Dedicado ao #TeamClamar ️
Depois de uma sexta-feira caótica e até um pouco melancólica (acordei no meio da noite, não consegui dormir mais, fiquei escutando Distante com o modo repetição ativado, e chorei todas as vezes que ouvi o trecho "Só não quero imaginar você vivendo outros amores por aí..."), tive direito a um sábado mais tranquilo, a Manu conseguiu me convencer a passar o dia na casa dos seus pais e a Duda adorou, brincou na piscina até não poder mais. Sua felicidade era tão nítida, que olhando pra ela ali tão risonha, consegui ficar com ainda mais raiva de mim mesma por não ter percebido antes que ela também estava sofrendo com tantas mudanças. Fui egoísta demais, só estava pensando em mim! Mas graças a Deus isso mudou e tudo que estivesse ao meu alcance para não vê-la mais triste, eu iria fazer. No domingo, levei-a pra casa da Tia Ná depois do almoço pro Tio Neymar levá-la pra Vila. O Júnior queria entrar em campo com ela novamente e eu não negaria isso a nenhum dos dois, sabia o quanto ela também gostava de estar lá com ele. Assisti o jogo na casa dos meus pais, transbordando de orgulho por vê-la com o uniforme completo do Santos. Queria estar no estádio pra poder tirar fotos e mais fotos, mas me contentei apenas em guardar a cena na memória. Sabia que aquela não seria a última vez, teria outras oportunidades.
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A segunda-feira foi massacrante, quando cheguei em casa não tive forças nem pra malhar, a Manu até tentou me fazer mudar de ideia, mas não conseguiu me tirar do sofá, onde me enfiei assim que tomei um banho e vesti qualquer coisa, só saí dali pra jantar. Porém, recuperei o tempo perdido na terça de manhã e pela tarde acompanhei meu avô em mais uma sessão de quimioterapia. Na quarta, saí do CT mais cedo por conta de alguns problemas nos sistemas dos computadores, então aproveitei para dar uma passadinha na Academia de Ballet (a aula de quinta tinha sido transferida, porque as professoras teriam que viajar para um congresso). O Júnior estava lá, ficou surpreso ao me ver mas não falou nada, claro que não posso dizer o mesmo da Duda, que assim que nos viu sentados lado à lado, fez questão de deixar todos saberem o quanto estava feliz, primeiro com gritinhos histéricos, depois nos abraçando apertado. Era só isso que ela queria: a nossa presença. E a gente podia fazer isso. Por ela, a gente devia fazer isso. Além do mais, tinha tempo que não assistia suas aulinhas, estava com saudades também. Depois ainda fomos tomar sorvete juntos e não vou dizer que foi a situação mais confortável do mundo mas também não foi a mais desconfortável; nos conhecíamos tão bem... e a Duda não nos deixou em nenhuma saia justa, nem criou nenhum momento constrangedor, aliás, por causa dela, conseguimos até rir. Seria estranho demais se eu dissesse que gostei? Bom, melhor não pensar muito.
Quinta-feira tive uma surpresa enorme e muito boa: Diego. Ele chegou sem avisar, e para ir embora apenas na segunda, ou seja, tínhamos um bom tempo para colocar muita saudade em dia. O Júnior é que não gostou muito disso (a Duda contou pra ele por telefone, bem animada por sinal - e isso deve ter deixado-o ainda mais irritado, já que nunca gostou do Di), mas ele não tinha que gostar ou desgostar de nada, certo?
Na sexta-feira (28/03), lá estava eu nos sites de novo. Por causa de uma foto com o Diego, já especulavam que eu também tinha seguido em frente e chegaram ao cúmulo de postarem que eu já devia estar pensando em um irmãozinho pra Duda. A mídia é um saco mesmo! Não sei como tem gente que gosta de ser famoso. Mas não dei bola, o melhor a se fazer sempre é não dar importância ou a coisa cresce ainda mais. Esperança é um sentimento que vinha tendo a cada dia. Tinha confiança que tudo ia melhorar, tinha certeza que as preocupações iam cessar, e os dias começariam a ser mais felizes. Não podia ocupar minha mente com coisas que não me trariam alegria e tranquilidade. Preferi gastar o meu tempo ajudando o Gil a por a sua surpresa pra Manu em prática, e a minha parte consistia apenas em tirá-la de casa, e deixar a minha chave com o porteiro pra ele poder entrar e fazer o resto (na verdade, ele também me pediu para ajudá-lo na escolha de um texto bom, porque não sabia se conseguiria dizer tudo que queria com suas próprias palavras - um fofo -, indiquei um do Caio Fernando Abreu bem a cara deles, mas não fazia ideia do que ele pretendia).
Manu - Pelo amor de Deus, Clara! O que é que nós vamos fazer na feira a essa hora? - perguntou, ou melhor resmungou, quando já saíamos do prédio. Antes disso, deixei minha chave com o porteiro e pedi pra ele entregar ao Gil. E ela não parava de reclamar, o Diego só sabia rir porque contei pra ele o motivo dessa ida repentina à feira -
Clara - O que é que se faz na feira?
Manu - Sim, eu sei. Mas já está tarde. O que você acha que ainda vai encontrar lá? - riu ironicamente -
Clara - Não está tarde. E se essa é a hora que chego do trabalho, não tenho outra saída né?
Manu - Podíamos ir amanhã
Clara - Amanhã não quero fazer nada e minha vó ligou hoje pra me dizer que os legumes estavam muito bonitos
Manu - Claro, e isso foi que horas? Provavelmente nove da manhã, não cinco da tarde
Clara - Deixa de pessimismo, vou achar tudo que quero sim - ela fez bico e cruzou os braços. O Di riu novamente e eu me segurei para não fazer o mesmo. A Manu queria estar em casa, ou melhor, na academia porque é lá que desconta toda sua frustração por não poder estar com o Gil. A saudade é grande, mas o orgulho parece ser maior ainda. Isso tinha que acabar logo. Dirigi sem nenhuma pressa até a feira livre de Nova Cintra, tive que estacionar um pouco distante e a Manu se enganou, porque ainda tinha muita gente circulando por ali, muita mesmo. Sempre gostei de feiras, afinal, elas têm espaço para todos os gostos e tipos, e chamam a atenção especialmente pela simpatia dos vendedores que sabem atender e conversar muito bem. Acompanhava minha avó todo domingo quando morávamos em Florianópolis, era maravilhoso. Fiquei batendo perna por um tempo, sempre de olho no relógio, já que o Gil tinha dito que não precisaria enrolar demais; ele só precisava estar lá dentro quando chegássemos, então quando ela resmungou de novo (era bom que o plano dele desse certo porque ela estava insuportável e o motivo até a Duda já sabia), comprei algumas frutas, legumes e verduras e voltamos pro carro. Pedi pra ela dirigir, só pra poder ir trocando mensagens com o Gil e segundo ele, estava tudo certo. Quando chegamos ao prédio, pedi pro Diego me ajudar com as sacolas para que a Manu subisse de mãos vazias, assim ela usaria a chave dela sem perguntar pela minha. E foi exatamente o que aconteceu. Ela abriu a porta, entramos, e percebi o Luck meio agitadinho, mas a sala estava silenciosa. Achei que ia encontrar pétalas de rosas pelo chão ou algo parecido, sério. Ri discretamente dos meus pensamentos -
Manu - O que é isso aqui? - parou de frente pra mesa de jantar, me aproximei e o que vi me fez sorrir.
Ela analisou cada cantinho da sala, depois ficou nos olhando de um jeito acusador.
Manu - São pra mim mesmo? - perguntou olhando pro Diego -
Diego - Quê? Eu não tenho nada a ver com isso não - riu -
Manu - Clara! - ergueu uma sobrancelha (quase) intimidadora -
Clara - Luck, assume logo que foi você, por favor
Manu - Engraçadinha
Clara - Ué, tem seu nome no cartão, e ao invés de abrir, fica tentando descobrir quem mandou?
Diego - Como se não soubesse também, né? - eu ri com ele, ela não achou muita graça. Pegou primeiro a rosa vermelha que estava sozinha, desfez o laço que prendia uma folha de papel nela e a abriu -
Manu - Eu conheço essa letra... - murmurou quase tão branca quanto a folha que estava na mão - Mas aqui pede para ler em voz alta - franziu a testa - É sério que vocês não estão brincando comigo?
Clara - Claro que não, Manu - dessa vez não rir, ela assentiu, balançou a cabeça meio contrariada e depois de dar mais uma olhada ao redor da sala, começou a ler.
Ela segurou todas as lágrimas, não deixou que nenhuma caísse, nenhuma mesmo e também não nos olhou antes de pegar o outro envelope, o que estava junto com o grande buquê. Acho que finalmente percebeu que eu e o Diego não tínhamos realmente nada a ver com aquilo. Respirou fundo antes de começar a ler novamente.
“Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar também.Tá me entendendo? Eu sei que sim. Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou. Não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma. Mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também! Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia. Mas você tem que prometer que vai remar também, com vontade! Eu começo a ler sobre política, futebol, ficção científica. Aprendo a pescar, se precisar. Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena.
Remar.
Re-amar.
Amar.”
Reconheci o texto do Caio Fernando Abreu e sorri. A Manu... Bem, ela tinha desistido de segurar as lágrimas. Me aproximei para abraçá-la, bastante emocionada também e ela chorou ainda mais no meu ombro. Manu - Ele realmente fez isso? - sussurrou em meio a soluços e... risos - Mas como? Eu não consigo acreditar - desfiz o abraço, e passei as mãos em seu rosto, enxugando as suas lágrimas -
Clara - Será que agora está claro o quanto ele te ama, sua boba?
Manu - Eu não queria que ele provasse nada, eu só... - voltou a chorar, e deixei. Ela precisava colocar pra fora mesmo - Eu só... Ai, meu Deus! Eu preciso fazer alguma coisa, não é?
Clara - Precisa. Ele não pode remar sozinho - pisquei -
Manu - Ele não vai remar sozinho - sorriu como não sorria a tempos, olhou para as rosas, pegou-as e inspirou o aroma delas por um tempo - Eu vou atrás dele
Gil - Não precisa - abriu as cortinas e saiu da varanda. Confesso que até eu fiquei surpresa. Sabia que ele estava ali, mas não sabia onde -
Manu - Você. Está. Aqui - pronunciou com a voz trêmula e eu voltei pra perto do Di porque com certeza ela não precisaria mais do meu apoio -
Gil - Eu precisava saber se você continuaria remando ou deixaria o barco afundar de vez - ela soluçou e sem falar mais nada, correu para os braços dele. Foi meio que uma cena de novela ao vivo na minha sala. Ele a segurou firme, beijou-a e obvio que ela correspondeu com a mesma intensidade ou até mais, sem um pingo de constrangimento por ter mais pessoas na sala. Se não fosse assim, não seria Manu. Procurei entender o lado deles, afinal, estavam a bastante tempo sem se ver, mas não sei o que aconteceria naquela sala se o Diego não pigarreasse. Ou melhor (ou pior), sei muito bem o que aconteceria. E eles riram, na maior cara de pau quando olharam pra gente. Nem pareciam os mesmos de alguns minutos atrás. Fiquei feliz por vê-los felizes de novo, porque apesar de dizerem que não, eu me sentia culpada pela briga que tiveram sim, e sabia que só ia sossegar quando visse a cena que tinha acabado de presenciar.
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Meia hora depois, Diego e eu ficamos apenas na companhia do Luck, porque o casal foi, provavelmente, recuperar o tempo perdido; a Manu só colocou as rosas em um vaso, o Gil me agradeceu muito pela ajuda, e depois saíram com sorrisos enormes. Nem perguntei se ainda voltariam, seria uma pergunta meio desnecessária. Minha pequena foi pra casa do pai ontem à noite porque teve consulta de rotina no dentista hoje pela manhã e pedi pra Tia Ná levá-la.
Diego - Sempre ajudando todo mundo, né? - saiu da poltrona e sentou ao meu lado -
Clara - Dessa vez eu precisava mesmo fazer alguma coisa. Eles brigaram por minha causa
Diego - Eu sei, você me contou. Mas e os seus problemas?
Clara - Os meus problemas?
Diego - Sim. Quem cuida deles?
Clara - Não tenho problemas - desviei o olhar -
Diego - Não?
Clara - Não! Minha vida está muito bem encaminhada agora, tudo resolvido - menti deslavadamente -
Diego - Espero que esteja, pelo menos, confiante no que diz - sorriu, um pouco sarcástico, talvez -
Clara - E estou
Diego - Então me deixa te pedir uma coisa
Clara - Que coisa? - perguntei sem querer entender a sua aproximação -
Diego - Um beijo - fiquei um pouco chocada e balancei a cabeça -
Clara - Diego...
Diego - Não vou te cobrar nada, juro - falou enquanto se aproximava ainda mais, e eu paralisei. Inexplicavelmente, e de uma maneira bem rápida, minha mente voou para o dia que vi as fotos do Júnior no aeroporto com a atriz, lembrei da raiva incontrolável que senti, e sem pensar em mais nada, eu mesma fiz os meus lábios se chocarem com os do Diego. A princípio foi isso mesmo: um choque. Ele não reagiu, muito menos eu. Não era a primeira vez que nos beijávamos, mas estava tudo muito estranho, meus lábios pareciam rejeitar os dele, desconheciam aquele toque. E foi então que entrei em pânico. Percebi que beijei o Diego, o meu amigo, aquele que eu sabia que gostava de mim, querendo sentir o que sabia que era impossível sentir com ele. Me afastei rapidamente, sentindo repulsa de mim mesma. Não passou de um selinho humilhante (pelo menos ao me ver foi e muito, para ambos) e eu estava querendo me estapear. Não conseguia nem olhá-lo -
Clara - Desculpa. Ai, me desculpa - coloquei as mãos no rosto - Minha vida não está estabilizada coisa nenhuma. Ainda estou totalmente presa a um passado que não vai me abandonar nunca, me desculpa. Não sei o que deu em mim
Diego - Se acalma, Clara - me fez olhar pra ele, e as lágrimas começaram a rolar. Por que nós tínhamos que amar as pessoas erradas? -
Clara - Me perdoa. Eu não devia te usar assim
Diego - Você não me usou
Clara - É claro que usei
Diego - Não usou - passou a mão delicadamente no meu rosto - Não precisa se martirizar por isso. Está tudo bem. Falei que não ia te cobrar nada e não vou
Clara - Você é um anjo - e não devia gostar de mim, devia sair por essa porta e nunca mais querer me ver, completei meu raciocínio só pra mim -
Diego - Lembrei do meu primeiro beijo - riu, como se o que eu tivesse acabado de fazer não o afetasse. Ele sabia esconder o que sentia muito bem -
Clara - Aposto que foi muito melhor do que esse selinho ridículo
Diego - Não foi, acredite - gargalhou e eu sorri -
Clara - Só você pra me fazer sorrir depois de uma situação como essa
Diego - Eu não ia te beijar, Clara - ficou sério de repente, parei de sorrir também -
Clara - Não?
Diego - Não. Não por falta de vontade também, mas por saber que não sou eu quem você quer - corei e baixei o olhar - Seus olhos até tentam, mas não conseguem mentir. Sua frieza é notável, mas não sobrepõe à fragilidade - sorriu levemente - Só queria te fazer entender que não há vida sem problemas, e você sabe que tem, só não pode resolvê-los sozinha, muito menos com essa saudade que carrega nas costas - apenas concordei com um aceno, sem coragem pra dizer mais nada -
Clara - Hum, acho que vou lá pra dentro
Diego - Tá certo - deu um meio sorriso, mas dessa vez não consegui retribuir. Fui pro meu quarto, tranquei a porta e comecei a me perguntar porque tinha feito aquela burrada, e pior, porque estava me sentindo tão... suja. Como se tivesse traído alguém... Não presto nem pra me vingar, pelo amor! Pensei na minha avó e no que ela me diria em uma situação como essa “Você pode fechar os seus olhos para as coisas que não quer ver, mas não pode fechar o seu coração para as coisas que não quer sentir.” Às vezes até consigo me fazer acreditar que sou bem forte, mas cheguei a conclusão de que a única coisa forte é a minha vontade de ser forte, mais nada. Estava me sentindo dentro de um filme dramático, aqueles com finais horríveis, que nos faz querer bater na televisão. Trágico, eu sei. Nunca me pareceu tão certo, me comparar com aqueles pedacinhos de vidro do espelho que quebrei. Por dentro, era exatamente assim que estava, despedaçada, e a cada decepção, parecia estar derramando álcool nos cortes, sem dó nem piedade. Enxuguei as lágrimas ousadas que já encharcavam meu rosto, peguei minha pasta de desenhos, folhas em branco, lápis e tentei me distrair. Depois de quase quinze tentativas, e rascunhos jogados fora, não consegui fazer nada além de um desenho que não tinha nada a ver com meu estado de espírito, mas não consegui jogar no lixo também. Coloquei a data e guardei. Tomei um banho, me vesti, peguei o celular, liguei pra minha mãe, conversei um pouco com ela e quando desliguei fui ao quarto da Duda. Ela faz uma falta absurda! Tirei seus desenhos do varalzinho que fizemos e guardei todos na sua pasta, cada um ali tinha um significado diferente e eu sabia que ela gostava de todos. Voltei pra sala, e o Diego estava escutando música. Ainda estava com vergonha do que tinha feito, mas tirei seus fones e ele sorriu. Claro, quando é que ele não sorrir? Chega até a ser constrangedor -
Clara - Não está com fome?
Diego - Pra falar a verdade, estou
Clara - Quer comer o quê?
Diego - Sei lá, você decide. Qualquer coisa
Clara - Não sei fazer qualquer coisa - riu - Pensando bem, acho que vou ligar pra Temakeria que a Manu já é freguesa. Que tal?
Diego - Estou aceitando qualquer coisa que não seja omelete - falou, relembrando o jantar que a Manu fez no dia que ele chegou -
Clara - Juro que ela já fez melhores. Só que estava meio pra baixo esses dias... você viu. Aí até a omelete desandou - rimos. Liguei para encomendar o nosso jantar, sentei ao seu lado e liguei a TV. Ele deixou o fone de lado - Sabia que eu me pergunto quando é que a sua paciência comigo vai acabar?
Diego - Por quê?
Clara - Porque eu quero te ver feliz, Diego. Porque você merece ser feliz
Diego - E quem disse que eu não sou?
Clara - Seus olhos até tentam, mas não conseguem mentir - repeti as suas palavras e ele riu um pouco - É sério
Diego - Você nunca me deu nenhuma esperança desde que terminou aquilo que nós tínhamos e que nem chegou a ser um namoro, nunca! Não me deixou criar ilusões, e é por isso que prezo a sua amizade mais do que qualquer outra coisa
Clara - Outro em seu lugar já teria saído da minha vida a muito tempo
Diego - Por quê? A gente não erra em amar uma pessoa, Clara. A gente erra em esperar que ela nos ame da mesma maneira. E eu tive que errar pra aprender que cada um só pode dar aquilo que tem a oferecer. Então acredita em mim quando eu digo que sou feliz em te ter como amiga e prometo que só saio da sua vida se você pedir
Clara - Não
Diego - Não o quê? - me olhou meio assustado -
Clara - Não precisa prometer
Diego - Por que não?
Clara - Porque todos que prometem vão embora. Quem realmente quer ficar não precisa prometer nada, apenas fica e ponto. Promessas... machucam. As pessoas prometem porque sentem que podem surgir obstáculos pelo caminho, e sabe qual a pior parte nisso? Desistem sempre nos primeiros que surgem - um risinho irônico escapuliu dos meus lábios - Deve ser da natureza humana correr quando as coisas ficam difíceis. Por isto apenas fique, não prometa. Se tiver que ir algum dia, pelo menos não terá me dado esperanças - ele assentiu e não disse mais nada, acho que percebeu que associei tudo que disse a outra pessoa também... não deu pra evitar. Depois disso preferi ficar calada também, pelo menos até o nosso jantar chegar porque aí o clima ficou melhor.
clarabarcelar_:
Comemos, e depois de arrumar a cozinha, nem quis assistir mais nada, desejei boa noite pra ele e fui pro meu quarto. O Luck preferiu ficar fazendo companhia a ele. Ainda estava me sentindo mal pelo que tinha feito, queria apenas enfiar a cabeça no travesseiro pra esperar um novo dia chegar e tentar apagar mais um episódio trágico da minha vida. Imagina só se eu colecionasse todos eles... Troquei de roupa, escovei os dentes, peguei o celular e deitei. Pensei em ouvir música até o sono chegar, mas desisti e entrei no instagram. Curti a foto que a Rafa havia acabado de postar com uma legenda cômica dizendo que a minha princesa estava mais interessada no joguinho do tablet do que nela. Eu ri, e cinco minutos depois meu celular tocou. Falei primeiro com a Duda, ela me contou direitinho como é que foi a consulta com o dentista e depois de se despedir do seu jeito meloso de sempre, passou pra Rafa.
- início -
Rafa - E aí, Ana Chata!
Clara - Vou fingir, mais uma vez, que nem nem ouvi isso, ok? - riu - Estou com saudades da minha filhota. Quem vem trazê-la?
Rafa - Vem pegar ela, aproveita e fica um pouco comigo
Clara - Sem chantagem emocional
Rafa - Sério, você podia vim jantar aqui amanhã - sugeriu entusiasmada -
Clara - Ficou louca?
Rafa - Por quê? Meu irmão está sempre aí no apê, você também vem aqui. Vocês não vão se matar se ficarem mais do que uns minutos no mesmo ambiente
Clara - Não garanto nada
Rafa - Deixa de ser exagerada - rimos - Vem, por favor
Clara - Não dá
Rafa - Por quê?
Clara - O Diego. Não posso deixar ele aqui sozinho, a Manu está meio que em Lua de Mel - gargalhou -
Rafa - Voltaram?
Clara - Graças a Deus! - rimos -
Rafa - Mas então traz ele também
Clara - Ficou louca de vez mesmo. Você sabe que o Júnior não suporta o Diego, Rafa. E tenho quase certeza que é recíproco
Rafa - Mais um motivo pra você vim e trazê-lo
Clara - Quê?
Rafa - Adoraria ver o Júnior se mordendo de ciúmes - riu -
Clara - Ciúmes?
Rafa - É, não é por isso que ele não gosta do Diego?
Clara - Isso era antes
Rafa - Não importa, venham
Clara - Melhor não, Rafa. Vamos evitar problemas
Rafa - O mínimo que pode acontecer é o meu irmão ver finalmente como está sendo um trouxa
Clara - Juro que não estou te entendendo - na verdade estava, só que preferia não estar - Ele tem namorada... - falei em voz baixa -
Rafa - Esse namoro está mais frio agora do que como era antes. Nem aqui ela veio ainda, só vejo os dois juntos pelas fotos que saem na mídia, acredita?
Clara - É... não duvido
Rafa - Vem?
Clara - Não sei
Rafa - Mas vai pensar com muito carinho?
Clara - Talvez
Rafa - Tá vendo porque chamo de chata? - rimos -
Clara - Ok, falo com o Diego e te dou uma resposta depois
Rafa - Vou falar pra minha mãe fazer lasanha de frango com catupiry
Clara - Achei que tinha deixado claro que não gosto de chantagem emocional, Rafaela - gargalhou -
Rafa - Vou ficar esperando sua resposta, beijo
Clara - Beijo, chata
- término -
Continuei com o celular na mão, respondendo algumas mensagens, e depois de um tempo recebi uma da Rafa também. Muito amor por mim, não?! Abri a mensagem rindo, mas franzi a testa ao ver que o texto era apenas uma frase meio sem sentido: "Sei lá, só pra lembrar mesmo!" mas que vinha acompanhado de um link do instagram. Cliquei nele, ainda sem entender nada, e apareceu uma foto nossa. Até aí tudo bem, mas era exatamente a foto que ela havia postado com a legenda "Minha eterna cunhadinha". Fiquei pasmada, juro que até tentei rir... não consegui. Mas tentei não pensar muito no que ela queria dizer com aquela mensagem ou a minha mente entraria em curto-circuito. Não respondi nada, deixei o celular de lado, peguei um livro e li até o sono chegar. Quando não é um, é outro tentando me deixar doidinha da Silva.
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Viva a insônia! (só que não!)
Acordei cedinho, e como quase sempre, todas as minhas tentativas para voltar a dormir, foram em vão, mas continuei deitada por um tempo, pensando nas coisas que a Rafa tinha me dito (e na mensagem). Gostaria de poder pensar como ela em alguns aspectos, só que as coisas sempre são mais fáceis para aqueles que estão de fora. Nem sempre dura. Nem sempre é eterno. E precisamos lidar com isso. Nem que seja na marra. Nem que tenha que engolir o choro de vez em quando. Nem que a gente tenha que fingir que está tudo bem... Existem os finais felizes e os finais necessários. Levantei, meio cambaleando ainda (estava com sono, só não conseguia dormir mais) e entrei no banheiro. Tomei um banho frio, porque já que estava acordada não queria ficar parecendo um zumbi, escovei os dentes, me vesti, calcei o tênis, fiz um rabo de cavalo no cabelo, peguei o ipod, o fone de ouvido e saí do quarto. Passei na cozinha pra tomar um copo de leite forçado, peguei meu chaveiro e saí. Desci de escada para começar a aquecer e fui pra academia. Chovia bastante, acho que por esse motivo ela estava meio vazia, e eu também gostaria de estar na minha cama, muito bem enrolada e só acordar lá pelas 11h, como a maioria dos meus vizinhos. Mas estava acordada ás 07h da manhã de um sábado chuvoso, então só me restava malhar. Fiz questão de suar bastante, estava exausta quando subi, e o Diego já estava acordado.
Clara - Bom dia
Diego - Bom dia - me olhou surpreso - Achei que ainda estivesse dormindo. Quanta disposição!
Clara - Lógico. Estou ficando bem fortinha, não estou? - brinquei e mostrei o meu muque pra ele, bem orgulhosa de mim - Pode falar
Diego - Nossa! Quase mais do que eu - gargalhou -
Clara - Olha que eu te faço comer omelete hoje de novo, heim?! Vai rindo - não consegui falar sério, então voltamos a rir mesmo - Por falar nisso, a Manu deu algum sinal de vida?
Diego - Nada até agora
Clara - Até ficaria preocupada se não a conhecesse - riu - Vou tirar essa roupa suada e volto pra gente tomar café - olhei-o e ele piscou discretamente. Sorri e fui pro meu quarto, dessa vez o Luck me acompanhou. Dei um beijinho de bom dia nele, e fui direto pro banheiro. Tomei um banho rápido, passei hidratante no corpo, e me vesti. Fiz um coque no cabelo, fui pra cozinha, coloquei ração pro Luck primeiro, depois comecei a preparar o café da manhã. O Diego entrou na cozinha, e até passou pela minha cabeça falar com ele sobre o convite da Rafa mas não falei. Seria muito doido (absurdo até), eu não me sentiria bem jantando na casa do Júnior com o Diego ao meu lado, não nessas circunstâncias. Esse final de semana não teria jogo, então é claro que ele estaria lá. A não ser, claro, que fosse ver a atriz. Bom, preferi ficar calada, era o melhor para todos. Depois do café mandei uma mensagem pra Rafa avisando que ia pegar a Duda no finalzinho da tarde e só. A Manu ligou, disse que estava bem e muito feliz - disso eu não tinha dúvidas - e mandou uma foto das outras surpresas que a sua noite de reconciliação teve. O Gil quis realmente surpreendê-la e conseguiu. Eu e o Di tínhamos combinado de ir à praia, mas nosso plano foi totalmente por água abaixo, então só nos restou passar o dia jogando Midnight Club e comendo pipoca. Quando a chuva deu uma trégua, lá pelas 17h, resolvi ir pegar a Duda logo mas fiquei sem jeito de deixá-lo sozinho, então sugeri que me acompanhasse. Ele ficou meio que com o pé atrás, bastante receoso, mas aceitou. Eu também não pretendia demorar lá, e com sorte (eu falando de sorte, olha que irônico), talvez, nós nem cruzássemos com o Júnior. Se bem que eu não tinha absolutamente nada a esconder dele, só queria mesmo evitar um momento constrangedor pra mim. Fui no meu quarto rapidinho, apenas para me agasalhar mais, troquei o shortinho por uma saia branca e vesti uma blusa de pano mais grosso. Estava frio, tanto que as portas da varanda que sempre ficam abertas, estavam fechadas - Vamos? - peguei o celular e coloquei no bolso, ele assentiu. Saímos, tranquei a porta, descemos na garagem, destravei as portas do meu carro, entramos e dei partida. Não gosto de pista molhada, então dirigi com cuidado redobrado e quando chegamos ao prédio, a minha entrada já estava liberada (na verdade, mesmo depois do término, minha entrada nunca foi cancelada) -
Diego - Melhor eu ficar aqui, né? - perguntou assim que estacionei -
Clara - Não - tirei o meu cinto de segurança - Claro que não, não vou demorar. Vamos subir
Diego - Tem certeza?
Clara - Você disse que tem orgulho de me ter como amiga, não disse?
Diego - Disse
Clara - Eu também tenho orgulho de te ter como amigo. Não preciso te esconder de ninguém - ele sorriu de lado - Vamos, vai - saí do carro e esperei que ele fizesse o mesmo, depois travei as portas, chamei o elevador e subimos. Não posso dizer que não fiquei nervosa a medida que o elevador subia, porque fiquei, e nem sabia o por que. Quando chegamos ao andar certo, respirei fundo antes de tocar a campainha. Qual não foi a minha surpresa, quando o Júnior abriu a porta (preciso me lembrar de não falar mais em sorte, porque eu definitivamente não sei o que é isso). A primeira reação foi unânime: nós três ficamos surpresos. Não devia ter ficado muito, ali era a casa dele, mas fiquei. Por favor, não tinha mais ninguém em casa pra atender a porta? Puta merda! A segunda reação foi diferente para todos: o Júnior nos olhava de um jeito severo, muito sério, dava pra ver sua mandíbula tensa, os dentes cerrados. O Diego parecia sustentar o olhar dele, inquebrantável. E eu... eu estava me sentindo uma idiota ali. Uma bela idiota. Mas antes que alguém pudesse dizer qualquer coisa, o Júnior deixou a porta aberta e, sei lá, sumiu. Meu Deus, por favor, não deixe que eu me arrependa de ter vindo até aqui. Por favor! Pedi internamente. Entrei, puxei o Diego pra dentro também e logo depois ouvi a voz da Tia Ná, acho que ela estava falando com a Joana -
Tia Ná - Meu amor! - abriu os braços na mesma hora para me receber e não esperei nada para abraçá-la - Que bom te ter aqui - beijou meu rosto, e eu sorri fraco. Ela cumprimentou o Diego normalmente e pediu que nós sentássemos - A Rafa acabou de subir pra tomar banho
Clara - Ah, então acho que ela vai ficar bem irada porque não vou esperar - ri levemente - E a Duda?
Tia Ná - Lá em cima também, disse que ia trocar as roupinhas das bonecas antes de ir - nós duas sorrimos - Sobe
Clara - Não, espero aqui mesmo
Tia Ná - Então vai ficar pra jantar, não é? Porque ela quando entra naquele quarto pra brincar esquece o mundo - o pior é que eu sabia muito bem disso e olhei pro Diego meio receosa - Pode ir, eu fico aqui com ele - piscou e sorriu -
Clara - Certo. Tudo bem? - olhei pra ele -
Diego - Claro, vai lá - sorriu. Não deixa o seu filho se aproximar muito ou pode sair faíscas, tia. Pensei quando me levantei, mas como é obvio, não falei. Penso muito, não?! Ainda bem. Subi rapidinho, e assim que cheguei no amplo corredor, evitei olhar para a porta de um certo quarto mas assim que passei por ele, estagnei -
Neymar - Clara? - a primeira coisa que me veio a cabeça foi perguntar o que ele estava fazendo ali, só que me dei conta de que a intrusa era eu. Virei para olhá-lo e percebi que estávamos a menos de um metro de distância. Meu alarme interno de periculosidade apitou -
Clara - Oi - limpei a garganta - Só estou indo chamar a Duda. Não se preocupa porque não vou ficar aqui por muito tempo com o Diego - seu olhar quase suave, mudou radicalmente e voltou a ficar muito sério, diria até assustador. Mas não tive nem tempo de pensar, pisquei e de repente, ele estava segurando o meu braço e entrando comigo no seu quarto. Só não gritei por que... não sei por que - Ficou maluco? - perguntei, porém, nem sei se ele respondeu. Entrei em um transe causado pelo choque ao olhar ao redor e ver que o seu quarto continuava idêntico ao que vi da última vez que estive nele e não falo dos móveis ou da decoração. Falo das... nossas fotos. Estavam meio escondidinhas atrás de uns porta-retratos grandes com tarefinhas feitas pela Duda especialmente para ele, mas estavam ali. Eu vi porque já conhecia as fotos, talvez outra pessoa nem percebesse. Pisquei algumas vezes, e ainda cheguei a esfregar os olhos pra ter certeza. O que é que nossas fotos estavam fazendo ali? -
Neymar - Você ainda guarda nossas fotos - sua voz me acordou -
Clara - Quem disse isso?
Neymar - A Duda - franzi a testa, mas lembrei que foi isso mesmo que falei pra ela: que tinha guardado. Ok, as fotos estavam bem escondidas, claro que não joguei fora, é como você; prefiro não encontrar, mas não consigo me desfazer, pensei -
Clara - Acho que isso não é da sua conta - fui grossa mesmo (tentei) e quando dei um passo a frente para sair logo daquele lugar, ele também fez a mesma coisa, se colocando perfeitamente na minha frente -
Neymar - Você transou com ele? - perguntou o que, acho eu, estava lhe atormentando, porque a sua voz estava tensa demais. Não devia, mas achei graça disso. Será que a Rafa tinha razão? -
Clara - O quê?
Neymar - Não me faça repetir isso
Clara - Eu é que não acredito que ouvi isso
Neymar - Me responde, por favor
Clara - NÃO!
Neymar - Não?
Clara - Não é da sua conta também. Sinceramente, quando a minha vida sexual virou o tema da conversa?
Neymar - Eu só quero saber, é tão difícil assim falar a verdade?
Clara - Obvio que é. Nada da sua vida me interessa, logo, nada da minha devia te interessar, não acha?
Neymar - Não acho. E se você quiser saber da minha eu digo...
Clara - Não! Me poupa, por favor - coloquei as mãos no rosto, e no mesmo momento ele me puxou pela cintura. Soltei um gritinho de susto e fiquei sem reação. O que é que estava acontecendo? -
Neymar - Você foi a minha primeira e é a minha última! - a intensidade das suas palavras me acertou em cheio, o impacto delas foi grande... e muito forte -
Clara - Quê? - sussurrei, abalada não só pelo que tinha acabado de ouvir mas por estar tão perto dele -
Neymar - Não fiquei com ninguém depois de você, nem pretendendo. Tenho certeza que você também não se envolveu com ele... mas quero ouvir
Clara - Se acha demais, não é? Mas não sabe de nada - sorri ironicamente -
Neymar - É mesmo? - não me pergunte o motivo, mas ele também sorriu - E ele te fez sentir coisas assim? - suas mãos desceram rapidamente para o meu bumbum e apertou-o levemente, nos deixando ainda mais colados. Corei e quase gemi, quase -
Clara - Não...
Neymar - Ou assim? - suas mãos voltaram a subir, dessa vez mais devagar e pararam na minha nuca, me arrepiei da cabeça aos pés. Filho da mãe! -
Clara - Não... - não queria responder, não devia responder nada, só que parecia involuntário. Meu corpo (um traidor, diga-se de passagem) respondia ao dele, e isso eu não tinha como negar ou esconder -
Neymar - Não o quê?
Clara - Não, ele não me fez sentir nada disso porque não, eu não me envolvi com ele - me afastei pra poder pensar com mais clareza, ainda sem acreditar no que estava acontecendo. Ele se afastou também, fechou os olhos, e passou a mão nervosamente pelos cabelos, depois voltou a se aproximar. Seu olhar estava calmo de novo -
Neymar - É feio isso que você fica fazendo, sabia?
Clara - O que é feio?
Neymar - Tentar, e conseguir me fazer ciúmes
Clara - Não sei do que você está falando
Neymar - Sabe. E devia ter um pouco de consideração pelo seu amiguinho... ele vai achar que você está dando esperanças pra ele
Clara - Você não sabe de nada. Não fala merda - tentei sair novamente, só tentei -
Neymar - Fica aqui - sua voz também suavizou um pouco -
Clara - Não
Neymar - Por favor
Clara - Não. E por que não vai atrás da atriz?
Neymar - Não tenho nada com ela - respondeu baixo demais pro meu gosto. Gargalhei impulsionada pela ironia e pelo nervosismo -
Clara - Ok - tentei passar pelo lado oposto, e dessa vez ele segurou o meu braço, então ficamos muito próximos de novo - Me solta
Neymar - Eu te amo - meu coração acelerou imediatamente, minhas pernas viraram geleia e minha boca ficou seca. Merda! -
Clara - Eu devia te bater - sorriu torto. Merda dupla! - Não sorri, estou falando sério. Não consigo entender você. Me deixa, fica praticamente chamando fotógrafos para verem você com aquela lá, e agora que ninguém está olhando vem atrás de mim? Qual é o seu problema, afinal?
Neymar - Eu te amo - repetiu. Minha mão coçou... não sei por que seu olhar me parecia tão sincero - Você costumava acreditar em mim
Clara - Isso era antes... quando você também costumava dizer que ficaria do meu lado sempre - ele me soltou bem devagarzinho, como se tivesse ouvindo a frase aos pouquinhos. Saí logo de perto mas quando cheguei na porta e coloquei a mão na maçaneta (cheguei a abrir), voltei - A propósito, te agradeço. Não por ter me magoado e ido embora como se nada tivesse acontecido, mas por ter me ensinado a ser mais forte. E menos idiota! - dei as costas, dessa vez decidida a sair mesmo. Pena que ele me puxou pelo braço de novo, ainda mais forte que da outra vez e o embate dos nossos corpos foi tão intenso que quase nos beijamos sem querer. Ficamos com os rostos muito próximos, e eu sabia que se ele tentasse alguma coisa, eu não iria resistir. Não queria resistir. E para o mal dos meus pecados, ele avançou, fazendo minha respiração ficar irregular imediatamente, mas recuou. Estava brincando comigo? Só podia ser isso! As lágrimas começaram a me ameaçar (demorou) - Eu não te amo mais - sussurrei, tentando acreditar em mim mesma, pra ver se ele acreditava também -
Neymar - Está tentando me convencer ou se convencer? - perguntou sem se afastar um milímetro -
Clara - Os dois
Neymar - E acha que está funcionando?
Clara - Estou me esforçando - murmurei e me surpreendi por estarmos falando tão baixo. Parecíamos estar... nos confessando - Você desistiu antes de saber se aquele era nosso ponto final, o que acha que eu devia estar fazendo? - a primeira lágrima rolou, e atrás dessa vieram as outras. Não consegui controlar e o mais incrível é que continuávamos juntos, ou melhor, colados. Depois de uns dois minutos apenas me olhando, ele começou a enxugar as minhas lágrimas com tanta delicadeza, com tanto carinho, que quando percebi já estava de olhos fechados - Aonde fomos parar? Estamos fugindo um do outro e escondendo sentimentos ou simplesmente tudo se acabou? - um soluço me interrompeu - Nossos caminhos mudaram e eu me pergunto diariamente o que fizemos com nós mesmos, com a gente - continuei de olhos fechados, ou acho que não teria coragem de falar - Procuro soluções, tentativas em vão e tudo o que encontro é apenas um labirinto de palavras não ditas, sentimentos ignorados e distanciamento. O que fizemos com nós mesmos? Onde fomos parar? O que iremos fazer? - suspirei ao perceber que suas mãos tinham se afastado do meu rosto - Me dê uma solução. Me ajude ou simplesmente iremos ficar assim, um em cada canto e deixando tudo cair no esquecimento - respirei fundo e preferi não falar mais nada, já tinha passado do ponto, não devia nem ter começado. Não estava completamente arrependida, mas estava embaraçada, com medo do que ele pudesse responder, ou sei lá... com medo de abrir os olhos e nem encontrá-lo mais na minha frente. Mas a sua resposta foi o oposto de qualquer coisa que tenha passado pela minha cabeça, porque quando já me preparava para mais uma frustração/decepção, senti a colisão impactante dos seus lábios nos meus. A surpresa me fez abrir os olhos na hora, só podia estar sonhando acordada... Mas não estava. Ele se afastou apenas o suficiente pra poder falar -
Neymar - Fecha os olhos - juro que ainda não estava entendendo nada do que estava acontecendo ali naquele quarto, só sabia que estava à flor da pele, e obedeci sem nem pestanejar. E então ele me beijou de novo. ELE ME BEIJOU! E foi tão... mágico. Seus lábios nos meus, sua língua invadindo minha boca, sua mão direita na minha cintura, nos mantendo mais unidos do que nunca e a esquerda encaixada perfeitamente na minha nuca. Devo dizer que as minhas mãos ficaram meio que voando, porque demorei alguns segundos para poder cair em mim, mas ele não pareceu se importar com isso, ficou com o total controle da situação e eu só correspondi. Cada partícula do meu corpo correspondeu, e estava tudo lá, exatamente igual: cada sensação, cada emoção... cada sentimento. Tudo mais forte e real do que antes. Já estávamos ficando sem fôlego quando comecei a chorar por saber que o momento mágico estava prestes a conhecer o seu fim. E isso não demorou para acontecer mesmo, ele foi abrandando o ritmo do beijo e findou-o muito devagar, como se não quisesse parar também. Ficamos apenas ouvindo as nossas respirações, até que ele falou - Se depender de mim, nada vai cair no esquecimento - abri os olhos e como num passe de mágica, tudo foi se desfazendo, até ele enfim, sair do quarto. Fiquei parada olhando para o além, sem saber muito bem o que pensar, e sem saber porque tinha deixado tudo aquilo acontecer. Quero dizer, sabia muito bem porque eu deixei acontecer, mas e ele? Brincou comigo e com os meus sentimentos ou também sentia tudo que deixou transparecer em um beijo quase interminável? E tudo que me disse? Meu Deus, ele me disse "eu te amo". Duas vezes! Será que estava com febre, como daquela vez que ficou delirando o meu nome? Será que queria me enlouquecer? Será que a Rafa tinha razão? Ele meio que deixou claro o seu ciúmes, mas só sente ciúmes quem... ama. Não é possível! É? Tantas incógnitas, tantas interrogações, e depois de tanto pensar só conseguia me perguntar por que estávamos separados. Não nascemos para dar certo, nem para ficarmos juntos? Sei lá, vai ver o nosso felizes para sempre é cada um pro seu canto. Algumas pessoas estão destinadas a se apaixonarem, mas não para ficarem juntas... Mesmo assim sei que esse amor é aqueles que só acontece uma vez na vida, apesar de tudo ou por causa de tudo, a gente se pertence de uma forma bem estranha. Minha avó diz que o amor não tem uma explicação, eu estava começando a achar o contrário: existe sim, mas aposto que é uma bem idiota. O que mais queria era um tempo pra poder assimilar tudo que tinha acabado de acontecer, só que já tinha perdido demais. Passei as mãos no rosto, tentando me recompor, dei mais uma olhada nas fotos e saí do quarto rápido. Passei no da Duda mas ela não estava mais lá. Dei meia volta, pedi mentalmente para estar com um ar apresentável, respirei fundo e desci. A Rafa e a Duda já estavam na sala com o Di e a Tia Ná, e quando me viram, todos eles pararam de falar. Será que o Júnior também tinha passado por ali? Se sim, levando em conta o tanto que demorei (e nem cheguei a chamar a Duda), com certeza já haviam hipóteses rondando nas cabeças de cada um. Parem de me olhar, por favor! -
Rafa - Minha chata! Achei que você ia embora sem falar comigo - levantou pra me abraçar e sorriu amplamente - Preciso te mostrar uma coisa, vem comigo - não me deixou responder nada e me arrastou pra cozinha, que estava vazia - Eu vi - tentou conter um grito e colocou as mãos na boca - Eu vi -
Clara - Viu o que? - essa pergunta devia ir para o livro das mais idiotas, eu sei, mas fiz mesmo assim -
Rafa - Você sabe o quê
Clara - Não se alegre. Não sei o que deu no seu irmão... e em mim
Rafa - Eu sei
Clara - Tudo bem, mas eu não quero saber - ela riu e balançou a cabeça negativamente -
Rafa - Vocês são o tipo de casal, que mesmo não estando juntos ainda são um casal - ai, meu Deus! -
Clara - Eu... eu preciso ir, Rafa - ela assentiu e não insistiu ou me pediu pra ficar mais. Apenas me abraçou mais uma vez e me deu dois beijinhos, não tirou o sorriso do rosto. Voltei pra sala, e a Duda não estava mais lá - Cadê ela?
Tia Ná - Foi dar tchau pro pai
Rafa - Aqueles dois são um grude, você sabe - veio falando da cozinha e sentou no mesmo lugar que estava antes, ainda sorrindo. Não respondi. Olhei pro Diego e ele parecia pensativo, absorto... completamente longe daquela sala. Aquele não era o lugar dele e eu podia ter evitado tudo se não fosse tão ingênua (pra não dizer idiota de novo) a ponto de pensar que seria normal estarmos ali. O Diego não merecia uma amiga como eu, mas eu queria merecer a sua amizade, queria muito e pra isso não podia mais errar com ele... estava disposta a não fazer mais isso. A Duda saiu da sala de jogos com o Júnior, ambos sorrindo e só porque eu já esperava que me ignorasse como se nada tivesse acontecido a minutos atrás, ele fez o oposto e olhou pra mim de um jeito que quase deixou tudo muito obvio. Na verdade, acho que era um olhar mais direcionado ao Diego. Balancei a cabeça, achando que aquilo já estava indo longe demais. Um beijo e meia duzia de palavras ditas no calor do momento não havia mudado nada: continuávamos separados - apesar de tudo, sem nenhuma chance de retorno - então ele não podia se achar o dono da situação, ou pior, o meu dono -
Clara - Vamos, Di? - ele levantou imediatamente, foi quase automático - Vamos, filha? - o Júnior agachou pra dar mais um beijo nela, depois passou por todos nós e subiu. A Duda se aproximou de mim com a sua bolsa cor de rosa pouco chamativa, e enlaçou a minha cintura. Beijei o topo da sua cabeça, ela me olhou e sorriu. Nos despedimos da Tia e da Rafa (o mais rápido que deu, confesso) e descemos. Não queria mais ficar naquela casa, estava ficando tonta de tão nervosa. Entramos no meu carro, o Diego foi atrás com a Duda e durante o caminho todo só falou com ela. Não podia julgá-lo se ele quisesse parar de falar comigo pelo resto da vida. Chegamos no apê, e ao estacionar vi o carro do Gil. Subimos, e ele e a Manu estavam no sofá, apenas assistindo, ainda bem. A Duda ficou feliz por vê-los juntos de novo, chegou a sentar entre eles mas não prestei atenção na conversa animada deles, e quando vi o Diego sair da sala, só consegui pensar em segui-lo. Ele entrou no quarto de hóspedes, mas deixou a porta entreaberta, bati nela antes de entrar - Está tudo bem? - estava preparada para ouvi-lo dizer que ia embora da minha vida para sempre, mas ouvi o que menos esperava -
Diego - Você está bem?
Clara - Sim, estou - Não, estou na merda! -
Diego - Tudo bem, também - respondeu sem me convencer, ainda de costas pra mim - Desculpa se te causei algum transtorno
Clara - Quê? Pelo amor de Deus! Eu é que devia estar me desculpando, não devia ter te levado pra lá. Sabia que podia não dar muito certo - me lamentei, só que já era tarde demais -
Diego - Ele ainda gosta de você - virou finalmente para me olhar -
Clara - Quem? - perguntei sem querer entender o que estava querendo dizer -
Diego - Ele ainda gosta de você - repetiu mais devagar, bem convicto -
Clara - Diego, por favor
Diego - Eu vi o jeito que ele te olhou, Clara. Eu conheço aquele jeito - meu coração quase parou - Me desculpa se com isso posso estar fazendo com que você crie falsas esperanças em relação a ele, mas senti que era o meu dever te falar isso. Ele ainda gosta de você
Clara - Diego...
Diego - Não precisa falar nada, muito menos se desculpar de novo. Nós já falamos sobre isso
Clara - Mas... - tentei segurar as lágrimas, mas foi em vão - O meu lado nessa história toda é muito complicado... a única coisa que posso fazer é pedi desculpas
Diego - Não chora - sorriu de lado, se aproximou e me abraçou - Depois a gente ainda vai rir de tudo isso - falou bem baixinho. Intensifiquei a força do abraço, querendo mais do que tudo que aquilo fosse verdade - Vai lá aproveitar a Dudoca, deve estar com saudades dela - enxugou as minhas lágrimas e me deu um beijo na testa. Tentei sorrir, beijei sua bochecha e saí do quarto, mas não fui pra sala... entrei no meu cantinho, no meu refúgio. Ainda me perguntava o por quê de não estar me sentindo mal por ter ficado com alguém comprometido. Ok, não sentia nenhum tipo de simpatia pela atriz, mas não gostaria de ser... traída (?) Por que é que não estava arrependida, então? Por que não sentia que tinha feito algo errado? Estava mais confusa do que nunca, tendo as palavras do Júnior ecoando junto com as palavas do Diego, da Rafa, da minha avó e da Tia. Tudo embaralhado na minha cabeça, me deixando quase zonza. Ouvi baterem na porta, e logo em seguida a Manu colocou a cabeça dentro do quarto -
Manu - Posso entrar? - assenti, já sabendo que só pela sua cara, ela estava pronta para um interrogatório. Talvez eu estivesse precisando disso. Ela entrou, trancou a porta e sentou ao meu lado. Comecei a falar antes mesmo que ela perguntasse algo, acho que foi mais porque queria desabafar mesmo. E fui falando, falando... até ficar sem fôlego e precisar parar mesmo. Mas contei tudo - Ai, meu Deus! E aí? - e que comece o interrogatório -
Clara - E aí, o que?
Manu - Como assim? Vocês se beijaram!
Clara - E daí?
Manu - Você sabe muito bem onde eu quero chegar, nem começa
Clara - Não sei onde você quer chegar
Manu - Tudo bem, eu esclareço - sorriu irônica - Se vocês se beijaram, isso significa que alguma coisa ainda existe entre vocês dois
Clara - Alguma coisa é pouco... Existe muita coisa, Manu. Muita coisa!
Manu - Então...?
Clara - Sei lá - gargalhou - Nossa, você está realmente rindo de mim?
Manu - Não estou rindo de você, é da situação. Vocês sempre foram assim complicados demais mesmo, ou como era?
Clara - Não somos complicados. Na verdade, é tudo muito fácil
Manu - Me explica então, porque eu estou tentando entender
Clara - Eu o amo, não vou deixar de amar. Ele disse que ama, apesar de tudo, eu acredito e depois do beijo... só consegui ter mais certezas disso
Manu - E isso porque não são complicados... - sussurrou - O que é que vocês estão fazendo separados? Porque ele está com aquela lá?
Clara - Às vezes o amor não é suficiente - encolhi os ombros -
Manu - Eu não concordo. É o suficiente sim, basta ser verdadeiro e ele supera qualquer coisa
Clara - Não foi bem isso que eu quis dizer, Manu... É que...
Manu - É que...?
Clara - Quando voltei pra Santos, lembro dele ter me dito que parecia existir uma parede entre nós. Agora, sei lá porque ou por quem, essa parede foi construída de novo
Manu - Mas espera, essa parede era o fato de tu esconder que ele era o pai da Duda?
Clara - É... sempre soubemos o que sentíamos, mas ele nunca acreditou na minha desculpa ridícula quando o deixei aqui...
Manu - E isso não te faz pensar em nada?
Clara - Tipo o que?
Manu - Na desculpinha ridícula que ele te deu quando te deixou
Clara - Você acha que...?
Manu - É algo a se pensar
Clara - Minha avó me disse algo parecido, sabia? Meio que defendeu o Júnior e disse que ele deve ter tido um motivo forte pra ter feito o que fez, mas que eu só saberia esse motivo com o tempo. Só que eu não quero esperar quatro anos, Manu. Não posso, entende? - percebi o quanto estava desesperada e tentei manter a calma - Mas... ao mesmo tempo, morro de medo
Manu - Medo de que?
Clara - Daquele que eu vou considerar o vilão da história no dia em que escrever o meu livro - ela riu um pouco - O desconhecido... - sussurrei - Tenho medo mesmo de saber o verdadeiro motivo que fez ele me deixar. Não sei... talvez eu deva me conformar e ponto. Sinto que se ele quisesse realmente me contar, já teria feito isso, oportunidades não faltaram. Inclusive hoje...
Manu - Bom, não posso mudar sua opinião quanto isso, mas eu o colocaria contra a parede
Clara - Eu sei - ela sorriu - E até poderia dizer que também vou fazer isso, mas sei que não vou. Não tenho coragem pra isso
Manu - E o que você sente? Não conta?
Clara - Conta. Só que precisei guardar tudo em uma caixa, tranquei e escondi a chave - confessei o que ainda não tinha feito mas pretendia fazer, para o bem da minha sanidade mental. Ela não insistiu mais no assunto e fiquei grata por isso, ficar remoendo aquilo só me faria criar mais hipóteses infundadas e sem sentido. Não podia perder meu tempo com fantasias, nem idade pra isso tinha mais. Precisava mentalizar que faltava menos de quinze dias para o transplante do meu avô ser realizado. Menos de quinze dias para que tudo finalmente ficasse bem, para que nossas vidas mudassem de novo, dessa vez pra melhor, e para que nossas esperanças se renovassem ainda mais. Era nisso que tinha que pensar e me preocupar, não em como deveria me sentir depois de ter beijado alguém que (amo) teoricamente é comprometido com outra. Além do mais, assim como ele descobriu o meu segredo de um modo bem inesperado, se eu realmente tivesse que saber algo, logo viria à tona (e eu nem sabia se queria que viesse).
Read: http://amoreprasentirnjr.blogspot.com.br/
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Olá, amores!
Falei pra vocês que posso demorar, mas sempre vou aparecer!
Hoje só quero pedir uma coisinha pra vocês: Votem na enquete lá em cima, por favor. É melhor pra eu ter uma base.
Beijocas, e até a próxima! Amo vocês ️




Aiiiiiiii meu core.......... Que capitulo perfeitoooooo *-----*
ResponderExcluirO Dieguito precisa arranjar uma girl poxa!!!! E os dois tem q se acertar logo
Omg genteney! Que isso? Maravilhoso e que saudades que estou dos dois juntos, mas eu aguardo, já pode postar o próximo viu? ❤
ResponderExcluirAi Gabi, você ainda me matar com essa história perfeitaaaa! Acho q o mistério tem que ser revelado logo pq ano agüento mais ficar imaginando coisas hahaha! Continua amor
ResponderExcluirAin amo vc.. demora mas quando volta caprichaaa.. Não vi enquete aki não.... pelo amor de Deus tenta não demorar eu sei q vc tem vida.. kk.. mas sou leitora e me desespero pra ler quando eh otimooo.. bjos
ResponderExcluirLindo , lindo , lindo , lindo , lindo , lindo ...
ResponderExcluirVocê conseguiu me fazer chorar , cheguei a soluçar. Depois que comecei a ler seu blog eu fiquei uma manteiga derretida , e a cada capitulo eu choro horrores ... vou chorar mais ainda quando acabar :(( tira essa ideia da cabeça e escreve até um capitulo sem fim -rsrs exagerei- se com 1/2 semanas que você não posta é capaz de morrer imagina quando acabar ? vou me desidratar !
Linda a surpresa do Gil *---* , acaba com esse mistério que o Júnior ta fazendo ... teu blog tá lindo , e vou começar a pegar no seu pé no grupo pra postar quando poder .
Divulga: quetodomalvireamorquetodadorvireflor.blogspot.com.br
top
ResponderExcluirTEU BLOG É MARAVILHOSOOOOOOO!!!!!!!
ResponderExcluirGente...... Que capítulo!!!! Lindo, lindo, lindoooooo!! Ô parabéns! Pq sera que junior ta fazendo isso??!
ResponderExcluirmuito bom!
ResponderExcluirtá tudo muito perfeito. beijos :*
ResponderExcluircontinua ai
ResponderExcluircomo você consegue fazer um capítulo mais perfeito que o outro? Cara,eu leio e fico querendo mais e mais. É tudo perfeito aqui
ResponderExcluirCara, que capítulo perfeito, eu chorei demais! Você escreve muito bem, tá de parabéns e por favor, continua quando der...entro todos os dias pra saber se você postou... Ah, tô torcendo muito por #ClaMar, que eles voltem logo! E se tiver grupo no whats me adiciona, por favor (89) 9944-0099
ResponderExcluirAiii meu Deus só agora vi que tu voltou a postar, parei no capítulo 42 e não sabia que tu tinha voltado, fiquei tão feliz, vou ler oa capítulo que perdi pra me atualizar, bjussss♥
ResponderExcluirGente do céu!!!!! Que capitulo foi esse?? PERFEITO, apenas.
ResponderExcluirContinua logooo ! To amando
ResponderExcluirCade você ??? Continua logo Poxa
ResponderExcluirQUERIA ESTAR VIVA PORQUE MORTA JÁ ESTOU!!!!! MA NO... tô completamente apaixonada, louca, sem palavras, tá tudo perfeito cara, cada detalhe... sei lá. Tu tá de parabéns, sempre por essr blog tão perfeito!!!!! /blogdneymarzete (thais)
ResponderExcluirMaisssss e maaiiisss !!!!
ResponderExcluirContinuaaaaaaaa pelo amor de Deus.rsrs
ResponderExcluirestá perfeito <3
M A R A V I L H O S O
ResponderExcluirtoppp meu! continua
ResponderExcluirmais top pra que ne? haha ,continuaaaa
ResponderExcluirContinuaaaa!! Ta top
ResponderExcluirContinua amor, ta lindo *-*
ResponderExcluiroi, nova aqui. amei o blog. cnt. beijo.
ResponderExcluirperfeitooooooooooooooooooo , posta mais rapidoo !!
ResponderExcluirJuro que há tempos eu procuro por você,kk pode parecer estranho mas eu sempre quis conhecer a autora MARAVILHOSA que deu vida a personal Mel e a melhor fanfic que eu já li,falo sem mentir ,por que além de tudo a fanfic da Melizinha foi a única que eu li e reli,com a mesma emoção,como da primeira vez,naquela época acompanhei a fic por celular e tinha uma enorme vontade de falar com a autora mas não sabia como acredite kk não tinha nem fc na época e descobri a fic por um acaso... Mas depois descubro que a escritora maravilhosa voltou,e com uma história ainda mais maravilhosa... Me diz como você consegue escrever tão bem assim??? E consegue nos envolver com uma história tão maravilhosa,tão perfeita??? Parabéns ainda é pouco pra você,e um muito obrigada por nos presentear com algo que nos faça sentir emoção e prazer ao ler, você é f*da(desculpa o palavreado) ... Obrigada e Parabéns Gabi por essa escritora Maravilhosa que você é... Saiba que é uma mulher como a Mel,ou como a Clarinha que eu peço a Deus pra colocar na vida do Junior!!! Ah e mesmo sabendo que você não pensa em ser tornar uma escritor,apoio pelo menos um livro seu publicado haha Sou fã disso daqui!!! @MyBoyNJR
ResponderExcluir- Sua fic é a MELHOR!! ❤
ResponderExcluir- Divulga? myeternoamornjr.blogspot.in/?m=1
meu deussssssssssss, continuaaaaaaaa!
ResponderExcluirmoça,você me surpreende!
ResponderExcluirperfeito, continuaaa!
ResponderExcluirCade mano???? Quero outro cap logoooo! Muito bom
ResponderExcluircontinua amor <3
ResponderExcluirContinuaaaaaa, rapido. u.u
ResponderExcluircontinua e como sempre ta perfeito!!!
ResponderExcluirPara tudo Brasil,desculpe a palavra mais você é foda kk
ResponderExcluirOMG *O* que capitulo foi esse. Quase choro com esses dois. Pq eles tem que tornar tudo tão difícil?! Adorei o momento que eles se beijaram e ñ vejo a hora de ver esses dois juntos de novo. Continua é bjoos
ResponderExcluirFOFOOOOOOOOOOOOOOOOO! AMEI AMEI AMEI! CONTINUA! =)
ResponderExcluirtá lindo e perfeito *-* continua ><
ResponderExcluirEssa fic é a melhor!
ResponderExcluirNão tem mais o que falar.. está perfeito, como sempre e como era de se esperar! *-* Continua *-*
ResponderExcluircoontinua amooor
ResponderExcluirContinua o mais rápido possível pffff
ResponderExcluirPode indicar meu blog? Agradeço desde já amor! Ah, e parabéns pelo blog você é uma ótima escritora... http://endlesslove-foryou.blogspot.com.br/
ResponderExcluirtudo perfeito!
ResponderExcluircoooooontiinua rápidoo *--------*
ResponderExcluirCade? Não vai continuar não é? Ta top
ResponderExcluirsensacional !!
ResponderExcluirsua fanfic é tão linda, você escreve DEMAIS !
ResponderExcluirpoderia me indicar pf ? http://amoreaponteentredoiscoracoes.blogspot.com.br/
tá perfeito gente <33
ResponderExcluirindica pra mim ?
http://amortosemlimitesnjr.blogspot.com.br/
Maravilhosooooooo!
ResponderExcluirDivulga→ seusorrissonjr.blogspot.com
Divulga ? http://vocetemmarcaemmimnjr.blogspot.com.br/
ResponderExcluirObrigada :D
Cade voceeeee ??? ����
ResponderExcluirNão some!! Kkkk amo sua fic ��
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