Neymar - Que foi? - perguntou visivelmente sonolento -
Clara - Você não pode continuar assim, vai ficar cheio de dores. Deita direito, por favor - acho que ele demorou um pouco pra entender o que eu tinha dito por causa do sono, depois deitou normalmente e abriu os braços pra mim. Me encolhi ali dentro e fiquei sentindo ele alisar meu cabelo... até que parou, e sabia que já estava dormindo de novo. Levantei, dessa vez com muito mais cuidado, e coloquei um travesseiro no meu lugar. Ridículo, eu sei. Claro que ele ia perceber, mas estava me sentindo culpada por ter feito ele dormir de mal jeito... só esperava que não acordasse com dores. Eu não me perdoaria. Mas claro que só saberia se ele me dissesse, o que eu duvidava muito - Desculpa, meu amor - beijei seu rosto, ele se mexeu um pouco e seus braços pousaram no meu travesseiro. Sorri. Entrei no banheiro, me olhei no espelho e confirmei o estado lastimável dos meus olhos. Escovei os dentes, e lavei o rosto mas não adiantou muita coisa. Não me importei. Ninguém precisaria me encarar ainda. Saí do quarto na pontinha dos pés, e ao chegar na sala percebi que estava totalmente enganada, afinal, teria sim quem me encarasse. A Manu estava deitada desajeitadamente no sofá, ainda de pijama e com uma tigela cheia de cereais na mão, assistindo Bob Esponja. Poderia até dizer que estava surpresa, mas não era tão cedo assim e depois que começou a trabalhar os horários dela mudaram bastante. Poderia também voltar pro quarto - ela ainda não tinha me visto - mas não quis - Bom dia - ela desviou os olhos da TV, me viu e sorriu. Depois franziu a testa e balançou a cabeça, com certeza por causa dos meus olhos -
Manu - Bom dia - sorriu de novo - Achei que ia dormir lá com o Júnior
Clara - É, eu acho que ia mesmo - minha memória de repente reavivou algo: eu realmente ia dormir na casa dele, pelo menos era o que tínhamos planejado - Nem lembrei...
Manu - Não lembrou? - fez uma expressão obvia de confusão - Vocês brigaram?
Clara - O que? Não! - ela tinha que me fazer rir - Ele está dormindo no meu quarto
Manu - Hum, então foi apenas uma mudança de planos? - sabia muito bem no que ela estava pensando: besteira, claro -
Clara - É, uma mudança radical de planos - ela me avaliou um pouco -
Manu - Por que será que não estou gostando do tom da sua voz e dessa sua carinha? - suspirei -
Clara - Chega um pouco pra lá - ela endireitou-se imediatamente, acho que foi por causa da minha voz que ficou mais séria. Sentei ao seu lado - Meu avô está no hospital, Manu
Manu - De novo? O que aconteceu?
Clara - Surgiram umas manchinhas escuras na pele dele, e lá no hospital descobrimos que os remédios não são mais suficientes para tratar e eliminar a aplasia
Manu - Como assim? Por que não? - encolhi os ombros, também queria muito as respostas para essas perguntas - Como é que ele fica agora? - perguntou receosa -
Clara - Agora ele tem que ficar lá por uns dias e esperar... por um doador
Manu - Ah, não...
Clara - Sim! A melhor saída é um transplante de medula
Manu - Sério? - nem esperou que eu respondesse - Desculpa. É que não dá pra acreditar
Clara - Eu sei. A minha ficha também não queria cair... mas quando cheguei em casa e encontrei a minha cama, ela desabou em cima de mim e eu tive que aguentar
Manu - Por isso esses olhinhos meio inchados. Vem cá - me puxou para um abraço caloroso, achei que ia começar a chorar, mas surpreendendo a mim mesma, isso não aconteceu - Ainda não achou ninguém compatível?
Clara - Não sabemos. Fizemos o exame ontem, vamos pegar o resultado hoje
Manu - Quem fez?
Clara - Meus pais, eu e o Júnior
Manu - Ele também fez? - faltou pouco pro seu queixo cair, sorri levemente -
Clara - Sim
Manu - A vó Glória não?
Clara - Não, o doador precisa ter entre 18 e 54 ou 55 anos
Manu - Ah - ficou pensativa por um tempo - Quero fazer também. Mas espero sinceramente que nem precise. Um de vocês vai ser compatível
Clara - Tomara - respondi relembrando quando o médico disse o quão difícil é encontrar um doador na família -
Manu - Suspeitei que você não estava normal porque quando respondeu a mensagem e não comentou a selfie
Clara - Posso comentar agora, pessoalmente - riu - Estava linda, mas isso não é novidade nenhuma
Manu - Ah, meu Deus! Como é maravilhosa! - beijou meu rosto - Tenho até medo de perder
Clara - Crise de carência só eu posso ter por dividir o meu namorado com tanta gente - rimos um pouco -
Manu - Até parece que precisa. Ele pode ser o amor de muita gente, mas só você é o amor dele - sorri - Além do mais, lembra que eu te disse uma vez que na vida tudo tem seu lado bom e ruim? Então.. - sorriu e eu já tinha uma resposta pronta pra dá pra ela. Claro que não lembro, Manu. Mas... lembrei. Como é que podia não me lembrar se ela disse isso um dia depois de um certo beijo no vestiário do CT? Não conseguia esquecer nada que estava ligado de alguma forma com aquele dia. Acho que se eu fechasse os olhos ali, ainda conseguiria ouvi-lo dizer que não me odiava, que se preocupava comigo e... sentia minha falta. Não era mais tão doloroso lembrar... claro que não. Agora eu o tinha comigo. Até quis sorrir, mas a Manu não ia deixar passar -
Clara - Então aquela casa da selfie é o novo lar da Família Barros? - a técnica de mudar de assunto quase nunca falha -
Manu - Sim. Eles compraram já mobiliada, mesmo assim vão me deixar mexer em algumas coisas - minha técnica não falhou e a Manu me distraiu por um tempo. Quando ela foi tomar banho, eu voltei pro quarto, estava querendo fazer algo desde que descobri sobre a doença do meu avô mas ainda não tinha tido tempo... ou coragem. Liguei o macbook, sentei na minha cadeira, e comecei a pesquisar tudo que podia sobre Aplasia Medular. Cada site dizia uma coisa mas no final tudo se resumia nas coisas que ouvi do meu pai e do médico no dia anterior. Pesquisei também sobre os tais medicamentos imunossupressores, sobre transfusões sanguíneas e sobre transplante de medula óssea. Não dava mais pra ficar fingindo ou fugindo da realidade, ela estava exposta na nossa frente. A gente só tinha que aceitar, lutar contra ela e vencer. Li muitos depoimentos emocionantes de pacientes e doadores. Tive forças suficientes para criar esperanças. Sabia que tudo aquilo estava mexendo demais comigo, mas depois de ler tanta coisa, estava mais envolvida do que nunca. Quando me dei conta o relógio já marcava 09h30 e minha barriga roncou. O Júnior ainda estava dormindo exatamente do mesmo jeito que eu o deixei, então tive uma ideia e ele não acordaria antes que eu terminasse porque devia estar cansado. Era o mínimo que podia fazer por ele. Salvei alguns sites, desliguei o macbook, peguei meu bloco de notas e escrevi umas coisinhas. Deixei-o escondidinho debaixo da minha agenda, peguei uma roupa e entrei no banheiro. Tomei apenas um banho rápido, me enxuguei e me vesti no banheiro mesmo, fiz um rabo de cavalo no cabelo, usei um pouco de corretivo pra tentar esconder as olheiras e saí do quarto. Fui ver a Duda mas ela também ainda dormia agarradinha com a sua Minnie. Entrei na cozinha e a Manu estava começando a preparar o café. Abri os armários e a geladeira pra saber se tinha tudo que eu queria, mas faltava algumas coisas -
Clara - Vamos no mercado comigo? Pode ser o da esquina mesmo, quero comprar coisa pouca
Manu - Vamos - respondeu mesmo sem entender nada -
Clara - E quando voltarmos vai me ajudar, certo?
Manu - Ajudar em que?
Clara - Preparar o café da manhã, só isso - sorri e ela cerrou os olhos - Preciso distrair a mente até a hora de ir pro hospital de novo - depois de ouvir isso, ela largou a xícara que estava na mão, e me puxou pra fora da cozinha - Calma, não é só por isso também - ela parou -
Manu - O que tu está aprontando?
Clara - Nada. Só quero realmente preparar o café da manhã, mas aqui não tem tudo
Manu - Só isso?
Clara - Só isso
Manu - E o Júnior continua dormindo no seu quarto?
Clara - Sim - não sei porque mas as minhas bochechas arderam um pouquinho -
Manu - Já falei que você é uma romântica totalmente incurável? Sério, não tem mais jeito pra você
Clara - Sim, já e você nem foi a primeira pessoa a me dizer isso. Agora, vamos - peguei a chave da porta na mesinha de centro e dei um beijinho no Luck -
Manu - Isso só prova que tenho razão - pegou o celular em cima do sofá e saiu comigo. Descemos, falamos com o porteiro e caminhamos até o mercado conversando, quer dizer, a Manu ia falando sobre a minha romanticidade e eu apenas escutava tudo pela milésima vez. O mercado não estava muito cheio por causa do horário, ainda bem, porque comprei tudo que queria e voltamos pra casa rapidinho. Ninguém havia acordado ainda. Ótimo. A Manu me ajudou com algumas coisinhas, mas não era nada demais, o que mais tomou o meu tempo foi o cappuccino, porque apesar de saber fazer a um bom tempo, nunca tinha tentado -
Clara - Acho que o Júnior não ia gostar de saber que vai ser a minha cobaia... pensando bem, ele nem precisa saber - ela gargalhou. Depois de tudo pronto, peguei uma bandeja grande com pés, e arrumei-a com o iogurte, pão torrado, queijo, presunto, pãozinho de batata, o bolo que compramos pronto, suco de frutas, café preto, e o meu lindo cappuccino, tentei fazer um coração na espuminha. A Manu provou o pouco que sobrou na leiteira e disse que estava ótimo. Sorri, peguei os guardanapos de tecido e saí da cozinha antes que ela começasse com a zoação, porém, não adiantou. Mas estaria mentindo se dissesse que não gosto. Ela me acompanhou até o corredor, abriu a porta pra mim, depois voltou pra cozinha rindo. Entrei no quarto, a cama estava vazia e o Júnior estava saindo do banheiro, já de banho tomado - Não acredito! Volta pra cama agora! - sua primeira reação foi gargalhar, depois passou a olhar pra mim e para bandeja com a surpresa estampada no rosto - Com que direito você acorda antes da hora? - fiz bico e sabia que ele queria rir mas não o fez -
Neymar - Isso... isso tudo é pra mim? - encolhi os ombros e sorri, mordendo os lábios. Corei, com certeza - Por quê? - se aproximou de mim com um sorriso largo -
Clara - Preciso de um motivo pra mimar o meu namorado? - não achei que fosse possível mas o seu sorriso ficou ainda maior. Ele tirou a bandeja das minhas mãos - estava um pouco pesada, mas isso não me incomodou muito - e depois de dá um boa olhada nela, voltou a olhar pra mim. Seu sorriso estava me desconcentrando totalmente, estava quase me desfazendo ali mesmo quando senti suas mãos na minha cintura e no segundo seguinte já estávamos tão próximos que eu já podia sentir a sua respiração -
Neymar - Não, não precisa - sorri. Coloquei minhas mãos na sua nuca trazendo seu rosto para mais perto do meu e beijei-o em diversos pontos, de suas pálpebras, como ele tinha feito comigo quando me encontrou na praia no dia que descobri a doença do meu avô, até o seu queixo, desviando dos seus lábios -
Clara - Amo você - sorriu novamente, mas a sua boca já estava colada à minha quando retribuí. Meu corpo ainda se arrepiava como se fosse o primeiro beijo. Uma de suas mãos subiu para minha nuca também, a que permaneceu na minha cintura me apertou ainda mais, me mantendo presa à ele... como se eu quisesse me soltar. O que mais queria era estar ali, nos seus braços. Nossos lábios e línguas estavam em uma sintonia apurada, perfeita, tanto que nossas bocas mal se separavam quando implorávamos por oxigênio e voltávamos a nos beijar no segundo seguinte, como se dependêssemos daquilo para viver. Não sei por quanto tempo permanecemos assim, sem nenhuma segunda intenção, por incrível que pareça, mas lembrei do café da manhã e a muito custo consegui me afastar. Ele me puxou pra perto novamente, e colou nossas testas -
Neymar - Obrigado - murmurou -
Clara - Pelo café? Você nem provou nada ainda, aliás... já deve está tudo gelado - fiz bico novamente e ele o beijou -
Neymar - Por tudo - respondeu ainda muito próximo da minha boca -
Clara - Isso aqui não é nada perto do que você realmente merece... perto de tudo que vem fazendo por mim
Neymar - Então vamos deixar os agradecimentos de lado porque nenhum de nós faz nada por obrigação, certo? - sorri -
Clara - Certíssimo. Mas... meu café da manhã também precisa de atenção, é sério - gargalhou, e beijou a pontinha do meu nariz pra depois me soltar. Sentamos com a bandeja entre nós e a primeira coisa que lhe chamou à atenção foi o cappuccino -
Neymar - Você que fez?
Clara - Sim. Não se compara aos de Paris, mas... - rimos - Experimenta - ele fez o que pedi, depois ficou olhando pra mim com um olhar enigmático, doido para que eu perguntasse o que tinha achado mas como não fiz isso, ele riu -
Neymar - Maravilhoso!
Clara - Que bom! Esse é aquele momento que te digo que esse foi o meu primeiro cappuccino? - ele semicerrou os olhos, só o suficiente para fingir uma irritação -
Neymar - Então eu fui uma cobaia? - sorri, gosto de saber que ele pode ser um pouco previsível às vezes - Sorte sua está muito bom
Clara - Nem posso imaginar o que você faria caso tivesse ruim - ironizei -
Neymar - Não imagina mesmo? - ergueu uma das sobrancelhas, corei e ele riu com vontade -
Clara - Tento ser uma namorada legal e sou ameaçada? É isso mesmo? - ele parou de rir, se inclinou por cima da bandeja, segurou o meu rosto com uma das mãos, e me beijou, mesmo contra a minha vontade (ok, talvez eu quisesse, só não precisava deixar isso claro) -
Neymar - Você está muito acima de uma namorada legal - olhou diretamente pra mim e me perdi nos seus olhos por alguns segundos -
Clara - Você me desconcentra demais
Neymar - Você já me disse isso
Clara - Já? - assentiu - Então com certeza foi com o intuito de tentar fazer você parar, mas parece que não consegui. Tudo bem, estou tentando de novo - falei o mais sério que consegui e ele riu de mim, claro... então esqueci até do que estava falando. Poderia guardar seu riso apenas para mim, só pra poder ouvir naqueles dias ruins - Ah! Esqueci! - levantei da cama rapidamente -
Neymar - O que? - ele ainda estava rindo, só não sabia mais se o motivo era o mesmo ou se agora era porque quase derrubei a bandeja -
Clara - Quando falo que você me desconcentra, é sério - fui até a mesinha e peguei o papelzinho que estava escondido debaixo da agenda - Isso aqui era para estar dentro da bandeja - mostrei pra ele - Pra você ler antes de começar a comer
Neymar - Ainda dá tempo
Clara - Se não tivesse acordado antes da hora eu teria feito tudo do jeito certinho - ele ia falar mas já podia adivinhar o que era - Sim, eu sei. Claro que com a gente nada pode ser do jeito certinho - riu - Toma - estiquei a mão para lhe entregar o papel e ele o ignorou, segurando a minha mão e me fazendo sentar no seu colo. Pegou-o e o abriu. Eu ainda estava meio tonta com o fato de ter ido parar no seu colo de uma maneira tão rápida, então nem percebi que ele já estava lendo.
“Que a nossa próxima semana comece cheia de boas energias, pensamentos e vibrações. Que a gente tenha paz ao final de cada dia, tranquilidade para raciocinar nos momentos mais turbulentos e serenidade para tomar decisões. Que saibamos enxergar o lado mais leve e positivo das coisas. E que tenhamos a força necessária para dar um passo de cada vez. Amém!”
Neymar - Amém! - sussurrou ao meu ouvido com uma intensidade que me arrepiou e beijou minha bochecha. Tudo que tinha escrito era o que mais queria. Estava com as emoções à flor da pele, se começasse a rir ou chorar ali, não conseguiria parar e sabia o motivo... A distração uma hora ia acabar. E a única coisa que estava me mantendo de pé, e que me fez acordar mais tranquila era a esperança de resultados positivos nos exames que fizemos. Não gostava nem de pensar no contrário -
Clara - Estou me sentindo culpada até agora por ter feito você dormir sentado - voltei pro meu lugar e começamos a comer, ele guardou o papelzinho no bolso -
Neymar - A culpa não foi sua. Depois que você adormeceu fiquei com receio de te acordar caso te colocasse completamente deitada, então terminei pegando no sono também
Clara - Mas eu fiquei muito mais confortável que você
Neymar - É bom ouvir isso - sorriu -
Clara - Não é não. Você está com dor?
Neymar - Não
Clara - Me diria se tivesse?
Neymar - Amor, não precisa se preocupar com besteira
Clara - Você não me respondeu
Neymar - Diria - revirou os olhos e eu sorri. Posso ser bem chata quando quero. Quando terminamos de tomar café, levamos a bandeja pra cozinha, lavei a louça, ele enxugou e guardou. A Manu disse que queria passar o dia com a Dudoca e eu a agradeci por isso. Hoje, definitivamente, não seria o dia certo para levá-la pra visitar meu avô. O Júnior prometeu e pretendíamos cumprir sim, em um dia mais... tranquilo. Ela acordou às 11h, mas permaneceu de pijama e enquanto eu e a Manu preparávamos algo para comer, ela e o Júnior ficaram brincando na varanda, fazendo bolinhas de sabão que o Luck tentava pegar. Como todos nós tínhamos tomado café um pouco mais tarde que o normal, nosso almoço também foi tardio. Depois dei banho na Dudoca, lavei seu cabelo e vesti uma roupa bem fresquinha nela: um short de tecido leve e uma regatinha amarela. Penteei seu cabelo, colocando apenas uma tiara de lacinho pra franja não incomodá-la já que ainda estava molhado e o deixei solto atrás. Ela calçou uma rasteirinha, se despediu de mim e do Júnior e foi pra pracinha andar de bicicleta com a Manu e o Luck. Ficamos só eu e ele. O dia não estava ensolarado mas também não ameaçava chover, estava bem ameno e um vento bom vinha da varada, o que nos atraiu pra lá. Deitamos no sofá de palha super confortável escolhido a dedo pela Manu para ser colocado exatamente ali, e me deixei ficar quietinha, apenas ouvindo o coração dele. Ainda não entendia porque aquilo me acalmava tanto. Eu sabia que uma hora a distração ia acabar... e acabou. Meus pensamentos já giravam apenas em torno do hospital. Faltava pouco para saber os resultados daqueles exames. Faltava pouco pra ver meu avô... queria tanto que ele estivesse acordado. Queria poder olhar nos seus olhos e dizer que tudo vai ficar bem. Queria consegui passar pra ele a força e a esperança que o Júnior passa pra mim... nem sei como estaria enfrentando tudo isso sem ele ao meu lado e isso só reforça o quanto sou... dependente dele. Deveria me assustar ao chegar em uma conclusão como essa... deveria. Mas não consigo ter medo de nada quando ele está comigo.
neymarjr: Eu sempre vou estar ali, bem ali do seu lado, pra qualquer hora, momento, ou lugar. Nos melhores momentos para darmos risadas juntos e nos piores momentos para que choremos um no ombro do outro!! ️
Minha mãe me mandou uma mensagem avisando que sairia de casa em uma hora pra ir para o hospital. E essa simples mensagem despertou em mim a tensão, o nervosismo, a inquietação, a apreensão e a ansiedade, tudo de uma vez só. Gostaria muito de saber esconder, e talvez até saiba, mas não dele.
Neymar - Que foi? - hesitei mas entreguei meu celular pra ele e exalei um suspiro alto e frustrante -
Clara - Tenho medo de... - não me deixou terminar -
Neymar - Eu sei. Amor, olha pra mim - segurou o meu rosto e me fez olhar nos seus olhos, minhas joias raras - Eu ouvi o que o médico disse, só que existe uma chance. É pequena? É, mas a gente tem que acreditar nela com todas as forças - eu poderia dizer que pra quem está de fora tudo se torna mais fácil - porque realmente é - mas o fato é que ele também estava bastante envolvido nisso, então acreditava nas suas palavras e acreditava ainda mais na pequena chance que podia estar nos esperando. Tomamos banho juntos e mesmo assim eu saí do banheiro primeiro, já estava me vestindo quando ele também saiu apenas com uma toalha envolvendo a cintura e entendi o motivo da demora: ele havia tirado a barba de três dias -
Clara - Você fica muito neném sem barba
Neymar - É? - passou as mãos no rosto - Isso foi um elogio? - franziu a testa -
Clara - Pode não ter parecido mas foi. Eu poderia dizer que gosto, mas acontece que eu amo todas as suas faces, então fica difícil
Neymar - Linda! - sorriu e me deu um beijo. Terminamos de nos arrumar e saímos de casa no horário certinho, meus pais também deviam estar saindo naquele momento. Fomos no meu carro mas fui poupada de dirigir. O trânsito estava livre, e acho que chegamos juntos por esse motivo. Minha mãe estava com uma carinha bem melhor do que no dia anterior e enquanto subíamos contou que a minha avó também estava se sentindo bastante esperançosa. Quando chegamos a recepção da unidade de hematologia - estava mais vazia que o normal -, meu pai procurou por uma enfermeira e pediu para falar com o Dr. Marcelo. Minhas mãos começaram a suar enquanto esperávamos e ele apareceu cinco minutos depois - quase uma eternidade - com a minha avó e uns envelopes nas mãos -
Dr. Marcelo - Boa tarde - nos cumprimentou com um aceno e nós respondemos da mesma forma - Estava agora mesmo analisando os resultados dos exames de vocês - entregou a cada um de nós um envelope com nosso nome - Vocês preferem privacidade para abri-los ou...?
Débora - Eu acho que todo mundo aqui prefere ouvir logo o resultado final, Dr. - o envelope tremia um pouco nas mãos dela, o nervosismo era visível. O médico olhou para nós e como não dissemos nada, limpou a garganta. Fechei os olhos e apertei demais as mãos do Júnior -
Dr. Marcelo - Bom... eu sinto muito! Nenhum de vocês é compatível com o paciente - meu mundo ruiu em pedacinhos tão pequenos que provavelmente não seria mais possível catá-los para remontar. Estava completamente sem chão. Ninguém pronunciou uma palavrinha. O que havia pra falar? Nada - Eu realmente sinto muito. Mas se ninguém conhecido for compatível, só nos resta esperar
Clara - Esperar? Por quanto tempo? - consegui reunir míseras forças para falar -
Dr. Marcelo - Há hemocentros em várias partes do país. Ele vai entrar na fila de espera, e quando aparecer um doador cadastrado compatível no REDOME, que é o Registro Nacional de Doares de Medula Óssea, essa pessoa será chamada, decidirá se realmente quer doar, e se a compatibilidade for confirmada, nós ficaremos sabendo. Não se preocupem, vou deixá-los informados sempre
Clara - E até surgir alguém?
Dr. Marcelo - É melhor que ele fique aqui, apenas por precaução. Aqui temos mais controle de tudo. Mas não precisa se desesperar por isso, dependendo de como ele vai continuar reagindo aos imunossupressores, poderá voltar pra casa em breve
Clara - Ele vai ficar bem, não vai? - queria começar a chorar mas também queria saber de tudo que pudesse ser importante e ninguém ali parecia em condições de falar -
Dr. Marcelo - Vamos fazer de tudo pra isso, pode ter certeza. Por enquanto continuamos com os medicamentos
Clara - A gente não pode fazer nada?
Dr. Marcelo - Acho que podem sim - deu um sorrisinho educado - Com essa modernidade toda que temos a disposição agora, sugiro que vocês façam companhas nas redes sociais, mobilizem as pessoas, incentivem a doação. Vocês podem ajudar muitas outras pessoas também - assenti mas não quis perguntar mais nada, já tinha muito para assimilar - Estou a disposição de vocês, precisando é só chamar - assenti novamente e ele se retirou. Olhei pro Júnior e ele nem me deixou falar nada, apenas me abraçou apertado. Algumas lágrimas rolaram sem que eu pudesse controlar mas passei as mãos no rosto rapidamente -
Neymar - Lembra da pequena chance? Ela ainda existe, talvez esteja até um pouco maior - sussurrou e eu apenas intensifiquei a força do abraço. Quando nos separamos, olhei pra trás e vi minha mãe e minha avó sentadas. Fui até elas e agachei para ficarmos mais ou menos na mesma altura. Limpei as lágrimas de ambas, e segurei as mãos delas -
Clara - No Réveillon, quando me abraçou, ele me pediu para não esquecer nunca que o sol pode desaparecer por alguns instantes, mas nunca se esquece de brilhar - sorri, e respirei fundo, mesmo assim duas lágrimas ousadas rolaram pelo meu rosto. Minha avó limpou-as - Estamos no meio de uma tempestade horrível, mas o sol vai voltar a brilhar. Eu sei que vai, e preciso que vocês também acreditem nisso
Glória - Eu acredito! - beijou a minha mão e deu um leve sorriso. Já era alguma coisa, tinha que mantê-las com as cabeças erguidas, dispostas a enfrentar tudo. Olhei pra minha mãe -
Débora - Eu acredito! - não falou por falar, havia convicção em sua voz -
Murilo - Eu acredito! - colocou suas mãos por cima das nossas -
Neymar - Eu também acredito! - agachou ao meu lado e juntou suas mãos com as nossas também -
Clara - Temos que fazer meu avô acreditar também. Eu não sou um pouquinho pessimista à toa, herdei isso dele, mas não podemos deixar isso falar mais alto agora. Tenho certeza que tudo vai acabar bem - nos abraçamos (sim, todos ao mesmo tempo), não tinha ninguém olhando e se tivesse... isso não faria muita diferença. Precisávamos estar mais unidos do que nunca. Eu precisava deixá-los firmes e fortes porque a minha fachada ia desmoronar mais cedo ou mais tarde. A mesma enfermeira, Cristina, nos avisou que meu avô estava acordado e todo podíamos ir vê-lo mas pedi para que eles entrassem primeiro enquanto ia ao banheiro. Não que eu quisesse, - nem cheguei a entrar nele - só precisava de uns minutinhos para respirar fundo. A fachada já estava desmoronando. Mais cedo do que eu queria, só esperou que eu ficasse sozinha mesmo. Saí da área dos banheiros, voltei para recepção e o Júnior estava ali, à minha espera. Achei que ele tinha entrado no quarto também... mas claro que não acreditou que eu ia ao banheiro. Era quase obvio demais pra quem me conhece tão bem. Obvio demais pra ele -
Neymar - Vem cá - me chamou baixinho e nem hesitei. Sentei ao seu lado, ele me abraçou e as lágrimas logo vieram à tona. Queria conseguir ser mais forte, ou pelo menos aguentar até o final do dia. Queria... mas como ser forte quando a tempestade parece não ter fim e fica cada vez mais forte? Não consigo. Toda vez que acho que ela vai dar uma trégua, volta como um furacão. Os testes que fizemos era a minha grande esperança para que tudo isso acabasse o mais rápido possível mas tudo foi por água abaixo depois de ouvir “Nenhum de vocês é compatível com o paciente.” Claro que acreditava que íamos encontrar um doador e que isso não ia demorar mas era inevitável... meu peito doía só de lembrar que a chance de encontrar uma medula compatível no registro brasileiro é em média de 1 em 100.000. Todos os depoimentos que li pela manhã tinham finais felizes, apesar de muita luta e superação, por isso me emocionei tanto. Só queria que meu avô também escrevesse o seu final feliz. Não estava pedindo tanto assim... Quando levantei o rosto, me assustei ao ver lágrimas no rosto do Júnior também. Estava me sentindo tão vulnerável que isso me tocou de uma forma inexplicável -
Clara - Não chora, amor - pedi, tentando parar também -
Neymar - Não suporto te ver assim
Clara - Vai passar, é só que... - olhei pro teto e apertei os olhos. Não podia fazê-lo chorar também. Não sei se meu coração aguentaria tanta coisa ao mesmo tempo - Fingir ser uma pessoa forte dói, machuca... cansa - passei as mãos no seu rosto, enxugando-o e ele fez o mesmo comigo -
Neymar - Você foi maravilhosa com eles
Clara - Queria ser daquele jeito sempre
Neymar - Ei - olhei-o - Nunca ouviu dizer que até os fortes têm seus pontos fracos? - assenti - Você é forte e eu não quero que pense o contrário, ok?
Clara - Ok
Neymar - Ele deve está perguntando por você - dei um meio sorriso, ou tentei - Vamos lá - levantou e estendeu a mão pra mim. Fomos para o quarto, batemos na porta e entramos. Ele sorriu ao me ver e eu não tive como não retribuir -
Marcos - Achei que vocês tinham se perdido - riu e meu coração aqueceu um pouco -
Clara - Sempre muito engraçadinho
Marcos - É o único jeito de encarar bem o fato de ter que ficar nesse quarto por tempo indeterminado - resmungou -
Clara - Vai passar logo, você vai ver. Logo tudo ficará bem - me aproximei da cama, dei um beijo no seu rosto e ele fez questão de cumprimentar o Júnior com aqueles toques de mãos doidos, até a minha avó riu. Ela e os meus pais estavam no sofá-cama. No chão havia uma mala que com certeza era dela -
Marcos - Você estava chorando - constatou ao olhar bem pro meu rosto, não neguei e nem afirmei. Tinha quase certeza que ele também chorou antes que eu entrasse no quarto - Eu não quero que você fiquei chorando, Clara
Clara - Se fosse o contrário, você choraria?
Marcos - Essa história de "e se fosse o contrário" de novo?
Clara - Obvio, é muito simples. Responde
Marcos - Claro que sim
Clara - Então não me pede isso
Marcos - Teimosa
Clara - Estava com saudades de mim que eu sei - sorriu -
Marcos - Estava mesmo, mas tenho um aviso para lhe dar
Clara - Aviso?
Débora - É, ele acha que nós vamos obedecer
Clara - Como assim? O que é?
Marcos - Nada de ficar vindo pra cá todos os dias, tá certo? Não sei até quando pretendem me deixar aqui mas você tem a sua vida e o que menos quero a essa altura do campeonato é atrapalhar
Clara - Não vai me atrapalhar
Marcos - Todo mundo diz isso
Clara - Porque é a verdade. Então o assunto está encerrado
Marcos - Teimosa - repetiu e eles riram novamente. Me aliviava um pouco saber que ele estava tentando não se deixar abater, porque pode até falar de mim mas é muito mais teimoso, orgulhoso e pessimista do que eu. Herdei apenas metade de tudo isso.
****
Clara - Vó? - chamei-a assim que saímos do quarto, quase duas horas depois. E percebi que não só o seu, mas o semblante de todos nós já estava diferente de novo. Na presença do meu avô até ríamos, tudo parecia normal demais, mas era só sairmos do quarto pra seriedade e a apreensão voltarem. Nem sabíamos - ou queríamos - esconder, era bem nítido -
Glória - Que foi? - se aproximou de mim, deixando o Júnior e meus pais do outro lado da ampla sala da recepção -
Clara - Vi que tem uma mala no quarto...
Glória - Ah, é. Trouxe hoje, tem coisas minhas e dele pra não precisar ficar trazendo algo todos os dias
Clara - Vó, você não precisa ficar aqui todos os dias. A gente pode revesar. Eu trabalho dia sim, dia não, lembra?
Glória - Eu sei. A sua mãe também já me propôs isso mas eu quero ficar
Clara - Vai ser cansativo demais, aquele sofá-cama não é pra você
Glória - Eu não me importo
Clara - Eu me importo. E pelo visto a minha mãe também
Glória - Não precisa se preocupar. Seu avô já fez demais por mim, demais mesmo. Chegou a hora de retribuir
Clara - Mas... - ela me interrompeu e segurou a minha mão -
Glória - Não estou aqui por obrigação. Eu o amo - sorri emocionada - Não quero sair de perto dele, por favor - que argumentos eu ainda tinha contra uma mulher que queria apenas ficar perto do homem que ama? Nenhum! Só abracei-a e o assunto foi encerrado. Fomos embora alguns minutos depois, meus pais também se despediram da minha avó - que pelo que vi, já tinha feito amizade com a enfermeira - e assim como chegamos, saímos também juntos. Nos despedimos no estacionamento e cada um foi para um lado -
Clara - Ei - ele olhou pra mim enquanto colocava o cinto - O que meu avô te disse antes de sairmos do quarto quando te chamou?
Neymar - Apenas me fez alguns pedidos
Clara - Posso saber quais pedidos foram esses? - sorriu -
Neymar - O primeiro foi, não te deixar ir ao hospital todos os dias - revirei os olhos -
Clara - Ele não desiste. Enfim, e os outros?
Neymar - Pediu pra continuar cuidando de você e pra te distrair, não deixar que você fique obcecada, só pensando em quando vai aparecer um doador compatível - tão fácil falar, pensei -
Clara - Só isso? - assentiu enquanto dava partida - Obrigada - beijei seu rosto, ele apenas sorriu e piscou. Revirei minha bolsinha atrás do celular e vi os resultados do exame dele e do meu. Sinceramente? Não ia nem abrir. Não precisava levar mais um soco confirmando o que já sabia. Peguei o celular, procurei por uma imagem na internet que significasse tudo que queria dizer e postei-a.
clarabarcelar_: Amar é importante, mas o verdadeiro e incondicional amor vem de nossa própria família, podemos brigar e entrar em confusões, mas eles nunca deixarão de nos amar por sermos quem somos, não precisamos construir personagens com eles, podemos ser como somos, não precisamos sorrir quando não queremos, muito menos sermos gentis quando estamos em um mau dia... E, mesmo assim, eles não nos deixarão de amar, podemos brigar, mas eles não vão nos deixar por isso. Então, não esqueça daqueles que estiveram por toda sua vida perto de você, pois eles realmente te amam como você é, sem máscaras e sem interesse. Dê valor a sua família e, não se esqueça que, como todos, eles também estão de passagem por esse mundo... Por isso, é preciso valorizar cada momento, cada segundo e não deixar de demonstrar o quanto são importantes para nós, a vida pode parecer difícil em determinados momentos, mas, acredite, completamente sozinhos, ela se torna ainda mais...
Passei o resto do caminho até o apê no twitter, apenas lendo tudo que me mencionavam. Posso dizer que me assustei com meu número de seguidores, e ainda achava aquilo tudo muito estranho. Quando chegamos ao meu prédio, ele estacionou na minha vaga, saímos do carro, travei as portas, chamei o elevador e subimos.
Clara - Quando vai pegar seu carro lá no CT?
Neymar - Meu pai já pegou, relaxa - chegamos ao nosso andar, abri a porta e para nossa grande surpresa, a Rafa também estava com a Manu e a Dudoca. Elas estavam arrumadas, ou iam sair ou estavam chegando de algum lugar. Apostava mais na primeira opção -
Eduarda - Mãe! Pai! - levantou do tapete, onde estava com o Luck e se aproximou de nós dois rapidamente - Como o biso está? - olhei pra Manu, ela gesticulou apenas com os lábios um “eu tive que contar” meio envergonhado e eu assenti -
Clara - Ele está bem, boneca - passei a mão no seu rostinho -
Eduarda - E quando eu vou poder ver ele?
Clara - Amanhã, pode ser?
Eduarda - Sim! - sorriu lindamente pra nós dois e voltou a dar atenção pro Luck. Sentei no sofá, ao lado da Rafa e dei um beijo no seu rosto. O Júnior também beijou o rosto dela e sentou ao meu lado, no espacinho que sobrava no sofá, já que a Manu estava em uma das poltronas -
Rafa - E aí, como foi?
Clara - Não foi - balancei a cabeça -
Manu - Nenhum de vocês é compatível? - perguntou surpresa demais -
Clara - Pois é...
Rafa - Ah, meu Deus!
Manu - Não acredito! - a reação delas me deixou tensa de novo, e ele percebeu -
Neymar - Não fiquem pensando apenas nessa parte ruim, o Dr. Marcelo disse que o nome dele já vai entrar na fila de espera e estou confiante de que logo vai aparecer alguém
Manu - Segunda-feira sem falta vou fazer esse teste que vocês fizeram também, prometo - sorri levemente -
Rafa - E eu?
Clara - Você ainda vai completar 18, bebezinha, não pode - apoiei a cabeça no seu ombro, ela riu e fez bico - Estou bem assustada com tudo isso mas... confiante também
Manu - Tem que estar, sempre!
Rafa - De outro jeito a cabeça fica uma loucura, mas vai acabar tudo bem
Manu - Também acho, e já falei isso - ficou pensativa por um tempo, por isso só ouvíamos a voz da Duda falando com o Luck, totalmente alheia ao nosso assunto sério - Acho que não tem mais clima pra sair, né? - olhou pra Rafa e ela torceu a boca -
Clara - Vocês iam sair? Que isso, podem ir. Seu Marcos odiaria saber que vocês deixaram de se distrair por causa dele, sério - rimos um pouco -
Manu - É que na verdade estávamos esperando por vocês para irmos juntos
Clara - Nos esperando? - questionei, mas olhei pro Júnior, ele encolheu os ombros então também não sabia de nada -
Manu - Primeira social do ano. Comemoraçãozinha básica do aniversário do meu amor. Red Sun - resumiu e sorriu de lado -
Rafa - Mas podemos marcar pra outro dia
Manu - É... eu concordo com o que vocês decidirem, e os meninos com certeza vão entender - estava pronta para (infelizmente) dizer não, tomar um banho e já vestir o pijama... não pretendia sair de casa. E faria isso, se o Júnior não tivesse se antecipado e confirmado a nossa presença. Não tive coragem de discordar. As meninas já estavam prontas e lindas... realmente, só nos esperando (provavelmente esperavam boas notícias também). Levantei contrariada e fui pro meu quarto, ainda precisaria de um banho porque conseguia sentir o cheiro de hospital nas minhas roupas -
Neymar - Clara? - sim, eu ouvi mas entrei no banheiro e ignorei. Claro que ele percebeu, entrou também e me prensou contra a parede - Você mesma disse que seu avô odiaria saber que você deixou de sair por causa dele - usou as minhas palavras contra mim -
Clara - Não sei se sou boa companhia hoje...
Neymar - Ok, essa desculpa não colou, tenta outra
Clara - Não sei se quero ir...
Neymar - Eu prometi pra ele que ia cuidar de você, te distrair... e vou cumprir
Clara - Sei que prometeu e te amo ainda mais por isso, mas... não dá
Neymar - Olha, a gente não precisa madrugar lá, nem rir até a barriga doer ou participar de todas as conversas... Eu sei que é difícil, o momento não é o melhor mas eu também não vou deixar você ficar em casa pensando no que não deve - todas as suas palavras me tocaram de uma forma inexplicável, incompreensível... sei lá, me fizeram bem. Por que ele sabe sempre as coisas certas pra dizer? Não sabia responder a essa pergunta mas sabia que ele era meu e me sentia extremamente sortuda por isso. Bastava, então. Ele ainda esperava que eu dissesse alguma coisa, segurei o seu rosto, que estava muito próximo do meu e apenas beijei-o -
Clara - Desculpa a minha chatice? - sorriu -
Neymar - Só desculpo se conseguir ficar pronta antes de mim
Clara - Ufa! Desculpa garantida, então - sorri verdadeiramente -
Neymar - É assim que eu quero te ver, por favor - meu pobre coração derreteu por completo. Não era um simples pedido, parecia uma súplica, como se ele dependesse de mim da mesma forma que dependo dele (no bom sentindo... se é que existe algum ruim). Seria possível sermos tão loucos um pelo outro? Sorri de novo com meus próprios pensamentos e ele sorriu também, como se conseguisse ler a minha mente. Se é nos momentos mais difíceis que descobrimos quem amamos e quem nos ama de verdade, naquele momento, sabia que tinha acabado de me apaixonar de novo pelo dono dos pequenos olhos meio esverdeados que me encaravam intensamente, com um certo brilho bem lá no fundo. Pedi internamente para ser a única a fazê-los brilharem daquele jeito especial e os nossos lábios voltaram a se encontrar, como imãs que não conseguem ficar separados por muito tempo -
Eduarda - Pai? - ouvimos a voz dela meio distante então sabíamos que ainda não estava no quarto mas estava se aproximando dele, um timing perfeito. Rimos e ele falou algo meio incompreensível enquanto me dava alguns selinhos, tenho quase certeza que pediu para eu me arrumar logo, só que estava realmente mais entretida recebendo o seu carinho repentino do que prestando atenção ao que falava, mas foi algo assim. A Duda o chamou novamente, rimos e ele saiu do banheiro. Quando saí também eles não estavam mais no quarto. Estava mais... disposta a sair. Não animada, apenas disposta... e isso significava vontade zero de ficar procurando roupa. Peguei uma saia jeans branca, uma blusinha estampada e estava ótimo pra mim. Não íamos pra nenhum lugar que precisasse de algo extravagante também. Tomei um banho rápido, me enxuguei, passei hidratante no corpo, me vesti, fiz um rabo de cavalo alto, calcei uma rasteirinha e me perfumei. Fiquei na sala com as meninas esperando o Júnior se arrumar também e dessa vez ele não demorou (sem ironia). Trancamos tudo, descemos e saímos no carro da Manu. Chegamos ao Red Sun e quando o recepcionista estava nos informando qual era a mesa dos meninos, uma fã do Júnior o reconheceu (coincidentemente ela estava atrás de nós com a família, também aguardando para serem atendidos pelo recepcionista). Ela começou a chorar, o que assustou a sua própria família, pelo menos até eles entenderem o motivo, aí o susto deu lugar a surpresa. O Júnior cumprimentou todos, abraçou-a e ela pediu um abraço e uma foto com todo mundo, inclusive comigo, que estava mais afastada com a Duda e a Manu. Fiquei processando o pedido dela por um tempo, mas se já era estranho ela pedir, seria ainda mais se eu negasse, nem tinha porquê. Tenho que dizer que a Manu adorou esse momento, aliás, ela e a Duda pareciam estar curtindo tudo, e sim, ainda estávamos na recepção da pizzaria. No final, a Amande, esse era o nome dela, agradeceu muito, ficou com os olhinhos cheios de lágrimas de novo e nos guiou com os olhos até onde conseguiu, já que a nossa mesa era do outro lado do salão. Gil, Jota, Gus, Gui, Cris, João, Alvaro, Pedro, André, Tayná, Laila, Marcela e... até a Júlia estava presente. Nós nem nos cumprimentamos, mas creio que ninguém percebeu, a mesa estava bem cheia e agitada, todo mundo falando ao mesmo tempo, enfim... foi melhor assim. Se ela parecia realmente não gostar de mim, não tinha motivos para gostar dela... logo, não seria um cumprimento sincero. Sentamos, fizemos os pedidos, e inicialmente os temas dos diálogos eram os mais variados possíveis, o Gil ainda ganhou mais alguns presentinhos das pessoas que não tinham visto ele na quinta-feira (9), dia do seu aniversário, mas depois (in)felizmente o assunto se tornou mais sério, ou seja, aquele que vinha mexendo comigo. Porém, o rumo que as conversas tomaram me animou um pouco, e até me deixou meio emocionada porque eu estava me agarrando a toda e qualquer esperança que surgisse e ter muitos deles querendo ajudar era um incentivo a mais pra ter confiança. É por isso que o Seu Marcos sempre diz que quem tem amigos, tem tudo.
****
Meu relógio de pulso marcava exatamente 23h50 quando nos despedimos e cada um seguiu para um lado. Não vimos a Amande de novo, ela já devia ter ido embora. Fomos para o estacionamento e a divisão no carro teve que ser um pouco modificada por causa do Gil. Ele foi na frente com a Manu e atrás fomos eu, o Júnior, a Rafa e a Dudoca em seu colo. Quando chegamos no apê, ainda improvisamos um cineminha na sala mesmo. Minha pequena tentou ao máximo resistir ao sono mas ele falou mais alto antes que a comédia chegasse na metade e ela adormeceu com a cabeça no meu colo. Fui colocá-la no seu quarto, aproveitei pra pegar um travesseiro pra Rafa também porque elas iriam dormir juntas. Ficaria até com ciúmes se a minha companhia também não fosse tão maravilhosa porque, convenhamos, dormir agarradinha com a Duda é uma das melhores coisas que existe. Voltei pra sala e depois de dois filmes, sabíamos que não íamos conseguir assistir mais nenhum, por isso fomos para nossos quartos.
Neymar - Então, valeu a pena sair? - saiu do banheiro e deitou com a cabeça no meu colo, já que eu ainda estava sentada -
Clara - Hum, não sei se devo responder
Neymar - Por quê não?
Clara - Você pode ficar muito convencido, ainda corro o risco de ouvir um "Eu disse, não disse?" - riu -
Neymar - Não vou falar nada, juro
Clara - Ok, foi maravilhoso, consegui me distrair um pouco. E pra isso nem precisei madrugar lá, rir até a barriga doer, muito menos participar de todas as conversas... sim, valeu a pena - sorriu de um modo admirável, sério, poderia ficar olhando para aquele sorriso sem cansar. Não resisti, e lhe dei um selinho estalado, o que o fez rir e retribuir com vários outros. Estava me sentindo exausta mas eram momentos simples como esse, de puro mimo, que me faziam esquecer as coisas ruins do meu dia. Ultimamente ele e a Duda eram a minha tábua de salvação. Não precisava ser forte com eles... apenas eu, necessitada demais de um carinho extra, e isso eles sabiam me dar sem se esforçarem muito.
Read ♥ → http://seumundomeumundo-njr.blogspot.com.br/
Clara - Quando vai pegar seu carro lá no CT?
Neymar - Meu pai já pegou, relaxa - chegamos ao nosso andar, abri a porta e para nossa grande surpresa, a Rafa também estava com a Manu e a Dudoca. Elas estavam arrumadas, ou iam sair ou estavam chegando de algum lugar. Apostava mais na primeira opção -
Eduarda - Mãe! Pai! - levantou do tapete, onde estava com o Luck e se aproximou de nós dois rapidamente - Como o biso está? - olhei pra Manu, ela gesticulou apenas com os lábios um “eu tive que contar” meio envergonhado e eu assenti -
Clara - Ele está bem, boneca - passei a mão no seu rostinho -
Eduarda - E quando eu vou poder ver ele?
Clara - Amanhã, pode ser?
Eduarda - Sim! - sorriu lindamente pra nós dois e voltou a dar atenção pro Luck. Sentei no sofá, ao lado da Rafa e dei um beijo no seu rosto. O Júnior também beijou o rosto dela e sentou ao meu lado, no espacinho que sobrava no sofá, já que a Manu estava em uma das poltronas -
Rafa - E aí, como foi?
Clara - Não foi - balancei a cabeça -
Manu - Nenhum de vocês é compatível? - perguntou surpresa demais -
Clara - Pois é...
Rafa - Ah, meu Deus!
Manu - Não acredito! - a reação delas me deixou tensa de novo, e ele percebeu -
Neymar - Não fiquem pensando apenas nessa parte ruim, o Dr. Marcelo disse que o nome dele já vai entrar na fila de espera e estou confiante de que logo vai aparecer alguém
Manu - Segunda-feira sem falta vou fazer esse teste que vocês fizeram também, prometo - sorri levemente -
Rafa - E eu?
Clara - Você ainda vai completar 18, bebezinha, não pode - apoiei a cabeça no seu ombro, ela riu e fez bico - Estou bem assustada com tudo isso mas... confiante também
Manu - Tem que estar, sempre!
Rafa - De outro jeito a cabeça fica uma loucura, mas vai acabar tudo bem
Manu - Também acho, e já falei isso - ficou pensativa por um tempo, por isso só ouvíamos a voz da Duda falando com o Luck, totalmente alheia ao nosso assunto sério - Acho que não tem mais clima pra sair, né? - olhou pra Rafa e ela torceu a boca -
Clara - Vocês iam sair? Que isso, podem ir. Seu Marcos odiaria saber que vocês deixaram de se distrair por causa dele, sério - rimos um pouco -
Manu - É que na verdade estávamos esperando por vocês para irmos juntos
Clara - Nos esperando? - questionei, mas olhei pro Júnior, ele encolheu os ombros então também não sabia de nada -
Manu - Primeira social do ano. Comemoraçãozinha básica do aniversário do meu amor. Red Sun - resumiu e sorriu de lado -
Rafa - Mas podemos marcar pra outro dia
Manu - É... eu concordo com o que vocês decidirem, e os meninos com certeza vão entender - estava pronta para (infelizmente) dizer não, tomar um banho e já vestir o pijama... não pretendia sair de casa. E faria isso, se o Júnior não tivesse se antecipado e confirmado a nossa presença. Não tive coragem de discordar. As meninas já estavam prontas e lindas... realmente, só nos esperando (provavelmente esperavam boas notícias também). Levantei contrariada e fui pro meu quarto, ainda precisaria de um banho porque conseguia sentir o cheiro de hospital nas minhas roupas -
Neymar - Clara? - sim, eu ouvi mas entrei no banheiro e ignorei. Claro que ele percebeu, entrou também e me prensou contra a parede - Você mesma disse que seu avô odiaria saber que você deixou de sair por causa dele - usou as minhas palavras contra mim -
Clara - Não sei se sou boa companhia hoje...
Neymar - Ok, essa desculpa não colou, tenta outra
Clara - Não sei se quero ir...
Neymar - Eu prometi pra ele que ia cuidar de você, te distrair... e vou cumprir
Clara - Sei que prometeu e te amo ainda mais por isso, mas... não dá
Neymar - Olha, a gente não precisa madrugar lá, nem rir até a barriga doer ou participar de todas as conversas... Eu sei que é difícil, o momento não é o melhor mas eu também não vou deixar você ficar em casa pensando no que não deve - todas as suas palavras me tocaram de uma forma inexplicável, incompreensível... sei lá, me fizeram bem. Por que ele sabe sempre as coisas certas pra dizer? Não sabia responder a essa pergunta mas sabia que ele era meu e me sentia extremamente sortuda por isso. Bastava, então. Ele ainda esperava que eu dissesse alguma coisa, segurei o seu rosto, que estava muito próximo do meu e apenas beijei-o -
Clara - Desculpa a minha chatice? - sorriu -
Neymar - Só desculpo se conseguir ficar pronta antes de mim
Clara - Ufa! Desculpa garantida, então - sorri verdadeiramente -
Neymar - É assim que eu quero te ver, por favor - meu pobre coração derreteu por completo. Não era um simples pedido, parecia uma súplica, como se ele dependesse de mim da mesma forma que dependo dele (no bom sentindo... se é que existe algum ruim). Seria possível sermos tão loucos um pelo outro? Sorri de novo com meus próprios pensamentos e ele sorriu também, como se conseguisse ler a minha mente. Se é nos momentos mais difíceis que descobrimos quem amamos e quem nos ama de verdade, naquele momento, sabia que tinha acabado de me apaixonar de novo pelo dono dos pequenos olhos meio esverdeados que me encaravam intensamente, com um certo brilho bem lá no fundo. Pedi internamente para ser a única a fazê-los brilharem daquele jeito especial e os nossos lábios voltaram a se encontrar, como imãs que não conseguem ficar separados por muito tempo -
Eduarda - Pai? - ouvimos a voz dela meio distante então sabíamos que ainda não estava no quarto mas estava se aproximando dele, um timing perfeito. Rimos e ele falou algo meio incompreensível enquanto me dava alguns selinhos, tenho quase certeza que pediu para eu me arrumar logo, só que estava realmente mais entretida recebendo o seu carinho repentino do que prestando atenção ao que falava, mas foi algo assim. A Duda o chamou novamente, rimos e ele saiu do banheiro. Quando saí também eles não estavam mais no quarto. Estava mais... disposta a sair. Não animada, apenas disposta... e isso significava vontade zero de ficar procurando roupa. Peguei uma saia jeans branca, uma blusinha estampada e estava ótimo pra mim. Não íamos pra nenhum lugar que precisasse de algo extravagante também. Tomei um banho rápido, me enxuguei, passei hidratante no corpo, me vesti, fiz um rabo de cavalo alto, calcei uma rasteirinha e me perfumei. Fiquei na sala com as meninas esperando o Júnior se arrumar também e dessa vez ele não demorou (sem ironia). Trancamos tudo, descemos e saímos no carro da Manu. Chegamos ao Red Sun e quando o recepcionista estava nos informando qual era a mesa dos meninos, uma fã do Júnior o reconheceu (coincidentemente ela estava atrás de nós com a família, também aguardando para serem atendidos pelo recepcionista). Ela começou a chorar, o que assustou a sua própria família, pelo menos até eles entenderem o motivo, aí o susto deu lugar a surpresa. O Júnior cumprimentou todos, abraçou-a e ela pediu um abraço e uma foto com todo mundo, inclusive comigo, que estava mais afastada com a Duda e a Manu. Fiquei processando o pedido dela por um tempo, mas se já era estranho ela pedir, seria ainda mais se eu negasse, nem tinha porquê. Tenho que dizer que a Manu adorou esse momento, aliás, ela e a Duda pareciam estar curtindo tudo, e sim, ainda estávamos na recepção da pizzaria. No final, a Amande, esse era o nome dela, agradeceu muito, ficou com os olhinhos cheios de lágrimas de novo e nos guiou com os olhos até onde conseguiu, já que a nossa mesa era do outro lado do salão. Gil, Jota, Gus, Gui, Cris, João, Alvaro, Pedro, André, Tayná, Laila, Marcela e... até a Júlia estava presente. Nós nem nos cumprimentamos, mas creio que ninguém percebeu, a mesa estava bem cheia e agitada, todo mundo falando ao mesmo tempo, enfim... foi melhor assim. Se ela parecia realmente não gostar de mim, não tinha motivos para gostar dela... logo, não seria um cumprimento sincero. Sentamos, fizemos os pedidos, e inicialmente os temas dos diálogos eram os mais variados possíveis, o Gil ainda ganhou mais alguns presentinhos das pessoas que não tinham visto ele na quinta-feira (9), dia do seu aniversário, mas depois (in)felizmente o assunto se tornou mais sério, ou seja, aquele que vinha mexendo comigo. Porém, o rumo que as conversas tomaram me animou um pouco, e até me deixou meio emocionada porque eu estava me agarrando a toda e qualquer esperança que surgisse e ter muitos deles querendo ajudar era um incentivo a mais pra ter confiança. É por isso que o Seu Marcos sempre diz que quem tem amigos, tem tudo.
****
Meu relógio de pulso marcava exatamente 23h50 quando nos despedimos e cada um seguiu para um lado. Não vimos a Amande de novo, ela já devia ter ido embora. Fomos para o estacionamento e a divisão no carro teve que ser um pouco modificada por causa do Gil. Ele foi na frente com a Manu e atrás fomos eu, o Júnior, a Rafa e a Dudoca em seu colo. Quando chegamos no apê, ainda improvisamos um cineminha na sala mesmo. Minha pequena tentou ao máximo resistir ao sono mas ele falou mais alto antes que a comédia chegasse na metade e ela adormeceu com a cabeça no meu colo. Fui colocá-la no seu quarto, aproveitei pra pegar um travesseiro pra Rafa também porque elas iriam dormir juntas. Ficaria até com ciúmes se a minha companhia também não fosse tão maravilhosa porque, convenhamos, dormir agarradinha com a Duda é uma das melhores coisas que existe. Voltei pra sala e depois de dois filmes, sabíamos que não íamos conseguir assistir mais nenhum, por isso fomos para nossos quartos.
Neymar - Então, valeu a pena sair? - saiu do banheiro e deitou com a cabeça no meu colo, já que eu ainda estava sentada -
Clara - Hum, não sei se devo responder
Neymar - Por quê não?
Clara - Você pode ficar muito convencido, ainda corro o risco de ouvir um "Eu disse, não disse?" - riu -
Neymar - Não vou falar nada, juro
Clara - Ok, foi maravilhoso, consegui me distrair um pouco. E pra isso nem precisei madrugar lá, rir até a barriga doer, muito menos participar de todas as conversas... sim, valeu a pena - sorriu de um modo admirável, sério, poderia ficar olhando para aquele sorriso sem cansar. Não resisti, e lhe dei um selinho estalado, o que o fez rir e retribuir com vários outros. Estava me sentindo exausta mas eram momentos simples como esse, de puro mimo, que me faziam esquecer as coisas ruins do meu dia. Ultimamente ele e a Duda eram a minha tábua de salvação. Não precisava ser forte com eles... apenas eu, necessitada demais de um carinho extra, e isso eles sabiam me dar sem se esforçarem muito.
Read ♥ → http://seumundomeumundo-njr.blogspot.com.br/
Olá, amores
O que vocês acham que vai acontecer agora? Acho que posso dizer apenas que a partir do próximo capítulo a história vai dar uma reviravolta. Não se assustem, apenas tentem confiar nas minhas loucuras, please! ahahaha. Lendo os comentários de vocês, imagino mil e uma coisas que podem estar passando pelas cabeças de vocês, sério. Penso e tento interpretar tudo como leitora também, por isso tudo que vocês dizem é importante pra mim!!
Amei a feliz coincidência com minha linda anônima que também está ou estava fazendo um trabalho sobre transplante de medula óssea. Quando tive a ideia do que queria fazer, estudei como se fosse um trabalho para o colégio também, ficou até mais fácil de entender um assunto tão complexo.
É isso amores, beijocas! ️



Amei o capitulo e acho que o Júnior poderia postar no instagram dele pedindo ajuda em nome do avô da Clara pros seguidores e como são muitos, lá ele iria conseguir encontrar um doador e consequentemente ajudaria mais pessoas a salvarem vidas.
ResponderExcluirAnsiosa pra saber como vai ser essa reviravolta na história, capitulo maravilhoso ❤
ResponderExcluircontinuuuua!
ResponderExcluirVc é a melhor. Quero ver logo essa reviravolta que vai dar. Continuaa..♡♥
ResponderExcluirEu não tenho mais palavras para descrever sua história. Vc é incrível Gabii!
ResponderExcluirComo assim reviravolta? Cê me deixou curiosa, vai ter que postar logooo hahaha
Eles vão se separar? :(
peeerfeeito ♥ indica ? http://nuncaimagineiquefossediferente.blogspot.com.br/
ResponderExcluirSe puderem, leiam
ResponderExcluirhttp://geezersdodl.blogspot.com.br/
troco indicação!
Dizer que eu não tenho oq falar quando leio aqui é muito clichê mas tenho quatro coisas pra te dizer: 1- vc eh maravilhosa 2- está perfeito (mais um clichê) 3- vc me fez chorar 4- pelo amor de Deus continua porque eu to mais que ansiosa hahahaha bj
ResponderExcluirGarotaaa, que capítulo!! Serio . amo amo AMOOO seu blog! Parabéns!
ResponderExcluircontinua... continua... continua.. continua... continua... continua... continua..
ResponderExcluircontinua essa maravilha ai
ResponderExcluirta tooop mesmo!!!
ResponderExcluirja pode continuar rs
ResponderExcluirta tudo perfeito amor
ResponderExcluircontinua, tá muito perfeito
ResponderExcluirto gostando continua!!
ResponderExcluirAmando muitooooooo..
ResponderExcluirMuito bom ,continuaa
ResponderExcluirA felicidade de entrar aqui e ter cap novo nao tem preco! E a Clara se culpando? N guento! Ai, to sentindo q o vô dela vai falecer... Posta logo o proximo, nao aguento de ansiedade! 😥😞💔
ResponderExcluircontinuaaaa
ResponderExcluirestá top....
ResponderExcluircontinuaaaaaa
CONTINUAAAAA!!!!
ResponderExcluirah, fico fofinho *-*
ResponderExcluirbjs e continua! :)
Seu blog é perfeito *-----------*
ResponderExcluirSempre perfeito né?! Não tenho nem palavras pra te dizer o quanto eu amo isso aqui! Você faz eu sentir cada aflição, cada momento ruim que a história passa.. Resumindo, eu sinto como se essa história fosse a história da minha vida!
ResponderExcluirPerfeito, continua!
VOCÊ ESCREVE MUUUUUITO ♥_♥
ResponderExcluirCONTINUA s2
ResponderExcluircontinua ><
ResponderExcluirTOOOOP, CONTINUA *-*
ResponderExcluirContinua!!
ResponderExcluirtop, sem mais.
ResponderExcluircontinua?!
ResponderExcluirta muito tooooooooop !!!
ResponderExcluirperrrrfeito!! continuaa
ResponderExcluircontinua essa maravilha ae
ResponderExcluircontinuaaaaaaaaaaaaaa
ResponderExcluirem um relacionamento sério com esse blog <33
ResponderExcluirEssa história é maravilhosa, tu escreve lindamente e isso me faz ficar cada vez mais envolvida com tudo. Eles são lindos juntos, ainda mais com a dudoca junto, amo forte!!! P.S: to doida pra ler essa reviravolta kkk /blogdneymarzete
ResponderExcluirAMANDOOOOOO TUDO ISSO!! bjão
ResponderExcluirmais, amei
ResponderExcluirContinuaaaaaa....
ResponderExcluirContinuaaaa ta muito perfeito!!!
ResponderExcluirPerfeito demais... continuaaa amore
ResponderExcluirbeijos
Continua logo! Ta lindo!
ResponderExcluircontiinuuuaaa *--*
ResponderExcluirContinua,não para isso é viciante...
ResponderExcluirque perfeito vei :o
ResponderExcluirTOP
ResponderExcluirquero mais mais mais (:
ResponderExcluirCOOOOONTINUA , TÁ PERFEITO!
ResponderExcluirEU AMEI, pode continuar!!!!
ResponderExcluirPerfeito amor continua '
ResponderExcluirPerfeito!!! Cada detalhe do blog! Ansiosa para o próximo capítulo!
ResponderExcluirMulher, como pode caber tanta perfeição em uma fanfic só ? na moral, adoro o jeito que vc escreve, simplesmente perfeito.A história então nem se fala, né ? Já quero o próximo cap, rs'. Se puder, indica pf ? http://vocemefaztaobem-njr.blogspot.com.br/ acabei de começar, obrigada ><
ResponderExcluir