Para alguns isso deve ser terrível, ainda mais depois de um recesso tão maravilhoso como o meu mas pra falar a verdade estava com saudades do meu trabalho, do CT, das pessoas de lá... enfim, do ambiente em si. Só não sentia falta mesmo do trânsito caótico de toda manhã e final de tarde. Mas os primeiros dias de janeiro foram tranquilos. Assim que abriram as vagas, matriculei a Dudoca na mesma escola e suas aulas começarão em breve. A Manu já fez o que ela mesma chamou de primeira loucura do ano: duas tatuagens, uma que significa amor e outra que significa resistência. Entrei na academia do prédio mesmo assim que voltamos do Guarujá, e quando chego do trabalho não tão cansada, me troco e desço. Como estava sem fazer atividade física a bastante tempo quando saio de lá, ainda fico meio dolorida, mas nada insuportável. Porém, o Júnior zoa comigo mesmo assim, nem ligo. Já a Manu só falta pular de felicidade quando dá para malharmos juntas. Assumo que também gosto, o tempo passa mais rápido. Seu sucesso profissional também é cada vez maior, o que me enche de orgulho. Ela foi promovida no primeiro dia de trabalho após o recesso e pôde escolher com qual turno queria ficar. Preferiu o da manhã, só pra não ter que me deixar na mão pra ir buscar a Dudoca na escola. Como posso não amá-la?
O estado do meu avô ainda é o mesmo. Agora ele evita ambientes com aglomeração de pessoas, a pedido do médico também reduziu certas atividades que potencialmente podem trazer riscos de acidentes e, consequentemente, provocar sangramentos. E claro, continua o tratamento com medicamentos imunossupressores, que faz com que os sintomas da doença diminuam. Menos mal.
Eu e o Júnior estamos mais unidos do que nunca. Acho que começar o ano ouvindo ele dizer que os nossos corações se pertencem era tudo que eu queria e precisava. Agora que a nossa rotina voltou ao normal, já que a folga também acabou pra ele, é bem mais difícil eu dormir na sua casa, mas ele quase sempre dorme na minha. Já nos acostumamos com isso. No entanto, também temos que lidar com aqueles dias mais puxados que não dá para nos vermos, afinal ele tem que estar em tantos lugares em tão pouco tempo, gravar comerciais, dar entrevistas... além de ter o direito de rever amigos que não moram em Santos também. Aprendi a me conformar que ele conhece muita gente, e claro que existe um certo ciúme, estaria mentindo se dissesse que não existe, mesmo que eu não queira, é incontrolável. Mas ele sabe (e porque adora me provocar, diz que gosta quando assumo isso, eu não acho nada engraçado) e não vou privá-lo de nada, nós dois sabemos nossos limites. Não falamos sobre o episódio “casa comigo?” do Réveillon, o que só veio confirmar as minhas suspeitas de que ouvi muito mal.
Ele nem imagina, mas já tenho o presente do seu aniversário em minhas mãos. Não é nada demais, nem muito extravagante, mas acho que vai lhe proporcionar alguns bons minutos no seu dia. Foi uma ideia que tive do nada durante o ano novo, mas ainda é sigilo, apenas eu e duas pessoas sabem, ou devo dizer três, incluindo a Dudoca? É, acho que sim. Afinal, o presente é nosso. E fazê-lo também foi maravilhoso.
****
10 de janeiro de 2014, sexta-feira - let's go work!
Acordei com o toque do meu despertador (não, dele não estava com saudades, já que sempre toca nas melhores partes dos meus sonhos, é irritante). Levantei e espreguicei-me. Estava animada e não era só por ser sexta-feira. Muito provavelmente hoje chegaria um exemplar de uma capa da Santástico que começamos a elaborar na segunda e eu estava doida pra saber como ficou, apesar de saber que ia precisar de uns retoques básicos. A primeira revista do ano tinha tudo para agradar a todos. Eu particularmente amei o tema escolhido para a edição, que não por acaso, é o camisa onze do time. Obviamente foi uma decisão tomada em equipe mas não consegui evitar sorrir ao falar dele, então zoação não faltou durante toda a semana. Queria muito ver a capa. Arrumei a cama, peguei a roupa que já tinha escolhido na noite passada e estirei-a ali. Tirei o pijaminha, prendi o cabelo de qualquer jeito, entrei no banheiro, tomei um banho delicioso e escovei os dentes. Enxuguei-me, passei hidratante no corpo, me vesti, soltei e penteei o cabelo. Confirmei as coisas que estavam na minha bolsa, abri um pouco as persianas, me perfumei, peguei o celular e saí do quarto. A Dudoca ainda está aproveitando os últimos dias de férias, e foi dormir com o pai ontem, já que ele só precisa estar no CT no final da tarde para realizar alguns exames rotineiros de início de ano. Acho que eles vão aproveitar o dia para visitar o Instituto Neymar Jr novamente, parece que algumas crianças vão fazer uma apresentação de dança. Só estive lá uma vez, mas amei o que vi. A Manu estava na cozinha tomando o seu precioso café forte de toda manhã.
Clara - Bom dia - deixei minha bolsa em cima do balcão e dei um beijo no seu rosto -
Manu - Bom dia - sorriu. Abri a geladeira, peguei um iogurte natural desnatado, peguei uma colher no escorredor e sentei ao seu lado. Não que estivesse com fome, mas não tinha escolha - Quando cheguei ontem você já estava dormindo, estranhei
Clara - Culpa da academia. Sinceramente, acho que isso não é pra mim - gargalhou -
Manu - Nem pense em sair
Clara - Acha que manda - revirei os olhos e ela riu novamente - Fatinha já achou uma casa que lhe agrade?
Manu - Parece que sim. Me ligou ontem pedindo pra ir conhecer
Clara - Onde dessa vez?
Manu - Vila Belmiro, eu acho
Clara - Não conheço muito, é um bairro pequeno, mas residencial... deve ser um bom lugar
Manu - Do jeito que ela falou acho que gostou também. Disse que a casa tem até uma edicula, então deve ser grande, não é?
Clara - Ou seja, a cara da Fatinha - rimos. Terminei meu iogurte, ela terminou seu café, coloquei ração pro Luck e saímos. Descemos juntas e nos despedimos no estacionamento. Destravei as portas do meu carro, entrei, joguei a bolsa no banco do passageiro e liguei a rádio.
clarabarcelar_: Fridayyy!!
Acordei com o toque do meu despertador (não, dele não estava com saudades, já que sempre toca nas melhores partes dos meus sonhos, é irritante). Levantei e espreguicei-me. Estava animada e não era só por ser sexta-feira. Muito provavelmente hoje chegaria um exemplar de uma capa da Santástico que começamos a elaborar na segunda e eu estava doida pra saber como ficou, apesar de saber que ia precisar de uns retoques básicos. A primeira revista do ano tinha tudo para agradar a todos. Eu particularmente amei o tema escolhido para a edição, que não por acaso, é o camisa onze do time. Obviamente foi uma decisão tomada em equipe mas não consegui evitar sorrir ao falar dele, então zoação não faltou durante toda a semana. Queria muito ver a capa. Arrumei a cama, peguei a roupa que já tinha escolhido na noite passada e estirei-a ali. Tirei o pijaminha, prendi o cabelo de qualquer jeito, entrei no banheiro, tomei um banho delicioso e escovei os dentes. Enxuguei-me, passei hidratante no corpo, me vesti, soltei e penteei o cabelo. Confirmei as coisas que estavam na minha bolsa, abri um pouco as persianas, me perfumei, peguei o celular e saí do quarto. A Dudoca ainda está aproveitando os últimos dias de férias, e foi dormir com o pai ontem, já que ele só precisa estar no CT no final da tarde para realizar alguns exames rotineiros de início de ano. Acho que eles vão aproveitar o dia para visitar o Instituto Neymar Jr novamente, parece que algumas crianças vão fazer uma apresentação de dança. Só estive lá uma vez, mas amei o que vi. A Manu estava na cozinha tomando o seu precioso café forte de toda manhã.
Clara - Bom dia - deixei minha bolsa em cima do balcão e dei um beijo no seu rosto -
Manu - Bom dia - sorriu. Abri a geladeira, peguei um iogurte natural desnatado, peguei uma colher no escorredor e sentei ao seu lado. Não que estivesse com fome, mas não tinha escolha - Quando cheguei ontem você já estava dormindo, estranhei
Clara - Culpa da academia. Sinceramente, acho que isso não é pra mim - gargalhou -
Manu - Nem pense em sair
Clara - Acha que manda - revirei os olhos e ela riu novamente - Fatinha já achou uma casa que lhe agrade?
Manu - Parece que sim. Me ligou ontem pedindo pra ir conhecer
Clara - Onde dessa vez?
Manu - Vila Belmiro, eu acho
Clara - Não conheço muito, é um bairro pequeno, mas residencial... deve ser um bom lugar
Manu - Do jeito que ela falou acho que gostou também. Disse que a casa tem até uma edicula, então deve ser grande, não é?
Clara - Ou seja, a cara da Fatinha - rimos. Terminei meu iogurte, ela terminou seu café, coloquei ração pro Luck e saímos. Descemos juntas e nos despedimos no estacionamento. Destravei as portas do meu carro, entrei, joguei a bolsa no banco do passageiro e liguei a rádio.
clarabarcelar_: Fridayyy!!
Dei partida, e não deixei o trânsito abalar o meu humor. Dificilmente isso acontece. Cheguei ao CT, estacionei naquela que já é praticamente minha vaga, peguei minha bolsa, saí, travei as portas do carro, entrei e subi.
Clara - Bom dia, Gio - cumprimentei-a alegremente -
Giovanna - Bom dia, Clarinha - a Gio era uma das poucas pessoas que me chamavam assim por ali, na verdade eu nem gostava, mas tem um carinho tão grande no seu jeito de falar que terminei me acostumando - A Jú chegou, pediu pra você ir falar com ela
Clara - É algo sério?
Giovanna - Não. Suponho que ela só queira te sufocar com um abraço, como fez comigo - gargalhei -
Clara - Vou lá - tirei o casaquinho, pendurei-o na minha cadeira, deixei minha bolsa em cima da mesa e fui até a sala da Jú. Nos vimos pela última vez bem antes das festas de fim de ano. Dei dois toques na porta e ela mandou entrar - Oi, madrinha - entrei e fechei a porta -
Juliana - Meu amor - tirou o óculos, jogando-o de qualquer jeito em cima da mesa e levantou, abrindo os braços. Ri e me aproximei para abraçá-la. Bom, a Gio não estava errada e isso me fez rir ainda mais por dentro - Que saudades - sorri -
Clara - Confesso que até estava com saudades também
Juliana - Que consideração, não falo mais nada
Clara - Dramática desde sempre - rimos -
Juliana - Senta aí - apontou para uma cadeira e sentou também. Fiz o mesmo - Como você está? - perguntou séria, de repente, sabia o motivo mas preferi fingir que não tinha entendido -
Clara - Estou bem - meu tom de voz também mudou. Sabia onde ela queria chegar. Pelo telefone não falamos muito sobre isso, inclusive ela ficou sabendo pela minha mãe -
Juliana - Desculpa - ficou um pouco constrangida, e eu ri levemente -
Clara - Não precisa se desculpar, madrinha. Meu avô está... na mesma. Então posso dizer que está bem, logo, eu também estou - sorri fraco -
Juliana - Sabe que estou aqui para tudo, não sabe? Se bem que nada me tira da cabeça que mais cedo do que a gente imagina essa doença vai embora
Clara - Deus te ouça! - pensei, talvez, alto demais -
Juliana - Era só isso. Queria apenas dá um abraço na melhor afilhada do mundo
Clara - Melhor e única
Juliana - Literalmente - rimos -
Clara - Esse excesso de carinho vai me deixar mal acostumada - levantei, contornei a mesa e dei um beijo no seu rosto - Obrigada - ela piscou e sorriu -
Juliana - Quero ver a capa da Santástico, heim?! Ouvi dizer que você caprichou nessa edição, só não sei por que - falou quando eu já estava com a mão na maçaneta. Olhei pra trás, ergui uma das sobrancelhas e ela gargalhou - Ok, pode ir. Não está mais aqui quem falou - tentei não rir, saí e fechei a porta. Voltei para minha linda sala e os meninos já estavam todos em suas mesas. A Gio estava na minha, por sinal, balançando uma caixa retangular -
Giovanna - Adivinha o que chegou? - perguntou com um sorriso de orelha a orelha -
Clara - Mentira! Já? - os meninos pararam o que estavam fazendo para rir de mim, eles fazem isso com frequência -
Caio - E só porque somos ótimos colegas de trabalho, deixamos pra você abrir
Clara - Isso é sério? - gargalhei - Não precisava - sentei de frente pra Gio -
Pedro - Não? Então passa pra cá que eu abro - levantou e estendeu as mãos -
Clara - Não, que isso. Já que vocês fizeram o favor de me esperar, eu abro - peguei a caixinha da mão da Gio - Nem sei como agradecer, sinceramente - tentei falar sério, enquanto retirava um pequeno lacre mas terminamos gargalhando de novo - Uau! - disse assim que abri a caixa. A capa tinha ficado muito mais perfeita do que tínhamos imaginado. Sim, porque a zoação pode ser muita mas quando estamos trabalhando só queremos tudo o mais perto do maravilhoso possível -
Gio - Eu amei. Pra mim não precisa tirar nem acrescentar nada
Caio - Eu acho que se o personagem principal não estivesse na capa... - começou a falar distraidamente, segurando o riso, mas parou quando olhei-o - Mudar pra que né? Está perfeito assim - rimos -
Clara - É sério, o que você achou?
Caio - Falei sério dessa vez. Você sabe que arrasa sempre
Clara - Nós arrasamos
Pedro - Modéstia à parte, né? - rimos - Mas eu preciso concordar - voltei a olhar pra capa. Estava digna de uma edição especial, e minha opinião não tinha nada a ver com a minha vida pessoal, até porque não fiz nada sozinha e nem devo misturar as coisas. Isso está no topo das minhas regras para um bom desempenho profissional.
gioalencar: Ainda não é assinante? Acessa lá: santastico.webstorelw.com.br
Clara - Bom dia, Gio - cumprimentei-a alegremente -
Giovanna - Bom dia, Clarinha - a Gio era uma das poucas pessoas que me chamavam assim por ali, na verdade eu nem gostava, mas tem um carinho tão grande no seu jeito de falar que terminei me acostumando - A Jú chegou, pediu pra você ir falar com ela
Clara - É algo sério?
Giovanna - Não. Suponho que ela só queira te sufocar com um abraço, como fez comigo - gargalhei -
Clara - Vou lá - tirei o casaquinho, pendurei-o na minha cadeira, deixei minha bolsa em cima da mesa e fui até a sala da Jú. Nos vimos pela última vez bem antes das festas de fim de ano. Dei dois toques na porta e ela mandou entrar - Oi, madrinha - entrei e fechei a porta -
Juliana - Meu amor - tirou o óculos, jogando-o de qualquer jeito em cima da mesa e levantou, abrindo os braços. Ri e me aproximei para abraçá-la. Bom, a Gio não estava errada e isso me fez rir ainda mais por dentro - Que saudades - sorri -
Clara - Confesso que até estava com saudades também
Juliana - Que consideração, não falo mais nada
Clara - Dramática desde sempre - rimos -
Juliana - Senta aí - apontou para uma cadeira e sentou também. Fiz o mesmo - Como você está? - perguntou séria, de repente, sabia o motivo mas preferi fingir que não tinha entendido -
Clara - Estou bem - meu tom de voz também mudou. Sabia onde ela queria chegar. Pelo telefone não falamos muito sobre isso, inclusive ela ficou sabendo pela minha mãe -
Juliana - Desculpa - ficou um pouco constrangida, e eu ri levemente -
Clara - Não precisa se desculpar, madrinha. Meu avô está... na mesma. Então posso dizer que está bem, logo, eu também estou - sorri fraco -
Juliana - Sabe que estou aqui para tudo, não sabe? Se bem que nada me tira da cabeça que mais cedo do que a gente imagina essa doença vai embora
Clara - Deus te ouça! - pensei, talvez, alto demais -
Juliana - Era só isso. Queria apenas dá um abraço na melhor afilhada do mundo
Clara - Melhor e única
Juliana - Literalmente - rimos -
Clara - Esse excesso de carinho vai me deixar mal acostumada - levantei, contornei a mesa e dei um beijo no seu rosto - Obrigada - ela piscou e sorriu -
Juliana - Quero ver a capa da Santástico, heim?! Ouvi dizer que você caprichou nessa edição, só não sei por que - falou quando eu já estava com a mão na maçaneta. Olhei pra trás, ergui uma das sobrancelhas e ela gargalhou - Ok, pode ir. Não está mais aqui quem falou - tentei não rir, saí e fechei a porta. Voltei para minha linda sala e os meninos já estavam todos em suas mesas. A Gio estava na minha, por sinal, balançando uma caixa retangular -
Giovanna - Adivinha o que chegou? - perguntou com um sorriso de orelha a orelha -
Clara - Mentira! Já? - os meninos pararam o que estavam fazendo para rir de mim, eles fazem isso com frequência -
Caio - E só porque somos ótimos colegas de trabalho, deixamos pra você abrir
Clara - Isso é sério? - gargalhei - Não precisava - sentei de frente pra Gio -
Pedro - Não? Então passa pra cá que eu abro - levantou e estendeu as mãos -
Clara - Não, que isso. Já que vocês fizeram o favor de me esperar, eu abro - peguei a caixinha da mão da Gio - Nem sei como agradecer, sinceramente - tentei falar sério, enquanto retirava um pequeno lacre mas terminamos gargalhando de novo - Uau! - disse assim que abri a caixa. A capa tinha ficado muito mais perfeita do que tínhamos imaginado. Sim, porque a zoação pode ser muita mas quando estamos trabalhando só queremos tudo o mais perto do maravilhoso possível -
Gio - Eu amei. Pra mim não precisa tirar nem acrescentar nada
Caio - Eu acho que se o personagem principal não estivesse na capa... - começou a falar distraidamente, segurando o riso, mas parou quando olhei-o - Mudar pra que né? Está perfeito assim - rimos -
Clara - É sério, o que você achou?
Caio - Falei sério dessa vez. Você sabe que arrasa sempre
Clara - Nós arrasamos
Pedro - Modéstia à parte, né? - rimos - Mas eu preciso concordar - voltei a olhar pra capa. Estava digna de uma edição especial, e minha opinião não tinha nada a ver com a minha vida pessoal, até porque não fiz nada sozinha e nem devo misturar as coisas. Isso está no topo das minhas regras para um bom desempenho profissional.
gioalencar: Ainda não é assinante? Acessa lá: santastico.webstorelw.com.br
Depois de discutirmos um pouco e chegarmos a conclusão que não precisaria ser feito nenhum retoque, liguei para gráfica para confirmar a capa. Era só isso que estava faltando. Então em poucos dias - assim esperávamos, pelo menos - a revista já estaria totalmente pronta para ser entregue aos assinantes. E por ser uma edição especial, ia para algumas bancas também. Se acontecesse o que queríamos: muita gente comprando-a, íamos começar a pensar em como deixá-las mais acessíveis para todos. A manhã foi cheia, tínhamos muita coisa pra fazer e colocar em ordem: editar o site da Santástico, responder e-mails, atender e fazer telefonemas, enviar prêmios de promoções do site oficial aos sócios, nos reunir com o pessoal da comunicação, além de concluir ideias, já pensando em outras. Foi um começo de dia agitado mas por incrível que pareça, passou bem rápido. Na hora do almoço, desci, comi rapidinho (sem os jogadores aquele restaurante parece ser quatro vezes maior), e quando subi novamente, como ainda tinha um tempinho livre, peguei meu celular. Havia uma mensagem do Júnior apenas dizendo que estava com saudade. Obvio que aquilo me deixou com um sorriso estupidamente bobo - ainda bem que estava sozinha na sala. Respondi, entrei no instagram e curti as fotos que ele e a Rafa postaram rodeados de crianças no Instituto. Sorri ao ver o sorriso da minha pequena também. Eles ainda deviam estar lá, mas o Júnior não demorou nada para responder, depois começou com suas brincadeirinhas que, admito, me fazem rir sempre, mas ele não precisa saber se não estiver vendo.
Tinha que voltar ao trabalho, então antes que perdesse a noção do tempo falando com ele, porque certamente isso iria acontecer. Estava perto, inclusive. Tivemos que nos despedir. A Gio e os meninos subiram e retomamos nosso trabalho, dessa vez terminando o que a diretoria tinha começado: fechando com mais um patrocinador; por isso ficamos horas conversando com os encarregados da empresa. Tudo só estava devidamente resolvido às 15h, mas valeu a pena. Era bom ver tanta empresa grande querendo ver suas marcas estampadas nos uniformes do Santos, não podia deixar de sentir um certo orgulho do meu clube. Depois tivemos uma reunião com o comitê de gestão, mas foi rápida, menos de meia hora. Eu amo reuniões com o comitê, não só pelos assuntos importantes sempre abordados mas também porque é uma oportunidade de ver outro lado da Jú: o sério, estritamente profissional. Até o seu olhar quando está em uma reunião é diferente e acho que me espelho nela de vez em quando, mesmo sem perceber. Quando voltamos para nossa sala, tirei o celular do bolso, estava no silencioso. Mas abri um sorriso na mesma hora. Eu não tinha como controlar. Ele estava longe e mesmo assim parecia comandar até as minhas feições. Se isso era uma coisa normal ou não, não sei, mas já era mais do que um hábito. Parecia ser mais intuitivo, automático... não sei, eu amava. Ele me fazia feliz sem fazer nada, até sem saber ou querer. Na verdade, acho que ele me fazia feliz apenas por existir. Eu sabia que ia vê-lo, ou falar com ele em alguma hora do meu dia e isso já me fazia sorrir.
clarabarcelar_: "Estar apaixonado pode ser muito engraçado..." ️
Tinha que voltar ao trabalho, então antes que perdesse a noção do tempo falando com ele, porque certamente isso iria acontecer. Estava perto, inclusive. Tivemos que nos despedir. A Gio e os meninos subiram e retomamos nosso trabalho, dessa vez terminando o que a diretoria tinha começado: fechando com mais um patrocinador; por isso ficamos horas conversando com os encarregados da empresa. Tudo só estava devidamente resolvido às 15h, mas valeu a pena. Era bom ver tanta empresa grande querendo ver suas marcas estampadas nos uniformes do Santos, não podia deixar de sentir um certo orgulho do meu clube. Depois tivemos uma reunião com o comitê de gestão, mas foi rápida, menos de meia hora. Eu amo reuniões com o comitê, não só pelos assuntos importantes sempre abordados mas também porque é uma oportunidade de ver outro lado da Jú: o sério, estritamente profissional. Até o seu olhar quando está em uma reunião é diferente e acho que me espelho nela de vez em quando, mesmo sem perceber. Quando voltamos para nossa sala, tirei o celular do bolso, estava no silencioso. Mas abri um sorriso na mesma hora. Eu não tinha como controlar. Ele estava longe e mesmo assim parecia comandar até as minhas feições. Se isso era uma coisa normal ou não, não sei, mas já era mais do que um hábito. Parecia ser mais intuitivo, automático... não sei, eu amava. Ele me fazia feliz sem fazer nada, até sem saber ou querer. Na verdade, acho que ele me fazia feliz apenas por existir. Eu sabia que ia vê-lo, ou falar com ele em alguma hora do meu dia e isso já me fazia sorrir.
clarabarcelar_: "Estar apaixonado pode ser muito engraçado..." ️
O resto da tarde passou normalmente. Estava arrumando minhas coisas pra ir embora quando meu celular tocou. Achei que fosse o Júnior decidido a me deixar corada pela terceira vez no dia, mas me enganei. Era minha mãe.
- início -
Clara - Oi, mãe
Débora - Filha... - seu tom de voz me deixou em alerta na mesma hora. Às vezes parece não ser tão bom conhecer demais uma pessoa -
Clara - Que foi?
Débora - Prometi que não ia mais te deixar de fora de nada, por isso estou ligando
Clara - Tudo bem, mãe. Fala
Débora - Estamos no hospital de novo - sabe quando uma onda te pega totalmente de surpresa, chegando até a te deixar sem ar, e você fica sem saber como voltar a superfície? Então, foi exatamente como me senti -
Clara - Por quê? O que aconteceu?
Débora - Na verdade, eu também não sei direito. Meu pai acordou com umas manchinhas pelo corpo. Minha mãe disse que elas surgiram desde ontem mas ele não queria vim pra cá e não nos disse nada
Clara - Meu avô acha que sabe o que é melhor pra todo mundo, menos pra ele mesmo, não é?
Débora - Fica calma, minha filha
Clara - É bem fácil falar. Eu sei que você também não está
Débora - Não estou mesmo, mas não vamos antecipar o andamento dos fatos. Ainda não sabemos de nada, acabamos de chegar. Só queria te avisar logo
Clara - Ok, chego aí o mais rápido que consegui
Débora - Cuidado!
Clara - Tudo bem
- término -
Sentei e afundei o rosto nas mãos. Não tinha mais ninguém na sala.
Clara - Fica calma, vai ver são efeitos colaterais dos remédios. Só pode ser isso - falei comigo mesma, me agarrando com tudo nessa hipótese. Era, de longe, a melhor - Não chora! - olhei pro teto e respirei fundo. Passei as mãos no rosto, terminei de arrumar minhas coisas, vesti meu casaquinho e desci a escada mais devagar do que realmente queria. Minha cabeça já estava no hospital. Não havia quase ninguém no térreo, além de dois jogadores que nunca tinha visto por ali. Só sabia que eram jogadores porque estavam com o uniforme. Deviam fazer parte das novas contratações. Já passava das 17h, então era normal que muita gente já tivesse ido embora. Estava indo em direção ao estacionamento quando ouvi um psiu. Não precisava virar pra saber quem era, mas queria. Precisava vê-lo. De repente pareceu ser uma necessidade absurda ouvir a sua voz dizendo que ia ficar tudo bem. Girei o corpo e o vi se despedindo do Emerson Palmieri na porta do CEPRAF. Acenei discretamente pro Emerson e ele retribuiu sorrindo. Bom, pra eu sorrir ia ser um pouco mais difícil naquele momento, estava tensa até o último fio de cabelo -
Neymar - Oi - sorriu e se aproximou para me beijar, só no último segundo lembrou de onde estávamos e desviou um pouco, beijando demoradamente a minha bochecha. Suspirei e senti o seu perfume. Por impulso enlacei os braços no seu pescoço, abraçando-o. Ele ficou surpreso mas passou os braços pela minha cintura também, retribuindo e me apertando. Soltei outro suspiro longo, liberando pelo menos metade da tensão que carregava - Seu avô está bem? - mordeu o lábio inferior com receio -
Clara - Não sei. Mas preciso ir pro hospital
Neymar - Eu levo você, e dessa vez não tem desculpa
Clara - Já fez os exames?
Neymar - Sim, estava te esperando
Clara - E a Duda?
Neymar - Foi pra Elleven com a Rafa, depois a gente passa pra pegar ela - assenti - Vamos, deixo meu carro aqui mesmo - apenas assenti novamente e entreguei minha chave pra ele. Entramos no meu carro e ele deu partida. Joguei a cabeça pra trás, fechei os olhos e tentei não pensar em nada, apenas na presença dele ali ao meu lado. Se começasse a pensar besteira certamente enlouqueceria antes de chegarmos ao hospital - Vai ficar tudo bem - disse as palavrinhas mágicas que eu tanto queria escutar quando parou no sinal e colocou uma das mãos na minha perna. Exibi o melhor sorriso que consegui, lhe dei um selinho e deixei minha cabeça repousar no seu ombro, de um modo que não te atrapalhasse. Fomos o resto do caminho calados e me dei conta que ele nem sequer perguntou o que estava acontecendo, simplesmente deduziu e se prontificou a me acompanhar. Meu coração aqueceu um pouco, não muito, só o suficiente para não me deixar pensar no que não devia. Quando chegamos ao estacionamento do hospital, lembrei da última vez que tinha entrado ali e do jeito que saí... um arrepio percorreu o meu corpo quase instantaneamente. Não sei a quanto tempo o Júnior estava ao meu lado esperando que eu saísse do carro também, mas mais uma vez agradeci a Deus por tê-lo ali. Saí finalmente, ele travou as portas e segurou as minhas mãos que estavam suando frio. Entramos, chamei o elevador, e subimos. Vi meu pai, minha mãe e minha avó no mesmo lugar da última vez. Isso não podia ser sinal de coisa boa... mas tentei pensar que seria. Cumprimentamos todos e nenhum deles tinha um semblante calmo, muito pelo contrário -
Débora - Que bom que não veio sozinha - tentou sorrir pro Júnior e ele fez o mesmo -
Clara - Já sabem de alguma coisa?
Débora - Não. O Dr. Marcelo passou por aqui agora a pouco, disse que já vem nos dizer algo - assim que ela fechou a boca, um homem alto que devia ter apenas uns dois anos a mais que o meu pai saiu de uma sala próxima a recepção e se aproximou de nós com alguns papéis nas mãos. Minha avó era a única que ainda estava sentada, mas levantou imediatamente. Ele cumprimentou a mim e ao Júnior com um breve aceno -
Glória - Então, Dr?
Dr. Marcelo - Como eu já suspeitava, as manchas escuras na pele dele são consequências da diminuição do número de plaquetas - minha avó pareceu ter ficado ainda mais confusa -
Clara - Essa diminuição é efeito da aplasia, certo?
Dr. Marcelo - Sim
Clara - Mas os remédios que ele está tomando não são justamente para abrandar um pouco esses efeitos?
Dr. Marcelo - Exatamente
Clara - Então isso quer dizer alguma coisa - minha mãe olhou pra mim assustada, ela já tinha entendido o que infelizmente passava pela minha cabeça -
Dr. Marcelo - Sim... - ele parecia estar procurando o jeito certo de falar o inevitável - Bom... esses medicamentos que agem estimulando a produção de células sanguíneas pela medula óssea que está falida não são mais suficientes para curar a aplasia do paciente
Glória - Como não são mais suficientes? - falou um pouco alto demais -
Dr. Marcelo - Isso pode acontecer, dada a gravidade da doença. Uma boa parte dos pacientes podem responder muito bem ao tratamento imunossupressor e levar uma vida normal. Outros podem não apresentar uma boa resposta e acabar até se tornando um dependente de transfusões
Débora - Então como é que o meu pai fica? Ele vai virar um dependente de transfusões também?
Dr. Marcelo - Não, e nem é por isso que vamos deixar de alcançar a melhora dele. Mas vai ser necessário um transplante de medula óssea. É o mais aconselhável - levei as mãos a boca, transtornada, e caí sentada em uma cadeira que se encontrava atrás de mim. Acho que o Júnior sentou ao meu lado, não tenho certeza. Minha visão parecia embaçada, apesar das lágrimas estarem presas. Eu estava em choque. Minha avó começou a chorar, incapaz de falar mais alguma coisa, meu pai tentou acalmá-la, mas totalmente em vão. Minha mãe permanecia de pé. Não sei por quanto tempo ela também aguentaria -
Débora - Como é que isso é feito? - eu quase não ouvi a sua voz -
Dr. Marcelo - O transplante pode ser realizado com a medula doada por um parente, um irmão ou irmã, talvez
Débora - Ele não tem irmãos - ela deu sinais de que ia começar a chorar. Eu ainda não conseguia falar nada -
Dr. Marcelo - Sendo assim, eu preciso dizer que as chances de se conseguir um doador compatível na família são pequenas, mas existem. Se vocês quiserem saber se são compatíveis, os exames podem ser feitos aqui mesmo
Murilo - Sim, nós vamos fazer - meu pai respondeu por todos. Sim, porque minha mãe já tinha desistido de tentar parecer forte -
Dr. Marcelo - Ótimo. O doador reconstituirá o que doou rapidamente e poderá voltar às atividades normais também, não há nenhum risco. E não se preocupem, porque vamos começar uma busca no banco de doadores também. Enquanto isso o tratamento com medicamentos continuará, mas recomendo que ele permaneça aqui
Murilo - Aqui? Até quando?
Dr. Marcelo - Sim, até que tudo esteja mais normalizado - um silêncio terrível se formou ali, o que chegava a ser estranho, já que os telefones da recepção não paravam de tocar - Posso responder mais alguma pergunta?
Clara - Sim - ele me olhou esperando que eu continuasse - Acho que li uma vez... quer dizer, não lembro se vi em algum lugar ou me disseram - tinha noção de que não estava falando coisa com coisa, por isso parei e respirei fundo - Desculpa. Enfim, eu tenho tatuagens. Posso doar mesmo assim? - ele deu um meio sorriso, não deve ter sido a primeira vez que ouviu essa pergunta -
Dr. Marcelo - São recentes?
Clara - Não
Dr. Marcelo - Certo, vou tentar esclarecer tudo da melhor forma. O que vocês vão fazer agora é uma espécie de tipagem sanguínea, em outras palavras, um teste que vai nos dizer se algum de vocês é compatível com o paciente. E essa amostra servirá apenas para descobrirmos o código genético de vocês e depois podemos armazená-la no banco de dados. Isso se vocês quiserem doar para alguma outra pessoa posteriormente. Então sim, pessoas com tatuagens ou piercings podem fazer esse teste. Mas é muito bom que elas não sejam recentes, se você for compatível isso vai ajudar muito - só consegui assenti - Outra dúvida muito constante são os riscos para o doador. Como já falei, são praticamente inexistentes. A quantidade de medula extraída é de menos de 10% então dentro de poucas semanas a medula transplantada estará produzindo células novas. Costumo dizer que tudo seria muito simples e fácil, se não fosse o problema da compatibilidade porque é um processo seguro, não causa riscos ao doador e salva vidas mas... - mas tínhamos que achar o doador, completei o seu raciocínio mentalmente. Eu estava lutando pra fazer a ficha cair, estava difícil mesmo depois de ouvir tanta coisa. Minha garganta parecia ter um nó gigante, minha cabeça já girava loucamente, e ainda bem que estava sentada - Em alguns instantes uma enfermeira vem buscá-los para o exame, com licença - se afastou e então o silêncio voltou com força total. Meus olhos ardiam mas as lágrimas não desciam. Minha avó e minha mãe já haviam se acalmado mais, nem por isso tinham parado de chorar. Eu olhava pra elas e não sabia o que fazer, ou até mesmo o que falar. Queria poder consolar as duas, mas não conseguia nem me mexer por estar tão abalada quanto elas, inclusive acho que as lágrimas também se recusavam a acreditar em tudo que foi ouvido, por isso ainda não tinham rolado. Não sabia se isso era bom ou ruim. Senti uma mão apertar a minha e arrisquei olhar pro lado. Ele parecia bem pensativo -
Neymar - Eu vou fazer o teste também
Clara - Vai? - franzi a testa sem saber muito bem o que pensar -
Neymar - Sim
Clara - Tudo bem - respondi de modo automático, mas minha cabeça estava começando a colocar as informações recebidas nos eixos, por isso olhei pra ele de repente, quase assustada - Você vai fazer o teste?
Neymar - Vou
Clara - Mas... você pode? Quer dizer, o campeonato paulista daqui a pouco está aí. Isso não vai te prejudicar?
Neymar - O médico disse que não há riscos
Clara - Mesmo assim. É da sua carreira que estamos falando, o seu sonho. Não dá pra arriscar
Neymar - Não. É da vida do seu avô que estamos falando. Eu vou fazer - pisquei algumas vezes, sem saber o que falar. Era muita coisa pra processar. Então, ele ia fazer o teste para possivelmente ser o doador do meu avô, sem se importar com mais nada? Sem se importar com aquilo que sonhou desde muito pequenininho? Ia fazer simplesmente. Pelo meu avô... por mim. O que eu podia fazer? O que eu devia falar? -
Clara - Eu te amo - foram as únicas palavras que me permiti dizer, e achei que fosse começar a chorar. Vi um pequeno sorriso se formar nos seus lábios. Pequeno. Mas era um sorriso. Abracei-o bem forte e beijei-o demoradamente, quis mesmo aproveitar cada segundinho ao máximo. Seu beijo era a minha melhor terapia, disso já não tinha dúvidas. Depois fiquei um pouco ao lado da minha avó e da minha mãe - não falamos nada, apenas... nos olhamos e foi o bastante - até que uma enfermeira, que tinha Cristina escrito no seu crachá, apareceu perto de nós. Explicou novamente como que tudo ia funcionar, depois nós, um a um, exceto a minha avó, fizemos o exame. O procedimento da coleta foi bem simples e rápido, ainda bem. Depois disso ficamos durante um longo tempo sentados, em silêncio, por isso que quando o Dr. Marcelo reapareceu foi um alívio, mas ele pareceu surpreso por nos ver ali ainda -
Débora - Então? Já tem os resultados?
Dr. Marcelo - A enfermeira não disse?
Clara - O que?
Dr. Marcelo - As amostras vão ser submetidas a exames laboratoriais e o resultado será encaminhado para o endereço de vocês
Clara - Como assim? Quanto tempo isso demora?
Dr. Marcelo - Não muito
Clara - Dr. Marcelo, nós ainda não conseguimos nem digerir tudo direito. Acha mesmo que vamos conseguir dormir sem saber quando é que esses exames vão chegar nas nossas casas? Por favor, eu sei que nós não somos a única família enfrentando problemas aqui nesse hospital, mas não tem como vermos esses resultados logo? - ele suspirou, acho que ficou com pena de mim, não sei -
Dr. Marcelo - Estejam aqui amanhã pela tarde, se tudo der certo vou estar com os resultados em mãos
Clara - Muito obrigada - ele assentiu -
Glória - Não podemos vê-lo agora?
Dr. Marcelo - Depois de muito tentar resistir, ele pegou no sono. Vocês podem vê-lo, se puder ser um de cada vez é ainda melhor pra evitar agitação. Ah, e alguém pode passar a noite também - depois de esclarecer mais algumas pequenas dúvidas, ele levou primeiro a minha avó até o quarto. Ela ficou uns dez minutos lá, o mesmo tempo que meus pais ficaram depois. O Júnior entrou comigo porque eu pedi, ainda estava segurando a sua mão e, sinceramente, não queria soltá-la. Observei todo o quarto. Era diferente daquele que ele tinha ficado da última vez. Era mais amplo, branco com cortinas em tons amarelos bem fraquinhos, uma TV, uma poltrona grande e reclinável que parecia bem confortável ficava ao lado da cama, e um sofá-cama estava do lado oposto, perto de uma porta que provavelmente era o banheiro. Resumindo: um quarto feito para que alguém passasse a noite ali com o paciente. Meu avô dormia tranquilamente, parecia absorto a tudo aquilo que estava acontecendo ao nosso redor. Suspirei de alívio ao ver que não tinha nenhuma agulha no seu braço dessa vez, ele parecia... bem. Então eu vi as manchinhas escuras nos seus braços que estavam descobertos, instintivamente a primeira lágrima caiu. Sabia que atrás dessa viriam muitas outras mas passei a mão que tinha livre no rosto e respirei fundo. Me inclinei um pouco e dei um beijo no rosto dele -
Clara - Nós vamos vencer isso juntos! - sussurrei a passei a mão levemente no seu rosto. Quando saímos do quarto, meus pais e minha avó estavam no meio de uma pequena discussão para saber quem ia ficar. Mas a Dona Glória foi irredutível e ela mesma acabou ficando, com uma condição: no dia seguinte, pela manhã, meu pai iria ficar no seu lugar pra ela poder ir em casa tomar um banho e arrumar uma mala com algumas coisas essenciais. Infelizmente não tínhamos mais nada para fazer, apenas esperar.
****
Ele estacionou na garagem do seu prédio e juro que quase pedi pra ficar ali mesmo esperando, minha cara não ia enganar ninguém e ainda não sabia se já estava disposta a falar. Mas... subimos. Ele abriu a porta, e a Duda pulou do sofá, onde estava com a Rafa e a Tia Ná, assim que nos viu. Com passinhos largos e apressados, se aproximou de mim e enlaçou a minha perna com seus bracinhos. Abaixei e abracei-a apertado, sentindo seu cheirinho gostoso.
Eduarda - Vocês demoraram. Já estava com saudades - fez beicinho -
Clara - Já estamos aqui, boneca. Você está bem?
Eduarda - Eu tô ótima, mãe - respondeu de um jeito engraçado e se fosse em outra situação com certeza iria rir, mas só tentei sorri - E você? - existiam várias respostas para aquela simples pergunta, mas nenhuma era boa. Como eu estava no momento? Arrasada, devastada, consternada, e sufocada pelas lágrimas que iam sair a qualquer momento. Meu estado emocional era apenas deplorável. Mas privei a minha filha disso tudo e assenti tentando parecer o mais convincente possível. Ela sorriu e depois de dar o meu beijo, foi falar com o pai, que permanecia quieto atrás de mim. Saí do hall de entrada, e o meu corpo foi atraído imediatamente pelo sofá -
Rafa - Vocês demoraram mesmo, já estava ficando preocupada - procurei por um relógio pela sala, mas lembei que tinha um no meu pulso e me assustei com o horário: 20h50 - Aconteceu alguma coisa? - até tentei falar mas não saia nada e como não respondi o Júnior olhou pra mim, como que pedindo permissão para falar, concordei. A Rafa percebeu a nossa troca de olhares - Dudoca, você não quer ir lá em cima pegar as coisinhas que a gente comprou pra sua mãe ver?
Eduarda - Sim - respondeu entusiasmadíssima - Eu volto rapidinho - olhou pra mim e sorriu -
Rafa - Mas não precisa correr, estou de olho
Eduarda - Tá - riu e foi em direção a escada. Ela subiu e as atenções se voltaram para nós dois. Felizmente o Júnior falou tudo por mim, permaneci calada e à medida que ele ia contando os fatos, eu percebia que a realidade era realmente aquela e as lágrimas começaram a fluir sem dó nem piedade. Rompi em um choro que parecia não ter fim. Queria parar pra Duda não me ver daquele jeito, mas já tinha segurado tanto que não tinha mais controle. A Tia Ná me puxou para o seu colo e chorei ainda mais quando ela disse que também queria fazer o teste de compatibilidade porque... se meu avô soubesse quanto é amado não tinha escondido a doença por tanto tempo. Quando ouvimos os passinhos da Duda nos primeiros degraus da escada, levantei e fui ao banheiro. Teria outra batalha pela frente: conversar com ela, mas preferia que fosse em casa. Lavei o rosto e coloquei na cabeça que não podia, nem queria assustá-la então tinha que aguentar firme um pouco mais. Voltei pra sala e ela mostrou tudo que tinha comprado com a Rafa pra mim e pro Júnior, tentei não me distrair pensando em outras coisas, depois fomos jantar. Quer dizer, minha garganta ainda parecia ter um nó gigantesco, então não desceu nada além de um copo de suco forçado -
Tia Ná - Vocês estão pensando em contar pra ela? - perguntou quando a Duda subiu pra pegar sua bolsinha e o Júnior olhou pra mim -
Neymar - Eu acho melhor contar
Clara - É... estava pensando nisso mesmo
Tia Ná - Ela já está começando a entender tudo que acontece ao seu redor, então é o melhor a fazer. Conta com jeitinho, omitindo apenas o que ela não precisa saber, ou não entenderia de qualquer forma
Clara - Você vai me ajudar, não vai?
Neymar - Claro que vou, meu amor - me abraçou e deu um beijo na minha testa. Estava ciente de que parecia mais uma criança com medo de alguma coisa naquele momento (e realmente estava com medo) mas não me importei. A Duda desceu, nos despedimos e descemos. No caminho pro apê recebi duas mensagens da Manu, uma era uma selfie dela em frente a uma casa enorme e em outra ela dizia que estava ajudando os pais na mudança. Não queria atrapalhar os planos dela, muito menos falar nada por mensagem, então respondi normalmente pra não preocupá-la. Chegamos ao apê rapidinho, a Duda ainda brincou um pouco com o Luck mas como já estava tarde, pedi pra ela trocar de roupa e vestir logo o pijaminha. Eu só tinha tirado o salto e o casaquinho, mas queria muito um banho - Quer falar com ela agora? - ele me tirou do transe em que me encontrava, sentada no sofá com o Luck no colo, olhando pro nada. Pensei sobre a sua pergunta. Quando saí do quarto, deixei-o lendo “as aventuras dos filhotes” pra Duda, um dos seus livros prediletos, então achei que ela já estivesse dormindo, mas pensando bem... seria bom contar logo -
Clara - Quero! - coloquei o Luck no sofá, respirei fundo pela milésima vez no dia e levantei. Fomos para o quarto da minha pequena, ela sorriu ao nos ver entrar e sentar, um de cada lado, da sua pequena cama. Estava com a sua inseparável Minnie nas mãos -
Neymar - Amor, eu e a sua mãe precisamos falar com você e queremos que você preste bastante atenção. Tudo bem?
Eduarda - Tudo bem - fez uma carinha confusa - O que foi?
Neymar - O vovô Marcos está doente
Eduarda - Doente? - sua voz ganhou uma pontinha de tristeza e surpresa -
Neymar - Sim
Eduarda - Por quê? - ele olhou pra mim. Claro que ela ia fazer essa pergunta -
Neymar - Porque... eu não sei, filha. Ninguém sabe. Essas coisas acontecem. Todo mundo pode ficar doente - simplificou e eu fiquei encantada com o seu jeitinho de lidar com ela -
Eduarda - Eu sei, mas por que o biso? O que ele tem? - suspirei pesadamente. O que podia falar pra ela? Estava me sentindo totalmente perdida - A vovó já fez aquele remédio ruim e amargo pra ele? Se ele tomar vai ficar bom rapidinho - não tive como segurar e meus olhos encheram de lágrimas de novo. Ela estava falando dos chás da minha avó. Tão inocente... Quem dera tudo fosse resolvido com um simples chá -
Clara - Infelizmente o chá da vovó não adiantou, amor... por isso que agora ele está no hospital - ela arregalou os olhinhos - Mas ele só vai ficar lá por um tempinho, até ficar bom
Eduarda - E isso vai demorar? - fez uma careta -
Clara - Eu espero muito que não
Eduarda - Mas eu vou poder ir ver ele? - não tinha pensando nisso -
Neymar - Claro. Te levo lá pra você dá um beijo nele - piscou e ela sorriu -
Clara - Isso, mas agora está na de dormir, mocinha - puxei o seu cobertor pra cima e aconcheguei-a. Me inclinei e dei um beijo na sua testa -
Eduarda - Vou pedir pro Papai do Céu cuidar do biso pra ele ficar bom logo, tá mãe? - outra lágrima rolou e ela carinhosamente passou as mãozinhas no meu rosto -
Clara - Faça isso, amor - ela deu um beijo no Júnior também, depois deitou novamente, juntou as mãos e fechou os olhos. Não conseguíamos ouvi-la mas já estávamos emocionados. Eu particularmente acho que alagaria o quarto se escutasse o que ela estava pedindo. Esperamos que ela pegasse no sono, o que não demorou muito e fomos para o meu quarto. Tomei o meu precioso banho depois do Júnior e vesti uma camisa de manga longa dele, tinha o seu cheirinho. Quando deitamos o silêncio parecia... ensurdecedor. O pior de todos, daquele tipo que consome por dentro porque o barulho que faz é cru, duro... real demais. Claro que comecei a chorar. Sabia que quando começasse não ia parar -
Neymar - Você não está sozinha, entendeu? - tentava controlar meus soluços, mas sabia que tinha sido um pergunta retórica - Seu avô também não. E ele vai sair dessa
Clara - Obrigada - murmurei -
Neymar - Está me agradecendo por quê? - levantou o meu rosto e o acariciou, enxugando algumas das minhas lágrimas. Apenas encolhi os ombros pronta para voltar a choramingar. E chorei. Talvez estivesse sendo uma fraca mas isso era a última coisa que importava pra mim, só queria que o dia seguinte chegasse logo.
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- início -
Clara - Oi, mãe
Débora - Filha... - seu tom de voz me deixou em alerta na mesma hora. Às vezes parece não ser tão bom conhecer demais uma pessoa -
Clara - Que foi?
Débora - Prometi que não ia mais te deixar de fora de nada, por isso estou ligando
Clara - Tudo bem, mãe. Fala
Débora - Estamos no hospital de novo - sabe quando uma onda te pega totalmente de surpresa, chegando até a te deixar sem ar, e você fica sem saber como voltar a superfície? Então, foi exatamente como me senti -
Clara - Por quê? O que aconteceu?
Débora - Na verdade, eu também não sei direito. Meu pai acordou com umas manchinhas pelo corpo. Minha mãe disse que elas surgiram desde ontem mas ele não queria vim pra cá e não nos disse nada
Clara - Meu avô acha que sabe o que é melhor pra todo mundo, menos pra ele mesmo, não é?
Débora - Fica calma, minha filha
Clara - É bem fácil falar. Eu sei que você também não está
Débora - Não estou mesmo, mas não vamos antecipar o andamento dos fatos. Ainda não sabemos de nada, acabamos de chegar. Só queria te avisar logo
Clara - Ok, chego aí o mais rápido que consegui
Débora - Cuidado!
Clara - Tudo bem
- término -
Sentei e afundei o rosto nas mãos. Não tinha mais ninguém na sala.
Clara - Fica calma, vai ver são efeitos colaterais dos remédios. Só pode ser isso - falei comigo mesma, me agarrando com tudo nessa hipótese. Era, de longe, a melhor - Não chora! - olhei pro teto e respirei fundo. Passei as mãos no rosto, terminei de arrumar minhas coisas, vesti meu casaquinho e desci a escada mais devagar do que realmente queria. Minha cabeça já estava no hospital. Não havia quase ninguém no térreo, além de dois jogadores que nunca tinha visto por ali. Só sabia que eram jogadores porque estavam com o uniforme. Deviam fazer parte das novas contratações. Já passava das 17h, então era normal que muita gente já tivesse ido embora. Estava indo em direção ao estacionamento quando ouvi um psiu. Não precisava virar pra saber quem era, mas queria. Precisava vê-lo. De repente pareceu ser uma necessidade absurda ouvir a sua voz dizendo que ia ficar tudo bem. Girei o corpo e o vi se despedindo do Emerson Palmieri na porta do CEPRAF. Acenei discretamente pro Emerson e ele retribuiu sorrindo. Bom, pra eu sorrir ia ser um pouco mais difícil naquele momento, estava tensa até o último fio de cabelo -
Neymar - Oi - sorriu e se aproximou para me beijar, só no último segundo lembrou de onde estávamos e desviou um pouco, beijando demoradamente a minha bochecha. Suspirei e senti o seu perfume. Por impulso enlacei os braços no seu pescoço, abraçando-o. Ele ficou surpreso mas passou os braços pela minha cintura também, retribuindo e me apertando. Soltei outro suspiro longo, liberando pelo menos metade da tensão que carregava - Seu avô está bem? - mordeu o lábio inferior com receio -
Clara - Não sei. Mas preciso ir pro hospital
Neymar - Eu levo você, e dessa vez não tem desculpa
Clara - Já fez os exames?
Neymar - Sim, estava te esperando
Clara - E a Duda?
Neymar - Foi pra Elleven com a Rafa, depois a gente passa pra pegar ela - assenti - Vamos, deixo meu carro aqui mesmo - apenas assenti novamente e entreguei minha chave pra ele. Entramos no meu carro e ele deu partida. Joguei a cabeça pra trás, fechei os olhos e tentei não pensar em nada, apenas na presença dele ali ao meu lado. Se começasse a pensar besteira certamente enlouqueceria antes de chegarmos ao hospital - Vai ficar tudo bem - disse as palavrinhas mágicas que eu tanto queria escutar quando parou no sinal e colocou uma das mãos na minha perna. Exibi o melhor sorriso que consegui, lhe dei um selinho e deixei minha cabeça repousar no seu ombro, de um modo que não te atrapalhasse. Fomos o resto do caminho calados e me dei conta que ele nem sequer perguntou o que estava acontecendo, simplesmente deduziu e se prontificou a me acompanhar. Meu coração aqueceu um pouco, não muito, só o suficiente para não me deixar pensar no que não devia. Quando chegamos ao estacionamento do hospital, lembrei da última vez que tinha entrado ali e do jeito que saí... um arrepio percorreu o meu corpo quase instantaneamente. Não sei a quanto tempo o Júnior estava ao meu lado esperando que eu saísse do carro também, mas mais uma vez agradeci a Deus por tê-lo ali. Saí finalmente, ele travou as portas e segurou as minhas mãos que estavam suando frio. Entramos, chamei o elevador, e subimos. Vi meu pai, minha mãe e minha avó no mesmo lugar da última vez. Isso não podia ser sinal de coisa boa... mas tentei pensar que seria. Cumprimentamos todos e nenhum deles tinha um semblante calmo, muito pelo contrário -
Débora - Que bom que não veio sozinha - tentou sorrir pro Júnior e ele fez o mesmo -
Clara - Já sabem de alguma coisa?
Débora - Não. O Dr. Marcelo passou por aqui agora a pouco, disse que já vem nos dizer algo - assim que ela fechou a boca, um homem alto que devia ter apenas uns dois anos a mais que o meu pai saiu de uma sala próxima a recepção e se aproximou de nós com alguns papéis nas mãos. Minha avó era a única que ainda estava sentada, mas levantou imediatamente. Ele cumprimentou a mim e ao Júnior com um breve aceno -
Glória - Então, Dr?
Dr. Marcelo - Como eu já suspeitava, as manchas escuras na pele dele são consequências da diminuição do número de plaquetas - minha avó pareceu ter ficado ainda mais confusa -
Clara - Essa diminuição é efeito da aplasia, certo?
Dr. Marcelo - Sim
Clara - Mas os remédios que ele está tomando não são justamente para abrandar um pouco esses efeitos?
Dr. Marcelo - Exatamente
Clara - Então isso quer dizer alguma coisa - minha mãe olhou pra mim assustada, ela já tinha entendido o que infelizmente passava pela minha cabeça -
Dr. Marcelo - Sim... - ele parecia estar procurando o jeito certo de falar o inevitável - Bom... esses medicamentos que agem estimulando a produção de células sanguíneas pela medula óssea que está falida não são mais suficientes para curar a aplasia do paciente
Glória - Como não são mais suficientes? - falou um pouco alto demais -
Dr. Marcelo - Isso pode acontecer, dada a gravidade da doença. Uma boa parte dos pacientes podem responder muito bem ao tratamento imunossupressor e levar uma vida normal. Outros podem não apresentar uma boa resposta e acabar até se tornando um dependente de transfusões
Débora - Então como é que o meu pai fica? Ele vai virar um dependente de transfusões também?
Dr. Marcelo - Não, e nem é por isso que vamos deixar de alcançar a melhora dele. Mas vai ser necessário um transplante de medula óssea. É o mais aconselhável - levei as mãos a boca, transtornada, e caí sentada em uma cadeira que se encontrava atrás de mim. Acho que o Júnior sentou ao meu lado, não tenho certeza. Minha visão parecia embaçada, apesar das lágrimas estarem presas. Eu estava em choque. Minha avó começou a chorar, incapaz de falar mais alguma coisa, meu pai tentou acalmá-la, mas totalmente em vão. Minha mãe permanecia de pé. Não sei por quanto tempo ela também aguentaria -
Débora - Como é que isso é feito? - eu quase não ouvi a sua voz -
Dr. Marcelo - O transplante pode ser realizado com a medula doada por um parente, um irmão ou irmã, talvez
Débora - Ele não tem irmãos - ela deu sinais de que ia começar a chorar. Eu ainda não conseguia falar nada -
Dr. Marcelo - Sendo assim, eu preciso dizer que as chances de se conseguir um doador compatível na família são pequenas, mas existem. Se vocês quiserem saber se são compatíveis, os exames podem ser feitos aqui mesmo
Murilo - Sim, nós vamos fazer - meu pai respondeu por todos. Sim, porque minha mãe já tinha desistido de tentar parecer forte -
Dr. Marcelo - Ótimo. O doador reconstituirá o que doou rapidamente e poderá voltar às atividades normais também, não há nenhum risco. E não se preocupem, porque vamos começar uma busca no banco de doadores também. Enquanto isso o tratamento com medicamentos continuará, mas recomendo que ele permaneça aqui
Murilo - Aqui? Até quando?
Dr. Marcelo - Sim, até que tudo esteja mais normalizado - um silêncio terrível se formou ali, o que chegava a ser estranho, já que os telefones da recepção não paravam de tocar - Posso responder mais alguma pergunta?
Clara - Sim - ele me olhou esperando que eu continuasse - Acho que li uma vez... quer dizer, não lembro se vi em algum lugar ou me disseram - tinha noção de que não estava falando coisa com coisa, por isso parei e respirei fundo - Desculpa. Enfim, eu tenho tatuagens. Posso doar mesmo assim? - ele deu um meio sorriso, não deve ter sido a primeira vez que ouviu essa pergunta -
Dr. Marcelo - São recentes?
Clara - Não
Dr. Marcelo - Certo, vou tentar esclarecer tudo da melhor forma. O que vocês vão fazer agora é uma espécie de tipagem sanguínea, em outras palavras, um teste que vai nos dizer se algum de vocês é compatível com o paciente. E essa amostra servirá apenas para descobrirmos o código genético de vocês e depois podemos armazená-la no banco de dados. Isso se vocês quiserem doar para alguma outra pessoa posteriormente. Então sim, pessoas com tatuagens ou piercings podem fazer esse teste. Mas é muito bom que elas não sejam recentes, se você for compatível isso vai ajudar muito - só consegui assenti - Outra dúvida muito constante são os riscos para o doador. Como já falei, são praticamente inexistentes. A quantidade de medula extraída é de menos de 10% então dentro de poucas semanas a medula transplantada estará produzindo células novas. Costumo dizer que tudo seria muito simples e fácil, se não fosse o problema da compatibilidade porque é um processo seguro, não causa riscos ao doador e salva vidas mas... - mas tínhamos que achar o doador, completei o seu raciocínio mentalmente. Eu estava lutando pra fazer a ficha cair, estava difícil mesmo depois de ouvir tanta coisa. Minha garganta parecia ter um nó gigante, minha cabeça já girava loucamente, e ainda bem que estava sentada - Em alguns instantes uma enfermeira vem buscá-los para o exame, com licença - se afastou e então o silêncio voltou com força total. Meus olhos ardiam mas as lágrimas não desciam. Minha avó e minha mãe já haviam se acalmado mais, nem por isso tinham parado de chorar. Eu olhava pra elas e não sabia o que fazer, ou até mesmo o que falar. Queria poder consolar as duas, mas não conseguia nem me mexer por estar tão abalada quanto elas, inclusive acho que as lágrimas também se recusavam a acreditar em tudo que foi ouvido, por isso ainda não tinham rolado. Não sabia se isso era bom ou ruim. Senti uma mão apertar a minha e arrisquei olhar pro lado. Ele parecia bem pensativo -
Neymar - Eu vou fazer o teste também
Clara - Vai? - franzi a testa sem saber muito bem o que pensar -
Neymar - Sim
Clara - Tudo bem - respondi de modo automático, mas minha cabeça estava começando a colocar as informações recebidas nos eixos, por isso olhei pra ele de repente, quase assustada - Você vai fazer o teste?
Neymar - Vou
Clara - Mas... você pode? Quer dizer, o campeonato paulista daqui a pouco está aí. Isso não vai te prejudicar?
Neymar - O médico disse que não há riscos
Clara - Mesmo assim. É da sua carreira que estamos falando, o seu sonho. Não dá pra arriscar
Neymar - Não. É da vida do seu avô que estamos falando. Eu vou fazer - pisquei algumas vezes, sem saber o que falar. Era muita coisa pra processar. Então, ele ia fazer o teste para possivelmente ser o doador do meu avô, sem se importar com mais nada? Sem se importar com aquilo que sonhou desde muito pequenininho? Ia fazer simplesmente. Pelo meu avô... por mim. O que eu podia fazer? O que eu devia falar? -
Clara - Eu te amo - foram as únicas palavras que me permiti dizer, e achei que fosse começar a chorar. Vi um pequeno sorriso se formar nos seus lábios. Pequeno. Mas era um sorriso. Abracei-o bem forte e beijei-o demoradamente, quis mesmo aproveitar cada segundinho ao máximo. Seu beijo era a minha melhor terapia, disso já não tinha dúvidas. Depois fiquei um pouco ao lado da minha avó e da minha mãe - não falamos nada, apenas... nos olhamos e foi o bastante - até que uma enfermeira, que tinha Cristina escrito no seu crachá, apareceu perto de nós. Explicou novamente como que tudo ia funcionar, depois nós, um a um, exceto a minha avó, fizemos o exame. O procedimento da coleta foi bem simples e rápido, ainda bem. Depois disso ficamos durante um longo tempo sentados, em silêncio, por isso que quando o Dr. Marcelo reapareceu foi um alívio, mas ele pareceu surpreso por nos ver ali ainda -
Débora - Então? Já tem os resultados?
Dr. Marcelo - A enfermeira não disse?
Clara - O que?
Dr. Marcelo - As amostras vão ser submetidas a exames laboratoriais e o resultado será encaminhado para o endereço de vocês
Clara - Como assim? Quanto tempo isso demora?
Dr. Marcelo - Não muito
Clara - Dr. Marcelo, nós ainda não conseguimos nem digerir tudo direito. Acha mesmo que vamos conseguir dormir sem saber quando é que esses exames vão chegar nas nossas casas? Por favor, eu sei que nós não somos a única família enfrentando problemas aqui nesse hospital, mas não tem como vermos esses resultados logo? - ele suspirou, acho que ficou com pena de mim, não sei -
Dr. Marcelo - Estejam aqui amanhã pela tarde, se tudo der certo vou estar com os resultados em mãos
Clara - Muito obrigada - ele assentiu -
Glória - Não podemos vê-lo agora?
Dr. Marcelo - Depois de muito tentar resistir, ele pegou no sono. Vocês podem vê-lo, se puder ser um de cada vez é ainda melhor pra evitar agitação. Ah, e alguém pode passar a noite também - depois de esclarecer mais algumas pequenas dúvidas, ele levou primeiro a minha avó até o quarto. Ela ficou uns dez minutos lá, o mesmo tempo que meus pais ficaram depois. O Júnior entrou comigo porque eu pedi, ainda estava segurando a sua mão e, sinceramente, não queria soltá-la. Observei todo o quarto. Era diferente daquele que ele tinha ficado da última vez. Era mais amplo, branco com cortinas em tons amarelos bem fraquinhos, uma TV, uma poltrona grande e reclinável que parecia bem confortável ficava ao lado da cama, e um sofá-cama estava do lado oposto, perto de uma porta que provavelmente era o banheiro. Resumindo: um quarto feito para que alguém passasse a noite ali com o paciente. Meu avô dormia tranquilamente, parecia absorto a tudo aquilo que estava acontecendo ao nosso redor. Suspirei de alívio ao ver que não tinha nenhuma agulha no seu braço dessa vez, ele parecia... bem. Então eu vi as manchinhas escuras nos seus braços que estavam descobertos, instintivamente a primeira lágrima caiu. Sabia que atrás dessa viriam muitas outras mas passei a mão que tinha livre no rosto e respirei fundo. Me inclinei um pouco e dei um beijo no rosto dele -
Clara - Nós vamos vencer isso juntos! - sussurrei a passei a mão levemente no seu rosto. Quando saímos do quarto, meus pais e minha avó estavam no meio de uma pequena discussão para saber quem ia ficar. Mas a Dona Glória foi irredutível e ela mesma acabou ficando, com uma condição: no dia seguinte, pela manhã, meu pai iria ficar no seu lugar pra ela poder ir em casa tomar um banho e arrumar uma mala com algumas coisas essenciais. Infelizmente não tínhamos mais nada para fazer, apenas esperar.
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Ele estacionou na garagem do seu prédio e juro que quase pedi pra ficar ali mesmo esperando, minha cara não ia enganar ninguém e ainda não sabia se já estava disposta a falar. Mas... subimos. Ele abriu a porta, e a Duda pulou do sofá, onde estava com a Rafa e a Tia Ná, assim que nos viu. Com passinhos largos e apressados, se aproximou de mim e enlaçou a minha perna com seus bracinhos. Abaixei e abracei-a apertado, sentindo seu cheirinho gostoso.
Eduarda - Vocês demoraram. Já estava com saudades - fez beicinho -
Clara - Já estamos aqui, boneca. Você está bem?
Eduarda - Eu tô ótima, mãe - respondeu de um jeito engraçado e se fosse em outra situação com certeza iria rir, mas só tentei sorri - E você? - existiam várias respostas para aquela simples pergunta, mas nenhuma era boa. Como eu estava no momento? Arrasada, devastada, consternada, e sufocada pelas lágrimas que iam sair a qualquer momento. Meu estado emocional era apenas deplorável. Mas privei a minha filha disso tudo e assenti tentando parecer o mais convincente possível. Ela sorriu e depois de dar o meu beijo, foi falar com o pai, que permanecia quieto atrás de mim. Saí do hall de entrada, e o meu corpo foi atraído imediatamente pelo sofá -
Rafa - Vocês demoraram mesmo, já estava ficando preocupada - procurei por um relógio pela sala, mas lembei que tinha um no meu pulso e me assustei com o horário: 20h50 - Aconteceu alguma coisa? - até tentei falar mas não saia nada e como não respondi o Júnior olhou pra mim, como que pedindo permissão para falar, concordei. A Rafa percebeu a nossa troca de olhares - Dudoca, você não quer ir lá em cima pegar as coisinhas que a gente comprou pra sua mãe ver?
Eduarda - Sim - respondeu entusiasmadíssima - Eu volto rapidinho - olhou pra mim e sorriu -
Rafa - Mas não precisa correr, estou de olho
Eduarda - Tá - riu e foi em direção a escada. Ela subiu e as atenções se voltaram para nós dois. Felizmente o Júnior falou tudo por mim, permaneci calada e à medida que ele ia contando os fatos, eu percebia que a realidade era realmente aquela e as lágrimas começaram a fluir sem dó nem piedade. Rompi em um choro que parecia não ter fim. Queria parar pra Duda não me ver daquele jeito, mas já tinha segurado tanto que não tinha mais controle. A Tia Ná me puxou para o seu colo e chorei ainda mais quando ela disse que também queria fazer o teste de compatibilidade porque... se meu avô soubesse quanto é amado não tinha escondido a doença por tanto tempo. Quando ouvimos os passinhos da Duda nos primeiros degraus da escada, levantei e fui ao banheiro. Teria outra batalha pela frente: conversar com ela, mas preferia que fosse em casa. Lavei o rosto e coloquei na cabeça que não podia, nem queria assustá-la então tinha que aguentar firme um pouco mais. Voltei pra sala e ela mostrou tudo que tinha comprado com a Rafa pra mim e pro Júnior, tentei não me distrair pensando em outras coisas, depois fomos jantar. Quer dizer, minha garganta ainda parecia ter um nó gigantesco, então não desceu nada além de um copo de suco forçado -
Tia Ná - Vocês estão pensando em contar pra ela? - perguntou quando a Duda subiu pra pegar sua bolsinha e o Júnior olhou pra mim -
Neymar - Eu acho melhor contar
Clara - É... estava pensando nisso mesmo
Tia Ná - Ela já está começando a entender tudo que acontece ao seu redor, então é o melhor a fazer. Conta com jeitinho, omitindo apenas o que ela não precisa saber, ou não entenderia de qualquer forma
Clara - Você vai me ajudar, não vai?
Neymar - Claro que vou, meu amor - me abraçou e deu um beijo na minha testa. Estava ciente de que parecia mais uma criança com medo de alguma coisa naquele momento (e realmente estava com medo) mas não me importei. A Duda desceu, nos despedimos e descemos. No caminho pro apê recebi duas mensagens da Manu, uma era uma selfie dela em frente a uma casa enorme e em outra ela dizia que estava ajudando os pais na mudança. Não queria atrapalhar os planos dela, muito menos falar nada por mensagem, então respondi normalmente pra não preocupá-la. Chegamos ao apê rapidinho, a Duda ainda brincou um pouco com o Luck mas como já estava tarde, pedi pra ela trocar de roupa e vestir logo o pijaminha. Eu só tinha tirado o salto e o casaquinho, mas queria muito um banho - Quer falar com ela agora? - ele me tirou do transe em que me encontrava, sentada no sofá com o Luck no colo, olhando pro nada. Pensei sobre a sua pergunta. Quando saí do quarto, deixei-o lendo “as aventuras dos filhotes” pra Duda, um dos seus livros prediletos, então achei que ela já estivesse dormindo, mas pensando bem... seria bom contar logo -
Clara - Quero! - coloquei o Luck no sofá, respirei fundo pela milésima vez no dia e levantei. Fomos para o quarto da minha pequena, ela sorriu ao nos ver entrar e sentar, um de cada lado, da sua pequena cama. Estava com a sua inseparável Minnie nas mãos -
Neymar - Amor, eu e a sua mãe precisamos falar com você e queremos que você preste bastante atenção. Tudo bem?
Eduarda - Tudo bem - fez uma carinha confusa - O que foi?
Neymar - O vovô Marcos está doente
Eduarda - Doente? - sua voz ganhou uma pontinha de tristeza e surpresa -
Neymar - Sim
Eduarda - Por quê? - ele olhou pra mim. Claro que ela ia fazer essa pergunta -
Neymar - Porque... eu não sei, filha. Ninguém sabe. Essas coisas acontecem. Todo mundo pode ficar doente - simplificou e eu fiquei encantada com o seu jeitinho de lidar com ela -
Eduarda - Eu sei, mas por que o biso? O que ele tem? - suspirei pesadamente. O que podia falar pra ela? Estava me sentindo totalmente perdida - A vovó já fez aquele remédio ruim e amargo pra ele? Se ele tomar vai ficar bom rapidinho - não tive como segurar e meus olhos encheram de lágrimas de novo. Ela estava falando dos chás da minha avó. Tão inocente... Quem dera tudo fosse resolvido com um simples chá -
Clara - Infelizmente o chá da vovó não adiantou, amor... por isso que agora ele está no hospital - ela arregalou os olhinhos - Mas ele só vai ficar lá por um tempinho, até ficar bom
Eduarda - E isso vai demorar? - fez uma careta -
Clara - Eu espero muito que não
Eduarda - Mas eu vou poder ir ver ele? - não tinha pensando nisso -
Neymar - Claro. Te levo lá pra você dá um beijo nele - piscou e ela sorriu -
Clara - Isso, mas agora está na de dormir, mocinha - puxei o seu cobertor pra cima e aconcheguei-a. Me inclinei e dei um beijo na sua testa -
Eduarda - Vou pedir pro Papai do Céu cuidar do biso pra ele ficar bom logo, tá mãe? - outra lágrima rolou e ela carinhosamente passou as mãozinhas no meu rosto -
Clara - Faça isso, amor - ela deu um beijo no Júnior também, depois deitou novamente, juntou as mãos e fechou os olhos. Não conseguíamos ouvi-la mas já estávamos emocionados. Eu particularmente acho que alagaria o quarto se escutasse o que ela estava pedindo. Esperamos que ela pegasse no sono, o que não demorou muito e fomos para o meu quarto. Tomei o meu precioso banho depois do Júnior e vesti uma camisa de manga longa dele, tinha o seu cheirinho. Quando deitamos o silêncio parecia... ensurdecedor. O pior de todos, daquele tipo que consome por dentro porque o barulho que faz é cru, duro... real demais. Claro que comecei a chorar. Sabia que quando começasse não ia parar -
Neymar - Você não está sozinha, entendeu? - tentava controlar meus soluços, mas sabia que tinha sido um pergunta retórica - Seu avô também não. E ele vai sair dessa
Clara - Obrigada - murmurei -
Neymar - Está me agradecendo por quê? - levantou o meu rosto e o acariciou, enxugando algumas das minhas lágrimas. Apenas encolhi os ombros pronta para voltar a choramingar. E chorei. Talvez estivesse sendo uma fraca mas isso era a última coisa que importava pra mim, só queria que o dia seguinte chegasse logo.
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- http://loucurasdeumavidacerta.blogspot.com.br/
Hello, babys! ️
Vocês acabaram com meu emocional, muito obrigada!!
Leitoras novas, sejam sempre muito bem-vidas! <3
Vocês acabaram com meu emocional, muito obrigada!!
Leitoras novas, sejam sempre muito bem-vidas! <3
Preciso confessar uma coisa seríssima: me derreto muito toda vez que vocês escrevem "ClaMar", tipo, meu sorriso nem cabe no rosto, só pra vocês saberem mesmo. Isso é sério!!
Agora, em relação aos livros da Clarinha, acho que até agora só cheguei a citar três: o que ela leu vindo para Santos não posso dizer o nome porque acho que não existe, peguei apenas uma mensagem muito linda do Charles Chaplin (se não me engano o título é "Tua Caminhada") e encaixei-a ao capítulo. Tem o da Jessie, sim esse existe! ️
E esse último, do Augusto Cury, "O Colecionador de Lágrimas". Acho que é só, mas me corrijam se eu estiver errada, ok? Ok.
Beijinhos!!
Beijinhos!!
PS:. Playlist com Maroon 5 e o Mars dedicada à Ju França!





AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA primeira a comentar continua amor to in love com a hisotria :::::;;;Miih
ResponderExcluirCONTINUA
ResponderExcluirchorando muito com essa história e olha que eu nem gosto do neymar! hehehehe.
ResponderExcluirclarinha linda! sou apaixonada nela e na pequena grande família dela.
maaaaaaaais logo, pfvrrr :)
ResponderExcluirSimplesmente amei como sempre me emociono quando leio capitulo perfeito como sempre obrigado por continuar bjs e continua
ResponderExcluirAaaaaain continuaa logoo pq taa perfeitooo *-*
ResponderExcluirm.a.r.a.v.i.l.h.o.s.o
ResponderExcluirQue linda a dudoca! Amando essa família.
ResponderExcluiramei como sempre(^_^;), amando sua historia continua \(^.^)/
ResponderExcluirIndica o meu blog ---> http://seumundomeumundo-njr.blogspot.com.br/ brigada ♥
ResponderExcluirLi seu blog em apenas 3 dias ! PRECISO DE MAAAAAAAAAIS!!
ResponderExcluirNossa é vc q acaba com nosso emocional .. Que angustia p saber o resultado do teste .. Nem precisa dizer q chorei horrores ne .. Amo esse jeitinho do neymar com a clara mto lindos e mto apaixonante eles juntos .. Cda capitulo voce consegue se superar .. O seu blog e imprecionante ele e romantico mais sem ser meloso e perfeito.. bjos continua o maus rapido possivel Gabiih
ResponderExcluirvocê escreve muuuuuuuito bem !!!
ResponderExcluirta PERFEITO!!!!
ResponderExcluirja pode continuar amor rs
ResponderExcluirQue capítulo😭! Perfeito. Impossível não chorar. Parabéns mesmo!! Beijos
ResponderExcluirMeu deus como eu amo esse blog . Continua ☆★♡♥
ResponderExcluirFOFOOOOOOOOOOOOOOOOO! AMEI AMEI AMEI! CONTINUA! =)
ResponderExcluircompletamente apaixonada ♥
ResponderExcluirCoooontinua
ResponderExcluirToop,quero mais !
ResponderExcluiramor que coinciendia socorro, eu to fazendo um trabalho "cientifico" na escola exatamente sobre transplante de medula ossea e tipo tudo o que você explicou no blog é tudo o que eu leio quando to fazendo o trabalho kkkkk como você fez isso? você leu sobre o assunto e coisas do tipo?
ResponderExcluire o blog tá perfeito, continua logo por favoooooor ♥
tá demais!
ResponderExcluirTo amando, continuua *---*
ResponderExcluirADOREEI O CAPITULO COMO SEMPRE ... Quero mais pra ontem pelo amor de deus hahaha a cada capitulo a tua fic ficar melhor menina ta de parabens
ResponderExcluirBeijos
Adooooorei !!!
ResponderExcluirgoxxxteiii ..
ResponderExcluirTa perfeito hein! Ameeeeeeei cont...
ResponderExcluircontinua , ta dms , dms ;)
ResponderExcluirperfeito ... ♥
ResponderExcluirAi que capítulo perfeitooo!!! Seu blog é mais que especial!!! Você escreve muito bem!!!
ResponderExcluirta liindo, ta perfeitoo, contiinua por favor *--*
ResponderExcluirAAAAAAAAAAA ta perfeitoooooolo Continua logooooo
ResponderExcluirObbbbba!!!! Adoro esse blog!
ResponderExcluirQue liiiiindo,coontinua
ResponderExcluirCoontinua a cada capitulo uma nova emoção to amando de vdd, ansiosa para o próximo !!!
ResponderExcluirObrigada por dedicar a playlist... Bom,mocinha,vc me fez chorar,com td essa situaçao... Faz essa fase ruim passar logo ta? E acho,assim,que seria beem interessante,se o Neymar fosse o unico compativel,ia ser maravilhoso,a Clara certamente ficaria emocionada por td q o Neymar esta fazendo,que o "vovo" fique bom logo! Parabens pelo blog,maravilhos!!! Bjs
ResponderExcluirCaraa, que história é essa???
ResponderExcluirTo simplismente de boca aberta.. Tu tem noção de como é ver que uma leitora sua chor lendo sua fic?.. Aqui está a leitora que chorou kk é tudo muito realista, muito perfeito, o andamento da história, enfim, TUDO! E sem dúvida alguma essa é a melhor fic que eu já li.. N tem do q reclamar kk
Por favorr, faz essa fic virar livro, pq vai fazer sucesso e eu quero com autografo kkkk
Ps: uma "reclamação", entro aqui todos os dias pra ver se tem cap novo, pois n tenho vontade de parar! Kkkk
Coooooooooooooontinua
ResponderExcluiramando *-*
ResponderExcluircontinua amor ><
continuaaaaaa!
ResponderExcluircontinuaa divando heein .
ResponderExcluirawn que lindos, continua logo *-*
ResponderExcluirmuuito bom!
ResponderExcluirJá pode continuar!!
ResponderExcluirai mano que perfeito!
ResponderExcluirÔ ta show seu blog!
ResponderExcluirContinua !!
ResponderExcluirCaramba!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Que perfeito, TUDO! TU É DEMAIS gata
ResponderExcluirSem palavras, esse blog é o melhor.. Não para por favor hehehehe
Essa fic surpreende e parece ser tão real que as vezes eu paro e penso: calma, é só uma historia heheheheh
Está de parabens, mesmo!
E bora continuar a historia heim? Bjooo
Ufa! Cheguei até aqui.. hahahaha menina seu blog e top, serio, to apaixonada jurooooooo!
ResponderExcluirNão para por favor, seu blog é maravilhoso. E esse capitulo que apego esses dois juntos, estou in love com a história. Já quero o próximo. Bj
ResponderExcluirMeu Deus que capitulo P E R F E I T O !!!! Sem palavras... Continua logo que cada vez mais essa história fica TOP. bjs
ResponderExcluiraguardando o proximo capitulo!
ResponderExcluirmuito bom *-*
ResponderExcluiraaaai que top !!!
ResponderExcluircontinua amore
ResponderExcluirporra que blog top cara, serio mesmo!
ResponderExcluirSeu blog e PEFEITO sou viciada nele ..♥
ResponderExcluirOiee passando para dizer que o seu blog está perfeito... amando e chorando muitoooo, comecei o meu a pouco tempo, se puder dar uma olhadinha e ficaria muito feliz se indicasse Obrigada!!!!
ResponderExcluirhttp://imagineicomoseria.blogspot.com.br/
preciso de maaaaaaaaaaaaais <33 @neymaniaj
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