Descarreguei toda minha frustração emocional e amorosa na academia (consegui até emagrecer sem querer) e no trabalho. A ideia que eu e a Gio tivemos sobre o blog foi pra frente, criamos o “Bem, amigas” e a cada dia o número de visualizações e comentários só crescia no site.
Também fiz o que, pra Manu, foi uma loucura impensada e eu iria me arrepender depois mas pouco estava me importando porque sabia que isso não iria acontecer. Na parte superior interna do braço esquerdo, tatuei um trecho de uma das minhas músicas prediletas da Jessie “Tears don't mean you're losing”, que tinha um significado importante pra mim, principalmente no estado atual em que me encontrava “Lágrimas não significam que você está perdendo”. E no tornozelo, expressei minha outra paixão com o desenho de uma câmera fotográfica bem pequena e discreta, com “Carpe Diem” escrito nas bordas da lente. Pensei muito bem antes de fazer as duas, por isso sabia que não me arrependeria. Pelo contrário até, estava completamente apaixonada por ambas.
Nesse meio tempo, também recebi um cartão-postal da Marie, a namorada do Lucas que conheci em Paris, e lógico que não havia esquecido-a, só que como tínhamos mantido pouco contato até então, não achei que ela lembrasse de mim. Fiquei muito surpresa e muito feliz, ainda mais por ter reconhecido o seu esforço para escrever a dedicatória em português. Retribuí o carinho e com a grande ajuda da Fatinha, mandei um pra ela também escrito em francês.
Tirando isso, nada bom o suficiente para ser contado ou lembrado, aconteceu comigo até o mês de março finalmente chegar ao fim, (ao meu ver, demorou mais do que o normal). Quero dizer... isso por que não considero o fato de passar a usar óculos de grau algo... bom. Foi necessário. Graças aos resultados dos últimos exames de rotina que fiz no oftalmo depois de algumas dores de cabeça em sequência. E antes mesmo de saber o motivo pelo médico, minha avó já sabia. No fundo, eu também, afinal ela sempre usou óculos pra ler, meus pais também... a probabilidade dessa herança passar pra mim era grande. Porém, eu tinha apenas um pequena hipermetropia que podia ser corrigida com o óculos de descanso; principalmente para leituras, computadores ou TV. Resumindo, ao utilizá-lo eu criaria o hábito de enxergar sem dores e sem desconforto, quanto mais usasse, melhor e mais rápido podia me livrar dele. Isso não quer dizer que sem o óculos não enxergava mais nada, mas andava me dando bem com ele, estávamos conseguindo conviver em harmonia. Foi uma surpresa e tanto, entretanto, como tudo na minha vida, tive que aprender a lidar. Além do mais, era para o meu bem.
Abril mal começou e eu iniciei a minha contagem regressiva interna também, pra manter a esperança lá em cima até a chegada do tão esperado dia 10. E ele chegou! Quando acordei na quinta-feira que mais esperei chegar em toda minha vida (por sorte, dia de folga pra mim, se tivesse que ir trabalhar ficaria com a cabeça no hospital o dia todinho), antes de qualquer outra coisa, fiz uma pequena oração. Primeiro agradecendo a Deus pela oportunidade que estava dando à vida do meu avô, e depois pedindo para que continuasse dando tudo certo. Estava me sentindo quase feliz. Faltavam duas coisas pra me sentir totalmente completa: a primeira era ouvir do médico que tudo já estava bem com meu avô depois do transplante, e a segunda coisa... Bem, a segunda já me fazia falta a um bom tempo, então nem adiantaria falar sobre.
A Duda dormiu na minha cama, não a levaria para a escola porque ela pediu pra ir comigo pro hospital e apesar de saber que aquilo não é ambiente pra ela, não consegui dizer não. Podia até ser um pouco egoísta, mas a verdade é que queria a minha filha ao meu lado sim e dane-se a lógica, o que é certo ou o que falariam. Acordei-a também, e depois de me dá um beijo gostoso de bom dia, ela pulou da cama pra ir escolhendo sua roupa. Sorri sozinha, lembrando de quando eu ainda precisava fazer isso por ela. Levantei também, arrumei a cama e não fiz questão de demorar muito olhando pro guarda-roupa, isso era o menos importante. Peguei uma legging preta, uma regata simples e completaria o look com uma sapatilha. Deixei tudo separado e fui ver a Duda, em cima da sua cama já tinha um vestido sem manga estampado, um conjunto blusa e saia nas cores azul e preto e outro de calça e blusa com estampa do snoopy. Ia rir, mas sei lá como, lembrei do Réveillon: quando o pai dela também estava indeciso com a roupa que ia usar. Por quê eles tinham que ser tão parecidos em tudo?
Eduarda - Não sei o que vestir, mãe - fez biquinho -
Clara - Posso ajudar? - ri, e ela assentiu rapidamente - Hum, acho que prefiro a calça com a blusa do snoopy porque o ar condicionado do hospital é muito forte, filha - ela olhou para as roupas, depois pra mim de novo e por fim, concordou. Guardou direitinho as outras e entrou no banheiro. Tomou banho, escovou os dentes e eu enxuguei-a, vesti-a e penteei seu cabelo. Ela calçou uma sapatilha também, se perfumou e fomos pra cozinha. O Luck ainda dormia. Enquanto preparava algo pra ela comer, vi um bilhetinho da Manu colado na geladeira.
"Sei que já sabe que não posso faltar no trabalho, mas minhas vibrações positivas vão estar no hospital e vou pra lá assim que der.
Beijo, te amo"
Sorri. Que fofa é a minha amiga! Deixei a Duda tomando seu leite com wafer e fui pro meu quarto. Tomei um banho mega rápido, escovei os dentes, me enxuguei, passei hidratante no corpo e me vesti. Prendi o cabelo em um rabo de cavalo meio doido, me perfumei e tirei o celular do carregador.
clarabarcelar_: “E que seja o que for pra ser, ou melhor, que seja o que for da vontade de Deus.” ️
Voltei pra cozinha pra esperar a Duda terminar de comer, respondi algumas mensagens daqueles que desejavam boa sorte ao meu coroa lindo, depois saímos. Descemos, destravei as portas do meu carro, prendi minha pequena na sua cadeira, entrei também e dei partida. A medida que ia chegando perto do hospital, minha calma ia se dissipando, tanto que quando estacionei já estava uma pilha de nervos. Mas não ia deixar isso transparecer, nem podia. Eu e a Duda entramos, peguei o crachá de identificação e subimos para o andar indicado. Meus pais já estavam presentes, e a minha avó... Bom, a Dona Glória estava no hospital desde o início da semana, quando meu avô foi internado para começar a se preparar para o transplante. Claro que a Duda, mesmo sem saber, ajudou bastante a diminuir o nervosismo deles, conversando sem parar; ao contrário do meu, que só aumentava. O relógio de parede da sala da recepção parecia estar parado, sério, estava começando a achar que ele só ia marcar 09h no próximo século. Levantei, comecei a andar de um lado pro outro, quase abrindo um buraco no chão, até ouvir o que menos esperava naquele momento.
Eduarda - Pai! - demorei uns cinco segundos para olhar pra trás. A Duda já estava nos braços do Júnior, e ao lado dele, a Rafa e a Tia Ná sorriam pra mim. Fiquei pasma, por isso nem reagi direito quando as duas me abraçaram mas estava feliz por elas estarem ali. O meu problema era outro e estava na minha frente, olhando diretamente pra mim. Me aproximei um pouco mais dele, só o suficiente para as outras pessoas que também estavam na recepção (e que por sinal, prestavam atenção em nós) não ouvissem -
Clara - Posso falar com você?
Neymar - Agora? - franziu a testa -
Clara - Se possível, claro - ele olhou pra Duda, deu um beijo no rosto dela e a colocou no chão. Ela foi pra perto da Rafa e eu caminhei para perto dos elevadores, tinha menos gente por ali, ele me seguiu -
Neymar - O que aconteceu?
Clara - Eu que pergunto. Está fazendo o quê aqui?
Neymar - Quê?
Clara - Quero saber porque está aqui
Neymar - Precisa mesmo que eu lhe dê um motivo?
Clara - Lógico! Você abandonou o meu avô e hoje se acha no direito de estar aqui?
Neymar - Abandonei? - perguntou muito surpreso -
Clara - Sim! Abandonou
Neymar - Do que você está falando? - revirei os olhos, sem um pingo de paciência -
Clara - Quantas vezes você foi vê-lo depois que terminou comigo?
Neymar - Não muitas, mas sempre que pude - quase caí pra trás -
Clara - Como é que é?
Neymar - Visitei o vô Marcos sim, sempre em horários diferentes do seu, mas visitei - ele chamou o meu avô de vô? -
Clara - Você está me dizendo que visitava o meu avô? Na casa dos meus pais?
Neymar - Sim
Clara - Não brinca com coisa séria
Neymar - Não estou brincando. Sempre ligava antes pra saber se você estava lá, por isso não nos encontramos nunca
Clara - E por que eu não sabia disso?
Neymar - Porque eu não queria que soubesse
Clara - Por que não?
Neymar - Sei lá. Qual seria sua reação se me visse lá?
Clara - Eles mentiram pra mim? - preferi mudar o rumo da conversa, realmente não sabia qual seria minha reação -
Neymar - Não. Clara, por favor, isso não! - respondeu imediatamente - Ninguém mentiu pra você. Eu nunca pedi para que eles não te dissessem que eu aparecia por lá, inclusive achei que já soubesse. Mas como eu sempre ligava antes pra saber se você estava lá, devem ter achado que era melhor deixar tudo como estava e....
Clara - Tá, tudo bem - interrompi-o, achando que aquilo já estava indo longe de mais - Desculpa. Você não tem que me dá satisfação nenhuma, eu é que estou uma pilha de nervos hoje. O hospital não é meu...
Neymar - Você quer que eu vá embora?
Clara - Não precisa ir por minha causa
Neymar - Não foi isso que eu perguntei
Clara - Faz o que você quiser - dei as costas e voltei pra recepção. Sentei ao lado da Tia Ná e ela ficou segurando a minha mão até o Dr. Marcelo aparecer para avisar que apenas uma pessoa ia poder acompanhar tudo, claro que nem ouve discussão e depois de abraçar todos nós, minha avó foi junto com ele. E aí o nervosismo deu lugar a ansiedade. Durante as duas longas horas seguintes quase ninguém falou nada, até a Duda percebeu que o clima não era bom pra muito papo e ficou quietinha, revesando entre o meu colo e o do pai. Tinha vontade de perguntar como é que estava ocorrendo tudo a toda enfermeira que passava por nós, mas conseguia me manter sentada no último segundo. Não podia parecer uma maluca, certo? Eu sei, só que esperar nunca me pareceu tão angustiante. E creio que não era só eu que estava desse jeito, porque quando o Dr. Marcelo voltou, sozinho, com um semblante cansado e indecifrável, todos nós levantamos no mesmo instante. Acho que ele ficou esperando quem ia falar primeiro, perdi a fala de repente e minha mãe resolveu acabar logo com a nossa aflição -
Débora - Deu tudo certo, Dr? - mais direta impossível. Ele nos olhou com expectativa, e sorriu -
Dr. Marcelo - O paciente não poderia estar melhor - soltei todo o ar que estava preso nos pulmões e as lágrimas começaram a rolar sem piedade, uma coisa de louco, parecia até que alguém tinha aberto uma torneira - A medula é sempre transportada em uma bolsa que contém, além da própria medula, um líquido conservante que poderá causar alguns sintomas como náuseas, tosse seca, vômitos, muita sensação de calor, formigamento, entre outros. Também pode haver alteração da pressão arterial e dos batimentos cardíacos, por isso será necessário que ele permaneça aqui conosco para ser observado de perto. Mas nada anormal, ele está ótimo
Neymar - Mas está tudo bem mesmo? A aplasia já é uma página virada? - a sensação que tive ao ouvir a sua pergunta foi semelhante a um pequeno choque, fiquei muito surpresa. Ele realmente se preocupava com meu avô? -
Dr. Marcelo - Sim e... sim - respondeu cauteloso, tentei sorrir mas a minha torneira ainda estava aberta - Claro que precisamos ir devagar, mas o transplante foi uma maravilha, não há porque temer
Tia Ná - Graças a Deus - abraçou a minha mãe de lado, e elas sorriram emocionadas -
Rafa - E a vó Glória?
Dr. Marcelo - Provavelmente foi trocar de roupa, já deve estar vindo pra cá. O paciente vai ser levado para um quarto apropriado mas visitas hoje não
Murilo - E o transplante, como foi?
Dr. Marcelo - Foi um procedimento relativamente rápido, ele recebeu a medula sadia como se fosse uma transfusão de sangue através do cateter. Agora as células progenitoras transfundidas estão sendo levadas pela corrente sanguínea para se dirigirem até a medula, onde vão se instalar e começar lentamente o processo de recuperação. Em pouco tempo ele estará apto a retomar suas atividades diárias - ouvi um suspiro de alívio quase coletivo -
Débora - E a partir de agora? O que a gente faz? Quais são os cuidados?
Dr. Marcelo - Agora vem a parte mais chata, uma fase um pouco complicada...
Débora - Por quê? - ficou alarmada imediatamente -
Dr. Marcelo - Porque é o período em que as células transplantadas ainda não são capazes de produzir glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas em quantidade suficiente, então o paciente estará sujeito a sangramentos, infecções... Mas acalmem-se, complicações após o transplante são frequentes e esperadas, basta apenas ter um acompanhamento adequado para que possamos detectar essas alterações precocemente e tratá-las rapidamente
Débora - O que fazer pra isso não acontecer?
Dr. Marcelo - É essencial reforçar os cuidados com a higiene, limitar contato direto com as pessoas, incluindo beijos, abraços, muita proximidade ao falar, e mais alguns outros cuidados, mas vou entregá-los por escrito a vocês. Não se preocupem
Tia Ná - Quando vamos poder vê-lo?
Dr. Marcelo - Em breve - sorriu levemente - Agora se vocês me dão licença - se afastou, e aí a minha ficha foi caindo aos poucos, conforme o burburinho da recepção passou a chamar mais atenção, e mesmo assim não conseguia parar de chorar. Esperei tanto tempo pra ouvir tudo que o Dr. Marcelo tinha falo que estava com medo de acordar de um sonho maravilhoso. Meus pais me abraçaram ao mesmo tempo, falaram algumas coisas, também ao mesmo tempo, e pra falar bem a verdade, não entendi nadinha mas sabia que era culpa da felicidade extrema. A Tia Ná estava perto do filho e a Rafa parecia estar contando tudo de uma maneira mais fácil pra Duda, porque ela estava quase dando pulinhos de alegria. Consegui finalmente sorri, mas da minha boca não saiu nada. Sentei pra tentar me acalmar, e vi quem sentou ao meu lado depois de alguns minutos, só que preferi fingir que não, estava decidida a ignorá-lo, e teria conseguido isso se ele não tivesse que abrir a boca -
Neymar - E o sol volta a brilhar... - sussurrou e parei até de raciocinar. Minha respiração falhou, meu coração deu um pulo altíssimo e não era só por causa da frase, aliás, ela nem era uma simples frase. Não demorei nada pra entender o que ela significava. Afinal, estávamos ali, exatamente no mesmo lugar onde eu disse algo que nunca ia esquecer "Estamos no meio de uma tempestade horrível, mas o sol vai voltar a brilhar" quando descobrimos que nenhum de nós era compatível com meu avô. Por quê ele tinha que ter dito aquilo? As lembranças daquele dia voltaram com força total, e claro que ficou mais difícil fechar a torneira. O mesmo lugar, dias tão diferentes... Não estava mais chorando de tristeza, lógico que não, era um choro de alívio, e eu segurei por tanto tempo que talvez por isso não tivesse conseguindo parar... Estava tão concentrada em colocar tudo pra fora, que quando percebi já estava dentro de um abraço apertado (apertadíssimo). Quando me dei conta disso fiquei inerte, não consegui me mexer mais e o choro até cessou. De repente, entendi que era isso o que eu mais queria, era esse abraço que o meu corpo mais desejava, era o bater do coração dele pertinho de mim que o meu queria. Aquilo não me parecia certo, mas não fui eu que tomei a iniciativa, a minha consciência estava tranquila, tinha plena noção do que estava fazendo e ela não iria pesar mais tarde. Só que... estava me sentindo tão em paz dentro daquele abraço que as lágrimas voltaram, mas dessa vez eram de saudades... só isso, ou tudo isso. O que eu podia/devia fazer, a não ser abraçá-lo de volta e aproveitar para criar mil e uma ilusões? -
Clara - Obrigada por ter ficado - falei antes de ter coragem para soltá-lo, não queria, mas tinha a impressão de que estávamos sendo observados por um estádio lotado. Comprovei isso ao olhar ao redor, mas sei lá por que, nem liguei. Olhei pra ele novamente e vi que os seus olhos também estavam marejados. Era possível reviver tudo de novo? Estava me segurando para não falar o que realmente queria, quando ele me surpreendeu mais uma vez, tirando o meu óculos delicadamente pra poder enxugar as minhas lágrimas. Ok, aquilo também não estava certo e eu queria pedir que parasse, mas ele sempre era mais rápido que eu -
Neymar - Falei que ia terminar tudo bem - sorriu, e eu estava me sentindo tão... idiota, não conseguia desviar o olhar de jeito nenhum - Não chora, não - tentou passar a mão no meu rosto, mas a razão pediu pra eu me afastar ou... Enfim, era melhor pra todos. Me afastei, só o suficiente para que não houvesse mais nenhum tipo de contato entre nós. Fiquei constrangida com a situação que eu também ajudei a criar retribuindo o abraço, e baixei o olhar. Ele levantou, ainda com o meu óculos nas mãos, e saiu do meu campo de visão, fiquei sem entender nada mas não ousei olhar pra ninguém também, permaneci quieta até ele voltar. Me devolveu o óculos, que antes estava um pouco embaçado por causa das lágrimas, impecavelmente limpo. Tentei reprimir um sorriso quando olhei-o novamente -
Clara - Não precisava
Neymar - Não há de que - sorriu de novo. Não sabia o que ele estava querendo mas precisava manter o foco -
Eduarda - Mãe! - surgiu na minha frente, mas não ficou entre nós dois, já que ele estava de pé. Me concentrei apenas nela, meu pequeno foco - É sério que o biso já tá bom? Ele não vai mais precisar ficar aqui, né? A gente pode ir ver ele? - parou um pouco só pra me olhar com mais atenção - Por que tava chorando tanto? Seus olhinhos estão vermelhos
Clara - Filha, calma. Uma pergunta de cada vez - sorri e coloquei o óculos de volta - Sim, o biso já está melhor mas ainda vai precisar ficar aqui por uns dias, eu acho
Eduarda - Por quê? Ele não tá bem?
Clara - Está. Mas é preciso, para o bem dele, amor. E nem vão ser tantos dias assim - sorri - Infelizmente a gente ainda não pode vê-lo, ele está um pouco cansado, entende? - assentiu - E por fim, estava chorando de alegria - ela sorriu - Ufa, acho que consegui responder todas as perguntas - ouvi o pessoal rindo -
Eduarda - Ahh - balançou a cabeça - Igual a todo mundo, né? - olhou para meus pais, a Tia Ná e a Rafa - Menos o papai - riu e ele piscou pra ela -
Clara - É... igual a todo mundo. Nada de chorar de tristeza agora - ela sorriu, igualzinho uma pessoa fez a alguns minutos atrás, e abriu os braços para me abraçar, praticamente se jogou em cima de mim. Ainda bem que tinha conseguido fechar a torneirinha, senão alagaria a recepção. Estava um poço de vulnerabilidade -
Rafa - Todo mundo ficou olhando pra vocês - falou no meu ouvido quando sentou ao meu lado -
Clara - Suspeitei - olhei-a e ela sorriu - Isso não devia ter acontecido, muito menos aqui
Rafa - Por quê?
Clara - Teu irmão é um doido, não sabe o que quer da vida
Rafa - Eu sei o que ele quer
Clara - Não começa, heim?! Hoje nada estraga meu dia
Rafa - Principalmente depois do abraço mais demorado que já vi na vida né? - cerrei os olhos, desejando ter o poder de fuzilar com eles - Tá, já calei - levantou os braços, segurando o riso, preferi desviar o olhar. Ainda bem que ninguém estava prestando atenção nessa conversa louca -
Clara - Por que será que minha avó está demorando tanto?
Glória - Já estou aqui - apareceu com um sorriso enorme, mas os olhinhos inchados de chorar também. Levantei, coloquei a Duda sentada no meu lugar e fui abraçá-la. Por incrível que pareça, nem chorei - Acabou, meu amor. Acabou o sofrimento - me apertou o quanto pôde, rindo e chorando ao mesmo tempo, e só consegui retribuir da mesma forma, muito feliz. Feliz demais! Depois ela nos contou, de uma forma mais simples que a do Dr. Marcelo, como que foi todo o processo e contou também que só poderíamos vê-lo de pertinho no dia seguinte. Queria muito poder abraçá-lo, mas contanto que ele estivesse bem pra eu poder fazer isso depois, dava pra aguentar mais algumas horas. Mesmo sabendo disso, ninguém deu sinais de que queria ir embora, ninguém. Estávamos todos com as emoções tão confusas... deve até ter sido por esse motivo que aconteceu o que não devia ter acontecido a instantes atrás. Claro que foi por isso. E claro que eu não ia dar importância a algo tão... prescindível. Não quando o sol resolveu voltar a brilhar.
clarabarcelar_: “Quando a dor ataca, frequentemente fazemos perguntas erradas, como: Por que eu? As perguntas corretas são: O que posso aprender com isso? O que posso fazer a respeito disso? O que posso realizar apesar disso? E eu aprendi. Aprendi que falar pode aliviar minhas dores emocionais. Aprendi que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la. Aprendi que eu posso fazer, em instantes, coisas das quais me arrependerei pelo resto da vida. Aprendi que o que importa não é o que eu tenho na vida, mas quem eu tenho na vida. Aprendi que devo deixar sempre as pessoas que amo com palavras amorosas, pois pode ser a última vez que as vejo. Aprendi que eu posso ir mais longe depois de pensar que não posso mais. Aprendi que ou eu controlo meus atos ou eles me controlarão. Aprendi que há mais dos meus pais em mim do que eu supunha. Aprendi que a maturidade tem mais a ver com os tipos de experiências que eu tive, e o que aprendi com elas, do que com quantos aniversários já celebrei. Aprendi que não importa em quantos pedaços meu coração foi partido, o mundo não para pra que eu o conserte. Apenas aprendi, as coisas que aprendi na vida!” Muito obrigada a todos aqueles que se sensibilizaram pela situação do meu avô e doaram. Obrigada aqueles que rezaram pra que tudo desse certo também. GRAÇAS A DEUS ELE ESTÁ BEM!!!!! ️️
****
Meu calendário já marcava dia dois de maio, que louco a rapidez com que o tempo passa, né?! Mais oito dias e o transplante completa um mês! - pensei quando desliguei o despertador. Ontem (quinta) foi feriado, Dia do Trabalho. Passei a manhã com meu avô jogando xadrez (perdi feio) e a tarde com a Duda e o Júnior, já que vínhamos adiando uma ida ao Neo Geo Family a algum tempo e a Duda não nos deixava esquecer isso de jeito nenhum, então um feriado para nós dois veio bem a calhar. Foi um pouco difícil ele passar despercebido em pleno feriado (na verdade, ele não conseguiu e meio que formou-se uma fila pra falar com ele maior do que aquelas para as atrações do parque) e isso deixou a minha pequena cheia de ciúmes. Foi a primeira vez que o ciúmes dela ficou mais visível pra mim, e achei engraçado porque ela ficou com um bico enorme até que ele terminasse de atender todos, ou pelo menos boa parte das crianças, a maioria delas ficava feliz apenas com um sorriso direcionado a elas e voltavam para os brinquedos, então não foi nada muito demorado e cansativo. Nesse momento descobri, sem querer, algo que antes sempre devia passar despercebido por mim: o Júnior fica muito à vontade no meio de crianças, diferente de quando um adulto o aborda pra pedir foto ou autógrafo e ele parece ficar mais tímido do que a pessoa que está pedindo. Cheguei a conclusão, (e guardei-a só pra mim, claro) de que ele ainda devia se perguntar o porquê de alguém querer tirar foto com ele, mas com as crianças era diferente, porque ele se via nelas. O fato é que os papéis estavam invertidos. Sim, eu sei que não devia ter ficado prestando atenção nisso... ou nele, mas foi mais forte que eu, juro. Quando vi já estava sorrindo ao ver a cumplicidade dele com elas. Não deu pra evitar, nunca dá. Porém, foi um sorriso rápido, sumiu assim que alguém perguntou sobre o nosso relacionamento e ele disse que éramos bons amigos. Bons amigos! Nós chamamos atenção sempre que saímos juntos, infelizmente os sites especulam o que querem, e nunca tinham nos perguntado nada mas... Bons amigos? Ok.
Tirando isso, foi uma tarde... agradável, pelo menos pra Duda porque eu lembrei por diversas vezes de alguns dos momentos que passamos nos parques de Paris e foi impossível não ficar um pouco pra baixo, só tentei não deixar isso muito obvio. Pois é... nunca ia consegui superar nada que aconteceu entre nós... mesmo que fôssemos só bons amigos.
Eduarda - Pai! - demorei uns cinco segundos para olhar pra trás. A Duda já estava nos braços do Júnior, e ao lado dele, a Rafa e a Tia Ná sorriam pra mim. Fiquei pasma, por isso nem reagi direito quando as duas me abraçaram mas estava feliz por elas estarem ali. O meu problema era outro e estava na minha frente, olhando diretamente pra mim. Me aproximei um pouco mais dele, só o suficiente para as outras pessoas que também estavam na recepção (e que por sinal, prestavam atenção em nós) não ouvissem -
Clara - Posso falar com você?
Neymar - Agora? - franziu a testa -
Clara - Se possível, claro - ele olhou pra Duda, deu um beijo no rosto dela e a colocou no chão. Ela foi pra perto da Rafa e eu caminhei para perto dos elevadores, tinha menos gente por ali, ele me seguiu -
Neymar - O que aconteceu?
Clara - Eu que pergunto. Está fazendo o quê aqui?
Neymar - Quê?
Clara - Quero saber porque está aqui
Neymar - Precisa mesmo que eu lhe dê um motivo?
Clara - Lógico! Você abandonou o meu avô e hoje se acha no direito de estar aqui?
Neymar - Abandonei? - perguntou muito surpreso -
Clara - Sim! Abandonou
Neymar - Do que você está falando? - revirei os olhos, sem um pingo de paciência -
Clara - Quantas vezes você foi vê-lo depois que terminou comigo?
Neymar - Não muitas, mas sempre que pude - quase caí pra trás -
Clara - Como é que é?
Neymar - Visitei o vô Marcos sim, sempre em horários diferentes do seu, mas visitei - ele chamou o meu avô de vô? -
Clara - Você está me dizendo que visitava o meu avô? Na casa dos meus pais?
Neymar - Sim
Clara - Não brinca com coisa séria
Neymar - Não estou brincando. Sempre ligava antes pra saber se você estava lá, por isso não nos encontramos nunca
Clara - E por que eu não sabia disso?
Neymar - Porque eu não queria que soubesse
Clara - Por que não?
Neymar - Sei lá. Qual seria sua reação se me visse lá?
Clara - Eles mentiram pra mim? - preferi mudar o rumo da conversa, realmente não sabia qual seria minha reação -
Neymar - Não. Clara, por favor, isso não! - respondeu imediatamente - Ninguém mentiu pra você. Eu nunca pedi para que eles não te dissessem que eu aparecia por lá, inclusive achei que já soubesse. Mas como eu sempre ligava antes pra saber se você estava lá, devem ter achado que era melhor deixar tudo como estava e....
Clara - Tá, tudo bem - interrompi-o, achando que aquilo já estava indo longe de mais - Desculpa. Você não tem que me dá satisfação nenhuma, eu é que estou uma pilha de nervos hoje. O hospital não é meu...
Neymar - Você quer que eu vá embora?
Clara - Não precisa ir por minha causa
Neymar - Não foi isso que eu perguntei
Clara - Faz o que você quiser - dei as costas e voltei pra recepção. Sentei ao lado da Tia Ná e ela ficou segurando a minha mão até o Dr. Marcelo aparecer para avisar que apenas uma pessoa ia poder acompanhar tudo, claro que nem ouve discussão e depois de abraçar todos nós, minha avó foi junto com ele. E aí o nervosismo deu lugar a ansiedade. Durante as duas longas horas seguintes quase ninguém falou nada, até a Duda percebeu que o clima não era bom pra muito papo e ficou quietinha, revesando entre o meu colo e o do pai. Tinha vontade de perguntar como é que estava ocorrendo tudo a toda enfermeira que passava por nós, mas conseguia me manter sentada no último segundo. Não podia parecer uma maluca, certo? Eu sei, só que esperar nunca me pareceu tão angustiante. E creio que não era só eu que estava desse jeito, porque quando o Dr. Marcelo voltou, sozinho, com um semblante cansado e indecifrável, todos nós levantamos no mesmo instante. Acho que ele ficou esperando quem ia falar primeiro, perdi a fala de repente e minha mãe resolveu acabar logo com a nossa aflição -
Débora - Deu tudo certo, Dr? - mais direta impossível. Ele nos olhou com expectativa, e sorriu -
Dr. Marcelo - O paciente não poderia estar melhor - soltei todo o ar que estava preso nos pulmões e as lágrimas começaram a rolar sem piedade, uma coisa de louco, parecia até que alguém tinha aberto uma torneira - A medula é sempre transportada em uma bolsa que contém, além da própria medula, um líquido conservante que poderá causar alguns sintomas como náuseas, tosse seca, vômitos, muita sensação de calor, formigamento, entre outros. Também pode haver alteração da pressão arterial e dos batimentos cardíacos, por isso será necessário que ele permaneça aqui conosco para ser observado de perto. Mas nada anormal, ele está ótimo
Neymar - Mas está tudo bem mesmo? A aplasia já é uma página virada? - a sensação que tive ao ouvir a sua pergunta foi semelhante a um pequeno choque, fiquei muito surpresa. Ele realmente se preocupava com meu avô? -
Dr. Marcelo - Sim e... sim - respondeu cauteloso, tentei sorrir mas a minha torneira ainda estava aberta - Claro que precisamos ir devagar, mas o transplante foi uma maravilha, não há porque temer
Tia Ná - Graças a Deus - abraçou a minha mãe de lado, e elas sorriram emocionadas -
Rafa - E a vó Glória?
Dr. Marcelo - Provavelmente foi trocar de roupa, já deve estar vindo pra cá. O paciente vai ser levado para um quarto apropriado mas visitas hoje não
Murilo - E o transplante, como foi?
Dr. Marcelo - Foi um procedimento relativamente rápido, ele recebeu a medula sadia como se fosse uma transfusão de sangue através do cateter. Agora as células progenitoras transfundidas estão sendo levadas pela corrente sanguínea para se dirigirem até a medula, onde vão se instalar e começar lentamente o processo de recuperação. Em pouco tempo ele estará apto a retomar suas atividades diárias - ouvi um suspiro de alívio quase coletivo -
Débora - E a partir de agora? O que a gente faz? Quais são os cuidados?
Dr. Marcelo - Agora vem a parte mais chata, uma fase um pouco complicada...
Débora - Por quê? - ficou alarmada imediatamente -
Dr. Marcelo - Porque é o período em que as células transplantadas ainda não são capazes de produzir glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas em quantidade suficiente, então o paciente estará sujeito a sangramentos, infecções... Mas acalmem-se, complicações após o transplante são frequentes e esperadas, basta apenas ter um acompanhamento adequado para que possamos detectar essas alterações precocemente e tratá-las rapidamente
Débora - O que fazer pra isso não acontecer?
Dr. Marcelo - É essencial reforçar os cuidados com a higiene, limitar contato direto com as pessoas, incluindo beijos, abraços, muita proximidade ao falar, e mais alguns outros cuidados, mas vou entregá-los por escrito a vocês. Não se preocupem
Tia Ná - Quando vamos poder vê-lo?
Dr. Marcelo - Em breve - sorriu levemente - Agora se vocês me dão licença - se afastou, e aí a minha ficha foi caindo aos poucos, conforme o burburinho da recepção passou a chamar mais atenção, e mesmo assim não conseguia parar de chorar. Esperei tanto tempo pra ouvir tudo que o Dr. Marcelo tinha falo que estava com medo de acordar de um sonho maravilhoso. Meus pais me abraçaram ao mesmo tempo, falaram algumas coisas, também ao mesmo tempo, e pra falar bem a verdade, não entendi nadinha mas sabia que era culpa da felicidade extrema. A Tia Ná estava perto do filho e a Rafa parecia estar contando tudo de uma maneira mais fácil pra Duda, porque ela estava quase dando pulinhos de alegria. Consegui finalmente sorri, mas da minha boca não saiu nada. Sentei pra tentar me acalmar, e vi quem sentou ao meu lado depois de alguns minutos, só que preferi fingir que não, estava decidida a ignorá-lo, e teria conseguido isso se ele não tivesse que abrir a boca -
Neymar - E o sol volta a brilhar... - sussurrou e parei até de raciocinar. Minha respiração falhou, meu coração deu um pulo altíssimo e não era só por causa da frase, aliás, ela nem era uma simples frase. Não demorei nada pra entender o que ela significava. Afinal, estávamos ali, exatamente no mesmo lugar onde eu disse algo que nunca ia esquecer "Estamos no meio de uma tempestade horrível, mas o sol vai voltar a brilhar" quando descobrimos que nenhum de nós era compatível com meu avô. Por quê ele tinha que ter dito aquilo? As lembranças daquele dia voltaram com força total, e claro que ficou mais difícil fechar a torneira. O mesmo lugar, dias tão diferentes... Não estava mais chorando de tristeza, lógico que não, era um choro de alívio, e eu segurei por tanto tempo que talvez por isso não tivesse conseguindo parar... Estava tão concentrada em colocar tudo pra fora, que quando percebi já estava dentro de um abraço apertado (apertadíssimo). Quando me dei conta disso fiquei inerte, não consegui me mexer mais e o choro até cessou. De repente, entendi que era isso o que eu mais queria, era esse abraço que o meu corpo mais desejava, era o bater do coração dele pertinho de mim que o meu queria. Aquilo não me parecia certo, mas não fui eu que tomei a iniciativa, a minha consciência estava tranquila, tinha plena noção do que estava fazendo e ela não iria pesar mais tarde. Só que... estava me sentindo tão em paz dentro daquele abraço que as lágrimas voltaram, mas dessa vez eram de saudades... só isso, ou tudo isso. O que eu podia/devia fazer, a não ser abraçá-lo de volta e aproveitar para criar mil e uma ilusões? -
Clara - Obrigada por ter ficado - falei antes de ter coragem para soltá-lo, não queria, mas tinha a impressão de que estávamos sendo observados por um estádio lotado. Comprovei isso ao olhar ao redor, mas sei lá por que, nem liguei. Olhei pra ele novamente e vi que os seus olhos também estavam marejados. Era possível reviver tudo de novo? Estava me segurando para não falar o que realmente queria, quando ele me surpreendeu mais uma vez, tirando o meu óculos delicadamente pra poder enxugar as minhas lágrimas. Ok, aquilo também não estava certo e eu queria pedir que parasse, mas ele sempre era mais rápido que eu -
Neymar - Falei que ia terminar tudo bem - sorriu, e eu estava me sentindo tão... idiota, não conseguia desviar o olhar de jeito nenhum - Não chora, não - tentou passar a mão no meu rosto, mas a razão pediu pra eu me afastar ou... Enfim, era melhor pra todos. Me afastei, só o suficiente para que não houvesse mais nenhum tipo de contato entre nós. Fiquei constrangida com a situação que eu também ajudei a criar retribuindo o abraço, e baixei o olhar. Ele levantou, ainda com o meu óculos nas mãos, e saiu do meu campo de visão, fiquei sem entender nada mas não ousei olhar pra ninguém também, permaneci quieta até ele voltar. Me devolveu o óculos, que antes estava um pouco embaçado por causa das lágrimas, impecavelmente limpo. Tentei reprimir um sorriso quando olhei-o novamente -
Clara - Não precisava
Neymar - Não há de que - sorriu de novo. Não sabia o que ele estava querendo mas precisava manter o foco -
Eduarda - Mãe! - surgiu na minha frente, mas não ficou entre nós dois, já que ele estava de pé. Me concentrei apenas nela, meu pequeno foco - É sério que o biso já tá bom? Ele não vai mais precisar ficar aqui, né? A gente pode ir ver ele? - parou um pouco só pra me olhar com mais atenção - Por que tava chorando tanto? Seus olhinhos estão vermelhos
Clara - Filha, calma. Uma pergunta de cada vez - sorri e coloquei o óculos de volta - Sim, o biso já está melhor mas ainda vai precisar ficar aqui por uns dias, eu acho
Eduarda - Por quê? Ele não tá bem?
Clara - Está. Mas é preciso, para o bem dele, amor. E nem vão ser tantos dias assim - sorri - Infelizmente a gente ainda não pode vê-lo, ele está um pouco cansado, entende? - assentiu - E por fim, estava chorando de alegria - ela sorriu - Ufa, acho que consegui responder todas as perguntas - ouvi o pessoal rindo -
Eduarda - Ahh - balançou a cabeça - Igual a todo mundo, né? - olhou para meus pais, a Tia Ná e a Rafa - Menos o papai - riu e ele piscou pra ela -
Clara - É... igual a todo mundo. Nada de chorar de tristeza agora - ela sorriu, igualzinho uma pessoa fez a alguns minutos atrás, e abriu os braços para me abraçar, praticamente se jogou em cima de mim. Ainda bem que tinha conseguido fechar a torneirinha, senão alagaria a recepção. Estava um poço de vulnerabilidade -
Rafa - Todo mundo ficou olhando pra vocês - falou no meu ouvido quando sentou ao meu lado -
Clara - Suspeitei - olhei-a e ela sorriu - Isso não devia ter acontecido, muito menos aqui
Rafa - Por quê?
Clara - Teu irmão é um doido, não sabe o que quer da vida
Rafa - Eu sei o que ele quer
Clara - Não começa, heim?! Hoje nada estraga meu dia
Rafa - Principalmente depois do abraço mais demorado que já vi na vida né? - cerrei os olhos, desejando ter o poder de fuzilar com eles - Tá, já calei - levantou os braços, segurando o riso, preferi desviar o olhar. Ainda bem que ninguém estava prestando atenção nessa conversa louca -
Clara - Por que será que minha avó está demorando tanto?
Glória - Já estou aqui - apareceu com um sorriso enorme, mas os olhinhos inchados de chorar também. Levantei, coloquei a Duda sentada no meu lugar e fui abraçá-la. Por incrível que pareça, nem chorei - Acabou, meu amor. Acabou o sofrimento - me apertou o quanto pôde, rindo e chorando ao mesmo tempo, e só consegui retribuir da mesma forma, muito feliz. Feliz demais! Depois ela nos contou, de uma forma mais simples que a do Dr. Marcelo, como que foi todo o processo e contou também que só poderíamos vê-lo de pertinho no dia seguinte. Queria muito poder abraçá-lo, mas contanto que ele estivesse bem pra eu poder fazer isso depois, dava pra aguentar mais algumas horas. Mesmo sabendo disso, ninguém deu sinais de que queria ir embora, ninguém. Estávamos todos com as emoções tão confusas... deve até ter sido por esse motivo que aconteceu o que não devia ter acontecido a instantes atrás. Claro que foi por isso. E claro que eu não ia dar importância a algo tão... prescindível. Não quando o sol resolveu voltar a brilhar.
clarabarcelar_: “Quando a dor ataca, frequentemente fazemos perguntas erradas, como: Por que eu? As perguntas corretas são: O que posso aprender com isso? O que posso fazer a respeito disso? O que posso realizar apesar disso? E eu aprendi. Aprendi que falar pode aliviar minhas dores emocionais. Aprendi que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la. Aprendi que eu posso fazer, em instantes, coisas das quais me arrependerei pelo resto da vida. Aprendi que o que importa não é o que eu tenho na vida, mas quem eu tenho na vida. Aprendi que devo deixar sempre as pessoas que amo com palavras amorosas, pois pode ser a última vez que as vejo. Aprendi que eu posso ir mais longe depois de pensar que não posso mais. Aprendi que ou eu controlo meus atos ou eles me controlarão. Aprendi que há mais dos meus pais em mim do que eu supunha. Aprendi que a maturidade tem mais a ver com os tipos de experiências que eu tive, e o que aprendi com elas, do que com quantos aniversários já celebrei. Aprendi que não importa em quantos pedaços meu coração foi partido, o mundo não para pra que eu o conserte. Apenas aprendi, as coisas que aprendi na vida!” Muito obrigada a todos aqueles que se sensibilizaram pela situação do meu avô e doaram. Obrigada aqueles que rezaram pra que tudo desse certo também. GRAÇAS A DEUS ELE ESTÁ BEM!!!!! ️️
***
Três semanas depois, meu avô já estava podendo receber visitas em seu lar doce lar. Sua medula já conseguia produzir cada célula do sangue em quantidade suficiente, o que era maravilhoso, porque algumas medulas são chamadas até de preguiçosas por tornarem o processo de recuperação muito lento. Quando o Dr. Marcelo disse isso, só consegui ficar ainda mais orgulhosa do meu coroa e da sua vontade de viver. Por quê uma pessoa tão forte, e tão corajosa escondeu algo tão sério do restante da família por tanto tempo? Ás vezes essa perguntava pairava na minha cabeça, ela tinha lógica, certo? Mas logo afastava esse pensamento, já estava tudo bem, nem tinha porquê ficar remoendo um assunto que causou tanta dor. Precisava olhar pra frente!****
Meu calendário já marcava dia dois de maio, que louco a rapidez com que o tempo passa, né?! Mais oito dias e o transplante completa um mês! - pensei quando desliguei o despertador. Ontem (quinta) foi feriado, Dia do Trabalho. Passei a manhã com meu avô jogando xadrez (perdi feio) e a tarde com a Duda e o Júnior, já que vínhamos adiando uma ida ao Neo Geo Family a algum tempo e a Duda não nos deixava esquecer isso de jeito nenhum, então um feriado para nós dois veio bem a calhar. Foi um pouco difícil ele passar despercebido em pleno feriado (na verdade, ele não conseguiu e meio que formou-se uma fila pra falar com ele maior do que aquelas para as atrações do parque) e isso deixou a minha pequena cheia de ciúmes. Foi a primeira vez que o ciúmes dela ficou mais visível pra mim, e achei engraçado porque ela ficou com um bico enorme até que ele terminasse de atender todos, ou pelo menos boa parte das crianças, a maioria delas ficava feliz apenas com um sorriso direcionado a elas e voltavam para os brinquedos, então não foi nada muito demorado e cansativo. Nesse momento descobri, sem querer, algo que antes sempre devia passar despercebido por mim: o Júnior fica muito à vontade no meio de crianças, diferente de quando um adulto o aborda pra pedir foto ou autógrafo e ele parece ficar mais tímido do que a pessoa que está pedindo. Cheguei a conclusão, (e guardei-a só pra mim, claro) de que ele ainda devia se perguntar o porquê de alguém querer tirar foto com ele, mas com as crianças era diferente, porque ele se via nelas. O fato é que os papéis estavam invertidos. Sim, eu sei que não devia ter ficado prestando atenção nisso... ou nele, mas foi mais forte que eu, juro. Quando vi já estava sorrindo ao ver a cumplicidade dele com elas. Não deu pra evitar, nunca dá. Porém, foi um sorriso rápido, sumiu assim que alguém perguntou sobre o nosso relacionamento e ele disse que éramos bons amigos. Bons amigos! Nós chamamos atenção sempre que saímos juntos, infelizmente os sites especulam o que querem, e nunca tinham nos perguntado nada mas... Bons amigos? Ok.
Tirando isso, foi uma tarde... agradável, pelo menos pra Duda porque eu lembrei por diversas vezes de alguns dos momentos que passamos nos parques de Paris e foi impossível não ficar um pouco pra baixo, só tentei não deixar isso muito obvio. Pois é... nunca ia consegui superar nada que aconteceu entre nós... mesmo que fôssemos só bons amigos.
Enfim, como a pequena foi dormir no seu outro quarto, meu feriado terminou com a Manu. Aceitei o convite dela pra ir na inauguração da casa noturna de um colega que trabalhou com ela até o início do ano, e foi bom, chegamos super tarde mas foi bom. O único problema foi ter disposição para acordar no dia seguinte, afinal, ela poderia dormir até mais tarde já que só trabalharia no turno da tarde, eu não. Ainda tinha uma longa sexta-feira pela frente. Longa mesmo!
Levantei morrendo de preguiça, meus olhos ardiam de tanto sono mas o dever me chamava. Fui direto pro chuveiro e tomei um banho de cabeça que me ajudou a acordar de verdade. Um bom banho sempre ajuda. Escovei os dentes, sequei o cabelo como deu, me enrolei na toalha e voltei pro quarto. Passei hidratante no corpo, me vesti, arrumei minha bolsa, coloquei meu óculos dentro do estojinho e joguei dentro dela, preferi não prender o cabelo já que ainda estava meio molhado, me perfumei, peguei o celular e saí. Ia passar direto pelo corredor, mas algo na porta do quarto da Manu me chamou à atenção. Parei pra ler, e comecei a rir logo em seguida, me perguntando quando ela colocou aquilo ali, se ainda entrou no quarto primeiro que eu. Uma baita sacanagem comigo, só porque ia poder dormir mais que eu, que absurdo. Tive que tirar uma foto e ainda rindo, postei.
clarabarcelar_: Um amor de amiga, porque começar o dia rindo não tem preço! ️ @mannubarros
Passei na cozinha, coloquei ração pro meu filhote, tomei um copo de suco e saí sentindo falta de algo: levar a Duda pra escola. Toda vez que ela dorme na casa do pai é a mesma coisa, não que não tenha me acostumado mas é algo instintivo, faz parte da rotina. Desci com alguns vizinhos no elevador, destravei as portas do meu carro, entrei, dei partida, passei no posto de gasolina antes, depois segui pro CT. A manhã foi tranquila, apesar de ter alguns sócios circulando pelas instalações; privilégios do Sócio Rei. Na hora do almoço, estava tão entretida na edição da Santástico que só percebi que os meninos já tinham descido quando a Gio falou.
Giovanna - Você está bem?
Clara - Estou - respondi mesmo sem entender o motivo da pergunta - Por quê?
Giovanna - Não sei. Agora que o feitiço virou contra o feiticeiro, pensei que... - interrompi-a, achando que, ou ela estava doida ou eu estava muito lenta, porque continuava sem entender nada -
Clara - Não estou conseguindo te acompanhar, Gio. Desculpa - ri, e ela riu também antes de mexer um pouco no iPad, depois virou-o pra mim. O riso cessou imediatamente, e aí entendi o porquê do provérbio "o feitiço virou contra o feiticeiro". Ele era o título da matéria de um site qualquer de fofoca que continha fotos da atriz com outro cara. Fiquei chocada, parecia até pegadinha - Quê?
Giovanna - Você não sabia mesmo disso? Acho que é assunto desde o início da semana
Clara - Não - respondi um pouco aérea. Então será que foi por isso que perguntaram pro Júnior sobre nós no Parque? Imaginaram que já estávamos juntos de novo? Será que a Manu sabia e não me disse nada? Meu Deus! Se sim, só tinha que agradecê-la porque isso não tinha nada a ver comigo, não era da minha conta. Preferia até continuar sem saber, mas tinha plena noção de que a Gio não fez por mal - Não, eu não sabia. Procuro ficar longe desse tipo de site, e... ninguém me contou
Giovanna - Ai, desculpa. Eu realmente achei que soubesse
Clara - Não tem problema, Gio. Eu sei disso, e uma hora ia ficar sabendo mesmo - tentei sorrir -
Giovanna - E o que acha disso?
Clara - Sei lá, acho que não tenho uma opinião formada a respeito do assunto, não diz respeito a mim - encolhi os ombros - Poderia dizer apenas que o uso do provérbio é meio equivocado, porque ele não me traiu
Giovanna - Não?
Clara - Não
Giovanna - Acredita mesmo nisso?
Clara - Sim. Falei pra você que ele terminou comigo primeiro, antes dessa aí assumir algo
Giovanna - Sim, ele terminou antes de assumir, mas...
Clara - Gio, por favor
Giovanna - Você sabe que não falo por mal, não é? Muito menos odeio ele ou algo do tipo. É só que essa história toda é muito difícil de entender
Clara - Eu sei, mas prefiro não falar sobre isso
Gio - Tudo bem - ela se desculpou mais uma vez, e eu tentei voltar a me concentrar no que estava fazendo antes, mas sem sucesso. Uma preocupação enorme tomou conta de mim, o Júnior não podia estar envolvido em tantos problemas extra-campo -
Clara - Por quê que eu me importo? - pensei alto, indignada por ter perdido o foco -
Giovanna - Falou comigo?
Clara - Não, desculpa - baixei a cabeça, fechei os olhos, contei de um à dez e voltei ao trabalho. Perdi a fome e não desci pra comer, estava sozinha quando a madrinha me mandou uma mensagem avisando que o Luis Álvaro queria falar comigo e era sério. Pensei que algo bom não era e preferi ir logo. Bati na porta dele tremendo de nervoso, e ouvi a sua permissão para entrar - Quer falar comigo? - perguntei, implorando pra ele dizer não -
Luis Álvaro - Sim, pode sentar - sorriu e eu fiz o que pediu - Soube da melhora do seu avô. Que bom, fico feliz
Clara - Obrigada - sorri também -
Luis Álvaro - Bom, mas te chamei aqui porque durante o recesso natalino a diretoria realizou algumas reuniões e decidimos que para melhoria do Santos Futebol Clube algumas mudanças precisariam ser feitas
Clara - Ah... - fiquei com um vontade louca de começar a roer minhas unhas, morrendo de medo -
Luis Álvaro - Você está incluída nessas mudanças
Clara - Estou? - isso era obvio, mas doeu ouvir da mesma forma -
Luis Álvaro - Sim, e tudo isso que vem acontecendo na sua vida pessoal só nos fez ter mais certeza da nossa decisão - f e r r o u, ferrou bonito, minha carreira está acabada -
Clara - Eu sei... eu sei que tenho vacilado um pouco nos últimos meses. Eu sei que não é legal meu nome estar estampado em sites de fofoca... mas eu amo o que faço, amo estar aqui, amo o Santos - ele sorriu - Estava e ainda devo estar passando por uma avalanche intensa na minha vida pessoal, tentei vestir a máscara profissional nos momentos certos, e fiz de tudo pra não misturar as coisas mas é como já disse, eu amo esse clube e só quero o melhor pra ele também, então o que vocês decidiram, eu aceito - disse tudo isso com uma dor enorme no peito, lutando pra não chorar ali mesmo -
Luis Álvaro - Que ótimo, porque não sei onde encontraríamos uma outra gerente de marketing tão boa quanto você por aí
Clara - Quê? - meu queixo deve ter ido parar no chão -
Luis Álvaro - É isso mesmo que ouviu, e não adianta voltar atrás porque você mesma acabou de dizer que o que nós decidimos, aceitaria - riu -
Clara - Meu Deus! Mas é claro que eu aceito. Só pensei que... - nem consegui completar a frase -
Luis Álvaro - Eu sei o que pensou e devo ter me expressado de forma errada, desculpa. O que estava querendo dizer é que nós já tínhamos decidido te promover desde o recesso, mas surgiram os problemas e resolvemos esperar. Você se mostrou forte o tempo todo, não pediu para faltar um dia sequer, e foi mais do que profissional. Além disso, suas ideias ano passado foram geniais, todas muito bem faladas
Clara - Obrigada! - comecei a rir, e era isso ou ia começar a chorar - Nem sei o que falar
Luis Álvaro - Não precisa falar nada, apenas aceite. E decida se vai querer trocar de sala
Clara - Trocar de sala?
Luis Álvaro - Sim, para uma mais ampla aqui ao lado
Clara - E... se eu quiser ficar na mesma?
Luis Álvaro - Você quer?
Clara - Sim. Minhas ideias não seriam nada sem o pessoal que trabalha comigo
Luis Álvaro - Bem que a Juliana falou - riu - Tudo bem, fique onde preferir. Só preciso que passe aqui antes de ir embora para assinar alguns papéis
Clara - Certo - levantei com um sorriso de orelha a orelha, quase sem acreditar na nova função que exerceria dentro do clube do meu coração. Como uma gerente de marketing não ia fazer nada de muito diferente, continuaria elaborando os projetos de marketing, mas passaria a coordená-los também, além de passar a promover ações de venda e cuidar da imagem do Santos. O que mais queria? Já podia dizer que estava totalmente realizada a nível profissional. Pelo menos isso. Voltei pra sala contando a novidade pra todo mundo que via, estava tão feliz que minha tarde passou até mais rápido do que queria. Meu expediente terminou, e depois de receber um abraço apertado da madrinha, fui até a sala do Luis Álvaro novamente, mas ele ainda estava em reunião. Fiquei na sala de espera trocando mensagens com o Di.
clarabarcelar_: @dilopes
Levantei morrendo de preguiça, meus olhos ardiam de tanto sono mas o dever me chamava. Fui direto pro chuveiro e tomei um banho de cabeça que me ajudou a acordar de verdade. Um bom banho sempre ajuda. Escovei os dentes, sequei o cabelo como deu, me enrolei na toalha e voltei pro quarto. Passei hidratante no corpo, me vesti, arrumei minha bolsa, coloquei meu óculos dentro do estojinho e joguei dentro dela, preferi não prender o cabelo já que ainda estava meio molhado, me perfumei, peguei o celular e saí. Ia passar direto pelo corredor, mas algo na porta do quarto da Manu me chamou à atenção. Parei pra ler, e comecei a rir logo em seguida, me perguntando quando ela colocou aquilo ali, se ainda entrou no quarto primeiro que eu. Uma baita sacanagem comigo, só porque ia poder dormir mais que eu, que absurdo. Tive que tirar uma foto e ainda rindo, postei.
clarabarcelar_: Um amor de amiga, porque começar o dia rindo não tem preço! ️ @mannubarros
Passei na cozinha, coloquei ração pro meu filhote, tomei um copo de suco e saí sentindo falta de algo: levar a Duda pra escola. Toda vez que ela dorme na casa do pai é a mesma coisa, não que não tenha me acostumado mas é algo instintivo, faz parte da rotina. Desci com alguns vizinhos no elevador, destravei as portas do meu carro, entrei, dei partida, passei no posto de gasolina antes, depois segui pro CT. A manhã foi tranquila, apesar de ter alguns sócios circulando pelas instalações; privilégios do Sócio Rei. Na hora do almoço, estava tão entretida na edição da Santástico que só percebi que os meninos já tinham descido quando a Gio falou.
Giovanna - Você está bem?
Clara - Estou - respondi mesmo sem entender o motivo da pergunta - Por quê?
Giovanna - Não sei. Agora que o feitiço virou contra o feiticeiro, pensei que... - interrompi-a, achando que, ou ela estava doida ou eu estava muito lenta, porque continuava sem entender nada -
Clara - Não estou conseguindo te acompanhar, Gio. Desculpa - ri, e ela riu também antes de mexer um pouco no iPad, depois virou-o pra mim. O riso cessou imediatamente, e aí entendi o porquê do provérbio "o feitiço virou contra o feiticeiro". Ele era o título da matéria de um site qualquer de fofoca que continha fotos da atriz com outro cara. Fiquei chocada, parecia até pegadinha - Quê?
Giovanna - Você não sabia mesmo disso? Acho que é assunto desde o início da semana
Clara - Não - respondi um pouco aérea. Então será que foi por isso que perguntaram pro Júnior sobre nós no Parque? Imaginaram que já estávamos juntos de novo? Será que a Manu sabia e não me disse nada? Meu Deus! Se sim, só tinha que agradecê-la porque isso não tinha nada a ver comigo, não era da minha conta. Preferia até continuar sem saber, mas tinha plena noção de que a Gio não fez por mal - Não, eu não sabia. Procuro ficar longe desse tipo de site, e... ninguém me contou
Giovanna - Ai, desculpa. Eu realmente achei que soubesse
Clara - Não tem problema, Gio. Eu sei disso, e uma hora ia ficar sabendo mesmo - tentei sorrir -
Giovanna - E o que acha disso?
Clara - Sei lá, acho que não tenho uma opinião formada a respeito do assunto, não diz respeito a mim - encolhi os ombros - Poderia dizer apenas que o uso do provérbio é meio equivocado, porque ele não me traiu
Giovanna - Não?
Clara - Não
Giovanna - Acredita mesmo nisso?
Clara - Sim. Falei pra você que ele terminou comigo primeiro, antes dessa aí assumir algo
Giovanna - Sim, ele terminou antes de assumir, mas...
Clara - Gio, por favor
Giovanna - Você sabe que não falo por mal, não é? Muito menos odeio ele ou algo do tipo. É só que essa história toda é muito difícil de entender
Clara - Eu sei, mas prefiro não falar sobre isso
Gio - Tudo bem - ela se desculpou mais uma vez, e eu tentei voltar a me concentrar no que estava fazendo antes, mas sem sucesso. Uma preocupação enorme tomou conta de mim, o Júnior não podia estar envolvido em tantos problemas extra-campo -
Clara - Por quê que eu me importo? - pensei alto, indignada por ter perdido o foco -
Giovanna - Falou comigo?
Clara - Não, desculpa - baixei a cabeça, fechei os olhos, contei de um à dez e voltei ao trabalho. Perdi a fome e não desci pra comer, estava sozinha quando a madrinha me mandou uma mensagem avisando que o Luis Álvaro queria falar comigo e era sério. Pensei que algo bom não era e preferi ir logo. Bati na porta dele tremendo de nervoso, e ouvi a sua permissão para entrar - Quer falar comigo? - perguntei, implorando pra ele dizer não -
Luis Álvaro - Sim, pode sentar - sorriu e eu fiz o que pediu - Soube da melhora do seu avô. Que bom, fico feliz
Clara - Obrigada - sorri também -
Luis Álvaro - Bom, mas te chamei aqui porque durante o recesso natalino a diretoria realizou algumas reuniões e decidimos que para melhoria do Santos Futebol Clube algumas mudanças precisariam ser feitas
Clara - Ah... - fiquei com um vontade louca de começar a roer minhas unhas, morrendo de medo -
Luis Álvaro - Você está incluída nessas mudanças
Clara - Estou? - isso era obvio, mas doeu ouvir da mesma forma -
Luis Álvaro - Sim, e tudo isso que vem acontecendo na sua vida pessoal só nos fez ter mais certeza da nossa decisão - f e r r o u, ferrou bonito, minha carreira está acabada -
Clara - Eu sei... eu sei que tenho vacilado um pouco nos últimos meses. Eu sei que não é legal meu nome estar estampado em sites de fofoca... mas eu amo o que faço, amo estar aqui, amo o Santos - ele sorriu - Estava e ainda devo estar passando por uma avalanche intensa na minha vida pessoal, tentei vestir a máscara profissional nos momentos certos, e fiz de tudo pra não misturar as coisas mas é como já disse, eu amo esse clube e só quero o melhor pra ele também, então o que vocês decidiram, eu aceito - disse tudo isso com uma dor enorme no peito, lutando pra não chorar ali mesmo -
Luis Álvaro - Que ótimo, porque não sei onde encontraríamos uma outra gerente de marketing tão boa quanto você por aí
Clara - Quê? - meu queixo deve ter ido parar no chão -
Luis Álvaro - É isso mesmo que ouviu, e não adianta voltar atrás porque você mesma acabou de dizer que o que nós decidimos, aceitaria - riu -
Clara - Meu Deus! Mas é claro que eu aceito. Só pensei que... - nem consegui completar a frase -
Luis Álvaro - Eu sei o que pensou e devo ter me expressado de forma errada, desculpa. O que estava querendo dizer é que nós já tínhamos decidido te promover desde o recesso, mas surgiram os problemas e resolvemos esperar. Você se mostrou forte o tempo todo, não pediu para faltar um dia sequer, e foi mais do que profissional. Além disso, suas ideias ano passado foram geniais, todas muito bem faladas
Clara - Obrigada! - comecei a rir, e era isso ou ia começar a chorar - Nem sei o que falar
Luis Álvaro - Não precisa falar nada, apenas aceite. E decida se vai querer trocar de sala
Clara - Trocar de sala?
Luis Álvaro - Sim, para uma mais ampla aqui ao lado
Clara - E... se eu quiser ficar na mesma?
Luis Álvaro - Você quer?
Clara - Sim. Minhas ideias não seriam nada sem o pessoal que trabalha comigo
Luis Álvaro - Bem que a Juliana falou - riu - Tudo bem, fique onde preferir. Só preciso que passe aqui antes de ir embora para assinar alguns papéis
Clara - Certo - levantei com um sorriso de orelha a orelha, quase sem acreditar na nova função que exerceria dentro do clube do meu coração. Como uma gerente de marketing não ia fazer nada de muito diferente, continuaria elaborando os projetos de marketing, mas passaria a coordená-los também, além de passar a promover ações de venda e cuidar da imagem do Santos. O que mais queria? Já podia dizer que estava totalmente realizada a nível profissional. Pelo menos isso. Voltei pra sala contando a novidade pra todo mundo que via, estava tão feliz que minha tarde passou até mais rápido do que queria. Meu expediente terminou, e depois de receber um abraço apertado da madrinha, fui até a sala do Luis Álvaro novamente, mas ele ainda estava em reunião. Fiquei na sala de espera trocando mensagens com o Di.
clarabarcelar_: @dilopes
Quando as pessoas saíram, o Luis Álvaro pediu que eu entrasse, li e assinei meu novo contrato com um sorriso enorme e fui liberada. Desci, fui direto pro estacionamento, e entrei no meu carro pra ir buscar minha pequena, como tinha combinado com o Júnior no dia anterior. Dirigi até o prédio dele, e com minha entrada liberada, estacionei em uma vaga para visitantes. Subi, toquei a campainha e a Joana atendeu, simpática como sempre. Não tinha ninguém na sala, mas ela disse que ia chamar a Duda pra mim. Ia sentar pra esperar, só que ouvi passos descendo a escada, sabia muito bem quem era e comprovei isso quando ele surgiu na minha frente. Estava tão abatido. Será que gostava tanto assim da atriz a ponto de ficar mal pela traição? Fiquei com náuseas só de pensar nisso.
Neymar - Ela já está descendo
Clara - Certo - respondi e passei a admirar minhas unhas, que estavam horríveis por sinal -
Neymar - Como seu avô está?
Clara - Muito bem, obrigada
Neymar - E você?
Clara - Por que o interesse? Acha que pode rolar um flashback comigo agora que a sua namorada te traiu? - me xinguei um pouco internamente, nunca fui de jogar nada na cara de ninguém, acho que a raiva falou mais alto... mas ele não pareceu se abalar muito -
Neymar - Não estava namorando aquela garota
Clara - Agora é fácil falar
Neymar - Eu sempre te disse isso
Clara - E por que será que é tão difícil de acreditar? - ele balançou a cabeça, um pouco transtornado, talvez -
Neymar - Você me... odeia? - perguntou de repente, se aproximando de mim -
Clara - O quê? - fui recuando, até ficarmos distante novamente -
Neymar - Me odeia? - voltou a se aproximar e dessa vez desisti de me afastar, ele parecia tão vulnerável -
Clara - Como é que você tem coragem de me perguntar uma coisa dessa?
Neymar - Seja lá qual for a sua resposta, eu vou entender - estava começando a me assustar, por isso resolvi ser sincera -
Clara - Júnior, eu te desejo nada além de sorrisos, nada além de alegria, paz e felicidade. Independente do que passamos, você merece, assim como eu, toda a felicidade que o mundo tem para te dar. Já faz tempo que desisti do ódio e da raiva, agora eu só quero sentir amor e com você não seria diferente. Já que não pode ser eu, que sua nova namorada te faça tão feliz quanto eu planejei fazer. Ou ex namorada, não sei
Neymar - Não tenho namorada - respondeu um pouco exaltado, me assustei mais ainda -
Clara - Engraçado, antes voce não negava nem afirmava nada. Agora já nega? Por quê? - ele se aproximou ainda mais, e acho que ia falar mas ouvimos a voz da Duda -
Eduarda - Mãe!! - olhamos ao mesmo tempo e ela sorriu -
Clara - Desce devagar, filha - ele me olhou um pouco frustrado, mas não falou mais nada e se afastou pra ir se despedir dela, abri logo a porta e fiquei esperando porque quanto mais rápido saísse dali, melhor. Toda vez que ficávamos sozinhos em algum cômodo daquela casa algo estranho acontecia, que sina. Queria falar com a Tia, ou com a Rafa, mas isso significaria ficar mais tempo, e podia ligar pra elas depois, então assim que a Duda terminou de se despedir dele, descemos. Respirei aliviada quando já estávamos dentro do carro, pena que o alívio durou por pouco tempo -
Eduarda - Ih, mãe! - fez carinha de espanto, enquanto eu colocava o seu cinto -
Clara - Que foi?
Eduarda - Esqueci a Loly
Clara - Esqueceu a Loly?
Eduarda - É, e ela não pode dormir sozinha. E agora?
Clara - A gente liga pra sua tia depois e pede pra ela dormir com a Loly - sugeri, mesmo sabendo que não ia dar muito certo e já prevendo como que isso ia acabar, ou seja, íamos subir de novo -
Eduarda - Mas a Loly só gosta de dormir comigo - fez beicinho -
Clara - Não acredito nisso, Duda. Vamos mesmo ter que subir de novo?
Eduarda - Por favor, por favorzinho - juntou as duas mãozinhas pra pedir, e eu não podia negar isso a ela por causa de um capricho meu -
Clara - Tá, vamos rapidinho - tirei o seu cinto e ela me abraçou como deu, depois beijou minha bochecha -
Eduarda - Obrigada, mãe. Por isso que a Loly também gosta muito de você - não consegui segurar o riso, e retribuí o beijo no rostinho dela -
Clara - Também adoro a Loly. Vamos lá pegar ela - saímos do carro, travei as portas novamente, deixei as nossas bolsas lá e pegamos o elevador na garagem mesmo. Subimos, toquei a campainha e a Joana atendeu novamente. Riu quando contei o motivo da nossa volta - Onde ela está?
Eduarda - Em cima da cama, eu acho
Clara - Fica aqui com a Joana que eu vou pegar, porque quando você entra naquele quarto esquece do mundo, e aí não vamos sair daqui hoje - ela e a Joana riram - Volto com a Loly rapidinho - pisquei pra ela e subi correndo, com receio de esbarrar com alguém pelo corredor. Fui direto pro quarto da Duda, peguei sua nova e inseparável bonequinha de pano em cima da cama, saí, fechei a porta devagarzinho pra não chamar atenção e comecei a ouvir vozes, uma bem exaltada inclusive, que iam ficando mais altas a medida que eu ia andando de volta pra escada, precisava ir embora logo. Porém, estagnei quando percebi que as vozes vinham do quarto do Júnior e ele parecia estar... chorando, ou desabafando, não sei. Fiquei preocupada imediatamente e isso me fez parar para escutar, mesmo que isso não fosse nada certo -
Neymar - Eu não aguento mais isso, mãe
Tia Ná - Então acaba com essa tortura. Conta a verdade pra ela, agora você pode, deve aliás. Eu no seu lugar já tinha colocado um ponto final nisso a muito tempo
Neymar - Não posso
Tia Ná - É claro que você pode - formou-se um silêncio estranho, já estava pensando em sair dali mas voltei a ouvir a voz dela - Quando nos importamos com alguém, é compreensível que queiramos proteger essa pessoa da dor. Isso funciona muito bem em algumas ocasiões. Mas em outras corremos o risco de carregar nos ombros mais estresse e responsabilidade do que seria justo, você precisa falar
Neymar - Nem sei como - sua voz estava tão desesperada... e eu comecei a ficar também, me perguntando se era de mim que estavam falando -
Tia Ná - Você já fez muito, meu filho. Chegou a hora de correr atrás da sua felicidade de novo, ela ainda está ao alcance das suas mãos
Neymar - Se ela acreditar em mim, acho difícil que me perdoe
Tia Ná - Por que não acreditaria? A Clara te ama, e não tem nada pra ser perdoado. Apenas me escuta, e vai atrás da sua felicidade antes que seja tarde demais - eu era o tema da conversa e não estava participando dela... ok, e isso nem era a coisa mais estranha que estava acontecendo no momento porque para piorar eu não estava conseguindo entender nada. Ia bater na porta quando ele falou novamente e o meu mundo desabou de uma vez só em cima de mim -
Neymar - Como é que eu vou falar que fui chantageado pela Bruna pra salvar vida do avô dela?
Clara - Que brincadeira é essa? - não consegui ficar calada e escondida perante a loucura absurda que ouvi e entrei no quarto mesmo sem ser convidada -
Tia Ná - Clara!
Neymar - Clara... - não sei qual dos dois ficou mais surpreso mas ele, sem dúvidas, ficou ainda mais desesperado do que estava antes, notei isso apenas pelo seu tom de voz -
Clara - Sim, acho que sou eu. Isso... isso que vocês estavam conversando... é brincadeira, não é? Por que estão falando disso? - eles se entreolharam enquanto eu esperava por uma resposta -
Tia Ná - Fica calma, tudo tem uma explicação
Clara - Explicação pra que? É claro que eu ouvi mal - ri, não porque estava achando graça daquela situação, mas porque estava muito nervosa e nem sabia o motivo - A Bruna não ia chantagear você por ser compatível com meu avô, né? - ri novamente, olhando pra ele, que estava muito sério. Meu coração pareceu ter parado por alguns milésimos de segundos, senti uma dor excruciante começar a latejar no peito, o ar faltou - Pelo amor de Deus, me digam que eu ouvi mal - silêncio total, e ninguém olhava pra mim - Isso não pode ser verdade. Pode? - tentei fazer com que falassem. O desespero estava começando a passar pra mim e algo me dizia que era apenas o começo -
Tia Ná - Tua felicidade veio atrás de você, não deixa ela escapar - falou pra ele ao levantar -
Clara - Tia... - estava me sentindo uma criança com medo de agulha, prestes a tomar vacina -
Tia Ná - Ouve - chegou mais perto de mim e segurou a minha mão com força - Apenas ouve o que ele tem pra te dizer e tudo vai fazer sentindo
Clara - Ouvir o que? - ela saiu do quarto sem dizer mais nada e eu estava com tanto medo que nem sei porque não saí também - Ouvir o que, Júnior? Vocês estavam brincando, certo?
Neymar - Não - respondeu depois do que pareceu uma eternidade e levantou também, ficamos frente à frente -
Clara - Não... o que?
Neymar - É tudo verdade
Clara - O que é verdade? - minha voz começou a tremer por antecipação e a Loly caiu da minha mão -
Neymar - A Bruna descobriu que era compatível com seu avô e aceitou ser doadora dele, contanto que eu me separasse de você
Clara - NÃO! - gritei horrorizada e fui parar no mesmo lugar que a Loly, não sei o que aconteceu, minhas pernas perderam completamente as forças - NÃO, NÃO E NÃO! - tentava dizer pra mim mesma que aquilo não era verdade, mas o que ele disse ficava se repetindo na minha cabeça, me fazendo querer gritar e chorar até não ter mais voz -
Neymar - Clara... - sentou no chão, ao meu lado, e tentou falar... tentou -
Clara - NÃO!
Neymar - Por favor, me ouve
Clara - NÃO PODE SER - eu queria ouvi-lo, juro que queria, só não estava conseguindo. "A Bruna descobriu que era compatível com seu avô e aceitou ser doadora dele, contanto que eu me separasse de você" ainda se repetia na minha mente, era só o que conseguia ouvir - ISSO NÃO ESTÁ ACONTECENDO
Neymar - Desculpa - olhei-o e quando percebi que também estava chorando, uma raiva enorme de tudo tomou conta de mim, queria apenas sumir do planeta. Qualquer coisa seria melhor do que vê-lo naquele estado ali, na minha frente e... por minha causa (?) -
Clara - Você podia ter falado comigo, a gente resolvia isso... Eu não acredito!
Neymar - Eu sei que podia, mas não tive coragem... Eu te conheço e...
Clara - E O QUE? - levantei quase arrancando meus cabelos. Por que não percebi nada? Meu Deus, como fui burra! - A gente podia ter resolvido isso juntos. Íamos achar um jeito, uma saída pra que tudo terminasse bem sem que ficássemos longe um do outro. Você viu como fiquei depois que descobri o que eles estavam me escondendo, sabe como que me senti traída... Por que fez isso também?
Neymar - PORQUE EU NÃO PENSEI, ANA CLARA! NÃO PENSEI - gritou, e eu me encolhi com o susto. Nunca o tinha visto tão desesperado e isso só me fez chorar ainda mais - Simplesmente não pensei - continuou mais baixinho - Depois que ela fez a... chantagem e eu fiquei sozinho pensando em tudo, foi como se... Foi como se tivesse revivendo tudo de alguns anos atrás, só que com papéis invertidos
Clara - Como assim? - perguntei com um fio de voz, sem entender onde queria chegar -
Neymar - Me coloquei no seu lugar, como você pediu que eu fizesse várias vezes - fiquei boquiaberta e engoli em seco - A vida do seu avô estava... nas minhas mãos - sua voz falhou, meu coração já estava em pedaços - Por isso me odiei por ter pensando em te odiar a quatro anos atrás, quando você fez o que fez. Você só pensou em mim quando foi embora. Eu só pensei em você agora - levantou também e se aproximou de mim - O que você faria se fosse o meu avô? - não respondi nada porque sim, eu provavelmente faria o mesmo - Eu sei que você também faria o que eu fiz, eu sei - a essa altura já não sabia dizer nem quem estava chorando mais e isso estava me destruindo por dentro - No momento que aceitei... terminar com você, não pensei em mim em nenhum momento porque te ver triste era a pior coisa do mundo e eu só queria te ver sorrir de novo. Sabia que com o seu avô bem, você voltaria a sorrir e... e depois acharia quem te fizesse mais feliz do que eu - balancei a cabeça, não querendo ouvir mais nada - Querendo ou não, isso tudo só veio reforçar que o você tinha feito quando foi embora, foi por amor. Porque fiz a mesma coisa agora. Eu queria te ver bem, mesmo que pra isso, eu precisasse ficar mal
Clara - Eu... não sei o que pensar. Não sei de mais nada. Não estou conseguindo lidar com isso, acho que não vou digerir nunca
Neymar - Você e a Eduarda são os meus maiores bens, e sabendo o quanto vocês o amam... eu não ia conseguir me perdoar nunca se acontecesse alguma coisa com ele, quando eu podia ter feito alguma coisa, por mais que tenha sido algo... louco.
Clara - Isso não pode estar acontecendo. Quando acho que minha vida está finalmente entrando nos eixos essa bomba explode... - ele ia falar algo, mas precisei interrompê-lo - Não, sério. Eu... eu preciso ir pra casa
Neymar - Assim? Desse jeito?
Clara - Por favor, me deixa ir
Neymar - Você não está bem
Clara - Era pra estar?
Neymar - Fica aqui. Vamos conversar
Clara - Não sei se quero ouvir mais alguma coisa, não sei se consigo. Só quero ficar sozinha. Só quero tentar assimilar tudo isso, acreditar...
Neymar - Não acredita em mim?
Clara - O problema não é esse
Neymar - Você confia em mim?
Clara - O problema não é esse...
Neymar - Confia ou não?
Clara - CONFIO A MINHA VIDA A VOCÊ. SERÁ QUE É O SUFICIENTE? - gritei também, com a cabeça prestes a explodir e antes que eu pudesse falar mais alguma coisa, ele me puxou para um abraço tão forte, mas tão necessário, como se precisássemos dele para recarregar as nossas fracas baterias. Dentro daquele abraço nada parecia real, por isso que eu queria permanecer nele pra sempre. Só que ouvir os seus soluços era quase como se uma faca tivesse atravessando o meu peito. Vê-lo chorar sempre foi a minha ruína, então fui eu que desfiz o abraço para enxugar cada lágrima dele - Claro que acredito em você, nunca duvidei da sua palavra, e não é isso que está em questão. Só que... é muita coisa pra digerir
Neymar - A gente vai conversar, não vai? Você vai me deixar explicar tudo? - assenti, talvez não muito convincente - Tem certeza que não prefere se acalmar primeiro e ir embora depois?
Clara - Não vou me acalmar, mas estou com a Duda. Minha atenção vai ser redobrada, não precisa se preocupar. E... não chora mais - passei a mão no seu rosto, enquanto ele também tentava enxugar as minhas lágrimas, em vão - Já estou me sentindo péssima por não ter percebido antes e ter feito você guardar isso por tanto tempo
Neymar - Não se culpa. Nenhum de nós tem culpa de nada - nem respondi. Ainda estava achando muito surreal as mãos dele no meu rosto - Avisa quando chegar? - assenti mais uma vez, ele me soltou e eu abaixei para pegar a Loly. Tentei enxugar o rosto com as mangas do blazer e dei as costas, ainda meio tonta. Já estava na porta quando ouvi a sua voz de novo e olhei pra trás - Eu te amo - parecia a primeira vez que ouvi isso da boca dele, precisei olhar pro teto, piscando algumas vezes. Se começasse a chorar de novo, como ia parar? -
Clara - Eu te amo. Agora mais do que nunca... - sorri em meio as lágrimas, não só por aquele ser um dos maiores sentimentos que residia em mim, mas por ter ouvido a voz da Dona Glória também “Ah, minha neta... às vezes a gente tem que se afastar das pessoas que amamos, mas nem por isso nosso amor por elas é menor, aliás podemos chegar a amá-las ainda mais”. Quando é que ela não está certa? O destino prega peças inimagináveis em nossas vidas.
Read:
Neymar - Ela já está descendo
Clara - Certo - respondi e passei a admirar minhas unhas, que estavam horríveis por sinal -
Neymar - Como seu avô está?
Clara - Muito bem, obrigada
Neymar - E você?
Clara - Por que o interesse? Acha que pode rolar um flashback comigo agora que a sua namorada te traiu? - me xinguei um pouco internamente, nunca fui de jogar nada na cara de ninguém, acho que a raiva falou mais alto... mas ele não pareceu se abalar muito -
Neymar - Não estava namorando aquela garota
Clara - Agora é fácil falar
Neymar - Eu sempre te disse isso
Clara - E por que será que é tão difícil de acreditar? - ele balançou a cabeça, um pouco transtornado, talvez -
Neymar - Você me... odeia? - perguntou de repente, se aproximando de mim -
Clara - O quê? - fui recuando, até ficarmos distante novamente -
Neymar - Me odeia? - voltou a se aproximar e dessa vez desisti de me afastar, ele parecia tão vulnerável -
Clara - Como é que você tem coragem de me perguntar uma coisa dessa?
Neymar - Seja lá qual for a sua resposta, eu vou entender - estava começando a me assustar, por isso resolvi ser sincera -
Clara - Júnior, eu te desejo nada além de sorrisos, nada além de alegria, paz e felicidade. Independente do que passamos, você merece, assim como eu, toda a felicidade que o mundo tem para te dar. Já faz tempo que desisti do ódio e da raiva, agora eu só quero sentir amor e com você não seria diferente. Já que não pode ser eu, que sua nova namorada te faça tão feliz quanto eu planejei fazer. Ou ex namorada, não sei
Neymar - Não tenho namorada - respondeu um pouco exaltado, me assustei mais ainda -
Clara - Engraçado, antes voce não negava nem afirmava nada. Agora já nega? Por quê? - ele se aproximou ainda mais, e acho que ia falar mas ouvimos a voz da Duda -
Eduarda - Mãe!! - olhamos ao mesmo tempo e ela sorriu -
Clara - Desce devagar, filha - ele me olhou um pouco frustrado, mas não falou mais nada e se afastou pra ir se despedir dela, abri logo a porta e fiquei esperando porque quanto mais rápido saísse dali, melhor. Toda vez que ficávamos sozinhos em algum cômodo daquela casa algo estranho acontecia, que sina. Queria falar com a Tia, ou com a Rafa, mas isso significaria ficar mais tempo, e podia ligar pra elas depois, então assim que a Duda terminou de se despedir dele, descemos. Respirei aliviada quando já estávamos dentro do carro, pena que o alívio durou por pouco tempo -
Eduarda - Ih, mãe! - fez carinha de espanto, enquanto eu colocava o seu cinto -
Clara - Que foi?
Eduarda - Esqueci a Loly
Clara - Esqueceu a Loly?
Eduarda - É, e ela não pode dormir sozinha. E agora?
Clara - A gente liga pra sua tia depois e pede pra ela dormir com a Loly - sugeri, mesmo sabendo que não ia dar muito certo e já prevendo como que isso ia acabar, ou seja, íamos subir de novo -
Eduarda - Mas a Loly só gosta de dormir comigo - fez beicinho -
Clara - Não acredito nisso, Duda. Vamos mesmo ter que subir de novo?
Eduarda - Por favor, por favorzinho - juntou as duas mãozinhas pra pedir, e eu não podia negar isso a ela por causa de um capricho meu -
Clara - Tá, vamos rapidinho - tirei o seu cinto e ela me abraçou como deu, depois beijou minha bochecha -
Eduarda - Obrigada, mãe. Por isso que a Loly também gosta muito de você - não consegui segurar o riso, e retribuí o beijo no rostinho dela -
Clara - Também adoro a Loly. Vamos lá pegar ela - saímos do carro, travei as portas novamente, deixei as nossas bolsas lá e pegamos o elevador na garagem mesmo. Subimos, toquei a campainha e a Joana atendeu novamente. Riu quando contei o motivo da nossa volta - Onde ela está?
Eduarda - Em cima da cama, eu acho
Clara - Fica aqui com a Joana que eu vou pegar, porque quando você entra naquele quarto esquece do mundo, e aí não vamos sair daqui hoje - ela e a Joana riram - Volto com a Loly rapidinho - pisquei pra ela e subi correndo, com receio de esbarrar com alguém pelo corredor. Fui direto pro quarto da Duda, peguei sua nova e inseparável bonequinha de pano em cima da cama, saí, fechei a porta devagarzinho pra não chamar atenção e comecei a ouvir vozes, uma bem exaltada inclusive, que iam ficando mais altas a medida que eu ia andando de volta pra escada, precisava ir embora logo. Porém, estagnei quando percebi que as vozes vinham do quarto do Júnior e ele parecia estar... chorando, ou desabafando, não sei. Fiquei preocupada imediatamente e isso me fez parar para escutar, mesmo que isso não fosse nada certo -
Neymar - Eu não aguento mais isso, mãe
Tia Ná - Então acaba com essa tortura. Conta a verdade pra ela, agora você pode, deve aliás. Eu no seu lugar já tinha colocado um ponto final nisso a muito tempo
Neymar - Não posso
Tia Ná - É claro que você pode - formou-se um silêncio estranho, já estava pensando em sair dali mas voltei a ouvir a voz dela - Quando nos importamos com alguém, é compreensível que queiramos proteger essa pessoa da dor. Isso funciona muito bem em algumas ocasiões. Mas em outras corremos o risco de carregar nos ombros mais estresse e responsabilidade do que seria justo, você precisa falar
Neymar - Nem sei como - sua voz estava tão desesperada... e eu comecei a ficar também, me perguntando se era de mim que estavam falando -
Tia Ná - Você já fez muito, meu filho. Chegou a hora de correr atrás da sua felicidade de novo, ela ainda está ao alcance das suas mãos
Neymar - Se ela acreditar em mim, acho difícil que me perdoe
Tia Ná - Por que não acreditaria? A Clara te ama, e não tem nada pra ser perdoado. Apenas me escuta, e vai atrás da sua felicidade antes que seja tarde demais - eu era o tema da conversa e não estava participando dela... ok, e isso nem era a coisa mais estranha que estava acontecendo no momento porque para piorar eu não estava conseguindo entender nada. Ia bater na porta quando ele falou novamente e o meu mundo desabou de uma vez só em cima de mim -
Neymar - Como é que eu vou falar que fui chantageado pela Bruna pra salvar vida do avô dela?
Clara - Que brincadeira é essa? - não consegui ficar calada e escondida perante a loucura absurda que ouvi e entrei no quarto mesmo sem ser convidada -
Tia Ná - Clara!
Neymar - Clara... - não sei qual dos dois ficou mais surpreso mas ele, sem dúvidas, ficou ainda mais desesperado do que estava antes, notei isso apenas pelo seu tom de voz -
Clara - Sim, acho que sou eu. Isso... isso que vocês estavam conversando... é brincadeira, não é? Por que estão falando disso? - eles se entreolharam enquanto eu esperava por uma resposta -
Tia Ná - Fica calma, tudo tem uma explicação
Clara - Explicação pra que? É claro que eu ouvi mal - ri, não porque estava achando graça daquela situação, mas porque estava muito nervosa e nem sabia o motivo - A Bruna não ia chantagear você por ser compatível com meu avô, né? - ri novamente, olhando pra ele, que estava muito sério. Meu coração pareceu ter parado por alguns milésimos de segundos, senti uma dor excruciante começar a latejar no peito, o ar faltou - Pelo amor de Deus, me digam que eu ouvi mal - silêncio total, e ninguém olhava pra mim - Isso não pode ser verdade. Pode? - tentei fazer com que falassem. O desespero estava começando a passar pra mim e algo me dizia que era apenas o começo -
Tia Ná - Tua felicidade veio atrás de você, não deixa ela escapar - falou pra ele ao levantar -
Clara - Tia... - estava me sentindo uma criança com medo de agulha, prestes a tomar vacina -
Tia Ná - Ouve - chegou mais perto de mim e segurou a minha mão com força - Apenas ouve o que ele tem pra te dizer e tudo vai fazer sentindo
Clara - Ouvir o que? - ela saiu do quarto sem dizer mais nada e eu estava com tanto medo que nem sei porque não saí também - Ouvir o que, Júnior? Vocês estavam brincando, certo?
Neymar - Não - respondeu depois do que pareceu uma eternidade e levantou também, ficamos frente à frente -
Clara - Não... o que?
Neymar - É tudo verdade
Clara - O que é verdade? - minha voz começou a tremer por antecipação e a Loly caiu da minha mão -
Neymar - A Bruna descobriu que era compatível com seu avô e aceitou ser doadora dele, contanto que eu me separasse de você
Clara - NÃO! - gritei horrorizada e fui parar no mesmo lugar que a Loly, não sei o que aconteceu, minhas pernas perderam completamente as forças - NÃO, NÃO E NÃO! - tentava dizer pra mim mesma que aquilo não era verdade, mas o que ele disse ficava se repetindo na minha cabeça, me fazendo querer gritar e chorar até não ter mais voz -
Neymar - Clara... - sentou no chão, ao meu lado, e tentou falar... tentou -
Clara - NÃO!
Neymar - Por favor, me ouve
Clara - NÃO PODE SER - eu queria ouvi-lo, juro que queria, só não estava conseguindo. "A Bruna descobriu que era compatível com seu avô e aceitou ser doadora dele, contanto que eu me separasse de você" ainda se repetia na minha mente, era só o que conseguia ouvir - ISSO NÃO ESTÁ ACONTECENDO
Neymar - Desculpa - olhei-o e quando percebi que também estava chorando, uma raiva enorme de tudo tomou conta de mim, queria apenas sumir do planeta. Qualquer coisa seria melhor do que vê-lo naquele estado ali, na minha frente e... por minha causa (?) -
Clara - Você podia ter falado comigo, a gente resolvia isso... Eu não acredito!
Neymar - Eu sei que podia, mas não tive coragem... Eu te conheço e...
Clara - E O QUE? - levantei quase arrancando meus cabelos. Por que não percebi nada? Meu Deus, como fui burra! - A gente podia ter resolvido isso juntos. Íamos achar um jeito, uma saída pra que tudo terminasse bem sem que ficássemos longe um do outro. Você viu como fiquei depois que descobri o que eles estavam me escondendo, sabe como que me senti traída... Por que fez isso também?
Neymar - PORQUE EU NÃO PENSEI, ANA CLARA! NÃO PENSEI - gritou, e eu me encolhi com o susto. Nunca o tinha visto tão desesperado e isso só me fez chorar ainda mais - Simplesmente não pensei - continuou mais baixinho - Depois que ela fez a... chantagem e eu fiquei sozinho pensando em tudo, foi como se... Foi como se tivesse revivendo tudo de alguns anos atrás, só que com papéis invertidos
Clara - Como assim? - perguntei com um fio de voz, sem entender onde queria chegar -
Neymar - Me coloquei no seu lugar, como você pediu que eu fizesse várias vezes - fiquei boquiaberta e engoli em seco - A vida do seu avô estava... nas minhas mãos - sua voz falhou, meu coração já estava em pedaços - Por isso me odiei por ter pensando em te odiar a quatro anos atrás, quando você fez o que fez. Você só pensou em mim quando foi embora. Eu só pensei em você agora - levantou também e se aproximou de mim - O que você faria se fosse o meu avô? - não respondi nada porque sim, eu provavelmente faria o mesmo - Eu sei que você também faria o que eu fiz, eu sei - a essa altura já não sabia dizer nem quem estava chorando mais e isso estava me destruindo por dentro - No momento que aceitei... terminar com você, não pensei em mim em nenhum momento porque te ver triste era a pior coisa do mundo e eu só queria te ver sorrir de novo. Sabia que com o seu avô bem, você voltaria a sorrir e... e depois acharia quem te fizesse mais feliz do que eu - balancei a cabeça, não querendo ouvir mais nada - Querendo ou não, isso tudo só veio reforçar que o você tinha feito quando foi embora, foi por amor. Porque fiz a mesma coisa agora. Eu queria te ver bem, mesmo que pra isso, eu precisasse ficar mal
Clara - Eu... não sei o que pensar. Não sei de mais nada. Não estou conseguindo lidar com isso, acho que não vou digerir nunca
Neymar - Você e a Eduarda são os meus maiores bens, e sabendo o quanto vocês o amam... eu não ia conseguir me perdoar nunca se acontecesse alguma coisa com ele, quando eu podia ter feito alguma coisa, por mais que tenha sido algo... louco.
Clara - Isso não pode estar acontecendo. Quando acho que minha vida está finalmente entrando nos eixos essa bomba explode... - ele ia falar algo, mas precisei interrompê-lo - Não, sério. Eu... eu preciso ir pra casa
Neymar - Assim? Desse jeito?
Clara - Por favor, me deixa ir
Neymar - Você não está bem
Clara - Era pra estar?
Neymar - Fica aqui. Vamos conversar
Clara - Não sei se quero ouvir mais alguma coisa, não sei se consigo. Só quero ficar sozinha. Só quero tentar assimilar tudo isso, acreditar...
Neymar - Não acredita em mim?
Clara - O problema não é esse
Neymar - Você confia em mim?
Clara - O problema não é esse...
Neymar - Confia ou não?
Clara - CONFIO A MINHA VIDA A VOCÊ. SERÁ QUE É O SUFICIENTE? - gritei também, com a cabeça prestes a explodir e antes que eu pudesse falar mais alguma coisa, ele me puxou para um abraço tão forte, mas tão necessário, como se precisássemos dele para recarregar as nossas fracas baterias. Dentro daquele abraço nada parecia real, por isso que eu queria permanecer nele pra sempre. Só que ouvir os seus soluços era quase como se uma faca tivesse atravessando o meu peito. Vê-lo chorar sempre foi a minha ruína, então fui eu que desfiz o abraço para enxugar cada lágrima dele - Claro que acredito em você, nunca duvidei da sua palavra, e não é isso que está em questão. Só que... é muita coisa pra digerir
Neymar - A gente vai conversar, não vai? Você vai me deixar explicar tudo? - assenti, talvez não muito convincente - Tem certeza que não prefere se acalmar primeiro e ir embora depois?
Clara - Não vou me acalmar, mas estou com a Duda. Minha atenção vai ser redobrada, não precisa se preocupar. E... não chora mais - passei a mão no seu rosto, enquanto ele também tentava enxugar as minhas lágrimas, em vão - Já estou me sentindo péssima por não ter percebido antes e ter feito você guardar isso por tanto tempo
Neymar - Não se culpa. Nenhum de nós tem culpa de nada - nem respondi. Ainda estava achando muito surreal as mãos dele no meu rosto - Avisa quando chegar? - assenti mais uma vez, ele me soltou e eu abaixei para pegar a Loly. Tentei enxugar o rosto com as mangas do blazer e dei as costas, ainda meio tonta. Já estava na porta quando ouvi a sua voz de novo e olhei pra trás - Eu te amo - parecia a primeira vez que ouvi isso da boca dele, precisei olhar pro teto, piscando algumas vezes. Se começasse a chorar de novo, como ia parar? -
Clara - Eu te amo. Agora mais do que nunca... - sorri em meio as lágrimas, não só por aquele ser um dos maiores sentimentos que residia em mim, mas por ter ouvido a voz da Dona Glória também “Ah, minha neta... às vezes a gente tem que se afastar das pessoas que amamos, mas nem por isso nosso amor por elas é menor, aliás podemos chegar a amá-las ainda mais”. Quando é que ela não está certa? O destino prega peças inimagináveis em nossas vidas.
Read:
- http://quetodomalvireamorquetodadorvireflor.blogspot.com.br/
- http://endlesslove-foryou.blogspot.com.br/
- http://amoreaponteentredoiscoracoes.blogspot.com.br/
- http://myeternoamornjr.blogspot.in/
- http://amortosemlimitesnjr.blogspot.com.br/
- http://seusorrissonjr.blogspot.com.br/
- http://vocetemmarcaemmimnjr.blogspot.com.br/
Vocês são incansáveis! Agradeço imensamente por cada palavrinha e por não terem desistido de mim, ou melhor da fic, apesar dela já ser um pedacinho de mim também!!
PARABÉNS (alguns bem atrasados, eu sei, espero que ainda esteja valendo) pra todas as pessoas que me pediram um capítulo como presente. As Ju's do grupo, Hanna, Lari... enfim, para aquelas que fizeram aniversário nesse último mês que passou e para quem ainda vai fazer nesse mês. Sintam-se todas abraçadas!
PARABÉNS (alguns bem atrasados, eu sei, espero que ainda esteja valendo) pra todas as pessoas que me pediram um capítulo como presente. As Ju's do grupo, Hanna, Lari... enfim, para aquelas que fizeram aniversário nesse último mês que passou e para quem ainda vai fazer nesse mês. Sintam-se todas abraçadas!
Agora uma curiosidade: A descrição do blog (aquela frase ali debaixo do título), mudei antes de postar o capítulo 54 - início da reviravolta - alguém reparou ou nem? Bem, pelas reações, aposto que muitas não repararam, ou não ligaram muito pro sentido dela hahahahaha . Ao meu ver, eu dei muitas dicas para que vocês não """"odiassem"""" o Júnior. Mas entendo que tenha sido difícil, afinal, pra mim era fácil detectar as pistas, eu sabia de tudo, vocês não. Mas agora já sabem, e eu espero que essa longa espera, e tudo que fiz pra consegui postar o quanto antes tenha valido a pena.
Fiquem bem e até a próxima!
Fiquem bem e até a próxima!








