Eu sei que já não venho aqui a mais de uma semana... mas já tinha avisado pra vocês o quão difícil seria postar durante esses dias. Só hoje terminei/entreguei uma parte dos trabalhos pendentes, tenho que dizer que eles me trouxeram ótimos resultados e por isso não me arrependo da atenção e do tempo que dediquei totalmente à eles. (obrigada à todas que me desejaram boa sorte, lembrei de vocês na hora <3)
Sou uma pessoa extremamente paciente, em todos os sentidos, espero o tempo que for pra ter (ler, no caso) o que eu gosto. Mas acima disso também sou leitora, sei como é angustiante esperar sem saber quando é que um novo capítulo vai surgir, porém, infelizmente, não posso dar um prazo de quando vou poder postar novamente. Acho que estou em uma fase de escolhas bem cruciais e não quero, nem posso vacilar, assim como não quero abandonar isso aqui, mas tudo que venho fazendo consegue absorver a minha criatividade também, o que é chato. Enfim, resumindo: não pretendo abandonar, quero terminar essa história sim, mas vou priorizar o que sempre deixei claro estar acima de tudo, os meus estudos. Sei que na posição de vocês é difícil de entender... até pra mim também é, estava/estou acostumada com tudo isso aqui, apesar de nesses últimos dias não ter tido tempo nem pra pensar na fic, a amo demais!
É isso, já falei muito... beijocas, e se cuidem!!
PS:. Músicas:
• 1 - This game Is over - Alejandro Sanz ft. Jamie Foxx & Emeli Sandé
• 2 - Cause to love you - Fingertips
• 3 - O que cê vai fazer - Fernando & Sorocaba
• 4 - Begin again - Taylor Swift
• 5 - Mirror - Bruno Mars ft. Lil Wayne
• 6 - Vambora - Adriana Calcanhoto
E se disserem que o amor enfraquece com o tempo, diga a eles que o tempo não existe.
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
domingo, 13 de outubro de 2013
Capítulo 42 - “Não é a distância que mede o afastamento”
Clara - Bom dia, meus amores - beijei a bochecha de ambos - Querem ajuda? - perguntei ao vê-los arrumando a mesa -
Glória - Não precisa pequena, senta aí
Marcos - É, deixa a gente te mimar enquanto pode
Clara - Ai, que lindos - soltei um beijo e eles riram. Sentei e rapidinho a mesa ficou pronta. E que mesa.
clarabarcelar_: Aqui é outro nível hahaha #bomdia #casadoscoroas #quasenaogosto instagram.com/p/chVCnbGmPz/
Glória - Vai embora que horas, meu amor?
Clara - Estou pensando em ir só amanhã, vó
Marcos - Ué, mas vai faltar no trabalho?
Clara - Não. Posso ir bem cedinho e do aeroporto mesmo ir direto pro CT
Marcos - Com a Duda?
Clara - Sim. Não gosto que ela falte à escola mas um dia apenas não vai fazer mal nenhum
Marcos - Bom, você sabe que nós não queremos prejudicar nenhuma das duas mas quanto mais tempo aqui pertinho da gente, melhor - sorri -
Clara - Vou ligar pra Jú depois e se ela concordar, nós vamos amanhã - eles sorriram também - Mas agora me digam, o que é que vamos fazer hoje?
Glória - Com o dia lindo desse jeito achei que ia querer ir a praia com a Dudoca
Marcos - Eu também, principalmente porque estão muito amarelas
Clara - Que exagero - riram - O sol até está bem convidativo mesmo - olhei para a aréa externa pela porta da cozinha - Mas quero ficar com vocês, poxa. E tenho certeza que a Dudoca também
Glória - E vocês vão passar o dia todo na praia? - rimos - Estava até comentando aqui com o Marcos que no Floripa Shopping agora tem um tal de Cinema da Galinha Pintadinha
Clara - Sério? A Eduarda adora essa Galinha - rimos -
Glória - Eu sei, lembro como ficava dançando e cantando aí na sala - riu - Podemos ir lá pela tarde
Clara - Nós quatro no shopping? Tem tempo que isso não acontece, heim - riram - Mas vocês vão mesmo? Prometem?
Glória - Eu estou dando a minha palavra
Marcos - E eu sou minoria, portanto pra onde vocês forem, eu vou - rimos -
Clara - Ok, então quando a pipoquinha acordar nós vamos dar uma volta na praia e à tarde... partiu, shopping?
Marcos - Partiu - gargalhei e eles fizeram o mesmo. Já falei que sou apaixonada pelo sotaque e o jeito que meus avós falam? Acho engraçado o fato deles puxarem o ''x'', e sempre que podem trocam o você por tu/ti. Também cheguei a falar assim, afinal, quatro anos não são quatro dias... e de vez em quando ainda me pego relembrando. Tomamos café ainda conversando sobre a nossa suposta saída à tarde, depois insisti para lavar a louça, deixei separado apenas o que a Duda gosta, arrumei a mesa também, minha vó foi cuidar das suas plantinhas, meu avô foi ler o seu jornal, eu fui pra sala e na falta de algo melhor pra fazer, fiquei revendo e sorrindo com as fotos dos muitos porta-retratos espalhados por todos os cantos. Peguei um dos que nem me lembrava mais e ri notando o quanto a Duda é bem parecida comigo apenas quando eu era pequena, sim, apenas quando eu era pequena, por isso quem nunca viu fotos minhas mais antigas só sabe dizer que ela é a cara do pai, e é o que eu também acho. Aliás antes mesmo dela nascer, eu pedia que viesse com todos os tracinhos (pra mim, perfeitos) dele.
clarabarcelar_: Mini mim!
[@] gilcebola: Bem bonitinha... pena que cresceu
[@] paulaspadini: Linda desde sempre, Ana Banana hahaha
[@] addictionnjr: Cópia fiel da Duda
[@] rafaellabeckran:
[@] jeevelasco: Quem vê pensa até que era uma anjinha mesmo
[@] raphanjr: hahaha que fofinha
Fiquei lendo e rindo com alguns comentários, liguei a TV, assisti alguns desenhos animados e já estava começando a ficar entediada quando vi minha pequena descendo a escada bem devagarzinho enquanto coçava os olhos.
Clara - Bom dia, meu amor - sorri, abri os braços e ela se jogou neles - Dormiu bem? - dei um cheirinho no seu pescoço e ela se encolheu levemente -
Eduarda - Dormi. E sonhei com o papai
Clara - Ah, foi? - sentei-a no meu colo - E eu posso saber como é que foi esse sonho, moça? - assentiu -
Eduarda - A gente tava jogando bola lá naquele lugar grandão que fica cheio de gente gritando o nome dele
Clara - No estádio?
Eduarda - Sim, mas não tava cheio. Só tinha eu e ele, e eu fiz um monte de gols - gargalhei -
Clara - Muito produtivo esse seu sonho, depois você conta pra ele. Tá bom?
Eduarda - Tá bom, mas vocês ainda estão tristes, mãe? - perguntou o que eu menos esperava, por isso fiquei sem resposta -
Clara - Não - não queria mentir, não mesmo mas também não queria afetá-la, de jeito nenhum. Prometi ao meu pai que não ia deixar que nada negativo entre mim e o Júnior iria afetá-la, e prometi isso a mim mesma também - Mas vamos escovar esses dentinhos pra tomar café? - perguntei antes que ela me deixasse sem saída de novo -
Eduarda - Vamos! - levantou do meu colo num pulo e começou a subir -
Clara - Sem correr porque o quarto não vai sair do lugar - segui-a, entramos no quarto, peguei suas coisinhas na mala, deixei-a escovando os dentes enquanto arrumava a cama e arejava o quarto, depois descemos novamente. Ela foi direto para área externa falar com o biso e a bisa e em seguida sentou finalmente para tomar café. Fiquei observando-a comer e não pude deixar de reparar no quanto seus trejeitos são idênticos aos do Júnior. Praticamente todos. Até como pega na colherzinha, na xícara... e eu fico fascinada com todas essas semelhanças. Ela terminou, lavei logo o que havia sujado e subimos para nos arrumar. Foi só falar em praia para deixá-la elétrica, saltitando de um lado para o outro no quarto. Separei um biquíni da Minnie que a Rafa lhe deu, junto com um vestidinho estampado de alcinha bem fresco, e pra mim um vestido de renda. Deixei tudo em cima da cama, assim como o meu biquíni também, entramos no banheiro e tomamos um banho rápido apenas para nos livrar das carinhas amassadas. Saímos, nos enxugamos, vesti-a, deixei seu cabelo soltinho mesmo, ela pegou seu óculos e foi procurar algum brinquedo na mala. Me vesti também, fiz um coque frouxo no cabelo, peguei a bolsinha de praia, coloquei uma toalha, filtro solar, minha câmera, o celular e dinheiro - Pronto, filha?
Eduarda - Pronto - colocou o que queria dentro da minha bolsa, calçamos nossas havaianas, peguei meu óculos também e descemos -
Marcos - Já vão? - assenti -
Glória - Toma. Preparei pra minha boneca - veio da cozinha com uma bolsinha na mão, que parecia ser térmica - Criança quando se distrai brincando na areia dificilmente se lembra de pedir algo, principalmente água, por isso cortei e coloquei algumas frutinhas que sei que ela gosta e possuem bastante líquido - piscou -
Clara - Você não existe, vó - dei um beijo no seu rosto - Obrigada - peguei a bolsa, que a Duda pediu pra ser ela a levar, entreguei-a e assim que colocou no ombro a bolsa ficou arrastando no chão. Foi impossível não rirmos - Deixa eu regular, Dudoca - me devolveu, deixei a alça em um tamanho razoável aliado a sua altura, nos despedimos deles e saímos. Fomos a pé mesmo até a Praia do Antenor, a mais próxima de nós, ali em Trindade mesmo. Quando chegamos, aluguei uma espreguiçadeira, um guarda-sol e nos ajeitamos no nosso cantinho já que estava bem movimentada. A Dudoca tirou logo o vestidinho, passei o filtro solar principalmente no seu rosto e ela sentou na areia, bem protegida do sol. Fiz o mesmo mas sentei na espreguiçadeira, ao seu lado. Aproveitei para ligar logo pra madrinha e como ela garantiu que não ia ter problemas deixar a Duda no CT durante o meu expediente, resolvi voltar pra Santos apenas na segunda mesmo. Em seguida liguei pra minha mãe e pra Tia Na, só para dar sinal de vida e deixar que elas falassem com a netinha. Depois comprei uma água de coco, tirei muitas fotos da minha mini top model, tanto com a câmera quanto com o celular, brincamos bastante na água e quando voltamos para areia, depois de comer as frutinhas, ela sentou novamente dizendo que ia construir o seu castelo.
clarabarcelar_: Here comes the sun
Bloqueei a tela do celular mas na mesma hora ele começou a tocar. Vi quem era e quis sorrir mas me contive.
- início -
Neymar - Oi, bom dia
Clara - Bom dia
Neymar - Como você tá?
Clara - Indo... como Deus quer, e você?
Neymar - Também. E a Duda?
Clara - Melhor do que eu e você juntos, com certeza - me arrependi amargamente depois que falei - Desculpa... Ela está bem sim, construindo seu castelinho de areia aqui na minha frente - sorri olhando pra ela -
Neymar - E vocês voltam hoje mesmo?
Clara - Não
Neymar - Não??
Clara - Não. Vou sair daqui cedinho amanhã e do aeroporto vou direto pro CT
Neymar - Ah... ok. Só liguei pra saber se estava tudo bem mesmo
Clara - Não precisava... se preocupar, mas de qualquer forma obrigada
Neymar - Avisa aos seus avós que eu não esqueci que estou devendo uma visita - sorri -
Clara - Ah... claro, aviso
Neymar - Tem foto da Duda aí na praia?
Clara - Tem, vou mandar pra você
Neymar - Valeu. Mais tarde ligo pra falar com ela. Beijo
Clara - Beijo - eu sei que nos despedimos mas nenhum dos dois tomou a iniciativa de desligar a chamada...a verdade é que até de ouvir a sua respiração eu estava com saudades...mesmo assim tomei coragem e desliguei -
- término -
Porque que não puxei mais assunto? Porque não fiz de tudo pra prolongar a conversa? Porque?? Não sei. Tudo que queria era falar com ele, por mais que fosse à distância e por mais que o assunto não fosse nós. Queria ouvir a sua voz, só isso.
Eduarda - Mãe? - me tirou do meu transe - Olha o que eu achei - mostrou uma conchinha - O que é isso? - sorri -
Clara - Uma concha, amor
Eduarda - Concha? - fez uma carinha confusa -
Clara - Sim, onde encontrou ela?
Eduarda - Ali - apontou para um cantinho perto de algumas pedras grandes ao nosso lado, onde tinha várias outras - O que ela faz? - perguntou examinando-a -
Clara - Produz o barulhinho do mar
Eduarda - Como assim??
Clara - Põe pertinho do seu ouvido - fez o que pedi -
Eduarda - Tem água aqui dentro - arregalou os olhinhos e olhou pra concha novamente. Depois tentou fazer com que a suposta água saísse -
Clara - Não tem, filha
Eduarda - Mas eu ouvi
Clara - Não tem. É a própria conchinha que produz esse barulho da água do mar
Eduarda - É?
Clara - Sim, dá aqui - me entregou. Fiz ela perceber que não tinha uma gotinha de água ali dentro e coloquei próximo ao seu ouvido novamente - Está ouvindo?
Eduarda - Sim - respondeu deslumbrada, sorriu e eu ri. Depois disso as conchinhas viraram sua distração predileta. Pegou várias, deu até nomes para algumas e só deixou-as um pouco de lado pra tomar sorvete. Mandei uma foto pro Júnior pelo whatsapp, fomos embora perto da hora do almoço e quando chegamos já podíamos sentir o cheirinho maravilhoso da comida da minha avó.
Marcos - Meu Deus, cadê as minhas meninas branquelas que saíram daqui? - falou assim que entramos e eu ri -
Clara - Nem ficamos muito no sol
Marcos - Se ficassem eu nem ia reconhecer então - gargalhei -
Clara - Está muito exagerado hoje - riu -
Eduarda - Olha o que eu trouxe, biso - pegou a única conchinha que guardou e mostrou pra ele - O nome dela é Nina
Marcos - O nome dela? Mas desde quando isso tem nome?
Clara - Desde hoje - me olhou - Por favor, né vôzinho? Tu vai mesmo querer entender o porquê? - gargalhou -
Marcos - Ah sim... que linda a Nina - rimos -
Clara - Tudo certo pro shopping?
Marcos - Sim, depois do almoço nós vamos. Podem ir tomar banho e se arrumar logo
Clara - Opa, pode deixar. Vamos, filhota - deixei só a bolsa térmica ali embaixo mesmo e subimos. Mandei a Duda direto pro chuveiro, lavei seu cabelo e quando saiu do banheiro, enquanto ia se enxugando fui separar sua roupa. Peguei um vestidinho fresco de algodão que ela adora por ter uma estampa da Turma Monster High. Passei um pouco de hidratante na sua pele pra não ressecar ou arder depois, vesti-a, penteei seu cabelo, ela calçou uma rasteirinha, se perfumou e foi descendo. Entrei logo no banheiro, me despi, tomei um banho delicioso e lavei meu cabelo também. Saí, me enxuguei, me enrolei na toalha e fui até a mala pegar uma roupinha. Escolhi uma saia jeans de lavagem clara não muito curta e meio desfiadinha, e uma blusa preta simples. Hidratei minha pele, me vesti, sequei e prendi o cabelo em um rabo de cavalo alto, fiz uma maquiagem resumida em lápis de olho, rímel e uma sombra clarinha. Me perfumei, coloquei o celular pra carregar um pouquinho, calcei uma rasteirinha e desci -
Glória - Estava indo te chamar
Clara - Desculpa, é que resolvi secar logo o cabelo
Glória - Tudo bem, vamos - sorriu. Fomos pra mesa, onde o meu avô e a Dudoca já estavam, ajudei-a com as travessas que faltavam, nos sentamos, almoçamos o melhor risoto de frango do mundo, e pra completar mousse de morango de sobremesa. Dei o recado do Júnior pra eles e minha vó sorriu, o que fez com que eu automaticamente recordasse de suas palavras no dia anterior. ''Vocês vão se acertar, tenho certeza.'' Acho que ela só me olhou e sorriu pra me fazer lembrar mesmo... Enfim, quando terminamos, ainda ficamos um tempinho conversando, lembrei de avisá-los que só ia embora na segunda mesmo e deixei-os radiantes. É bom vê-los felizes... bom demais. Depois eles subiram para se arrumar, limpei tudo ali, lavei a louça, fui pra sala com a Dudoca, ela ficou assistindo e eu subi. Peguei o celular, e tive um pouco mais de trabalho mas consegui comprar a passagem para um voo às 07h, contanto que fizesse aquele mesmo processo de emiti-lá na hora do check-in com um código que recebi por e-mail, como sempre. Desci novamente, fiquei na sala com minha pequena até os coroas descerem também, prontinhos. Saímos, trancamos tudo, meu véio tirou o carro da garagem, entramos e ele deu partida. Tentei ir dirigindo mas ele fez questão, e como conhece tudo muito melhor do que eu mesmo... Fui curtindo algumas fotos no instagram e foi impossível segurar o riso ao ver a última que a Manu tinha postado do meu filhote. Realmente... Emanuelle e o Luck na cozinha não deve ter resultado em coisa boa. Chegamos no Floripa Shopping, meu avô estacionou, saímos, o alarme foi acionado, entramos e subimos logo para o andar do Cineminha da Galinha Pintadinha, que a Duda ficou louca quando viu. Era até inútil perguntar se ela queria ir porque seus olhinhos brilhavam só de olhar pra lá. Meus coroas sentaram um pouco, eu fui me informar de tudo direitinho, inclusive sobre o horário que a pegaria já que os pais não podem ficar e ela entrou feliz da vida - E aí?
Clara - Tudo certo. Daqui a uma horinha a gente vem pegá-la
Glória - Vamos descer então que nós queremos comprar umas coisinhas - sorriu cúmplice com meu avô -
Clara - Algumas coisinhas? - semicerrei os olhos -
Marcos - Sim, e como somos nós que vamos comprar, trate de não reclamar - fez de tudo para falar sério -
Clara - Tentando parecer sério você fica ainda mais cômico, vô - rimos - Mas ok, agora fiquei curiosa, apesar de saber que essas coisinhas já tem dona - se entreolharam e sorriram - Vamos - descemos, e eles entraram diretamente na Ri Happy (como se eu já não soubesse), aproveitaram que me distraí completamente com uns ursos lindos, foram falar com uma das atendentes e quando voltei a vê-los já estavam finalizando a compra: uma pelúcia musical, um livro de desenhos/atividades e 3 quebra-cabeças em um só, tudo da galinha pintadinha. Tive que gargalhar mesmo - Vocês gostam, né? - saímos da loja -
Marcos - Olha quem fala - rimos - São só presentinhos adiantados
Clara - Ah tá e eu acredito em fadas também - gargalharam - Capaz da galinha pintadinha e a sua turma todinha bater lá porta no dia do aniversário dela, à mando de vocês
Glória - Olha que ideia boa - segurou o riso -
Clara - Não basta as musiquinhas que não saem da minha cabeça? - rimos -
Marcos - O nosso papel é mimar mesmo, a parte ruim fica pra tu
Clara - Que consideração, nossa
Marcos - Olha o drama, ciumentinha - ri ironicamente, eles riram também e eu não resisti -
Clara - Onde fica a livraria aqui? Não lembro
Glória - Nesse mesmo piso, vamos - segui-os, e conforme andávamos ia me lembrando a direção certa. Fomos até a Livraria Nobel, que sempre foi o meu cantinho predileto ali, e se estivesse sozinha certamente ia fazer questão de me perder no meio de tantos livros bons, mas sabia que não podia demorar, portanto fui direto ao que queria. ''Uma longa jornada''. Comprei apenas um mesmo, e quando saímos de lá voltamos para o piso do cineminha onde ficamos até a Dudoca sair, depois de tirar foto com a galinha mais famosa do Brasil.
clarabarcelar_: Quem é que tem a pena azulzinha? ahahaha instagram.com/p/cxO4VnmmCt/
Convenci-os a ir ao Playland, e foi lá que passamos as horas seguintes, perdemos totalmente a noção do tempo. Deixamos a Dudoca nos kiddie rides porque eram os mais adequados pra ela, joguei Air-Hockey com o vovô, perdi, lógico, porque se já sou ruim na sinuca imagina ali... e tentei a sorte com a vovó nas gruas mas também não conseguimos um único ursinho, aliás as únicas coisas que conseguimos foram boas gargalhadas. Quando saímos de lá, passamos no McDonald's, lanchamos e só depois decidimos ir embora.
clarabarcelar_: "O click de uma fotografia é como alguém dizendo: Você salvou algo que jamais poderá ser o mesmo."
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A noite caiu e o tempo esfriou um pouco. Chegamos em casa perto das 19h porque ainda passamos no Morro da Cruz só para apreciarmos o pôr do sol maravilhoso. Tive que fotografar. A fotografia é o meu modo de ver a vida. Estávamos exaustos, assumo, mas apesar dos pesares consegui me divertir de verdade com eles. Subi com a minha filhota apenas para tomarmos um banho bem morninho, e quando descemos novamente ficamos só nós duas (e a pelúcia da galinha pintadinha cantando sem parar) na sala, porque meu avô também foi tomar banho e minha avó foi cuidar do jantar. O Júnior ligou pra falar com a Dudoca, como tinha prometido, eles conversaram durante uns 35 minutos e nós não nos falamos mas pouco tempo depois que a chamada foi encerrada, recebi uma mensagem. Sim, dele. De quem mais poderia ser? Não sei dizer quantas vezes li e reli, mas foram várias e em todas elas meu coração gritava querendo tê-lo por perto mesmo sabendo que não era possível no momento. Fiquei em um impasse terrível: respondo ou não respondo? Ainda estava decidindo o que fazer quando a Rafa me chamou no whats e vi ali o escape perfeito porque precisava falar com outra pessoa. E coincidência ou não, conversa vai e conversa vem, o assunto começou a girar entre mim e o Júnior... sabia que muito provavelmente ela ia falar pra ele mas não me importei e contei tudo, inclusive sobre o ocorrido no aeroporto. Ela até me fez rir da situação falando as besteiras de sempre para tentar me colocar pra cima, e como eu já esperava afirmou que ia conversar sim com ele. Nem questionei, até porque não valeria a pena. Depois o papo ficou um pouco mais descontraído, ela falou com a Dudoca também pelo gravador de áudio do whatsapp e só nos despedimos quando minha avó nos chamou para jantar. Comemos conversando bastante mas confesso que ás vezes ficava meio perdida, áerea... a mensagem dele não saía da minha cabeça por nada. Quando terminamos ainda assistimos a um filme na sala bem coladinhos no sofá para aproveitarmos as últimas horinhas juntos, e quando eles subiram, eu e a Dudoca fizemos o mesmo já que teríamos que acordar cedo. Ela só escovou os dentinhos, deitou abraçada com a galinha pintadinha e pegou no sono. A ideia era seguir o seu exemplo mas sabe quando a sua insônia tem nome, sobrenome e um lindo sorriso? Então... conectei o fone de ouvido no celular, dei play em uma lista de reprodução do Sorriso Maroto, me deixei levar pelas músicas mas segurei todas as lágrimas. Desbloqueei a tela do celular pra tentar me distrair com algo ali e a primeira coisa que fiz foi entrar no instagram do Júnior. Porque? Não sei. Aliás, não sei mais responder nenhuma das minhas perguntas, parece que quando estamos longe nada faz sentido. Vi que pela manhã ele havia postado a foto que mandei da Dudoca, mas foram outras duas que me chamaram atenção. Uma era dele mesmo, que tinha como legenda um trecho de uma das músicas do... Sorriso Maroto. ''Você não me procurou e eu não me desculpei. Sem razão, meu amor, brigados outra vez...'' E a outra... bom, a outra era apenas um conselho de um aplicativo do próprio celular mas que dizia absolutamente tudo que provavelmente ele queria me dizer e não disse. Estava me sentindo entalada, com milhões de coisas pra falar dentro de mim. Orgulho, sai de mim! Estou cansada de resisti a tanta vontade de ligar, de dizer que o amo e que preciso dele aqui. Seria tudo mais fácil. Ele estaria aqui comigo e toda essa dor iria embora, nem que fosse por alguns minutos, eu seria feliz.
clarabarcelar_: ''E quando a saudade aumentar a dor, vai perceber que não reparou. Que sou eu amor, era eu e mais ninguém...''
Voltei a lembrar da mensagem, e como ele mandou (in)diretas (boas) pra mim, por meio de fotos, decidi respondê-lo da mesma maneira.
@clarabarcelar_: Insônia rs pic.twitter.com/6izvMdO1Kq
Essa nossa falta de contato me fez recordar uma loucura que fiz e nunca contei pra ninguém, justamente por querer muito algum tipo de contato, por menor que fosse.
Flashback on
» Tinha acabado de pisar em solo catarinense. Deixei toda a minha vida pra trás. Deixei toda a minha vida em Santos. Quer dizer... minha mãe disse que a minha vida tinha que passar a ser em prol ao bebê que estava carregando dentro de mim... e confesso que estava começando a me acostumar com isso. Apesar de tudo ele ou ela era resultado de um amor puro, de um amor lindo... de um amor que eu não ia mais ver, porém sabia que continuaria sentindo o mesmo sempre...
Eu e meus pais pegamos um táxi e seguimos para casa dos meus avós, que ainda não sabiam o verdadeiro significado dessa nossa mudança repentina, por isso mesmo, quando chegamos à casa deles, não tive coragem nem de olhá-los. Não sabia o que ia ouvir (ou até sabia), não sabia se ia novamente ser julgada e não estava preparada para ouvir tudo de novo. Subi o mais rápido que consegui com vergonha de mim mesma e me refugiei em um quarto em reforma. Provavelmente seria o meu mesmo. E foi ali que passei os dias seguintes. Se pudesse não saía pra nada. Meus avós ficaram sabendo de tudo por meus pais, não participei da conversa mas ouvi e surpreendentemente em momento nenhum eles me julgaram. Quando me senti minimamente preparada para ouvir tudo que eles tinham o direito de me dizer, fui mais uma vez surpreendida por um abraço caloroso dos dois. Apertado. Reconfortante. Queria ficar dentro daquele abraço pra sempre, parecia que nada me abalaria ali. Podia ouvir o choro de ambos, da minha vó principalmente, o que só fazia o meu aumentar de intensidade. ''A gente nunca vai te deixar, pequena'', meu avô falou e tive certeza de que realmente nunca estaria sozinha.
****
Duas semanas depois tive a primeira consulta do pré natal. Foi diferente, estranho... novo. Tudo muito novo pra mim. Não sei explicar as várias sensações que se afloraram em mim no momento em que a Dra. disse que uma simples machinha, - que a propósito já estava com 0,7 cm de comprimento - era o meu bebê. Chorei. Chorei muito. Principalmente tentando imaginar qual seria a reação do Júnior se estivesse ao meu lado. Provavelmente ficaria muito bobo, emocionado, apertaria a minha mão e me presentearia com o sorriso mais lindo do mundo. Eu retribuiria e, mentalmente pediria pra Deus para que o nosso filho ou filha viesse com o seu sorriso. Acordei do meu transe, ou melhor dizendo, da minha ilusão quando a Dra. pediu que eu me trocasse, e ''Está tudo bem com meu bebê?" foi a única coisa que soube perguntar assim que sentei de frente pra ela novamente. E a resposta aqueceu meu coração. Consegui sorrir. Aos poucos começava a perceber que não me importava mais comigo.. só com ele ou ela. Recebi algumas recomendações que já tinha ouvido quando descobri a gravidez em Santos, e resumindo o objetivo da primeira consulta era para realização da história clínica, exame físico e solicitação de exames complementares. Minha mãe me acompanhou, como tinha prometido mas... assim que chegamos na nossa nova casa e pude me esconder no meu quarto de novo, senti uma necessidade enorme de ter o Júnior perto de mim. As duas últimas semanas tinham sido as mais difíceis da minha vida, os dias passavam cada vez mais rápido mas a saudade continuava se arrastando pelos minutos e acho que por isso, peguei o celular e pensei em ligar, mas não saberia o que dizer... o que eu diria? Que não estava conseguindo dormir e precisava ouvir sua voz? Pensei… Pensei e quando caí em mim já tinha ocultado o ID (ou seja, ia ligar como número desconhecido, claro) e discado aquele número que tão bem conhecia. Quando coloquei para chamar ainda tentei desistir mas... ele atendeu. Meu Deus, ele atendeu!! A sua voz soou ainda mais linda aos meus ouvidos. Mordi fortemente os lábios para segurar a vontade de chorar, fechei os olhos, ele voltou a falar mas como nada ouviu, desligou. «
Flashback off
Desligou sem saber o bem que fez a mim e a sua filha.
Clara - Eu já liguei no seu número só pra escutar sua voz e você nunca desconfiou que aquele alô não sairia tão cedo da minha mente. Você desligou e reclamou por não terem dito nada, mas aquilo significou mais do que uma longa conversa. Eu precisava de um pouco de você, mesmo que fosse de forma tão inútil - falei olhando para sua foto no meu celular. Nunca contei e nem pretendo contar pra ninguém. É um segredo meu... meu e da Eduarda.
****
Acordei às cinco da manhã, desativei o despertador e antes que o sono falasse mais alto do que a responsabilidade, levantei. Ainda cambaleando fui até as malas, separei uma roupa pra mim, outra pra Dudoca, coloquei logo tudo que tinha que colocar dentro dela para não esquecer de nada e entrei no banheiro. Tomei um banho frio para acordar mesmo, escovei os dentes, me enrolei em uma das toalhas e voltei pro quarto. Estava com dó de chamar minha princesa... mas não tinha outro jeito.
Clara - Filhota, acorda - chamei-a com o coração apertadinho, e creio que por esse motivo minha voz quase não saiu. Fui passando a mão no seu rosto e ela foi despertando -
Eduarda - Já tá na hora de ir pra escola, mãe? - perguntou ainda de olhos fechados, enquanto espreguiçava-se aos pouquinhos -
Clara - Está na hora de levantar sim mas hoje não vai dar pra você ir pra escola, boneca
Eduarda - Porque?
Clara - Porque não vai dar tempo
Eduarda - Mas amanhã eu vou?
Clara - Claro, amanhã volta tudo ao normal. Hoje você vai passar o dia no trabalho da mamãe
Eduarda - Sério? - sentou de perninhas cruzadas -
Clara - Muito sério - riu -
Eduarda - E o papai também vai estar lá?
Clara - É bem provável que sim
Eduarda - Tô com saudades dele - sorri -
Clara - Tenho certeza que ele também deve estar com muitas saudades - sorriu - Mas vamos tomar um banho bem gostoso pra mandar essa preguiça ir embora?
Eduarda - Posso tomar sozinha? - saiu da cama e começou a se despir -
Clara - Bem rapidinho? - assentiu sorrindo. A verdade é que tenho receio de deixar que tome banho sozinha em algum banheiro que não seja o seu... tenho medo que aconteça algo já que fica sempre cantando e dançando. Coisa de mãe. Ela entrou no banheiro, entrei também só para regular a temperatura da água, vesti minhas peças íntimas, supervisionei o seu banho, depois ela escovou os dentes, enxuguei-a direitinho, vesti-a, penteei seu cabelo e enquanto se calçava, fui me vestindo também. Deixei o cabelo solto mesmo, no rosto usei apenas um pouco de base, arrumei a cama, me perfumei, coloquei o faltava nas malas e descemos - Não acredito - ela nos olhou - Vó, não precisava se dar ao trabalho de acordar tão cedo
Glória - Não podia deixar vocês saírem sem comer nada
Clara - Ah... eu dava um jeito
Glória - Acordar cedo pra mim não é trabalho nenhum - sorriu e em seguida abriu os braços para que a Duda a abraçasse e foi o que ela fez - Daqui a pouco seu avô desce também porque vamos levar vocês até o aeroporto
Clara - Adianta dizer que não precisa?
Glória - Você sabe que não - rimos - Vem, senta aqui - realmente, não adiantaria falar nada e confesso que em Santos, às vezes, sinto falta desse mimo todo. Coloquei as malas no chão, sentei com elas e comi bem pouco porque o horário não ajudava muito... apetite zero, diferente da minha filhota... essa não precisa ter hora pra comer. Principalmente se for a comida da bisa. Meu avô desceu, deu um beijo no rosto de nós duas, sentou também pra tomar seu tradicional café forte e sem açúcar de toda manhã. Aproveitei que eles se distraíram com a bisneta, e como já estava satisfeita, fui pra sala com as malas. Encostei na janela e automaticamente me recordei de algo... doido, algo que preferia não lembrar mas foi inevitável.
Flashback on
» Glória - Ah, já ia mesmo te chamar, o jantar está pronto
Clara - Estou sem fome vó
Glória - É só falta de apetite mesmo?
Clara - Como assim? - tentei desconversar -
Glória - Não aconteceu mais nada?
Clara - Não, é só uma dorzinha de cabeça mas já já ela passa
Glória - Hum, tá bom então, depois te preparo um chá - foi pra mesa e eu fiquei na sala mesmo, deitei no sofá e meus olhos encontraram de novo aquela mesma revista. Tentei fingir que ela não estava ali, mas missão impossível. Levantei, peguei-a e num ato nada impulsivo, a joguei pela janela. ''Faz isso achando que teus problemas vão se resolver, faz...'' - foi como se pudesse ouvir meu próprio coração me condenando. «
Flashback off
A revista... aquela revista. No fundo foi o que abriu de vez uma ferida que mesmo sabendo que nunca ia sarar, tentava fazer, pelo menos, cicatrizar... E se eu não tivesse voltado, ele ainda estaria com ela? Devo gostar de sofrer... porque penso em cada coisa.
Glória - Lembrando da revista que jogou por aí? - dei um pulo tal foi o susto que levei -
Clara - Ai, vó - só depois que falei me toquei no que ela tinha falo também... como assim?? -
Glória - Desculpa, não queria te assustar
Clara - Tudo bem...
Glória - Não vai me responder?
Clara - Responder o quê?
Glória - Está lembrando da revista que jogou por aí?
Clara - Como é que... como é que a senhora sabe disso?
Glória - Tem tempo, né? - riu levemente - Achei uma revista no meio das minhas plantinhas lá fora - fiquei sem saber o que falar - Poderia ter sido qualquer pessoa se eu não tivesse visto uma certa reportagem nela... Agora te vi aí... e lembrei disso
Clara - Porque nunca me contou?
Glória - Não sei - encolheu os ombros - Preferia que tivesse contado?
Clara - Não... acho que não - sorriu -
Glória - Mas estava aí lembrando, não estava? Sua carinha não nega
Clara - Estava... e pensando em outras coisinhas também
Glória - Ou seja, pensando em besteiras. Esquece que te conheço como ninguém? - não cheguei a respondê-la e ela se aproximou ainda mais de mim - Eu sei que na verdade você só veio pra cá pra poder se afastar um pouco, fugir dos probleminhas mas... não é a distância que mede o afastamento, meu amor... é o esquecimento, e você por algum acaso, esqueceu o que deixou lá em Santos?
Clara - Não...
Glória - Eu sei que não mas tem um lado bom nessa sua vinda pra cá, além do nosso final de semana maravilhoso - sorriu - E sabe porque? - perguntou retoricamente e pegou nas minhas mãos - Porque a distância não é essa vilã malvada que todo mundo fala não, ela apenas nos mostra o quanto amamos quem está longe - piscou, e eu sorri com os olhos rasos. Porque ela está sempre certa? Abracei-a e ela beijou carinhosamente a minha testa -
Marcos - Desculpem atrapalhar senhoritas mas acho que já podemos ir - riu -
Glória - Senhoritas? Uau, ganhei o meu dia já - rimos. Mas meu avô tinha razão, já estava na hora de irmos. Peguei uma das malas, ele pegou a outra, saímos, minha vó trancou tudo e entramos no carro. As ruas ainda estavam vazias, aliás até o sol ainda estava nascendo.
clarabarcelar_: Bom dia!!! Vamos voltar pra realidade...
@clarabarcelar_: Alguém aí?
@brightduda: @clarabarcelar_sim, sempre aslakfj. Bom dia pra você e pra princesinha
@clarabarcelar_: @brightduda não dorme não? ahahaha bom dia
@clarabarcelar_: E se a distância falasse só ela saberia dizer o quanto dói uma saudade...
Chegamos ao aeroporto, tentei fazer com que eles fossem logo embora para evitar aquele momento despedida de sempre mas acho que comecei a perceber de onde tirei tanta teimosia. Fiz o check in e ficamos sentadinhos esperando o voo ser anunciado.
clarabarcelar_: Back home!! instagram.com/p/cunxA6mmEi/
A noite caiu e o tempo esfriou um pouco. Chegamos em casa perto das 19h porque ainda passamos no Morro da Cruz só para apreciarmos o pôr do sol maravilhoso. Tive que fotografar. A fotografia é o meu modo de ver a vida. Estávamos exaustos, assumo, mas apesar dos pesares consegui me divertir de verdade com eles. Subi com a minha filhota apenas para tomarmos um banho bem morninho, e quando descemos novamente ficamos só nós duas (e a pelúcia da galinha pintadinha cantando sem parar) na sala, porque meu avô também foi tomar banho e minha avó foi cuidar do jantar. O Júnior ligou pra falar com a Dudoca, como tinha prometido, eles conversaram durante uns 35 minutos e nós não nos falamos mas pouco tempo depois que a chamada foi encerrada, recebi uma mensagem. Sim, dele. De quem mais poderia ser? Não sei dizer quantas vezes li e reli, mas foram várias e em todas elas meu coração gritava querendo tê-lo por perto mesmo sabendo que não era possível no momento. Fiquei em um impasse terrível: respondo ou não respondo? Ainda estava decidindo o que fazer quando a Rafa me chamou no whats e vi ali o escape perfeito porque precisava falar com outra pessoa. E coincidência ou não, conversa vai e conversa vem, o assunto começou a girar entre mim e o Júnior... sabia que muito provavelmente ela ia falar pra ele mas não me importei e contei tudo, inclusive sobre o ocorrido no aeroporto. Ela até me fez rir da situação falando as besteiras de sempre para tentar me colocar pra cima, e como eu já esperava afirmou que ia conversar sim com ele. Nem questionei, até porque não valeria a pena. Depois o papo ficou um pouco mais descontraído, ela falou com a Dudoca também pelo gravador de áudio do whatsapp e só nos despedimos quando minha avó nos chamou para jantar. Comemos conversando bastante mas confesso que ás vezes ficava meio perdida, áerea... a mensagem dele não saía da minha cabeça por nada. Quando terminamos ainda assistimos a um filme na sala bem coladinhos no sofá para aproveitarmos as últimas horinhas juntos, e quando eles subiram, eu e a Dudoca fizemos o mesmo já que teríamos que acordar cedo. Ela só escovou os dentinhos, deitou abraçada com a galinha pintadinha e pegou no sono. A ideia era seguir o seu exemplo mas sabe quando a sua insônia tem nome, sobrenome e um lindo sorriso? Então... conectei o fone de ouvido no celular, dei play em uma lista de reprodução do Sorriso Maroto, me deixei levar pelas músicas mas segurei todas as lágrimas. Desbloqueei a tela do celular pra tentar me distrair com algo ali e a primeira coisa que fiz foi entrar no instagram do Júnior. Porque? Não sei. Aliás, não sei mais responder nenhuma das minhas perguntas, parece que quando estamos longe nada faz sentido. Vi que pela manhã ele havia postado a foto que mandei da Dudoca, mas foram outras duas que me chamaram atenção. Uma era dele mesmo, que tinha como legenda um trecho de uma das músicas do... Sorriso Maroto. ''Você não me procurou e eu não me desculpei. Sem razão, meu amor, brigados outra vez...'' E a outra... bom, a outra era apenas um conselho de um aplicativo do próprio celular mas que dizia absolutamente tudo que provavelmente ele queria me dizer e não disse. Estava me sentindo entalada, com milhões de coisas pra falar dentro de mim. Orgulho, sai de mim! Estou cansada de resisti a tanta vontade de ligar, de dizer que o amo e que preciso dele aqui. Seria tudo mais fácil. Ele estaria aqui comigo e toda essa dor iria embora, nem que fosse por alguns minutos, eu seria feliz.
clarabarcelar_: ''E quando a saudade aumentar a dor, vai perceber que não reparou. Que sou eu amor, era eu e mais ninguém...''
Voltei a lembrar da mensagem, e como ele mandou (in)diretas (boas) pra mim, por meio de fotos, decidi respondê-lo da mesma maneira.
@clarabarcelar_: Insônia rs pic.twitter.com/6izvMdO1Kq
Essa nossa falta de contato me fez recordar uma loucura que fiz e nunca contei pra ninguém, justamente por querer muito algum tipo de contato, por menor que fosse.
Flashback on
» Tinha acabado de pisar em solo catarinense. Deixei toda a minha vida pra trás. Deixei toda a minha vida em Santos. Quer dizer... minha mãe disse que a minha vida tinha que passar a ser em prol ao bebê que estava carregando dentro de mim... e confesso que estava começando a me acostumar com isso. Apesar de tudo ele ou ela era resultado de um amor puro, de um amor lindo... de um amor que eu não ia mais ver, porém sabia que continuaria sentindo o mesmo sempre...
Eu e meus pais pegamos um táxi e seguimos para casa dos meus avós, que ainda não sabiam o verdadeiro significado dessa nossa mudança repentina, por isso mesmo, quando chegamos à casa deles, não tive coragem nem de olhá-los. Não sabia o que ia ouvir (ou até sabia), não sabia se ia novamente ser julgada e não estava preparada para ouvir tudo de novo. Subi o mais rápido que consegui com vergonha de mim mesma e me refugiei em um quarto em reforma. Provavelmente seria o meu mesmo. E foi ali que passei os dias seguintes. Se pudesse não saía pra nada. Meus avós ficaram sabendo de tudo por meus pais, não participei da conversa mas ouvi e surpreendentemente em momento nenhum eles me julgaram. Quando me senti minimamente preparada para ouvir tudo que eles tinham o direito de me dizer, fui mais uma vez surpreendida por um abraço caloroso dos dois. Apertado. Reconfortante. Queria ficar dentro daquele abraço pra sempre, parecia que nada me abalaria ali. Podia ouvir o choro de ambos, da minha vó principalmente, o que só fazia o meu aumentar de intensidade. ''A gente nunca vai te deixar, pequena'', meu avô falou e tive certeza de que realmente nunca estaria sozinha.
****
Duas semanas depois tive a primeira consulta do pré natal. Foi diferente, estranho... novo. Tudo muito novo pra mim. Não sei explicar as várias sensações que se afloraram em mim no momento em que a Dra. disse que uma simples machinha, - que a propósito já estava com 0,7 cm de comprimento - era o meu bebê. Chorei. Chorei muito. Principalmente tentando imaginar qual seria a reação do Júnior se estivesse ao meu lado. Provavelmente ficaria muito bobo, emocionado, apertaria a minha mão e me presentearia com o sorriso mais lindo do mundo. Eu retribuiria e, mentalmente pediria pra Deus para que o nosso filho ou filha viesse com o seu sorriso. Acordei do meu transe, ou melhor dizendo, da minha ilusão quando a Dra. pediu que eu me trocasse, e ''Está tudo bem com meu bebê?" foi a única coisa que soube perguntar assim que sentei de frente pra ela novamente. E a resposta aqueceu meu coração. Consegui sorrir. Aos poucos começava a perceber que não me importava mais comigo.. só com ele ou ela. Recebi algumas recomendações que já tinha ouvido quando descobri a gravidez em Santos, e resumindo o objetivo da primeira consulta era para realização da história clínica, exame físico e solicitação de exames complementares. Minha mãe me acompanhou, como tinha prometido mas... assim que chegamos na nossa nova casa e pude me esconder no meu quarto de novo, senti uma necessidade enorme de ter o Júnior perto de mim. As duas últimas semanas tinham sido as mais difíceis da minha vida, os dias passavam cada vez mais rápido mas a saudade continuava se arrastando pelos minutos e acho que por isso, peguei o celular e pensei em ligar, mas não saberia o que dizer... o que eu diria? Que não estava conseguindo dormir e precisava ouvir sua voz? Pensei… Pensei e quando caí em mim já tinha ocultado o ID (ou seja, ia ligar como número desconhecido, claro) e discado aquele número que tão bem conhecia. Quando coloquei para chamar ainda tentei desistir mas... ele atendeu. Meu Deus, ele atendeu!! A sua voz soou ainda mais linda aos meus ouvidos. Mordi fortemente os lábios para segurar a vontade de chorar, fechei os olhos, ele voltou a falar mas como nada ouviu, desligou. «
Flashback off
Desligou sem saber o bem que fez a mim e a sua filha.
Clara - Eu já liguei no seu número só pra escutar sua voz e você nunca desconfiou que aquele alô não sairia tão cedo da minha mente. Você desligou e reclamou por não terem dito nada, mas aquilo significou mais do que uma longa conversa. Eu precisava de um pouco de você, mesmo que fosse de forma tão inútil - falei olhando para sua foto no meu celular. Nunca contei e nem pretendo contar pra ninguém. É um segredo meu... meu e da Eduarda.
****
Acordei às cinco da manhã, desativei o despertador e antes que o sono falasse mais alto do que a responsabilidade, levantei. Ainda cambaleando fui até as malas, separei uma roupa pra mim, outra pra Dudoca, coloquei logo tudo que tinha que colocar dentro dela para não esquecer de nada e entrei no banheiro. Tomei um banho frio para acordar mesmo, escovei os dentes, me enrolei em uma das toalhas e voltei pro quarto. Estava com dó de chamar minha princesa... mas não tinha outro jeito.
Clara - Filhota, acorda - chamei-a com o coração apertadinho, e creio que por esse motivo minha voz quase não saiu. Fui passando a mão no seu rosto e ela foi despertando -
Eduarda - Já tá na hora de ir pra escola, mãe? - perguntou ainda de olhos fechados, enquanto espreguiçava-se aos pouquinhos -
Clara - Está na hora de levantar sim mas hoje não vai dar pra você ir pra escola, boneca
Eduarda - Porque?
Clara - Porque não vai dar tempo
Eduarda - Mas amanhã eu vou?
Clara - Claro, amanhã volta tudo ao normal. Hoje você vai passar o dia no trabalho da mamãe
Eduarda - Sério? - sentou de perninhas cruzadas -
Clara - Muito sério - riu -
Eduarda - E o papai também vai estar lá?
Clara - É bem provável que sim
Eduarda - Tô com saudades dele - sorri -
Clara - Tenho certeza que ele também deve estar com muitas saudades - sorriu - Mas vamos tomar um banho bem gostoso pra mandar essa preguiça ir embora?
Eduarda - Posso tomar sozinha? - saiu da cama e começou a se despir -
Clara - Bem rapidinho? - assentiu sorrindo. A verdade é que tenho receio de deixar que tome banho sozinha em algum banheiro que não seja o seu... tenho medo que aconteça algo já que fica sempre cantando e dançando. Coisa de mãe. Ela entrou no banheiro, entrei também só para regular a temperatura da água, vesti minhas peças íntimas, supervisionei o seu banho, depois ela escovou os dentes, enxuguei-a direitinho, vesti-a, penteei seu cabelo e enquanto se calçava, fui me vestindo também. Deixei o cabelo solto mesmo, no rosto usei apenas um pouco de base, arrumei a cama, me perfumei, coloquei o faltava nas malas e descemos - Não acredito - ela nos olhou - Vó, não precisava se dar ao trabalho de acordar tão cedo
Glória - Não podia deixar vocês saírem sem comer nada
Clara - Ah... eu dava um jeito
Glória - Acordar cedo pra mim não é trabalho nenhum - sorriu e em seguida abriu os braços para que a Duda a abraçasse e foi o que ela fez - Daqui a pouco seu avô desce também porque vamos levar vocês até o aeroporto
Clara - Adianta dizer que não precisa?
Glória - Você sabe que não - rimos - Vem, senta aqui - realmente, não adiantaria falar nada e confesso que em Santos, às vezes, sinto falta desse mimo todo. Coloquei as malas no chão, sentei com elas e comi bem pouco porque o horário não ajudava muito... apetite zero, diferente da minha filhota... essa não precisa ter hora pra comer. Principalmente se for a comida da bisa. Meu avô desceu, deu um beijo no rosto de nós duas, sentou também pra tomar seu tradicional café forte e sem açúcar de toda manhã. Aproveitei que eles se distraíram com a bisneta, e como já estava satisfeita, fui pra sala com as malas. Encostei na janela e automaticamente me recordei de algo... doido, algo que preferia não lembrar mas foi inevitável.
Flashback on
» Glória - Ah, já ia mesmo te chamar, o jantar está pronto
Clara - Estou sem fome vó
Glória - É só falta de apetite mesmo?
Clara - Como assim? - tentei desconversar -
Glória - Não aconteceu mais nada?
Clara - Não, é só uma dorzinha de cabeça mas já já ela passa
Glória - Hum, tá bom então, depois te preparo um chá - foi pra mesa e eu fiquei na sala mesmo, deitei no sofá e meus olhos encontraram de novo aquela mesma revista. Tentei fingir que ela não estava ali, mas missão impossível. Levantei, peguei-a e num ato nada impulsivo, a joguei pela janela. ''Faz isso achando que teus problemas vão se resolver, faz...'' - foi como se pudesse ouvir meu próprio coração me condenando. «
Flashback off
A revista... aquela revista. No fundo foi o que abriu de vez uma ferida que mesmo sabendo que nunca ia sarar, tentava fazer, pelo menos, cicatrizar... E se eu não tivesse voltado, ele ainda estaria com ela? Devo gostar de sofrer... porque penso em cada coisa.
Glória - Lembrando da revista que jogou por aí? - dei um pulo tal foi o susto que levei -
Clara - Ai, vó - só depois que falei me toquei no que ela tinha falo também... como assim?? -
Glória - Desculpa, não queria te assustar
Clara - Tudo bem...
Glória - Não vai me responder?
Clara - Responder o quê?
Glória - Está lembrando da revista que jogou por aí?
Clara - Como é que... como é que a senhora sabe disso?
Glória - Tem tempo, né? - riu levemente - Achei uma revista no meio das minhas plantinhas lá fora - fiquei sem saber o que falar - Poderia ter sido qualquer pessoa se eu não tivesse visto uma certa reportagem nela... Agora te vi aí... e lembrei disso
Clara - Porque nunca me contou?
Glória - Não sei - encolheu os ombros - Preferia que tivesse contado?
Clara - Não... acho que não - sorriu -
Glória - Mas estava aí lembrando, não estava? Sua carinha não nega
Clara - Estava... e pensando em outras coisinhas também
Glória - Ou seja, pensando em besteiras. Esquece que te conheço como ninguém? - não cheguei a respondê-la e ela se aproximou ainda mais de mim - Eu sei que na verdade você só veio pra cá pra poder se afastar um pouco, fugir dos probleminhas mas... não é a distância que mede o afastamento, meu amor... é o esquecimento, e você por algum acaso, esqueceu o que deixou lá em Santos?
Clara - Não...
Glória - Eu sei que não mas tem um lado bom nessa sua vinda pra cá, além do nosso final de semana maravilhoso - sorriu - E sabe porque? - perguntou retoricamente e pegou nas minhas mãos - Porque a distância não é essa vilã malvada que todo mundo fala não, ela apenas nos mostra o quanto amamos quem está longe - piscou, e eu sorri com os olhos rasos. Porque ela está sempre certa? Abracei-a e ela beijou carinhosamente a minha testa -
Marcos - Desculpem atrapalhar senhoritas mas acho que já podemos ir - riu -
Glória - Senhoritas? Uau, ganhei o meu dia já - rimos. Mas meu avô tinha razão, já estava na hora de irmos. Peguei uma das malas, ele pegou a outra, saímos, minha vó trancou tudo e entramos no carro. As ruas ainda estavam vazias, aliás até o sol ainda estava nascendo.
clarabarcelar_: Bom dia!!! Vamos voltar pra realidade...
@clarabarcelar_: Alguém aí?
@brightduda: @clarabarcelar_sim, sempre aslakfj. Bom dia pra você e pra princesinha
@clarabarcelar_: @brightduda não dorme não? ahahaha bom dia
@clarabarcelar_: E se a distância falasse só ela saberia dizer o quanto dói uma saudade...
Chegamos ao aeroporto, tentei fazer com que eles fossem logo embora para evitar aquele momento despedida de sempre mas acho que comecei a perceber de onde tirei tanta teimosia. Fiz o check in e ficamos sentadinhos esperando o voo ser anunciado.
clarabarcelar_: Back home!! instagram.com/p/cunxA6mmEi/
Oi
Vocês são surpreendentes... uau! Obrigada!!
Não sei se posto na próxima semana, porque
já comecei a fazer testes e assim que acabar
começarão as provas unificadas, que odeio mas
não tenho escolha e preciso estudar, lógico.
Em relação à Carol, pra mim é a mesma coisa.
Não a idolatro, nem a odeio porque não tenho
motivos pra tal. É isso, obrigada mais uma vez e besos!
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