais doía, mesmo que eu não dissesse em voz alta -
Clara - Não, não entendo - pressionei o botão do elevador de novo -
Débora - Me deixa te levar, por favor
Clara - Me deixa ficar sozinha, por favor - olhei-a e ela percebeu que dessa vez quem não ia mudar de ideia era eu -
Débora - Você veio dirigindo?
Clara - Não, de táxi
Débora - Tudo bem, vai com cuidado - me encaminhei para escada e quando comecei a descer os primeiros degraus ouvi o blip anunciando a chegada do elevador. Mas continuei. Quando cheguei ao térreo devia estar com uma cara horrível porque todos olharam pra mim, uma enfermeira perguntou se eu estava bem e só consegui assentir. Saí do hospital e fiquei vagando por aquelas ruas quase desconhecidas pra mim, sem saber pra que lado seguir. Na verdade queria apenas encontrar um buraco para me refugir e só sair quando percebesse que tudo não tinha passado de um pesadelo terrível. Desde sempre aprendi que não se resolve nada fugindo mas por parecer a opção mais fácil, parecia a mais certa também e foi a primeira coisa que passou pela minha mente. A raiva diminuía a cada passo que dava mas em compensação já nem sabia o que estava sentindo. Era um medo angustiante tão grande que cheguei a me perguntar se não seria melhor não saber de nada e viver com a minha paranoia... Não! Afastei meus pensamentos nada coerentes, peguei um táxi e quando o motorista perguntou qual era o destino, não soube responder logo de cara e demorei mais do que queria. Precisava ficar sozinha pra tentar digerir a montanha russa de emoções que tinha se instalado dentro de mim em menos de cinco horas. E depois do que me pareceu longos minutos já sabia qual era o lugar perfeito pra isso... Quando cheguei, a praia estava pouco movimentada, havia um casal correndo na areia, mais umas quatro pessoas se aventurando no mar meio agitado e só. Nenhum quiosque estava aberto e imaginei que todos deviam estar no clima do Natal ainda. Ou nem todos. Não tirei a sapatilha, desci da calçada e sentei na areia. Peguei o celular, ignorei as chamadas perdidas sem olhar de quem eram, desliguei-o e o joguei na bolsa de novo. Escolhi o horizonte como um ponto fixo e fiquei olhando pra ele como se estivesse anestesiada. Meus pensamentos pareciam estar congelados e as lágrimas tinham secado. Ainda estava difícil acreditar que um turbilhão de coisas vinha acontecendo debaixo dos meus olhos e eu não conseguia ver nada. E se fosse necessário um transplante? Meu avô ia deixar que me contassem ou... Não, Ana Clara! Isso não vai ser necessário e você também ja sabe de tudo. Não pense nessa hipótese! Fiquei assistindo o início do pôr do sol e com o passar do tempo comecei a ficar com frio mas não queria me mexer e quando o vento passou por mim, senti o meu perfume predileto no ar e não precisei virar pra saber que a única pessoa que queria ali comigo estava atrás de mim. Conhecendo-o bem sabia que ele ainda não estava ao meu lado por achar que eu queria distância. E eu realmente queria... até sentir a sua presença e perceber que o seu abraço era mais do que uma necessidade naquele momento. Provavelmente a anestesia ia passar e as lágrimas iam voltar mas ouvindo o meu lado racional sabia que era disso que estava precisando e quanto mais rápido conseguisse colocar tudo pra fora, mais rápido iria me recompor para ajudar meu avô. Era nele que tinha que pensar, apenas nele. Levantei, me virei e como se fosse o meu ímã, ele se aproximou de mim no mesmo segundo, me abraçando confortavelmente. Eu quebrei instantaneamente, as lágrimas não tinham cessado coisa nenhuma, estavam apenas esperando que eu ficasse ainda mais vulnerável e voltaram com toda a força. Queria parar de chorar e agradecê-lo por estar ali por mim e pra mim, mas isso parecia impossível, minha voz tremia, meu corpo perdeu completamente as forças e eu cairia se não estivéssemos abraçados. Ele gentilmente pediu para que sentássemos e eu obedeci, ficando no seu colo, com a cabeça enterrada no seu pescoço ensopando a sua camisa até enfim, ter forças para encará-lo. Ele começou a enxugar o meu rosto, meus olhos se fecharam ao sentir seu toque e ao terminar ele beijou as minhas pálpebras. Não sei o significado de um beijo nos olhos, nem se existe um, mas me pareceu algo tão íntimo e profundo que eu quis retribuir e sorrir mas acho que não consegui -
Clara - Quem foi que te ligou?
Neymar - A sua mãe. Ela já me contou tudo, não precisa falar nada - assenti - Está melhor?
Clara - Não
Neymar - O que é que você está sentindo agora?
Clara - Agora... - pensei por um momento - Agora estou me sentindo muito mal por ter saído do hospital do jeito que sai e talvez por ter deixado eles se sentirem pior do que já estavam. Eu devia ter ficado, sabe? Mas olhava pra eles e parecia ouvir cada mentirinha que me contaram para esconder algo tão sério, depois olhava para meu avô e o via ali, em uma cama de hospital, tão abatido, tão debilitado... Era muita coisa pra processar, eu queria mas se ficasse ia terminar em uma cama de hospital também
Neymar - Ei, não fala isso - me apertou um pouco mais - Eu entendo que você precisava desse tempo e o do seu espaço. E a sua mãe também entende
Clara - Entende?
Neymar - Sim. Ela disse que do jeito que você estava quando saiu de lá, era bem provável que não fosse pra casa e quisesse ficar sozinha pra digerir tudo. Por isso vim pra cá
Clara - Ah...
Neymar - Mas já está escurecendo, a gente tem que ir
Clara - Tudo bem
Neymar - Seu avô está melhor, só vai ficar internado até amanhã para receber antibiótico intravenoso
Clara - Obrigada - não sei bem se estava agradecendo pela informação ou por ele estar ali, acho que pelas duas coisas. Ele sorriu levemente e nos levantamos. Peguei a minha bolsa e caminhamos até o seu carro de mãos dadas -
Neymar - Falei pra minha mãe que a Duda ia dormir lá mas se quiser ir buscá-la... - colocou o cinto e eu fiz o mesmo -
Clara - Não. Você fez bem, é melhor ela ficar por lá hoje - ele deu partida, o curto caminho até o apê foi em silêncio e quando chegamos a Manu ainda não estava. Não tive muito entusiasmo para brincar com o Luck e deixei-o sob os carinhos do Júnior pra poder ir tomar um banho. Quando entrei no quarto, tirei o celular da bolsa, liguei-o e me assustaria com a quantidade de ligações e mensagens dos meus pais se não soubesse o motivo. Resolvi mandar uma apenas dizendo que estava bem - na medida do possível - e em casa. Depois peguei um pijaminha e entrei no banheiro, tomei um banho gelado e apesar de estar ciente do horário, molhei o cabelo mesmo assim porque estava precisando disso. Quando saí do box, me enrolei em uma toalha, sequei o cabelo superficialmente com outra, desembaracei-o e o deixei solto para que secasse por conta própria até a hora que o sono me dominasse, o que não ia demorar muito para acontecer por culpa do meu enorme cansaço emocional. Vesti o pijama, saí do quarto e fui atrás do Júnior, encontrei-o na cozinha procurando por algo na geladeira e apesar de estar sem nenhum apetite pensei em tomar um copo de suco pelo menos -
Neymar - Só vai ficar com isso? A última coisa que comeu foi o almoço?
Clara - Sim, mas não tenho fome - sentei na banqueta -
Neymar - Hum... e se eu fizesse algo?
Clara - Você? Como assim? Fazer o que? - tomei um gole do meu suco e ele sorriu -
Neymar - Não sei, sanduíches talvez
Clara - Sanduíche?
Neymar - É, posso não me lembrar agora mas eu já devo ter feito alguma vez na vida
Clara - É sério?
Neymar - Não - riu. E se aquilo tudo era uma alguma técnica para tentar me distrair estava começando a funcionar - Mas e aí, topa comer comigo?
Clara - Topo. Vai fazer sanduíche de que?
Neymar - Pra começar, vai ser de coração - e ele conseguiu o que eu julgava ser impossível naquela noite: me fazer rir, por mais breve que tenha sido foi verdadeiro e eu acho que estava amando-o ainda mais por isso. Ele se aproximou do outro lado do balcão, tirou meu cabelo do rosto e o prendeu atrás da minha orelha - É sério, eu vou fazer mas você tem que comer e mentir
Clara - Mentir?
Neymar - Sim, tem que dizer que está bom - sorri -
Clara - Pode deixar
Neymar - Prefere de que? - voltou a abrir a geladeira -
Clara - Pode ser de coração mesmo - riu e olhou pra mim - Você escolhe - ele assentiu e eu fiquei apenas observando o seu trabalho como cozinheiro - um tanto quanto desastrado, mas eu também sou. Dez minutos depois havia um sanduíche de requeijão, presunto e queijo, com uma aparência ótima na minha frente. Dei a primeira mordida e ele me olhou com expectativa - Tenho mesmo que mentir e dizer que está bom?
Neymar - Não, boba - riu -
Clara - Ainda bem, porque está mais do que bom - sorriu perfeitamente, iluminando o meu mundinho que estava tão triste. E não falei apenas para vê-lo sorrir, falei porque estava realmente bom. Comemos em silêncio, nos olhando - e sorrindo - ocasionalmente e por mais improvisado que tenha sido eu sabia que não ia esquecer esse jantar tão cedo. Primeiro, pelos motivos óbvios (a catástrofe que foi o meu dia) e segundo porque foi feito por ele com a intenção de me distrair e me alegrar, nem que fosse por curtos minutos. Quando terminamos e limpamos a cozinha, fomos para o quarto, ainda sem nenhum sinal da Manu mas ela devia estar curtindo com os pais. Depois de fazermos nossas higienes, deitamos e antes que eu pedisse, ele me puxou para o seu colo e devo ter adormecido com as suas mãos passeando pelo meu cabelo ainda meio úmido porque deixei o cansaço apoderar-se de mim, me sentindo totalmente destruída emocionalmente.
XxX - Chegamos! - ouvi uma voz diferente mas familiar e rapidamente soube que era da Fatinha, sim porque se eu ousar chamá-la de tia corro risco de apanhar, de Fátima então... Tudo faz parte do seu jeitinho jovial de ser. Entrei na sala e seus cabelos mais loiros do que nunca foi a primeira coisa que me chamou atenção. Ela sorriu ao me ver, jogou a bolsa no sofá e abriu os braços, fui até ela, abracei-a e beijei sua bochecha - O que é que tem na água de Santos pra vocês estarem assim tão grandes? - rimos do seu exagero -
Manu - Isso porque você ainda não viu a Duda, mãe
Clara - Tio Théo! - com ele ''tio'' é liberado -
Théo - Sim, eu também vim - riu. Abracei-o e ele beijou primeiro a minha testa depois a minha bochecha. Olhei pro Gil e ele parecia sereno e um tanto quanto aliviado, talvez por não ser mais o centro das atenções da Dona Fátima porque ela com certeza já devia ter deixado-o envergonhado ou muito perto disso com seu questionário intimidador à la Fatinha. Mesmo sendo só pressão, e ele deve saber disso também. Ela conquista todo mundo muito fácil e no fundo gosta apenas de se sentir mais jovem do que realmente é, não que seja velha mas a minha mãe também não é e elas são completamente diferentes. Acho que a única coisa que elas devem ter em comum é o amor pelas filhas. O Théo é bem mais pé no chão, apesar de concordar em ficar rodando pelo mundo, conhecendo lugares novos com a esposa... às vezes acho que ele faz isso por amor, porque ela gosta, e admiro isso nele. Pelo menos nunca vi nenhum dos dois infelizes e fazem todo mundo sorrir por onde passam -
Clara - Ué, cadê as malas?
Théo - Deixamos no hotel onde vamos ficar hospedados até acharmos um lugar fixo - olhou pra Manu e ela sorriu amplamente. A Duda e o Júnior entraram na sala também e ela demorou um pouco para reconhecer a Fatinha e o Théo, ficou paradinha por um tempo olhando pra eles e tentando puxar da memória de onde conhecia-os e quando isso aconteceu, abraçou-os sem pestanejar, o que nos levou a rir -
Fatinha - Neymar!! Oh, my God!! - fingiu estar muito espantada depois caiu na risada e nós fizemos o mesmo - Você é muito mais bonito pessoalmente - ele sorriu, e se ela o conhecesse bem saberia que conseguiu deixá-lo constrangido. Eu ri por dentro -
Neymar - Muito obrigado
Fatinha - Oh, não consegui deixar vermelhinho - olhou de relance para o Gil - Mas deixa pra próxima. Pode vim aqui me dá um abraço também - sorriu. Ele se aproximou e ela abraçou-o sem nenhuma cerimônia - Sabe que eu tenho um pedacinho de você comigo, né?
Neymar - Tem? - franziu a testa -
Fatinha - Um pedacinho de você não é bem o termo correto mas eu estava lá em St. Gallen, na Suíça, em um amistoso da Seleção Brasileira contra a Bósnia e no final do jogo pedi a sua camisa e você me deu. Agora, é claro que vou querer um autógrafo nela, com uma dedicatória bem bonitinha também
Manu - Mãe! - riu -
Neymar - Pode deixar - riu -
Théo - Não dá ouvidos pra essa aí não porque é a idade chegando - eles riram e se cumprimentaram -
Fatinha - Eu ouvi, heim?! E estou na flor da idade, só pra vocês saberem - rimos. Eles sentaram, um de cada lado da Dudoca, ainda espantados com o tamanho dela (a propósito, ela já se lembrava muito bem deles), a Manu e o Gil sentaram no mesmo sofá com eles e eu o Júnior juntos em uma das poltronas. Passamos a hora seguinte ouvindo eles falarem um pouco sobre alguns lugares que conheceram e contando sobre o início da nossa estádia em Santos também. Depois a Manu levou-os para um tour pelo apartamento e a Dudoca foi junto com a missão de apresentá-los ao Luck -
Clara - E aí, passou no teste da sogrinha? - não resisti em zoar o Gil -
Neymar - Teste?
Gil - A mulher é muito doida, cara - rimos -
Clara - Vai se acostumando porque a Manu mais velha será bem assim. Mas diz, o que ela aprontou?
Gil - Vindo pra cá ela perguntou pra Manu, na minha frente, se eu realmente sou bom em todos os campos - gargalhei fortemente -
Neymar - E a Manu?
Gil - Enrolou e não respondeu
Neymar - Que sorte heim, parceiro - deu dois tapinhas na perna dele, que também não resistiu e riu com a gente -
Clara - Por que, Júnior? Você sabe como ele é em todos os "campos"? - gesticulei as aspas e o Gil começou a rir descontroladamente -
Neymar - Assim você me ofende, amor - entrou na brincadeira fazendo uma carinha irresistível de ofendido -
Gil - Pergunta direta, resposta direta e eu ainda não ouvi nenhuma, parceiro - falou a última palavra com uma pontinha de ironia e deu dois tapinhas na perna dele também -
Clara - Mas como assim? Existe uma outra resposta que não seja a que eu acho... ou achava ser obvia...?
Gil - Puta merda! Mulher é complicada demais
Clara - Vocês se enrolam no que falam e eu sou complicada?
Gil - A Emanuelle nunca reclamou de mim em nenhum campo, satisfeitos? - lágrimas incontroláveis já rolavam dos meus olhos de tanto que eu ria com a cabeça encostada no ombro do Júnior, que também não sabia como parar de rir - Palhaços, se merecem mesmo!
Clara - Por isso adoro a Fatinha. Mal chegou e mesmo sem saber já me fez chorar de rir - apertei os olhos, respirei fundo e consegui me conter. Quando abri os olhos novamente, olhei pro Gil e sorri, ele retribuiu de maneira irônica - Ok, vamos voltar ao assunto inicial...
Gil - Ótimo - tentou falar sério encarando outro ponto qualquer da sala que não fosse a gente pra não rir também -
Clara - Qual a primeira impressão que teve deles?
Gil - O Théo é bem tranquilo né? Aquele discurso do tipo ''se magoar a minha filha vai se ver comigo" já tinha acontecido via skype - riu - Por isso agora foi bem de boa. E em relação a Fatinha... - olhou pra nós dois sabendo que íamos rir - Acho que só não me surpreendi muito por causa da convivência com a Manu - rimos -
Clara - Ela é assim exagerada na maioria das vezes, fala tudo que vem na cabeça mesmo mas adora fazer todo mundo rir
Gil - É né, percebi - rimos. Eles voltaram e em conjunto decidimos almoçar em casa mesmo, ou seja, eu teria que cozinhar. Deixei todos eles na sala conversando sobre os mais variados assuntos e fui para cozinha. Preparei uma lasanha grande de peito de peru e queijo ao molho branco enquanto Jessie J ressoava por toda cozinha me deixando mais bem humorada do que já estava. Fiz um pavê de chocolate também e depois de colocá-lo na geladeira, arrumei a mesa, dei pause no player de músicas do celular, dando fim ao meu show particular também, deixei-o em cima do balcão mesmo e fui chamá-los para o nosso almoço um tanto quanto tardio. A Fatinha e o Théo elogiaram a minha comida e isso me deixou até orgulhosa de mim mesma porque eles com certeza já tinham comido nos melhores restaurantes do mundo. Algo a mais para acrescentar ao meu bom humor. Comemos a sobremesa na sala, e eles quiseram lavar a louça depois mas como não deixei, a visita ao Esquenta foi adiantada e eles saíram com a Manu e o Gil. Lavei a louça e enquanto o Júnior guardava, peguei meu celular. Meu coração acelerou ao ver sete chamadas perdidas do meu pai. Sete. Sentei na banqueta e pisquei pra ter certeza do que estava vendo -
Neymar - Está se sentindo mal?
Clara - Não - mostrei o celular pra ele - Sete chamadas do meu pai - ele não conseguiu esconder a surpresa também mas tentou não demonstrar -
Neymar - Não fica pensando besteira e retorna logo - ele estava certo, mas porque que eu estava com tanto medo do que poderia ouvir? Se fosse apenas uma chamada talvez nem me deixasse tanto em estado de alerta mas foram... sete. Meu celular vibrou na minha mão e quase deixei-o cair com o susto que levei. Era o meu pai. Olhei pro Júnior e ele me incentivou a atender logo. Foi o que fiz.
- início -
Murilo - Clara! Finalmente! - ele parecia ansioso, nervoso e falava bem baixinho. Levei um tempo para respondê-lo -
Clara - Oi, pai. Só vi suas ligações agora, desculpa
Murilo - Tudo bem, desculpa eu se te assustei com tantas chamadas... mas precisava falar com você o quanto antes - sua voz continuava no mesmo tom baixo, como se estivesse falando escondido -
Clara - O que aconteceu? - perguntei sem rodeios e dessa vez foi ele quem demorou para responder -
Murilo - A febre do seu avô não passou e nós estamos no hospital - apertei os olhos com força, meu coração acelerou mais um pouco e eu estava começando a ficar com medo do que poderia acontecer caso ele acelerasse mais, principalmente porque senti que meu pai não estava contando tudo -
Clara - Que hospital? - consegui formular uma única pergunta e atraí rapidamente a atenção do Júnior -
Murilo - São Luiz, no Morumbi - fez uma pausa, acho que falou algo com alguém perto dele e eu queria falar também mas não sabia o quê - Vou ter que desligar agora porque a sua mãe não sabe que estou falando com você. E só te liguei porque não acho mais certo o que estamos fazendo... não mais. Não quando estamos no hospital.
Clara - Não estou te entendendo pai, e você está me assustando
Murilo - Eu também nem sei se o que estou fazendo é o certo, mas vem... quando você chegar aqui vai ficar sabendo de tudo
Clara - Como eu acho vocês quando chegar aí? - perguntei já sabendo que ia começar a chorar. "Quando você chegar aqui vai ficar sabendo de tudo." Acho que pela primeira vez não queria saber de nada -
Murilo - Quinto andar. Você vai consegui nos ver assim que chegar na recepção
Clara - Ok
Murilo - Não vem sozinha, por favor. Um beijo - não falei mais nada e depois de quase um minuto a chamada foi encerrada por ele.
- término -
Deixei o celular cair no balcão e respirei fundo, engolindo cada lágrima que eu jurava que não ia consegui segurar. Ok que estava assustada e com um pressentimento horrível mas não ia me deixar abater enquanto não soubesse de tudo.
Clara - Preciso ir até lá - levantei rapidamente -
Neymar - Aonde você vai? - parou na minha frente e colocou as mãos no meus ombros tensos que relaxaram instintivamente ao seu toque. Abracei-o sem dizer nada e ele me apertou forte o bastante para deixar claro que estava ali para tudo -
Clara - Lembra quando fui ver meus avós ontem à noite? - assentiu - Percebi que meu avô estava meio quente demais, ou melhor dizendo, ele já estava com febre. E por algum motivo ela não passou... por isso ele está no hospital agora. Eu preciso ir pra lá - não tenho certeza se ele entendeu tudo que eu disse porque falei depressa demais -
Neymar - Que hospital?
Clara - São Luiz
Neymar - Qual unidade?
Clara - A do Morumbi. É longe?
Neymar - Sim. Eu vou com você
Clara - Não, amor. Eu queria muito que você fosse comigo mas não quero a Duda lá sem saber direito o que está acontecendo
Neymar - A gente deixa ela com a minha mãe
Clara - Vai demorar mais. Por favor, fica aqui
Neymar - Você acha que tem condições de dirigir?
Clara - Sim. Mas posso pegar um táxi se você preferir
Neymar - Prefiro
Clara - Tudo bem, vou me arrumar - saí da cozinha e passei pela sala, onde a Duda estava brincando com o tablet, como um furacão. Entrei no quarto, fui direto ao guarda-roupa, e não fiquei escolhendo muito por dois motivos: não estava com paciência, nem queria perder tempo. Peguei a roupa, entrei no banheiro, tomei um banho bem rápido, me enxuguei, me vesti e borrifei um pouco do meu perfume ao mesmo tempo que soltava o cabelo para penteá-lo. Calcei uma sapatilha, peguei minha carteira, joguei em uma bolsa qualquer, peguei-a, saí do quarto e fui na cozinha pegar o celular -
Eduarda - Vai sair, mãe?
Clara - Sim, amor. Mas vou tentar não demorar, tudo bem? - assentiu. Dei um beijinho na sua testa, o Júnior levantou e me acompanhou até a porta. Peguei a minha chave no porta-chaves e virei pra ele -
Neymar - Me avisa quando chegar lá e tenta não pensar em coisas ruins no caminho
Clara - Pode deixar - respondi tentando me convencer de que não ia pensar mesmo. Abri a porta mas ele não soltou a minha mão e me puxou para um beijo que eu não sabia que estava precisando mas que me fez um bem enorme -
Neymar - Eu te amo. Vai pensando nisso, tá? - sorri como eu achava que já não seria possível depois da ligação do meu pai. Segurei o seu rosto entre as minhas mãos e beijei-o novamente -
Clara - Juízo! - ele riu, porque isso era o que sempre dizia quando deixava ele e a Duda sozinhos. Saí, chamei o elevador, desci e ao chegar no térreo, o porteiro me informou que um táxi estava me esperando. Quis subir e abraçá-lo de novo por ser tão maravilhoso comigo, mas sabia que podia fazer isso depois. Saí do prédio, entrei no táxi e falei o meu destino. 1 hora e 15 minutos depois estávamos em frente ao Hospital São Luiz. Paguei e agradeci ao motorista, saí e mandei uma mensagem para o Júnior.
Obrigada pelo táxi. Acabei de chegar.
Consegui não pensar besteira durante o caminho todo! ️
Não esperei por nenhuma resposta, coloquei o celular no silencioso, e tomei coragem para entrar no hospital. Vi um painel com os andares, procurei pelo quinto e quando achei levei outro choque. Unidade de hematologia. O que meu avô estava fazendo nessa unidade? Todos os pensamentos que tentei deixar de lado porque o Júnior pediu voltaram com toda força. Meu humor tinha descido a níveis inatingíveis. Segui as indicações até o elevador, esperei com mais algumas pessoas que ele chegasse, entramos, marquei o quinto andar e esperei. Fechei os olhos e rezei até ele parar onde eu queria. Saí em um corredor longo mas vi a recepção logo a minha frente e sentadas, ao lado do meu pai que estava de pé, minha mãe e minha avó. Ele me viu mas não disse nada e esperou que eu me aproximasse. Ao ouvir meus passos, elas levantaram a cabeça e posso dizer com certeza que esperavam ver qualquer pessoa ali menos eu. A surpresa era muito obvia nas duas.
Débora - Clara... - elas levantaram -
Clara - Eu - sorri falsamente -
Glória - O que você está fazendo aqui, minha filha?
Clara - O mesmo que vocês - meu tom de voz ainda era calmo e isso me surpreendeu - Porque ele está nessa unidade de hematologia? - fui direto ao ponto mas elas não responderam, em vez disso olharam para o meu pai -
Murilo - Sim, fui eu quem a chamei - assumiu -
Glória - Por que você fez isso?
Murilo - Já está mais do que na hora disso acabar
Glória - Essa decisão não tinha que ser sua
Clara - Eu estou aqui - falei e todos se viraram pra mim - Vocês realmente acham que ainda podem mentir pra mim? - perguntei olhando apenas para elas, e minha voz já tinha subido alguns decibéis mas controlei-me ao perceber que não existia só nós quatro na recepção - O que é que está acontecendo? - minha mãe respirou fundo, claramente sem saber o que fazer e sentou com os braços apoiados nos joelhos. Minha avó soluçou e virou de costas pra mim. Aquilo doeu e duas lágrimas grossas rolaram antes que eu pudesse impedir -
Murilo - Clara? - olhei-o e passei as mãos no rosto. Ele estendeu a mão pra mim e a vontade de chorar aumentou - Vem comigo
Clara - Onde?
Murilo - Vem - o que é que eu tinha a perder ali? Nada. Na verdade ele parecia ser o mais disposto a me contar alguma coisa, seja lá o que fosse. Passei pela minha avó, que estava chorando com as mãos no rosto e segurei a mão dele - Desculpem. Mas isso não está certo - foi o que disse antes de me levar dali. Não fiz questão de saber pra onde estávamos indo, mas pegamos o elevador, descemos em silêncio, ele não soltou a minha mão em momento nenhum e chegamos ao refeitório quase vazio. Sentamos frente a frente e ele olhou pra mim tentando achar as palavras certas para começar - Seu avô está doente - apesar disso já ser muito obvio meu estômago embrulhou, e comecei a recear o que ainda tinha por vim - E como você já deve suspeitar, não tem nada a ver com resfriado - completou de uma forma contida, como se estivesse com medo da minha reação (e estava), conseguia ver isso no jeito como me olhava -
Clara - O que ele tem?
Murilo - Aplasia medular - um arrepio percorreu meu corpo e eu não estava com frio. Meu estômago deu mais umas voltas e achei que fosse vomitar ali mesmo. Se não estivesse sentada com certeza ia cair. Ele continuou falando mas eu não estava mais ali, não queria estar ali, não queria ouvir nada. Como é que tudo tinha mudado em tão poucas horas? -
Clara - Aplasia medular é leucemia? - consegui formular uma pergunta coerente em meio a tantos pensamentos embaralhados -
Murilo - Não, são doenças diferentes - suspirou - A leucemia é um tipo de câncer no sangue que impede a produção normal das células sanguíneas, já aplasia medular tem a produção dessas mesmas células reduzida ou simplesmente eliminada
Clara - E o tratamento? Tem cura, certo?
Murilo - Sim. Por enquanto o tratamento está sendo com medicamentos imunossupressores que estimulam a produção de células do sangue pela medula óssea
Clara - Por enquanto?
Murilo - É - baixou o olhar e eu acho que já sabia o motivo, mesmo assim perguntei -
Clara - Por que?
Murilo - Se não der certo, pode ser necessário um transplante - meu coração afundou no peito só de pensar na possibilidade por saber como é difícil achar doadores compatíveis, até mesmo entre familiares -
Clara - Como isso aconteceu?
Murilo - As causas nem sempre são conhecidas mas no caso do seu avô ela pode estar relacionada a algumas infecções que ele teve. A aplasia é uma doença rara, mas muito séria e nós também não sabíamos muita coisa sobre ela
Clara - Como eles descobriram? - minhas perguntas pareciam meio robóticas, eram automáticas. Ele parava de falar e elas saíam -
Murilo - Através de exames de sangue solicitados pelo médico clínico geral, aqueles de rotina. Depois confirmaram com hemograma e uma biópsia
Clara - Ele fez uma... biópsia? - minha voz tremeu -
Murilo - Sim - eu não estava querendo nem conseguindo acreditar em tudo que ouvia -
Clara - Tudo isso debaixo do meu nariz? - ele não teve como me responder, eu suspirei - A infecção que ele teve quando eu estava em Paris pode ter sido a causa? - mudei o tópico da conversa, sabendo que o fato do meu avô ter feito tanta coisa sem que eu soubesse não ia passar em branco -
Murilo - Não. Aquela infecção foi devido à diminuição das defesas do organismo - franzi a testa - Ou seja, ele já estava doente quando vocês viajaram - ouvir isso foi como se tivesse levado um soco nas costas -
Clara - Como é que é?
Murilo - É isso. Mas ele não queria de jeito nenhum que você soubesse, aliás ele não queria que ninguém soubesse
Clara - Eu não entendo... por que isso?
Murilo - Porque não queria que olhassem pra ele com pena - abaixei a cabeça e deixei que as lágrimas fossem pingando na mesa - Quando a sua avó contou pra Débora, ela ficou sem saber o que fazer, desesperada... e foi por isso que depois teve a ideia de chamá-los pra vim pra cá... No início eles não queriam, mas terminaram aceitando
Clara - Espera... - interrompi-o - Quando eu cheguei de viagem e fui até a casa de vocês, o papo de que eles tinham chegado de surpresa era mentira?
Murilo - Sim
Clara - Por que vocês fizeram isso comigo?
Murilo - Ele pediu, Clara. E eu posso te garantir que a Débora foi contra também... mas ele é pai dela
Clara - E daí? - levantei e bati na mesa com tanta força que os funcionários que passavam por ali olharam pra mim assustados -
Murilo - Calma - levantou também e tentou pegar na minha mão de novo mas dessa vez não deixei - Senta
Clara - Não quero
Murilo - Senta - estava tão sem condições de lutar que terminei sentando, minhas mãos tremiam de uma forma terrível. Abaixei a cabeça e deixei que as lágrimas rolassem furiosamente. Percebi que ele se afastou, e depois de um tempo voltou - Bebe - colocou um copo descartável na minha frente -
Clara - Isso não vai me deixar melhor - ele ignorou o que eu disse e aproximou o copo ainda mais de mim -
Murilo - Ele quer te ver - essas palavras tiveram um efeito totalmente contrário do que eu esperava. Não sabia mais se queria vê-lo. Todo eles mentiram pra mim. Todos. Me fizeram pensar que eu estava louca e paranoica em vez de me contar que meu avô está doente. Está errado, está tudo errado. Mas por outro lado, imaginei-o vulnerável e não consegui ignorar o fato de que ele queria me ver. Ergui a cabeça, bebi a água toda em um único gole, levantei e passei as mãos no rosto. Meu pai não tentou pegar na minha mão dessa vez e fiquei aliviada por isso. Pegamos o elevador com mais algumas pessoas e ao chegar na mesma recepção de antes, minha mãe e minha avó não estavam mais. Fiquei parada praticamente no meio daquela sala enorme enquanto ele foi até uma das recepcionistas e quando voltou pediu que o seguisse. Voltamos para o corredor do elevador, e ele abriu uma das muitas portas existentes ali, não olhei o número. Elas pararam de falar ao me ver, meu pai entrou também e fechou a porta. Não sei por quanto tempo ficamos nos olhando. Meu olhar percorreu o quarto todo e meu avô estava com uma intravenosa no braço. Eu nem sabia dizer o que estava sentindo no momento. Era um misto de raiva por ele ter sido tão egoísta a ponto de preferir sofrer sozinho, com vontade de abraçá-lo e não soltar nunca mais. E abracei-o. Sem falar uma única palavra, abracei-o como nunca devo ter abraçado antes. Não tinha pena. Tinha medo -
Marcos - Fica calma. Estou bem agora
Clara - Por que vocês fizeram isso comigo? - era uma das muitas perguntas que pairavam na minha cabeça sem uma resposta boa o suficiente para fazê-la ir embora. Ninguém falou nada, então continuei o meu desabafo - Por isso te achei mais magro e pálido assim que te vi, vô. Por isso a infecção. Por isso o tal resfriado, a febre, o remédio... Como vocês tiveram coragem de me esconder isso?
Marcos - Clara, eu é que não queria. A culpa é toda minha
Clara - E do que adiantou vô? Eu estou aqui agora, e me sentindo traída por todos vocês, quando já podíamos estar enfrentando isso juntos a muito mais tempo
Glória - Seu avô só estava pensando... no melhor pra você
Clara - No melhor pra MIM? Por favor, pensando no melhor pra mim? Parece que a cada minuto eu escuto algo mais absurdo
Glória - Nós amamos você
Clara - Eu também amo vocês e é por isso que estou assim. Vocês por acaso se colocaram no meu lugar em algum momento? Se eu estivesse doente e escolhesse não contar pra ninguém, qual seria a reação de vocês ao descobrirem?
Marcos - É diferente
Clara - É diferente porque se eu amo vocês da mesma forma? - passei as mãos no rosto já completamente molhado de novo - Vocês iam sentir o que eu estou sentindo agora. E eu posso garantir que dói, dói muito saber que enquanto eu estava me divertindo na França, meu avô estava aqui passando o maior sufoco - minha mãe e minha avó estavam chorando tanto quanto eu - "Fica tranquila, confia em mim", "É paranoia, sério.", lembram disso? - elas olharam pra mim sabendo que eu tinha citado falas delas - Eu confiei em você, vó
Glória - Desculpa, meu amor - ela balançou a cabeça sem consegui olhar pra mim -
Clara - Eu achava que estava enlouquecendo de verdade, mãe. Pensando besteiras da hora que acordava até ir dormir
Débora - Eu não podia, filha... - quase não ouvi a sua voz, que estava abafada na camisa do meu pai. Ela estava abraçada a ele -
Marcos - Clara, elas só fizeram o que eu pedi. Não fica com raiva
Clara - Eu devia estar ao seu lado e não me divertindo enquanto você está sofrendo. Isso é ridículo - estava me sentindo sufocada ali, não sei se pelas palavras ou pela vontade de chorar mas precisava sair - E vou estar do seu lado sempre, vô, pode ter certeza. Mas vocês foram desleais comigo e eu não sei se vou consegui esquecer isso - saí do quarto sem dizer ou ouvir mais nada. Talvez eu é que estivesse sendo egoísta no momento mas... dane-se. Sempre me coloco no lugar das pessoas antes de fazer qualquer coisa para evitar machucá-las, porque é tão difícil fazer o mesmo comigo? Não entendo. É errado querer o bem de quem eu amo? Merda. Merda. Merda! Estava com raiva até de mim por não ter percebido nada. Tá certo que foi ele quem pediu, mas ninguém devia ter concordado porque eu nunca concordaria. Ele poderia até me odiar inicialmente mas ia passar. Nunca passei por nada parecido mas em qualquer situação o apoio familiar é tudo. Minha cabeça estava girando, me deixando tontinha. Pressionei o botão do elevador repetidas vezes, impaciente e querendo sair dali logo -
Débora - Filha, não sai assim - ouvi a sua voz mas nem virei - Você veio sozinha?
Clara - Sim
Débora - Eu te levo
Clara - Não, obrigada - senti ela se aproximar mais e virei o rosto ao vê-la do meu lado -
Débora - Não me trata assim
Clara - Eu posso estar sendo uma idiota, mãe. E não me importo se estiver porque sei que o que estou sentindo não chega nem aos pés do que o que meu avô está sentindo. Nem dá pra comparar. Mas o fato é que esse é o meu jeito, estou me sentindo traída sim, e não posso fazer nada pra mudar isso
Débora - Eu sei, e você pode não acreditar mas me coloquei no seu lugar diversas vezes
Clara - E em nenhuma delas se dignou a me contar. Preferiu sofrer sozinha?
Débora - Você não entende? - começou a chorar novamente e eu sabia que não ia aguentar ver isso. A dor deles parecia passar pra mim triplicada, e isso é o que mais doía, mesmo que eu não dissesse em voz alta -
Clara - Não, não entendo - pressionei o botão do elevador de novo -
Débora - Me deixa te levar, por favor
Clara - Me deixa ficar sozinha, por favor - olhei-a e ela percebeu que dessa vez quem não ia mudar de ideia era eu -
Débora - Você veio dirigindo?
Clara - Não, de táxi
Débora - Tudo bem, vai com cuidado - me encaminhei para escada e quando comecei a descer os primeiros degraus ouvi o blip anunciando a chegada do elevador. Mas continuei. Quando cheguei ao térreo devia estar com uma cara horrível porque todos olharam pra mim, uma enfermeira perguntou se eu estava bem e só consegui assentir. Saí do hospital e fiquei vagando por aquelas ruas quase desconhecidas pra mim, sem saber pra que lado seguir. Na verdade queria apenas encontrar um buraco para me refugir e só sair quando percebesse que tudo não tinha passado de um pesadelo terrível. Desde sempre aprendi que não se resolve nada fugindo mas por parecer a opção mais fácil, parecia a mais certa também e foi a primeira coisa que passou pela minha mente. A raiva diminuía a cada passo que dava mas em compensação já nem sabia o que estava sentindo. Era um medo angustiante tão grande que cheguei a me perguntar se não seria melhor não saber de nada e viver com a minha paranoia... Não! Afastei meus pensamentos nada coerentes, peguei um táxi e quando o motorista perguntou qual era o destino, não soube responder logo de cara e demorei mais do que queria. Precisava ficar sozinha pra tentar digerir a montanha russa de emoções que tinha se instalado dentro de mim em menos de cinco horas. E depois do que me pareceu longos minutos já sabia qual era o lugar perfeito pra isso... Quando cheguei, a praia estava pouco movimentada, havia um casal correndo na areia, mais umas quatro pessoas se aventurando no mar meio agitado e só. Nenhum quiosque estava aberto e imaginei que todos deviam estar no clima do Natal ainda. Ou nem todos. Não tirei a sapatilha, desci da calçada e sentei na areia. Peguei o celular, ignorei as chamadas perdidas sem olhar de quem eram, desliguei-o e o joguei na bolsa de novo. Escolhi o horizonte como um ponto fixo e fiquei olhando pra ele como se estivesse anestesiada. Meus pensamentos pareciam estar congelados e as lágrimas tinham secado. Ainda estava difícil acreditar que um turbilhão de coisas vinha acontecendo debaixo dos meus olhos e eu não conseguia ver nada. E se fosse necessário um transplante? Meu avô ia deixar que me contassem ou... Não, Ana Clara! Isso não vai ser necessário e você também ja sabe de tudo. Não pense nessa hipótese! Fiquei assistindo o início do pôr do sol e com o passar do tempo comecei a ficar com frio mas não queria me mexer e quando o vento passou por mim, senti o meu perfume predileto no ar e não precisei virar pra saber que a única pessoa que queria ali comigo estava atrás de mim. Conhecendo-o bem sabia que ele ainda não estava ao meu lado por achar que eu queria distância. E eu realmente queria... até sentir a sua presença e perceber que o seu abraço era mais do que uma necessidade naquele momento. Provavelmente a anestesia ia passar e as lágrimas iam voltar mas ouvindo o meu lado racional sabia que era disso que estava precisando e quanto mais rápido conseguisse colocar tudo pra fora, mais rápido iria me recompor para ajudar meu avô. Era nele que tinha que pensar, apenas nele. Levantei, me virei e como se fosse o meu ímã, ele se aproximou de mim no mesmo segundo, me abraçando confortavelmente. Eu quebrei instantaneamente, as lágrimas não tinham cessado coisa nenhuma, estavam apenas esperando que eu ficasse ainda mais vulnerável e voltaram com toda a força. Queria parar de chorar e agradecê-lo por estar ali por mim e pra mim, mas isso parecia impossível, minha voz tremia, meu corpo perdeu completamente as forças e eu cairia se não estivéssemos abraçados. Ele gentilmente pediu para que sentássemos e eu obedeci, ficando no seu colo, com a cabeça enterrada no seu pescoço ensopando a sua camisa até enfim, ter forças para encará-lo. Ele começou a enxugar o meu rosto, meus olhos se fecharam ao sentir seu toque e ao terminar ele beijou as minhas pálpebras. Não sei o significado de um beijo nos olhos, nem se existe um, mas me pareceu algo tão íntimo e profundo que eu quis retribuir e sorrir mas acho que não consegui -
Clara - Quem foi que te ligou?
Neymar - A sua mãe. Ela já me contou tudo, não precisa falar nada - assenti - Está melhor?
Clara - Não
Neymar - O que é que você está sentindo agora?
Clara - Agora... - pensei por um momento - Agora estou me sentindo muito mal por ter saído do hospital do jeito que sai e talvez por ter deixado eles se sentirem pior do que já estavam. Eu devia ter ficado, sabe? Mas olhava pra eles e parecia ouvir cada mentirinha que me contaram para esconder algo tão sério, depois olhava para meu avô e o via ali, em uma cama de hospital, tão abatido, tão debilitado... Era muita coisa pra processar, eu queria mas se ficasse ia terminar em uma cama de hospital também
Neymar - Ei, não fala isso - me apertou um pouco mais - Eu entendo que você precisava desse tempo e o do seu espaço. E a sua mãe também entende
Clara - Entende?
Neymar - Sim. Ela disse que do jeito que você estava quando saiu de lá, era bem provável que não fosse pra casa e quisesse ficar sozinha pra digerir tudo. Por isso vim pra cá
Clara - Ah...
Neymar - Mas já está escurecendo, a gente tem que ir
Clara - Tudo bem
Neymar - Seu avô está melhor, só vai ficar internado até amanhã para receber antibiótico intravenoso
Clara - Obrigada - não sei bem se estava agradecendo pela informação ou por ele estar ali, acho que pelas duas coisas. Ele sorriu levemente e nos levantamos. Peguei a minha bolsa e caminhamos até o seu carro de mãos dadas -
Neymar - Falei pra minha mãe que a Duda ia dormir lá mas se quiser ir buscá-la... - colocou o cinto e eu fiz o mesmo -
Clara - Não. Você fez bem, é melhor ela ficar por lá hoje - ele deu partida, o curto caminho até o apê foi em silêncio e quando chegamos a Manu ainda não estava. Não tive muito entusiasmo para brincar com o Luck e deixei-o sob os carinhos do Júnior pra poder ir tomar um banho. Quando entrei no quarto, tirei o celular da bolsa, liguei-o e me assustaria com a quantidade de ligações e mensagens dos meus pais se não soubesse o motivo. Resolvi mandar uma apenas dizendo que estava bem - na medida do possível - e em casa. Depois peguei um pijaminha e entrei no banheiro, tomei um banho gelado e apesar de estar ciente do horário, molhei o cabelo mesmo assim porque estava precisando disso. Quando saí do box, me enrolei em uma toalha, sequei o cabelo superficialmente com outra, desembaracei-o e o deixei solto para que secasse por conta própria até a hora que o sono me dominasse, o que não ia demorar muito para acontecer por culpa do meu enorme cansaço emocional. Vesti o pijama, saí do quarto e fui atrás do Júnior, encontrei-o na cozinha procurando por algo na geladeira e apesar de estar sem nenhum apetite pensei em tomar um copo de suco pelo menos -
Neymar - Só vai ficar com isso? A última coisa que comeu foi o almoço?
Clara - Sim, mas não tenho fome - sentei na banqueta -
Neymar - Hum... e se eu fizesse algo?
Clara - Você? Como assim? Fazer o que? - tomei um gole do meu suco e ele sorriu -
Neymar - Não sei, sanduíches talvez
Clara - Sanduíche?
Neymar - É, posso não me lembrar agora mas eu já devo ter feito alguma vez na vida
Clara - É sério?
Neymar - Não - riu. E se aquilo tudo era uma alguma técnica para tentar me distrair estava começando a funcionar - Mas e aí, topa comer comigo?
Clara - Topo. Vai fazer sanduíche de que?
Neymar - Pra começar, vai ser de coração - e ele conseguiu o que eu julgava ser impossível naquela noite: me fazer rir, por mais breve que tenha sido foi verdadeiro e eu acho que estava amando-o ainda mais por isso. Ele se aproximou do outro lado do balcão, tirou meu cabelo do rosto e o prendeu atrás da minha orelha - É sério, eu vou fazer mas você tem que comer e mentir
Clara - Mentir?
Neymar - Sim, tem que dizer que está bom - sorri -
Clara - Pode deixar
Neymar - Prefere de que? - voltou a abrir a geladeira -
Clara - Pode ser de coração mesmo - riu e olhou pra mim - Você escolhe - ele assentiu e eu fiquei apenas observando o seu trabalho como cozinheiro - um tanto quanto desastrado, mas eu também sou. Dez minutos depois havia um sanduíche de requeijão, presunto e queijo, com uma aparência ótima na minha frente. Dei a primeira mordida e ele me olhou com expectativa - Tenho mesmo que mentir e dizer que está bom?
Neymar - Não, boba - riu -
Clara - Ainda bem, porque está mais do que bom - sorriu perfeitamente, iluminando o meu mundinho que estava tão triste. E não falei apenas para vê-lo sorrir, falei porque estava realmente bom. Comemos em silêncio, nos olhando - e sorrindo - ocasionalmente e por mais improvisado que tenha sido eu sabia que não ia esquecer esse jantar tão cedo. Primeiro, pelos motivos óbvios (a catástrofe que foi o meu dia) e segundo porque foi feito por ele com a intenção de me distrair e me alegrar, nem que fosse por curtos minutos. Quando terminamos e limpamos a cozinha, fomos para o quarto, ainda sem nenhum sinal da Manu mas ela devia estar curtindo com os pais. Depois de fazermos nossas higienes, deitamos e antes que eu pedisse, ele me puxou para o seu colo e devo ter adormecido com as suas mãos passeando pelo meu cabelo ainda meio úmido porque deixei o cansaço apoderar-se de mim, me sentindo totalmente destruída emocionalmente.
Meus amores!! ️ vocês nem ligam mais pra minha demora não é? Digam que não, por favor!
Estou me dividindo em várias pra consegui fazer tudo que quero, por isso está tão puxado. Pra dificultar ainda mais, eu amo ler, amo demais e é realmente muito difícil escolher entre meus livros e a escrita... mas eu sei que tenho um compromisso com vocês e se Deus quiser vou com ele até o fim!! Vou começar meu cursinho por agora também, ou seja, o tempo vai encurtar mais ainda, então sejam apenas pacientes comigo, até porque nem sempre que dá pra escrever a criatividade ajuda. Aproveito pra pedir desculpas as donas das fanfics que eu costumava acompanhar sempre, mas acho que já consegui ficar atrasada em todas. E com minha falta de tempo, ou leio ou escrevo. Mas vou tentar mudar isso, prometo.
NOTA: As informações contidas aqui sobre aplasia medular são do meu conhecimento de acordo com algumas pesquisas que fiz mas vocês sabem que cada site diz uma coisa então caso queiram saber mais a respeito sugiro que pesquisem também. Além do mais, tudo aqui não passa de ficção!!
É só, beijinhos!


