segunda-feira, 22 de julho de 2013

Capítulo 10 - “...Talvez esteja na hora de abrir o jogo”


 Despertei e a minha cabeça latejava, como se houvessem sinos dentro dela. Levantei e como o quarto estava escuro, fui olhar as horas, 23h. Tirei a roupa, entrei no banheiro e tomei um banho quentinho. Vesti meu pijama, prendi meu cabelo num coque folgadíssimo, calcei minhas havaianas, saí do quarto e pelo silêncio, as duas já estavam dormindo. Fui direto pra cozinha tentar comer alguma coisa mas só desceu um pouco de suco, aproveitei pra tomar logo um comprimido, lavei o copo e antes de ir pro meu quarto, passei pra ver a Duda. Sentei na pontinha da sua cama, puxei o cobertor pra cima e perdi a noção do tempo que fiquei ali, apenas a admirando dormir, que nem um anjo. Quando voltei pro meu, só escovei os dentes, me joguei na cama de novo, coloquei o celular no silencioso e agradeci mentalmente a Deus por meu trabalho ser apenas dia sim, dia não. Fiquei discutindo, ás vezes alto, com meus próprios pensamentos até consegui pegar no sono novamente.
    ****
Acordei com uma mãozinha passeando pelo meu rosto.
Eduarda - Bom dia, mãe - disse, mal abri os olhos -
Clara - Bom dia, meu amor
Eduarda - Tá melhor?
Clara - Melhor de quê?
Eduarda - Não sei - encolheu os ombros - Mas ontem você dormiu muito, aí eu não te vi - fez beicinho e eu sorri fraco -
Clara - Ah, então já estou bem melhor sim. Sobe aqui pra me dar um abraço bem forte agora - subiu na cama, deitou do meu lado e me apertou o quanto pôde - Melhor abraço do mundo - disse no seu ouvido e ela riu -
Eduarda - Não vai trabalhar hoje?
Clara - Não, hoje eu vou tentar te matricular
Eduarda - No balé também?
Clara - Se eu conseguir, sim
Eduarda - Oba! - levantou e começou a dançar em cima da cama numa alegria contagiante. E é nessa alegria que eu preciso recuperar todas as forças que perdi em confronto que eu já esperava sim, mas não deixou de me pegar de surpresa, o que só piorou tudo. Ainda ficamos enrolando um pouco mas como queria resolver logo as duas matrículas pendentes, levantei, separei uma roupa fresca e entrei no banheiro. Tomei um banho rápido, escovei os dentes, passei hidratante no corpo, me vesti e voltei pro quarto penteando o cabelo -
Clara - Quer ir comigo?
Eduarda - Quero - respondeu o que eu já esperava -
Clara - A Manu já acordou?
Eduarda - Já sim
Clara - Então chama ela pra mim, depois vai pro teu quarto e escolhe uma roupinha que eu já vou lá, pode ser?
Eduarda - Uhum - desceu da cama, saiu do quarto e eu voltei pro banheiro. Prendi o cabelo, passei um pouco de base no rosto porque parecia que tinha ficado acordada a madrugada inteira. Borrifei um pouquinho do meu perfume, e quando virei para ir em direção a porta, me deparo com a estátua da Emanuelle -
Clara - Precisava aparecer assim?
Manu - Desculpa. Está melhor?
Clara - Não sei - passei pro quarto -
Manu - Como não sabe?
Clara - Não sei, não sei como estou e sinceramente? Não me interessa saber agora - abri o mac e peguei o endereço das duas escolas que mais me interessaram quando ainda estava só pesquisando - Tenho que pensar na minha filha porque é por ela que estou aqui
Manu - Vai fazer as matrículas?
Clara - Pretendo. Vamos? Acho que depois vou passar na loja pra ver minha mãe. Preciso manter minha cabeça ocupada e distraída
Manu - Tá, vou só trocar de roupa - saiu do quarto também. Arrumei minha bolsa, colocando todos os documentos supostamente necessários nela, dinheiro e o celular. Calcei uma rasteirinha e fui ver a Duda -
Clara - E aí, escolheu?
Eduarda - Sim, pode ser esse? - levantou um vestidinho lilás listrado -
Clara - Pode, mas agora vamos pro chuveiro porquinha - riu. Entramos no banheiro, despi seu pijama e ela tomou seu banho, frio mesmo porque com o calor que estava fazendo... Ajudei-a a se vestir, prendi seu cabelo também e coloquei um tic tac da mesma cor do vestido - Já tomou café? - assentiu. Deixei-a passando seu perfume e fui até a cozinha. Peguei uma maçã e a Manu apareceu pronta - Duda, vamos - chamei-a do corredor mesmo e no instante seguinte ela saiu do quarto. Trancamos tudo, descemos, cumprimentamos o porteiro e ficamos à espera de um táxi - Estamos precisando urgentemente de um carro, pelo menos
Manu - Verdade. Vou ver o que meus queridos papais podem fazer a respeito disso enquanto não arrumo um emprego por aqui - por mais que não estivesse com vontade foi impossível não rir da maneira como ela falou -
Clara - Manu, é sério, chega. Você já fez demais - sabia que ia entrar por um ouvido e sair pelo outro mas não custava tentar -
Manu - Olha o táxi
Clara - Essa não tem mais jeito - pensei alto e ela mostrou a língua. Entramos, passei o primeiro endereço e ele deu partida. Chegamos em frente a Escola Pequeno Príncipe, paguei, saímos e passamos os minutos seguintes conhecendo aquele lugar enorme, acompanhadas pela diretora. Gostei dali, bem amplo, com espaço de sobra, uma estrutura ótima e o principal, ainda tinha vaga para o ensino infantil. Então consegui matricular a Duda, comprei logo o uniforme também e ela me passou uma lista de materiais, que não iria precisar comprar quase nada porque pode até não ser início de ano mas minha filha é bem cuidadosa. Fiquei sabendo do horário, como as professoras trabalham... e já poderia mandá-la quando quisesse -
Eduarda - Quando eu venho pra cá, mãe? - perguntou olhando ao seu redor enquanto nos dirigíamos para a saída -
Clara - A partir de amanhã amor. Gostou daqui?
Eduarda - Gostei. Tem muitos parques - sorriu -
Manu - Só pensa nisso, meu Deus - ela mostrou a língua e a Manu riu. Saímos, pegamos outro táxi, passei o segundo endereço para o motorista e ele nos deixou em frente a Academia de Ballet Natura Essência. Bastou ver os desenhos das bailarinas no outdoor enorme que cobria a fachada pra Duda perceber onde estávamos e ficar ainda mais elétrica. Não sei porque ela tomou tanto gosto por essa dança, coloquei-a apenas para se distrair e virou essa paixão... O processo ali foi mais rápido, matriculei-a, me informei sobre os horários, que não eram tão diferentes da outra escola, depois fomos conhecer, que também é enorme, além de contar com um auditório ainda maior para apresentações -
Clara - Enfim. Tudo resolvido
Manu - Partiu shopping, então?
Clara - Bora - saímos, ficamos naquela espera chata por um táxi e do nada a Manu começou a rir - Que foi?
Manu - Se juntássemos o dinheiro que estamos gastando hoje com táxi, acho que já dava para comprar um carro
Clara - Que exagero - riu - Só não vamos de ônibus porque não faço mais ideia de quais passam em tais lugares e fazer todos eles pararem para perguntar ao motorista por onde ele vai passar não ia ser muito legal - gargalhou. Finalmente apareceu um, entramos, pedi para nos deixar no Praiamar e por causa de um pequeno congestionamento só chegamos lá depois de meia hora... Rodamos o shopping inteiro porque nada mais era como antes, lógico, então fiquei que nem uma barata tonta, sem saber a direção certa para as lojas, e as duas só riam de mim. Mas enfim, as plaquinhas foram me ajudando. Comprei logo algumas coisinhas da lista de materiais na Papelaria, depois entramos em outras lojas de roupas/calçados, não exageramos e por fim deixamos a moda infantil, onde também compramos pouco. A Duda amou uma it bag e ok, concordo que uma garotinha não pre-ci-sa de uma bolsa mas até eu me encantei por ela, por isso levamos e fomos almoçar no McDonald's. Quando terminamos, descemos e entramos na Vivara -
Débora - Nossa, que surpresa boa - deu um beijo no rosto de todas nós - Estava agora mesmo pensando em ligar pra vocês
Clara - É, fui matricular a Duda e como não estava muito longe daqui...
Débora - Ah sim. E como é que foi o primeiro dia no emprego novo? - a empolgação tomou conta -
Clara - Bom...
Débora - Bom? Só isso?
Clara - É... - senti a necessidade de mudar logo de assunto - Pra quê ia ligar pra gente mesmo?
Débora - Vão jantar lá em casa hoje?
Manu - Opa, tô dentro - olhou pra mim - Nem pense em dizer o que está pensando porque nós vamos!
    (...) 
Quando chegamos em casa, a Duda ficou na sala vendo TV e nós fomos guardar o que tínhamos comprado.
clarabarcelar_: Porque a primeira it bag a gente não esquece  #fofurice #mamãebabona #guccibaby 
Depois de por as coisas dela no seu quarto, fui guardar as minhas e terminei deixando uma caixa cair da parte de cima do guarda-roupa. Ela abriu e a primeira coisa que vi foi uma foto... Peguei-a e não, não chorei mas sim, sorrir. Sorrir ao lembrar o quanto estava feliz ali com ele e nada mais importava... Agora tudo que tenho são essas armadilhas suaves que nos pegam pelas pernas e nos enlaçam. Sim, as lembranças... que nos dão cama, casa e comida enquanto a gente acha que reconstrói tudo aos poucos – sem saber que tudo aquilo vai desmoronar num piscar de olhos. Subtraem enquanto a gente acha que soma. E somem num instante. Deixam a gente em pó suspenso no ar. Embaçam os óculos e atrapalham a respiração... Lembranças são a marcha ré disparada sem querer no meio do engarrafamento. E a gente bate com tudo no que deveria nem encostar. Embaçam a vista e a vida. E se fazem de dissimuladas: o que era ruim desaparece e o que nem era tão bom assim ganha um peso de sobrecarga. Um sorriso de lado vira a coisa mais bonita que a gente já viu. E as histórias de corações partidos são substituídas por mal-entendidos irreais. As lembranças se misturam e se chocam. Servem de travesseiro pras noites mal dormidas. E acabam recriando cafunés que nunca existiram. Lembranças são o resto da memória que ainda vive. Se escondem nos ralos e nos cantos escuros do corredor da casa. Se disfarçam de porta-retratos e roupas guardadas. É nelas que a gente revive o que a gente foi – e o que nunca foi também. Elas não são feitas de deixar de ser. Elas são, e nos cutucam na ferida aberta a cada novo momento. Sem alarme de incêndio pra avisar do fogo. São queimaduras de segundo grau que a gente ganha pela exposição prolongada ao passado. E nos transportam para o ponto final do início de tudo. O fim de alguma história se torna ponto de partida – e mal sabemos nós que estamos presos a um ciclo vicioso de repetições. Tanto das lembranças quanto das ações. E os fins entortam os meios. E a gente parece não lembrar direito o que aconteceu. Só se lembra de que acabou. Ou que nem chegou a existir. Elas são de uso exclusivo aos que possuem corações fortes. São prescritas de forma a seguir uma bula de nostalgia e sofreguidão. É como colocar um doce na boca de uma criança e tirá-lo depois. Só que as crianças somos nós. E daí nos prescrevem tarjas-pretas. Lembranças podem nos levar à loucura, de fato. Mas eu espero que a minha loucura possa ser perdoada. Porque eu ainda não descobri como me desfazer do doce vício de relembrar antigos diálogos e fotografias.
    ****
 Usei o resto da minha tarde para colocar algumas ideias sobre o novo projeto do Santos no papel. A ideia é interagir ainda mais com os torcedores então porquê não criar algumas promoções para os vencedores terem a oportunidade de narrar um jogo dentro da cabine da rádio santista junto com a equipe maravilhosa que trabalha lá? Entre outros ''prêmios''... pensei em algo relacionado ao marketing também e quando já estava guardando tudo, a Manu entrou no quarto.
Manu - Esqueceu do jantar não né?
Clara - Você deixa?
Manu - Vai ser bom Clara, você não disse que queria manter a cabeça ocupada?
Clara - Disse mas eu tenho certeza que o assunto da noite vai ser o primeiro dia no meu novo emprego
Manu - Foi mal
Clara - Relaxa, vai ser arrumar - saiu do quarto, e eu saí atrás. Dei um banho morninho na Duda, vesti-a, ela pediu pra ficar de cabelo solto então só coloquei uma tiara, peguei uma sapatilha da mesma cor do vestido, deixei-a calçando e voltei pro meu quarto. Peguei minha roupa, joguei em cima da cama, entrei no banheiro, me despi e tomei um banho moderado. Passei hidratante no corpo, me envolvi na toalha, passei um pouco de base, lápis e rímel. Me vesti, penteei o cabelo, calcei uma rasteirinha mesmo e me perfumei.
Peguei meu celular e saí do quarto. 
Manu - Vamos?
Clara - Vamos - a Duda pegou na minha mão, trancamos tudo, descemos, pegamos um táxi e seguimos para casa dos meus pais. Quando chegamos nossa entrada já estava liberada, portanto subimos logo. Toquei a campainha, minha mãe atendeu toda sorridente, nos cumprimentou e assim que coloquei os pés na sala fiquei estática. Pasma. Queria sorrir mas... e se eles também me odiassem? E... o que estavam fazendo ali? No meu peito o coração parecia estar tão atordoado quanto minha cabeça, completamente cheia de recordações do passado. Sim, aqueles que faziam parte da minha segunda família estavam bem na minha frente, ou pelo menos a maior parte dela, já que o elemento principal não se encontrava -
Tia Na - Vai ficar aí parada? - perguntou meigamente, como eu já bem conhecia e vi seus olhos ficarem rasos, apesar de sorrir. Não sabia se era o correto mas pouco me importei, me aproximei e ela me tomou em seus braços de um jeito muito seu, muito mãe. Foi impossível segurar a emoção - Meu Deus, que saudades - me fitou carinhosamente e sorriu maravilhada - Porque sumiu desse jeito das nossas vidas? - passou a mão no meu rosto, fechei os olhos e apenas abracei-a novamente. Precisava sentir que não estava sonhando -
Tio Neymar - Então, e mais ninguém merece abraço aqui não? - riu. Continuava achando que tudo não passava de uma pegadinha e a qualquer momento eles desapareceriam. É possível, depois de tanto tempo e de ter ido embora do jeito que fui, continuarem sentindo por mim o mesmo que nunca deixei de sentir por eles? É impressionante. Abracei-o também e voltei a sentir aquela proteção de pai, de quem está ali pra tudo... uma sensação extremamente boa.. tão boa, que achei que não podia melhorar. Mas não. Como não podia melhorar se a minha menina também estava ali? Quer dizer, agora já praticamente uma mulher. A minha caixinha de segredos por muito tempo... éramos tão novinhas e mesmo assim temos tanto para lembrar, tantas histórias pra contar -
Rafa - Não acredito...! - sorrimos - É você mesmo Ana Chata?
Clara - Não vou te bater agora porque também estou morrendo de saudades - riu e me abraçou, assim como fazia todas as vezes que eu precisava, achando que o mundo estava caindo em cima de mim por causa de uns mínimos problemas. Ingênua... sabia nada da vida ainda... ou melhor, conhecia o amor, e isso pra mim bastava - Como é possível? - olhei para os três - Me abracem de novo, por favor - riram e me abraçaram coletivamente. Era como se nada pudesse me atingir ali dentro daquele abraço. Meus pais olhavam pra gente enternecidos, com sorrisos enormes, a Manu com certeza deve ter assimilado quem eram mas a Duda não estava entendendo nada, muito menos o motivo de estarmos chorando, por isso tratei logo de enxugar minhas lágrimas e esclarecer as coisas - Essa aqui é a Manu, minha amiga - cumprimentaram-se -
Manu - É um prazer enorme conhecê-los. Ouvi muito falar de vocês - eles sorriram e se fosse em outra ocasião, esganaria a Manu mas foi bom, assim ficava ainda mais claro que mesmo de longe nunca os esqueci -
Tia Na - E essa princesinha?
Clara - É... - hesitei e por momentos achei que não fosse conseguir falar - É a minha filha - nenhum dos três esconderam a surpresa e o espanto, mas a Tia nos olhava com um certo mistério que me deixou receosa - Duda, essa é a... - as palavras sumiram. Não saiu. Não consegui terminar a frase, minha mãe entendeu o motivo e saiu em meu auxilio -
Débora - Essa é a Tia Na, princesa
Eduarda - Ahh - aproximou-se dela - Oi tia - sorriu e foi preciso segurar todas as minhas lágrimas, principalmente porque ela fez questão de falar com o Tio, e a Rafa também -
Tia Na - Uma pena o Juninho ter preferido ficar em casa
Murilo - Ih, está caseiro agora? - riram -
Tia Na - Está é estranho, isso sim. Desde ontem, mas deve ser só cansaço - olhei discretamente pra Manu e me remeti ao silêncio.
    (...) 
Clara - Mãe, me explica tudo isso, por favor - pedi assim que tive a oportunidade de ficar sozinha com ela -
Débora - Nós nos reencontramos por acaso em um restaurante. Achávamos que um nem lembrava mais do outro, mas não - sorriu - Nossa amizade é verdadeira, e conversávamos como se nem tivesse passado quatro anos...
Clara - E se eu chegasse aqui e desse de cara com... - me interrompeu -
Débora - Minutos antes de vocês chegarem lá na loja hoje à tarde, a Nadine me ligou pra confirmar o jantar mas avisou que ele não viria, por isso resolvi te chamar já que ela e o Neymar queriam muito te rever
Clara - Mas eu não podia estar aqui mãe, muito menos com a Eduarda. Você viu como eu fiquei
Débora - É, eu vi... mas Clara - pegou na minha mão - Não vou mentir pra você
Clara - Quê que foi?
Débora - Eu e o seu pai só queremos o bem de vocês, sabe disso não é?
Clara - Sei
Débora - E foi só por querer sempre o bem de vocês que fizemos isso com outro propósito também
Clara - Qual?
Débora - Pra tentar te fazer entender que talvez esteja na hora de abrir o jogo - olhei-a sem entender muita coisa - Nós sempre te apoiamos mas você sabe que nunca achamos muito correta algumas das suas decisões - tentei argumentar mas ela não deixou - Olha só pra onde Deus te trouxe novamente. Acha mesmo que isso não quer dizer nada? Acha mesmo que é pura coincidência? Minha filha, você tomou decisões que não eram apenas suas mas ainda dá... - não a deixei continuar -
Clara - Mãe, chega. Não acredito que você fez isso - saí da cozinha antes que dissesse algo que viesse a me arrepender depois. Voltei pra sala, vi a Duda ''conversando'' com a Tia e fiquei sem saber se sorria ou chorava. Preferi parar de olhar, e sentei ao lado da Manu, de frente pra Rafa -
Rafa - Cara, onde você se meteu?
Clara - Santa Catarina
Rafa - Mentira - tive que rir da cara cômica que ela fez -
Clara - Verdade - riu - Floripa, meus avós são de lá
Rafa - Florianópolis? Como assim? Que bairro?
Clara - Trindade
Rafa - Estive diversas vezes em Jurerê
Clara - Eu sei. Essas notícias corriam rápido por lá - sorri fraco -
Rafa - Não acredito - balançou a cabeça negativamente - Era pro Juninho estar aqui também... - olhei-a - Minha mãe tinha que ter dito que o jantar surpresa ia ser com vocês
Clara - E... você acha que... ele ia gostar de me ver?
Rafa - Ahh, acho. Depois que você foi embora ele ficou arrasado - como doeu ouvir isso - Mas de vez em sempre o pegava olhando fotos suas - se já estava surpresa, mais ainda fiquei - Ele ainda não se desfez de nada que era de ''vocês'' - gesticulou as aspas e o meu coração colapsou -
Débora - Vamos jantar crianças - nos chamou, por isso o assunto ''morreu''. O jantar foi agradável. Não deu pra matar 1/3 das saudades mas conversamos bastante. Meu pai, todo orgulhoso contou do meu novo emprego, então fiquei um pouco tensa apesar de não demonstrar mas consegui me sair bem e não, não contei que já me reencontrei com ele... Perto das 23h, eles resolveram ir embora, mas trocamos números, claro e contatos nas redes sociais com a Rafa, que a propósito pareceu ter se dado bem com a Manu. Como já estava tarde resolvemos ir embora também, nos despedimos dos meus pais, e fiz o caminho todo de volta pra casa com as últimas palavras da Tia na cabeça ''Não some mais!!'' Quando chegamos, fui direto colocar a Duda na cama porque já tinha passado do horário, depois me refugiei no meu quarto -
Manu - Posso entrar? - assenti, e ela sentou de frente pra mim - Como você tá?
Clara - Minha mãe meio que armou esse jantar Manu
Manu - Como assim?
Clara - Ela fez isso pra tentar me fazer entender que talvez seja a hora de contar tudo
Manu - E talvez, só talvez, ela tenha razão né?
Clara - Até você? Vocês não entendem que eu não posso fazer isso? Não entendem que eles nunca vão me perdoar? - o desespero tomou conta de mim -
Manu - Amiga, calma - me abraçou - Você se arrepende?
Clara - Não é que eu me arrependa mas consigo me colocar no lugar deles
Manu - Mas e depois de hoje? Sim, porque agora aqueles que estavam no jantar sabem que você tem uma filha e se forem bons de conta... - senti um aperto no peito antes mesmo dela terminar de falar - Vou te deixar descansar, já que amanhã tem mais uma batalha
Clara - Pois é...
Manu - Boa noite - deu um beijo no meu rosto -
Clara - Boa - saiu do quarto e como eu estava realmente cansada, só troquei de roupa e me joguei na cama, esperando que o sono chegasse logo.


Read: http://neymareutequero.blogspot.com.br/
Oi, oi. Eu sei que vocês estão curiosas ao extremo mas 
eu não posso dizer mais do que já disse ou 
vai perder totalmente a graça :( 
Como citei aqui, vão existir flashbacks nas horas certas para 
encaixar as peças que faltam no quebra-cabeça de vocês.
Prometo que depois iram entender o porquê de cada coisinha.
E fica aqui uma foto da Dudoca para satisfazer um pouco 
da curiosidade de vocês, embora não vá usar apenas fotos dela.
O nome da música é Brand New Me.
E não, o Davi não irá participar. Beijinhos :*

25 comentários:

  1. como sempre perfeito,mas coloca o Júnior pra encontrar logo com a Duda

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  2. MUUUITO PERFEEEITO, isso, faz o Junior e a Duda se encontrarem e a Clara coontar apenas pra Tia Na sobre a DUDA
    COONTINUUUA LOOGO *-------*

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    1. Super curtii essa ideia!! Seria perfeito se ela chegasse um dia, e que se sentisse a vontade, e lembra do que a mãe dela falou e abrisse o jogo, contasse pra Tia Nah, que a Duda é a filha do Neymar, e a Tia Nah ficar encantada pela Dudinha! *---*

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    2. não po... aí ela ia "esconder" do próprio filho que ele tem uma filha?!

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  3. Menina, continuaa logoo issoooooo!!

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  4. Que maravilhoso!!!!!!!!!!! Qual será a reação do Junior ao saber desse jantar, desse reencontro e espero ansiosamente pra ler a Tia Ná contando que conheceu a Duda, ou ela e a Rafa podia levar a Dudoca pra passar a tarde com elas e ai o Ju conhece e se encanta, sem saber que ela é filha da Clara.. *----* Ain, é só uma idéia, sei que tu vai fazer bem melhor que isso!! Continua lindoca, ta perfeito!!! ;* @brubsolliveira

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  5. Quando me contou o que planejou para esse e para o próximo capítulo confesso que não fiquei tão entusiasmada para ler esse, pelo motivo da ausência do marrentinho lá, rs. Mas se tiver Duda e Manu no capítulo já está perfeito... mas agora, com essas três pessoas maravilhosas você me surpreendeu de uma forma fora do comum... que capítulo espetacular... está me faltando até palavras... pra tudo. Primeiro a foto, depois a surpresa da "segunda família" e por último mas não menos importante... as palavras da Rafa. Que dia hein! Mas confesso que estou louca para o próximo capítulo pelo "pequeno detalhe" que já está latejando na minha cabeça depois da sua pequena revelação, rs. Bom, mas já falei demais... como sempre -.- Você arrasa sempre, maluquinha. Isso aqui está perfeito demais!
    Ps.: Concordo com a mãe da Clara e com a minha Manu u.u e ahhh, estou gostando cada vez mais dela e me identificndo sempre, rss... beijos!

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    1. Concordo com a marrentinha hahaha to super ansiosa p que tu me falou que vai acontecer k continua!!!

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    2. Concordo já estou ao extremo de curiosidade continua
      @NeyJrlove

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    3. Concooordo plenamente , super mega curiosaaa *-*

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  6. Esse foi O cap. 10 meldelsss!! rsrsrs esperando ansiosamente pelo cap. 11. Postaaaa! Beijooos lindaaa

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  7. Omg kkkkk, Maravilhoso
    Quero só ver o juninho quando ver a Duda rs
    Continua

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  8. meu Deus vc me mata a cada capitulo juro que chorei nesse e estou mega emocionada!! o encontro dela com a Tia na foi Lindo .. mais ao contrarrio das outras acho bom a tia deduzir sozinha que a Duda Possa ser filha do junior .. por ela ter parado de falar na hora de apresenta-lá .. e quero muitoo ver a reação dele quando souber do jantar seria massa!! kk continuaa e Parabéns TU É FODAAA!! sem mais!!

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  9. Muito curiosa pra saber a reação do Júnior quando souber que a Clara tem uma filha e tals,tá muito perfeito cara,você arrasa sempre.

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  10. Estou pasma, paralisada, petrificada. Simplesmente P E R F E I T O! Continua rápido please!

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  11. Muito perfeito socorro ... Vc vai usar fotos da Maria eduarda Lanza pra representar a Dudoca que lindo ! Quero mais

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  12. Tá mega perfeito! CONTINUA!

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  13. como pode ser tão perfeito? Você consegue se superar a cada novo capitulo. Escreve perfeitamente bem. Parabéns lindona, continua logo que to super anciosa :*

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  14. sccrr, ta perfeito, muito bom. Já pensou em escrever livros ? HA HA KKKKKKKK.
    Amando.
    Se poder claro, indica? http://neymarmeuamorincondicional.blogspot.com.br/

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  15. manoo seu blog me surprende a cada dia , parabéns , posta rapidoo

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  16. Muito muito perfeito <3 Curiosa pros próximos capítulos

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  17. Meu Deus do ceeeeeu, menina você tem o dom de me encantar mais ainda em cada palavrinha que você escreve! Continua isso logo meu bem!

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  18. Simplesmente perfeito! Comecei a ler seu outro blog bem depois de você ter acabado e fiquei muito triste que você tinha dito la que não ia continuar. Ontem tava vendo meus blogs salvos e fui ler o seu de novo, e vi o anúncio que você pôs lá sobre esse. Na mesma hora comecei a ler e ta simplesmente PERFEITO. Você escreve MUITO, sou sua fã! Você pode divulgar meu blog? Criei a 1 semana, é sobre o Gil: http://www.gilmeuamor.blogspot.com.br . Obrigada, beijinho e CONTINUAAAAA !

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  19. maaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaais !

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