sexta-feira, 19 de julho de 2013

Capítulo 7 - “Quando a gente quer algo de verdade, quando a vontade ou a necessidade é maior do que tudo, a gente sempre dá um jeito”

Dedicado à @MeumundoNjr ♥

Os dias seguintes foram tudo, menos calmos. Quer dizer... teve a sua parte calma também. Mas deu para arrumarmos tudo, levei a Duda na quarta-feira ao balé para se despedir das meninas/professoras, como tinha prometido, fui na Agência também e o último dia na escola foi aquele chororô básico, não só dela mas de todos os amiguinhos também. Contudo, o que considero mais importante, é que não troquei um segundo sequer ao lado dos meus avós pra nada, e os mimos de ambas as partes atingiram níveis altíssimos. Por outro lado, mesmo com o tempo corrido, a Manu ainda conseguiu realizar, acho que, o seu maior sonho... pois é, me colocou de volta nas redes sociais. Pedi tanto para ela não fazer mas entrou por um ouvido e saiu pelo outro, isso, se é que realmente entrou. Criou todas as contas que quis, porque até então, só usava o whatsapp mesmo, me familiarizou com o mais atual e é aquilo... você começa a usar e... (in)felizmente, vicia. 
 A sexta-feira chegou, e com ela vieram também a ansiedade e as saudades que ia sentir de tudo. Do lugar que me acolheu quando mais precisei, dos verdadeiros amigos que fiz, dos sermões, que por telefone não vão ser a mesma coisa, e claro, dos mimos exageradamente maravilhosos que só a Dona Glória e o Seu Marcos sabem dá. Só Deus sabe a força que fiz durante a semana pra não chorar na frente deles, por querer tê-los por perto e saber que não vou poder. Mas a vida é assim: machuca, depois passa. A gente acha que não vai aguentar, mas aguenta.
 Acordei cedíssimo, apesar do nosso voo só estar marcado para ás 10h40. Levantei, entrei no banheiro, escovei os dentes, lavei o rosto, e troquei de roupa, vestindo um biquíni preto, um short simples jeans e uma regata rosa bebê. Prendi o cabelo em um coque, saí do banheiro, achei minhas havaianas no meio das malas espalhadas pelo quarto, calcei-a, peguei a câmera, coloquei-a na capinha que minha avó mesma fez, me certifiquei que a Duda ainda dormia e desci. Me espantei ao chegar na sala e perceber que não fui a única que o sono abandonou, pelo menos nos últimos dias. 
Clara - Acordada tão cedo, porque? - abracei-a por trás, ela se assustou e rapidamente passou a mão no rosto -
Glória - É - só precisei ouvir isso para saber que esteve chorando - Perdi o sono, mas e você? - virou de frente pra mim - Vai pra onde a essa hora?
Clara - Perdi o sono também, vou dar uma volta na praia
Glória - Não demora
Clara - Pode deixar - dei um beijo no seu rosto - Não quero te ver chorando, ok?
Glória - Quem foi que disse que eu estava chorando?
Clara - Me engana que eu gosto, Dona Glória
Glória - Vai logo pra não ficar tarde, vai - mudou de assunto, isso é típico seu -
Clara - Eu vou, mas já sabe né? - sorriu - Pois muito bem, é assim que eu quero te ver - peguei meu chaveiro na mesinha de centro, e soltei beijos - Até já! - saí de casa, coloquei as chaves dentro da capinha e apesar da praia não ser relativamente perto, preferi ir a pé. As ruas já estavam bem movimentadas, mas a praia, ao contrário delas permanecia vazia e apenas um dos vários quiosques estava aberto. Curiosamente, o que sempre frequentei. Aproveitei para fotografar a paisagem linda aquele horário e as vistas maravilhosas dos mais diversos ângulos. Não sei ao certo quanto tempo vou passar longe ou quando vou voltar, e as visitinhas nunca vão ser o suficiente, portanto recordações - além daquelas que guardo interiormente -  não podem faltar. Até porque amo a fotografia quase como amo desenhar, principalmente quando é à trabalho... Depois de um tempo larguei os flashes, deixei a câmera, assim como minha roupa com a dona do quiosque e entrei no mar. Nem a água bastante fria me fez querer sair, ficar ali estava me fazendo bem. Por momentos esqueci de tudo, era só eu e o som das ondas ainda calminhas (...) Voltei pra casa quando o relógio já estava prestes a marcar 08h. Ouvi vozes vindas da cozinha, fui pra lá e encontrei meu avô fazendo companhia a minha avó - Bom dia, meu novinho - riu -
Marcos - Bom dia - me olhou e sorriu -
Clara - Minha tagarela ainda dorme?
Glória - Sim
Clara - Vou subir então - deixei-os começando a preparar o café, subi, coloquei a câmera em cima de uma mala para não esquecê-la e fui direto pro banheiro. Me despi e aproveitei o fato de ter que lavar o cabelo para demorar bastante. Quando terminei, tirei o excesso da água, enrolei-o numa toalha só pra não sair molhando tudo e me enrolei em outra. Vesti minhas peças íntimas, passei hidratante no corpo e decidi chamar logo a preguicinha... que levantou cambaleando e foi pro banheiro. Dei um banho quentinho nela, depois deixei-a escovando os dentes enquanto me vestia, peguei sua roupa que já havia separado, ela se vestiu, do seu jeitinho desengonçado mas vestiu, calçou uma rasteirinha e eu penteei seu cabelo em um rabo de cavalo por conta do calor -
Eduarda - Posso ir descendo? - perguntou enquanto se perfumava -
Clara - Pode, mas não precisa ser correndo
Eduarda - Tá - pegou a sua bolsinha inseparável, também feita pela minha avó, se olhou no espelho de novo e saiu do quarto. Ri sozinha. Penteei meu cabelo do mesmo jeito, calcei uma sapatilha preta, coloquei o que restava nas malas, peguei apenas minha bolsa e desci, encontrando uma mesa de café da manhã linda.
Clara - Que bonito, nem me esperaram - sentei-me -
Eduarda - Ups... - fez uma cara cômica e nós rimos. Ao contrário do que pensei, consegui comer algumas coisas, e apesar do clima ser de despedida, não deixou de ser maravilhoso. Acho que até a Duda, do seu jeito ou mesmo sem perceber, estava aproveitando cada segundo... A campainha tocou, levantei para ir atender e quando abrir a porta, era quem eu já esperava -
Clara - Cadê seu carro? - perguntei ao ver um táxi arrancando da frente da casa -
Manu - Vendi
Clara - Como é? - devo ter ficado muito espantada porque ela riu -
Manu - Vendi ué
Clara - Eu bem percebi que você estava me escondendo algo durante a semana
Manu - Foi por uma boa causa - piscou -
Clara - Nem vou te perguntar que causa é essa ou te bato
Manu - Sabe o que eu acho?
Clara - Hum
Manu - Primeiro, tu podia me ajudar com as minhas malas né? - ajudei-a, e até que não eram muitas - E segundo, acho que o estresse da mudança está te deixando muito agressiva - riu e eu não consegui conter o riso também -
Clara - Porque o vendeu?
Manu - Queria o quê Ana Clara? Que eu comprasse uma casa para colocá-lo na garagem e viesse aqui todo fim de semana visitá-lo? - gargalhei - Tô falando sério
Clara - Eu sei
Manu - Então pensa pelo lado bom - olhei-a esperando ouvir o ''lado bom'' - Agora nosso cantinho já está garantido
Clara - Não acredito que você fez isso pensando em uma possível casa
Manu - Eu só juntei o útil ao agradável - respondeu dona de si - E nem sei porque ainda estou aqui te ouvindo ao invés de estar aproveitando o café da manhã maravilhoso da vó Glória - foi indo em direção a cozinha -
Clara - Vó Glória?
Manu - Lógico, algum problema? - abraçou a MINHA avó, revirei os olhos e eles riram. Voltei a sentar e terminamos de comer no mesmo clima de antes. Depois meu avô me ajudou a descer as malas e em seguida chamei um táxi -
Clara - Vão no carro de vocês porque é mais confortável, tá? - olhei pra eles que apenas concordaram. O táxi buzinou, olhei mais uma vez pra aquela casa, segurei as primeiras lágrimas, saímos e o motorista deu um jeito para que coubesse todas as malas -
Eduarda - Mãe?
Clara - Oi amor - olhei-a -
Eduarda - Posso ir ali? - apontou para o carro da bisa -
Clara - Claro que pode, entra lá - meu avô abriu uma das portas traseiras pra ela, eu e a Manu entramos no táxi e seguimos para o aeroporto. Chegamos, dividimos o valor do taxímetro, pegamos dois carrinhos, que a Duda cismou que queria empurrar um dos, mesmo sabendo que não ia conseguir por muito tempo porque as malas estavam bem pesadas. Fizemos o check-in, depois de pegarmos uma fila enorme, capaz de estressar qualquer um, pelo fato de existir alguns sem educação, sentamos pra esperar e permanecemos em silêncio -
Eduarda - Di!! - levantou e saiu correndo. Levantei também, assustada, porque apesar de ter ouvido por quem ela chamou, não o vi de início... mas sim... ele estava ali. Com um sorriso triste mas estava. Carregou a Duda e foi com ela no colo que se aproximou -
Diego - Bom dia - nos cumprimentou e logo após voltou a colocá-la no chão, não sem antes ganhar um beijo. Ficamos frente a frente, já que fui a única a levantar -
Clara - Você disse que não estaria aqui em Floripa
Diego - Quando a gente quer algo de verdade, quando a vontade ou a necessidade é maior do que tudo, a gente sempre dá um jeito - sorriu e eu retribuí -
Clara - Mas e o horário? Como ficou sabendo? - olhou pra Manu como resposta - Ah, claro. Não está me escondendo mais nada não, né Emanuelle?
Manu - Olha, já é a segunda vez só hoje que você tenta fingir estar estressada comigo e não consegue, então vamos parar - até minha filha riu de mim :c - Até porque tudo que fiz foi para o bem de todos - jogou o cabelo pro lado e nós rimos novamente. Aproveitamos como deu os minutos que antecederam a primeira chamada do nosso voo, com fotos, conversas, risos e abraços inesperados... muito apertados -
Clara - Torce por mim! - sussurrei abraçada a minha rainha, depois de ter feito o mesmo com meu avô e o Di -
Glória - Sempre!
Clara - Eu te amo - passei a mão no seu rosto completamente molhado -
Glória - Eu também te amo - fez o mesmo e deu um beijo demorado na minha testa. Ouvimos a segunda chamada, o Di ainda teve tempo de gesticular carinhosamente um ''Estou aqui pra tudo'', lhe respondi com um sorriso triste, porém, sincero. Por que dizer oi demora só um minuto, e dizer adeus, por mais que seja temporário, demora uma eternidade? Entramos no avião e depois de bem acomodadas, a Manu achou um jeito de entreter a Duda, que não conseguia esconder o quanto estava tristinha. E eu... eu desabei num choro silencioso. Aquele que tive que aprender cedo para me auto-proteger mesmo. Só conseguia pensar que se tudo desse errado não ia me perdoar por estar fazendo ela passar por isso, mesmo sabendo que quando chegarmos em Santos a sua alegria habitual vai voltar, porque o amor pelos avós é tão grande quanto pelos bisavós. Disso eu tenho certeza. Recostei no vidro da janela, peguei um dos livros que deixei dentro da bolsa para tentar me distrair, abri em uma página qualquer e... o que li conseguiu me deixar angustiada, com um certo medo... e ao mesmo tempo parecia que tinha lido a minha vida descrita em algumas palavras: “Tua caminhada ainda não terminou... A realidade te acolhe dizendo que pela frente o horizonte da vida necessita de tuas palavras e do teu silêncio. Se amanhã sentires saudades, lembra-te da fantasia e sonha com tua próxima vitória. Vitória que todas as armas do mundo jamais conseguirão obter, porque é uma vitória que surge da paz e não do ressentimento. É certo que irás encontrar situações tempestuosas novamente, mas haverá de ver sempre o lado bom da chuva que caí e não a faceta do raio que destrói. Tu és jovem. Atender a quem te chama é belo, lutar por quem te rejeita é quase chegar a perfeição. A juventude precisa de sonhos e se nutrir de lembranças, assim como o leito dos rios precisa da água que rola e o coração necessita de afeto. Não faças do amanhã o sinônimo de nunca, nem o ontem te seja o mesmo que nunca mais. Teus passos ficaram. Olhes para trás... mas vá em frente pois há muitos que precisam que chegues para poderem seguir-te.”




Gente, a Eduarda tem três anos, idade de muitos ''porquês?'', 
e de muita curiosidade, então é lógico que ela já perguntou pelo pai 
e vai voltar a perguntar sim, na hora certa. 
Aguardem só um pouco e vocês vão entender.  

22 comentários:

  1. mais que curiosidade ahaha, continua

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  2. meu Deus do céu!! EU VOU TER UM INFARTO!! vc me mata de tanta curiosidade kkk continua rapido .. to amando demais que voltou a escrever amava o outro era perfeitoo li inteiro e depois voltei a ler kk .. curiosa pra saber o pq ela foi emboraaa!! continuaa

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  3. Awn Manu ❤ Hahaha Que 'fim' foi esse? Meu Deus :o Tá mega perfeito, e eu já estou imaginando ela reencontrando o Júnior, estou vendo que irei chorar :c hahahaha Quero mais e mais, sempre! Beijos maluquinhaaaaaaaaaaa <3

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  4. Cada dia que passa me apaixono mais pelo seu blog, não me canso de comentar aqui o quão perfeito ele é, continua ta tudo maravilhoso s2

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  5. me apaixonando cada vez mais... continuaaaaaaaa!

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  6. esse capítulo ficou perfeito demais, como pode?!

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  7. M A R A V I L H O S O

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  8. amando muito essa nova fic :D

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  9. um capítulo melhor que o outro, impressionante!

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  10. MDS continua mulher! Isso tá viciante. HAHA

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  11. Meu Deus ta perfeito, Continua
    mega curiosa =*

    Apaixonada pela Dudinha >< hahahahah

    @Neymar_MyPride

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  12. Já falei mas vou falar de novo! Menina do céu, seu blog mexe muito comigo... Nesse capitulo eu chorei!!! Você arrasa! E a cada capítulo você nos surpreende!!!!!
    Obrigada por nos proporcionar leituras maravilhosas heheh
    Beijooooo

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  13. perfeito , não vejo a hora dela encontrar a familia do neymar o bonde do toiss , o proprio neymar , a Duda com ele , brincando , aii ta perfeitoo parabéns

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  14. Ta mais que perfeito!! To ansiosa pra que ela encontre o Júnior logo!! kk

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  15. Cara cada cp melhor do que o outroooooo! <3

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  16. Linda , eu leio suas postagens desde AMOR É PRA SEMTIR NÃO PRA ENTENDER , FICO EMOCIONADA TODA VEZ QUE ESCULTO EM SUAS MÃO LEMBRO DA MEL , JÚ E DO MATHEUS , aprendi muito com vocês , ou melhor com eles e tenho toda certeza do mundo que essa historia está cada dia mais perfeita *_* sou sua fãaaaaaaaaaaaaa , continuaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa e por favor me divulga ? minha musa inspiradora , estou começando agora e tall . aaaaaaaaaaaaaaaa ta muito perfeitooooo

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    1. Awn, linda. Muito obrigadaaaa!!
      E deixa o teu link aqui que eu divulgo sim, tá? Beijos :*

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  17. Peguei o blog agora mas ja li tudinho pra entender a história e adorei , quero acompanhar !! Quando postar me manda no twitter ?! @robertinhaD

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