Clara - E aí, garotão, quer ir caminhar comigo? - ele me olhou quando ouviu minha voz, largou a bolinha e começou a balançar o rabo quando viu a coleira. É um rueiro mesmo! Coloquei-a nele, peguei minha chave e saímos. Chamei o elevador e descemos junto com uma senhora e uma garotinha que eu conhecia por ser coleguinha da minha pequena. Ambas me deram bom dia e eu sorri como resposta. Foi o que, com o tempo, a vida me ensinou: distribuir sorrisos sem olhar a quem. Afinal, ninguém tinha nada a ver com os meus problemas. Chegamos ao térreo, e a garotinha deu um tchauzinho tímido pra mim e pro Luck. Dei bom dia ao porteiro também e saí do prédio com meu filhote. Tinha um destino certo em mente e mesmo sabendo que teria que andar pra caramba, não alterei-o. Fui caminhando devagar com o Luck, parando às vezes pra ele fazer suas necessidades ou para paquerar alguma cadelinha. Quando chegamos a Aparecida, descemos para areia e o soltei para ele correr e ir pro mar enquanto não tinha muita gente por ali. Eu também queria muito um mergulho mas revirei os olhos ao lembrar que não podia. Sentei, e quando ele saiu do mar, todo feliz, espalhando salpicos de água para todos os lados, peguei um pedaço pequeno de galho que achei na areia e joguei longe, nem precisei mandar; ele foi correndo pegar. Fiz isso inúmeras vezes, até que ele cansou e deitou ao meu lado, ditando o fim da brincadeira. A praia estava começando a encher e eu não conseguia entender o porquê, já que o sol estava ainda mais tímido do que quando saí de casa, tanto que eu não me espantaria se começasse a chover. Eu particularmente só gosto de ir a praia quando o sol me convida - Vamos embora, filhote? - baguncei ainda mais seus pelos, mas ele gostou e ficou de barriga pra cima pra receber mais afagos. Sorri um pouco e fiz o que queria. Uma mulher parou ao meu lado e depois de um tempo passou a me observar atentamente, como se estivesse tentando me reconhecer. Estava começando a me incomodar com aquilo quando olhei-a e sua camisa da torcida feminina do Santos me chamou a atenção -
XxX - Você é a namorada do Neymar, não é? - pisquei algumas vezes, meio atordoada. Ai, meu Deus! Abri e fechei a boca mas não saiu nada, de repente parecia até que nem sabia falar. Por que era tão difícil colocar em palavras a realidade? Olhei pro Luck e percebi que ele já estava com as orelhinhas em pé, avaliando a mulher sem sair do lugar. Olhei-a novamente, à principio até pensei que já a conhecia de algum lugar e ela sorriu sem se importar com a minha demora em responder - Me chamo Vilma, mas todos me conhecem por Vilminha Santista. Você trabalha no CT, certo? Já deve ter me visto ou ouvido falar de mim por lá - seu sorriso ampliou-se e sua voz era carregada de orgulho -
Clara - Ah, sim. Seu rosto e seu nome não são mesmo totalmente desconhecidos pra mim
Vilma - Desculpa incomodar mas te reconheci e não consegui me segurar. Seu avô está bem? - outra pergunta que me paralisou um pouco. Precisei de alguns segundos de raciocínio lógico para lembrar que o caso do meu avô não era mais algo privado -
Clara - Sim, está no aguardo ainda
Vilma - Certamente logo aparecerá alguém - assenti - Foi muito bonito o que você e o nosso menino fizeram. Vocês levantaram um assunto importante, que não pode ficar esquecido, e até eu, depois de pensar um pouco, resolvi doar. Não custa nada - não precisei perguntar pra saber quem era o nosso menino, bastava somar um mais um (mesmo que ele não fosse mais tão nosso assim) -
Clara - Fico feliz em saber disso. Fazer o bem é bom - ela concordou com um aceno, depois estendeu uma mão pra mim. Surpresa, limpei a minha esquerda que estava suja de areia e ela apertou-a levemente -
Vilma - Foi um prazer. Que seu avô fique bem logo - sorriu e me vi retribuindo sem precisar muito esforço -
Clara - Obrigada - ela foi se afastando, e aí me dei conta de que realmente a conhecia de vista, lembrei até do Pedro comentando que no CT todos gostam dela e agora já entendia o motivo: sua simpatia é admirável mesmo. Por mais que tenha me deixado em um beco sem saída com a primeira pergunta que fez... ou melhor, com saída, mas eu não queria de jeito nenhum ter que passar por ela. Esse era o problema. Suspirei e levantei, tinha que estar em casa na hora de tomar o anti-inflamatório de novo - Vem, Luck - ele levantou também, e se sacudiu um pouco. Coloquei sua coleira, subimos para calçada, comprei uma água de coco, bebi no quiosque mesmo, depois fizemos nosso caminho de volta. Quando chegamos no prédio, passei na portaria, interfonei pro apê pra saber se a Manu já estava acordada e ela atendeu. Pedi pra descer com as coisinhas de banho do Luck e cinco minutos depois ela já estava na minha frente -
Manu - Pode subir, eu cuido dele - piscou. Queria mesmo um bom banho, por isso nem resmunguei, só agradeci e subi. O Gil estava largadão no sofá e sorriu assim que me viu -
Clara - Bom dia, Cebola
Gil - Bom dia, pequena
Clara - Apelido bem propício - não contive a ironia e ele gargalhou - Vou tomar um banho, já volto - assentiu enquanto pegava o controle da TV. Fui pro meu quarto, e como sempre acontecia quando entrava nele desde o episódio da manhã anterior, a sensação era excruciante. Não ia me acostumar ou esquecer, teria apenas que suportar e superar. Fui direto pro banheiro, coloquei o celular em cima da pia, tirei o tênis que estava cheio de areia, e a roupa também que já estava colando em meu corpo de tanto suor. Tomei um banho morno e rápido, me enxuguei e me vesti, com o cabelo eu me acertava depois. Peguei o celular, fui à cozinha tomar o remédio e voltei pra sala -
Gil - O que houve? - olhou pra minha mão -
Clara - A Manu não te contou?
Gil - Não. Era pra contar?
Clara - Não. Não foi nada demais, me cortei apenas - mostrei o meu melhor sorriso fingido -
Gil - Como você está? - perguntou com receio, mas eu já estava esperando. Incrível como uma pergunta aparentemente simples, despertam todos aqueles sentimentos que você achava já estar adormecidos -
Clara - Já vi que vou ter que me preparar psicologicamente para ouvir bastante essa perguntinha nos próximos dias - pensei alto demais - Estou bem, por que? - me olhou sem saber o que falar, aproveitei isso para virar o jogo a meu favor ou eu sairia perdendo - Bom, e o seu amigo, como está? - seu olhar agora era que nem o da enfermeira quando lhe disse que tinha quebrado um espelho -
Gil - O que?
Clara - Ai, isso é ridículo. Até parece que não o conheço, me deixa refazer a pergunta: E o Júnior, como está?
Gil - É sério isso?
Clara - É sério. Isso de ficar perguntando se eu estou bem é horrível. Não é a primeira vez que ouço, nem vai ser a última, eu sei, mas e pra ele? Alguém pergunta? Só porque ele que terminou eu que tenho que estar na fossa? Ah, faça-me o favor - nem o Gil acreditou no que ouviu e franziu a testa. Estava ciente de que eu não estava falando coisa com coisa, mas a verdade era uma só: eu queria saber como ele estava, queria mesmo, queria muito. Talvez fosse meio irracional, mas não sabia dizer ao certo. Se estivesse de frente para Tati Bernardi tenho certeza que ela diria algo como: “É engraçado como alguém pode partir o seu coração e você ainda amá-lo com todos os pedaços partidos.” -
Gil - Clara? Você está bem?
Clara - Você ainda não me respondeu
Gil - Nem vou responder
Clara - Tudo bem - encolhi os ombros, como se aquilo fosse indiferente pra mim quando na verdade só queria me enfiar em um buraco bem fundo e nem era por vergonha, só queria sumir mesmo por ser muito idiota. Do que adiantou virar o jogo a meu favor? Perdi do mesmo jeito, como sempre -
Gil - Ei? - olhei-o, pisquei e a primeira lágrima rolou. Por quê? Estava me saindo tão bem, não? - Vem aqui - se ajeitou no sofá e deixou um espacinho ao seu lado pra mim, saí da poltrona e ocupei-o. Recebi o seu abraço na mesma hora - Essa não é você
Clara - Eu nem sei mais quem eu sou, Gil. Me perdi completamente no meio de uma discussãozinha ridícula ontem de manhã no meu quarto e sei lá se ainda vou me encontrar de novo
Gil - É claro que vai - não contestei, queria acreditar nisso também. Então apenas aproveitei o seu abraço, ele enxugou minhas lágrimas quando me soltou e sorriu carinhosamente - Não vou te falar dele porque sou amigo dos dois e tenho certeza que ficaria bem encrencado se falasse de você pra ele - ok, ele tinha razão, meu orgulho ferido não ia gostar nada disso. Ele tinha toda razão, e eu não deveria querer saber de nada, até porque ouvir um "Ele está bem" ia acabar comigo de vez e ouvir "Ele está mal" seria três vezes pior. Desde quando me tornei masoquista? Não! -
Clara - Ficaria mesmo - riu - Que bom que nós temos você, então - sorriu novamente - Agora chega dessa conversa esquisita. Não quero estragar teu dia com a minha fossa - pisquei discretamente e sorri um pouco. Às vezes é bom falar, mesmo que seja besteira, alivia. Sim, porque eu realmente estava na fossa e nada do que eu mesma dissesse ia mudar isso. Quero dizer, fisicamente estava bem, apesar de algumas dores na mão, mas bem. Só que o resto... psicologicamente, emocionalmente e até mesmo romanticamente... não podia estar pior. Propus que mudássemos de assunto e passamos a falar sobre o seu trabalho. A Manu e o Luck subiram; ele quase todo seco e cheiroso, ela completamente molhada -
Gil - Quem deu banho em quem, amor? Está meio difícil de entender - gargalhou e ela fuzilou-o com os olhos -
Manu - Da próxima vez você é quem vai dar banho nele, pode esperar - saiu da sala rindo também e deve ter ido trocar de roupa -
Clara - Você gosta de provocar a onça, né?
Gil - Só um pouquinho - riu e eu balancei a cabeça. Dois doidos! Dez minutinhos depois a Manu apareceu já devidamente seca e eles foram ao supermercado porque a situação da dispensa já era um pouco precária. Só lembramos de fazer compras em cima da hora mesmo. Depois que eles saíram a casa voltou a ficar totalmente silenciosa, e as saudades da minha pequena aumentaram de forma drástica, então peguei um livro e fui ler no quarto dela, pelo menos ali a sua presença era quase palpável. Eu amava cada cantinho daquele quarto porque tudo era muito... Eduarda. Sentei na sua cama, e abri o livro novinho que tirei da prateleira ,“Easy” da Tammara Webber, mas só tive tempo mesmo de ler a dedicatória porque a campainha tocou -
Clara - Ué, nem interfonaram - estranhei. Levantei e fui pra sala. Abri a porta e como não estava esperando, a surpresa foi grande mas não posso negar, muito agradável - Tia! - não sei explicar mas vê-la despertou ainda mais a avalanche de emoções dentro de mim -
Tia Ná - Posso entrar? - sorriu levemente. Aonde será que eu já tinha visto um sorriso parecido com aquele? E por que será que ele mexia tanto comigo? -
Clara - Claro, por favor - dei passagem pra ela e fechei a porta em seguida -
Tia Ná - A Dudoca está com a Débora ainda?
Clara - Está. Vou trazê-la mais tarde - mordi o lábio inferior receosa e, lá no fundo, com uma certa vergonha, afinal... ela só podia estar ali por um motivo. E o pior, eu não retornei suas ligações - Senta, tia. Você sabe que não precisa fazer nenhuma cerimônia aqui. Quer alguma coisa? - ela riu um pouco, sentou-se e pediu pra que eu sentasse ao seu lado -
Tia Ná - O que aconteceu? - pegou delicadamente na minha mão enfaixada e me olhou preocupada. Fiquei tentada a lhe contar a verdade mas nem sabia como, sentia vontade de chorar só de lembrar -
Clara - Me cortei, desastrada como sempre... - tentei sorrir e ela assentiu depois de alguns segundos, não insistiu -
Tia Ná - Como você está? - perguntou séria mas com a sua voz calma de sempre. Fechei os olhos e respirei fundo, sério, essa simples pergunta não me fazia bem -
Clara - Tia... se você veio aqui a mando do seu filho, com a intenção de defendê-lo ou justificá-lo...
Tia Ná - Não - ela me interrompeu - Não vim aqui a mando de ninguém. Não posso dizer que ele não sabe que estou aqui, porque sabe - pegou a minha mão - Mas vim aqui por conta própria, não pra defendê-lo ou justificá-lo... Vim apenas te dá o meu colo, se você quiser, e te ouvir, caso queira falar comigo. Porque aconteça o que acontecer, você não vai deixar de ser a minha filha e a mãe do meu pequeno tesouro - as lágrimas começaram a brotar e nem sabia se era por causa das suas palavras, do seu jeito materno de falar comigo ou pela forma carinhosa que acarinhava minha mão. Devia ser por tudo - Então, será que posso ficar? - sorriu de novo (abalando todas as minhas estruturas com um sorriso parecidíssimo com o do seu filho) ao ver minha falta de reação e eu fiz aquilo que estava querendo desde que a vi na minha porta: abracei-a. Forte, apertado, com vontade de não soltá-la mais. Depois... contei tudo que ela já sabia, só que do meu ponto de vista, falei tudo que queria, tudo que sentia e ela não me interrompeu em nenhum momento, me ouviu atentamente, concordando com tudo. Não ousou defendê-lo, aliás, nem sequer pronunciou o nome dele, estava ali realmente, pra mim e por mim e isso me fazia amar ainda mais a mulher que estava diante de mim - E é isso, de ontem pra hoje descobri que a minha vida é mais irônica do que eu mesma, porque quem mais tinha que ficar nela, foi embora - concluí o meu desabafo e suspirei. Ela pegou a minha mão novamente e olhou nos meus olhos -
Tia Ná - Quero que preste bastante atenção ao que vou te dizer agora e lembre disso quando achar que não vai aguentar mais - assenti calmamente - Deus não permite que chova para abalar uma flor, pelo contrário, Ele permite que chova para então regar a flor, e torná-la maior e mais forte. Assim como a intenção Dele não é que as lutas abalem tua fé, mas que nas lutas tua fé seja exercitada e fortalecida. E você, meu amor, eu tenho certeza que é uma das flores mais lindas do jardim Dele - foi impossível não me emocionar, queria até sorrir mas as lágrimas eram mais teimosas e mais rápidas - Você vai superar tudo isso, vai dá a volta por cima e vai ser feliz, muito feliz. Não sei se o meu filho vai fazer parte dessa felicidade, mas você vai ser feliz. Você merece ser - duas lágrimas rolaram pelo seu rosto quando disse isso e vê-la chorando foi... estranho... horrível. Quase não acreditei. Abracei-a de novo e dessa vez eu apertei-a contra mim - Não esquece disso - sussurrou com a voz falhando. Só consegui concordar com um aceno e desfiz o abraço apenas quando percebi que ela já estava mais calma e seu choro havia cessado. De triste já bastava eu, não queria vê-la daquele jeito - Desculpa - enxugou suas lágrimas e se recompôs rapidinho - E o seu avô?
Clara - Ah, está na mesma mas acho que semana que vem vai poder ir pra casa. Só a hipótese já o deixou bem animado - rimos levemente - Espero que ela se confirme
Tia Ná - Também espero que sim. Se passar uma noite no hospital já é desconfortável, dias deve ser insuportável
Clara - É o que ele vive repetindo
Tia Ná - E vai vê-lo hoje?
Clara - Vou, depois do almoço
Tia Ná - Diga a ele que passo lá de novo assim que der - levantou e eu fiz o mesmo - Mas vou torcer para que na minha próxima visita ele já esteja em casa - sorri - Agora eu vou indo
Clara - Nem sei como agradecer por ter vindo aqui
Tia Ná - Bom, eu sei. Sorria - e foi instintivo, eu sorri e ela também - As portas da minha casa vão estar sempre abertas pra você. Sempre. Entendeu? - assenti - Se cuida - olhou pra minha mão machucada, depois deu um beijo na minha testa -
Clara - Obrigada - era a única coisa que me restava falar. Dei um beijo em seu rosto também e levei-a até a porta -
Tia Ná - Eu sei que disse que não ia fazer isso, mas posso te pedir uma única coisa?
Clara - Claro que pode - respondi sem entender muito bem -
Tia Ná - Não odeie o meu filho - fiquei inerte, abatida, não esperava ouvir isso. Queria ter dito que nem que eu quisesse ia consegui odiá-lo, mas ela já tinha ido embora. Fechei a porta e fiquei sem saber o que pensar. Ela nem citou o nome dele durante a nossa conversa (mesmo que eu ache "meu filho" uma forma ainda mais protetora de se referir a ele) mas pediu para eu não odiá-lo e nem esperou para ouvir uma resposta. Sinceramente, estava começando a achar que ia enlouquecer a qualquer momento. Minha vida deu uma reviravolta e resolveu ficar de cabeça pra baixo. Que caos! Voltei pro quarto da Dudoca e tentei continuar com o livro mas não tinha mais um pingo de concentração, então tive que deixá-lo de lado. Deitei e fiquei olhando para o teto cor de rosa, pensando em tudo que a tia me disse, e claro que a sua última frase era a que mais rondava a minha mente, me deixando angustiada demais pro meu gosto. Infelizmente o teto cor de rosa não tinha nenhuma resposta para as minhas milhares de perguntas, então cansei de fitá-lo e olhei justamente para o meu lado esquerdo, onde havia um porta-retrato lindo em cima da cabeceira. Uma foto da Duda comigo e com o Júnior no dia do aniversário dela. Três sorrisos inabaláveis, uma felicidade sem tamanho -
Clara - Quando é que vamos ter isso de novo? - me perguntei baixinho, depois me corrigi - Será que vamos ter isso de novo? - minha voz ficou embargada. Peguei o porta-retrato e abracei-o, coloquei bem pertinho do meu coração - Você não podia ter desistido tão fácil assim, não podia mesmo. Era pra ter lutado, insistido... o nosso amor tinha que ter sido mais forte que tudo - queria que ele me escutasse, queria tanto... mas só me restavam as fotos para para provar que tudo foi bem real, mesmo que não desse pra voltar atrás. Algumas coisas simplesmente não voltam mais. O tempo não volta.
****
Quando meu casal predileto chegou, (reclamando horrores que o supermercado estava muito cheio e blá blá blá, mas o que eles esperavam de um começo de mês em pleno domingo, não é verdade?) fiquei com a impressão de que eles tinham feito a compra do ano, não do mês, mas ok, não falei nada. O almoço ficou por conta da Manu de novo mas fiquei na cozinha dando todas as instruções pra ela fazer um suflê de batatas, que no final ficou bem gostoso e pelo menos à princípio, não fez mal ao meu machucado. Comemos os três na sala mesmo depois ficamos assistindo um programa internacional do canal E!
Manu - Não quer ir pra casa dos meus pais com a gente? Acho que vamos pegar um cineminha mais tarde
Clara - Um típico programa de casais - torci a boca -
Manu - Ai, desculpa - fez uma careta bem engraçada, eu e o Gil rimos -
Clara - Não precisa se desculpar. Eu iria sim, e sentaria entre vocês dois - riram - Mas vou no hospital pra ver meu avô e trazer minha pequena
Manu - A gente te deixa lá então, né? - olhou pro Gil e ele concordou -
Clara - Não vai atrapalhar os planos de vocês?
Gil - Atrapalha nada, vai que horas? - olhei pro relógio, e vi que já eram 14h -
Clara - Vou só trocar de roupa rapidinho - tirei o Luck do meu colo e levantei - Não demoro - não esperei para ouvir a resposta deles e corri pro quarto. Se eles iam fazer o favor de me dá uma carona, eu não podia abusar. Troquei de roupa, penteei finalmente o cabelo como deveria e o deixei solto, coloquei o celular no bolso e voltei pra sala - Pronto
Gil - Dez minutos, nada mal - sorri pra ele. A Manu levantou e pegou as chaves. Dei um beijinho no meu filhote e saímos. Descemos na garagem, entramos no carro e ela deu partida. Fiquei calada durante boa parte do caminho. Sabia que teria outra conversa difícil pela frente, quero dizer, difícil pra mim. Mas tudo bem, pelo menos contava logo pra todos eles de uma vez. Quando chegamos ao estacionamento do hospital, saí do carro e me aproximei da janela do motorista -
Manu - Como vai voltar?
Clara - De táxi
Manu - Não quer que... - não deixei que terminasse -
Clara - Não. Quero apenas que você aproveite o seu domingo da melhor forma possível - sorriu -
Manu - Ok, mas qualquer coisa, me liga - revirei os olhos, mas assenti e dei um beijo no seu rosto. Pisquei pro Gil, que estava no banco do passageiro e ele retribuiu sorrindo. Esperei ela arrancar com o carro, e respirei fundo antes de finalmente entrar no hospital. A sensação de estar ali sozinha não era boa mas tentei não pensar nisso. Subi, falei com a recepcionista e ela me acompanhou até a porta do quarto. Bati, entrei e antes que eu pudesse prever, minha pequena já estava agarrada em minhas pernas, sorri e abaixei para abraçá-la. Só depois de muitos beijinhos e de ouvir a sua gargalhada gostosa, soltei-a. O quarto estava diferente da última vez que vi, o sofá-cama estava bem mais afastado da cama, e as cortinas eram azul bebê agora. Meus pais estavam de um lado da cama, e minha avó de outro. Meu avô estava com uma máscara porque o quarto estava cheio demais pra ele, e prevenir é melhor do que remediar sempre -
Clara - Oi - dei um beijo no rosto de todos eles e minha mãe logo reparou na minha mão -
Débora - O que foi isso? - perguntou alarmada, me olhando de cima a baixo, provavelmente procurando outros machucados. Calma, mãe! Sofri um acidente de amor, mas tô legal, só quebrei a cara (e a mão), pensei -
Clara - Nada demais, vocês sabem que sou o desastre em pessoa. Me cortei, só isso - a Duda pegou a minha mão e a avaliou -
Eduarda - Tá doendo, mãe?
Clara - Não, amor - beijei o topo da sua cabeça -
Murilo - Mas por que está enfaixada desse jeito? Foi sério?
Clara - É, talvez. Levei dois pontos - não queria falar, mas eles não iam deixar escapar nada mesmo -
Débora - Como foi que você se cortou? - acho que a minha mãe esqueceu a minha idade por alguns instantes, porque eu estava me sentindo uma criança ouvindo um sermão por ter feito algo errado -
Clara - Mãe, está tudo bem, sério - olhei de relance pra Duda pra ela perceber que não queria mais falar sobre aquilo. O que a minha filha ia pensar se soubesse que eu quebrei um espelho? Só queria esquecer esse episódio -
Marcos - E o Júnior? Por que não veio? - estava esperando por isso mas não posso negar, fiquei bastante desconcertada apenas por ouvir o nome dele -
Clara - Agora ele tem novas prioridades, não sei se vai ter tempo de vim aqui - ninguém entendeu o que eu disse, claro, me olharam como se eu estivesse falando por meio de códigos - Filha, senta ali um pouquinho - pedi, apontando para os sofá-cama, e achei que ia logo perguntar "Por que?", mas foi até lá, sentou e sorriu -
Eduarda - Posso brincar com o tablet por enquanto?
Clara - Pode, mas não deixa muito alto
Eduarda - Tá bom - pegou sua bolsa para tirá-lo de lá. Voltei a olhar para meus pais e avós e não enrolei mais -
Clara - Terminamos tudo, outra vez - falei em um tom mais baixo, mesmo sabendo que a Duda já devia estar entretida nos seus joguinhos (mesmo assim, olhei-a só para confirmar). Os quatro se entreolharam, depois olharam pra mim. Minha mãe foi a primeira a se pronunciar -
Débora - Como assim? Isso é sério?
Clara - É
Glória - Vocês brigaram?
Clara - Não sei se posso dizer isso porque até pra brigar é necessário um motivo, certo? E eu ainda estou à procura do que nos levou a isso - falávamos num tom de voz baixinho, perto do sussurro, e eles ainda me encaravam como se eu fosse um alienígena e estivesse dizendo que o mundo estava chegando ao fim (bom, eu não era um alien, mas estava contando que o meu mundo realmente tinha chegado ao fim) - Não me olhem assim. É como dizem, o relacionamento é uma corda onde duas pessoas tem que segurar as pontas. Então foi tipo isso, ele soltou, eu continuei segurando - tentei desvalorizar o que estava sentindo, sorrindo ironicamente mas falar sobre aquilo (e do jeito que estava falando) era muito mais do que desconfortável, era doloroso. Quando achava que já não podia doer mais, meu coração me mostrava que sim, podia doer. Estava doendo. Mas tinha que, mais uma vez, tentar se forte, não podia chorar ali ou a Duda ia desconfiar -
Débora - Não acredito nisso, minha filha - sua surpresa me comoveu -
Marcos - Foi por minha causa?
Clara - Vô, por favor, né?
Marcos - Tem que ter um motivo, não tem?
Clara - Sim. Mas esse motivo não é você - ele balançou a cabeça, resignado - Eu vou me sentir muito pior se você continuar pensando assim. Isso é o cúmulo do ridículo - ele concordou, mas sem me convencer muito -
Débora - A decepção vem de onde menos se espera - a tristeza na sua voz era nítida -
Murilo - Clara? - olhei-o - Conta essa história direito -
Clara - Ok - respirei fundo pela trigésima vez no dia, e falei bem resumidamente (e tomando cuidando para Duda não perceber do que estávamos falando) como foi a conversa direta que eu e o Júnior tivemos. Poupei-os de algumas coisas porque na verdade eu não queria ter que repeti-las. Concluí dizendo que ele me agradeceu antes de sair, e minha avó tinha um sorrisinho triste nos lábios -
Glória - E sempre se soube que o amor não conhece sua própria profundidade até a hora da separação - não entendi porque ela disse isso, mas de qualquer forma, não gostei de ouvir, ou pelo menos eu acho que não, porque meu coração ficou bem agitado e já não sabia se isso era bom, mas ela prosseguiu - Homens são todos iguais, não sabem se despedir mesmo. Preferem não falar mais a explicar suas fraquezas e lidam tão mal com o sofrimento - meu pai e meu avô olharam pra ela - Vocês bem sabem que estou falando uma bela verdade - disse muito convicta e olhou pra mim logo em seguida - Você nunca vê seu pai em prantos porque ele engole todas as lágrimas, e nunca vê seu avô emocionado porque ele prende a respiração e quando pode, se afasta. Homens, todos iguais - dessa vez eles nem a olharam, não ousaram desmenti-la também. Dona Glória e suas palavras sempre sábias -
Clara - O que você quer dizer com isso, vó? Porque eu continuo sem entender nada. É isso que as pessoas fazem quando amam? Vão embora?
Glória - Ah, minha neta... às vezes a gente tem que se afastar das pessoas que amamos, mas nem por isso nosso amor por elas é menor, aliás podemos chegar a amá-las ainda mais - franzi a testa sem entender nada, mas com a sensação de que já tinha ouvido aquilo antes -
Clara - Onde foi que você ouviu isso? Não tem lógica
Glória - Li em um livro - encolheu os ombros - Pode até não ter lógica mas você sabe que o amor desconhece essa palavrinha. Já conversamos sobre isso - estava ficando bem desconfortável ouvindo tudo aquilo, principalmente porque não estávamos sozinhas - Você passou anos longe dele. Não foram dias ou meses. E deixou de amá-lo?
Clara - É diferente - respondi muito surpresa com o rumo que ela estava dando a conversa - Eu fui embora por um motivo muito forte, você sabe
Glória - Acho que ele também deve ter tido um - disse muito calmamente e eu não estava conseguindo acreditar que ela estava defendendo o Júnior. Suponho que já dá pra perceber de onde vem todo o meu romantismo, certo? Minha avó, uma romântica totalmente irrecuperável -
Clara - E por que eu não sei que motivo é esse?
Glória - Ele só descobriu o seu "motivo" quase quatro anos depois... Então só o tempo vai lhe dizer o dele - fiquei imóvel, sem saber o que responder. Só a minha avó para comparar a minha vida com um livro, e só ela para confundir ainda mais a minha cabeça e o meu pobre coração. Não disse mais nada e eles ficaram me observando por um tempo -
Murilo - Quando é que ela vai ficar sabendo? - olhou discretamente pra Duda, que sorria pra algo no tablet - Porque ele teve lá em casa ontem e não disse nada nem pra gente
Clara - Não sei... pra ela nós somos o "casal perfeito", então vai ser meio difícil contar que isso não existe mais - minha voz falhou, então parei de falar. Não podia chorar, não ali na frente deles. Não precisava ser mais um motivo para eles se preocuparem, pelo menos naquele momento tinha que parecer estar bem, mesmo que isso fosse uma mentira deslavada. O clima no quarto não voltou a ser o mesmo, um silêncio estranho se instalou e ele só era quebrado pelo som do joguinho da Duda. Sabia, pela forma como me olhavam, que eles queriam fazer aquela perguntinha "Como você está?", mas não fizeram. Ainda bem. Não sei se ia consegui me segurar. Ouvimos duas batidas na porta e logo em seguida ela foi aberta pelo Dr. Marcelo -
Dr. Marcelo - Trago boas notícias - nossos semblantes mudaram rapidamente, essa simples frase podia significar muita coisa -
Clara - Apareceu um doador compatível?
Dr. Marcelo - Não, ainda não. Uma notícia boa de cada vez. Mas achei que gostariam de saber que o Seu Marcos vai ser liberado para ir pra casa
Marcos - Hoje?
Dr. Marcelo - É bem provável que seja amanhã, ou até mesmo na terça. Vamos apenas avaliar os resultados dos seus últimos exames
Marcos - Já é alguma coisa
Dr. Marcelo - Sim, é. Mas qualquer novidade ou imprevisto, volta pra cá imediatamente - ele revirou os olhos como uma criança mas concordou. Ficamos conversando, ou melhor, tirando dúvidas e mais dúvidas com o Dr. Marcelo, depois ele se retirou e o nosso horário de visitas terminou também. Pela primeira vez não nos despedimos tão tristonhos porque meu avô estava empolgado com a possibilidade de poder ir pra casa. Todos nós estávamos. E se isso realmente acontecesse, significaria que ele estava melhor do que quando precisou ser internado, qualquer melhora é importante e tem que ser considerada. Quando saímos do quarto, meu celular vibrou no bolso de trás. Peguei-o e entre algumas mensagens, respondi apenas a da Rafa.
Ei, quero te ver!!!!
Está em casa????
Ainda não, mas estou chegando
Posso ir lá?
Se levar doce pra mim, sim
Por isso que eu te amo
Eu sei
Meus pais não me deixaram pegar um táxi e me deram uma carona, por incrível que pareça ficamos calados o caminho inteiro, inclusive a Duda. Quando meu pai estacionou em frente ao prédio, dei um beijo no rosto dos dois, e peguei as duas mochilas da minha pequena, uma com roupas e a outra da escola. Ela se despediu deles também, saímos e o carro arrancou. Mal entramos no prédio e eu quase caí com um abraço que recebi, se não conhecesse aquele perfume ia me separar da pessoa imediatamente e chamá-la de louca. Não tive tempo nem de corresponder, então minhas mãos estavam presas no meio de nós duas, ou seja, a direita começou a doer um pouco.
Clara - Será que eu posso respirar? - ela me soltou -
Rafa - Desculpa, desculpa, desculpa - riu e me deu dois beijinhos carinhosos, depois carregou a Duda e encheu-a de beijos também - Sabe o que a tia comprou? - ela balançou a cabeça, divertida - Um monte de adesivos novos pra gente colar naquele parede lá no seu quarto - a Duda sorriu amplamente. Não sei o que é, mas a minha filha causa algum efeito nas pessoas, não sei qual, mas causa e é um efeito bom - O Big me deixou aqui agorinha também, achei que vocês iam demorar mais - disse enquanto caminhávamos para o elevador. Chamei-o, e entramos. Só aí ela percebeu a minha mão enfaixada e arregalou os olhos - Está pior do que como minha mãe disse - sorri de lado -
Clara - Não foi nada demais. Vem - o elevador parou no meu andar e saímos. Peguei a chave, abri a porta e como já era de se esperar, só o Luck estava em casa e fez uma tremenda festa com a Duda. Com a porta devidamente trancada, deixei-os na sala matando as saudades e fui com a Rafa levar as mochilas dela pro seu quarto, ainda separamos as roupas sujas das limpas, depois fomos para o meu. Joguei minha bolsa em um canto, ela tirou algo de dentro da dela e esticou pra mim - O que é?
Rafa - Pega logo - riu. Peguei a vasilha plástica, abri e eram cupcakes - Era essa a sua condição para eu poder vim aqui, certo?
Clara - Ah, sua besta - riu novamente - Obrigada - dei um beijo no seu rosto e sentei na cama para degustar as minhas delícias - Não quer, né? - gargalhou -
Rafa - Não. Minha mãe que fez, já comi demais - sentou ao meu lado -
Clara - Que bom - devorei um rapidinho, mas me lembrei de algo - Porque perguntou se podia vim aqui? Você sempre vem, até de surpresa
Rafa - Ah... você sabe. Sei lá - deixei os cupcakes de lado e olhei-a -
Clara - Foi o Júnior quem terminou comigo, Rafa. Eu não terminei com ninguém, muito menos com você. Deixa disso, ok? - ela assentiu e percebi que olhou para o mural de fotos, ou melhor, olhou para o quarto todo, depois para o meu pulso, onde a pulseira sempre ficava -
Rafa - Meu irmão é um imbecil, um idiota. Não sei o que ele tem naquela cabeça, sinceramente. Quase não acreditei quando soube o que aconteceu, e pior, pela minha mãe. Por isso precisava te ver
Clara - Rafa, vai com calma, vocês não brigaram, não é?
Rafa - Não, mas eu me recuso a falar com ele até que me diga o que o levou a fazer a maior burrada da vida dele - fiquei com um nó na garganta e nem sabia mais se ainda conseguiria comer os cupcakes -
Clara - Não faz isso, por favor
Rafa - Como é que você consegue estar do lado dele ainda?
Clara - Não estou do lado dele, estou do meu lado. Vou me sentir muito mal sabendo que vocês estão sem se falar por minha causa, pelo amor de Deus, não!
Rafa - Não é por sua causa, é por causa dele
Clara - Que seja - não sabia o que fazer ou o que falar, só não queria que aquilo continuasse - Olha, talvez, como ele mesmo disse, nem era pra ser, ou era pra ser mas nós não soubemos fazer dar certo, ou quem sabe era só pra durar esse pouco que durou... Vai saber...
Rafa - Era pra durar a vida toda - tentei sorri mas as primeiras lágrimas me traíram - Mas aconteça o que acontecer, não vou deixar de ser Team ClaMar nunca, tá me ouvindo? Sempre vou ser fã número um de vocês - deixou que as suas lágrimas rolassem também -
Clara - Não fala assim que você acaba comigo - puxei-a para o meu colo e passei a mão no seu cabelo - Acabou! E o que tinha tudo pra ser uma nova história, não passou da continuação de um capítulo enrolado e chato. É a vida
Rafa - É isso mesmo que você acha?
Clara - Não... mas é o que eu gostaria de achar, porque lembrar de coisas boas dói muito mais - ela não disse mais nada, eu também não. Ficamos apenas nos consolando por um tempo, e depois que nos recuperamos, levei cupcakes pra Dudoca também, ela comeu feliz da vida e nós duas sorrimos. Às 18h30, o primeiro jogo do Santos pelo campeonato paulista começou (eu tinha esquecido completamente da estreia do Peixe, assumo). O jogo seria com alguns reservas e alguns meninos da base pro treinador poder ver o desempenho deles em uma partida oficial e decidi quem merecia uma vaga como titular e quem já podia subir pro profissional. A Duda, claro, procurou pelo pai e como não o encontrou, tive que explicar da melhor e mais fácil maneira que o time em campo era misto mas que ele ia jogar o próximo. Ela entendeu e assistiu o resto do jogo quietinha, atenta a tudo, como sempre. Santos jogou bem, ganhou por 2 a 1, uma boa maneira de começar o ano. Depois esquentei o suflê da Manu no microondas e esse foi o nosso jantar, com o restante do sorvete ferrero rocher de sobremesa. Já eram quase 23h30 quando o Big Black chegou para pegar a Rafa, mas nem subiu. Ele é tão difícil de convencer que até eu desisto -
Rafa - Só não durmo aqui porque amanhã tenho que acordar cedinho pra ir ajudar minha mãe a receber uns fornecedores na Elleven
Clara - Ah, que fofinha, trabalhando - apertei suas bochechas e ela riu - Vai tranquila, hoje eu não vou ficar sozinha. E a Manu também mandou uma mensagem avisando que vem dormir em casa
Rafa - Então tá, se cuida - me deu um beijo no rosto e eu sorri, se despediu da Duda também e desceu. Ajudei minha pequena a arrumar as coisinhas da escola, e depois, a vestir o pijama e escovar os dentes. Li pra ela, e depois de ganhar o meu beijo de boa noite, fui pro meu quarto com o Luck. Tomei um banho, vesti o pijama, escovei os dentes, deitei e tentei começar a ler o livro que não consegui pela manhã. Até progredi, mas não basta só ler, é preciso entender e eu tinha que reler o mesmo parágrafo umas três vezes pra conseguir essa proeza, então achei melhor deixar pra outro dia. Peguei o celular, e ao desbloquear a tela, lembrei que precisava trocar a foto da tela de bloqueio também. O que mais precisaria mudar pra concluir minha tarefa de esquecer com êxito? Só esperava que tudo funcionasse. Troquei logo a foto, respondi as mensagens que fui adiando o dia todo mas não prolonguei conversa com ninguém, exceto com a Gio, que insistiu até acabar me convencendo a ir ao aniversário do seu baby na segunda à noite. O convite já tinha sido feito à dias, só que eu, claro, esqueci completamente. Que vergonha! Depois que nos despedimos, vi que a notificação mais recente do instagram era da Rafa. Fiquei curiosa, abri a foto e logo a reconheci, foi no Réveillon. Sorri antes mesmo de ler a legenda.
rafaella: Talvez não existam palavras possíveis para descrever tamanho amor que eu sinto por ti, irmã. São tantas coisas vividas juntas, tantos segredos, tantos momentos, tantas risadas, e olhe só para nós, continuamos, apesar de tudo, juntas, firmes e fortes. É bem como dizem… “a amizade é um casamento sem contrato”, mesmo que eu queira, não consigo me distanciar de você, é como se eu fosse dependente dessa nossa irmandade. Talvez você não imagine, mas apesar de tudo e todos, você é a melhor amiga que alguém possa imaginar ter @clarabarcelar_
Sorri e chorei, ou chorei e sorri, não sei, mas só tive tempo de curtir mesmo, quando ia comentar a Duda entrou no quarto com a sua Minnie. Enxuguei o rosto imediatamente.
Eduarda - Posso dormir aqui, mãe? - perguntou com um sorriso grandioso, como é que eu ia negar? Nem se eu quisesse -
Clara - Vem - sorri e chamei-a com a mão. Ela deixou a porta encostada e logo subiu na cama com o maior cuidado enquanto olhava para minha mão machucada. Um amor, a minha boneca. E ela nem imaginava que o que eu mais queria naquela noite era a sua companhia também.
Read: http://eternalloved.blogspot.com.br/
http://your-love-got-all-that-i-need-njr.blogspot.com.br/
http://mybabyjuninholovemyforevers2.blogspot.com.br/
http://ounicoerroqueacerteinjr.blogspot.com.br/
Hello, my babies!
Antes de qualquer coisa, preciso esclarecer duas coisinhas: Algumas pessoas me perguntaram se eu havia desistido ou abandonado a história. Gente, se depender apenas da minha vontade isso nunca vai acontecer, podem ter certeza. A outra coisa é esse hiato entre as postagens, não queria que fosse assim mas vocês também já sabem os meus motivos, não vou repeti-los mais. Não vou, nem posso escrever todos os dias (mas escrevo em todos os lugares que posso, já esqueci até meu celular em casa, mas o caderninho não, acreditem). Faço tudo isso em respeito a vocês, sou leitora também, é claro que entendo o lado de vocês, mas depois que comecei a escrever passei a entender esse outro lado aqui também, e não é nada fácil.
Ok, chega de falar desse assunto repetitivo agora.
Antes de qualquer coisa, preciso esclarecer duas coisinhas: Algumas pessoas me perguntaram se eu havia desistido ou abandonado a história. Gente, se depender apenas da minha vontade isso nunca vai acontecer, podem ter certeza. A outra coisa é esse hiato entre as postagens, não queria que fosse assim mas vocês também já sabem os meus motivos, não vou repeti-los mais. Não vou, nem posso escrever todos os dias (mas escrevo em todos os lugares que posso, já esqueci até meu celular em casa, mas o caderninho não, acreditem). Faço tudo isso em respeito a vocês, sou leitora também, é claro que entendo o lado de vocês, mas depois que comecei a escrever passei a entender esse outro lado aqui também, e não é nada fácil.
Ok, chega de falar desse assunto repetitivo agora.
Consegui responder algumas perguntas de vocês (indiretamente, talvez) ou não? Bom, tentei...
Mas fiquem tranquilas, tudo vai acontecer na hora certa!
Sobre os comentários lindos, perfeitos e maravilhosos só tenho a dizer que: não sei lidar.
Obrigada amores, o principal motivo de tudo isso aqui ainda existir são vocês!! ❤️❤️
Sobre os comentários lindos, perfeitos e maravilhosos só tenho a dizer que: não sei lidar.
Obrigada amores, o principal motivo de tudo isso aqui ainda existir são vocês!! ❤️❤️
Até a próxima, beijocas!
PS: Laaaaaaaari, esse capítulo também é um pouco dedicado a você. Obrigada mais uma vez pelo abecedário lindo que fez se baseando aqui. Ainda não tive coragem de colar no caderno (por medo de rasgar ou algo assim), mas já está na pastinha da fic! ❤️
PS: Laaaaaaaari, esse capítulo também é um pouco dedicado a você. Obrigada mais uma vez pelo abecedário lindo que fez se baseando aqui. Ainda não tive coragem de colar no caderno (por medo de rasgar ou algo assim), mas já está na pastinha da fic! ❤️
Por último, e não menos importante: Happy Birthday, Julya!


Ai Gabriela, até o final da história vc me desidrata! Sou suspeita né? Vc sabe o quanto eu amo essa história, acompanhei desde o inicio! AMO, AMO!
ResponderExcluirSó vc tem esse poder de eu ver o insta do Neymar e pensar "Que idiota fazendo a Clara sofrer!" hahaha juro, vc tem esse poder de me fazer "viver" a historia!
A avo da Clara sabe o motivo?
ResponderExcluirNão, não.
Excluirtamanho da minha felicidade quando abri o twitter e vi sua notificação \__________o__________/ ou maior se possível. Enchi tanto seu saco e olha valeu a pena. Não tem como não ficar feliz a cada post seu, ainda que seja tão triste como esse, mas ok! Obrigada pelo "presente" maravilhoso que a senhorita me deu. E espero que isso se resolva logo porque como eu já disse, meu pobre coração não aguenta. Mais uma vez, obrigada! <3
ResponderExcluirmt bom..
ResponderExcluirque lindo!! Amando cada vez mais! Continua
ResponderExcluirmaravilhoso simplesmente maravilhoso :)
ResponderExcluirtop
ResponderExcluirSimplesmente Perfeito caaaara *-* e obg pela indicação *-*
ResponderExcluirChorei ta gabi ????!!!! Kkkkkkkk
ResponderExcluirMaravilhoso como sempre ♡
A fic é maravilhosa e o lado bom é que você não escreve curtos os capítulos por isso que eu te amo cara, e eu amo sua fic linda demais, já quero o próximo porque o coração não aguenta ❤✌
ResponderExcluirPelo amor, chorei!!! Quando penso que não tenho mais lágrimas pra derramar por essa fic, tu me surpreende com esses capítulos maravilhosos. Dá uma dó ver eles separados, mas eu sei que o futuro só reserva coisas boas pra essa família. Sou Team Clamar hahha tá tudo lindo aqui, como sempre ♡ /blogdneymarzete
ResponderExcluirEu nunca esperei tanto por um capitulo,aiai,vc adora me fazer chorar né? 2 capitulo seguido de... Lágrimas. Talvez eu me identifique com essa situaçao de dor da Clara,e compreendo,mas,bem,parabéns por mais um capitulo maravilhoso,parabens.
ResponderExcluirPERFEITO 😍😍😍😍😍😍😍😔😔😔😔😔😔😔😔😔😔
ResponderExcluirEu não sei nem o que falar. Bom acho que vou usar as palavras do primeiro comentário '' até o final da história vc me desidrata''. Mais com todos os choros não posso deixar de dizer como tudo aqui é perfeito. É a melhor fic que já li, juro, juradinho hahaha. Parabéns é tudo que dizem e um pouco mais. Me passa seu twitter ? bjjjjs
ResponderExcluirMeu deus o.O
ResponderExcluiresse capítulo é mais do que pefeito e maravilhoso.
Minha linda vc é a melhor sem nei uma dúvida.
Continuaa minha querida... ♡♥
Gabriela.você não tem esse direito ok??? Estou desidratada
ResponderExcluirNossa xarávc ta judiando da gnt hein. Nao to aguentando ver a Clara sofrendo assim,espero q isso passe logo. Ha a vó da Clara ta certa,o Junior deve ter um motivo mto forte pra ter terminado. To angustiada quero saber logo o pq disso tudo! Continua. Gabiih
ResponderExcluirAaaaaah, eu acho que não me canso nunca de escrever que esse Blog é perfeitooooo?! Simplesmente marvilhoso, contnua logo.
ResponderExcluirwoooooool cont ...
ResponderExcluireu já disse e não canso de escrever que seu blog é p-e-r-f-e-i-t-o !
ResponderExcluircada dia mais maravilhoso!!!
ResponderExcluirperfeito como sempre !!
ResponderExcluirqueeeeeero maaaaaaaaaaais, ta top!
ResponderExcluirMenina!!!!! Que lindooi! Chorei..... Parabéns pelo capítulo!!!!!!
ResponderExcluirMaravilhoso! ❤️
ResponderExcluireu já não tenho problema nenhum em chorar com facilidade, mas com você escrevendo essas coisas fica muito mais facil chorar... Gabi do céu, isso acaba com o emocional de qualquer pessoa, eu quero ver os dois juntos logooo, mas sei que tu não vai fazer isso né ?! A Clara ainda vai sofrer um bocado, pelo que te conheço hahahahahaha eu gosto das briguinhas de casais, mas não as que deixam eles separados por muito tempooo!!!!!! Querooo Clara e Neymar juntos de novo, sou #teamclamar hahahahahahahhaha sou CLAMAR forever
ResponderExcluirTodo mundo e #teamclamar hahaha amo esse "casal"
ExcluirCap top amorrr...Divulga? Blog novo http://causeiloveeverything.blogspot.com.br
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