domingo, 26 de outubro de 2014

Capítulo 60 - “Só não quero imaginar você vivendo outros amores por aí...”

Dedicado ao JB's  
Não tive nenhuma novidade desagradável no domingo. Em outras palavras, não apareci em nenhum site, porém... o assunto de sábado ainda rendia. Claro que não respondi a nenhum comentário das redes sociais, tive vontade mas não fiz isso. Se os personagens principais não tinham se pronunciado até então, por que eu faria isso? Não devia nem estar envolvida nessa palhaçada de triângulo amaroso. Preferi passar o dia fora com a Duda. Percebi o quanto ela ficou triste depois de saber que o Júnior e eu não estávamos mais juntos e sua tristeza me deixou com o coração apertado. Mas era melhor assim, eu me sentiria pior mentindo e fingindo. Passamos o domingo no zoológico e só voltamos pra casa perto do final da tarde pra ela poder assistir Santos x Mogi Mirim. Tudo bem, eu também assisti, mas tínhamos motivos diferentes pra isso. 
 Na segunda-feira (10), acordei esperando toda aquela normalidade rotineira de sempre mas ela se tornou o melhor dia do meu ano conturbado. Ainda estava no CT quando minha mãe ligou me dando a melhor notícia do mundo: tinha finalmente aparecido um doador compatível pro meu avô. Chorei tanto que deixei a sala inteira preocupada, a Gio e os meninos ficaram desesperados com meu choro repentino, ainda mais depois de uma ligação, acho que devem ter pensado o pior, chegaram até a chamar a madrinha. Só aí contei o motivo e eles me abraçaram emocionados também. Minha mãe tinha dito que, segundo o Dr. Marcelo, o doador apareceu na sexta-feira, dia 7, mas ele resolveu dar a notícia apenas depois de confirmar tudo com o doador. Na segunda mesmo, houve uma reunião da equipe médica para discutir o caso do meu avô e na terça, a reunião foi com nós, os familiares (incluindo meu avô, claro), para esclarecer cada procedimento que seria realizado e para conhecermos a equipe. Recebemos muitas orientações, meu avô assinou o Termo de Consentimento Informado e por fim, a data do transplante foi agendada para 10 de abril. Não fiquei muito chocada com a data porque graças as minhas pesquisas (e a palestra que a madrinha organizou no CT), já sabia que existia um longo processo depois de achar o doador até a doação finalmente acontecer, inclusive muita gente desiste de doar nesse meio tempo, e eu só esperava que isso nem passasse pela cabeça do doador do meu coroa. Ele ainda teria que passar por uma pequena cirurgia pro médico instalar um cateter venenoso em uma veia de maior calibre de longa duração, pra ele receber altas doses de quimioterapia, e talvez, até radioterapia, para destruir todas as células imunes e poder receber a nova medula óssea. Seria por esse cateter que o transplante seria feito. Isso todos nós já sabíamos, mas quando o Dr. Marcelo marcou a primeira sessão, meu avô ficou meio reticente... aí tivemos que, mais uma vez, reunir forças para nós e para ele. Tudo que eu mais queria estava começando a acontecer e eu quase não conseguia acreditar. Era bom demais ver a esperança renovada nos rostos dos meus avós, pais e amigos (sim, porque eu fiz questão de contar pra todo mundo que nos ajudou quando precisamos, eles mereciam saber).
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 Os dias foram passando e o mês de fevereiro finalmente terminou. Sem dúvidas, ele conseguiu ser o pior e o melhor mês da minha vida. Acompanhei meu avô em algumas sessões de quimioterapia (mesmo contra a sua vontade), e os efeitos colaterais que seu corpo começou a apresentar nesse período de condicionamento (é meio que um período de preparação do seu corpo para receber as células sadias) foram: náuseas, vômitos, perda de apetite e alopécia (a perda dos cabelos). Mas levando em conta outros efeitos colaterais, como a mucosite (uma inflamação da parte interna da boca e da garganta que pode levar a úlceras dolorosas e feridas nessas regiões), tínhamos muito que agradecer porque sempre soubemos que não seria fácil.
 Os primeiros dias de março foram muito melhores do que os primeiros dias do mês anterior... Bom, é melhor não lembrar o motivo, quero dizer... é melhor tentar esquecer (o que continuava não sendo nada fácil). A minha relação com o Júnior não mudou, falamos apenas o básico mesmo. Ele pareceu não dar muita importância ao que pedi antes que saísse do meu quarto naquele fatídico sábado: “Mas eu desejo, do fundo do meu coração, que você não me esqueça”, não sabia se o pior era eu ter achado que ele levaria isso a sério ou o fato dele realmente não ter levado a sério. Sim, podem me chamar de burra de novo, dessa vez até deixo. Era muito obvio pra todo mundo que eu já tinha sido esquecida, afinal, ele e a atriz (não me julguem por preferir nem pronunciar o nome da dita cuja) não faziam mais questão de se esconderem dos fotógrafos, pelo contrário, pareciam chamar por eles. Não que eu ficasse atualizando sites e mais sites durante o dia para saber as últimas notícias do mais novo casal (sim, ela chegou a assumir isso, mas ele, ao ser perguntado depois de uma partida, se recusou a falar sobre a vida pessoal), gostaria até de viver em um mundo afastado do deles, mas era impossível não saber. E o que me deixava com mais raiva, é que eu sempre achava que já tinha superado tudo, até surgir uma nova foto deles. Elas nunca eram íntimas demais, digo, não eram fotos deles agarrados, abraçados, de mãos dadas ou algo assim, mas estavam juntos e isso já era suficiente para me deixar destruída. 
Ainda bem que o Júnior tinha, pelo menos, o bom senso de não levar a Duda para seus encontros. Procurei deixá-la de fora de toda essa palhaçada, até porque vez ou outra, ela ainda perguntava com uma vozinha triste, se eu e ele ainda voltaríamos. Não sei quem ficava pior toda vez que respondia, ela ou eu mesma porque me dei conta que o ruim não é sentir falta, o ruim é desejar algo que não se pode mais ter. O ruim… é que nada parecia ser bom novamente.
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21 de março de 2014 - sexta-feira, 06h30
Desliguei o despertador a tempo de ouvir o da minha pequena tocar também. A música que fazia ela acordar animada sempre continuava sendo da borboletinha, me peguei até cantando enquanto arrumava a cama. Separei minha roupa e saí do quarto do jeito que estava mesmo - um shortinho de dormir mega curto e um top - não corria o risco de encontrar o Gil pelo corredor porque ele e a Manu continuavam brigados e claro que essa situação só mudaria quando um dos dois resolvesse dar a cara à tapa, o que parecia estar muito distante de acontecer. Acho que eu precisava dar um jeito nisso, sem que a Manu soubesse, lógico. Entrei no quarto da Duda e fiquei parada na porta quando percebi que ela estava falando sozinha, ou como eu prefiro dizer: pensando alto. Não deu pra entender nada, apenas que ela falava olhando para o porta-retrato da sua cabeceira; eu, ela e o Júnior estávamos juntos ali, no dia do seu aniversário. Franzi a testa, e fiquei ainda mais intrigada quando ela beijou a foto. Arquejei e pisquei algumas vezes, queria pensar nos muitos significados que aquele gesto lindo podia ter, queria poder falar também mas não consegui nem uma coisa, nem outra. Meu cérebro bloqueou diante daquela cena. Não sei por que mas senti que aquilo não era sinal de algo bom... Ela me viu quando já ia entrar no banheiro e sorriu. 
Clara - Bom dia, amor
Eduarda - Bom dia, mãe - soprou um beijo e eu sorri, um pouco mexida com o que tinha visto ainda, mas balancei a cabeça, tentando não pensar mais no ocorrido. Ela tomou banho, escovou os dentes, se vestiu e calçou o tênis (fez tudo isso sozinha, eu só assisti, babando um pouco). Fiz "maria-chiquinha" em seu cabelo, ela se perfumou, pegou a mochila e fomos pra cozinha. Coloquei-a sentadinha em uma banqueta ao lado da Manu, que já estava terminando o seu café, e a servi com um pouco de salada de frutas (dá pra acreditar que foi a Manu quem fez? sim, ela está progredindo). Voltei pro meu quarto, fui direto pro banheiro, tomei banho, escovei os dentes, passei hidratante no corpo, me vesti e fiz um rabo de cavalo no cabelo. Preferi não usar nada no rosto além de um gloss clarinho porque tinha gravação de tutorial marcada para antes do meio dia. Peguei minhas coisas, tomei apenas um copo de suco de laranja e saí com as meninas. Descemos, a Manu entrou no seu carro e eu no meu, depois de ter prendido a Duda na cadeirinha. Era tão bom poder dirigir meu próprio carro, juro que achei que tinha desaprendido durante o tempo que não pude fazer isso. A propósito, como já era de se esperar, minha mão direita ficou com uma linda cicatriz. Tudo bem, tinha outras no coração também, só que pelo menos essas, eram invisíveis. Deixei a Duda no colégio e segui pro CT. Passei o início da manhã bolando um novo design gráfico para o site oficial do Santos com a Gio, foi bem trabalhoso, assistimos até alguns vídeos para nos inspirar e ter mais ideias, e o resultado final ficou incrível. Enquanto trabalhávamos nisso, pensamos em criar também um blog dentro do site para falar sobre moda e futebol. Foi só uma ideia que ainda precisaria amadurecer bastante, mas anotamos tudo. Queríamos mesmo que desse certo futuramente. Quando o Piratinha foi nos avisar que a sala estava pronta para a gravação, nós descemos e mais uma vez nos surpreendemos com a sua dedicação, estava tudo perfeito. 
 clarabarcelar_: ACTION!  
Dessa vez a Gio também participou e foi ao vivo. Ficou um vídeo bem descontraído, durou quase uma hora e apesar de, ao nosso ver, não sermos as mais indicadas para tal, demos dicas, truques, ensinamos técnicas e indicamos alguns cosméticos. Como não podia ser diferente, tudo tinha a ver com o Santos, até as cores que usamos. No final, sorteamos cinco estojos de maquiagem personalizados e com alguns autógrafos entre todas as torcedoras que haviam comentado o primeiro tutorial. Confesso que foi bem divertido. Quando terminamos tudo, a hora do almoço já estava no fim, mesmo assim acompanhei a Gio até o restaurante. Estava quase vazio, e eu preferia que estivesse lotado, porque as únicas pessoas ali presentes, tirando o pessoal da cozinha, eram o Júnior e o Gil. Não fiquei surpresa. Quero dizer, só com a presença do Gil, no entanto, não era assim tão fora do comum vê-lo pelos cantos do CT também. Mas me referi ao Júnior, não podia mais me dar ao luxo de achar que encontrá-lo aqui e ali era algo surpreendente, seria muita idiotice da minha parte. Vê-lo diariamente era algo que não tinha como evitar. E seria muito estranho se eu dissesse que ultimamente vinha vendo mais o Júnior do que o Gil? Talvez? Sim? Não? Pois, era a mais pura verdade. O Cebola não colocava os pés no apê desde que brigou com a Manu, até nos falamos por mensagem - sem nunca tocar no assunto que causou a crise em seu namoro - mas tínhamos uns bons dias sem nos vermos (a última vez foi na baladinha do aniversário da Rafa, dia 11, nem queria ir pra não ter o desprazer de encontrar certas pessoas mas a Manu meio que me obrigou a acompanhá-la. Pelo menos não esbarrei com ninguém desagradável. Explicando melhor, a atriz não foi e nem procurei saber se ela foi convidada). Minha vida estava uma loucura, a dele eu não tinha como saber, mesmo assim não me sentia no direito de julgá-lo. Sentia saudades, lógico, mas todo mundo precisa de um tempo às vezes, certo? Sei lá, acho que sim. 
Enfim, o Gil estava de costas para porta, foi o Júnior quem me viu primeiro, mas ignorei-o (como fazia sempre que podia). Nem um aceno ou um cumprimento, nada. Depois que a atriz assumiu o namoro que ele não negou, toda vez que o via, não sabia direito se queria bater nele, nela ou em mim mesma. Então, era preferível ignorá-lo. O Gil olhou pra trás e sorriu, retribuí. Ele fez um sinal com as mãos, do tipo "Quero falar com você depois", assenti e fui sentar com a Gio em uma mesa perto de uma das janelas. Almoçamos em silêncio, ela me conhecia o suficiente pra saber que não estava nada confortável ali, a comida nem descia direito, sentia que estava sendo observada o tempo todo. Depois de alguns minutos, vi que o Júnior saiu do restaurante e o Gil se aproximou. Cumprimentou primeiro a Gio, que logo arranjou uma desculpa para ir pra sala antes de mim.
Clara - E aí, Cebola. Você por aqui... - levantei -
Gil - É... Posso? - fez um gesto apontando para nós dois e eu ri -
Clara - Pelo amor de Deus, é claro que pode. Acha que eu levantei pra quê? - riu também e me abraçou apertado, como sempre fez. Ah, que saudade! - Nossa relação continua a mesma. Nada mudou
Gil - É que eu pensei que... você sabe. Ainda mais depois desse tempo todo
Clara - Eu sei
Gil - Mas olha...
Clara - Não precisa se explicar - interrompi-o - Eu também defenderia a Manu em qualquer circunstância
Gil - Por que só ela não entende isso? - percebi uma pontinha de decepção em seu tom de voz - Eu juro que não falei nada demais, só quis evitar uma cena desnecessária no balé. Ainda tinha a Duda que podia aparecer a qualquer momento e ouvir tudo
Clara - Eu te entendo, de verdade. Mas pelo visto não adiantou nada
Gil - Não adiantou. Quis evitar uma cena dela com ele, e ela fez comigo - sei que não devia, mas um riso leve acabou escapando -
Clara - Você não conhece a fera?
Gil - Manu é imprevisível demais, quando está com raiva então... Mas eu a conheço. Conheço tanto que sei que ela não vai mexer um único pauzinho pra gente resolver essa situação
Clara - Ainda bem que você sabe, porque não vai mesmo
Gil - E como é que ela está?
Clara - Ah, muito bem. Adora ver você curtindo fotos de suas amiguinhas, comentando que está com saudades e por aí vai. Ficou ainda melhor depois que você curtiu a indireta que era pra você mesmo
Gil - Ela só faltou me marcar
Clara - E ainda assim, você curtiu - ele colocou as duas mãos na nuca, depois passou-as pelos cabelos, claramente nervoso -
Gil - Você sabe que é tudo só para provocar, não sabe? - sorri -
Clara - Eu sei, ela também sabe. É obvio que vocês se amam, mas eu se fosse você parava com isso de querer provocar porque se ela resolver revidar...
Gil - Eu não sei o que fazer. Ela não me atende, quando responde as minhas mensagens é curta e grossa... tenho até medo de me aproximar. Você viu, no aniversário da Rafa ela nem olhou pra mim - isso é o que você acha, pensei. A Manu ficou ao meu lado a noite inteira, e de olho nele o tempo todo. Era só uma desconhecida chegar perto dele para eu ter que distraí-la com alguma conversa invetada na hora -
Clara - É exatamente por isso que ela faz essas coisas, Gil. Ainda está com raiva, sem motivo, eu sei, mas está. E tenta te afastar. Mas o que mais quer é que você a surpreenda
Gil - Você acha?
Clara - Ela sente sua falta
Gil - Eu também sinto a falta dela
Clara - Então reage. Surpreende a minha amiga porque até os vizinhos já devem estar cansados de ouvir what goes around comes around
Gil - Quê?
Clara - É uma música - ri suavemente -
Gil - Do Timberlake, eu aposto
Clara - Com certeza. Te aconselho a procurar a tradução dela, só pra perceber a dimensão do drama lá no apê. A qualquer momento aquele CD fura de tanto que ela ouve e adivinha de quem vai ser a culpa por isso também? - gargalhou - É sério. Nem sei se devia estar te falando essas coisas já que... daquela vez você foi tão... legal. Hoje eu estou no seu lugar, mas a diferença é que... eu e ele... enfim. Você e a Manu têm volta. Não podem ficar brigados por isso - ele pensou um pouco antes de responder -
Gil - Obrigado
Clara - Não há de quê - sorri - Mas eu preciso voltar ao trabalho agora. Pensa nisso tudo
Gil - Vou pensar - piscou. Abracei-o novamente, ele beijou a minha testa e sorriu também. Saí do restaurante, e subi com pressa, pedi desculpas aos meninos pela demora e foquei no que era mais importante naquele momento. Menos de uma hora depois, meu celular tocou e o número era da escola da Duda. Fiquei alarmada imediatamente. Meu Deus, será que a Manu esqueceu de pegar minha pequena? Isso nunca aconteceu. É claro que ela não esqueceria. Atendi quando já estava quase indo pra caixa de mensagem, era a professora. Pediu para falar comigo, se possível, depois do meu expediente. Claro que disse que iria, e perguntei o motivo mas ela não quis adiantar nada. Liguei pra Manu logo em seguida, mas ela disse que a Duda parecia estar muito bem, e estava fazendo as tarefas de casa. Não consegui esconder o meu nervosismo durante o resto da tarde. Podia não ser nada demais, ou uma simples reunião de pais, mas então pra que a urgência e por que tão em cima da hora? Não sabia mais o que pensar quando vi que finalmente podia sair. Sério, foi a primeira vez que contei até os segundos pra poder ir embora logo. Peguei a bolsa, me certifiquei de que estava tudo dentro dela, me despedi de todo mundo e desci. Já estava no estacionamento quando ouvi o meu nome, obvio que reconheci a voz, mesmo assim olhei pra trás e o vi correndo em direção a mim. O cabelo bagunçado e molhado me deu a certeza que o treino havia terminado a alguns minutos. Arqueei uma sobrancelha, esperando que falasse -
Neymar - Está indo pra escola da Duda também?
Clara - Como assim? Ligaram pra você?
Neymar - Sim
Clara - Ai, meu Deus!
Neymar - O que foi? - aproximou-se ainda mais -
Clara - Não sei. Esse é o problema, não sei o motivo dessa reunião de última hora
Neymar - A professora não adiantou nada pra você?
Clara - Não
Neymar - A Duda nunca aprontou nada, com certeza é por outro motivo
Clara - Também acho - franzi a testa. Conseguimos mesmo ficar por mais de dois minutos conversando civilizadamente? Que avanço -
Neymar - Vamos, então? - passou por mim exalando um perfume maravilhoso -
Clara - Vamos? - vi que destravou as portas do seu carro, e aí me dei conta do que disse - Ah, sim. Vamos! - fiz o mesmo com o meu carro, entrei e respirei fundo. O fato dele também ter que estar presente conseguiu me deixar ainda mais nervosa, mas tentei pensar apenas no caminho que teria que fazer e dei partida. Ele me seguiu, então chegamos juntos na escola; mais um momento constrangedor. Foi a diretora quem nos recebeu, olhei ao redor da sala e não vi mais nenhum pai ou mãe. Estávamos atrasados, adiantados, ou aquilo seria apenas com nós dois mesmo? -
Marisa - Olá. Como estão? - nos cumprimentou educadamente -
Clara - No momento, bem ansiosa, pra não dizer nervosa mesmo - ela sorriu um pouco -
Neymar - É algo muito sério?
Marisa - Eu prefiro que vocês conversem diretamente com a professora da Eduarda. Ela já está vindo pra cá, fiquem à vontade - saiu, nos deixando sozinhos e desconfortáveis (pelo menos eu estava). Sentei, abaixei a cabeça e permaneci assim por alguns minutos -
Neymar - Clara? - era a segunda vez no dia que ele me chamava e percebi o quanto sentia falta até de ouvi-lo falando o meu nome. Olhei-o e mais uma vez, esperei que prosseguisse - Desculpa - falou muito devagar, sem nunca desviar o olhar. Meu coração deu uma acelerada básica. Fiquei muito surpresa e não fiz questão de esconder isso. Suas expressões deixavam claro que ele fez um esforço enorme pra dizer isso, e eu suspeitava que só disse porque aquele era um dos pouquíssimos momentos em que estávamos sozinhos. Apenas nós dois -
Clara - Pelo o quê? - não sei nem como, mas sustentei o seu olhar -
Neymar - Por tudo. Não queria que seu nome ficasse envolvido em tantos sites, sei que não gosta disso - fiquei pasma, as lágrimas chegaram a me ameaçar mas não deixei que nenhuma rolasse. Apenas me perguntei silenciosamente o que aquele tudo abrangia e não consegui responder nada, queria apenas saber até onde aquilo iria e o motivo daquele pedido de desculpas - Fala alguma coisa
Clara - O que quer que eu diga?
Neymar - Qualquer coisa. Até um eu odeio você é melhor do que o seu silêncio
Clara - Ok - suspirei, fechando os olhos rapidamente, depois voltando a abri-los - Seu pedido de desculpas não vai apagar nenhuma das lágrimas que eu derramei. Não vai curar o vazio, não vai substituir a ausência, não vai fazer o tempo voltar, não vai me tirar o arrependimento, nem a mágoa. Resumindo, o seu pedido de desculpas não muda nada na minha vida agora - vi muito claramente o efeito que as minhas palavras tiveram, não foi porque eu quis (até porque nem sabia que ainda podia causar algum efeito nele). Simplesmente, desabafei - Não me olhe assim. Só estou fazendo o que você fez comigo, não se assuste se doer. Machuca, eu sei, mas não mata - ele continuou muito sério, assentiu depois de um tempo bem pensativo e desviou o olhar. A princípio, logo quando terminei de falar, estava orgulhosa de mim mesma, mas... saber que ainda o afetava mexeu comigo, e me vi quase pedindo desculpas por tudo que tinha dito. Ainda bem que a professora da Duda entrou na sala antes disso -
Anna - Boa tarde. Desculpem o atraso, tenho outra turma no turno da tarde - sorriu para nós dois e sentou-se -
Neymar - Tudo bem - falou ao mesmo tempo que eu, e ela riu levemente. Era só o que me faltava... Não ousei olhá-lo enquanto sentava ao meu lado, de modo que ficamos de frente para ela -
Clara - Professora, por favor. Qual é o motivo da nossa presença aqui?
Anna - Bom, eu não queria ter que dizer isso mas a verdade é que o rendimento da Duda caiu consideravelmente
Clara - Caiu? Mas como assim? Ela faz todas as tarefinhas de casa... - falei ainda sem acreditar no que tinha ouvido - Pelo menos quando está comigo
Neymar - Comigo ela também faz tudo - retrucou -
Anna - Eu sei - ficou visivelmente constrangida com a situação - Todos os deveres passados pra casa voltam feitos. Essa não é a questão, o problema é em classe. A Duda não quer fazer praticamente nada. Diz que está triste, não quer brincar com ninguém e prefere ficar sozinha, quieta
Clara - Desde quando isso vem acontecendo? - perguntei horrorizada. Aquela descrição não era da minha filha -
Anna - Venho percebendo que ela está tristinha a um tempo, mas achei que fosse algo passageiro, que estava doentinha ou algo assim. Mas quando percebi que não era nada disso, resolvi chamá-los. E olha, em todos esses anos lecionando, nunca vi nenhum aluno meu feliz por ter que chamar os pais aqui
Clara - Fe... Feliz?? - gaguejei mesmo -
Anna - Sim. Pelo que pude perceber, ela pareceu gostar de saber que eu ia chamá-los aqui - olhei pro Júnior, ele parecia tão surpreso quanto eu - Eu não sei o que está acontecendo, mas a Duda sempre foi uma das minhas melhores alunas. Muito prestativa e atenciosa. Tristeza nem combina com ela, até os coleguinhas já perceberam isso
Clara - E como é que a gente não? Por que nós não percebemos? - olhei pra ele novamente, confusa e prestes a ter um ataque nervoso - Meu Deus, perguntava pra ela como estava aqui e ela sempre respondia a mesma coisa, que estava tudo bem. Eu devia ter percebido que algo não estava certo
Neymar - Clara, calma - pegou na minha mão, e não consegui ficar calma (pelo contrário até, a situação piorou) mas paralisei - Nós sabemos o motivo disso
Clara - Ah, sabemos? - ironizei e puxei a minha mão de um jeito meio bruto -
Neymar - Tem certeza que quer discutir isso aqui? - corei, afinal... ele tinha razão. Não estávamos propriamente sozinhos -
Clara - Desculpa, professora
Anna - Tudo bem - sorriu levemente -
Neymar - Nós vamos conversar com a Duda e eu tenho certeza que a minha filha vai... voltar ao... normal - nossa filha, corrigi mentalmente, mas não falei nada. Já estava constrangida o suficiente - 
Anna - Eu acredito que sim. E gostaria de deixar claro, que só não chamamos vocês antes porque achamos que era algo que podia ser resolvido aqui - assentimos, antes de nos despedir e sair da sala. Estava me sentindo arrasada. Minha filha estava... sofrendo? Meu peito doía só de pensar nisso. Enquanto caminhava para o meu carro, minha mente me arrastou até de manhã, quando a vi beijando a foto... A Duda estava com... saudades! Claro que era isso! Mas por que não nos disse nada? Pior, por que não percebemos? -
Neymar - A culpa é toda minha - olhei pra ele, mas não estava com um pingo de vontade de discutir -
Clara - Sinceramente? Não é hora de procurar culpados
Neymar - Eu sei que você também pensa isso
Clara - Não, eu não penso - me olhou um pouco incrédulo - Eu criei a Eduarda durante três anos sem uma presença masculina pra ela chamar de pai... De repente você aparece, e nós construímos a família perfeita e feliz praticamente igual aquelas que ela assiste nos filmes e nos desenhos. Só que depois... de uma hora pra outra tudo desmorona, acaba e ela não entende o porquê - precisei parar um pouco para recuperar o fôlego e continuar - Isso não está certo, nós devíamos ter sido mais cuidadosos com ela. Hoje de manhã eu a vi beijando uma foto nossa - confessei, mesmo sem querer. Ele pensou em falar algo e desistiu, mas estava tenso - Olha, eu sei que nós fizemos um acordo quando... Enfim, quando começamos a namorar de novo, mas esse acordo tem que continuar de pé, independente de qualquer coisa. Nada entre mim e você pode afetar negativamente a nossa filha porque ela é mais importante que tudo
Neymar - Você está certa
Clara - Eu sei que estou - fiquei com a impressão de ter visto a sombra de um sorriso em seus lábios, e ele revirou os olhos na maior cara de pau -
Neymar - Estou indo lá no apê agora, tudo bem?
Clara - Você sabe o caminho - dei as costas e destravei as portas do meu carro. Entrei e saí logo do estacionamento, deixando-o parado no mesmo lugar. Ás vezes é bom ficar com a última palavra, dá uma sensação boa de vitória, não é? Mesmo assim, ainda conseguimos chegar juntos ao meu prédio. Quando saí do meu carro e travei as portas, vi que ele estava segurando elevador pra mim. Íamos subir sozinhos? Cogitei ir pelas escadas, mas seria muito infantil, ele foi educado, eu também tinha que ser. Entrei e agradeci em um murmúrio que nem sei se foi audível. Ele apertou no botão indicado, o elevador começou a subir lentamente e eu comecei a suar. Não que estivesse calor ali dentro, mas estava nervosa ao extremo. Achava que aquela tensão entre os casais dentro de elevadores era apenas coisa de filmes e novelas, mas era exatamente o que estava acontecendo ali. Não era mito, o espacinho minúsculo em que nos encontrávamos parecia diminuir ainda mais a cada andar que passava e ninguém entrava. Não consegui segurar o riso diante das ideias absurdas que minha mente fantasiava, isso chamou a atenção do Júnior, olhei-o de relance e o vi sorrindo. Juro, ele sorriu como a muito tempo eu não via, e quase me derreti ali mesmo. Balancei a cabeça, desviei o olhar e fiquei de olhos fechados até ouvir o blip do elevador - Finalmente! - sussurrei. Abri a porta, e ele entrou primeiro chamando pela Duda. Ela apareceu correndo com o Luck e se jogou nos braços dele. Fechei a porta, joguei a bolsa na poltrona e sentei no sofá - Manu! - chamei-a -
Manu - Oi, estou na área de serviço - gritou de lá mesmo, devia estar colocando suas roupas na máquina -
Clara - E eu? Não ganho abraço? - ela sorriu e passou os bracinhos envolta do meu pescoço, depois beijou a minha bochecha mas sua carinha não deixava mentir: ela já sabia o motivo de termos chegado juntos -
Neymar - Filha, a gente precisa conversar
Eduarda - Eu sei - falou muito baixinho -
Neymar - Senta aqui - ficou do outro lado do sofá e ela entre nós dois -
Eduarda - Eu sei o que é...
Clara - Então fala, Duda. O que está acontecendo na escola? - ela balançou a cabeça - Você sabe que está acontecendo algo sim, e nós também já sabemos mas precisamos que você fale
Neymar - Pode falar com a gente. Não vamos brigar com você
Eduarda - Tá - baixou a cabeça e começou a mexer nos dedinhos, uma mania nervosa - É que... eu não gosto de ficar triste na frente de vocês porque sei que vocês vão ficar triste também, então só fico assim na escola - falou um pouco rápido demais e encolheu os ombros -
Clara - Mas por que? Qual o motivo da sua tristeza?
Eduarda - Tenho saudades de vocês dois juntos - seus olhos ficaram rasos, e eu sabia que bastava a sua primeira lágrima rolar, pra começar a chorar também - Eu lembro de quando a gente saia, brincava, e o papai dormia aqui... - nós nos olhamos por um tempo que pareceu quase um século, enquanto ela permanecia de cabeça baixa -
Neymar - Duda... - começou a falar, mas creio que não sabia como (assim como eu), e parou -
Eduarda - Eu sei que vocês não namoram mais, eu sei - olhou para nós dois, e percebi que já estava chorando. Foi a gota d'água, as minhas lágrimas nem se preocuparam em ser discretas - Mas tenho saudades mesmo assim - o silêncio que se formou depois disso foi quase palpável, dava para ouvirmos a máquina de lavar e até os carros na rua. O Luck nos olhava com as orelhinhas em pé, sem entender o motivo de estarmos tão quietos -
Clara - Duda, olha pra mim - ela fez o que pedi, passou as mãos no meu rosto e eu sorri - Você não fez nada disso de propósito, não é? Não incentivou a sua professora a nos chamar achando que eu e o seu pai vamos ficar juntos de novo, não é?
Eduarda - Não! - respondeu com uma expressão confusa - Eu quero que vocês fiquem juntos, mas não foi de propósito - disse a última palavra bem devagar só para não errar, e eu sentia um orgulho enorme toda vez que ela fazia isso com as palavras novas que aprendia. Só que dessa vez não consegui sorrir, sua sinceridade me desarmou. Esperei que o Júnior dissesse alguma coisa, mas ele estava tão ou mais perdido do que eu - Tudo bem, eu prometo que nós vamos voltar a sair mais vezes
Eduarda - Nós três? - seus olhos ficaram enormes -
Clara - Sim, nós três - olhei pro Júnior e ele não esboçou nenhuma reação, na verdade, parecia muito surpreso com a minha atitude - Não sempre, porque nossos horários são muito doidos, você sabe
Eduarda - Mas é sério? - levantou, enxugando o rosto -
Clara - Sim
Eduarda - Pai, é sério também? - olhou pra ele -
Neymar - É sério - respondeu olhando pra mim -
Clara - Mas tem uma condição
Eduarda - Qual??
Clara - Tem que voltar a prestar atenção nas aulas, e a brincar com os coleguinhas. Nada de se isolar
Neymar - É isso aí, nada de tristeza também. Você nem tem idade pra isso ainda
Eduarda - Não vou ficar mais triste, oh - beijou os dedinhos - Juro!
Neymar - Melhor assim - sorriu -
Clara - E tem mais uma coisa, mocinha - ela olhou pra mim - Não tem que esconder nada de nós, entendeu? Sempre que estiver sentindo alguma coisa, conversa com a gente. Não guarda pra você, faz mal
Eduarda - Faz mal? - fez uma careta -
Clara - Faz, faz muito mal. Fala pra gente que vamos sempre tentar dar um jeito, ok?
Eduarda - Ok - sorriu de um jeito lindo e nos surpreendeu com um abraço. Não pareceu bem um abraço, mas era. Ela passou um dos bracinhos pelo pescoço dele e o outro pelo meu, resumindo de uma maneira bem simples: eu e o Júnior ficamos com os rostos muito próximos, podia até sentir a sua respiração e o pior foi que a Duda prolongou esse abraço mais do que o necessário. Por isso, quando nos soltou, dei uma desculpa de que precisava ir ao banheiro e fui pro meu quarto -
Manu - Que cena mais fofinha eu vi
Clara - Que susto!! - praticamente gritei e ela gargalhou - Palhaça - ia fechar a porta, mas ela não deixou e entrou mesmo -
Manu - Quero saber de tudo
Clara - Não tem nada pra saber
Manu - Claro que tem
Clara - Preciso de um banho
Manu - Eu espero aqui - deitou na minha cama. Revirei os olhos, peguei um roupa qualquer e entrei no banheiro. Me despi, entrei no box, liguei o chuveiro e procurei relaxar a mente e o corpo. Esqueci, por momentos, de tudo. Inclusive do tempo, tanto que ouvi a voz da Manu - Clara?
Clara - Que foi? - desliguei o chuveiro para ouvi-la melhor -
Manu - Ah, achei que tinha descido pelo ralo - gargalhou - Vou tirar a roupa da máquina, mas volto e você vai me contar tudo - foi impossível não rir -
Clara - Tá, Manu. Vai logo - respondi e prossegui com o meu banho. Quando terminei, hidratei minha pele, me vesti, saí do banheiro desembaraçando o cabelo e tomei outro susto, deixei o pente cair no chão na mesma hora, o que fez com que ele desviasse o olhar do meu mural de fotos para focar apenas em mim - Tá fazendo o que aqui? - só consegui formular essa pergunta porque era a mais obvia para se fazer. Estava quase indo beliscá-lo só para ter certeza de que ele realmente estava ali, naquele mesmo quarto onde decretou o final de tudo -
Neymar - Já estou indo embora - respondeu depois do que pareceu uma eternidade e parecia meio nervoso também. Com o quê? -
Clara - Ok - assenti sem entender muito bem o que estava acontecendo - Tchau (?) - quando eu já esperava que não dissesse mais nada e saísse logo do quarto, ele fez totalmente o contrário e se aproximou ainda mais de mim. Minha respiração ficou irregular e lutei pra tentar esconder isso - O que você está... - não terminei a frase porque ele me interrompeu -
Neymar - Só quero te pedir uma coisa
Clara - Que coisa? - perguntei morrendo de medo do que poderia ouvir -
Neymar - Por favor, não se apaixone por outro alguém - quase caí sentada e se isso acontecesse ia ser no chão mesmo, estava longe da cama -
Clara - Por que não? - perguntei antes que tivesse tempo de pensar em mais alguma coisa -
Neymar - Só não quero imaginar você vivendo outros amores por aí… - me arrepiei por completo e tenho quase certeza que até ele percebeu. Conhecia a música de onde ele havia tirado a frase, e não à toa ela se chamava "Distante" -
Clara - Por que isso agora? - murmurei com o que me restava de forças -
Neymar - É só um pedido. Assim como você fez o seu antes que eu saísse desse quarto pela última vez - meus lábios começaram a tremer em antecipação a um choro que seria inevitável -
Clara - Então eu também tenho o direito de ignorar esse pedido, certo? Assim como você fez - ele balançou a cabeça mas não disse nada. Ainda esperei por alguma desculpazinha esfarrapada mas nem isso eu merecia, me irritei - Você me tinha. Você me teve como ninguém mais teria. Mas você preferiu me deixar, ir embora. Você me teve todos dias. Eu era sua mesmo quando não queria. Eu era sua até mesmo quando era de outra pessoa. Você me tinha, Júnior. Você me teve nas suas mãos, mas preferiu me deixar escapar. Você me tinha tanto, que quando escolheu me perder, eu obedeci - ele tentou falar, mas não deixei, não fui eu quem começou então ele ouviria tudo - Eu te amei com todas as minhas forças, de todos os jeitos, gestos e formas possíveis. Lutei contra tudo e todos, sem ter medo do amanhã seguinte. E só não sabia que o “amanhã seguinte” ia separar nós dois
Neymar - Clara...
Clara - Você foi embora
Neymar - Você não me impediu - retorquiu. Fiquei petrificada e nem impedi as lágrimas de rolarem, não adiantaria mais -
Clara - Agora a culpa é minha? Tudo bem, eu devia ter dito algo. Mas, se o meu amor não foi o suficiente pra te fazer ficar, nada que eu dissesse teria mudado alguma coisa - fiquei surpresa com a calma que usei pra falar, aliás, estava surpresa por estarmos falando tão baixo... acho que já estávamos mais do que cansados de gritar e brigar (eu pelo menos, estava no meu limite) - Sou eu que estou pedindo por favor agora, vai embora - pedi, antes que a conversa se prolongasse ainda mais e eu não tinha estruturas para aguentar mais nada - Sobre as saídas com a Duda a gente conversa depois - não lhe dei oportunidade de falar mais, passei as mãos no rosto e fui até a porta. Abri-a e abaixei a cabeça, não queria saber se ia me olhar ou não. Ele demorou demais para girar os calcanhares, achei que já ia ter que pedir de novo quando finalmente passou por mim e saiu do quarto. Bati a porta, me joguei na cama, enfiei a cabeça no travesseiro e gritei. Era melhor do que quebrar um espelho. Que dia caótico! Ouvi quando a porta foi aberta novamente, enxuguei as lágrimas mas continuei do mesmo jeito -
Manu - Ei - deitou ao meu lado - Que foi?
Clara - Por que você deixou ele entrar aqui?
Manu - Não vi. Quando voltei vocês já estavam conversando, preferi não atrapalhar. Fiz mal? - neguei com a cabeça, levantei e sentei com as pernas cruzadas -
Clara - Ele já foi?
Manu - Já. Veio aqui pra te magoar de novo?
Clara - Não - respondi sem nem pensar duas vezes, não queria falar sobre o que tinha acabado de vivenciar, não podia falar. Respirei fundo, e usei a técnica da distração, contando o que ela queria saber sobre a cena que tinha visto na sala. Fiz um breve resumo, claro, e ela ficou tão surpresa com tudo quanto eu. Deixei de fora a parte do meu dia em que conversei com o Gil, e quando ela desceu pra academia, (até tentou me levar junto, mas, sem sucesso) liguei pra minha mãe pra saber do meu avô, e ela disse que como foi dia de quimioterapia, ele estava meio enjoado, mas bem. Isso era o mais importante. Fui pra cozinha me distrair cozinhando e a Duda me ajudou como pôde, sempre falando muito, já fazendo planos e mais planos. Eu sabia que estava completamente ferrada, então apenas fui concordando com tudo que ela ia dizendo, outra hora conversávamos melhor. Depois, com o jantar já pronto, dediquei o meu tempo a ela e ao Luck.
 clarabarcelar_: É por você que eu ainda tenho vontade de seguir vivendo. Por quem eu durmo, acordo, vivo e sou feliz todos os dias. Foi você quem trouxe paz, motivação e esperança a minha vida. Me transformou em uma pessoa capaz de sonhar e de saber ser feliz. Me ensinou a amar. Me transformou em uma pessoa melhor. Muito mais feliz. Já não me lembro como era minha vida antes de você aparecer, já não me lembro se eu tinha uma vida! HOJE sim afirmo que eu tenho uma vida de verdade e motivo suficiente para ser feliz. Me sinto completa e posso seguir adiante porque Deus me deu você, que é a razão da minha vida!  
Esperamos pela Manu para jantarmos e a nossa sexta-feira terminou com um amontoado de cobertores e travesseiros na sala para assistirmos Meu Malvado Favorito 1 e 2 com direito a pipoca doce (isso porque eu fiz, pois a primeira tentativa da Manu virou pipoca queimada). Nem nos demos ao trabalho de ir para os nossos quartos depois, dormimos ali mesmo.


    Read: http://aconteceu-njr.blogspot.com.br/
               http://yoursimilemyparadisenjr.blogspot.com.br/
               http://temqueservocenjr.blogspot.com.br/





Olá, amores!
Fiz de um tudo para terminar esse capítulo de ontem pra hoje porque durante a semana não consegui nem pegar no caderninho, e a próxima (ou as próximas) serão assim mesmo ou pior. Ainda vem o Enem aí... Enfim, foi por isso que fiz de tudo pra postar hoje. Não tenho previsão do próximo, mas por favor não fiquem pensando que eu desisti. A criatividade pode sumir, o tempo também pode ficar escasso, porém, não pretendo abandonar vocês, nem tudo isso aqui. A repercussão que a fic vem tendo é tão... louca que eu nem sei mais como agradecer mas vou dar o meu melhor por vocês sempre!   
Se cuidem, e até a próxima!

PS: JB's obrigado por terem aparecido na minha vida, amo vocês!  

57 comentários:

  1. Ta perfeito !! Nossa q cara de pau do junior pra fazer esse pedido a clara..o gil podia fazer uma surpresa beeem romantica pra manu u.u

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  2. Mano... Eu não tenho mais palavras pra descrever o que é essa fic, juro. Você além de uma escritora maravilhosa é uma pessoa extraordinária também. Obrigado por escrever a melhor fic que já existiu e por esse capítulo sensacional que ainda foi dedicado a gente. Digo e repito: não para nunca! Não sei se to feliz ou triste por Brumar estar de volta novamente (pelo menos aqui kkk). Enfim, posta logo pq eu já to morrendo de ansiedade. Amo você desde já!!!

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  3. Puta merda, essa fic tá cada vez melhor!! Gil precisa fazer uma surpresa maravilhosa pra Manu e eles voltarem. Junior muito cara de pau de fazer um pedido desses mas eu tenho certeza, ou pelo menos, espero que ele tenha um "bom" motivo pra ter terminado. Sobre BruMar na fic: eca. Aguardando ansiosamente pelos próximos capítulos e pelos encontros da Clarinha, Neymar e Duda ���� Sou completamente apaixonada pela fanfic! ������

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  4. Cara, eu tô sofrendo por eles kk serio . Junta logo eles dois !! E continuaaa, tá perfeitoooo

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  5. é pra chorar ?? agora eu terminei de ler, ta perfeitoooo, sou apaixonada por clara e duda, vou matar o junior rum, kkkk brinks, posta logoo

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  6. Ah que pedido foi esse do Júnior? Ai esses dois hein, to feliz pelo avô da Clara ter achado o doador e estou feliz com isso que vai acontecer, as saídas dos três e etc. Enfim, já desejo o próximo ❤

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  7. Continuaaaaa
    Indica? Obrigado! http://eucuidodevocenjr.blogspot.com.br/2014/10/capitulo-34.html?m=1

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  8. Menina pelo amor de Deus, o seu blog, a sua história acaba com o meu emocional. Você é uma ótima escritora eu sempre me emociono com eles dois, é um amor a Duda querendo os dois juntos ja quero mais e quero a narraçao do Neymar. Me coloca no grupo se possível 21 974823683
    Indica o meu blogue, por favor:
    http://opassadotornaavoltarnjr.blogspot.com.br/?m=1

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  9. Pelo amor de Deus teu blog é perfeiiiiito.
    Parabéns você é uma ótima escritora e diz pra gente qual foi o motivo da separação deles , o Gil bem que podia se declarar né ?! ( brincadeira meu amor oque você fizer vai ta bem feito e eu vou ler do mesmo jeito rsrs) . Já disse que chorei ? Não ? Pois bem chorei horrores !! Espero que a Dudinha que consiga juntar os dois de volta <3 . Sem mais delongas teu blog é perfeito em tudo , choro mais ainda escutando as músicas , tua playlist é FODA *-*
    Indica : quetodomalvireamorquetodadorvireflor.blogspot.com.br

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  10. Perfeito como sempre..
    Blog muito lindo.. o melhor q já li..
    Esperando o próximo.....

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  11. Seu blog é o melhor sem dúvida. Não aguento mais ver eles separados e sofrendo, mas confio em vc. Continua e parabéns seu blog ta cada dia mais perfeito

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  12. oi, nova aqui. amei o blog. cnt. beijo.

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  13. Meeeo Deus!!! Que capítulo, que issso produção??! Chorei, sem mais. Nossa coração partiu por causa da Duda tristinha. Clara ta sendo mais do q fortenp segura esse forninho ( rs) todo!!! Lindo aqui. <3

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  14. continuaaa, estou adorandoo !!

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  15. Cooooooooooooooooooooooontinua pfvr :/

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  16. perfeito, continua, ta muito bom!!

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  17. que lindos cara, apaixonada

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  18. Mddc que perfeito, sei que parece clichê, maais acredite não é. Tá cada vez mais emocionante, chorei com esse capitulo e meu coração ta em pedacinhos, juro. Não sei como você consegui escrever desse jeito, é realmente muito real, me sinto dentro da história, me sinto em varios momentos a própria Clara.. Fiquei muito comovida com a Duda falando tadinha :'c Já quero saber o porque dessa separação repentina...
    Eu tava pensando que o Di poderia aparecer de surpresa em Santos e ficar na casa de Clara, dar uma "animadinha" nela e até mesmo na Dudinha, e Júnior ficar com ciúmes, ou a Duda chegar falando que conheceu a Bruna... Minha opinião, sei que a sua criatividade é miiiil vezes melhor vezes melhor k
    Mas enfim continua logo!
    Bjss :*

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  19. Meu Deus o que falar desse capitulo?!!! Muito perfeitooo! Fiquei com o coração partido ao ver a Duda triste e que momento lindo da Clara e do Junior conversando com a Duda, que apesar de tudo que está acontecendo entre eles, o que importa é a felicidade da Dudoca. Amo essa família linda, e já estou contando os dias para que eles voltem logo, fico de coração partido ao ver esses dois babacas que se amam separados. Continua logo, bjosss ;)

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    1. Aaaahhh fiquei fiz tbm por aparecer um doador para o avô da Clara, e que a Manu e o Gil deixe de orgulho e voltem logo antes que piore a situação, rsrsrsrs :)

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  20. moooooooooooooooooooooooooooooooooorri de amores ♥________♥

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  21. AIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII MEU DEUS,QUER ME MATAR DE CURIOSIDADE? TÁ PERFEITO COMO SEMPR

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  22. AMANDOOOOOO TUDO ISSO!! bjão

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  23. leitora nova e estou amando!!!!

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  24. Continua que tô amando!

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  25. Cara chorei horrores eu amo essa fic demais posta logo pfvr

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  26. Muito perfeito!!!! Continua por favor

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  27. perfeito como sempre, continua logo!

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  28. coooooontiinua rápidoo *--------*

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  29. Está maravilhoso!! *-*

    Beijinhos.

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  30. AÍ NA MORAL? CONTINUAAA

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  31. QUE PERFEITO! PERFEITO, PERFEITO, PERFEITOOOOOOOOOOO.

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  32. Ai quero eles juntos!!! PERFEITO!!! Bjs

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  33. Continuaaa pfvr o mais rapidoo possivel

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  34. orra,me surpreendeu em guria,tá de parabéns!

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  35. Indica: http://what-to-do-about-you.blogspot.com.br/?m=1

    Amooooooo sua fic! 😍❤️

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  36. Ahhhh que perfeito������Continua logo quero eles juntos ,felizes e ela grávida ��������Continua Logoooo
    Breee❤️

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  37. Caraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa, seu blog e perfeito demais estou apaixonada

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