sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Capítulo 55 - “Acho que a nossa história começou no tempo errado”

Acordei cedo. Na verdade, nem consegui dormir direito e o motivo eu sabia que iria descobrir dentro de poucas horas. Isso me aterrorizava, sempre tive medo do desconhecido. Decidida a não ficar rolando na cama pensando em mil e uma loucuras, levantei, tomei uma ducha, escovei os dentes, me vesti e prendi o cabelo em rabo de cavalo alto. Peguei o celular, o fone de ouvido, e saí do quarto. Passei na cozinha e comi 3 biscoitos simples. Dei um beijinho no Luck ao passar pela sala, peguei minha chave e desci para academia. Precisava me distrair, tentar liberar a tensão que estava instalada em mim desde que ouvi "Tenho uma coisa meio séria pra falar com você". Ficava ansiosa só de lembrar, por isso mesmo comecei a fazer alguns exercícios aeróbicos enquanto escutava música porque pelo menos naquele momento não precisava ficar pensando no que não queria. 
 clarabarcelar_: “Don’t lose who you are, sometimes it’s hard to follow your heart. It’s okay not to be okay…tears don’t mean you’re losing. Just be true to who you are.” 
Passei as duas horas seguintes malhando, até pulei corda. A Manu ficaria orgulhosa de mim. Estava começando a me acostumar e já não sentia tantas dores. Voltei pro apê, fui direto pro chuveiro e aproveitei para lavar o cabelo. Saí do box, me enxuguei, e me vesti, desembaracei o cabelo, e decidi deixá-lo solto para secar por conta própria; não estava com vontade de perder tempo usando o secador. Fui pra cozinha, preparei um café da manhã reforçado, e comi mais do que devia (culpa da ansiedade), disso a Manu não ia gostar, mas ela não precisava saber também. Depois lavei a louça, fui na sala apenas abrir as portas da varanda e voltei pro quarto. Fiquei desenhado até meu celular apitar, notificando uma nova mensagem no whatsapp. "Amor". Brincamos tanto de trocar nossos nomes nos celulares um do outro, que da última vez o meu nome no celular dele terminou ficando o velho e clichê "Amor", assim como o dele no meu, detalhe: foi apenas coincidência, não sabíamos que tínhamos colocado os mesmos nomes mas quando descobrimos, decidimos não trocar mais. 
    A Duda já chegou?
UAU! Bom dia pra você também, dormi muito bem, obrigada. Também estou com saudades! 
Não. Nem sei se minha mãe vem trazê-la hoje ou amanhã, vou saber disso mais tarde
    Tô indo aí agora
Ok 
Minha ansiedade deu lugar a raiva. Por que estava me tratando de um jeito tão... frio? Nem quando esqueci nosso almoço ele me tratou dessa forma, por mais que eu merecesse. Por quê? Meu Deus, será que esqueci de mais alguma coisa? Uma data importante pra gente, talvez...? Não. Isso não! Guardei meus rascunhos, arrumei a cama, abri as persianas, fui pra sala e liguei a TV. Esperei... esperei... esperei... esperei... e trinta minutos depois a porta foi aberta por ele - lhe dei a chave reserva quando percebi que não havia lógica ele tocar a campainha toda vez que quisesse aparecer. - Nos olhamos por sei lá quanto tempo, não entendi o porque dele ter ficado parado na porta mas estava com tanta saudade que a raiva foi embora rapidinho, levantei e corri para abraçá-lo. Me sentia inatingível nos seus braços, pena que ele não correspondeu da mesma forma e isso me deixou confusa. Mais do que confusa, me deixou com medo. Apavorada é a palavra certa. 
Neymar - A gente precisa conversar 
Clara - Tem que ser agora? - não queria soltá-lo, na verdade não sabia direito se queria ouvir o que ele tinha pra dizer porque seu rosto estava indecifrável
Neymar - Sim - olhei-o. Seus olhos estavam tristes, logo os meus também ficaram
Clara - O que aconteceu para estar sério desse jeito? - soltei-o relutante
Neymar - É que o assunto é sério... e complicado - não tinha mais pra onde fugir. Na verdade tinha, eu podia muito bem sair, certo? Errado. Não podia ser tão infantil, se ele queria conversar, iríamos conversar. Desliguei a TV, fui pro meu quarto e ele me seguiu em silêncio. Respire, Clara. Acalme-se!
Clara - Tudo bem, pode falar - incentivei-o, já que os minutos estavam passando, meu nervosismo aumentando, e ele apenas me olhando, me olhando e me olhando
Neymar - Eu acho que a gente devia dar um tempo - disse depois de um minuto quase eterno de silêncio, com um fio de voz, e esperava ouvir qualquer coisa, inclusive que já tinha assinado com um time do Japão e estava indo pra lá, menos o que eu realmente ouvir -
Clara - Oi?
Neymar - É... apenas um tempo
Clara - Tempo pra que? Por quê? O que está acontecendo? O que você está me escondendo?
Neymar - Não estou escondendo nada - falou com uma intensidade tão grande que cheguei a me arrepiar e não gostei nada disso
Clara - Então.. por que? - comecei a rir, pensando que aquilo só podia ser uma brincadeira - Está brincando, é isso? Não tem graça, estou rindo de nervoso... 
Neymar - Eu... - interrompi-o imediatamente
Clara - Não teve graça mesmo, meu coração não aguenta, não faz mais isso
Neymar - Clara, eu não estou brincando - gelei
Clara - Como é que é?
Neymar - É isso mesmo que você ouviu. Vai ser melhor pra nós dois - não estava conseguindo compreender, na verdade todos os meus sentidos se recusavam a entender. Isso não podia estar acontecendo
Clara - Um tempo? - perguntei com a voz entrecortada
Neymar - É - não conseguia reconhecer a sua voz, aliás, não conseguia reconhecer a pessoa que estava diante de mim
Clara - Isso é pra me chamar atenção? Porque eu sei que ultimamente não tenho te dado a atenção que você merece, eu sei que não tenho sido uma boa namorada e nem em mim mesmo tenho pensado nos últimos dias mas você sabe o motivo. Está difícil pra mim
Neymar - Eu sei, e não estou te julgando. Apenas não dá mais. Pra mim não dá. Acho que a nossa história começou no tempo errado - contei de um à dez rapidamente e respirei fundo, mas não adiantou muita coisa, suas palavras me irritaram
Clara - Tempo errado? - berrei mesmo, aquela conversa estava tomando rumos inesperados - Que tempo? Agora ou a alguns anos atrás?
Neymar - Não dificulta, por favor 
Clara - Eu estou dificultado? - minha ironia me fez gargalhar, mesmo com os olhos já ardendo muito - Não, muito pelo contrário, só estou tentando te ajudar. O que você está tentando fazer ou falar? Quer terminar? É isso? Porque se for, chega desses rodeios irritantes e fala logo - pedi, morrendo de medo do que poderia ouvir, desejando que ele não colocasse em palavras, porque ia machucar ainda mais, o que seus olhos já estavam me dizendo - Fala! - insisti mais irritada do que nunca com seu silêncio e o seu jeito indiferente, como se tivesse até ensaiado tudo direitinho, todas as falas -
Neymar - Sim, eu quero terminar! - dor... dor... muita dor... era só isso que conseguia sentir
Clara - Isso é algum tipo de vingança? Você ficou comigo esse tempo todo pra depois me fazer sentir a mesma coisa que você sentiu quando te deixei? É isso? - fui colocando pra fora as primeiras palavras que consegui organizar em frases na minha mente
Neymar - Não - respondeu imediatamente - Não, não é nenhum tipo de vingança se isso te faz ficar melhor
Clara - FICAR MELHOR? VOCÊ TEM IDEIA DO QUANTO ESTÁ ME MACHUCANDO? - gritei totalmente fora de mim - Você não está falando coisa com coisa e está me enlouquecendo querendo que eu aceite um adeus sem motivo. Acha mesmo que eu vou ficar melhor? - ele fechou os olhos e apertou-os com força. O que estava acontecendo? Por que estávamos tendo aquela conversa ridícula?
Neymar - Não quero te machucar. Não quero machucar nem você nem a mim, por isso é melhor terminamos 
Clara - Por favor, me diz que isso não passa de uma brincadeirinha de muito mal gosto - arrisquei me aproximar e ele não se afastou - Me diz, eu te desculpo. A gente esquece isso, mas me diz que é uma brincadeira - implorei e as lágrimas não quiseram mais esperar, desceram uma atrás da outra sem dó nem piedade. Ficamos apenas nos olhando por segundos... ou minutos, não sei, pareceram horas. Mas por fim, suas palavras me deram outro soco no estômago -
Neymar - Eu já falei tudo que queria - decretou o final ali, olhando nos meus olhos, com uma frieza que eu desconhecia, e de repente, parecia não ter mais oxigênio no quarto, não consegui respirar direito. Me afastei e virei de costas. Ele estava me deixando, como no meu pesadelo. Meu Deus, ele estava saindo da minha vida, e eu não merecia nem um explicação plausível pra isso. Não conseguia enxergar um palmo à minha frente devido as lágrimas, e quanto mais chorava mais queria chorar
Clara - Obrigada por ter me feito acreditar que ia ficar do meu lado sempre, inclusive agora quando estou passando por um momento difícil e me deixar na primeira oportunidade por que não dei a atenção que você merece - me obriguei a olhar pra ele de novo e vi o impacto que as minhas palavras lhe causaram - Muito obrigada! 
Neymar - Não é assim... - deu um passo a frente, mas deve ter pensando melhor porque voltou atrás - É só que... surgiram novas prioridades pra mim
Clara - Novas prioridades? - passei as mãos no rosto com ódio
Neymar - Sim, talvez você entenda mais pra frente. Ou talvez não fosse pra gente dá certo mesmo - fiquei boquiaberta, nem o meu pesadelo tinha sido tão cruel comigo
Clara - Eu não quero entender nada. Eu não quero ouvir mais nada. Tudo que está saindo da sua boca está me destruindo e se é pra acabar, vai logo embora. Te desejo boa sorte com as suas novas prioridades - consegui falar com o que restava da minha dignidade, e ele desviou o olhar do meu
Neymar - As minhas coisas...
Clara - Leva logo tudo agora - sentei na cama e escondi o rosto com as mãos. Depois de um tempo pude ouvir seus passos pelo quarto, abrindo o guarda-roupa, fechado gavetas, entrando no banheiro. Meus soluços só ficavam ainda mais altos. Por que eu estava ali assistindo o amor da minha vida pegando as suas coisas para ir embora de vez? Porque não saí do quarto? Estava me saindo uma bela masoquista -
Neymar - Clara? - não me movi - A gente precisa conversar sobre a Duda 
Clara - É mesmo?
Neymar - É 
Clara - Não quero conversar com você
Neymar - Mas precisa
Clara - Por que? - levantei a cabeça - Vai querer tirar ela de mim de novo?
Neymar -  Eu terminei com você... - ouvir isso era tão doloroso que comecei a respirar com dificuldade, tentando segurar o choro novamente - Não com a minha filha, então por favor, não nos afaste de novo, é só isso que estou pedindo 
Clara - Vai embora
Neymar - Não sem antes você prometer que não vai fazer isso
Clara - Até parece que você dá valor a alguma promessa, não é? Mas eu não vou fazer isso! Agora, pela terceira vez, vai embora! - pedi, voltando a chorar. Não tinha como segurar, mas quando vi que ele ia passar pela porta, não me contive - Júnior? - me olhou imediatamente e vi que seus olhos estavam brilhando, mas não daquele jeito que eu acho lindo - Não sei porque você está fazendo isso... nem sei se quero saber. Mas eu desejo, do fundo do meu coração, que você não me esqueça - não era um desejo. Era mais um pedido, estava implorando para que não fizesse isso -
Neymar - Obrigado - dito isso, saiu rapidamente do meu campo de visão. Ele agradeceu por eu ter pedido para não me esquecer? Oh, Deus! Me faz, por favor, entender tudo que aconteceu dentro desse quarto! Pedi, olhando pro teto. Quando ouvi a porta bater, gritei. Frustrada, com raiva, desesperada e morrendo de vontade de sair correndo atrás dele. Levantei e dei de cara com o guarda-roupa meio aberto, suas roupas não estavam mais no seu cantinho, nem alguns bonés que acabavam ficando na minha parte. Seu perfume não estava mais ao lado do meu, assim como a sua escova de dente que tinha abandonado a minha no banheiro. Doía tanto, que eu só queria destruir tudo que estava ao meu redor, depois sumir. E foi movida por essa vontade que soquei o espelho ao ver o meu reflexo nele. Quebrei-o. Machuquei a minha mão. Gritei ainda mais e me joguei no chão. Saia sangue, e mesmo assim aquela maldita dor não era nada comparada ao que estava sentindo por dentro. Ouvi passos apressados e de repente a Manu entrou no banheiro assustada
Manu - Clara!! - ela se ajoelhou ao meu lado, não tive forças para olhá-la - O que foi que aconteceu aqui? - pegou a minha mão machucada e avaliou-a, depois olhou para o espelho - Meu Deus... fala comigo, amiga. O que aconteceu?
Clara - Não sei... - talvez ela tenha entendido, talvez não. Eu só sabia chorar
Manu - Clara, respira... e me conta. Estou preocupada e não gosto disso
Clara - Acabou - seus olhos arregalaram-se quando olhei-a. Ela viu a mesma pessoa humilhada que eu vi quando me olhei no espelho, foi por isso que quebrei-o
Manu - O que acabou?
Clara - Ele acabou com tudo... terminou comigo 
Manu - Como é? 
Clara - Não me faz repetir isso, por favor 
Manu - Desculpa mas é que... não dá pra acreditar - olhou ao redor do banheiro
Clara - Ele estava decidido, irredutível e foi tão direto - funguei - Chegou aqui falando uma montanha de coisas sem sentido e por um momento, eu parecia estar me ouvindo quando terminei com ele e o deixei 
Manu - Você teve um motivo forte pra isso 
Clara - Eu sei... sei também que não vinha tendo tempo nem cabeça pra dar a atenção que ele merece. Não estava sendo uma boa namorada mesmo, sei assumir isso - tentei continuar controlando o choro para falar, mas até o fato de conjugar um verbo no passado doía - Será que ele não conseguia ver o motivo de tudo isso? Meu avô está doente e é só nisso que consigo pensar. Caramba, onde é que ele enfiou o "Vou estar contigo em todos os momentos" e "Mesmo que me mande embora vou continuar aqui"? 
Manu - Eu acho que tem algo errado aí, depois vocês conversam - tentou amenizar a situação, como se fosse possível - Não é possível que ele tenha apenas... se enchido de tudo
Clara - Eu não quero conversar com ele, Emanuelle, não quero. Pensando bem agora, ele pode até ter terminando por causa da falta de sexo, então espero sinceramente que ele se dane 
Manu - Eu acreditaria, se você acreditasse nas suas palavras também - foi a gota d'água, o choro voltou com força total
Clara - Porque ele fez isso comigo? Por que? E porque mesmo depois disso eu quero ele aqui? - ela não soube me responder. Tudo bem, eu também não sabia - Devo ser uma merda de pessoa mesmo, não consigo salvar meu avô, não consigo fazer a pessoa que eu amo ser feliz comigo e se brincar não consigo nem ser uma boa mãe. O que eu ainda estou fazendo nesse mundo?
Manu - Ana Clara! - me repreendeu perplexa - Você se ouviu? Ouviu as merdas que disse? Pede desculpas agora! 
Clara - Desculpa.... ai, me desculpa, Deus! - escondi o resto novamente, dessa vez com uma mão só, morrendo de vergonha de mim mesma
Manu - Vem aqui - me puxou para o seu colo, tomando cuidado com a minha mão machucada e vi seus olhos cheios de lágrimas também -
Clara - O mundo resolveu desmoronar em cima de mim e eu não posso fazer nada pra impedir isso, Manu. Até ontem eu sabia que se caísse ele estaria do meu lado, me amparando, me dando forças... e agora? Eu não sei se vou aguentar... não sei mesmo. Estou na beira de um precipício 
Manu - Ei, você não está sozinha! Eu não vou largar a sua mão, entendeu? A gente vai dar um jeito em tudo isso, você vai ver. Vai aparecer um doador pro tio Marcos logo e com o Júnior você conversa depois, com mais calma
Clara - Pra que? Ele só queria vingança, você não vê isso? Queria me fazer sentir o que ele sentiu quando o deixei, mas dói tanto... 
Manu - Oh, minha menina. Não pensa assim - começou a me balançar no seu colo como se tivesse ninando um bebê e continuou assim por bastante tempo - Vamos levantar, lavar essa mão e correr pro pronto-socorro
Clara - O quê? Não! 
Manu - Sim, nós vamos
Clara - Eu mesma posso cuidar disso
Manu - Não pode não. Nem sabemos a profundidade desse corte, está bem feio. E se tiver entrado algum caquinho de vidro na sua pele? Está sagrando muito - olhei pra minha mão, depois para os cacos de vidro espalhados pelo chão e me senti ainda mais horrível do que já estava
Clara - Tudo bem - murmurei. Levantei com a sua ajuda e percebi que tanto o seu pijama quanto a minha blusa estavam sujos de sangue. Ela colocou minha mão debaixo da torneira, abriu-a e estremeci ao sentir a água gelada, ardeu demais. Depois de lavar direitinho com sabão neutro, o sangue estancou um pouco, ela pegou uma toalha fina de rosto, fez uma volta no corte e amarrou, talvez tenha apertado demais, mas nem reclamei
Manu - Vou trocar de roupa, me espera - me deixou sozinha no banheiro. O silêncio era perturbador, ainda conseguia ouvir a voz dele me dizendo coisas horríveis, como se tudo aquilo não o abalasse em nada, como se quisesse que eu o odiasse. “Vai ser melhor pra nós dois”, pois bem, não foi. E mesmo assim, não conseguia odiá-lo, por que? Por que não? Se eu o odiasse tudo ia ser tão mais fácil. Olhei para o espelho quebrado. Aquela não era eu. O que é que eu tinha feito? Já estava completamente arrependida porque minha mão direita latejava, e o que tinha ganhado, além de mais uma dor pra suportar? Um problema a mais, já que sempre fui destra
Clara - Burra! Mil vezes burra! - saí do banheiro me xingando muito, com raiva de tudo, de mim principalmente. Tirei a blusa manchada de sangue, fechei os olhos, abri o guarda-roupa e tentei a sorte: consegui pegar uma regata cor de rosa, e vesti-a sem pensar muito porque meus movimentos era meio robóticos; não fazia porque queria, e sim porque precisava. Por que fechei os olhos? Pra não ter que ver o vazio que estava ali dentro, talvez doesse menos. Peguei meus documentos, coloquei no bolso e fui pra sala. Meu quarto nunca mais seria o mesmo pra mim. Sentei no sofá, olhei pra varanda e meu subconsciente gritava com um louco que a sacada nunca esteve tão convidativa, "Vai lá, as dores passam rapidinho!" Fiquei enojada por não ter conseguido impedir esse pensamento horrível. Balancei a cabeça para afastá-lo, fechei os olhos e disse pra mim mesma que não ia mais deixar isso acontecer. Não podia deixar meus pensamentos pisarem no que ainda restava de mim. Minha vida estava como o espelho que quebrei: em pedaços. Eu estava destruída, mas continuava viva. Meu avô precisava de mim. Minha filha precisava de mim. Meu Deus, minha filha! Como é que eu pude pensar em uma atrocidade tão grande, tendo um ser ainda tão dependente de mim? Minha bonequinha... Ah, que ódio!
Manu - Vamos? - levantei a cabeça ao ouvir sua voz. Ainda bem, estava começando a ter medo da direção dos meus devaneios nada coerentes. Não falei nada, apenas levantei, ela pegou as chaves e saímos. Não descemos direto na garagem, como eu esperava, mas sim na portaria. Manu falou com o porteiro e digitou algumas coisas no celular, acho que estava pegando o endereço de onde queria me levar. Permaneci em silêncio o tempo todo, depois fomos para garagem, entramos em seu carro e ela deu partida - Está doendo?
Clara - Sim, muito - sabia que ela estava se referindo a minha mão, mas entendeu o que eu quis dizer. Rapidamente chegamos naquele que, suponho eu, era o pronto-socorro mais próximo. Ela estacionou, saímos do carro, entramos e fomos direcionadas para a ala de emergências. O lugar estava lotado e eu só fui atendida um hora e meia depois. Uma enfermeira me perguntou o que tinha acontecido enquanto tirava a tolha da minha mão e quando disse que tinha socado um espelho, ela olhou pra mim como se eu fosse uma louca que esqueceu de tomar os remédios... mas não disse nada e foi chamar o médico. O corte foi grande; não quis olhar muito pra ele, mas fiz um belo estrago e ainda levei dois pontos. Nunca havia levado um único ponto em 21 anos de vida. Durante o processo chorei como uma criança, não porque estava doendo (a anestesia fez efeito), mas sim porque lembrava o tempo todo o que me fez ir parar ali. Minha mão ficou quase toda enfaixada, só o polegar ficou de fora. Que maravilha, como é que eu ia dirigir? Tudo só estava piorando e a culpada era eu mesma. No fundo sabia que eu tinha uma parcela de culpa em tudo. Tudo mesmo. Fugi daquele lugar quase claustrofóbico assim que ouvi que estava liberada
Manu - Nada de desenfaixar antes dos cinco dias que o médico pediu, ok? 
Clara - Eu preciso trabalhar, Manu. Como é que vou dirigir assim? - mostrei a mão pra ela
Manu - Posso te levar 
Clara - Não. Posso deixar isso aqui até amanhã, na segunda antes de sair, tiro e faço um curativo menor 
Manu - Clara...
Clara - Tá vendo? Era por isso que não queria vim aqui 
Manu - Eles fizeram o certo e o melhor pra você, então deixa essa mão quieta e enfaixada durante os dias recomendados
Clara - Ok, vamos pra casa, por favor - não contestou mais, entramos no carro e o silêncio voltou. Ela parou em uma farmácia, comprou pra mim anti-inflamatório e uma pomada para curativos que o médico receitou, agradeci e seguimos pra casa. Quando chegamos, ela me ajudou a tirar o que tinha sobrado do espelho, recolher os cacos e limpar o chão que tinha umas manchinhas de sangue. Depois deitei e fiz a única coisa que que tinha vontade de fazer: chorei. Repassei mentalmente os últimos momentos que vivi com o Júnior; queria entender onde eu havia errado mas só consegui sofrer ainda mais porque parecíamos tão bem, felizes até. Não estávamos na nossa melhor fase, muito por minha causa, mas tinha plena consciência que se voltássemos no tempo, a duas semanas atrás mais ou menos, eu agiria da mesma forma. Afinal, como ia mudar o meu jeito de ser? Sempre fui extremamente altruísta, sempre pensei nos outros antes de mim, e achei que ele me conhecesse, que íamos estar juntos em todos os momentos, em todas as fases. Boas ou ruins. Caramba, ele prometeu! Que valor eu daria as promessas agora? Ele não cumpriu com a sua. Não cumpriu e eu, idiota, ainda pedia à Deus pra ele voltar me pedindo desculpas, dizendo que tudo não tinha passado de um mal entendido terrível. Sabia que isso estava muito longe de acontecer, pra não dizer que era impossível mesmo. A gente já viveu isso e repetir parecia ser duplamente doloroso. Ouvi meu celular tocar em cima da mesinha mas nem me mexi. Ele continuou tocando, então a primeira coisa que passou pela minha cabeça foi: jogá-lo na parede. Só que lembrei que não era a única pessoa com problemas no mundo, podia ser algo importante, inclusive envolvendo meu avô. Levantei e peguei-o. Minha mãe. Respirei fundo algumas vezes e clareei a voz, ainda bem que tinha conseguido parar de soluçar.
 - início -
Débora - Minha filha, até que enfim
Clara - Oi, mãe
Débora - Você está bem? Que voz é essa?
Clara - Estava dormindo 
Débora - A essa hora? 
Clara - É que... acordei cedo demais e fui malhar, daí o cansaço se apoderou de mim. Cadê a Duda? - perguntei antes que desse continuidade ao interrogatório porque ainda não estava em condições de falar nada
Débora - Está ensinando o Murilo a brincar com o tablet dela, um amor - riu - Você vai lá no hospital amanhã?
Clara - Vou 
Débora - Então de lá você vai pra casa com ela, pode ser? 
Clara - Pode, claro 
Débora - E obrigada por ter deixado ela ficar durante esses dias aqui, tá? Nos distraiu bastante. Ela é uma criança tão maravilhosa, cada dia nos surpreende mais 
Clara - Não precisa agradecer, mãe. Tenho certeza que a Duda também gostou de ficar aí com vocês e é isso que importa 
Débora - Tudo bem, quer falar com ela agora?
Clara - Não, eu ligo depois 
Débora - Então tá, um beijo 
Clara - Beijo 
 - término
Coloquei o celular no mesmo lugar e voltei a deitar. Uns vinte minutos depois, a Manu entrou no quarto e sentou na pontinha da cama mas permaneci quieta, fitando o teto.
Manu - Clara? - me chamou quase como um sussurro e eu olhei-a - Reage. Eu não aguento te ver assim, é sério. Seus olhos estão quase se fechando de tão inchados, já viu isso? - balancei a cabeça, negando - Nem veja. Você vai querer quebrar outro espelho e vai terminar machucando a outra mão - não respondi, nem esbocei nenhuma reação, por isso ela deitou ao meu lado e suspirou profundamente - Não sei muita coisa sobre o amor, você me conhece e sabe disso né? - deduzi que fosse uma pergunta retórica, portanto não respondi - Só sei o suficiente para ter certeza de que amo o meu namorado, ele me ama e...você e o Júnior também se amam muito - ficou durante alguns segundos em silêncio - Ou se amavam muito, desculpa, depois de tudo que aconteceu hoje minha cabeça está uma confusão. Mas a relação de vocês era invejável, vocês se entendiam só com um olhar, sorriam ao falar o nome um do outro, pouco brigavam, sabiam conversar, e isso porque acima do namoro vinha a amizade. Uma cumplicidade linda, e todo mundo via isso - sabia muito bem o que ela estava querendo e tentando fazer, sabia porque estava usando o pretérito perfeito, sabia... e aquilo era a pior forma de tortura que podia existir. Apertei os olhos com força, mas ela achou que ainda não era o suficiente - Vocês não... - só que não deixei que terminasse e explodi
Clara - CHEGA, MANU! CHEGA!! - levantei o mais rápido que consegui por causa da minha mão e ela nem se assustou porque era o que estava esperando - Queria que eu gritasse? Queria que eu reagisse? Ok, conseguiu, mas chega, pelo amor de Deus, eu não aguento mais!! - desabei num choro desenfreado. Ela levantou imediatamente e me puxou com facilidade para um abraço mais do que apertado
Manu - Sim, era exatamente isso que eu queria, desculpa se te magoei. Não queria falar essas coisas, mas precisei... você estava parecendo uma morta-viva e isso me assustou. Pode gritar comigo à vontade, me xinga também se quiser mas coloca tudo isso pra fora, não guarda pra você, é muito pior - falava baixinho enquanto acarinhava o meu cabelo - Nunca passei por isso, não imagino o quanto, mas sei que está doendo, só que infelizmente não posso te dizer nada além daquilo que a maioria das pessoas dizem... Vai passar, amor. Vai passar - me soltou um pouco e passou as mãos no meu rosto, enxugando-o; totalmente em vão porque no segundo seguinte mais lágrimas já estavam rolando - Promete que não vai ficar aqui dentro trancada durante os dias seguintes? Promete pra mim que vai viver e não apenas sobreviver?
Clara - Eu... - não podia, não podia, não podia. Promessas tinham perdido totalmente o sentido pra mim - Não me faz prometer nada - consegui pronunciar entre soluços
Manu - Tudo bem, desculpa. Mas não estou pedindo isso por mim, é por você mesma. Só hoje vou te deixar aqui quietinha e sozinha, e não vou entrar no quarto se você não me chamar, ok? - assenti, tentando me controlar - Amanhã eu quero a minha melhor amiga, que por sinal é muito mais forte do que pensa, de cabeça erguida e disposta a enfrentar qualquer coisa
Clara - Obrigada - fiquei emocionada com as suas palavras e a sua paciência comigo
Manu - Eu amo você, só quero te ver bem
Clara - Eu também amo você
Manu - Não duvido disso - sorriu de lado, enxugou meu rosto novamente e beijou minha bochecha - Qualquer coisa, é só chamar - assenti de novo e ela saiu do quarto. Sentei novamente e pensei em tudo que ouvi, em tudo que a Manu teve coragem de me dizer, como boa amiga que é e sempre foi. Ela tinha toda razão. A vida segue pra todo mundo, não é verdade? Não podia me dar ao luxo de chorar o dia todo... ou a semana toda (era o que estava planejando fazer). Minha vida não ia parar pra eu poder sofrer à vontade pelo meu amor perdido, depois voltaria ao normal como se nada tivesse acontecido. O tempo não espera por ninguém, essa é a realidade de todos. Respirei fundo e levantei da cama. Queria e precisava ocupar a minha mente ou podia entrar em uma depressão profunda, o que seria dramático demais, para não dizer patético. Tinha que tomar a iniciativa e fazer algo, por isso peguei meu porta CD e enquanto procurava por um percebi que nada ali ia me fazer bem, todas as músicas me fariam lembrar do que não queria -
Clara - Droga! - praguejei, depois me dei conta que já tinha esgotado minha cota de xingamentos - leves ou não - do dia. Lembrei de um CD do Timberlake (da Manu, é claro, e eu suspeitava que ela não sabia que estava na minha mão), achei-o entre as minhas coisas e o coloquei no macbook. Dei play e aumentei até onde deu, não queria de jeito nenhum ouvir meus pensamentos, ou até LoveStoned/I Think She Knows ia me fazer chorar. Comecei uma faxina louca no meu quarto, tirei e troquei de lugar tudo que podia, desarrumei e arrumei de novo minha prateleira de livros, limpei a poeira inexistente até de cima do guarda-roupa, o que quase me rendeu uma queda porque subi na cadeira giratória, me desequilibrei e não pude me segurar com as duas mãos; sempre fui péssima só com a esquerda. Mas enfim, não caí, foi só um susto. Troquei o lençol, o edredom e todas as fronhas, ou o perfume que estava impregnado em tudo ali não me deixaria dormir. Entretanto, ainda havia o urso que ganhei na véspera do Natal... não podia me desfazer dele. Pensei em colocá-lo no quarto da Duda mas de qualquer forma ia vê-lo sempre, então que ficasse no mesmo lugar. “Não faça isso! Tire-o daqui agora!” meu lado racional gritava comigo. “Deixe-o aí. Você quer que ele fique!” sussurrava meu - abaladíssimo - lado emocional. Será que é difícil adivinhar qual lado eu ouvi? Certamente não... O urso tinha um lugar especial: a cabeceira do lado esquerdo da cama era só dele. Me aproximei devagar, como se tivesse até com medo e vi o cartãozinho entre os dois corações. Li aquele simples papel tantas vezes que já sabia tudo que estava escrito ali. Mesmo assim, como se não bastasse ver e lembrar, peguei-o e li mais uma vez. 
 “Não tem preço sonhar com você, acordar e ao abrir os olhos lembrar que você está do meu lado. Não tem preço dormir de mal jeito, acordar com dor e de quinze em quinze minutos olhar pra ver se eu não estou roubando seu lençol. Não tem preço fechar os olhos e sentir o ar quente da sua respiração no meu rosto, ou virar pro outro lado e ser envolvido pelos seus braços. Não tem preço tentar dormir e acordar com você rindo por algum motivo que só Deus deve saber, ficar brincando de ordenar o inspira e o expira só pra lembrar que até na hora de respirar somos iguais. Não tem preço ter você ao meu lado deitada, de pé, sentada, nas noites frias, quentes, alegres ou tristes. Não tem preço ter você. Obrigado por existir.” 
Engoli cada lágrima com uma dificuldade sem tamanho, mas não chorei. Fiz de tudo: olhei pra cima, apertei os olhos, segurei a respiração...não chorei. Não queria chorar. Guardei o cartãozinho dentro de uma gaveta que nunca usava, na parte de baixo da mesma cabeceira do urso, onde posteriormente também guardei a gargantilha que ganhei em Paris quando me disse “Que seja eterno enquanto dure”. E com uma dor ainda maior no coração, tirei a pulseira que ele me deu quando me pediu em namoro de novo, a data que nos conhecemos gravada no símbolo do infinito me destruiu. Balancei a cabeça para espantar as recordações, estava começando a não gostar mais de lembranças, porque com elas as lágrimas vinham facilmente, e eu sabia que teria uma grande e constante batalha pela frente, uma guerra entre lembrar e esquecer. Quando dei minha faxina como terminada, olhei sem querer para meu mural de fotos e meu coração se reprimiu instantaneamente. Não ia me fazer bem olhar para certas fotos, mas eu estava preparada para tirá-las dali? “Não faça perguntas! Tire-as, é para o seu bem!”, ok... dessa vez decidi ouvir o lado racional sem nem esperar os argumentos do emocional. Tirei todas as nossas fotos e guardei-as na mesma gaveta de recordações. O mural ficou tão mais vazio... então peguei um álbum que sempre guardei junto com minhas pastas de desenho e adicionei fotos minhas com a Duda de um ensaio que fizemos (presente da minha mãe) nos espaços que tinham ficado vazios.
Pronto, só faltava providenciar outro espelho para o banheiro, faria isso depois, de preferencia com a minha mão já 100% boa. Por falar nela, acho que exagerei nos esforços porque começou a doer. Precisava tomar o remédio, e antes disso precisava colocar algo a mais no estômago. Tirei o CD, desliguei o mac e antes de sair do quarto, vi um pedaço de papel no chão. Ele não estava ali a pouco tempo atrás, pelo menos eu não tinha visto. Peguei-o e o abri. 
 “Certo, você não me chamou mas eu também não cheguei a entrar no quarto, então mantive a minha palavra. Só queria dizer que aprovo a trilha sonora e que já tinha desistido de achar esse CD. Obrigada por encontrá-lo.
 PS:. Já passou da hora do almoço, vem comer!!” 
Coloquei o papel em cima da mesinha, saí do quarto e fui direto pra cozinha. 
Manu - Oi, veio almoçar? Fiz lasanha - apontou para a travessa que estava em cima do fogão e eu franzi a testa - Ai, ok. Só fiz tirar da caixinha e colocar no microondas. Não queria comer minha omelete hoje de novo - fez uma careta - É de frango com catupiry - sorriu um pouco, é a minha predileta - Ah, meu Deus! Mas será que você pode comer? E se inflamar seu machucado? Nem tinha pensado nisso - ficou meio desesperada, parecia até minha mãe
Clara - Não sei se vai descer algo, mas vou tentar porque quero tomar o remédio e é melhor não arriscar, um macarrão instantâneo está de bom tamanho 
Manu - Está incomodando muito?
Clara - É suportável. Mas quanto menos dor sentir, melhor 
Manu - Entendo, senta aí que eu faço o macarrão - sentei e esperei. Quando ela colocou o prato na minha frente, me dei conta de que estava realmente com fome, só não tinha vontade de comer. Fiz um esforço enorme, mas não dava pra segurar o garfo com firmeza com a mão direita e comer com a esquerda se tornou uma tarefa difícil, parei depois da quinta garfada, e comi mais do que achei que comeria, porém, a Manu ainda me fez tomar um copo gigante de suco de maracujá, fiquei quase dopada. Suco de maracujá em demasia, quando não leva minha pressão para o ralo, me faz dormir. E não deu outra, assim que tomei o anti-inflamatório, deitei no sofá e apaguei. Acordei recebendo lambidas por todo o rosto, abri os olhos e o Luck me encarava, como se tivesse me dizendo que já tinha dormido demais e estava na hora de acordar. Olhei ao redor e a sala já estava escura... o Luck tinha razão. Bati levemente no meu colo, chamando-o, e ele subiu rapidinho, deitando em cima de mim, com o focinho bem perto do meu rosto
Clara - Você não vai me abandonar também, né? - fiz um carinho na sua cabeça e ele tentou fazer a mesma coisa que me acordou, mas virei o rosto - Tudo bem, já entendi que não, obrigada - poderia dizer que estava me sentindo ridícula conversando com um cachorro mas o fato é que não estava e naquele momento a presença dele era bem reconfortante. Ouvi passos vindo do corredor e a Manu surgiu na sala logo depois - Não vai sair?
Manu - Não 
Clara - É sábado 
Manu - Eu sei 
Clara - Não tem nenhum compromisso?
Manu - Não
Clara - Você tinha, mas desmarcou - deduzi, mas sabia que não estava errada
Manu - Desmarquei 
Clara - Por quê?
Manu - Prefiro ficar aqui. Nada, nem ninguém é mais importante que você hoje
Clara - Trocou uma diversão garantida ou, talvez um jantar com o seu namorado pela minha chata companhia em um sábado à noite?
Manu - Ele está trabalhando - piscou - Não se preocupe. Eu te aturo, você me atura e isso basta
Clara - E se eu te pedir pra mudar de ideia e sair?
Manu - Sinto muito, mas não vai adiantar 
Clara - Quer mesmo ficar aqui?
Manu - Quero. Comprei um super pote de sorvete e separei o box completo de Gossip Girl pra gente assistir e dizer as falas dos personagens antes deles até enjoar, como fazíamos em Florianópolis - sorriu e eu tentei fazer o mesmo por causa do seu esforço em me fazer bem - 
Clara - Eu já te agradeci hoje?
Manu - Sim - agachou um pouco para ficar à minha altura - Você faria o mesmo por mim? - assenti - Eu sei que sim - sorriu - Então, ficamos aqui, vamos pro meu quarto ou pro seu? 
Clara - Não sei... podemos ficar aqui mesmo 
Manu - Ótimo, vou pegar as coisas - levantou e sumiu no corredor. Fiz o Luck sair do meu colo para levantar também, fui ao meu quarto, e peguei o celular. Havia duas chamadas perdidas da Tia Ná, pensei... pensei... pensei... pensei e decidi não retornar. Voltei pra sala, pro meu sofá e marquei o número da minha mãe. Depois do quarto toque, alguém atendeu.
 - início
Eduarda - Mãe!! - gritou eufórica
Clara - Oi, meu amor
Eduarda - A vovó disse que sabia que era você e me deixou atender - riu - Você vem aqui também?
Clara - Por que, também? Quem foi aí?
Eduarda - Meu pai - meu coração começou a palpitar descontroladamente - Mas ele foi embora muito rápido - não estava vendo, mas sabia que ela estava fazendo beicinho
Clara - O que ele fez aí?
Eduarda - Me deu um abraço e foi embora - riu, estava bem feliz e isso era obvio - Ah, e disse que me ama - fiquei durante alguns segundos processando o que ouvi. Saber que ele esteve com ela me deixou um pouco agoniada. Ele não contou nada, então... era pra eu contar? Será que até isso teria que sobrar pra mim? - Mãe? Você tá aí?
Clara - Sim - tentei retomar a falar, preferi não comentar nada e fiz um esforço para lembrar o que ela tinha perguntado antes - Não, hoje não vou aí, pequena. Mas amanhã a gente vai se ver. Está com saudades de mim?
Eduarda - Sim. Muitas, muitas, muitas - repetiu mais algumas vezes mas parei de contar na terceira porque ela começou a rir
Clara - Também estou morrendo de saudades - meu coração, que estava tentando voltar ao seu ritmo normal, apertou um pouquinho e senti vontade de chorar. A saudade era enorme mesmo, e juntando isso com os acontecimentos do meu dia as lágrimas não achariam dificuldades para rolar - Já jantou?
Eduarda - Ainda não, mas a vovó tá chamando 
Clara - Então vou desligar, come tudinho e não esquece de escovar os dentes antes de dormir 
Eduarda - Eu sei, eu sei 
Clara - Dorme bem, amor. Eu te amo muito - sabia que se ela estivesse na minha frente teria ficado igual um tomatinho -
Eduarda - Também te amo, mãe. Beijo - soltou mesmo um beijo e ouvi ela entregar o celular pra minha mãe encerrar a ligação.
 - término
Só quando desliguei percebi que a Manu já estava na sala também, com dois cobertores, o box de DVDs de uma das nossas séries favoritas, um super pote de sorvete ferrero rocher e duas colheres. Sabia que não ia consegui prestar atenção como queria mas não podia fazer uma desfeita tão grande à minha amiga; não quando ela deixou de sair e se divertir pra me fazer companhia em um dos piores dias da minha vida. Ela começou a colocar o primeiro DVD enquanto minha mente, muito longe daquela sala, trabalhava a mil por hora; ele foi vê-la, mas não disse nada pra ela. Queria entender se isso era bom ou ruim, mas ainda não tinha como saber, então voltei a dar atenção as minhas hipóteses loucas, que ainda procuravam um motivo acreditável para me fazer entender de uma vez por todas quão real tinha sido o meu dia. Eis as hipóteses: a) Simplesmente cansou de mim, como no meu pesadelo. b) Não aguentou a pressão da doença do meu avô no nosso relacionamento. c) Já está de malas prontas para ir embora, sair do Brasil e realizar o sonho de jogar em um grande clube europeu. Meu peito doía só de pensar em todas as alternativas e antes que a Manu visse, passei a mão esquerda no rosto, limpando as duas lágrimas que rolaram sem que eu percebesse. Droga! Respirei fundo e uma voz que já não ouvia a um tempinho me chamou a atenção na televisão. “Aqui é a Gossip Girl, sua primeira e única fonte sobre a vida escandalosa da elite de Manhattan.” Foco na TV, Clara! A Manu fechou as portas da varanda e as cortinas, e a sala escureceu ainda mais, depois sentou ao meu lado e beijou minha bochecha. Colocou os cobertores sobre nós, da cintura pra baixo e o pote de sorvete no meio de nós duas. Qual a lógica de tomar sorvete como se tivesse com frio, enrolada em um cobertor? Bem, não tem lógica. Achávamos engraçado quando fazíamos isso em Florianópolis e sim, dizíamos as falas dos personagens antes deles e ríamos como malucas. A única diferença ali, naquele momento, é que eu não conseguia ver graça em nada e pior fiquei quando o casal preferido da Manu protagonizou uma cena que me levou as lágrimas. 
“- O que quer que seja que você está passando, eu quero estar aqui por você.” – Blair
“- Nós falamos sobre isso. Você não é minha namorada.” – Chuck
“- Mas eu sou eu. E você é você. Nós somos Chuck e Blair. Blair e Chuck. A pior coisa que você já fez, o pensamento mais sombrio que você já teve, eu ficarei do seu lado até o fim de qualquer coisa.” – Blair
“- E por que você faria isso?” – Chuck
“- Porque eu te amo.” – Blair 
Claro que já tinha assistindo aquela cena antes (e nunca havia chorado por causa dela), mas naquele momento só tive vontade de pegar o DVD e quebrar em pedacinhos. Me contive. A Manu pulou de episódio ao ver o meu estado mas não falou nada, e eu me obriguei a continuar assistindo. Fomos dormir quase meia noite, ela até tentou ficar comigo mas tinha quase certeza de que o Gil ainda ia aparecer, por isso pedi pra ficar sozinha e ela respeitou. Quando entrei no meu quarto senti uma solidão dolorosa, mesmo com o Luck deitado no seu cantinho. Nem troquei de roupa, deitei na cama do jeito que estava mesmo, infelizmente fiquei acordada durante horas, me martirizando com meus próprios pensamentos e quando o sono chegou, tentei resistir... mas adormeci abraçada ao urso.



Olá, amores
Como vocês estão? Eu, apesar de ter chorado horrores (sem dúvida foi o que capítulo que mais me fez chorar), estou feliz porque foi um dos mais fácies de escrever também. Deve ser porque gosto de uma pitadinha daquele drama básico que vemos em novelas ou filmes, daí as coisas fluem com mais facilidade, não sei... o fato é que gosto de escrever brigas, separações e afins. Espero que continuem gostando de mim depois de descobrirem isso ahahahahahaha. Estava ansiosa pra escrever esse capítulo e para postar, agora estou ansiosa pra saber quais vão ser as reações de vocês. 
As reações do capítulo anterior foram surpreendentes, como sempre. Amei muito ler cada opinião/sugestão, é realmente muito importante pra mim! 
Para finalizar, respondendo a uma das minhas lindas anônimas: Não, não pretendo ser escritora!

PS: O blog alcançou mais de 300.000 de visualizações em apenas 1 ano, 1 mês e 17 dias! OMG! Vocês são...UAU! Nem tenho palavras! Obrigada, obrigada, obrigada. Amo vocês!! <3 

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Capítulo 54 - “E prometo que mesmo que me mande embora, vou continuar aqui”

Despertei de um sono bom - não dormia tão bem a bastante tempo -, com a voz mais doce do universo me chamando. Achei até que fosse um sonho, mas o instinto maternal me fez abrir os olhos para vê-la paradinha, do meu lado da cama. Levantei a cabeça e passei as mãos no rosto.
Clara - Que foi, boneca? - olhei-a de cima a baixo, procurando indícios de algo preocupante mas não achei nada - Cadê a Rafa?
Eduarda - A tia tá dormindo com a minha Minnie - respondeu muito baixinho e sorriu -
Clara - E porque você está aqui... - me esforcei para olhar pro relógio da parede e vi que ele ainda marcava 06h30 - ...Tão cedo? - ela fez uma carinha confusa, como se eu tivesse falado alguma bobagem -
Eduarda - Acorda o papai, mãe. A gente não vai ver o biso? - sorri levemente, agora sim tudo fazia sentindo -
Clara - Está cedo demais, amor. É só mais tarde
Eduarda - Mais tarde? Por quê? - sua voz esmoreceu um pouquinho -
Clara - Porque agora o biso está dormindo, ele precisa descansar bastante
Eduarda - Ah... - fez beicinho e logo em seguida, bocejou -
Clara - E você também ainda está com sono, quer deitar aqui? - pensou um pouco depois assentiu rapidamente. Sorri e sentei pra ela poder subir na cama e deitar entre eu e o Júnior. Deitei novamente, dei um beijinho na sua testa, fiquei alisando o seu cabelo e não sei qual de nós duas pegou no sono primeiro. Quando acordei novamente a cama já era só minha, me perguntei se tinha dormindo demais e olhei pro relógio: 09h10, nada mal pra um domingo depois de dias sem consegui dormir direito. Levantei, espreguicei-me, arrumei a cama, separei uma roupinha, tomei banho, escovei os dentes e me vesti. Prendi o cabelo, coloquei o celular no bolso da frente, abri as persianas, peguei o cesto de roupa suja e saí do quarto. A sala mais parecia a área da bagunça da Dudoca de tanto brinquedo que tinha espalhado e ela estava na companhia do Júnior e do Gil, porém, nenhum dos três percebeu a minha presença, estavam mais entretidos no quebra-cabeça que tentavam montar. Sorri e fui pra cozinha. A Rafa e a Manu estavam tomando café - Bom dia - elas me olharam e responderam sorrindo. O Luck levantou a cabeça ao me ouvir e começou a abanar o rabo - Bom dia pra você também, filhote - soltei um beijo pra ele e elas riram. Fui pra área de serviço, coloquei as roupas na máquina de lavar, liguei-a e voltei pra cozinha. Sentei na banqueta ao lado da Rafa e me servi com um pouco de café com bastante leite - Estavam falando de mim?
Rafa - Por quê?
Clara - Porque pararam de falar e agora estão olhando pra mim, muito suspeito - riram -
Rafa - Não, sua boba. Mas aproveita pra me tirar uma dúvida
Clara - Hum... - respondi enquanto pegava um pãozinho -
Rafa - Você e a Júlia não se falam mesmo?
Clara - Que Júlia? - continuei mais interessada em comer do que em outra coisa mas ela não respondeu, então olhei-a e foi o bastante pra perceber de quem se tratava - Aquela que eu particularmente não sei se já é ex ou se ainda é atual do Guilherme? - a Manu gargalhou, e sua risada também me fez rir -
Rafa - Sim. É bem provável que seja essa - riu -
Clara - Nunca brigamos ou discutimos mas também não temos nada em comum, muito menos assunto - encolhi os ombros -
Manu - Ontem vocês nem se cumprimentaram...
Clara - Achei que ninguém tinha notado... - olhei pra elas - Ai, ok... Acho que foi meio que uma antipatia à primeira vista mesmo e seria muita hipocrisia minha se eu dissesse que foi apenas da parte dela
Manu - Como assim?
Clara - Quando percebi que ela não ia com a minha cara, logo no dia que nos conhecemos, claro que passei a ignorá-la também
Manu - Uma antipatia sem motivo, então?
Clara - Sim, mas só aparentemente. Porque depois que descobri que ela é amiga da atriz, tudo ficou bem mais fácil de ser entendido
Rafa - Ah, é verdade
Clara - Pois é, mas não se preocupem, já me conformei e não choro mais antes de dormir por causa disso - ironizei elas gargalharam. Terminamos de tomar café conversando sobre o aniversário da Tia Ná. Queríamos fazer uma festa surpresa. Apesar de não estar no meu melhor momento, ela merecia muito, além do mais, talvez até me distraísse um pouco organizando tudo. Depois de decidirmos as coisas mais importantes (espaço, comida, bebida, convidados), deixei-as arrumando a cozinha e fui pra sala. A televisão estava em um canal de futebol, mas no mudo, por um simples motivo: a Duda estava sentadinha no sofá contando uma história pra eles. Oi? Precisei ficar olhando com bastante atenção pra ter certeza  que realmente estava vendo dois homens feitos atentos a uma história contada por uma menina de quatro anos. Uma cena excessivamente fofa. Não contive uma risadinha, terminei chamando atenção e posso dizer que eles ficaram ligeiramente envergonhados, o que só me fez sorrir mais -
Eduarda - Que foi, mãe?
Clara - Nada, só estou achando tudo muito lindo aqui - sorri pra eles - Inclusive, quero ouvir a historinha também, posso? - assentiu animadíssima. Dei um beijo de bom dia nos três antes de sentar pra ouvir uma história que eu mesma já tinha lido pra ela antes de dormir, mas quem se importa? Claro que ela ainda não lia, apenas se baseava nas imagens e deduzia o que os personagens estavam falando, o que era mil vezes mais divertido. 
 clarabarcelar_: Ninguém conta histórias como ela! 
Ela perguntou novamente que horas íamos ver o biso. Respondi a mesma coisa - "mais tarde" - e acho que consegui convencê-la porque quando terminou com as historinhas, foi guardando os brinquedos aos pouquinhos, depois disse que ia pro quarto fazer um desenho pra levar pra ele. Fiquei comovida com a sua iniciativa e disse pra ela que o biso ia adorar. Quando ficamos apenas nós três na sala, brinquei com o Gil dizendo que ele seria um bom pai mas ele riu, se esquivou e fugiu pra cozinha. 
Neymar - Está tudo bem? - perguntou ao sentar pertinho de mim mas antes que eu respondesse, me beijou com tanta ternura, que mesmo que não estivesse "bem", com certeza ficaria. Mesmo assim, assenti. Estava bem, na medida do possível. Ele colocou minhas pernas sobre seu colo e meus pés começaram a receber uma mensagem deliciosa. Fechei os olhos, aproveitando o mimo repentino e inesperado, depois sorri lembrando de quando ele fez isso em Paris. O momento foi outro mas o efeito estava sendo o mesmo: super relaxante - A Duda foi lá pra cama ontem à noite mesmo e eu não percebi? - sua voz me fez abrir os olhos -
Clara - Não, ela me acordou às 06h30 - franziu a testa, confuso - Queria que eu te acordasse também para irmos ver meu avô
Neymar - Sério?
Clara - Sério - dei um sorrisinho triste - Ela é só uma criança, não sabe de quase nada e isso também está lhe afetando. Não sei se gosto disso...
Neymar - É normal. Ela gosta muito dele e recebeu a notícia que ele está doente e no hospital ao mesmo tempo. Ainda deve estar assimilando as informações, mas vai ficar tudo bem - parou de massagear meus pezinhos e olhou diretamente pra mim - Vai ficar tudo bem, amor. Já te falei que vocês não estão sozinhas. E prometo que mesmo que me mande embora, vou continuar aqui - acho que era a milésima vez que ouvia isso, mas, como em todas as vezes, acreditei piamente em suas palavras porque a tensão que sentia dissipou-se rapidinho -
Clara - Isso está totalmente fora de cogitação, mas tudo bem, é sempre bom ouvir - sorriu torto -
Neymar - Sabe o que estava pensando? - olhei-o, lhe dando toda a minha atenção - Você, ou melhor, nós ainda não fizemos aquilo que o Dr. Marcelo sugeriu
Clara - O que?
Neymar - Movimentar as redes sociais, mobilizar as pessoas, fazer o que podemos pra ajudar - piscou -
Clara - É mesmo!! Juro que tinha esquecido, minha cabeça deve estar uma loucura mesmo
Neymar - Eu sei - riu um pouco - Está com o celular aí? - pegou o dele no braço do sofá -
Clara - Sim
Neymar - Então posta alguma coisa primeiro que eu posto logo em seguida
Clara - Será que vai dar certo? - odeio o meu pessimismo, odeio mesmo mas ele também não me deixa, o que eu posso fazer? -
Neymar - Só vamos saber se tentarmos - sorri. Dessa vez sorri mesmo, de verdade, com vontade. O tipo de sorriso que só ele consegue arrancar de mim porque sua confiança me alegra. Para meu delírio, ele retribuiu. Ah, o seu sorriso... como eu amo! Principalmente quando completa o meu, por isso trouxe o seu rosto pra mais perto de mim e beijei-o. Nossas bocas exploravam-se possessivamente, uma sensação suave e muito boa. Seu beijo era o meu vício e sabia que já não havia cura pra mim, mas mordi o seu lábio inferior e findei-o antes que tivéssemos platéia na sala e ele percebeu que o motivo foi esse quando olhei ao redor, porque riu e beijou a pontinha do meu nariz. Depois pegamos nossos celulares, procuramos por algumas imagens e fizemos a única coisa que ainda podíamos fazer pra tentar mudar a situação do meu avô. 
 clarabarcelar_: Transplante de medula óssea é a única esperança de cura para muitos portadores de doenças do sangue e do sistema imune. Nós podemos ajudar! Doem vida. Partilhem amor. Eu acredito que o sentido da vida seja fazer sentido a outras vidas! #DoeMedulaDoeVida
 neymarjr: Um pouco de você pode salvar muitas vidas! Seja solidário e torne-se um doador. Seja um amigo secreto de alguém por toda a vida, porque para quem precisa você pode ser o único!  #DoeMedulaDoeVida
    **** 
Duas horas depois já éramos o centro das atenções da mídia, meu twitter estava uma loucura, o do Júnior então... sem comentários, e eu não sabia se aquilo tudo era bom ou ruim, só sabia que era meio... assustador. Porém, o melhor de tudo era poder ver #DoeMedulaDoeVida em primeiro lugar como o assunto mais comentado desde que postamos as imagens. “Isso tem que resultar em algo bom! Tem que resultar em algo bom!” era o meu único pensamento enquanto lia uma matéria que a Rafa nos mostrou. 
Neymar e namorada alertam para doação de medula óssea
Neymar e Clara Barcelar levantaram uma bandeira importante hoje. Eles foram responsáveis para que a hashtag #DoeMedulaDoeVida aparecesse na liderança dos tópicos mais comentados do Twitter.
Nos respectivos perfis, o casal ressaltou a importância da doação de medula óssea.
“Transplante de medula óssea é a única esperança de cura para muitos portadores de doenças do sangue e do sistema imune. Nós podemos ajudar! Doem vida. Partilhem amor. Eu acredito que o sentido da vida seja fazer sentido a outras vidas! #DoeMedulaDoeVida”, comentou Clara.

Neymar publicou: “Um pouco de você pode salvar muitas vidas! Seja solidário e torne-se um doador. Seja um amigo secreto de alguém por toda a vida porque para quem precisa, você pode ser o único! #DoeMedulaDoeVida”.
O site do INCA informa todos os passos para ser doador. Acesse e saiba mais.
Por mais doido que fosse, terminei de ler com lágrimas nos olhos. Nunca quis estar em nenhum site, revista ou afins, mesmo que isso acontecesse com frequência desde que voltei a namorar o Júnior. Nunca gostei. Procurava nem ver nada a respeito. Mas o assunto em questão era outro, muito mais sério, e pela primeira vez não me incomodei de ter os holofotes voltados pra mim também. Precisava fazer isso. Precisava chamar atenção pra ajudar meu avô e aguentaria as consequências disso. Depois do almoço, que a Manu encomendou porque eu não estava com disposição nenhuma para cozinhar, fomos para o hospital (ela, o Gil e a Rafa também) e mesmo contra a vontade do meu avô, que alegava estar atrapalhando os nossos planos, foi com ele e a minha avó que passamos o resto do domingo (o tempo que o horário de visitas permitiu).
    ****
2 semanas e cinco dias depois...
 Tudo passa! É algo que o Júnior adora falar, não é à toa que tem isso gravado na sua pele, e eu meio que peguei essa frase pra mim também, transformei-a em um lema pra minha vida. Principalmente depois que todos aqueles que estavam interessados em ajudar de alguma forma e se disponibilizaram a fazer o teste de compatibilidade não tiveram um resultado positivo. Ninguém. E olha, não foi pouca gente, graças à Deus temos muitos amigos verdadeiros. Como e por que ninguém era compatível com meu avô? Era tão injusto com ele... eu não conseguia entender. Tanto que depois de ouvir o último "eu não sou compatível", que foi da madrinha, chorei tanto que achei que precisaria passar uma estádia no hospital também por causa de uma desidratação ou algo do tipo. É sério, me assustei quando tive forças para me olhar no espelho, nunca tinha me visto naquele estado tão... lastimável, me sentia fraca em todos os sentidos, desmotivada e pior ainda, desiludida com a vida... Mas sabia que não podia continuar daquele jeito e por isso mesmo forcei-me a levantar a cabeça e prometi que não ia desistir, não podia. Aquele não era o final, disso tinha certeza.
 Várias reportagens e campanhas começaram a ser feitas em diversas emissoras de TV um dia depois que eu e o Júnior começamos com a tag DoeMedulaDoeVida, mais por causa dele, claro. Tudo que ele posta nas suas redes sociais vira notícia, então... pelo menos agora era por uma boa causa. Novas propagandas mostravam atores incentivando a doação, outros diziam que já eram doadores ou que ainda iam doar. Uma propaganda em especial me emocionava toda vez que ia ao ar. Enfim, a comoção tinha sido grande. E não foi difícil descobrirem o motivo da nossa campanha... começaram a especular, depois questionaram o Júnior em uma coletiva, e como meio que já sabíamos que isso ia acontecer já tínhamos conversado, então ele confirmou tudo. A partir daí o nome do meu avô ficou estampado em vários sites e jornais... foi outro choque, não queria que isso acontecesse. Não queria que uma campanha sobre um assunto tão sério começasse por meio de nós, preferia que tudo estivesse bem. Mas... minha avó sempre fala: "Deus sabe o que faz, a gente não sabe o que diz!" Sabia que ela tinha razão, ela sempre tem.
 Ia visitá-lo todos os dias quando saia do CT, mas vê-lo naquela cama de hospital era horrível, por mais que aparentemente ele mostrasse estar ótimo. Por exemplo, se estivesse passeando na rua, ninguém diria que ele estava doente, e isso vinha da sua vontade de viver, do seu humor (ás vezes ácido, mas tudo bem). Mesmo assim me sentia impotente. Ele sempre fez de tudo para me ajudar quando eu mais precisei, e agora ele é quem precisava de mim e eu só podia... ficar sentada, olhando-o. Injusto, não?! Existia apenas um lado bom nisso tudo e tive que me esforçar para encontrá-lo: todos nós que fizemos o teste de compatibilidade já estávamos cadastrados e se algum dia precisassem de nós... pelo menos falando por mim, sei que ajudaria sem pensar duas vezes porque não desejava o que estava passando pra ninguém. 
 No dia 19, aniversário da Tia Nadine, ela teve uma festinha surpresa maravilhosa no salão do meu prédio porque organizamos tudo muito bem, e o fato do dia ter caído em um domingo facilitou bastante as coisas. Esse foi o único motivo que tive para comemorar nas últimas semanas porque para piorar (como se já não estivesse afundada na merda o bastante), não estava sendo uma boa namorada ultimamente, assumo isso com uma dor no coração e nem é só por causa dos vários pedidos que ele fez pra gente sair e se distrair um pouquinho, mas recusei todos. Não por que não queria a sua presença (de longe, era a única coisa que me mantinha de pé) e sim por saber que eu não seria uma boa companhia. Mesmo que ele fosse um dos únicos motivos dos meus poucos sorrisos eu... só queria poupá-lo, por mais idiota que isso fosse. Queria poupá-lo de mim mesma.
 Isso sem falar em todas as vezes que estávamos juntos e eu parecia estar longe, em outra dimensão. Até um almoço nosso eu esqueci, quase chorei de raiva por causa disso. E ele não falou nada, nunca reclamou ou fez cara feia mas não precisava, eu sabia... sentia. Sabia que ele não estava bem com isso, e eu também não. Mas parece que quando não estou focada no trabalho estou pensando se alguma boa alma compatível com meu avô está... sei lá, talvez... pensando em ser um doador. Não queria que fosse assim, não queria atingi-lo de forma nenhuma, muito menos deixar o nosso relacionamento em último plano, mas... não estava sabendo mais lidar com nada. Andava tão atordoada que cheguei até a ter um pesadelo terrível, o pior da minha existência, porque nele o Júnior me deixava. Dizia que tinha achado uma namorada melhor, que eu não o merecia e... saia, do apê e da minha vida. Não pensei que meu humor pudesse piorar, mas nesse dia acordei insuportável. Não costumo lembrar dos meus sonhos nunca, e aquele pesadelo ficou me perturbando por uns dois ou três dias... nem contei pra ninguém para não reavivá-lo ainda mais. Ok, eu realmente não o merecia... mas precisava dele mais do que tudo e não, não estava sendo a namorada que ele merece também mas o meu egoísmo se tratando dele era mais do que grande, queria-o comigo e ponto. Além do mais, tudo é só uma fase ruim, e como toda fase, teria que passar também. Tudo passa!
                 31 de janeiro, sexta-feira.
Ontem o Júnior estava tão quieto que cheguei a pensar até que estava doente, sério, mas foi alarme falso, era tudo culpa de um time de fora interessado no seu passe. Isso me preocupa um pouco, não vou mentir, mas não muito. Quero o bem dele acima de tudo e nunca pediria que ficasse por minha causa. Hoje ele tem que ir pra SP dar uma entrevista para uma revista - ironicamente - internacional mas combinamos de nos ver à noite e já acordei pensando em me desligar do mundo quando estivermos juntos. Vai ser apenas eu e ele, preciso fazer isso por nós. Merecemos um pouco de paz. Desliguei o despertador, e levantei. Arrumei a cama, separei a minha roupa, entrei no banheiro, e tomei um banho relaxante. Me enxuguei, escovei os dentes, passei hidratante no corpo, voltei pro quarto e me vesti. Calcei o salto, penteei o cabelo em um coque alto, arrumei minha bolsa, me perfumei, peguei o celular e fui pra cozinha. As aulas da Dudoca já começaram, e ela está na casa dos meus pais desde quarta-feira à noite. Minha mãe pediu um pequeno afastamento do emprego alegando problemas pessoais, e eu sabia que não seria muito bom ela ficar em casa sozinha durante o tempo que não tivesse no hospital, então lhe presenteei com a companhia da sua neta. Pelo menos ela só ficou sozinha durante os últimos dias pela manhã, enquanto a Dudoca estava na escola. Mas no sábado ou no domingo minha pequena deve voltar pra casa. Até os cômodos do apê deve sentir falta da sua bagunça.
Clara - Bom dia
Manu - Bom dia. Adorei a calça - sorri levemente -
Clara - Obrigada. Quem me deu tem muito bom gosto
Manu - Eu sei
Clara - Convencida - ela riu e mostrou a língua -
Manu - Posso te esperar pra gente malhar hoje? - estava prestes a revirar os olhos quando ela continuou - Por favor, por favor
Clara - Está aprendendo isso com a Eduarda? - riu -
Manu - Por favor
Clara - Ok, chata
Manu - Gosto assim - sorriu - Até mais tarde - beijou minha bochecha e saiu. Tomei um copo de iogurte, peguei uma barra de cereal, falei com o Luck e desci comendo-a. Entrei no meu carro, dei partida e dirigi calmamente até o CT. Quando cheguei, estacionei, subi, entrei na minha sala e tomei um belo susto ao ver três Neymar's. Minha primeira reação foi gargalhar como a muito tempo não fazia. Giovanna, Caio e Pedro estavam em suas mesas, ok, até aí nada fora do normal. Mas todos eles estavam com uma máscara do Neymar e eu não conseguia parar de rir -
Clara - Gente, o que está acontecendo?
Giovanna - Você. Está. Rindo. - levantou e me sufocou com um abraço de urso, continuava sem entender nada -
Clara - É... acho que estou. Algum problema?
Caio - Sim. Sabe a quanto tempo não víamos isso acontecer?
Clara - Não
Caio - Ok, nós também não estávamos contando - riu - Mas fazia dias que você não ria assim
Clara - Eu sei... Mas porque as máscaras?
Giovanna - Ideia minha - sorriu -
Pedro - Tínhamos quase certeza que você ia achar graça disso
Caio - 1 a 0 pra nós - levantou a sua e piscou -
Clara - Não acredito! Vocês são... - fiquei sem palavras e meu riso deu lugar as lágrimas, só que de emoção -
Pedro - Sim, nós sabemos que somos os melhores colegas de trabalho que você já teve - rimos. Ele tirou a sua máscara também, a Gio fez o mesmo e eles se aproximaram de mim para me abraçar. Tive vontade de chorar mais, mas me controlei. Claro que eles sabiam o que estava acontecendo na vida pessoal, inclusive quiseram ajudar também mas infelizmente não deu certo. Tinha muita sorte por ter pessoas tão maravilhosas ao meu lado até no meu local de trabalho, e incluo até a Luciana, que apesar de ter ido embora sempre mantém contato com a gente. 
 gioalencar: The zoeira never ends  @clarabarcelar_ love u  
Depois do nosso momento afetuoso, iniciamos o expediente. Por volta das 09h, começou a coletiva para apresentação do último patrocinador que fechou um acordo com a gente (depois de muito esforço, sério, foi bem cansativo). A sala estava lotada, não só de jornalistas mas de jogadores do Santos também, antigos e atuais. Como também tínhamos que estar presente, nossos lugares já estavam marcados, e agradeci mentalmente por ser bem longe das câmeras, tudo que menos queria era aparecer mais do que o necessário. Tudo parecia mais uma confraternização do que uma coletiva, e demorou bastante para terminar, mas valeu a pena. Gostei de estar presente, até porque tive a oportunidade de conhecer pessoalmente ídolos do Peixe. 
 clarabarcelar_: E nosso dia começou assim. A UNICEF com o Santos FC abraçaram uma causa inovadora no futebol brasileiro. O órgão que tem como objetivo promover a defesa dos direitos das crianças, resolver as suas necessidades e ajudar no seu desenvolvimento estará estampado na camisa alvinegra durante os próximos jogos. E mais: tirando uma foto sua com a camisa do Peixe e uma plaquinha com a tag #santosfcunicef, você irá aparecer no site oficial do Santos FC. Entre nessa corrente. Assista o vídeo oficial em youtu.be/WdRGbiuUn_Q Santos, Unicef e você. Vem com a gente!  
Na hora do almoço, liguei para o celular da minha mãe para falar com a Dudoca, mas ela estava pendurada no telefone fixo a quase meia hora conversando com o Júnior; é sempre assim. Eu ri, e de repente me deu uma saudade danada dele, queria que as horas passassem o mais depressa possível para podermos estarmos juntos logo. Fiquei conversando com minha mãe até minha pequena se despedir dele e falar um pouco comigo. Só depois voltei ao trabalho e fiquei totalmente focada nele até a hora de ir embora chegar. Fui a última a deixar a sala, como quase sempre. Passei na sala da Jú apenas pra dar um tchau pra ela, desci e fui para o estacionamento. Entrei no carro, e peguei o celular. Nada do Júnior. Pensei em ligar ou mandar uma mensagem, mas ele devia estar ocupado ainda, não me disse o horário da entrevista, então segui a minha suposição, joguei o celular na bolsa de novo e dei partida. Passei no hospital pra dar um beijo nos meus avós e saber se havia alguma novidade mas ouvi a mesma coisa de sempre, nada ainda. Tinha que fingir que aquilo não me abalava toda vez que ouvia, mas a verdade é que a frustração só aumentava e eu tentava esconder isso de todos da melhor forma que conseguia. Quando cheguei no apê, a Manu já estava pronta, apenas me esperando. A vontade não era muita, mas corri pro banheiro, tomei uma ducha, me vesti e fiz um rabo de cavalo no cabelo. Peguei o ipod, passei na cozinha pra beber água e descemos para academia. Seguimos todas as instruções do personal e não sei ela, mas eu saí de lá cansadíssima, tanto que quando voltamos para o apê, fui direto para o chuveiro e fiquei debaixo dele por um bom tempo, aproveitando a água morninha. Saí, me enxuguei, passei meu hidratante, vesti um shortinho e uma blusa que mandei fazer pra lembrar ainda mais de Paris e dos momentos vividos lá. Coloquei o celular pra carregar, e fui pra cozinha preparar algo pra comer. Tomei um copo de iogurte desnatado e comi uma banana picada com aveia e mel. Não era exatamente o que eu queria, mas era um dos lanches mais recomendados depois de malhar... só não sabia até quando ia seguir essas regrinhas. A Manu também apareceu na cozinha para comer, depois fomos pra sala assistir As vantagens de ser invisível com o Luck entre a gente. Quando o filme acabou, fui no quarto pegar o celular mas ainda não havia nada. Será que ele esqueceu? Não... impossível. Você pode esquecer de almoçar com ele e ele não pode esquecer de vim te ver? Me censurei e logo em seguida fiquei com raiva de mim mesma por ter pensado nisso. Mas meu relógio de parede já marcava quase 19h, algo estava errado. Liguei duas vezes... depois mais duas, e nas quatro tentativas só ouvi aquela vozinha irritante dizer "Deixe seu recado". Tentei mais uma vez e deu a mesma coisa. A preocupação começou a se instalar em mim, e nem consegui jantar direito, apesar da omelete da Manu ter ficado uma delícia (a primeira que ela arriscou fazer na vida). Meu coração só voltou ao compasso normal quando meu celular tocou e vi a foto dele surgir na tela.
 - início -
Clara - Oi, finalmente. Estava ficando preocupada
Neymar - Desculpa - sua voz soou distante, estranha -
Clara - O que houve?
Neymar - Me desculpa, meu amor. Me desculpa... - me assustei com o seu jeito de falar, claro que comecei a imaginar coisas ruins -
Clara - O que aconteceu?
Neymar - Nada! - limpou a garganta - Só estou cansado pra caramba. A reunião antes da entrevista atrasou, ainda estou em SP - respirei de alívio. Então era isso -
Clara - Ah, jura?
Neymar - Sim, a gente pode se ver amanhã? Tenho uma coisa meio séria pra falar com você
Clara - Isso quer dizer que quando chegar em Santos vai direto pra casa? Digo, a sua casa?
Neymar - Sim, se importa? Acho que só vou querer um banho e cama
Clara - Ah... não, tudo bem. A gente se ver amanhã. Me avisa quando já estiver em casa
Neymar - Ok... - quando achei que já íamos nos despedir, ele perguntou - Foi ver seu avô hoje?
Clara - Sim, ele perguntou por você
Neymar - E então?
Clara - Nenhuma novidade ainda, infelizmente
Neymar - Isso vai mudar logo, tenho certeza
Clara - Assim espero e acredito
Neymar - Então... até amanhã?
Clara - Até amanhã. Eu te amo - falei pro nada, porque a ligação foi finalizada no meio da frase. 
 - término -
Uma tristeza súbita me invadiu, algumas lágrimas chegaram a rolar mesmo. Não ia vê-lo e ele tinha uma coisa meio séria pra falar comigo. Fala sério! Pensei em todas as hipóteses possíveis para ele estar tão... estranho e querer falar de algo sério. Rapidamente lembrei do time europeu, meu coração apertou um pouquinho. Mentira, não foi apenas um pouquinho. Coloquei o macbook em cima da cama, liguei-o e procurei por algo suspeito mas só vi as mesmas coisas de sempre: especulações e mais especulações, umas mais sem fundamentos que outras. Nada confirmado. Mas será que...? Não. Como que algo assim ia acontecer e eu não ia saber de nada trabalhando no CT? Fiquei confusa e minha cabeça começou a doer. Tomei um comprimido, e fui desejar boa noite pra Manu. Não tinha mais ânimo pra assistir filmes como tínhamos combinado, mas ela também já estava cochilando no sofá, mesmo que tenha negado. Voltei pro quarto, o Luck me acompanhou e subiu logo na minha cama, disposto a não sair mais. Isso me fez sorrir um pouco por dentro.
 clarabarcelar_: My little boy  
Troquei de roupa, deixei a porta meio aberta pra ele sair no meio da noite caso quisesse, e deitei. Falei com a Duda de novo, ela me desejou boa noite e isso também me fez sorrir, logo em seguida o celular apitou com uma mensagem. Era dele. Dizia apenas "cheguei". Nada mais que isso. Doeu, e eu nem sabia porque. Por alguns segundos pensei em ir correndo pra sua casa pra perguntar o que estava acontecendo, mas me contive. Apenas abracei o travesseiro com o seu cheiro e esperei que o sono chegasse logo pra me ajudar a enfrentar o dia seguinte. 





Oláa!! 
Demorei? É... talvez, um pouco. Esse capítulo estava totalmente pronto no meu caderninho, só que, primeiro adoeci, depois fiquei dias sem internet, e por fim, agora estou naquela semaninha complicada que preciso estudar para provas e mais provas. Daí só tive tempo de passar tudo pro computador hoje, porque sim, 99% dos capítulos são escritos à mão primeiro, só depois passo pra cá. É loucura, eu sei. Dá mais trabalho, eu sei. Já me disseram tudo isso, mas quase não sei fazer de outro jeito. Acho que é porque foi assim que comecei, vai saber né?  
Esse capítulo parece ter ficado menorzinho, mas foi de propósito. Mesmo assim espero que vocês tenham gostado e tenham ficado tão intrigadas quanto eu ficaria diante dele.
Dicas, sugestões, opiniões? Tudo que vocês dizem é importante pra mim. 
Beijocas.