quarta-feira, 21 de maio de 2014

Capítulo 49 - “...Ser pai é maravilhoso em qualquer ocasião”


Acordei com algumas vozes ressoando pelo quarto, abri os olhos mesmo contra a minha vontade, lembrei que não estava na minha casa, não tinha mais ninguém ao meu lado e me dei conta de que as vozes eram da Rafa e da Duda. Da minha visão periférica percebi que elas estavam conversando, ou melhor, tramando algo. Continuei quieta e quando elas pegaram duas almofadas não deixei que o plano se concretizasse. 
Clara - O que vocês pretendiam fazer? - ambas pularam de susto e eu ri - Bom dia pra vocês também - sorri ironicamente -
Rafa - Quem mandou acordar? Volta a dormir agora - gargalhei - Íamos te acordar de um jeitinho especial
Clara - É, acho que percebi. Talvez se vocês fossem mais silenciosas até desse certo
Rafa - Acabou com a nossa brincadeirinha, Dudoca - fizeram beicinho -
Clara - Quem sabe um outro dia...
Rafa - Sem graça! Levanta então, chega de dormir - puxou meu cobertor -
Clara - Preguiça! - coloquei o travesseiro no rosto -
Rafa - Se tivesse deixado nossa brincadeirinha ir até o fim com certeza a preguiça ia embora rapidinho. E ainda está em tempo, é só fingir que está dormindo
Clara - Você não conhece limites, Rafaela - gargalhou - Isso tudo é vontade de jogar almofadas em mim? - assentiram empolgadas - Pois então que comece a guerra - joguei dois travesseiros na direção delas, que não estavam esperando, mas revidaram imediatamente e no minuto seguinte já estávamos as três fazendo a maior bagunça em cima da cama em uma guerra de travesseiros onde ríamos mais do que outra coisa. Só paramos quando eu já estava cansada de tanto pular, me joguei na cama e elas caíram em cima de mim - Socorro, eu preciso respirar! - riram e levantaram - Agora que não levanto mesmo. Preciso de mais umas duas horinhas de sono
Rafa - Nem pense! Está todo mundo te esperando na piscina, vamos - começou a me puxar por um braço e a Duda por outro -
Eduada - É, mãe... vamos! - pediu do jeitinho que só ela sabe -
Clara - Eu vou descer, mas por favor, deixem meus braços nos seus devidos lugares - me soltaram - Muito obrigada - rimos - A Manu ainda está aí?
Rafa - Não, foi em casa mas disse que volta
Clara - Ótimo, vou pedir pra ela trazer uma roupa pra poder sair mais tarde. Acho que aqui não tem nenhuma adequada
Rafa - Vocês vão pra São Paulo mesmo? - assenti -
Clara - E tu não mudou de ideia? Vamos
Rafa - Daqui não saio, daqui ninguém me tira
Clara - Debochada - levantei e ela mostrou a língua - Filha, vai lá contar pro seu pai a bagunça que a Rafa fez na cama dele - ela riu e levantou na mesma hora -
Rafa - Até porque fui eu sozinha não é? Não vai, Duda - ela parou, olhando para nós duas sem saber quem obedecer -
Clara - Rafaela, pára
Rafa - Eu nem falei nada
Clara - Mas fazer os olhinhos do gatinho do shrek funciona com ela, então pára - rimos -
Eduarda - Eu posso ir? - perguntou com as mãozinhas na cintura, fingindo estar impaciente com a espera e nós rimos ainda mais -
Clara - Pode amor, vai lá. Mas sem correr
Eduarda - Tudo bem - sorriu pra mim e olhou pra Rafa novamente, mas não esperou que ela dissesse mais nada e saiu do quarto -
Rafa - Você está semeando a discórdia na família e isso não está certo - tentou falar sério mas não conseguiu e nós caímos na risada -
Clara - Você sabe que eu também te amo - soltei um beijo pra ela e em troca recebi um travesseiro que não chegou até o meu rosto porque peguei-o - Que violência! Não ajudo a arrumar a cama também - entrei no banheiro -
Rafa - Não! Volta aqui, eu te amo muito mais - gargalhei -
Clara - Eu sei - abri a porta e espreitei o quarto, soltei outro beijo e ela ameaçou jogar outro travesseiro mas fechei a porta antes. Tirei o meu pijama improvisado: uma camisa do Júnior, tomei um banho frio e rápido, quando terminei, peguei uma toalha, me enrolei nela e escovei os dentes. Removi os restos da maquiagem que o sono não me deixou tirar, voltei pro quarto, não vi a Rafa em nenhum cantinho, a cama já estava arrumada e minha pequena estava sentada nela, vestida com seu maiô cheio de desenhos de princesas - Falou com ele?
Eduarda - Falei. Ele deu risada, e a vovó e o vovô também - respondeu com uma expressão confusa, de quem estava esperando outras reações e não apenas... risos -
Clara - É que eles sabem que nós também bagunçamos - falei como um sigilo e ela riu. Achei um biquíni, um short e uma regatinha na pequena parte do closet dele separada para algumas roupas minhas, me vesti, entrei no banheiro de novo e penteei o cabelo. Quando voltei pro quarto, abri apenas a persiana e o sol invadiu sem pedir licença. Sentei ao lado da Duda pra ler e responder algumas mensagens com ela, entrei no twitter também bem rapidinho porque apesar de ter pensado em deletar a conta devido os comentários negativos que lia, não o fiz e acho até que já cansaram de me xingar, graças a Deus.
 clarabarcelar_Dia bom!!  
Descemos, e a mesa do café da manhã estava na área exterior, próximo a piscina e ainda recheada de coisas gostosas.
Clara - Bom dia, bom dia! - saudei a todos com beijinhos no rosto. Em ordem: o tio Neymar, a tia Ná, a Joana que estava tirando/colocando algumas coisas na mesa, o Gil que já estava tomando sol e o meu amor que ainda estava comendo
Tia Ná - Dá até gosto de ver essa alegria toda - sorri pra ela e sentei ao lado do Júnior
Clara - Natal sempre foi minha festa predileta e esse ano parece que estou gostando ainda mais...
Tia Ná - Deve ter algum motivo... - respondeu sabendo muito bem a quem me referia e olhou pro Júnior e pra Duda alternadamente
Clara - E tem. Alguns motivos bem importantes - ele também olhou pra mim, sorriu e beijou minha bochecha. A Duda já estava comendo sua salada de frutas empolgadíssima, sem prestar nenhuma atenção ao que falávamos
Neymar - Fiquei sabendo da bagunça lá na minha cama 
Clara - Bagunça? Oi? Que cama? - rimos
Rafa - A cama que eu arrumei sozinha - veio da cozinha
Clara - Meu amor, bom dia - coloquei o maior sorriso do mundo no rosto apenas para provocá-la
Rafa - Cínica - rimos
Clara - Nada mais justo você ter arrumado a cama sozinha, já que subiu para me acordar com más intenções
Rafa - Más intenções? - encenou um pequeno drama - Mas eu nem sei o que é isso 
Clara - E eu que sou a cínica - rimos. Me servi com um copo de suco de laranja com morango, duas fatias de pão integral e requeijão. Na mesa estávamos somente eu, a Duda e o Júnior mesmo. A Tia Ná e o Tio Neymar estavam sentados em espreguiçadeiras na sombra. A Rafa sentou em uma outra perto do Gil. Comemos enquanto decidíamos o melhor horário para sairmos e chegamos a conclusão de que o final da tarde era a melhor opção. Quando terminamos, eles foram logo para borda da piscina, e ajudei a Joana a tirar a mesa, mesmo contra a sua vontade, afinal fui a última a levantar. Depois tirei o short, a regatinha e sentei na espreguiçadeira ao lado esquerdo do Gil. Ficamos falando sobre a Manu (vale ressaltar que ele não tirava o sorriso do rosto toda vez que pronunciava o nome dela) e até confessou que estava ansioso para conhecer pessoalmente os sogrinhos. E eu também queria vê-lo enfrentando a mãe da Manu, que na verdade é uma versão dela mais velha. Eu ri só de imaginar. Estava tudo bem até que ele entrou na piscina e ficou esguichando água em mim com a ajuda da Rafa, tive que me afastar e ir para outra espreguiçadeira porque não queria que meu cabelo molhasse, e foi só falar que o motivo era esse para insistirem ainda mais pra eu poder entrar também. Não mudei de ideia e eles ainda tiveram que parar de tentar me molhar porque sentei propositalmente ao lado da Tia Ná. O Júnior, que estava na parte mais rasa com a Duda, gargalhou ao ver que a minha estratégia deu certo - Meus pais ligaram, tia?
Tia Ná - Sim. Ligaram hoje mais cedo, se desculparam por ontem mas está tudo certo - sorriu - Chamei-os para vim aqui hoje mas não deram certeza
Clara - Sério? Então vou ligar pra reforçar o convite 
Tia Ná - Faça isso - peguei o celular em cima da mesa, marquei o número fixo deles e quem atendeu foi o meu pai no terceiro toque. 
 - início
Clara - Oi pai 
Murilo - Ah, oi pequena. Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa?
Clara - Nossa, calma - eu ri - Aqui está tudo ótimo e aí?
Murilo - Também, meu amor
Clara - Liguei apenas pra dizer bom dia - riu levemente - Brincadeira. Foi pra reforçar o convite da tia também. Venham pra cá 
Murilo - Nós até íamos mas a Débora disse que não está com muita vontade de sair hoje
Clara - Minha mãe está doente? 
Murilo - O quê? Claro que não 
Clara - Ok. Eu não vou insistir, mas vou passar aí quando voltar de São Paulo 
Murilo - Vai pra lá ainda hoje?
Clara - Sim. Conhecer a tão falada Fonte Multimídia no Parque do Ibirapuera
Murilo - Ouvi falar que é bem bonita 
Clara - É... eu também - ficamos em um silêncio insuportável - Pai?
Murilo - Diz, minha filha 
Clara - É Natal... 
Murilo - Eu sei... 
Clara - Por favor, parem com isso ou eu vou enlouquecer 
Murilo - Está falando de que?
Clara - Você sabe de que. Não adianta mais você ou a minha mãe tentarem me enrolar porque agora eu tenho certeza que tem algo me escapando... só queria saber o que é
Murilo - Clara...
Clara - Não. Sem aquilo de dizer que é paranoia minha. Vocês nem saem de casa agora... e se estão lutando tanto pra me esconder é porque envolve a mim também. Eu não vou mais perguntar o que é, mas se eu descobrir por conta própria vou ficar bem chateada com vocês - ele não respondeu, o que só me irritou e aumentou ainda mais as minhas certezas
Murilo - Como você mesma disse, é Natal. Vai aproveitar teu dia 
Clara - Eu vou... eu vou tentar. Até mais tarde então, pai
Murilo - Até mais tarde
 - término
Tia Ná - Ei?! - olhei pra ela e percebi que o Tio Neymar também já estava na piscina. Ela me chamou para sentar ao seu lado, onde ele estava - Que carinha é essa? Eles não vão vim?
Clara - Não...
Tia Ná - E é só por isso que você está assim?
Clara - Não...
Tia Ná - Quer falar?
Clara - Estou com medo, tia
Tia Ná - Medo? - assenti e olhei pro céu, decidida a não chorar - De que?
Clara - Do desconhecido. O pior de tudo é que estou com medo do desconhecido - ela franziu a testa sem entender - Eles estão me escondendo algo e não é de hoje. A cada dia que passa sinto que é algo importante e o fato deles não me contarem me dá medo. Já pensei em tanta coisa... em tanta besteira
Tia Ná - Então tenta não pensar
Clara - É difícil 
Tia Ná - Posso imaginar que sim. Mas não acho que eles iam te esconder algo pra te prejudicar
Clara - Também acho isso...
Tia Ná - Então vamos fazer um acordo: tentamos esquecer isso pelo menos por hoje, e amanhã vou falar com a Débora. Não posso garantir que ela vá falar alguma coisa pra mim, mas posso tentar... ou fazer com que ela fale com você, não sei. O que for melhor pra todo mundo
Clara - Jura que faria isso? 
Tia Ná - Isso e muito mais! - sorriu - Contanto que a senhorita mude essa carinha - sorri - Assim está melhor - sentei mais perto dela e abracei-a
Clara - Obrigada
Tia Ná - Não há de quê, mas estamos combinadas?
Clara - Sim 
Tia Ná - Ótimo! - riu - Vou resolver os preparativos do almoço para liberar a Joana mais cedo, já volto 
Clara - Precisa de ajuda?
Tia Ná - Não. Preciso que se distraia e acho que ali - apontou discretamente com a cabeça para onde a Duda e o Júnior estavam brincando - É o melhor lugar pra isso agora - sorriu, levantou e foi pra cozinha. Olhei pra eles e resolvi seguir o seu conselho. Primeiro mandei uma mensagem pra Manu explicando o que queria, deixei o celular em cima da mesa, fui até a borda, sentei, e coloquei apenas as pernas na água. Depois de ter feito ela boiar, ele a colocou sentada sobre os seus ombros e se aproximou de mim
Neymar - Tudo bem?
Clara - Sim
Neymar - Mesmo? - ergueu uma das sobrancelhas
Clara - Agora sim 
Neymar - Preciso me preocupar?
Clara - Não. Continuem brincando, por favor. Gosto de ver vocês juntos - sorriu, se aproximou de mim cuidadosamente e me deu um beijo rápido, depois abaixou um pouco e minha pequena beijou a minha testa. Eu ri - Amo muito vocês. Não esqueçam nunca! 
Eduarda - Nunquinha! - prometeu beijando a pontinha dos seus dois dedinhos indicadores que formaram uma cruz em seus lábios e eu sorri muito amplamente - Faz também, pai - pedinchou com aquela vozinha que ninguém sabe dizer não e ele repetiu o seu gesto e as suas palavras
Clara - Lembrem que eu sou uma manteiga derretida, então não queiram me ver chorando aqui e agora - rimos
Neymar - Não vai entrar mesmo?
Clara - Já estou dentro, olha - balancei os pés na água e ele riu
Neymar - Você entendeu 
Clara - Não. E a propósito, fiquem sempre pertinho de mim porque assim terei certeza que nem o Gil nem a Rafa vão tentar me molhar - rimos. Eles voltaram a brincar, e eu me tornei uma mera observadora da diversão deles que automaticamente se transformava na minha diversão também. Lógico que o Gil e a Rafa não desistiram de tentar me molhar mas consegui me esquivar de todas as tentativas. A Manu chegou um tempinho depois, agradeci por ter levado o que pedi e ela ficou me fazendo companhia enquanto pegava uma corzinha também. Perto da hora do almoço, todo mundo subiu pra tomar banho e a Rafa se prontificou a cuidar da Dudoca. Eu e o Júnior tomamos banho juntos, e apesar de não termos conseguido deixar nossas mãos quietas, conseguimos, pelo menos, ficar minimamente comportados. (In)felizmente foi apenas.... uma diversão rápida. Peguei um vestidinho branco de renda tomara que caia, me vesti e soltei o cabelo que até então estava em um simples coque.
 clarabarcelar_: Talvez o melhor enfeite de Natal seja um grande sorriso!  
Ele saiu do closet também já vestido, com o cabelo totalmente desgrenhado e eu sorri.
Neymar -  Aconteceu alguma coisa? Te vi conversando com minha mãe e parecia ser sério
Clara - Não foi nada, relaxa - tentei tranquilizá-lo. Se começasse a falar sabia onde ia acabar e não queria. Ele também não merecia ficar me ouvindo falar as mesmas coisas. É chato e cansativo -
Neymar - Coisas de mulheres? - sugeriu, mas suponho que foi apenas para me fazer sorrir e conseguiu -
Clara - Sim - ri, e sei que ele não se convenceu -
Neymar - Não vou insistir porque faço uma pequena ideia do assunto e você sabe que estou aqui pra te ouvir sempre, seja lá o que for
Clara - Eu sei, obrigada - levantei da cama e como ele estava na minha frente, ficamos bem juntinhos. Coloquei meus braços ao redor do seu pescoço e os seus também rodearam minha cintura - Não vamos mais falar sobre isso porque como você mesmo disse, se eu tiver que saber, na hora certa vem à tona - avaliou minha expressão, percebeu que eu estava sendo sincera e assentiu - Até porquê temos assuntos melhores para conversar
Neymar - Qual, por exemplo?
Clara - Como está sendo seu primeiro Natal como papai? - riu -
Neymar - Posso ser sincero?
Clara - Deve
Neymar - Agora, com o ano acabando e depois de tantas experiências novas, estou percebendo que ser pai é maravilhoso em qualquer ocasião - sorri com sua espontaneidade - Mas ok, o Natal teve... algo a mais... nunca fiquei tão preocupado na hora de comprar um presente e tão ansioso pra ver a reação da pessoa - gargalhei -
Clara - Não valeu a pena?
Neymar - Valeu muito. O sorriso dela recompensa qualquer coisa
Clara - É que nem o seu - automaticamente sorriu também e me beijou calmamente, sem nenhuma pressa e aproveitando cada segundo. Mordi levemente seu lábio inferior e me afastei um pouco (quase nada) - Devem estar esperando apenas por nós dois e já demoramos demais, vamos - tentei passar mas só consegui nos deixar mais juntos de novo já que ele nem se mexeu - Eu não quero ter que lidar com os possíveis comentários da Manu e do Gil por causa da nossa demora, sério
Neymar - Em outras palavras, não quer ficar vermelha na frente dos meus pais - riu descaradamente -
Clara - Sim, isso também então colabora, vai - não se mexeu novamente e estava claramente se divertindo com a situação, afinal me ver que nem um tomate é quase o seu hobby favorito. Revirei os olhos e aproximei meu rosto do seu de novo dando a entender que ia beijá-lo - Por favor - sussurrei pertinho da sua boca com a voz mais doce do universo -
Neymar - Pedindo assim... - roubou mais dois selinhos, prolongando o último enquanto nos girou, de modo que não ficaria mais presa se quisesse sair porque a porta estava mais perto de mim, mesmo assim ele sorriu pra nem me deixar pensar em mais nada, pegou a minha mão e saímos do quarto. Descemos e por causa do Guilherme, do Gustavo e do Jota que tinham acabado de chegar nem a Manu nem o Gil lembraram de fazer algum comentário inapropriado. Ainda bem. Depois do almoço minha tarde voou. Passei a maior parte do tempo no térreo com a Duda, a Rafa, a Manu e o carrinho elétrico, além da Laila, a Marcela e a Tayná que chegaram depois e passaram um bom tempo conosco. Depois fomos para quadra assistir a partida amigável dos meninos que teve mais bagunça do que gols. Quando terminou, 6 a 5 para o time do Júnior (aqueles que estavam sem camisa), eu, ele, a Duda e a Rafa subimos. Os meninos (e a Manu) permaneceram lá embaixo de papo com os demais jogadores, dos quais só conhecia alguns e de vista por serem do mesmo prédio. Já as meninas, se despediram de nós e foram embora. Deixei o Júnior entrar no banheiro primeiro e fui com a Rafa pro quarto da Dudoca arrumá-la também. Já de banho tomado, vesti-a com um shortinho xadrez, uma blusinha branca e deixei separado um casaquinho para levar também porque com o anoitecer ia esfriar com certeza. Ela calçou sua sapatilha, e deixou a Rafa pentear seu cabelo. Voltei para o quarto do Júnior, a porta do banheiro já estava aberta mas ele devia estar no closet porque a carteira e o celular ainda estavam em cima da cama. Peguei a bolsa que a Manu trouxe pra mim, entrei no banheiro e tomei um banho frio. Saí, me enxuguei, me enrolei na toalha e abri a bolsa porque conhecendo-a como conheço ela não tinha colocado ali somente as roupas. E acertei. Tinha meu hidratante, apesar de já ter um que não sai mais do banheiro dele também, um dos menores estojinhos de maquiagem que tenho e um colar combinando com a roupa. Ela pensou em tudo, claro. Passei o hidratante, me vesti e do estojinho usei apenas o primer, base, corretivo, blush, sombra, lápis nude e um brilho labial. Penteei o cabelo deixando-o solto mesmo, arrumei a bagunça que sempre faço no banheiro quando me arrumo nele e voltei pro quarto. Ouvi a voz da Duda vinda do closet também, sentei na pontinha da cama, peguei o mesmo sapato da noite anterior, calcei-o e eles saíram de lá. O boné dele rapidamente me chamou a atenção. Era novo. Com "girl's dad" escrito em uma espécie de manuscrita moderna na frente. Ele percebeu que eu estava olhando, mexeu no boné propositalmente como se estivesse dizendo eu sei que é lindo e sorriu. Eu ri e não precisei dizer mais nada. Ele estava certo. 
    ****
Apesar de termos combinado que íamos bem no finalzinho da tarde, quando saímos ainda estava longe de escurecer. O Júnior disse que tinha algo para mostrar pra Dudoca antes de irmos para o Parque Ibirapuera e nos levou para a zona norte de São Paulo, mais precisamente: Shopping Center Norte. Estranhei quando percebi que estávamos indo pra lá, mas percebi o motivo antes mesmo de chegarmos perto porque de longe já se avistava o Papai Noel gigante ao lado de uma caixa de presente também enorme próximo a entrada do shopping, no canteiro da Marginal Tietê. Ele estacionou no lugar adequado, saiu, carregou-a e eu fiz o mesmo. A iluminação ainda não estava totalmente acesa e mesmo assim ele não deixava de ser lindo. A Duda ficou com a cabecinha inclinada, admirada com o tamanho dele, depois riu e quis se aproximar um pouco mais. Só a caixa de presentes devia ter uns 4 metros de altura, o Papai Noel então, uns 20. Mas como não queríamos chamar muita atenção ali, ela deu um tchau entusiasmado para o gigante bom velhinho e voltamos para o carro. Enfim, para o nosso destino principal. Quando chegamos ao Parque ainda não estava tão cheio. O Júnior ajeitou o boné, carregou a pequena de novo e entrelaçou sua mão com a minha. Havia pessoas correndo, andando de bicicleta, patins, skate, jogando bola, meditando e até fazendo piquenique. Não é à toa que o lugar é conhecido por algumas pessoas como “a praia dos paulistanos” e algo me dizia que ali ia lotar em pouco tempo. 
 neymarjr: O presente mais lindo que a vida me deu!!
Enquanto esperávamos aquilo que realmente queríamos ver, ficamos passeando pelo Parque, (sim, conseguimos essa proeza, houve interrupções, é obvio, mas conseguimos) confesso que já não lembrava de muita coisa ali, além do mais as mudanças também eram muitas e notórias. Visitamos a Oca, mas não ficamos muito tempo porque a exposição do momento era “Dinos na Oca” e digamos que a Dudoca não gostou muito de ver. Fomos ao MAM - Museu de Arte Moderna também, e por estar mais vazio que a Oca ficamos lá por mais tempo, quando saímos já tinha anoitecido, o tempo já tinha esfriado e o Parque estava bem cheio, como tinha previsto. Todas as árvores decoradas com lâmpadas de LED também já estavam acesas. Vesti o casaquinho na Dudoca, comprei pipoca pra gente e ficamos pertinho do Lago pra não perder nada, e o melhor de tudo é que parecíamos meros desconhecidos ali no meio de tanta gente, o que era ótimo. Demorou mas enfim a Fonte Multimídia começou o seu show. A música de abertura foi o clássico natalino “We wish you a Merry Christmas”, cantado por um coral infantil enquanto a dança das águas e das luzes no lago ficavam cada vez mais intensas. As projeções começaram a mostrar cenas sobre o surgimento dos símbolos de Natal, como a árvore, o Papai Noel, as renas, além de imagens da noite de Natal por todo o Brasil e mensagens de otimismo e esperança. O espetáculo durou cerca de 25 minutos, utilizando todos os recursos de coreografia e cores proporcionados pela Fonte. E durante os 25 minutos acho que esqueci do mundo. Éramos só nós três ali, como se não existisse lugar melhor para estarmos naquele momento. Por fim, as águas dançantes terminou sua apresentação com um enorme gêiser de deixar qualquer um boquiaberto e encantado.
 clarabarcelar_: Show de luzes!!  
Antes que o pessoal começasse a dispersar, saímos o mais discretamente possível do nosso lugarzinho, por incrível que pareça não fomos parados por ninguém no caminho até o carro e entramos.
Neymar - Casa? - olhou pra mim depois de conferir novamente que a Duda estava totalmente segura na cadeirinha e eu ri por dentro -
Clara - Não. Falei pro meu pai que ia passar por lá antes de ir pra casa, pode ser?
Neymar - Claro - deu partida e fomos o caminho inteiro ouvindo a Duda cantar as mesmas musiquinhas natalinas da sua apresentação na escola uns dias antes do recesso. Chegamos, a nossa entrada estava liberada, ele estacionou, saímos do carro e subimos. Toquei a campainha e dessa vez quem atendeu foi a minha mãe -
Débora - Você veio mesmo! - sorriu de lado -
Clara - Sim. Mas se preferir podemos voltar daqui mesmo - nem eu mesma sei se falei brincando ou para testá-la -
Débora - Deixa de ser besta - deu espaço pra gente entrar, me abraçou, falou com a Duda e o Júnior e fechou a porta. Meu pai estava no sofá rodeado de papéis mas sorriu ao nos ver e levantou para nos cumprimentar também -
Clara - Cadê os coroas?
Murilo - No quarto
Clara - Já foram dormir?
Murilo - Não
Débora - Sim - responderam ao mesmo tempo. Percebi que ela meio que o repreendeu com o olhar e ele ficou constrangido mas preferi fingir que não vi -
Clara - Foram ou não foram dormir?
Murilo - Na verdade sim, eles disseram que já iam dormir porque seu avô não estava se sentindo muito bem - o alerta que até então estava tentando manter desligado, acendeu na hora e nem me importei com a troca de olhares deles novamente. Tentei (não sei se em vão ou não) agir como eles, o mais naturalmente possível -
Clara - E eu posso ir vê-los? Só quero desejar boa noite - meu sorriso saiu mais irônico do que eu realmente queria e sei que eles perceberam. Senti as mãos do Júnior no meu ombro, olhei-o e sabia que ele estava pedindo para me acalmar. O fato é que o clima naquela sala não era dos melhores porque não estava mais aguentando ver que eles sabiam de algo e eu não. Tentei sorrir, até mesmo pra Duda não ficar com uma impressão estranha - Posso?
Murilo - Vai lá - seu sorriso se igualou ao meu. Olhei para o Júnior novamente e ele assentiu, sentando no sofá maior logo em seguida com a Duda no seu colo. Meus pais não falaram mais nada então segui para o quarto. Bati na porta e a abri lentamente -
Clara - Posso entrar? - minha avó assentiu. Ela estava sentada em uma poltrona reclinável ao lado da cama com um livro, e meu avô deitado. Não sei se ela estava lendo em voz alta, mas sorri imaginando que sim - Passei apenas pra desejar boa noite - sorriram também - Está tudo bem?
Marcos - Sim
Clara - É mesmo? - entreolharam-se rapidamente - Já sei que você não estava se sentindo muito bem hoje, vô
Marcos - Não foi nada demais
Clara - E mesmo assim você não ia me dizer nada... - calei-os por alguns segundos - Ok, quem não está muito bem sou, desculpem. Vou deixar vocês descansarem - me aproximei mais da cama, beijei o rosto da minha avó, e fiz o mesmo com meu avô - Você está tão quente - falei espantada passando a mão no seu rosto -
Marcos - Você acha? - perguntou hesitante, olhando de relance para minha avó -
Clara - Acho não, tenho certeza. Parece febre
Marcos - É, acho que vou ficar resfriado
Clara - Resfriado?
Glória - É minha filha, também estou achando que vou ficar. Talvez por causa da mudança de temperatura, não sei
Marcos - Precisa se preocupar não que daqui a pouco é hora do remédio e a febre vai embora
Clara - Está tomando remédio? Mas foi ao médico?
Marcos - Não... é aquele de sempre pra mandar qualquer resfriado embora antes mesmo de chegar
Clara - Certo, então eu vou mas vocês vão ter que me prometer algo
Glória - O quê?
Clara - Qualquer coisa, por mais que vocês achem ''nada demais'', me liguem
Glória - Por quê? - perguntou receosa -
Clara - Apenas prometam, por favor
Glória - Está prometido - olhou pro meu avô - Mas, Clara... - não deixei que ela terminasse -
Clara - Não adianta falar mais nada, já está prometido e eu espero sinceramente poder acreditar em vocês
Glória - Tudo bem - respondeu um pouco surpresa -
Clara - E se cuidem, por favor - beijei o rosto deles novamente e me despedi, mesmo sem querer, com o coração apertadinho. Saí do quarto e do corredor mesmo já podia ouvir a voz entusiasmada da Dudoca falando sobre o Papai Noel gigante que viu. Claro que ela não vai esquecer isso por um bom tempo e sua animação me fez sorrir um pouco antes de entrar na sala - Vamos? - ela já estava no colo do meu pai -
Murilo - Mas já? - apertou a neta nos seus braços como se não quisesse soltá-la - Vocês já jantaram?
Clara - Não - respondi naturalmente, depois me toquei e olhei pro Júnior - É... nós ainda não jantamos
Neymar - Não - riu -
Débora - Então fiquem
Murilo - É... a presença de vocês aqui deixa o ambiente mais alegre - sorri pra ele. Olhei para o Júnior novamente, ele encolheu levemente os ombros e olhou de relance para Duda. Entendi na hora -
Clara - Tudo bem, a gente fica
Murilo - Ótimo - levantou - Vem, pequena - pegou a mãozinha dela e levou-a para sala de jantar. Minha mãe segui-os com uma expressão mais tranquila daquela que estava quando chegamos. Pelo menos isso -
Clara - Você quer ficar?  - me aproximei e ele levantou -
Neymar - Pela sua carinha, não era pra ser eu fazendo essa pergunta? - eu ri. Definitivamente não dava para enganá-lo - Como é que estão seus avós? - passou a mão delicadamente no meu rosto -
Clara - Aparentemente bem, não sei - balancei a cabeça - Não se de mais nada, mas também já disse que não vou insistir nisso porque é um tiro no escuro
Neymar - Você que sabe, eu já disse que vou te apoiar no que você decidir
Clara - Eu sei - sorri e passei os braços envolta do seu pescoço para lhe dar um beijo - Duda está com fome, não está? - assentiu - E você também
Neymar - Talvez - rimos -
Clara - Acho que esqueci que não tínhamos jantado porque na minha cabeça, meus planos eram: chegar em casa, tomar um banho e me jogar na cama - fiz uma careta interna para os meus planos em pleno natal (apesar deles não estarem assim tão errados, já que aproveitei muito e da melhor forma possível: com meus amores) - Você queria jantar em outro lugar? Ou até mesmo na sua casa...?
Neymar - Eu quero terminar o dia de hoje como comecei: com você e a Duda comigo. E se vocês estão aqui, está tudo ótimo. Sem falar que depois do clima lá na sala, é bom que você fique um pouco mais com seus pais
Clara - É, eu também acho. Por isso nem pensei em recusar quando meu pai fez o convite... não quero que eles pensem que quero distância. Aliás, distância é o que eu menos quero no momento. Mas tudo bem, vamos parar de falar e ir comer - peguei a sua mão, e me virei mas ele não saiu do lugar, ficou apenas me olhando estarrecido e sorrindo - O que foi?
Neymar - Eu te amo - não sei como mas ele sempre sabe a hora certa de dizer tudo e isso meio que me deixa orgulhosa -
Clara - Eu também te amo, amor - ri da minha própria voz que saiu um pouco chorosa, beijei carinhosamente a sua bochecha, depois seus lábios da mesma forma - Agora vamos comer porque eu não quero ser demitida por ter sido a culpada do baixo peso do camisa onze no dia da reapresentação lá no CT - gargalhou -
Neymar - Seria por justa causa - rimos. Ele passou os braços ao redor da minha cintura e fomos assim para sala de jantar. A Duda estava sentadinha ao lado do meu pai enquanto a minha mãe tirava os pratos sujos e colocava os limpos. Sim, eles já tinham jantado mas ficaram na mesa com a gente e por causa da Duda tivemos assuntos mais descontraídos para conversar. Quinze minutos depois que começamos a comer, minha avó passou para cozinha e voltou rapidinho com uma jarra de água e um copo, deu um beijinho em nós três e voltou pro quarto. Quando terminamos, minha mãe pediu a minha ajuda para tirar a mesa e eu sabia que era apenas um pretexto pra ficar só comigo. Levamos tudo para cozinha, ela lavou a louça e só quando eu já estava guardando, tomou coragem para falar -
Débora - Eu te amo, filha - paralisei. Fiquei como uma estátua mesmo, tinha acabado de colocar os dois últimos pratos no armário e olhei-a sem reação mas nem falei nada para não intimidá-la, caso tivesse mais coisas pra dizer - Tudo que já fiz e ainda vou fazer na vida sempre vai ser pensando em você, sabe disso não sabe? - de repente fiquei com um medo enorme de responder essa simples questão por causa da intensidade das suas palavras mas não queria, nem podia decepcioná-la. Respirei fundo e minha voz saiu fraca mas saiu -
Clara - Sei - ela suspirou de alívio, como se estivesse tensa a muito tempo apenas por isso. Deixei o pano de prato de lado e abracei-a bem forte, querendo que o que quer que ela estivesse sentindo passasse pra mim também... mas não passou - Eu também te amo - ouvi o seu soluçar mas ela não deixou que nenhuma lágrima caísse. Não falei, e não perguntei nada, deixei apenas que me apertasse o quanto quisesse. Quando me soltou, passei a mão no seu rosto e ela sorriu de forma contida -
Débora - Não sei o que está acontecendo comigo nessas últimas semanas... estou parecendo até uma mocinha naqueles dias - riu e eu sorri. Ok, posso fingir que acredito nisso! Melhor do que nada. Terminamos de limpar a cozinha, voltamos pra sala e depois de um tempo falando basicamente como foi a nossa manhã/tarde, eles nos levaram até a porta -
Murilo - Obrigado por terem ficado mais esse tempinho aqui com a gente. Falei sério sobre a presença de vocês deixar o ambiente mais alegre
Neymar - Que isso, sogrão, é só chamar - rimos. O clima já não era o mesmo daquele que se instalou quando chegamos, ainda bem. Nos despedimos deles, fiquei tentada a ir ver meus avós novamente mas eles prometeram ligar caso acontecesse algo, e já deviam estar dormindo também, por isso descemos -
Clara - Me deixa dirigir?
Neymar - Tem certeza?
Clara - Sim... me distrai, pelo menos
Neymar - Hum, não sei se distração e trânsito combinam - sorriu e eu tive que retribuir porque sei que foi essa a sua intenção - Pega - jogou a chave pra mim. Soltei um beijo como agradecimento, ele riu e prendeu a Dudoca na cadeirinha, para depois entrar e sentar ao meu lado. Dei partida, saí do estacionamento e segui para o apê em silêncio, aliás o carro estava tão silencioso que a Duda pegou no sono. Quando chegamos, o Júnior carregou-a porque ela acordou mas ainda estava meio sonolenta, peguei minhas coisas, travei as portas do carro deixando a bicicleta dela dentro do porta-malas mesmo para pegarmos no dia seguinte, chamei o elevador e subimos. No apartamento só o Luck estava, e mal nos viu, começou a fazer festa como sempre -
Clara - Você cuida dela?
Neymar - Sim. Vai tomar aquele banho que você queria - sorri e assenti. Ele foi pro quarto dela, tirei o salto, fui até a área de serviço apenas pra ter certeza que o Luck ficou bem abastecido o dia inteiro e voltei pra sala. Peguei minha bolsa, passei pelo quarto da Dudoca, vi ele vestindo o pijaminha nela, entrei só pra dar um beijinho de boa noite na dorminhoca e fui para o meu. Peguei logo um pijama também e entrei no banheiro. Removi toda a maquiagem, me despi, prendi o cabelo, e tomei um precioso banho frio. Me enxuguei, me vesti, escovei os dentes e me olhei no espelho. Pensando bem, não tinha o que reclamar do meu Natal. Depois de passar por tantas coisas foi o melhor, sem dúvidas e não mudaria nada, foi perfeito do jeito que foi. Voltei pro quarto, guardei todos os meus presentes, liguei a TV em um volume quase inaudível e me joguei na cama, literalmente. Peguei meu celular e deixei ao lado do meu travesseiro. É... acho que vou dá motivos para me chamarem de paranoica até descobrir o que estão me escondendo. O Luck entrou no quarto e deitou nos pés da cama, sorri e fechei os olhos. Cinco minutos depois o Júnior também entrou e fechou a porta com cuidado achando que eu já estava dormindo. Ouvi ele abrindo uma das portas do meu guarda-roupa, mexeu um pouco lá, depois entrou no banheiro. Não demorou muito, e quando saiu apenas diminuiu a intensidade da luz e logo em seguida se bateu em algum móvel, acho que foi a minha mesinha, não virei pra ver mas não consegui segurar o riso também por mais baixinho que fosse. Ele deitou ao meu lado, e me puxou para os seus braços, nos deixando de conchinha - Muito bonito ficar rindo de mim enquanto eu estava tentando fazer de tudo para evitar barulho achando que você já estava dormindo - ri ainda mais -
Clara - Desculpa. Foi totalmente sem querer
Neymar - Imagino que sim - deu um beijo demorado no meu rosto e um silêncio bom e calmo, se instalou por todo o quarto. Só conseguia ouvir as nossas respirações -
Clara - Sabe... eu realmente não estou me sentindo confortável com o fato de que algumas pessoas estão me escondendo algo e claro que preferia que isso não estivesse acontecendo mas... ontem e hoje lá no lago, eu esqueci disso - olhei-o e ele tirou a franja solta do meu rosto - No meu Natal passado, nem passava pela minha cabeça que o próximo seria com você e a Duda. Os dois pertinho de mim nessa data que é tão especial. É quase surreal... - senti o seu corpo apertar ainda mais o meu e agradeci-o mentalmente por isso. Era tudo bem real - É por isso que apesar de tudo esse foi o melhor Natal da minha vida. Não vou esquecer nunca!
Neymar - Esse foi só o primeiro dos muitos que ainda vamos passar juntos, eu prometo! - não estava mais olhando-o mas podia apostar que ele estava sorrindo e isso me fez sorrir também. O silêncio voltou a pairar e depois de um tempinho percebi que ele tinha pego no sono, já eu demorei muito para consegui adormecer porque querendo ou não estava com um certo medo de dormir e acordar com o celular tocando.

    ****
Read: http://preetiin.blogspot.com.br/ • http://njramor.blogspot.com.br/

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Capítulo 48 - “Eu quero que vocês fiquem juntos para sempre...”

Dedicado à Mah #voltalogo ️ 
 Acordei sozinha e ao meu lado estava apenas um travesseiro frio, sinal de que o Júnior já tinha levantado a bastante tempo. Será que dormi demais? Achei meu celular perdido entre os lençóis e constatei as horas: 10h30. Nem dormi tanto assim, levando em conta o quanto estava cansada e a hora que peguei no sono. Aproveitei que já estava com o celular nas mãos e respondi algumas mensagens no whatsapp, incluindo do Diego, da madrinha, da Gio e a mais recente era da Jéssica.
    Turistaaaaa!!
Salut, mon amour
    Não era pra levar ao pé da letra
    Traduza, por favor
Oi, meu amor  
    Agora sim
Ahahahaha saudades de você, louca
    Também estou!   
    Quero te ver e te entregar o presente da Dudoca
E o meu?
    Depois a gente conversa
Cortei relações  
    Que tal a minha inestimável companhia hoje?
Inestimável? Talvez
    Onde fica a consideração??
Te amo  
E só por isso aceito seu presente
    Salão depois do almoço?? Passo pra te pegar
Fechadíssimo!
    Fala com a Manu
Você e a Emanuelle... falo nada!  
    Own, que linda. Ciúmes, baby?
Você acha? Não sei o que é isso
Vou falar com a Rafa também
    Você e a Rafaela... falo nada!  
    Nem sei ser ciumenta, mas chama ela sim  
Me avisa quando estiver vindo
    Ok  
Tomei coragem pra levantar, e assim que coloquei os pés no chão fiquei em choque com o que vi perto do meu guarda-roupa. Abri e fechei os olhos mas as coisas continuavam ali. Eu não estava sonhando? Comecei a rir sem saber o que fazer. Um ursinho de pelúcia tamanho médio e uma cesta de rosas em formato de coração no meu quarto em plena véspera de natal? Levantei e fui até eles.
Clara - Oh, meu Deus! - continuava rindo, mas não por achar engraçado e sim por ainda estar sem palavras. Não estava esperando. Como ele consegue me surpreender com ações tão simples? É por isso que eu amo simplicidade, coisas bobas e clichês. Ele sabe usar isso a seu favor. Comecei a procurar por algum papelzinho e encontrei-o entre os dois corações do ursinho.
 “Não tem preço sonhar com você, acordar e ao abrir os olhos lembrar que você está do meu lado. Não tem preço dormir de mal jeito, acordar com dor e de quinze em quinze minutos olhar pra ver se eu não estou roubando seu lençol. Não tem preço fechar os olhos e sentir o ar quente da sua respiração no meu rosto, ou virar pro outro lado e ser envolvido pelos seus braços. Não tem preço tentar dormir e acordar com você rindo por algum motivo que só Deus deve saber, ficar brincando de ordenar o inspira e o expira só pra lembrar que até na hora de respirar somos iguais. Não tem preço ter você ao meu lado deitada, de pé, sentada, nas noites frias, quentes, alegres ou tristes. Não tem preço ter você. Obrigado por existir.”
Clara - Oh, meu Deus! - repeti a única coisa que conseguia falar. Sentei no chão com um sorriso quase partindo meu rosto ao meio, peguei o ursinho e abracei-o, sentindo o cheiro maravilhoso dele impregnado ali. Quando acho que o que sinto já é algo imensurável, ele me mostra que não e faz com que me apaixone mais. Acho que perdi um pouco a noção do tempo abraçada com o urso, segurando o papelzinho e sentindo a fragrância agradável das rosas. Quando enfim levantei, arrumei a cama, coloquei o mais novo integrante da minha coleção em cima dela, separei um roupa e entrei no banheiro. Me despi, tomei um banho friozinho e me peguei sorrindo para o chuveiro. Saí do box, enxuguei-me, passei hidratante no corpo, me enrolei na toalha, voltei pro quarto e me vesti. Meu bom humor estava em um nível tão alto que penteei o cabelo cantando e dançando loucamente, principalmente porque as músicas refletiam bem meu estado de espiríto. 
 clarabarcelar_: ‘Cause after all this time I'm still into you   
Me perfumei, peguei minha cesta linda, o celular e saí do quarto.
Clara - Bom dia - entrei na cozinha, onde a Manu estava sozinha - Uau! - falei ao ver uma outra cesta... de doces -
Manu - Bom dia - respondeu ainda sem tirar os olhos da louça que estava lavando, riu da minha exclamação, terminou e olhou pra mim - Uau! - repetiu minhas palavras assim que seu olhar curioso encontrou a minha cesta em cima do balcão e nós rimos - Que lindas!
Clara - Também achei - sorri -
Manu - Metida - rimos -
Clara - A sua também é
Manu - Eu sei - rimos - Porém...
Clara - O que? - revirei os olhos -
Manu - Porque o Gilmar não me mandou flores no lugar de doces? Quer dizer, acabo de entrar na academia e é esse o incentivo que recebo do meu namorado
Clara - Isso só prova que ele te ama muito
Manu - Ah, é? Me ilumine
Clara - É. Prova que ele te ama sim, e vai te amar de qualquer jeito, se é que me entende - rimos -
Manu - Até que é uma justificativa válida - rimos - Ai, ok... preciso admitir que amei. Principalmente porque não estava esperando - sorriu completamente apaixonada -
Clara - Gosto de te ver feliz - seu sorriso ampliou ainda mais -
Manu - Digo o mesmo - sorri também -
Clara - Mas o que será que deu nesses homens para nos surpreender desse jeito hoje?
Manu - Sinceramente? Não sei. Mas podia ser assim sempre, eu não me importaria
Clara - Assino embaixo. Mesmo assim nós não podemos reclamar da vida
Manu - Não mesmo. Me acabarei - olhou pra cesta, eu ri e peguei a minha pra levar pra sala -
Clara - Não esquece de deixar jujubas pra Dudoca, você sabe que ela ama - falei um pouco mais alto e ela riu. Coloquei minha linda cesta em um lugar bem visível sobre um dos móveis e voltei pra cozinha - Onde estão meus amores?
Manu - Júnior desceu com a Dudoca e o Luck pro parque
Clara - Do prédio mesmo? - abri a geladeira e peguei uma jarra de suco -
Manu - Sim. Não vai tomar café?
Clara - Não, daqui a pouco já é hora do almoço - despejei um pouco no meu copo - E falando nisso, salão depois com a Jéssica?
Manu - Claro - sentei em um dos bancos, peguei o celular, liguei pra Rafa e ela também aceitou na hora. Liguei pra minha mãe também, mas ela deu a mesma resposta que a tia Ná: já tinham hora marcada para depois que terminassem os preparativos para noite. Mães... ri sozinha pensando que um dia também vou ser assim - E os planos pra noite? Continuam os mesmos?
Clara - Quase. Vamos jantar na casa dos meus pais, depois vamos pra casa da tia
Manu - Também vou jantar na casa da minha sogrinha - rimos - E depois vamos pra lá
Clara - E seus pais?
Manu - Disseram que vão chegar de surpresa, e antes do Réveillon. Assim espero - tomei meu suco enquanto conversávamos sobre os planos para o dia seguinte também, até ouvirmos a porta denunciar a chegada de alguém. Fomos pra sala e eram meus três amores, (três amores diferentes, porém, três amores). Não sei o que deu em mim mas na hora que meu olhar cruzou com o dele, a primeira coisa que passou pela minha cabeça foi que eu queria mais do que nunca me jogar nos seus braços. E foi o que eu fiz. Ele ficou tão surpreso com meu abraço repentino que riu, e mais surpreso ficou quando eu tomei a iniciativa de beijá-lo ali mesmo. No momento só queria ter certeza de que ele era meu e que eu não ia acordar de um sonho perfeito a qualquer hora. Ele sorriu, sabendo que eu só estava tentando agradecer a surpresa maravilhosa que tive ao acordar, mas correspondeu totalmente, sem nenhuma cerimônia. Encerramos com dois selinhos prolongados e sorrimos, só que lembrei que muito provavelmente a Duda ainda estava atrás de mim e devo ter corado um pouco porque ele riu e me abraçou novamente -
Clara - Obrigada por ser a melhor pessoa desse mundo - sussurrei - E me desculpa por não te dizer todas as vezes que você merece mas eu te amo muito
Neymar - Você demonstra mais do que fala e essa é uma das coisas que eu amo em você, então não se desculpe e não mude - respondeu no mesmo tom. Nos olhamos, e ele beijou as duas lágrimas que rolaram sem a minha permissão. Sorri e saímos do nosso mundinho particular. Olhei pra trás e a Manu estava com a Dudoca no colo, tentando tapar os olhos dela, mas sem sucesso e ambas estavam rindo -
Eduarda - Não precisa dizer nada, mãe. A tia Manu já me explicou tudo - falou muito senhora de si e foi impossível não rirmos -
Clara - E o que foi que a tia Manu te disse?
Eduarda - Que vocês estão felizes, só isso - Emanuelle não me colocou em uma saia justa, obrigada Deus - Mas eu já sabia
Clara - Ah, já?
Eduarda - Sim. Eu sempre sei quando vocês estão felizes e não estão - falou naturalmente e ficamos com sorrisos do tamanho do mundo depois dessa resposta. Como não se orgulhar dessa criança que já diz conhecer até o humor dos seus pais? Muito amor envolvido!  Ficamos ali na sala mesmo, ela foi no quarto rapidinho, voltou com livros para colorir e sentamos no tapete, sempre com o Luck querendo pintar também, mas do jeito dele, ou seja, bagunçando.
 mannubarros: Não basta ser pai, tem que participar @neymarj instagram.com/p/k7iMGPGmFu/
Depois de muita pintura, fui pra cozinha ficar na companhia do fogão e das panelas. Não fiz nada muito elaborado, até mesmo por causa da hora, então preparei um espaguete na manteiga, saladinha e para sobremesa me inspirei na minha avó: pudim de damasco. Eu não gostava nem do nome até experimentar o dela. Almoçamos num clima descontraído e de zoação que acontece sempre que a Manu e o Júnior estão juntos, depois ele se ofereceu para lavar a louça e ela foi se arrumar.
Clara - Vai ficar aqui mesmo?
Neymar - Sim, vocês vão sair?
Clara - Salão! A Rafa também vai
Neymar - Ah, já entendi. E só voltam na hora da ceia, certo?
Clara - Engraçadinho - riu - Estou pensando em cortar meu cabelo, o que acha?
Neymar - Acho que você fica linda de qualquer jeito
Clara - Você nunca me viu de cabelo curto
Neymar - Mas é um fato - encolheu os ombros e eu gargalhei -
Clara - Ok, agora a verdade - olhou pra mim -
Neymar - Eu gosto do seu cabelo assim mas como você disse, nunca te vi com ele mais curto - sorri -
Clara - Não sei se tenho coragem de cortar também - rimos - Lá eu decido. Mas mudando de assunto, não preciso dizer que a casa é sua, preciso? Já conhece todos os cômodos, coloca os pés no sofá, lava a louça, enfim... - gargalhou -
Neymar - É sempre bom ouvir de novo
Clara - Se eu falo tu se muda de vez pra cá
Neymar - Não seria uma má ideia... - não consegui distingui se falou sério ou brincando, mas meu celular vibrou no balcão e não tive tempo de perguntar. Era uma mensagem da Jéssica avisando que já estava a caminho, aproveitei para mandar uma pra Rafa também, pra ela já ficar pronta. E como se fosse de propósito porque a conversa não tinha que acontecer naquele momento, o celular dele começou a tocar. Vi que era o tio Neymar porque estava ao lado do meu, mas ele atendeu na minha frente, mesmo que eu não tenha prestado atenção em nada. A Manu voltou pronta, e decidimos descer para ficar esperando na portaria - Boa sorte lá com as tesouras - falou quando me aproximei para me despedir e eu ri -
Clara - Obrigada - beijei-o - Juízo - sussurrei pertinho da sua boca -
Neymar - Vocês também - rimos -
Manu - Chega de mel vocês dois - ele roubou mais um selinho e eu me afastei - Obrigada - rimos. Nos despedimos da minha pequena também, que estava assistindo, e descemos. Nem precisamos ficar de papo com o porteiro por muito tempo porque em dez minutos a Jéssica chegou e doida do jeito que é, igualzinha a mãe, fez questão de sair do carro para nos abraçar e só depois entramos e fomos pegar a Rafa. O trânsito estava a mesma coisa de sempre mas por não ser assim tão longe nem demoramos. Quando chegamos em frente ao prédio, liguei pra ela e em cinco minutos já estávamos as quatro no carro, tentando entrar em um acordo em relação ao que íamos ouvir. Mas não entramos em um consenso então deixamos a playlist tocar aleatoriamente. 
 rafaellabeckran: Por que amizade é o nosso nome e loucura é o nosso apelido... 
Chegamos ao salão escolhido pela Jéssica e para nossa boa surpresa, ela tinha marcado hora para todas nós, não tivemos que esperar muito e o movimento estava grande. Fizemos ao todo: esfoliação, hidratação facial, depilação, e sobrancelhas. Depois de tudo isso fomos para as mãos dos cabeleireiros. Removi a pouca tinta do meu cabelo, voltei a deixá-lo na sua cor natural, e como já previa não tive coragem de cortar, apenas aparei as pontinhas duplas e hidratei-o. Nas unhas, optei por um renda básico nos pés e nas mãos inovei e adorei. 
 clarabarcelar_: Uma pequena homenagem porque eu amo vocês  @mannubarros @rafaellabeckran @jeevelasco
Claro que quando saímos do salão, visitamos algumas lojas, lanchamos e só depois voltamos para o carro. Deixamos a Rafa em casa e seguimos para o meu prédio. Quando chegamos, ela estacionou no meio fio mesmo, sem que atrapalhasse a passagem de outros veículos e saiu junto com a gente. Abriu o porta-malas, pegou uma caixa de presente e me entregou.
Clara - Não quer subir? Você mesma entrega pra ela
Jéssica - Não, minha mãe está me esperando pra eu ficar em casa aguardando a chegada dos meus queridos titios - riu - Ela quer dar uma passadinha no salão também, e você conhece sua madrinha - rimos -
Clara - Conheço mesmo por isso te aconselho a ir logo - nos abraçamos e ela se despediu da Manu também -
Jéssica - Depois da meia noite a gente se fala de novo - piscou. Entrou no carro novamente, acenamos e ela foi embora. Fui conhecer a academia com a Manu, depois subimos e o Júnior e a Dudoca estavam na sala, assistindo Monstros S.A. e comendo pipoca de microondas. Até eu já devo saber algumas falas desse filme de tanto que ela gosta -
Manu - Chegamos na hora certa, vou só lavar as mãos - eu ri. Manu quando quer é igual a uma criança -
Eduarda - Presente!! De quem é?
Clara - É seu - abriu um sorriso gigante -
Eduarda - Quem me deu?
Clara - A Jéssica. Depois a gente liga pra ela pra você agradecer, ok? - assentiu enquanto me guiava com os olhos até a árvore de Natal, onde deixei a caixa junto com os outros presentes. A Manu voltou, se acomodou em uma das poltronas com uma tigelinha de pipoca, e eu fui lavar as minhas mãos também -
Neymar - Cortou! - falou só pra mim assim que sentei ao seu lado, olhando para o meu cabelo -
Clara - Só as chatas pontinhas duplas
Neymar - Mas cortou. E eu gosto dessa cor... me traz boas lembranças - sorri, sabendo que quando nos conhecemos meu cabelo ainda era virgem. E agora ele está da mesma cor -
Clara - Eu também gosto, pelos mesmos motivos
Neymar - Você de maria chiquinha quando esbarrou em mim no CT, por exemplo...
Clara - Eu estava de maria chiquinha? - perguntei chocada, ainda assim baixo já que estávamos conversando quase em sussurros, mas respondi antes dele - Sim, eu estava - quis rir lembrando da minha imagem com maria chiquinha naquela época - Nossa... melhor focar no filme depois dessa - rimos, mas nenhuma das duas estavam prestando atenção em nós. Encostei a cabeça no seu ombro e assim fiquei até o filme terminar, lá pelas 19h. A Manu e o Júnior já estavam conversando sobre os empreendimentos dos meninos, e aproveitei pra ir com a Dudoca pro quarto porque pretendia lavar seu cabelo e por conta do horário secar logo também -
Eduarda - Mãe, o Papai Noel não existe mesmo? - perguntou enquanto ainda desfazia umas trancinhas do seu cabelo e apesar de já ter ouvido essa pergunta antes, no Natal passado, dessa vez pensei um pouco mais antes de responder -
Clara - Não, não existe
Eduarda - Sério? - notei uma pontinha de desânimo na sua voz - Mas a gente tirou foto com ele
Clara - Sim, eu sei. Também tiramos fotos com as princesas, lembra? - assentiu sorrindo - E ele é como as princesas que você gosta, ou as fadas e as bruxas dos seus filmes prediletos ou até mesmo com os animais que falam no Discovery Kids
Eduarda - Como assim? - virou pra mim -
Clara - Tudo isso que falei não existe, certo? - assentiu depois de ter pensado um pouco - Mas você assiste e gosta, não gosta?
Eduarda - Gosto!
Clara - Então, é isso. As princesas, as fadas, as bruxas, os animais que falam e o Papai Noel são apenas figuras que moram na sua cabecinha. Nenhum deles tem relação com a nossa realidade, mas faz parte da nossa fantasia quando ainda somos crianças. Eu acreditei no Papai Noel também
Eduarda - Acreditou? - riu -
Clara - Claro. E durante muito tempo... até descobrir que era o vovô Murilo quem colocava os presentes embaixo da árvore - rimos -
Eduarda - E você ficou triste?
Clara - Não, porque quando descobri que era ele, também descobri que o verdadeiro objetivo de quem quer ser um Papai Noel é fazer a alegria das pessoas ao redor e qualquer pessoa pode fazer isso, não só no Natal mas em todos os outros dias, entende?
Eduarda - Acho que... mais ou menos
Clara - Você ainda pode acreditar nele, meu amor, basta não ficar esperando que ele apareça todo de vermelho, de barba branca e com um trenó puxado por renas - riu - Porque ele pode ser eu, ou o seu pai, os seus avós, as suas tias... isso porque eu tenho certeza que todas essas pessoas querem te ver sempre muito feliz, e se esse é o papel do Papai Noel todos nós podemos ser um...
Eduarda - Eu também quero ser, posso? - eu ri -
Clara - Claro que pode. A gente não precisa necessariamente estar com aquela roupinha vermelha para presentear ou fazer alguém feliz, nem precisamos esperar o Natal pra fazer coisas boas - olhava pra mim atentamente e eu sorri - Podemos te chamar de Dudoca Noel, gosta?
Eduarda - Sim! - gargalhou -
Clara - Ótimo
Eduarda - Mesmo assim a gente sempre pode visitar ele no shopping, não pode?
Clara - Podemos. Ele adora visitinhas - rimos - Agora vamos pro banheiro - levantamos, peguei a caixinha com seus acessórios de cabelo e alguém entrou no quarto -
Neymar - Posso ajudar, moças?
Clara - Quer ajudar?
Neymar - Sim - respondeu um pouco hesitante -
Clara - Então pode, minhas unhas agradecem - eu ri e suponho que ele não tenha entendido - Estava indo lavar o cabelo da Duda. Quer fazer isso?
Neymar - Não sei... se consigo
Clara - Claro que consegue, não é um bicho de sete cabeças. Eu ajudo
Neymar - Tudo bem - sorri - Pronta pra isso, minha filha? - a pergunta soou como ''Vamos para guerra?" e eu tive que rir -
Eduarda - Sim, eu também ajudo, vamos - pegou uma das mãos dele e puxou-o para o banheiro, claramente achando graça da situação. Entrei também mas a única coisa que fiz foi dar instruções e ele conseguiu fazer um bom trabalho, superando todas as suas próprias expectativas, depois ainda secou o cabelo dela também e só deixou o quarto após o banho pra eu poder arrumá-la e pra poder ir fazer o mesmo também. Peguei a sua roupa: um vestidinho vermelho aparentemente bem simples, com um cinto mais fino dourado e uma sapatilha pampili também vermelha com uns pequenos detalhes dourados. Vesti-a e ela ficou linda, uma princesinha. Penteei seu cabelo em uma trança embutida em formato de coração (treinei pra conseguir fazê-la), usei um pouquinho da sua própria maquiagem e perfumei-a. Ela se olhou no espelho e deu uma voltinha -
Clara - Está linda, boneca!
Eduarda - Eu sei - olhou pra mim e sorriu genuinamente -
Clara - Incrível essa modéstia que você herdou do seu pai - ironizei como um desabafo e mesmo assim ela riu - Vou me arrumar, vai ficar aqui?
Eduarda - Sim - sentou na poltrona da área da bagunça - Quietinha -
Clara - Ok - guardei tudo que tirei do lugar no quarto, e fui para o meu. O Júnior também já estava pronto, de calça saruel vermelha e camisa preta. Depois de tanto tempo de convivência ainda me pego parada apenas admirando-o, mas ele percebeu e sorriu erguendo uma das sobrancelhas. Desviei o olhar imediatamente -
Clara - Fica aqui pra me ajudar a fechar o vestido?
Neymar - Com prazer - sabia que estava apenas provocando e queria no mínimo nos atrasar, por isso nem respondi. Passei por ele, peguei minha lingerie e entrei no banheiro. Coloquei uma touca plástica no cabelo, me despi, e tomei um banho relaxante, bem mais demorado do que queria porque perdi a noção do tempo pensando em algumas coisas. Principalmente em como o meu ano começou e como ele está terminando. Saí do box, me enxuguei, vesti minhas peças íntimas, passei hidratante no corpo, tirei a touca e voltei pro quarto. O Júnior estava sentado na minha cadeira giratória e foi me guiando com os olhos até a cama, onde peguei o meu vestido. Comecei a vesti-lo e apenas a parte de trás ficou aberta. Fiquei de costas para lhe dar acesso ao zíper, percebi que ele levantou imediatamente e logo senti as suas mãos na minha pele, acariciando ritmicamente toda a parte ainda descoberta pelo vestido, da tatuagem para baixo. Quando conseguiu o que queria, me ver claramente arrepiada, fechou o zíper, beijou minha nuca e voltou a sentar. Virei para encará-lo e ele estava me olhando com um ar de quem não tinha feito nada - Gostei do vestido
Clara - Percebi. Obrigada pela ajuda
Neymar - Disponha sempre - respondeu salientando as palavras e deu o seu sorriso maravilhoso, aquele que você não sabe ver sem retribuir. Sentei na pontinha da cama, peguei meu salto meia-pata nude, calcei-o, e apesar da ocasião pedir uma maquiagem mais caprichada, fiz apenas o essencial. Passei apenas a escova no meu cabelo, que, diga-se de passagem, estava realmente lindo, penteei-o para o lado esquerdo, coloquei meu relógio, o restante dos meus acessórios e por fim, me perfumei - Não sei por que ainda consigo me surpreender com você - levantou me avaliando da cabeça aos pés -
Clara - Surpreendo você? Bom saber, só espero que seja de uma maneira positiva - ri -
Neymar - Da melhor maneira que existe - pegou a minha mão e nos deixou juntinhos pra me dar um selinho, que eu transformei em um beijo mais demorado e brando. Finalizamos com outros beijos repinicadinhos, e enquanto limpava o meu batom de seus lábios, ele me olhava de um jeito que eu já conhecia muito bem -
Clara - Não se atreva a falar nada porque a maquiagem já me deixa corada o suficiente - gargalhou por saber que eu estava certa. Ele ia me elogiar e como sempre, eu não ia saber como reagir -
Neymar - Muito boba mesmo - me deu outro selinho -
Clara - Pois, sou - mostrei a língua - Agora deixa eu me retocar pra gente sair - se afastou ligeiramente e fui até a minha mesinha -
Neymar - E como a gente faz com os presentes que estão aqui?
Clara - Pensei em levar todos pra lá, até porque tem os presentes deles, e não vamos voltar aqui pra depois ir pra casa da tia, não é? O que acha?
Neymar - Acho melhor assim também, pelo menos abrimos na hora certa
Clara - E o da Duda? Tu não vai mesmo me dizer o que é?
Neymar - Relaxa. Assim que chegarmos na casa da minha mãe você vai saber
Clara - Isso é uma injustiça porque você me ajudou até a escolher o meu presente pra ela
Neymar - Não vejo como uma injustiça, apenas uma... surpresa. E não é nada demais, ela apenas falou uma vez, distraidamente, que queria algo e lembrei disso
Clara - Tá bom, desisto, chato - olhei-o pelo espelho e ele soltou um beijo. Fingir não ter dado importância, retoquei meu batom, peguei meu celular e antes de sairmos do meu quarto, acendi a pequena decoração que fiz ao redor do meu mural de fotos. Entramos no quarto da Dudoca e ela estava desenhado ou pintando algo, que tentou esconder de nós -
Neymar - Vamos?
Eduarda - Posso terminar o presente primeiro? É rapidinho
Clara - Presente?
Eduarda - É, mas fiquem de costas
Clara - Duda...
Eduarda - Por favor! É rápido - pedinchou, nós dois nos entreolhamos e viramos de costas, ainda sem entender o motivo. Ouvimos o rabiscar do lápis por mais uns segundos, depois ela parecia estar dobrando folhas - Pronto, podem olhar - viramos e ela estava com dois papéis dobradinhos em quatro partes esticados nas nossas direções - Meus presentes para vocês - acho que ficamos um pouco sem reação mas não demonstramos -
Neymar - Tem certeza que quer que a gente abra agora?
Eduarda - Sim. Sou a Dudoca Noel e não tenho hora pra dar presentes - ele gargalhou, apesar de achar que não entendeu o motivo de ''Dudoca Noel'' e até ela que tentou falar sério, riu. Já eu fiquei sem reação por ver que ela tinha entendido o que tentei explicar da melhor maneira - Podem abrir - pegamos os papéis e abrimos em simultâneo. Meu primeiro desenho era nós duas brincando de bonecas com o Luck entre nós, como quase sempre acontece, e o segundo, logo abaixo, eu, ela, e o Júnior próximos ao que parecia ser uma árvore de Natal, de mãos dadas, sorrindo, felizes, mas...  parecíamos mais velhos, muito mais velhos. Não sei por que, nem o que me deu essa impressão... talvez as cores diferentes e clarinhas que usou para pintar o que seria os nossos cabelos. Mas de qualquer forma, lembrei do primeiro desenho que ela fez de nós três e sorri com uma vontade enorme de chorar. Olhei para o desenho do Júnior, e o primeiro parecia ser o CT, e eles dois estavam jogando bola. Mas o que me chamou atenção é que o segundo desenho dele era igualzinho ao meu segundo desenho também (ok, não idêntico porque não era uma cópia, mas era claro que a sua intenção era fazer com que ficassem iguais) - Eu quero que vocês fiquem juntos para sempre, igual meus desenhos - explicou -
Clara - Esses somos nós... velhinhos? - minha voz falhou por vontade própria -
Eduarda - Sim! - sorriu - Estão bonitos? - riu -
Neymar - Estamos lindos - respondeu por nós dois percebendo a minha falta de palavras, olhou para o desenho depois pra ela novamente - Vem cá - agachou e segurando a minha mão, me puxou para baixo também -
Eduarda - Porque está chorando, mãe? Vocês não gostaram? - perguntou ao se aproximar de nós com a voz alarmada, ficamos quase da mesma altura -
Neymar - Nós amamos, meu amor. Mas a sua mãe está chorando porque você é o nosso melhor presente - olhei pra ele ainda mais emocionada, depois pra ela e confirmei com um aceno que o que ele disse era a mais pura das verdades - E porque é uma manteiga derretida também - rimos. Então ela nos abraçou, tão forte quanto pôde, com seus bracinhos ao redor de nós dois. Depois demos um beijo em cada lado da sua bochecha ao mesmo tempo e ela riu -
Clara - Obrigada pelo presente, Dudoca Noel - pisquei pra ela, que riu e piscou de volta. Fui guardar nossos presentes no meu quarto, retoquei a maquiagem novamente e fui direto para sala onde eles já estavam, e a Manu também, linda em um vestidinho amarelo. Ela nunca foi de usar vermelho no Natal e branco no Réveillon -
Manu - Trocamos nossos presentes na casa da tia Ná? - perguntou enquanto pegava alguns embaixo da árvore - 
Clara - Sim, é melhor
Manu - Então estou indo porque meu amor já está lá embaixo me esperando - deu um beijo no rosto de cada um de nós, fez um carinho no Luck, e pegou as suas sacolas. Resumidamente, íamos sair deixando a árvore vazia porque íamos levar todos os presentes - Até mais tarde - mandou beijos no ar e saiu. Pegamos nossas sacolas também, fui ver se o Luck estaria bem abastecido pelo resto da noite, apesar de ter certeza que ele ia ficar dormindo a maior parte do tempo, nos despedimos dele e descemos para garagem. Coloquei as sacolas com os presentes das pessoas que só ia ver na casa da tia Ná, no porta-malas e o restante nos bancos traseiros mesmo, isso enquanto o Júnior colocava a Dudoca na cadeirinha. Depois entramos também e ele deu partida.
 clarabarcelar_: "A beleza de ser criança é enxergar o Natal tal como ele é, um momento de fé e esperanças onde a simples ilusão de esperar o Papai Noel, de encontrar o presente debaixo da árvore, de beijar o Menino Jesus no presépio, de festejar a presença dos amigos, primos e avós no jantar de Natal reflete tudo aquilo que mais desejamos. Deixemos as crianças viverem o Natal através de seus lindos olhos e que possamos ver refletidos neles a criança que um dia fomos e trazê-la de volta nem que seja por um momento para vivermos o verdadeiro espírito natalino."  
Quando chegamos ao prédio, nossa entrada já estava liberada, então só estacionamos e subimos. Toquei a campainha e quem atendeu foi o meu pai, com sua indumentária impecável, com certeza escolhida pela minha mãe. Não que ele não saiba se vestir, claro que não, mas a combinação tinha a assinatura dela. Nos cumprimentamos, ele chegou a carregar a neta, tal era a saudade, e nós entramos. Quando ela viu os bisos na sala foi correndo abraçá-los também, na maior alegria, o que me deixou feliz porque amo a relação deles, e estranhei não por não ter mais ninguém ali, esperava que minha mãe ou meu pai convidassem amigos ou sei lá... mas não posso negar o fato de que gostei de saber que ia ser algo só nosso. Enquanto eles matavam as saudades da (bis)neta, deixamos os presentes na árvore e fomos falar com Dona Débora, que estava na sala de jantar apenas terminando de colocar os enfeites no seu tradicional bolo. E a mesa estava, como sempre, linda, assim como ela com seu adorável vestido verde musgo; é quase tradição pra ela usar verde no Natal porque na sua concepção é a cor da vida. Quando voltamos para a sala juntos, minha mãe também teve o seu momento de abraçar e apertar a Dudoca e eu de abraçar e apertar meus avós lindos. Eles pareciam estar... menos estranhos do que no dia anterior. Pelo menos estavam rindo mais, conversando mais e até fazendo brincadeiras, em que eu e o Júnior éramos os alvos principais sempre, mas isso era bom, afinal eles tinham acabado de se conhecer e já agiam como se fossem íntimos a muito mais tempo. Eu tinha certeza que eles iam gostar do meu amor e vice versa porque praticamente já se conheciam, só faltava mesmo ficar cara a cara e pra que ocasião melhor do que o Natal? Vê-los tratando o Júnior praticamente como um neto também fazia de mim a pessoa mais feliz do mundo. 
 clarabarcelar_: “Minha concepção do Natal, seja ele à moda antiga ou mais moderno, é algo bastante simples: amar uns aos outros. Mas, pense comigo, por que nós temos que esperar pelo Natal para agir assim?” - Bob Hope #merrychristmas  
A música baixinha de fundo findou e minha mãe tomou a palavra.
Débora - Eu tenho aqui comigo um pequeno texto da espetacular aforista, escritora, jornalista e poetisa, Martha Medeiros - olhou para mim e sorriu, sabendo que também adoro o trabalho e as palavras sempre sábias da Martha - Separei esse texto pois achei que seria muito apropriado para a ocasião mas homens, por favor... não se ofendam - eu ri porque depois dela ter falo isso só podia ser um texto, e eu sabia qual - Lá vai... - abriu o papel e começou - Sabem por que Papai Noel não existe? Porque é homem - eles se manifestaram imediatamente e nós rimos - Dá para acreditar que um homem vai se preocupar em escolher o presente de cada pessoa da família, ele que nem compra as próprias meias? Que vai carregar nas costas um saco pesadíssimo, ele que reclama até para colocar o lixo no corredor? Que toparia usar vermelho dos pés à cabeça, ele que só abandonou o marrom depois que conheceu o azul-marinho? Que andaria num trenó puxado por renas, sem ar-condicionado, direção hidráulica e air-bag? Que pagaria o mico de descer por uma chaminé para receber em troca o sorriso das criancinhas? Ele não faria isso nem pelo sorriso da Luana Piovani! - pausou para tomar um fôlego - Mamãe Noel, sim, existe - falou com orgulho - Quem é a melhor amiga do Melocoton, quem sabe a diferença entre a Mulan e a Esmeralda, quem conhece o nome de todas as Chiquititas, quem merecia ser sócia-majoritária da Superfestas? Não é o bom velhinho - sorri me identificando com tudo que disse - Quem coloca guirlandas nas portas, velas perfumadas nos castiçais, arranjos e flores vermelhas pela casa? Quem monta a árvore de Natal, harmonizando bolas, anjos, fitas e luzinhas, e deixando tudo combinando com o sofá e os tapetes? E quem desmonta essa parafernália toda no dia 6 de janeiro? Papai Noel ainda está de ressaca no Dia de Reis - rimos - Quem enche a geladeira de cerveja, coca-cola e champanhe? Quem providencia o peru, o arroz à grega, o sarrabulho, as castanhas, o musse de atum, as lentilhas, os guardanapinhos decorados, os cálices lavadinhos, a toalha bem passada e ainda lembra de deixar algum disco meloso à mão? Quem lembra de dar uma lembrancinha para o zelador, o porteiro, o carteiro, o entregador de jornal, o cabeleireiro, a diarista? Quem compra o presente do amigo-secreto do escritório do Papai Noel? Deveria ser o próprio, tão magnânimo, mas ele não tem tempo para essas coisas. Anda muito requisitado como garoto-propaganda. Enquanto Papai Noel distribui beijos e pirulitos, bem acomodado em seu trono no shopping, quem entra em todas as lojas, pesquisa todos os preços, carrega sacolas, confere listas, lembra da sogra, do sogro, dos cunhados, dos irmãos, entra no cheque especial, deixa o carro no sol e chega em casa sofrendo porque comprou os mesmos presentes do ano passado? Por trás do protagonista desse megaevento chamado Natal existe alguém em quem todos deveriam acreditar mais! - finalizou com um sorriso lindo, parecendo orgulhosa de si mesma - Assumam que vocês não viveriam sem nós! - rimos. Era bom ver minha mãe distraída, alegre com a nossa presença... me fazia repensar melhor nas minhas paranoias e querer deixá-las pra lá. A hora do jantar chegou, fomos para a mesa, fiquei com o Júnior do meu lado esquerdo, a minha avó do lado direito e antes de nos servimos não podia faltar a oração que ela sempre faz -
Glória - Senhor, enfim é Natal! - sorriu olhando para todos nós - E neste novo ano que está prestes a se iniciar não quero presentes... Quero mais que presentes... Quero felicidade. Ao invés de receber uma joia, eu quero sorrisos de diamantes. Troco qualquer presente material pela felicidade da minha família e de todo o mundo, pela paz em nossos corações, pela coragem para lutarmos, pela bravura de não desistirmos, e pela perseverança de viver - falou com uma intensidade sem tamanho - Aprendi que ''presente'' mesmo é o que conquistamos no decorrer da vida, dos atos que praticamos, do amor incondicional, da bondade que exercemos, das amizades que fazemos e preservamos. Aprendi que "presente" é a saúde que temos, a casa que moramos, a comida na mesa, o trabalho que glorificamos, o aconchego dos amigos, os filhos que abençoamos, a harmonia em nosso lar e a paz em nosso espírito. Descobri que as maiores riquezas são as dádivas, que com muito amor cultivamos pela vida. E sei que por isso, hoje sou rica... muito rica. Hoje posso presentear a todos que desejo: a minha família, dou o meu amor - sorriu pra mim e pra Dudoca - A minha filha - olhou pra ela - Dou a paciência, a resignação, a proteção, o carinho e o amparo de mãe. Ao meu marido - olhou-o, pegou uma das mãos dele e percebi que apertou-a bastante - Dou minha força, coragem, otimismo, lealdade e cumplicidade nos momentos bons e principalmente nos momentos difíceis que o Senhor nos reservou, tendo a certeza que trilharemos sempre unidos rumo ao sucesso em todos os campos de nossa vida - sua voz perdeu a intensidade e vi seus olhos cheios de lágrimas. Passei a mão delicadamente no seu rosto, ela olhou pra mim e quis sorrir, mas respirou fundo e continuou - Aos meus amigos, compreensão e lealdade. E se posso doar tudo isso, sei que existe alguém, eternamente superior a mim, muito mais rico e poderoso. Por isso tomo a liberdade de pedir-lhe o que foge de meu alcance: aos pobres, desamparados e menos favorecidos, coragem, proteção, oportunidades e conquistas. Aos ricos e poderosos, benevolência, caridade, justiça e atitudes. Aos enfermos, saúde, esperança e força. A humanidade, paz e muita luz! - pegou uma das minhas mãos também, e pediu que todos fizessem o mesmo e dessem as mãos - Aprendi também, desde muito cedo, o verdadeiro significado do Natal e do Papai Noel. O verdadeiro Papai Noel é aquele que ama a Jesus e ao próximo como a si mesmo, aquele que dá, sem nada pedir ou esperar em troca, aquele que ajuda e orienta sem egoísmo, aquele que dá o que possui de sobra e divide o que tem com quem mais precisa. E o verdadeiro Natal vem de todas essas conquistas e glórias. Vem da certeza de que podemos, a cada ano, dar o melhor de nós, tendo a certeza de estarmos enobrecendo nossa alma e evoluindo nosso espírito. Todos nós portanto, podemos ser o verdadeiro Papai Noel - olhei pra Dudoca, pisquei e ela sorriu - Sei que não sou perfeita, pois sou um ser humano, sujeito a erros e provações. Por isso não estou impune de cometer erros. Portanto, peço perdão aqueles que, por acaso, magoei e feri e desculpas se alguém prejudiquei. Mas graças ao Senhor, tenho a oportunidade de acordar todos os dias e poder consertar os meus erros e defeitos, esperando o seu perdão e pretendendo ser, cada vez mais, uma pessoa melhor. E não devo esquecer também de agradecer ao Senhor, por tudo que recebo e por tudo o que sou, por todos os acertos, as oportunidades, e pelo sol de cada amanhecer. Agradeço também a oportunidade de poder estar aqui reunida nesta noite, com as pessoas que mais amo e que você permitiu que eu as escolhesse, celebrando a união e a paz entre nossa família. Tudo isso é mais do que um presente e agradeço também por merecê-lo. Espero que nesta data, todos os seus filhos te louvem pelas dádivas alcançadas e que brote, no coração de cada um, a semente do amor, da justiça, da humildade, da igualdade e da fraternidade, da mesma maneira que você sempre fez conosco. Que sejamos sempre abençoados e merecedores dessas bênçãos. Amém! - ela conseguiu emocionar todos com sua genuinidade, apesar da idade que tem. Minha avó é uma das pessoas mais genuínas e verídicas que conheço e essas são duas das suas qualidades que mais admiro. Jantamos, a ceia estava maravilhosamente boa, e como já passava de meia noite quando saímos da mesa, a Dudoca ficou eufórica porque era sinal de que já podíamos trocar os presentes. E foi o que fizemos durante a hora seguinte em um ambiente alegre e descontraído. Amei todos os meus presentes, e acertei em todos aqueles que comprei também, inclusive o da minha pequena, que ganhou o seu tão sonhado tablet da Barbie, escolhido a dedo por mim e pelo Júnior. Ela ficou em êxtase com cada presente que ganhou, abria cada um com um entusiasmo sem igual -
Murilo - É impressão minha ou vocês foram os únicos a não trocarem presentes? - olhou para mim e o Júnior alternadamente -
Clara - Não, pai, não é impressão sua mas isso já vai ser resolvido - sentei ao lado do meu amor, me sentindo tímida de repente, talvez por não estarmos sozinhos e ele também estava com um presente nas mãos, o único que ficou intacto a noite toda, o meu obviamente, e antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele entregou-o pra mim -
Neymar - Feliz Natal, meu amor! - sorriu e eu corei apenas por saber que todo o foco da sala estava sobre nós. Por que não fizemos isso antes quando todos estavam entretidos abrindo seus presentes? Ah sim, pelo motivo obvio... também estávamos abrindo outros presentes. Comecei a rir de nós mesmos, porque com toda certeza não deve existir nenhum outro casal na face da terra que complica tudo que aparentemente é simples... porém, demonstrações de afeto em público não é o meu forte, nunca foi, mas ele sabe. Mesmo assim mentalizei e esqueci por uns instantes onde e com quem estávamos e abracei-o forte. No Natal passado pensei tanto nele, com quem estava, onde, e o que estava fazendo, me perguntando se estava feliz, se também sentia a minha falta e querendo poder voltar no tempo, nem que fosse apenas por uns poucos minutos. E agora estou dentro do seu abraço... é algo quase surreal -
Clara - Feliz Natal, meu amor! - sussurrei próximo ao seu ouvido e senti o seu sorriso no meu pescoço. Desfizemos o abraço, sorri e entreguei o seu presente também - Posso? - perguntei tentando desvendar o meu -
Neymar - Lógico, até porque estou curioso pra ver sua reação - riu e atiçou ainda mais a minha curiosidade também. Desembrulhei o papel de presente rapidamente, abri a caixa e quase sair pulando pela sala que nem uma criança quando ganha aquele presente que pediu aos pais durante o ano todo. Eu realmente estava com o livro autobiográfico de Jessie nas minhas mãos? Sim! Meu sonho de consumo, e tenho certeza que a Manu tem a sua parcela de culpa nisso, pois foi quem mais correu comigo atrás dele.
Clara - Mas como...???? Eu nunca consegui achar! Primeiro porque ainda não tinha aqui no Brasil, depois porque acabou muito rápido. Já tinha perdido as esperanças
Neymar -  Pois é.. mas digamos que esse não foi comprado aqui
Clara - Como assim??
Neymar - Você só tem que dizer se gostou. E se foi fácil ou difícil de conseguir não importa
Clara - Se eu gostei? - ri - Eu ainda não estou nem acreditando que é meu
Neymar - Mas é. E abre, tem uma surpresinha dentro dele - peguei meu livro com todo cuidado do mundo, ainda achando que ele poderia sumir a qualquer momento porque parecia mais um sonho tê-lo comigo, abri e fiquei paralisada -
Clara - Estou enxergando bem?
Neymar - Sim
Clara - É o autógrafo dela?
Neymar - Sim - a essa altura, todos na sala já estava rindo de mim, normal -
Clara - Meu Deus! Obrigada - abracei-o novamente - Obrigada - lhe dei um selinho demorado - Obrigada - rimos - E pode abrir o seu enquanto me recupero, eu deixo - rimos. Ele avaliou a caixa primeiro, olhou pra mim, depois pra ela novamente e começou a abri-la. Seu presente não tinha nada de extravagante, mas era... original e dividido em dois. O primeiro, um memory box, uma caixinha cor de rosa com uma foto da Dudoca no seu primeiro dia de vida estampada em cima e dentro dela memórias inesquecíveis: a primeira roupinha, o primeiro sapatinho e mais alguns outros objetos pessoais que, não só eu, mas a minha mãe também, sempre mantinha guardadinhos. Ele ficou sem reação, eu sei que ficou porque olhou pra mim e não conseguiu dizer nada. O segundo era um quadro em MDF branco e de vidro, com um sistema único de modelagem em gesso que foi capaz de registrar com detalhes o dorso, as unhas e cada dobrinha do pezinho da minha pequena ainda bebê através de uma foto, além do espaço para encaixe de doze fotos referente aos doze primeiros meses de vida dela.
Acho que não só eu, mas todo mundo na sala (eu e minha mãe principalmente) estávamos esperando ansiosamente por qualquer reação por parte dele, por menor que fosse, mas os minutos foram passando e ele não conseguia parar de admirar as fotos, o sapatinho e o molde, talvez imaginando aquele pezinho tão minúsculo dentro dele. 
Neymar - Não sei o que dizer...
Clara - Um ''não gostei'' ou um ''gostei'' já seria um começo, pelo menos, para tranquilizar o meu pobre coração - meus pais e avós riram -
Neymar - Impossível apenas gostar... essas coisas são... - ficou sem palavras de novo e eu sorri - Você pensa em tudo, incrível. Obrigado
Clara - Você merece - abracei-o novamente, dessa vez com mais força do que anteriormente e senti uma necessidade enorme de chorar, por mais que não quisesse. Era como se no mais íntimo de mim algo me dissesse que sempre estaria em dívida com ele e aí a culpa aparecia pra jogar isso na minha cara -
Neymar - Não fica pensando besteira
Clara - Não estou - falei o mais firme que consegui aproveitando o fato dele não estar me olhando mas sabia que não ia adiantar -
Neymar - Eu sei que está, e pára de chorar - desfizemos o abraço e ele passou a mão no meu rosto - Hoje não é dia pra isso, aliás nem hoje nem nunca porque eu sei o que estava passando por essa cabecinha - tentei desviar o olhar mas não consegui, não tinha saída - A gente não tem como apagar nada que já passou, você sabe, mas não é o presente que importa? E eu estou muito feliz com o meu, você não? - sorriu e olhou pra Duda, que estava apenas esperando um simples aceno para se aproximar de nós dois e nos abraçar apertado, como fez no seu quarto depois de nos presentear. Minha avó estava novamente com os olhos rasos olhando pra gente e até meu avô parecia emocionado... acho que a mudança deixou-os bastante emotivos já que eles não são de chorar facilmente. O último presente que faltava abrir foi o que a minha mãe me deu no dia anterior e a princípio parecia com o que dei pro Júnior, mas era bem diferente. Um álbum mas parecendo um livro, com a frase ''As mais belas fotos e as lembranças mais doces estão neste álbum!'' na capa e fotos minhas e da minha pequena de quando ainda éramos bebês, fazendo algo parecido, como dormindo em posições iguais, mostrando a língua para a câmera, sorrindo e até chorando. Mais um presente épico e que me deixou emocionada também. Aproveitei o quanto pude meus coroas emotivos, mas meu avô foi deitar relativamente cedo porque estava cansado e estranhamente com frio e a minha avó foi lhe fazer companhia, claro. E como tínhamos que ir pra casa da tia Ná antes que o sono da Dudoca falasse mais alto, nos despedimos de todos eles e descemos cheios de sacolas novamente, mas dessa vez com presentes só nossos. Entramos no meu carro, deixei que ele fosse dirigindo novamente e aproveitei para mandar algumas mensagens e responder outras. Gravei um áudio da Duda animadíssima agradecendo pelo presente da Jéssica e mandei pra ela pelo whatsapp. Depois entrei no instagram e só tive tempo de curtir a última foto da Manu mesmo porque chegamos ao prédio -
Rafa - Chegaram aqueles que estavam faltando! - anunciou alegremente. O bonde todo já estava presente, a Manu também, e a tia Ná estava lindona como sempre e arrasando como uma boa anfitriã que é. Ainda chegamos a tempo de assistir o finalzinho do amigo oculto, o que nos rendeu boas gargalhadas, depois começou o segundo round da troca de presentes. Dudoca, a que bateu o record em ser presenteada, ganhou de um patinete com cestinha da Turma da Mônica a um carro elétrico cor de rosa da titia Rafa, e eu já conseguia ver as duas dentro dele, rindo e brincando sem saber distinguir qual delas é a mais nova. E o que também a deixou deslumbrada, em puro estado de encantamento foi o presente do Júnior, e ele fez surpresa até o último segundo que pôde porque deixou-o no quarto dela. E era uma bicicleta linda. A primeira bicicleta dela! Lembrei dela ter dito uma vez que queria aprender a pedalar pra brincar no prédio com as outras crianças, e... ele não esqueceu. Mais do que isso, quer ensiná-la. Por esse motivo o meu melhor e maior presente da noite nem todo dinheiro no mundo poderia comprar: A Eduarda e o Júnior abraçados ao lado da bicicleta, sorrindo, felizes, transbordando amor um pelo outro. A cumplicidade entre eles consegue ser quase palpável sempre que estão no mesmo espaço. E tudo isso porque eu disse sim. Sim para um emprego dos sonhos, que eu sabia que ia mudar a minha vida de um jeito ou de outro... e mudou. Sempre soube quais seriam as mudanças e no fundo, talvez, desejasse mais que tudo que elas acontecessem, apesar dos obstáculos nada fáceis que também sabia que iria enfrentar. Sim, eu queria tudo isso que tenho hoje... Meu Deus, é claro, eu sempre quis. Mas então seria muita loucura dizer que o destino pode ser traçado pela força dos nossos próprios pensamentos? Talvez... Minha avó diria que não. Mas foram tantas mudanças, brigas, crises, histórias, cicatrizes... tantas coisas para considerar que no final destino vira apenas um grande talvez. O resto da noite/madrugada foi maravilhosa, a Duda comeu das sobremesas da Joana: cheesecake de limão com frutas vermelhas e cupcake de chocolate com nozes. Tudo com enfeites natalinos lindos. Confesso que também provei e o Júnior, como não podia deixar de ser, comeu não só as sobremesas como a entrada, o prato principal... sim, praticamente jantou de novo. Mas nos divertimos muito, brincamos com direito a pagação de mico, rimos, cantamos, dançamos... e apesar da Dudoca ter ido dormir antes de todos, também aproveitou muito e quando deitou pediu a bicicleta bem pertinho da sua cama. Foi o melhor Natal porque eu tive comigo todos aqueles que queria, com algumas exceções, claro, como a madrinha, a Gio, o Diego... ia amar receber o abraço deles também, porém, não é possível ter tudo de uma vez. E fiquei bastante satisfeita com o que tive, tanto que quando me joguei na cama, apaguei, mas estava excessivamente feliz.


 Read: http://amorquepramimerasonho.blogspot.com.br/ 

Obrigada pelas palavras de incentivo, no estado emocional que me encontro elas me fizeram chorar mas também me fizeram um bem enorme, vocês são maravilhosas! Obrigada mesmo!!
Mas agora me digam, qual das cestas vocês gostariam de ganhar? De doces ou de flores? Já agora, preciso confessar que estou com uma pontinha de inveja da Clara porque esse livro que ela ganhou também é o meu sonho de consumo... é uma pena não ter um namorado tão dedicado quanto o dela ahahahaha.
Quanto ao whatsapp, não tenho mais. Desapeguei!   
E as músicas anteriores eram: L.O.V.E. da Jessie J e All about us - He is we. 
Beijinhos!