domingo, 28 de julho de 2013

Capítulo 16 - “Fazer o quê se na vida tudo tem seu lado bom e ruim?”


 ''Borboletinha tá na cozinha, fazendo chocolate para a madrinha. Poti, poti, perna de pau, olho de vidro e nariz de pica-pau...♪''
Acordamos com essa música animada ecoando pelo quarto, se bem que acordar com ela é bem melhor do que o som irritante do meu despertador, que infelizmente não tenho como mudar porque as outras opções conseguem ser piores ao extremo.
Clara - Bom dia, pequena
Eduarda - Bom dia, mamãe - levantou e espreguiçou-se - Ficou com medo do bicho papão, de novo? - me olhou expectante e eu ri com sua insinuação -
Clara - Não, fiquei apenas com vontade de dormir com você
Eduarda - Ah
Clara - Porquê? Não pode mais, mocinha?
Eduarda - Pode - respondeu prontamente - Eu gosto - completou com sua espontaneidade, me levando a sorrir -
Clara - Vem cá me dar um abraço de bom dia bem gostoso então - subiu na cama de novo e praticamente se jogou em cima de mim. Não tem maneira melhor de começar o dia, tem? Levantamos, entramos no banheiro, supervisionei seu banho, arrumei a cama enquanto ela escovava os dentes, vesti-a, calcei seu tênis e penteei seu cabelo. Ela pegou a mochila, fomos pra cozinha, coloquei-a sentadinha em um dos bancos altos, preparei seu café da manhã, deixei-a comendo e fui pro meu quarto. Peguei um short branco curtinho, uma blusa de manga caída, minhas peças íntimas e entrei no banheiro. Me despi, tomei um banho frio, escovei os dentes, passei meu hidratante, me vesti e prendi o cabelo de qualquer jeito. Saí do quarto e enquanto ela terminava de comer, fui por ração pro Luck.
 clarabarcelar_: Bom dia do mais animado da casa  
A Duda terminou, coloquei a louça na pia, peguei sua mochila, o chaveiro, o celular e saímos. Chamamos o elevador e descemos fazendo palhaçadas no espelho. Chegamos no estacionamento, destravei as portas do carro, abri uma das traseiras, ela entrou, coloquei-lhe o cinto, dei a volta, fiz o mesmo e arranquei. O trânsito ainda estava maravilhoso, bem livre, então não demoramos quase nada, deixei-a na escola e voltei logo pra casa. Preparei algo rápido pra comer e fui pra sala assistir na companhia do Luck, ou pelo menos fingir porque na verdade nada do que estava passando me interessava, muito pelo contrário, até porque minha cabeça ainda devia estar no vestiário do CT procurando as respostas para as muitas perguntas que ali ficaram. Como esquecer o que aconteceu? Como esquecer o que ele disse antes e depois? E porque uma coisa boa acaba se transformando em algo tão triste? Porque tem que ser tudo tão doloroso? Dói. Se me perguntarem o que acontece, só saberei responder isso: dói. Se me perguntarem onde é a dor, ainda assim só responderei: dói. Tudo tem a ver com aquele grito reprimido, aquele sonho escondido, aquele choro nem sempre contido: dói. Aquela vontade de cortar a garganta para não poder gritar. Aquela vontade de arrancar os olhos só pra não poder ver. Aquela vontade de esmagar o coração só para não poder sentir. Mesmo com todas essas coisas incapacitadas ainda assim doeria. Porque não está na garganta, nos olhos, no coração. Está em toda parte.
 clarabarcelar_: O caso é sério!!  
Manu - Que vida boa - apareceu na sala ainda de pijama -
Clara - A sua, só se for - voltei a mostrar que estava muito bem, não por falta de confiança, longe disso mas por saber que se voltasse a tocar no assunto com alguém, ia ser ainda pior. E ela com certeza repetiria as mesmas palavras da minha mãe -
Manu - Não entendi
Clara - Independente do horário, em casa ou não você trabalha todos os dias. Isso de alternar é horrível pra mim, ficar aqui dentro enclausurada é muito tedioso - gargalhou -
Manu - Você também pode trabalhar em casa
Clara - Não é a mesma coisa, quase nunca sobra nada pra terminar aqui - gargalhou novamente perante o meu falso amuo -
Manu - Tenho que rir contigo
Clara - Mas é sério
Manu - Sabe quantas pessoas dariam tudo para trabalharem intercalando os dias?
Clara - Sei e por um lado até é bom, mas... eu preciso me manter ocupada ou só penso no que não devo
Manu - Ah sim, agora está explicado. Mas fazer o quê se na vida tudo tem seu lado bom e ruim?
Clara - Pois é... - sussurrei enquanto ela já caminhava em direção a cozinha. Voltou com uma xícara na mão, abriu as portas que dão acesso a varanda e sentou na poltrona -
Manu - Sabe o que eu estava pensando ontem, antes de você chegar?
Clara - Hum?!
Manu - Com tudo isso que vem acontecendo... - pausou, deixando evidente o assunto que iria abordar - Acha que o Neymar já sabe da Duda... ou melhor dizendo, que você tem uma filha? - questionou algo que já vinha me incomodando demais, apesar de não demonstrar -
Clara - Sinceramente? - assentiu - Não sei, mas algo me diz que não
Manu - Porquê?
Clara - Todas as pessoas que o rodeiam sabem, a Rafa, o Tio Neymar, a Tia Na... pros meninos eu não contei nada mas eles devem ter ficado sabendo por elas. Mesmo assim acho que se ele soubesse, já teria dado um jeito de jogar na minha cara algo relacionado a isso porque quando ele souber, tudo... absolutamente tudo vai mudar e minha vida vai ficar literalmente de cabeça pra baixo
Manu - É, faz sentindo... pelo que você já me contou
Clara - Sabe o que eu realmente acho?
Manu - O que?
Clara - Se bem o conheço, ele não deve nem ficar perto quando ouvi meu nome
Manu - Será? - perguntou escandalizada - 
Clara - Tenho quase certeza que sim, o Júnior é orgulhoso demais
Manu - Deve fazer o tipo ''tô nem aí pra ela'' então
Clara - É, deve fazer... - respondi completamente à leste, porque lembrei das suas palavras: ''...depois de tudo que me fez passar, ainda me preocupar contigo...'' O toque do meu celular me tirou de um transe antes mesmo de entrar nele. Ainda bem. Coloquei o Luck no chão já que estava deitado em cima de mim, levantei para pegá-lo e vi o nome da Jéssica no visor.
 - início -
Clara - Diz aí, doidinha
Jéssica - Não vai deixar de me chamar assim nunca?
Clara - É mentira? - riu -
Jéssica - Quero te ver, e minha informante passou pra mim que hoje é teu dia de folga
Clara - Informante?
Jéssica - Sim
Clara - Vou fingir que não sei que foi minha madrinha
Jéssica - Aquela que é mais conhecida com minha mãe? Ih, tá frio - rimos - Topa praia?
Clara - Acredita que ainda não fui a nenhuma desde que voltei de vez?
Jéssica - Já passou da hora então, né?
Clara - Pode ser, vou levar companhia, tudo bem?
Jéssica - De boa, mesmo assim não vai ser dessa vez que vou poder rever aquela bonequinha tagarela, não é?
Clara - Pois é, a bonequinha que agora está ainda mais tagarela, está na escola - riu - Mas oportunidades não vão faltar
Jéssica - Tem razão, te espero onde?
Clara - Essa pergunta deveria ser feita por mim
Jéssica - A praia mais próxima de mim é a de Aparecida, conhece?
Clara - Aparecida? - suspirei - Conheço, conheço bem... pode ser lá daqui a meia hora
Jéssica - Beijo, beijo então
Clara - Beijos
 - término -
Clara - E, aí? - olhei-a -
Manu - É o que eu estou pensando? - sorriu -
Clara - Sol, mar, areia, água de coco...
Manu - Finalmente - levantou as mãos pro céu e eu ri - E essa é a tão falada, filha da Jú?
Clara - É, tu vai gostar dela - pisquei. Fomos para os nossos respectivos quartos, peguei um biquíni branco, entrei no banheiro, e troquei de roupa. Soltei o cabelo, coloquei o óculos como um arco, pus umas coisinhas básicas na bolsa de praia, calcei minhas havaianas, saí do quarto, e fui até a lavanderia pegar a coleira do Luck. Esperei a Manu, descemos, deixamos o carro de lado e fomos caminhando mesmo apesar de não ser assim tão perto nos fez bem, tirando umas cantadas idiotas que fomos obrigadas a ouvir, mas enfim... o Luck adorou a caminhada. Quando chegamos não foi difícil encontrar a Jess, apresentei-as, procuramos um bom lugar para estender nossas cangas e nos sentamos. Passamos boa parte - o resto - da manhã ali, conversando, tirando fotos - mostrando fotos da Duda pra ela -  rindo um pouco... deu pra distrair e matar as saudades. As minhas, pelo mar, principalmente.
 clarabarcelar_: Um céu, um sol e um mar...  instagram.com/p/XVfS4_Ljhw/
Voltamos caminhando também, mesmo depois de muita insistência da Jess em nos dar uma carona mas não aceitamos porque afinal, a casa dela era logo ali. Quando chegamos no prédio, subi apenas para pegar as coisas do Luck e desci novamente, deixando a Manu tomando banho pra ir buscar a Duda. Levei-o para o chuveirão adequado para os cães do prédio e dei um banho nele, que por sinal se comportou muito bem. Esperei ele secar um pouco, correndo pelo parque e só depois subimos. Acho que cansou bastante porque foi direto para sua caminha e como a Manu já tinha saído, tive que pensar no almoço. Preparei um filézinho de carne com arroz branco bem rapidinho e simples, depois fui finalmente tomar meu banho, aproveitando pra lavar meu cabelo. Me vesti, e fui pra sala esperar as meninas que chegaram logo em seguida.
Manu - Como eu sinto falta do trânsito mais calminho de Floripa...
Clara - Também sinto - rimos - Vem cá, boneca - largou a mochila onde estava, se aproximou e me deu um beijo -
Eduarda - A professora passou uma atividade pra fazer com você - falou animada -
Clara - Ah foi? - assentiu sorrindo - Vamos tomar banho, e almoçar então que depois nós fazemos, pode ser?
Eduarda - Pode - fomos pro seu quarto, dei um banho friozinho nela, vesti-a com uma roupa bem fresquinha e fomos almoçar. Depois a Manu foi pra varanda ficar entre seus desenhos, lavei a louça e fui pra sala ajudar a Duda com as lições. Quando terminamos, arrumei somente a sua bolsa, nos despedimos da Manu e saímos um pouco atrasadas para o balé... Assisti a aula todinha e percebi que o grau de dificuldade aumentou consideravelmente mas elas gostam tanto que tiram tudo de letra. Compramos pipoca doce na saída e fomos embora. Quando chegamos no prédio, encontramos a Manu no térreo conversando animadamente com quem ela já me apresentou apenas como amigo - Pedro, o vizinho do andar de cima - Subi com minha pequena, troquei sua roupa, fiz um lanche pra nós, comemos e depois sobrou pro Luck porque ela queria porque queria brincar com ele. Aproveitei que estava entretida pra falar com o Di, ele me pediu pra entrar no skype e assim o fiz. Ficamos conversando por bastante tempo, nunca sobre o ''assunto proibido'' porque nossas opiniões se colidem sempre, então nunca termina bem, a Dudoca apareceu para apresentá-lo ao Luck, depois nos despedimos porque o dever chamava por ele.
 dilopes: Minha pequena, ás vezes o rumo que seguimos nos separa daqueles que amamos. Mas pode ter certeza que essa distância chata não altera em nada o meu sentimento por você!            
 [@] clarabarcelar_: Te amo, e quando a saudade apertar, lembra sempre dos melhores momentos!  
Manu - Não vou jantar em casa, mas também não devo chegar tarde
Clara - Hum, as coisas estão evoluindo. Devagar, mas estão
Manu - Devagar até demais, esse é o problema - murmurou e eu gargalhei - Sério, acho que não vai passar dessa fase
Clara - E isso é ruim?
Manu - Por mais incrível que possa parecer, não. Gosto do jeito que ele me trata apenas como amiga, vai que acontece algo e tudo muda?
Clara - Melhor deixar acontecer então
Manu - É - respondeu pensativa - Me ajuda com a roupa
Clara - Porque? Não é só um jantar casual de amigos?
Manu - Ana Clara!! - me repreendeu em um tom quase desesperador e eu tive que rir -
Clara - Vamos lá, estressadinha - fomos pro seu quarto, ajudei-a com o look e esperei que ficasse pronta -
Manu - E aí? - deu uma voltinha -
Clara - Tá linda, loira
Manu - Thank you - sorriu -
Clara - Divirta-se e juízo - riu -
Manu - Pode deixar - deu um beijo no meu rosto, saiu do quarto e eu fiz o mesmo -
Clara - E aí pequena, vamos comer?
Eduarda - Vamos!! - esquentei o nosso jantar, comemos na sala mesmo, depois liguei para os meus avós, perdemos a noção do tempo conversando com eles e quando nos despedimos fomos dormir.




Eu sei que disse que talvez não postasse hoje, 
mas consegui escrever esse chatinho agora. 
Dependendo da hora que voltar, possa ser que poste outro. Beijos :*

sábado, 27 de julho de 2013

Capítulo 15 - “Odeio a mim mesmo por não conseguir te odiar...”


 Passei a terça-feira toda em casa, sendo mimada pela minha filhota e pelo Luck, já que a Manu saiu para conhecer um lugar que provavelmente, iria decorar. Aproveitei pra pensar muito no susto que tomei e dei também em algumas pessoas... Decididamente isso não vai mais acontecer. Até porque prometi ao Di que ia me cuidar, e tenho que cumpri, não só por ele mas por mim também. Acordei na quarta um pouco antes do despertador tocar, mesmo assim tentei voltar a dormir mas foi completamente em vão. Peguei o celular, desativei o alarme para me poupar do seu toque insuportável pelo menos por um dia, e entrei nas redes sociais, primeiro no facebook depois no twitter, onde passo menos tempo e meu número de seguidores vem crescendo consideravelmente, assim como no instagram, desde que comecei a seguir e falar com a Rafa e os meninos por ali. 
 clarabarcelar_:  
 Levantei, separei minha roupa, arrumei minha bolsa e levando em conta o silêncio do quarto, pude ouvir o som hilário do despertador da Duda. Acho que é por isso que acorda tão bem humorada, já deve levantar dançando. Entrei no banheiro, me despi, tomei meu banho, e escovei os dentes. Passei hidratante no corpo, me vesti, prendi o cabelo em um rabo de cavalo alto, não usei nada no rosto, calcei meu sapato, peguei minha bolsa, saí do meu e entrei no quarto da Duda, que estava escovando os dentinhos. Vesti-a, calcei seu tênis, ela pediu o cabelo preso então fiz um rabo de cavalo lateral e pus um tic tac. Fomos pra cozinha, preparei o nosso café, comemos sem pressa e saímos. Deixei-a na escola, peguei um trânsito insuportável no caminho pro CT e cheguei bem em cima da hora. Cumprimentei todo mundo, subi e encontrei a Gio já na nossa sala. 
Clara - Bom dia - cumprimentei-a com dois beijinhos - Bom dia, ar condicionado - olhei pra ele e ela riu -
Giovanna - Que susto heim
Clara - Nem fala, me apavorei quando me vi naquela cama de hospital - sentei e liguei o meu computador - Só consegui pensar no pior
Giovanna - Você não foi a única, e por falar nisso - pausou, talvez procurando a melhor forma de falar - Você e o Neymar são amigos? - olhei-a imediatamente sem entender o motivo da pergunta -
Clara - Claro que não, tá me perguntando isso porquê?
Giovanna - Porque eu acho que ele ficou preocupado contigo
Clara - Preocupado comigo? Engano seu, Gio
Giovanna - Pode ser, mas quando a Jú te levou para o hospital ele pareceu ter ficado tenso. Quer dizer, todos nós ficamos mas... sei lá... é, deve ser coisa da minha cabeça mesmo
Clara - É, deve ser - respondi, pedindo mentalmente pra que no fundo, não fosse porque meu coração gostou do que ouviu -
Giovanna - Até porque, pensando por outro lado, vocês nem se falam não é? Pelo menos, eu nunca vi - seu tom de voz soou intrigante, como se quisesse descobrir algo a mais -
Clara - Ah... é que... não temos nenhum assunto que precise ser discutido diretamente entre nós... Deve ser por esse motivo
Giovanna - Abre o jogo vai - me amedrontei pela forma como falou - Tá na sua cara que tem algo que eu não estou sabendo - respirei de alívio discretamente mas aí veio o que eu não esperava - Vocês já tiveram alguma coisa?
Clara - Não - respondi rapidamente, confio nela mas não sei se isso pode me prejudicar - Já o conhecia antes de começar a trabalhar aqui, não como jogador mas como pessoa porque costumava vim pra cá com a Jú a uns aninhos atrás... E digamos que não surgiu aquela empatia entre nós - menti, e definitivamente não sei fazer isso -
Giovanna - Entendi - sorriu nada convencida, mas não insistiu - Quando vou ter o privilégio de conhecer sua filhota? - riu -
Clara - É só marcar, também quero conhecer seu pimpolho
Giovanna - Ela fica com seus pais também?
Clara - Que nada, meus pais trabalham quase o dia todo. Eu a deixo na escola, e como minha amiga trabalha mais em casa ou quando saí, quase sempre é pela manhã, dá pra buscá-la. Desde que chegamos aqui, a nossa rotina é essa e eu espero sinceramente que não mude - rimos. A manhã foi tranquila, passei a maior parte dela criando alguns modelos de wallpapers e como desenhar pra mim é uma espécie de diversão, as horas voaram. Descemos, almoçamos junto com o Claudinei e alguns auxiliares técnicos. Usei o restinho do meu tempo livre pra conversar com o Gil por whats. Apesar de não ter nada contra e gostar de todos, ele foi e sempre vai ser como um irmão pra mim, independente de tudo... Quando subimos novamente a movimentação já era bem maior, principalmente perto de um dos campos por causa do treino ás 16h. Fotógrafos e jornalistas querendo um bom lugar para os melhores ângulos e alguns jogadores chegando também. Mas enfim, voltamos ao nosso trabalho, dediquei a minha tarde para responder e-mails e atender ligações em relação a licenciamentos de produtos com a marca do Santos Futebol Clube e no fim do meu expediente, o Luis Álvaro pediu para me chamar. Me despedi do pessoal, que foi logo indo embora e saí da sala, com a intenção de ir até a dele, mas algo ou melhor, alguém me impediu... Estávamos frente à frente depois dele ter me ajudado novamente e o que eu tinha que fazer? Ignorar? Não, não foi essa a educação que eu recebi - Obrigada... por ter chamado minha madrinha quando me viu desmaiada
Neymar - Não foi nada - respondeu indiferente. O assunto acabou, passei por ele mas voltei a parar - Ana Clara? - olhei pra trás e esperei que falasse - É... esquece - assenti -
Clara - Burra - falei comigo mesma assim que virei. Continuei o meu percurso até o fim do corredor, bati na porta, o Luis me deu permissão, entrei e ele só queria mesmo saber como eu estava. Aproveitei para falar sobre algumas propostas de licenciamento, ele me passou o Manual de Identidade Visual, no qual estão especificadas todas as aplicações corretas para as marcas, e o que garantirá a autenticidade dos produtos. Depois nos despedimos, passei na minha sala apenas para pegar minhas coisas, desci, dei um tchauzinho pro pessoal, abri a porta, comecei a procurar a chave do carro dentro da bolsa e quando saí, quase embati com a mesma pessoa que tinha visto a uns instantes atrás. Porque? Porque que estávamos nós, ali, naquele mesmo lugar onde os primeiros olhares foram trocados, submetidos a mais uma prova. Sim, uma prova. Que eu já mostrei que não sei vencer porque seu olhar era aniquilador, doía sem eu precisar ouvir uma única palavra... e foi ele a acabar com aquilo, saindo em direção ao vestiário. Continuei parada, com milhões de perguntas rondando na minha cabeça e precisava esclarecer pelo menos uma. A que mais me atormenta. Segui-o, baixei a cabeça quando alguns jogadores passaram por mim, entrei no vestiário e pra minha sorte só ele estava. Já sem camisa, e foi impossível controlar o constrangimento -
Neymar - O que é que você quer?
Clara - Me odeia tanto quanto aparenta? - fui direta e a expressão de admiração no seu rosto mostrou bem que por essa ele não estava esperando -
Neymar - O que você acha? - perguntou dando leves passadas em direção a mim -
Clara - Perguntei primeiro
Neymar - E qual o motivo da pergunta?
Clara - Não interessa, só responde - minha voz saiu trémula, devido o seu jeito intimidador - Não deve ser assim tão difícil
Neymar - Não - aproximou-se ainda mais, e o meu coração feito um louco começou a bater descompassadamente, prestes a saltar do seu lugar de origem a qualquer momento - Odeio a mim mesmo por não conseguir te odiar, depois de tudo que me fez passar, ainda me preocupar contigo e... - abri e fechei a boca vezes sem conta, tentando falar mas as palavras sumiram, a garganta secou, fiquei completamente sem fala e juro que quando senti a sua mão direita no meu rosto, quase perdi todos os sentidos - E ainda sentir saudades de você - completou o seu discurso me deixando inerte -
Clara - Pára - murmurei, implorando com as primeiras lágrimas prontas para descerem, por saber que depois ia se arrepender de cada palavra que disse. Mas não, ele não parou. Encaixou a franja atrás da minha orelha, deixou seus olhos explorarem cada linha do meu rosto, como se estivesse matando as saudades, o que me possibilitou fazer o mesmo, bem minunciosamente e reduziu a minima distância que ainda nos separava, fazendo sua respiração embater contra os meus lábios, cerrados pelo nervosismo. Suspirei. Não tinha como voltar atrás. Ia acontecer, e depois... e depois teria que aguentar as consequências também. Mesmo assim resistir. Resistir por saber que ele tem namorada, resistir por saber que nós não existe mais e resistir por saber que aquilo era loucura. Mas... como negar as loucuras do coração? Minha resistência desmoronou por completo quando sua mão desceu para minha nuca, e os seus lábios procuraram os meus, me deixando sem qualquer hipótese de reação nos primeiros segundos. No entanto, ele não só, não desistiu como fez questão de usar sua mão esquerda para colar meu corpo ao seu, excluindo qualquer chance de escapatória. Me rendi... Minha bolsa caiu, e minhas mãos tomaram lugar no seu pescoço, deixando-as passear livremente pelos seus cabelos. O toque macio dos seus lábios permanecia o mesmo, o sabor doce e viciante do seu beijo também e aquela sensação deliciosa de sentir-se nas nuvens, que eu achei que nunca mais desfrutaria e que só sentia com ele, voltou a passear pelo meu estômago. Borboletas e mais borboletas... rebatiam-se, sem espaço, compulsivas e contínuas, quase tomando conta da minha alma. A sua língua trilhou um caminho que apesar do tempo, continuava sendo apenas seu, numa busca incessante pela minha, que não demorou muito a encontrar me causado um arrepio da ponta do dedinho do pé até o último fio do meu cabelo. Elas entrelaçaram-se, iniciando uma guerra freneticamente urgente, e completamente descontrolada. Passando depois pra uma dança mais calma, como se tivessem seus passos ditados pelo soar dos nossos corações. Sim, nossos. Porque se o meu estava aos saltos, o dele não estava muito diferente. Era como se todo aquele sentimento, que achávamos - ou queríamos achar - que tinham ido embora, na verdade só estivessem adormecidos. Não sei por quanto tempo permaneci dentro desse sonho... pareceu uma eternidade porque ali não existia mais nada a nossa volta, éramos só nós e os nossos sentimentos expostos um ao outro, mas infelizmente chegou ao fim... a falta de ar não dava mais para ser ignorada. Selamos o momento, continuei de olhos fechados e quando tomei coragem para abri-los ele já estava de costas pra mim, com as mãos na cabeça. Sabia que seria assim, mas nada nem ninguém apagaria tudo que senti(mos) com um beijo que pareceu não querer nem conhecer o seu fim -
Neymar - Isso não pode sair daqui - ditou quase num sussurro, ainda de costas -
Clara - E o que te faz pensar que eu iria fazer questão que todo mundo soubesse? - falávamos tão baixo que parecíamos estar com medo de algo -
Neymar - Não sei - voltou a olhar pra mim - Eu não te conheço mais - suas palavras me atingiram em cheio -
Clara - Eu sou a mesma - respondi com a voz querendo falhar por causa das lágrimas que desceriam a qualquer momento -
Neymar - Você é a mesma que foi embora, a mesma que me deixou. Não aquela que eu conheci - a mágoa voltou a tomar conta da sua voz, passou por mim e saiu do vestiário sem me deixar falar mais nada. Peguei minha bolsa, saí o mais rápido que pude dali também, não o vi por onde passei, destravei as portas do meu carro, entrei e me entreguei ao choro. Chorei... chorei muito. Eu chorei por tudo que não muda, pelo que muda e eu queria manter, por tudo que custa e o que infelizmente não dura... Chorei pelo tempo que deixei, pela saudade alvura, por essa nossa loucura, por essa sanidade insegura... Pelo que falei, pelo que ouvi e pelo que calei. Pelas chances desperdiçadas, pelas lágrimas disfarçadas, pelas alegrias forjadas... Chorei porque sinto raiva de mim mesma. Chorei porque fechava os olhos e era como se pudesse sentir o gosto do seu beijo de novo. Chorei porque além de ter ouvido, eu senti e não... não existe ódio, mas a mágoa é grande demais. Chorei porque suas palavras ecoavam na minha cabeça ''Odeio a mim mesmo por não conseguir te odiar, depois de tudo que me fez passar, ainda me preocupar contigo e sentir saudades de você...'' Peguei o celular, marquei o número da minha mãe e no terceiro toque ela atendeu.
 - início -
Clara - Mãe?!
Débora - Oi meu amor, tudo bem?
Clara - Não, já saiu da Loja?
Débora - Estou chegando em casa. O que aconteceu?
Clara - Tô precisando de você - suspirei - Posso ir aí?
Débora - Mas isso é pergunta que se faça, Ana Clara? Essa casa também é sua, e pra você estou disponível sempre. Vem
Clara - Obrigada
Débora - Não me agradeça, minha filha. É minha obrigação. Dirige com cuidado porque já deu pra perceber que bem você não está mesmo
Clara - Fica tranquila, beijo
Débora - Estou te esperando então, beijos
 - término -
Mandei uma mensagem pra Manu avisando que chegaria mais tarde só pra ela não ficar preocupada a toa, dei partida e saí finalmente daquele estacionamento quase vazio. Foquei no trânsito para não cometer nenhuma atrocidade, peguei um congestionamento infernal para piorar o meu humor e cheguei em frente ao prédio perto das 18h30. Estacionei, peguei minha bolsa, e saí, travando as portas em seguida. Minha entrada já estava liberada, subi, toquei a campainha e assim que ela abriu a porta, me joguei nos seus braços, que nem criança pequena com medo de algo.
Débora - Meu amor, o que aconteceu?
Clara - Só me abraça mãe, por favor - não precisei dizer mais nada. Ela me apertou com bastante força, transmitindo toda paz que eu queria e precisava -
Débora - Vem, vamos sentar - fechou a porta com uma das mãos, me puxou, sentou no sofá, fiz o mesmo e apoiei minha cabeça em seu colo. Fiquei assim por tempo indeterminado, ela não fez questão de perguntar nada, só ouvia meus soluços enquanto afagava meu cabelo -
Clara - Ele me beijou, mãe - tomei coragem pra falar, levantei o rosto e olhei-a - Ele me beijou - não foi preciso citar nomes pra ela perceber de quem se tratava. Só podia ser ele  -
Débora - E você? - perguntou surpreendida, porém, calma -
Clara - Eu correspondi inteiramente
Débora - E isso não é bom?
Clara - Claro que não. Por momentos parecia que nada tinha mudado, que era tudo como antes... mas não é mãe. Tudo mudou, e até a namorada dele eu tive a infelicidade de conhecer, sabia disso?
Débora - Coitada - riu levemente -
Clara - Mãe!! - repreendi-a -
Débora - Pensa comigo minha filha, pelo amor. Se ele amasse verdadeiramente essa atual namorada, te beijaria porquê motivo? Pra passar o tempo? Não estou duvidando da fidelidade dele porque o conheço o suficiente para nem precisar disso, mas acontece que a gente não pode mandar nos nossos sentimentos - não tive argumentos para respondê-la - A história de vocês ''terminou'' - gesticulou - De um jeito e no tempo errado, por isso deixou muitas pontas soltas e os sentimentos resolveram congelar no tempo, à espera que o destino os juntasse novamente. Esse dia chegou, e agora é como se eles estivessem descongelando. A prova disso é o que aconteceu hoje, consegue me compreender?
Clara - Acho que sim
Débora - A mágoa até pode ser muito grande mas ainda existe um sentimento vivo entre vocês muito maior que qualquer outro - disse convicta - Se não existisse, nenhum dos dois iam ceder
Clara - Isso parece ser o que mais dói, porque eu senti tudo isso. É realmente verdade, mas nós nunca vamos dar certo de novo
Débora - Se as pontas que eu citei continuarem soltas, não vão mesmo - pegou uma das minhas mãos e apertou-a - Conta logo o motivo real que te levou a ir embora, acaba com isso e não vai existir mais nada entre vocês
Clara - Eu não posso mais, mãe - levantei - Se eu fizer isso vou ser odiada pelo resto da minha vida
Débora - Claro que não, pára de pensar assim
Clara - É a verdade
Débora - E acha que vai conseguir esconder isso até quando? É errado, Clara
Clara - Eu sei - berrei - Mas entende que não dá, eu não posso
Débora - Não, eu não entendo e sabe porque? - levantou, parando na minha frente - Porque depois vai ser pior, muito pior. Adiar isso só vai ser ruim pra ti - tentei responder, mas a chegada do meu pai nos interrompeu -
Murilo - Oi meu amor, que surpresa boa - aproximou-se e me abraçou, depois de ter cumprimentado a minha mãe devidamente - Cadê a Dudoca, não veio?
Clara - Não, vim do CT e também já estou indo
Murilo - Ah, que pena. Mas por falar em CT, já comprei minha revista - sorriu amplamente - Deve estar chegando amanhã
Clara - Revista?
Murilo - Sim, a Santástico
Clara - Ah sim, claro - onde é que eu estou com a cabeça?? - Espero que goste
Murilo - E ainda tem alguma dúvida? Tenho nem mais espaço pra por tanto orgulho da minha filhota - me abraçou de lado e eu tentei retribuí o seu sorriso - Aparece mais por aqui
Clara - É a falta de tempo, mas pode deixar que venho mais vezes aqui sim - dei um beijo no seu rosto, peguei minha bolsa e me aproximei da minha mãe que já estava me esperando na porta -
Débora - Não custa nada pensar em tudo que eu disse - pronunciou baixinho -
Clara - Ok - respirei fundo - Eu sei que você e a Tia Na estão próximas de novo também, mas não comenta nada, muito menos sobre o beijo com ela, por favor. Ele pediu - sorriu -
Débora - Você não tem jeito, minha filha - passou a mão no meu rosto - Nem nascendo de novo, vou ver um amor que nem o seu
Clara - Pena que nem sempre o amor anda junto com a alegria
Débora - Se cuida - beijou minha testa. Saí, chamei o elevador, desci, saí do prédio e acionei o alarme do carro que estava estacionado no meio fio. Entrei, respirei fundo e lembrei de uma das coisas que ouvi da minha mãe: ''...Mas ainda existe um sentimento vivo entre vocês muito maior que qualquer outro...''
    Neymar on
 O que fazer quando angustia, magoa, amor, saudade, tristeza, certezas, incertezas, lembranças, muita vontade de ver e ao mesmo tempo evitar, de querer e não querer ou mesmo não poder, batem na pessoa ao mesmo tempo? O que fazer quando tentamos abrir os olhos para algo novo, mas este novo demora mais do que queremos? O que fazer quando queremos mudar mas não conseguimos? O que fazer quando quem você quer, nunca mais estará por perto, ou mesmo, não saber se realmente quer ou não ela perto de novo...? O que fazer quando, quanto mais passa o tempo mais você acha que se apaixonou pela pessoa errada...? Ouvi um barulhinho bem longe, e fiquei ainda mais confuso do que já estava. As respostas para todas as minhas perguntas é um simples barulhinho quase inaudível? Ele persistiu, acompanhado pelo meu nome, e foi aí que acordei do meu transe e percebi que era apenas alguém batendo na porta.
Neymar - Entra - sentei, recostando-me na cabeceira e minha mãe entrou -
Na - Vem jantar, meu amor
Neymar - Não tenho fome
Na - Mas você não saiu desse quarto desde que chegou. Aconteceu alguma coisa?
Neymar - Cansaço, apenas. Apesar do Claudinei já ter dito que vai por mais reservas em campo no fim de semana, para nos polpar pro próximo, os treinos estão sendo puxados
Na - Você nunca se queixa - minha mãe é a única que eu não consigo driblar, e já não sei se isso é bom ou ruim. Ela sentou na pontinha da cama e olhou bem no fundo dos meus olhos - O que está angustiando esse coraçãozinho?
Neymar - Uma dúvida bem chata, só isso
Na - Me diz, quem sabe eu ajudo
Neymar - É possível uma pessoa amar outra, duas vezes?
Na - Acho mais fácil dizer que essa pessoa nunca deixou de amar essa outra - confirmou o que eu mais temia - Na minha opinião, significa que esse sentimento estava apenas adormecido, mas nunca acabou, e agora por algum motivo, voltou
Neymar - E o que fazer com as mágoas? - não precisei citar meu nome pra ela saber que era de mim mesmo que estávamos falando -
Na - A mágoa é um sentimento temporário, filho. Ás vezes até se torna maior que os outros mas é temporária e a gente não pode se deixar influenciar porque ela é uma conselheira impiedosa, que só exala rancor e amargura - não a respondi mas tudo não passava da mais pura verdade - O que é que você não está me contando?
Neymar - Nada
Na - Tá bom, só não esquece que eu te conheço - levantou com a intenção de sair do quarto -
Neymar - Beijei-a
Na - Beijou? - voltou e sentou novamente, de frente pra mim - Beijou quem?
Neymar - A Ana Clara - quase não consegui pronunciar, e ela não escondeu a admiração -
Na - Como assim? Vocês conversaram? - perguntou deixando evidente o seu entusiasmo -
Neymar - Não, não conversamos
Na - E o que foi que lhe deu então? Não suportava nem ouvi o nome da Clara aqui, era só falarmos dela pra você sair de perto
Neymar - E nada mudou mãe, eu tenho namorada, esqueceu?
Na - Eu não esqueci de nada, meu filho. Quem parece que esqueceu isso foi você - desviei meu olhar do seu por saber que ela tinha razão, como sempre - Conversa comigo
Neymar - Desde que ela voltou, minha vida virou do avesso... e eu achava que podia jurar que já não sentia nada...
Na - Mas se enganou - completou meu raciocínio -
Neymar - Me enganei, e me enganei feio. Hoje ela me perguntou se eu a odiava e eu não conseguir mentir, pelo contrário, foi só começar a falar para aquilo tudo que achava já ter ido embora, falar mais alto - quase não me reconheci ouvindo minhas próprias palavras mas... precisava falar ou terminaria explodindo, e tinha que ser com minha mãe, só com ela - Eu não a odeio, nem me pergunta o porquê, mas não consigo odiá-la. Ás vezes, inclusive, me pego querendo estar perto dela mas é como se ao mesmo tempo também não quisesse porque eu sei que ela me esconde algo e é isso que me perturba. Hoje ela só me deixou com mais certezas de quê mentiu quando foi embora porque os sentimentos parecem continuar intactos... - ter que admitir tudo isso não foi fácil, mas seria pior se guardasse só pra mim -
Na - Eu nem preciso te perguntar o porquê de não conseguir odiá-la porque pra mim, você é transparente, eu sei e vou te dizer o motivo, apesar de suspeitar que você já saiba e só não quer aceitar - suspirei - O que você sente por ela nunca enfraqueceu, ficou guardadinho bem lá no fundo e nunca deu espaço pro ódio - resumiu em uma frase a maior das verdades - Mas você deve saber disso melhor do que eu, então agora espera que o tempo vai se encarregar de colocar as coisas nos seus devidos lugares. Deus marcou o tempo certo para cada coisa, e o que tiver que ser revelado, na hora certa nós vamos saber
Neymar - Até lá, eu faço o que?
Na - Aproveita pra pensar se esse seu namoro ainda está sendo bom pra alguém porque eu acho que não está. E é como já te falei, não se deixa levar por sentimentos temporários achando que é o melhor a fazer porque você sabe que não é, não mais e como os próprios nomes já dizem, eles passam - levantou e deu um beijo na minha testa - E o que tem que ficar, fica, a gente querendo ou não (...)
    Neymar off
 Cheguei em casa e só a Manu e o Luck estavam na sala. Ele no tapete, próximo a varanda e ela com a mesa repleta de papéis e uma fatia de bolo de chocolate ao lado.
Clara - Desenhando? - dei um beijo no seu rosto e assumi uma postura completamente fingida de quem estava bem -
Manu - Faz parte, mas é só pra ter uma base - riu - Tá legal?
Clara - Lindo
Manu - Obrigada - sorriu -
Clara - Cadê a Duda?
Manu - Acabei de levar pra cama. Ficamos até agora a pouco no parquinho aqui do prédio mesmo, e quando subimos o cansaço tomou conta
Clara - Pudera, não deve ter parado quieta
Manu - Não mesmo, ainda achou companhias e aí foi só correria - riu -
Clara - Mas comeu alguma coisa antes de dormir?
Manu - Comeu, preocupa não
Clara - Tá, vou te deixar trabalhar em paz então, qualquer coisa tô no quarto - passei pra dar um beijo e um cheiro na minha pequena, depois fui pro meu. Tirei os sapatos, coloquei minha bolsa em cima da cadeira e entrei logo no banheiro. Me despi, entrei no box e enquanto a água escorria pelo meu corpo, não consegui evitar... passei levemente a mão nos meus lábios e quase pude sentir os dele novamente... Só Deus sabe o quanto suas primeiras palavras me fizeram bem e o quanto as últimas acabaram comigo mas o sentimento parece ser tão doentio, tão louco... que continua mais vivo do que nunca. Quando saí do banheiro, vesti logo meu pijama, fui até a cozinha, cortei uma fatia do bolo que estava com um aspecto delicioso, peguei um copo de suco e comi ali mesmo. Lavei o que sujei, voltei pro meu cantinho à parte, escovei os dentes, peguei o celular e fui pro quarto da Duda. Dei um jeitinho de deitar do seu lado, abracei-a, ela se mexeu e terminou fazendo o mesmo, me abraçando. Foi assim que adormeci.



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Não sei se consigo postar amanhã porque provavelmente
fique o dia inteiro fora, mas ainda não é nada certo. Beijos :*